domingo, 21 de junho de 2026

Em poucas palavras... (XIIDTA)

 


“O serviço e testemunho da fé”

O discípulo de Cristo, não somente deve guardar a fé e viver dela, como ainda professá-la, dar firme testemunho dela e propagá-la: «Todos devem estar dispostos a confessar Cristo diante dos homens e a segui-Lo no caminho da cruz, no meio das perseguições que nunca faltam à Igreja» (2).

O serviço e testemunho da fé são requeridos para a salvação: «A todo aquele que me tiver reconhecido diante dos homens, também Eu o reconhecerei diante do meu Pai que está nos céus. Mas àquele que me tiver negado diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos céus» (Mt 10, 32-33).” (2)

 

(1) II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 42: AAS 57 (1965) 48: cf. ID., Decl. Dignitatis humanae, 14: AAS 58 (1966) 940.

(2)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1816

Em poucas palavras... (XIIDTCA)

                                                   


O dever dos cristãos

“O dever dos cristãos, de tomar parte na vida da Igreja, leva-os a agir como testemunhas do Evangelho e das obrigações que dele dimanam. Este testemunho é transmissão da fé por palavras e obras.

O testemunho é um ato de justiça que estabelece ou que dá a conhecer a verdade (Mt 18,16): «Todos os fiéis cristãos, onde quer que vivam, têm obrigação de manifestar, pelo exemplo da vida e pelo testemunho da palavra, o homem novo de que se revestiram pelo Batismo e a virtude do Espírito Santo, com que foram robustecidos na Confirmação» (Vaticano II – Ad Gentes 11).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2472

Rezando com os Salmos - Sl 68(69),2-22.30-37 (XIIDTCA)

 


Súplica confiante e incondicional ao Senhor
 
“– Ao maestro do coro. Conforme a melodia
‘Os lírios’. De Davi. 

–2 Salvai-me, ó meu Deus, porque as águas
até o meu pescoço já chegaram!
–3 Na lama do abismo eu me afundo
e não encontro um apoio para os pés.
– Nestas águas muito fundas vim cair,
e as ondas já começam a cobrir-me!

 –4 À força de gritar, estou cansado;
minha garganta já ficou enrouquecida.
– Os meus olhos já perderam sua luz,
de tanto esperar pelo meu Deus!

 –5 Mais numerosos que os cabelos da cabeça,
são aqueles que me odeiam sem motivo;
– meus inimigos são mais fortes do que eu;
contra mim eles se voltam com mentiras!
 – Por acaso poderei restituir
alguma coisa que de outros não roubei?
–6 Ó Senhor, Vós conheceis minhas loucuras,
e minha falta não se esconde a Vossos olhos.

 –7 Por minha causa não deixeis desiludidos
os que esperam sempre em Vós, Deus do Universo!
– Que eu não seja a decepção e a vergonha
dos que vos buscam, Senhor Deus de Israel!

 –8 Por Vossa causa é que sofri tantos insultos,
e o meu rosto se cobriu de confusão;
–9 eu me tornei como um estranho a meus irmãos,
como estrangeiro para os filhos de minha mãe.

 –10 Pois meu zelo e meu amor por Vossa casa
me devoram como fogo abrasador;
– e os insultos de infiéis que vos ultrajam
recaíram todos eles sobre mim!

 –11 Se aflijo a minha alma com jejuns,
fazem disso uma razão para insultar-me;
–12 se me visto com sinais de penitência,
eles fazem zombaria e me escarnecem!
–13 Falam de mim os que se assentam junto às portas,
sou motivo de canções, até de bêbados!

–14 Por isso elevo para Vós minha oração,
neste tempo favorável, Senhor Deus!
– Respondei-me pelo Vosso imenso amor,
pela Vossa salvação que nunca falha!

 =15 Retirai-me deste lodo, pois me afundo!
Libertai-me, ó Senhor, dos que me odeiam,
e salvai-me destas águas tão profundas!
=16 Que as águas turbulentas não me arrastem,
não me devorem violentos turbilhões,
nem a cova feche a boca sobre mim!

 –17 Senhor, ouvi-me pois suave é Vossa graça,
ponde os olhos sobre mim com grande amor!
–18 Não oculteis a Vossa face ao Vosso servo!
Como eu sofro! Respondei-me bem depressa!
–19 Aproximai-vos de minh’alma e libertai-me,
apesar da multidão dos inimigos!

