segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O Espírito Santo nos conduz na missão

                               

O Espírito Santo nos conduz na missão

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,16-30), oportuna para refletirmos sobre a missão de Jesus, uma missão divina, libertadora, inauguradora de um novo tempo, de uma nova realidade.

Com Ele, o Ano da graça é instaurado, a alegria, a paz, a vida em plenitude nos é alcançada por Sua presença e ação em nosso meio, pois Ele age sendo a própria presença da Palavra de Deus com a unção do Espírito Santo.

A missão de Jesus é a missão da Igreja, que ungida pelo Espírito Santo, alimenta-se e encarna a Palavra de Deus na vida.

Reflitamos:

- Quais as realidades que nos desafiam?
- De que modo comunicamos a Boa-Nova de Jesus?

- Sentimo-nos como um corpo em comunhão de carismas, diferentes ministérios empenhados em prol da vida e na edificação da comunidade?

- Quanto mais formos unidos, maior será a eficácia da Evangelização. Sendo assim, como vivemos a solidariedade, a responsabilidade e a coparticipação em nossa comunidade?

- Como acolhemos a Palavra de Deus? O que ela provoca em cada um de nós? Ela nos alegra, ilumina, alimenta?
- Esvaziamos a eficácia da Palavra de Deus, ouvindo-a sem praticá-la?      

- Cremos que o anúncio não é apenas para o outro que está ao nosso lado?

Renovemos nossas motivações, para que sejamos autênticos discípulos missionários do Senhor, seguindo-O, decidida e apaixonadamente, pois somente Ele tem palavras de vida eterna, como bem disse o Apóstolo Pedro (Jo 6,68).

Oremos:

“Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o Vosso Amor, para que possamos, em nome do Vosso Filho, frutificar em boas obras. Por N. S. J. C. Amém.”

Em poucas palavras...

                                


A Palavra de Deus encarnada renova e transforma...

Cumprimos a Palavra de Deus toda vez que ela é ouvida e aceita com fé na assembleia litúrgica, a comunidade de fiéis, para que sejamos fortalecidos como peregrinos de esperança:

“‘A Palavra de Deus é viva, eficaz... penetra no íntimo... e perscruta os sentimentos e pensamentos do coração’ (Hb 4,12), renova e transforma, porquanto se encarna em nós.” (1)

 

 

(1)               Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 1221 - Comentário da passagem do Evangelho (Lc 4,16-30)

Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito!

                                                   

Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito!

Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito.
Leve-me bem mais alto que possa.
Quero ver do alto o chão que piso
E o mais profundo que possa pisar.

Ó Deus, leve-me nas asas do Divino Espírito,
Para que possa ver o mar a atravessar,
Com seus desafios, ventos, mistérios,
E o medo que nos acompanha, vencer.

Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito.
E, num voo que me refaça as forças,
O Teu amor derrame sobre mim,
E a quantos eu, humildemente, suplico.

Ó Deus, leve-me nas asas do Divino Espírito,
Pois com Teu amor em nós derramado,
E tão somente com ele, a Lei Divina e preceitos sagrados
A nós confiados, pleno cumprimento se faz possível.

Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito.
Derrama copiosamente o Teu amor,
Para que eu viva a loucura da cruz,
E com ela, assistido pela Sabedoria divina.

Ó Deus, leve-me nas asas do Divino Espírito.
Mistério da fé vivido, esperança testemunhada,
Caridade no coração inflamada,
E sábias escolhas, na liberdade, feitas.

Ó Deus, leve-me nas asas do Santo Espírito.
Amor, Sabedoria e Liberdade não me faltarão.
A cruz, com coragem e fidelidade, o Amado seguirei.
E novos voos, com a Tua graça, humildemente peço: concedei-me. 


Fonte inspiradora: Eclo 15,16-21; 1 Cor 2,15; 1 Cor 2,6-10; Mt 5,17-37

“Loucura da Cruz” – Loucura do Amor

                                                            

“Loucura da Cruz” – Loucura do Amor

“Nós pregamos Cristo Crucificado...”

O zelo pela casa do Pai consumiu Jesus Cristo, como também deve nos consumir (cf. Jo 2,19).

