Naveguemos pelo oceano de incertezas
“Coragem, sou Eu. Não tenhais medo!” (Mt
14,27)
Do alto da montanha, olho para a imensidão do mar e me pergunto
sobre o que é viver.
Algumas respostas vêm de um grande antropólogo que recentemente
nos deixou, Edgar Morin:
- “Por mais que acreditemos armados de certezas e programas,
precisamos aprender que toda vida é um navegar num oceano de incertezas,
atravessando algumas ilhas ou arquipélagos de certezas, onde nos
reabastecemos.” (1)
- “A certeza e o inesperado precisam ser integrados na História
humana. Nela, o imprevisto não passa de acaso, é também, como a revolução para
Marx, a ‘velha toupeira que trabalha debaixo da terra para aparecer de
repente’. A surpresa do inesperado não deve ser anestesiada. Ao contrário, deve
nos estimular a compreendê-lo, pensá-lo e, sem poder prevê-lo, pelo menos
esperá-lo” (2)
“- As grandes venturas só têm um tempo. Sua lembrança não me
enche apenas de saudade, mas também de uma doce e triste alegria.” (3)
- “Em primeiro lugar, quero indicar que o risco do erro e da
ilusão é permanente em toda a vida humana, pessoal, social, histórica, em toda
decisão e ação e mesmo em toda abstenção, podendo conduzir a desastres.” (4)
E, por fim, a instigante afirmação de Rita Levi-Montalcini,
Prêmio Nobel de Medicina:
“ Dê vida a seus dias, em vez de dar dias à sua vida.” (5)
Erros, ilusões, o impensável inesperado, certezas, incertezas,
pequenas ou grandes venturas marcadas como selo na memória e no coração...
O mar, o vento, as ondas, as tempestades... Travessias para a
outra margem consiste todo o viver...
Viver com intensidade e paixão pela vida, dando vida a cada dia,
a cada momento, a cada instante.
Não sucumbir nem ao medo nem ao cansaço, tampouco recolher-se em
amedrontada solidão do que possa devorar vorazmente a própria existência.
Descer a montanha, navegar no mar das incertezas, porque Deus,
em sua infinita bondade, concede-nos, de fato, “ilhas e arquipélagos de
certezas onde nos abastecemos”; e para quem crê, a Eucaristia é, por excelência,
uma delas.
Deus Onipotente e misericordioso fez-se presente em nossa travessia,
por meio do Seu Filho, e nos comunica o sopro suave do Seu Espírito, e que hoje
arde em nossos corações como chama eterna de Amor. Amém.
(1) Lições de um século de vida - Edgar Morin –
Bertrand Brasil – p.33
(2) Idem – p.36
(3) P.42
(4) P.91
(5) P.37

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