 =20 Vós conheceis minha vergonha e meu opróbrio,
minhas injúrias, minha grande humilhação;
os que me afligem estão todos ante Vós!
–21 O insulto me partiu o coração;
não suportei, desfaleci de tanta dor!

 = Eu esperei que alguém de mim tivesse pena,
mas foi em vão, pois a ninguém pude encontrar;
procurei quem me aliviasse e não achei!
–22 Deram-me fel como se fosse um alimento,
em minha sede ofereceram-me vinagre!

–30 Pobre de mim, sou infeliz e sofredor!
Que Vosso auxílio me levante, Senhor Deus!
–31 Cantando eu louvarei o Vosso nome
e agradecido exultarei de alegria!
–32 Isto será mais agradável ao Senhor,
que o sacrifício de novilhos e de touros.

 =33 Humildes, vede isto e alegrai-vos:
o Vosso coração reviverá,
se procurardes o Senhor continuamente!

 –34 Pois nosso Deus atende à prece dos Seus pobres,
e não despreza o clamor de seus cativos.
–35 Que céus e terra glorifiquem o Senhor
com o mar e todo ser que neles vive!

 =36 Sim, Deus virá e salvará Jerusalém,
reconstruindo as cidades de Judá,
onde os pobres morarão, sendo seus donos.
=37 A descendência de seus servos há de herdá-las,
e os que amam o santo nome do Senhor
dentro delas fixarão sua morada!”

O Salmo 68(69),2-22.30-37 é uma súplica de alguém consumido pelo fogo abrasador do amor de Deus, e é a expressão da incondicional confiança em Deus:

“Vítima da maldade humana, o salmista invoca o socorro divino, para livrá-lo da presente aflição. Conforme a regra do ‘talião’, ele deseja aos malfeitores o castigo merecido, enquanto ele mesmo libertado, louva a Deus.” (1)

Assim fez o Senhor, como contemplamos no Mistério de Sua Paixão e morte:

- “Então lhes disse: ‘Minha alma está triste até a morte! Ficai aqui e vigiai comigo!’ E, afastando-Se um pouco, caiu com o rosto por terra e orou: ‘Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice. Contudo, não seja como eu quero, mas como Tu queres.’” (Mt 26,38-39);      

“Deram-Lhe de beber vinho misturado com fel; mas quando provou, não quis beber” (Mt 27,34).

Assim sejamos, em toda e qual situação, e que o zelo pela casa do Senhor nos devore, ou seja, paixão e fidelidade no Senhor e ao Seu Projeto do Reino. Amém.


(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p.782

Com o Ressuscitado, vencemos o medo (XIIDTCA)

 


Com o Ressuscitado, vencemos o medo
 
“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo,
mas não podem matar a alma!”
 
Reflitamos sobre a solicitude e o amor de Deus, para com aqueles que Ele chama e envia em missão, uma vez que a perseguição estará sempre presente no horizonte dos discípulos de Jesus.
 
À luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 10,26-33), o tema da inevitabilidade da perseguição na vida dos discípulos é explícito, assim como vimos na primeira Leitura.
 
O Evangelista exorta à superação do desânimo e frustração decorrentes das perseguições.
 
Apresenta como que um “manual do missionário cristão”, que consiste no “discurso da missão” – “Para mostrar que a atividade missionária é um imperativo da vida cristã. Mateus apresenta a missão dos discípulos como a continuação da obra libertadora de Jesus.
 
Define também os conteúdos do anúncio e as atitudes fundamentais que os missionários devem assumir, enquanto testemunhas do Reino” (1)
 
Três vezes aparece a expressão “Não temais”, assegurando a presença, ajuda e proteção divina para superação do medo que impeça a proclamação da Boa Nova; o medo da morte física; e neste medo se pode experimentar a solicitude de Deus, um cuidado que desconhece limites.
 
A mensagem é que a vida em plenitude é para quem enfrentar o medo, na fidelidade, até o fim. O medo não pode nos deixar acomodados.
 
A ternura, a bondade e a solicitude divina são imprescindíveis, pois fortalecem na missão. É preciso se entregar confiadamente nas mãos de Deus:
 
“Jesus encoraja os Seus discípulos a alargar o horizonte da vida e a avaliar os riscos vividos por Sua causa, no contexto mais amplo da vida com Deus, da vida eterna.
 
O cristão é chamado a viver na confiança de que o Pai não o abandona nas mãos dos perseguidores (v.28), que a sua vida, a sua salvação custou o Sangue do Filho e tem por isso, aos Seus olhos, um valor imenso (vv. 29-31).
 