Quando Jesus diz “Destruí este santuário, eu o reerguerei em três dias”, está falando da Ressurreição do Templo de Seu corpo.

Somos convidados a voltar nosso olhar para a Obra do Amor fiel que Jesus levará a termo em Jerusalém, e não o faria se não entrasse no Templo e o purificasse. 

Uma vida que não vai em direção da Cruz não é cristã. É preciso viver a “loucura da Cruz” – a loucura do Amor em fidelidade ao Amor Maior, Jesus.

Cremos, pregamos e anunciamos Jesus Crucificado, como o Apóstolo disse “Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (1Cor 1,22-25).

Cremos no Deus que aceitou, por meio de Seu Filho, amar até às últimas consequências. É a loucura do Amor que salva, redime, liberta. Amém.

PS: Apropriado para a reflexão sobre a passagem da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios (1 Cor 2,1-5)

Rezando com os Salmos - Sl 75 (76)

 


Aguardamos a vinda gloriosa do Senhor

 “–1 Ao maestro do coro.
Com instrumentos de corda. Salmo de Asaf. Cântico.

–2 Em Judá o Senhor Deus é conhecido,
e seu nome é grandioso em Israel.
–3 Em Salém ele fixou a sua tenda,
em Sião edificou Sua morada.

–4 E ali quebrou os arcos e as flechas,
os escudos, as espadas e outras armas.
–5 Resplendente e majestoso apareceis
sobre montes de despojos conquistados.

=6 Despojastes os guerreiros valorosos
que já dormem o seu sono derradeiro,
incapazes de apelar para os seus braços.
–7 Ante as Vossas ameaças, ó Senhor,
estarreceram-se os carros e os cavalos.

–8 Sois terrível, realmente, Senhor Deus!
E quem pode resistir à Vossa ira?
–9 Lá do céu pronunciastes a sentença,
e a terra apavorou-se e emudeceu,
–10 quando Deus se levantou para julgar
e libertar os oprimidos desta terra.

–11 Mesmo a revolta dos mortais Vos dará glória,
e os que sobraram do furor Vos louvarão.
–12 Ao Vosso Deus fazei promessas e as cumpri;
Vós que o cercais, trazei ofertas ao Terrível;
–13 ele esmaga os reis da terra em seu orgulho,
e faz tremer os poderosos deste mundo!”

O Salmo 75(76) é uma ação de graças pela vitória:

“Ação de graças depois de esplêndida vitória devida à intervenção de Deus libertador. Deus aparece em Sião, os inimigos são aniquilados. O povo é convidado a louvá-Lo e a oferecer sacrifícios.” (1)


Concluindo, reflitamos sobre a intervenção de Deus na história, e vinda gloriosa do Filho do Homem (Mt 24,29-31), como lemos no versículo 30:

“Aparecerá, então, no céu, o sinal do Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com grande poder e glória.”

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB p. 790

Sejamos iluminados pela Sabedoria Divina

                                                        


Sejamos iluminados pela Sabedoria Divina

Reflitamos sobre a Sabedoria, e a supliquemos a Deus para que ela nos acompanhe todos os dias, a partir desta passagem do Livro da Sabedoria:

“A Sabedoria é um reflexo da luz eterna, espelho sem mancha da atividade de Deus e imagem da Sua bondade. Sendo única, tudo pode: permanecendo imutável, renova tudo; e comunicando-se às almas santas de geração em geração, forma os amigos de Deus e os Profetas” (Sb 7, 26-27)

Abrir-se à Sabedoria, como reflexo da luz eterna, para que Ela nos acompanhe em todos os momentos, iluminando, sobretudo as situações mais obscuras, e aparentemente irreversíveis e instransponíveis, que não o serão para Deus.

Abrir-se à Sabedoria para que ela ilumine os recônditos mais sombrios de nosso ser, onde o pecado possa lançar suas raízes, com seus frutos indesejáveis que ofuscam nossa imagem impressa pelas mãos Divinas, quando fomos pensados, plasmados para um desígnio único de vida e santidade.

Viver cada dia de tal modo que nossos pensamentos, sentimentos,  ações e posturas sejam também como um espelho a refletir a presença e ação de Deus, que habita no mais profundo de nosso coração, onde quis fazer-Se Hóspede, quis fazer de nós Sua desejável morada.

Em atitude vigilante e orante, desejar e buscar a Sabedoria única que nos vem do alto, divinamente imutável porque perfeitíssima, pleníssima, para, paradoxalmente, nos transformar e nos renovar para que pelos maiores Preceitos Divinos nossa vida possamos pautar: a Deus e ao próximo amar.

Ó Divina Sabedoria, única, eterna, imutável, sois de nossas almas sedentas mais do que desejável. Vinde ao nosso encontro para que de fato amigos de Deus o sejamos, sem sedução diante da loucura do mundo, encorajados para a graça e dom de sermos Profetas.

Ó Divina Sabedoria acompanhai-nos nas renúncias necessárias para a cruz cotidiana assumir e carregar, com fidelidade comprovada, cruz que é loucura para alguns, escândalo para outros, mas para quem crer a verdadeira Sabedoria, que nos preenche da Vossa ciência e claridade.

Ó Divina Sabedoria que nos torna mais amigos de Deus, em relação sincera e íntima, que se expressa em gestos mais humanos, solidários e fraternos, pois tão somente envolvidos por Vosso Amor seremos mais humanos e fraternos e construiremos o Paraíso. Amém!


PS: Passagem bíblica - Sabedoria (Sb 7,22-8,1; 1 Cor 2,1-5)

Sejamos um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus

                                                 

Sejamos um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus

“Pela misericórdia de Deus...”

As palavras do Apóstolo Paulo, revigoram e iluminam nosso discipulado, a fim de que sejamos peregrinos da esperança, em plena  fidelidade à missão que Jesus nos confiou:

“Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: Este é o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito”. (Rm 12,1-2)

A vida do apóstolo Paulo é a história de um coração extremamente apaixonado e seduzido por Deus, e exorta-nos a assumir atitudes coerentes com a fé que professamos, ornando nossa vida um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, não nos conformando ao mundo em que vivemos, mas configurando-nos ao Senhor e Seu Evangelho, oferecendo nossa vida inteiramente a Deus.

Portanto, exige de nós transformação e conversão de nossa maneira de pensar e julgar, não nos deixando moldar pela lógica do mundo, mas pela lógica do Evangelho, procurando sempre o que é agradável a Deus.

O Apóstolo exorta em nome da misericórdia divina, para que façamos progressos espirituais cada vez maiores, e alguns verbos são expressivos nos ajudam a fortalecer nossos passos em processo contínuo de conversão e de configuração ao Senhor, como sacrifícios a Ele agradáveis:

1º – “a vos oferecerdes” - urge que sejamos sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, pois nisto consiste o verdadeiro e frutuoso culto espiritual. Fazer da vida uma eterna e agradável oferenda a Deus, sobretudo colocando nossa vida no Cálice Sagrado do Senhor, configurados a Ele no Seu Mistério de Paixão e Morte, celebrando piedosa, ativa e frutuosamente a Sua Memória.

2º – “Não vos conformeis com o mundo” – ou seja, não compactuar com a mentalidade do mundo, para que sal, luz e fermento sejamos, como bem nos falou o Senhor, nas passagens evangélicas, e próprio Apóstolo Paulo na Carta aos Filipenses, sobre ter os mesmos sentimentos de Jesus (Fl 2,5).

3º – “transformai-vos” – implica viver em permanente atitude de conversão, para que melhor correspondamos aos desígnios de Deus, dando passos sucessivos na escala da perfeição e santidade.

4º – “renovando vossa maneira de pensar e julgar” – a fim de que sejamos moldados pela mão de Deus, porque obras imperfeitas e inacabadas somos.

5º – “distinguir o que é a vontade de Deus” – discernir entre bem e o mal; a mentira e o ódio; o justo e desejável por Deus; o pecado e a graça; o que conduz à vida ou à morte; enfim, fazer o bom uso da liberdade de arbítrio, que por Ele nos foi concedida.