A fidelidade e a confiança no Senhor serão recompensadas por aquele ‘reconhecimento’ que já se manifestou na Ressurreição de Cristo” (2).
 
No testemunho da fé, é possível a perseguição, portanto é necessária a confiança. Anunciar e testemunhar a Boa Nova é não deixar que o medo nos paralise, pois o medo nos impede de ser autênticos discípulos missionários:
 
“O cristão não é chamado a procurar o martírio como prova da sua fé, mas a viver constantemente a vida com os olhos fixos no Alto, isto é, a alargar aquele horizonte que hoje, mais do que nunca, tende a fechar-se no círculo dos benefícios desfrutáveis, aqui e agora.” (3)
 
Também nós precisamos ouvir a todo instante: – “Não tenhais medo”. É preciso que a Palavra de Jesus ressoe em nossos ouvidos e fique entranhada no mais profundo de nosso coração:
 
“Impressiona a história de tantos mártires cristãos, antigos e atuais, que escolheram o caminho da coerência e da fidelidade ao Senhor a custo da própria vida.
 
É com eles que nos encontramos na Comunhão dos Santos, vivida, sobretudo, na Celebração Eucarística; uma companhia que a comunidade dos crentes gosta de ter ao seu redor, mesmo com as pinturas, os afrescos, os mosaicos que adornam as nossas Igrejas (hoje reduzidas muitas vezes a belas obras que se admiram em igrejas-museu) expressões artísticas surgidas para tornar humanamente visível o que vivemos na fé.” (4)
 
Concluindo, apresentemos nas mãos de Deus nossa realidade humana, marcada pela fragilidade e necessitada de Sua força e intervenção.
 
Como cristãos, levantemos o olhar para a vida a que Cristo nos chama, ou seja, “viver a força de contestação profética que viveu Jeremias, que Jesus levou perante as autoridades judaicas e romanos e conduziu os Apóstolos ao martírio.
 
É na relação íntima e comunitária que vivemos com Deus, no desejo de sermos reconhecidos por Ele que se reforça a adesão a Cristo e ao Seu Evangelho, com a esperança libertadora de vivermos confiando no Pai.” (5)
 
Oremos:
 
“Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de Vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém.”
 
 
 
(1) www.Dehonianos.org/portal
(2) (3) (4) Lecionário Comentado p. 560.
(5) Idem p. 561.
 

"Morte, ó morte! Onde está tua vitória?" (Parte I)

                                            

"Morte, ó morte! Onde está tua vitória?"
 
É possível não nos atemorizarmos diante da morte?
Como ver a morte a partir da fé?
 
Sejamos enriquecidos pela Carta que São Luiz Gonzaga, escreveu à sua mãe, antes de sua morte.
                                    
Ilustríssima senhora, peço que recebas a graça do Espírito Santo e a Sua perpétua consolação. Quando recebi tua carta, ainda me encontrava nesta região dos mortos.
 
Mas agora, espero ir em breve louvar a Deus para sempre na terra dos vivos. Pensava mesmo que a esta hora já teria dado esse passo.
 
Se é caridade, como diz São Paulo, chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram (Rm 12,15), é preciso, mãe ilustríssima, que te alegres profundamente porque, por teus méritos, Deus me chama à verdadeira felicidade e me dá a certeza de jamais me afastar do Seu temor. 
 
Na verdade, ilustríssima senhora, confesso-te que me perco e arrebato quando considero, na Sua profundeza a bondade divina.
 
Ela é semelhante a um mar sem fundo nem limites, que me chama ao descanso eterno por um tão breve e pequeno trabalho; que me convida e chama ao céu para aí me dar àquele bem supremo que tão negligentemente procurei, e me promete o fruto daquelas lágrimas que tão parcamente derramei.
 
Por conseguinte, ilustríssima senhora, considera bem e toma cuidado em não ofender a infinita bondade de Deus. Isto aconteceria se chorasses como morto aquele que vai viver perante a face de Deus e que, com Sua intercessão, poderá auxiliar-te incomparavelmente mais do que nesta vida.
 
Esta separação não será longa; no céu nos tornaremos a ver. Lá, unidos ao autor da nossa salvação seremos repletos das alegrias imortais, louvando-O com todas as forças da nossa alma e cantando eternamente as Suas misericórdias.
 
Se Deus toma de nós aquilo que havia emprestado, assim procede com a única intenção de colocá-lo em lugar mais seguro e fora de perigo, e nos dar aqueles bens que desejamos Dele receber.
 