Deste modo, viver um culto agradável a Deus, consiste em viver no amor, no serviço, na doação em entrega a Deus e aos irmãos, com a revisão do grande sinal que nos identifica, o Sinal da Cruz, que tantas vezes fazemos, e, por vezes, sem pensar no que o gesto implica: carregar a cruz com fé, coragem e fidelidade, como ponte necessária para a eternidade. Sem cruz, não há como conceber e alcançar a eternidade.

Fundamental que integremos o culto e a vida, fortalecendo os pilares de nossas comunidades, como tão bem expressaram as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil – Conferência Nacional do Brasil – CNBB – 2019-2023): os pilares da Palavra, do Pão, da Caridade e da Ação Missionária.

Quando o culto e a vida andam de mãos dadas, tornam-se agradáveis a Deus, e Jesus Cristo é, verdadeiramente, Senhor de nossa vida e Rei do Universo.

Reflitamos:

 - O que precisamos rever em nossa vida de fé (pensamentos, palavras e ações), para melhor correspondermos aos desígnios de Deus, de tal modo, que nossa vida seja um culto agradável ao Senhor?

 - Como estamos carregando nossa cruz de cada dia e quais são as renúncias necessárias?

- Como vivemos as  palavras que o Senhor nos ensinou, na Oração do “Pai-Nosso”  – “Seja feita a Vossa vontade...”?

Concluindo, se necessário e possível, procuremos o Sacramento da Penitência, para confessarmos nossos pecados.  

Absolvidos, iniciemos um novo caminho, com santos propósitos de progressos maiores ainda no caminho de santidade, a vocação de todos nós, vivendo a vida nova que recebemos no dia do Batismo, e assim irradiaremos a luz divina em todo tempo e em todo o lugar.

Sejamos discípulos do Senhor, e não há outro caminho, senão o caminho da cruz; viver corajosamente a “A loucura da Cruz”, de tal modo que o sacrifício vivo seja acompanhado da necessária conversão.

 

Fonte: Lecionário comentado – Tempo Quaresma e Páscoa – Editora Paulus – 2011 – p. 202

PS: Oportuno para o Tempo da Quaresma e em todo o tempo.

Acolhamos a Palavra do Senhor, com humildade e afeição íntima

                                                 


Acolhamos a Palavra do Senhor, com humildade e afeição íntima

Sejamos enriquecidos com um texto do Livro da Imitação de Cristo (séc XV):

“Ouve, filho, minhas palavras suavíssimas, que superam toda a ciência dos filósofos e sábios deste mundo. Minhas palavras são espírito e vida (cf. Jo 6,63), não ponderáveis por humanas inteligências. 

Não devem ser puxadas para a vã complacência, mas escutadas em silêncio, acolhidas com total humildade e afeição íntima. 

Eu disse: Feliz a quem instruis, Senhor, e lhe ensinas tua lei para que o alivies nos dias maus (Sl 93,12-13) e para que não se sinta abandonado na terra. 

Eu, diz o Senhor, ensinei no início aos profetas e até hoje não cesso de falar a todos. Porém muitos, à minha voz, são surdos e endurecidos. 

Muitos se comprazem em atender ao mundo mais que a Deus; com maior facilidade seguem os apetites de sua carne do que a vontade de Deus. 

O mundo promete coisas temporárias e pequeninas e é servido com imensas cobiças. Eu prometo bens sublimes e eternos e se entorpecem os corações dos mortais. 

Quem me serve e obedece com tanto empenho em todas as coisas, quanto se serve ao mundo e aos seus senhores?

Cora de vergonha, servo preguiçoso e descontente, porque aqueles estão mais prontos para se perderem do que tu para viveres.

Mais se alegram aqueles com a vaidade do que tu com a verdade. 

E, no entanto, por vezes se frustra sua esperança, ao passo que jamais falha a alguém minha promessa, nem sai de mãos vazias quem em mim confia. 

O que prometi, darei; o que falei, cumprirei. 

Sou eu o remunerador dos bons e inabalável acolhedor de todos os fiéis. 

Escreve minhas palavras em teu coração e rumina-as com cuidado; serão muito necessárias no tempo da tentação.

O que não entendes ao ler, entenderás quando te visitar. 

Costumo visitar de dois modos meus eleitos: pela tentação e pela consolação. 

E lhes leio diariamente duas lições: uma, arguindo seus vícios; outra, exortando a progredir na virtude. 

Quem tem minhas palavras e delas faz pouco caso, terá quem o julgue no último dia (cf. Jo 12,48).”

Intensifiquemos e aprofundemos a oração, com a Sagrada Escritura, e seja a Leitura Orante (leitura, meditação, oração e contemplação) um modo privilegiado para que nossa oração nos ajude a viver mais configurados a Jesus Cristo (Fl 2,1-11).

Que a Palavra de Deus seja para nós, como foi para todos os profetas, como assim o foi para Jeremias:

“Quando encontrei tuas palavras, alimentei-me; elas se tornaram para mim uma delícia e a alegria do coração, o modo como invocar eu nome sobre mim, Senhor Deus dos exércitos” (Jr 15,16).

Por isto, Senhor, ainda que não mereça...

                                                               

Por isto, Senhor, ainda que não mereça... 

Uma pergunta sem sentido:
“Que sinal fazei, Senhor, para que em Vós creia?”.

Vossa morte crudelíssima, como epifania do grande Amor pela humanidade, coroada pela Ressurreição que creio, o que mais seria preciso?

Haverá maior sinal, maior manifestação de Amor que se possa experimentar? Indubitavelmente não. Porém, se não bastasse morrer na Cruz e Ressuscitar quisestes perenizar Vosso Amor em cada Banquete Eucarístico e em Vossa Palavra proclamada, acolhida, crida, vivida.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Fazei-me compreender Vossos Projetos, que muitas vezes se apresentam tão diferente dos meus, por que imunes de todo sentimento de egoísmo, individualismo, asfixias, pois tendes o Sopro do Espírito que dá uma nova vida.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Ajudai-me a compreender, ao menos em parte, Vosso imensurável e incompreensível Amor reconciliador para com os pecadores (entre os quais me incluo); este Amor gratuito que tão apenas deseja uma resposta de amor e a minha eternidade.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Fazei que, como Jonas, eu seja instrumento de conversão, não somente para os outros, mas para o mais difícil no itinerário da conversão: eu mesmo e meu frio e por vezes duro coração, que pouco aprendeu sobre a Vossa misericórdia e perdão.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Ajudai-me na minha necessária “metanoia”, na mudança de pensamentos, sentimentos e atitudes, para que eu possa resplandecer Vossa imagem, que em mim foi impressa desde o princípio da criação, para poder alcançar a tão desejada Salvação.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Não deixai que eu naufrague em meus mesquinhos esquemas, juízos e condenações, colocando-me diante do outro, e de mim mesmo, com maior ternura, mansidão e bondade.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Concedei-me a Vossa imprescindível Sabedoria, para contemplar Vosso agir e querer nas mais diversas e adversas situações, sem jamais desistir de aprender a mais bela lição da Loucura da Vossa Cruz Redentora.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Iluminai-me com a Vossa luz, para que não ande nas trevas dos que nada mais creem e esperam, pois Vós mesmo dissestes: “Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). 

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Ajudai-me na renúncia ao que aparentemente a mim se apresenta como necessário, mas de fato tão supérfluo, pois tão necessário somente é o Vosso Amor, Vossa Palavra, Vossa Vida, Vosso Reino.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Ensinai-me a prática do silêncio necessário para o diálogo na Oração, acolhendo em intimidade intensa e imensa Vossa Palavra, abrindo-me aos Vossos desígnios para o encontro maravilhoso do deleite da alma, num abraço interminável convosco.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Ajudai-me no refinar da sensibilidade e no fortalecer da solidariedade, para que me faça mais humano e atento com as necessidades pequenas e grandes daqueles que me rodeiam, porque tudo que diz respeito à pessoa humana, diz respeito a Vós e a Vossa Igreja.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Não consenti e libertai-me da tentação de me apoiar nas âncoras de minhas seguranças e pseudosseguranças, mas na necessária confiança em Vós, em Vossa Palavra e Poder, Força, Bondade e Graça.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Curai-me de toda paralisia que não me permite a abertura para  os novos horizontes; para os indescritíveis horizontes do Vosso Reino de amor, verdade, justiça, fraternidade, liberdade, serenidade...