Disse tudo isto, ilustríssima senhora, para ceder ao desejo que tenho de que tu e toda a minha família considereis minha partida como um feliz benefício.
 
Que tua bênção materna me acompanhe na travessia deste mar, até alcançar a margem onde estão todas as minhas esperanças.
 
Escrevo com alegria para dar-te a conhecer que nada me é bastante para manifestar com mais evidência o amor e a reverência que te devo, como um filho à sua mãe”. (1)
 
Celebramos sua Memória no dia 21 de junho, e este jovem santo é um luminar da Igreja.
 
Durante seus estudos de teologia, ocupando-se com o serviço dos doentes nos hospitais, contraiu uma doença que o levou à morte, que muito cedo ceifou a sua vida: aos 23 anos, apenas.
 
Este jovem religioso, que viveu no século XVI, na Itália, quando enfermo, acometido da gravíssima enfermidade que o levou à morte, cuidando dos doentes, escreveu uma carta à sua mãe.
 
A carta, escrita por um filho, certamente, com próprio punho e dores, levou alívio e consolo para sua mãe.
  
A fé explícita e implícita na carta refaz, amplia e eterniza horizontes transcendentes, aparentemente limitados pela morte! A morte, para quem crê, não possui a última palavra, tampouco é o limite, e atos últimos.
 
Densa de conteúdo e expressando uma fé verdadeiramente pascal, é uma luz que se acende no mais profundo de nosso coração, iluminando as noites escuras que acompanham a morte de um ente querido.
 
Qual mãe não estremeceria ao ler esta Carta?
 
Ela pode ser lida por qualquer pessoa que tenha de recuperar o olhar Pascal, para refazer-se das feridas que uma morte provoca, das lacunas a serem preenchidas com fé na Ressurreição.
 
São Luiz, ao invés de ser consolado por sua mãe, ele, é que, moribundo, encontra forças divinas para consolá-la, porque possui uma fé verdadeiramente Pascal.
 
Dedico esta Carta a tantas mães com quem converso dia a dia, e que não tiveram a graça de receber uma Carta com tamanha beleza, com expressivo teor e tão cheia de fé e amor.
 
Dedico, também, às que choram seus filhos em túmulos frios de pedra, e mais ainda, choram seus filhos no vácuo que possam ter deixado em seu coração.
 
Reflitamos:
 
- O que mais chama a atenção nesta Carta?
- Como enfrento a morte de uma pessoa querida?
- Quais os textos bíblicos que me inspiram e que me dão seguras respostas para a realidade da morte?
 
Que a morte não nos atemorizemas reacenda em nós a fé na Ressurreição. Aleluia. Amém!
 
(1) Liturgia das Horas – vol. III - pp. 1361-1362
 

“Morte, ó morte! Onde está tua vitória?” (Parte II)

                                                  

“Morte, ó morte! Onde está tua vitória?”

Para quem ainda precisar de uma palavra...

“Ó morte que separas os casados e, tão dura e cruelmente, separas também os amigos!”

Outro luminar da Igreja, Bispo São Bráulio de Saragoça, exclamou, expressando nossa fragilidade e impotência diante da morte. Seu domínio impiedoso foi aniquilado por Aquele que te ameaçou com o brado de Oseias:

“Ó morte, eu serei a tua morte” (Os 13,14).

Nós também podemos desafiar-te com as palavras do
Apóstolo Paulo:

“Ó morte, onde está tua vitória?
Onde está o teu aguilhão?” (1 Cor 15,55);

A fé na Ressurreição moveu São Luiz Gonzaga (como vimos) e tantos outros no consumir-se da vida momentânea, transitória, que traz em si o germe de eternidade.

A vida é a possibilidade de um alvorecer na eternidade!
A semelhança que possa haver entre a morte e a noite,
É a mesma encontrada entre a vida e a luz da aurora da Ressurreição!

Além da noite, no auge da mesma, inicia-se um novo dia. Além da morte, no transpor da mesma, irrompe a Vida eterna, a plenitude da luz!

Uma vida que se consome como vela sobre o altar,
só pode continuar a brilhar no esplendor da luz eterna,
na plenitude do amor e  luz divina: céu!
Amém. 

Assumir a Cruz cotidiana com a força da Oração (XIIDTCC)

                                                    

Assumir a Cruz cotidiana com a força da Oração

A Liturgia do 12º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos interroga a respeito de Jesus:  

Quem é Ele para nós?
Quais são as consequências de Sua proposta para nossa vida?
Qual é o impacto de Sua Vida em nós? 