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Não permiti que eu vacile na Fé, tampouco esmoreça na Esperança, para que tenha sempre inflamada a chama da Caridade Operosa, da qual sois a mais bela e inextinguível Divina Fonte.

Por isto, Senhor, ainda que não mereça,
Permiti-me Vos pedir, agradecer, louvar e uma resposta de amor dar, para que as riquezas Pascais possa celebrar e, abundantemente no coração, Vossa alegria transbordar.

domingo, 30 de agosto de 2026

Sejamos fortalecidos no carregar da Cruz! (XXIIDTCA)

                                                                

Sejamos fortalecidos no carregar da Cruz!

A Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum (ano A) traz um convite que a muitos assusta e desaponta: “A loucura da Cruz”. No entanto, se quisermos ser discípulos do Senhor não há outro caminho, senão o caminho da Cruz.

Somos, portanto, convidados a rever o grande sinal que nos identifica, o Sinal da Cruz, que tantas vezes fazemos, e por vezes sem pensar no que o gesto implica: carregar a Cruz com fé, coragem e fidelidade como ponte necessária para a eternidade. Sem Cruz não há como conceber e alcançar a eternidade.

Mais uma vez nos deparamos com a necessária decisão: a lógica do mundo - dominação, poder, sucesso - ou a lógica de Deus - o caminho do amor, doação, fidelidade e Cruz, que é o amor até as últimas consequências.

Na passagem da primeira Leitura (Jr 20,7-9), temos as “confissões de Jeremias”. A sua vocação vivida enfrentando sofrimentos, solidão, maledicência, perseguição, cárcere, e também acusado de traição. Sofrimentos suportados por que coração seduzido e inflamado pelo Amor divino.  Ao realizar a vocação profética é chamado de “profeta da desgraça”.

Jeremias sentiu os apelos irresistíveis da Palavra, impulsionando à ousadia e confiança, num contexto social e político extremamente difícil. Ele, por tudo que viveu e pelo compromisso com Deus assumido, foi o “grito de um coração humano dolorido”, apenas curado pela Caridade Divina.

O profeta não é profeta por livre escolha, mas por desígnios divinos. Cada tempo precisa de profetas, de Jeremias que se apaixonem pela Palavra de Deus e Seu Projeto de vida, justiça e paz para todos; e  encontrem na Palavra Divina um fogo devorador. Somente assim viveremos intensamente nosso Batismo.

O testemunho de Jeremias questiona nossa coragem, fidelidade, ousadia, no trilhar do caminho profético:

- Teremos nós mesma sedução e coragem?
- Nossa “boca” é a boca que proclama sem medo o Projeto Divino?

O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura (Rm 12,1-2), séculos mais tarde, outra grande história de um coração extremamente apaixonado e seduzido por Deus, exorta-nos a assumir atitudes coerentes com a fé que professamos, tornando nossa vida um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, não nos conformando ao mundo que vivemos, mas configurando-nos com o Senhor e Seu Evangelho, oferecendo a vida inteiramente a Deus.

O Apóstolo insiste que o culto que Deus espera de nós é uma vida vivida no amor, no serviço, na doação em entrega total a Deus e aos irmãos.

Com a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 16,21-27) somos desafiados a trilhar o caminho da Cruz, o caminho da entrega incondicional a Deus e do dom da vida colocada, por amor, a serviço, à luz das intervenções e inquietações do Apóstolo Pedro dirigidas ao Divino Mestre, Jesus.

O discípulo de Jesus não deve buscar o sofrimento pelo sofrimento, porém se eles vierem, desde que não sejam sofrimentos sem causa, o seguidor de Jesus sabe que este não pode prescindir da Cruz, sabe que está sujeito a perseguições, sofrimentos, incompreensões. Mas jamais será um sofredor sem causa. Sua causa é a paixão pelo Reino, que o faz irremovível.

O discípulo de Jesus sabe que “Quem busca um Cristo sem Cruz, acabará encontrando uma Cruz sem Cristo”; assim também, sabe que se quiser descomplicar seu existir terá que fazer da sua vida uma doação ao outro. Tudo se torna menos difícil quando nos colocamos no caminho do amor, da fidelidade, doação e serviço ao outro.

Nossa cruz torna-se suportável, seu peso mais leve, porque Ele mesmo já dissera – “Vós que estais cansados, vinde a mim porque meu fardo é leve e meu jugo é suave” (Mt 11,28-30).

Finalizando, Jeremias, Paulo, Pedro e outros tantos, muito nos ensinaram no caminhar da fé.

Reflitamos:

- O que nos ensinam no caminhar da fé?
- O que precisamos rever em nossa vida, pensamentos, palavras e ações para que melhor correspondamos aos desígnios de Deus?

- O que fazer para que nossa vida seja um culto agradável ao Senhor?
- Como estamos carregando nossa Cruz de cada dia?
- Quais as renúncias necessárias?

O discípulo de Jesus tem que renunciar a si mesmo, oferecer sua vida por amor,  colocando-se à serviço do Reino; discernindo, entre as coisas, os bens que passam que devem ser utilizados, e os bens eternos que devem para sempre ser abraçados.

O discípulo sabe que, como disse o Presbítero Santo Tomás de Aquino, “O menor bem da graça é superior a todo bem do Universo”.

Amor e Cruz na fidelidade ao Senhor (XXIIDTCA)

                                                                               

Amor e Cruz na fidelidade ao Senhor

“Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo,
tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24)

Como discípulos missionários do Senhor, no Seu seguimento, precisamos das renúncias necessárias, e o tomar da cruz cotidiana para segui-Lo, como lemos nas passagens dos Evangelhos (Mt 16,21-27; Lc 9,18-24).

Sejamos enriquecidos por estas afirmações de Santa Teresa de Jesus (séc. XVI), neste bom propósito de todos nós:

“Estou convencida de que a medida da capacidade de levar cruz grande ou pequena é a do amor...

Cumpra-se em mim, Senhor, Vossa vontade de todos os modos e maneiras que vós, Senhor meu, quiserdes.

Se me quiserdes enviar sofrimentos, dai-me forças para suportá-los, e venham!

Se perseguições e enfermidades, desonras e mínguas, aqui estou!

Não afastarei o rosto, ó meu Pai, nem há motivo para virar as costas. Não quero que haja falha da minha parte depois que vosso Filho, em meu nome, deu esta minha vontade, oferecendo a vontade de todos os homens.” (1)

Jesus jamais prometeu facilidades para segui-Lo, e o Mistério da Cruz estava sempre presente no horizonte de Sua pregação e ação.

O discípulo de Jesus sabe que “Quem busca um Cristo sem Cruz, acabará encontrando uma Cruz sem Cristo”; assim também, sabe que precisa fazer da sua vida uma doação ao outro.

Deste modo, tudo se torna menos difícil quando nos colocamos no caminho do amor, da fidelidade, doação e serviço ao outro.

Nossa cruz torna-se suportável, seu peso mais leve, porque Ele mesmo já dissera – “Vós que estais cansados, vinde a mim porque meu fardo é leve e meu jugo é suave” (Mt 11,28-30).

Da mesma forma, também nos assegura, em todos os momentos, a Sua presença enquanto estava com eles, e depois a presença do Paráclito que haveria de ser enviado, e assim se fez, para que não sucumbissem diante das dificuldades, provações e perseguições, como mencionara na conclusão das Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12).

Portanto, aprendamos com esta Santa e Doutora da Igreja, a pedir sempre a Deus “coragem” para enfrentar os sofrimentos, e muito “amor” para carregar a cruz, seja ela pequena ou grande, pois como Santa Teresa afirmou, este é a medida da capacidade para suportarmos o seu peso e levá-la no anúncio e testemunho de nossa fé e esperança, como discípulos missionários do Senhor.


(1) Santa Teresa de Jesus – O Caminho da perfeição – Editora Paulus -  pp.189.191

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