Para segui-Lo, é preciso fazer da própria vida um dom generoso, conhecer sua Pessoa, aderir à Sua proposta, segui-Lo com coragem, doar-se totalmente, viver com intensidade o amor, amando como Ele nos amou. Inevitavelmente, o seguimento de Jesus é um caminho que passa pelo amor vivido na radicalidade da Cruz.

A passagem da primeira leitura (Zc 12,10-11; 13,1) nos fala da figura de um Profeta trespassado, que a Igreja mais tarde identificou como o próprio Jesus Cristo, como vemos no Evangelho (Jo 19,34). 

O Profeta manifesta total confiança e abertura à vontade de Deus, e o sacrifício deste mártir inocente é fonte de transformação dos corações, de modo que a sua contemplação levará o Povo de Deus a um processo de arrependimento e purificação. 

A mensagem nos revela que o sofrimento profético não é em vão, e ainda, que Deus está do lado dos inocentes, perseguidos e massacrados. 

Não podemos nos instalar por causa dos medos, cumprindo, com coragem e ousadia, nossos compromissos proféticos, vivendo assim o nosso Batismo, e também, que não se pode ter para com os Profetas atitudes de desprezo, arrogância, frieza e indiferença.

O Apóstolo Paulo na passagem da segunda Leitura (Gl 3,26-29) exorta para que sejamos revestidos de Jesus Cristo, colocando-nos neste caminho de amor e doação da própria vida, tornando-nos herdeiros de vida em plenitude.

A comunidade que adere ao Senhor, e d’Ele se reveste, é marcada pela liberdade e igualdade. Deste modo, é preciso que se destruam quaisquer muros que possam existir ou quaisquer atitudes que fragilizem ou restrinjam a verdadeira liberdade que o Espírito nos concede, não uma liberdade qualquer, que diminua ou escravize o outro; que lhe roube espaço e identidade. 

Na passagem do Evangelho (Lc 9,18-24), Jesus começa a etapa decisiva rumo a Jerusalém. O caminho é árduo, marcado pela entrega da vida pelo Reino de Deus. A morte de Cruz está no horizonte bem próximo de Sua existência.

Os discípulos se quiserem segui-Lo, poderão ter o mesmo fim, e  por isto Jesus quer saber o que pensam a Seu respeito. Ele não é um Messias que vai reinar sem passar pela Cruz, pois ela precede à glória a ser alcançada. A Cruz será o Seu Trono, como Rei e Senhor.

Tomar a cruz para segui-Lo, implica não pautar a vida pelo prestígio, poder, domínio, acúmulo. É preciso renunciar ao egoísmo e orgulho, e em total confiança em Deus, nutrido pela força da Oração, pôr-se decididamente a caminho, assumindo a cruz cotidiana com a força da Oração. 

A interrogação de Jesus chega até nós: “... E vós, quem dizeis que Eu sou?” 

É preciso dar resposta à Sua pergunta:  

Quem é Jesus para a comunidade que participo?
Quem é Jesus para mim? 

Dependendo da resposta, a intensidade do nosso compromisso, engajamento, entrega e doação pela causa do Reino; dependendo dela, a coragem para assumirmos a cruz cotidiana, e sempre a caminho, edificarmos a Igreja e confessarmos o Seu nome.

Sejamos também questionados por estas palavras:

“Se fosse mais viva em nós a consciência de estarmos ‘revestidos de Cristo, de sermos filhos como o Filho ‘ (Gl 3,26-27), compreender-nos-íamos melhor a nós mesmos.  

Compreenderíamos a nossa vida como liberdade: liberdade de colocar sobre os nossos ombros a nossa cruz e a cruz dos nossos irmãos, de perdermos também a nossa vida como resposta de amor Àquele que nos ama e dá a vida por nós” .(1)

E, tão somente assim, solidificamos nossa fé, renovamos nossa esperança e crescemos na caridade, que amplia e dá sentido à liberdade e à igualdade, para seguirmos, com confiança e serenidade, no carregar da cruz, até que possamos merecer a glória eterna. 

Sejamos interpelados pelo Amor d’Aquele que foi trespassado em nosso favor, pela nossa redenção, para que vivamos na liberdade do Espírito, comprometidos com o Reino de Deus.


(1) Leccionário Comentado - Tempo Comum - Editora Paulus - pág. 773.

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