sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Irradiemos a luz divina

                                                          

Irradiemos a luz divina

Reflexão à luz da passagem da Carta de Paulo aos Efésios:

“Nenhuma palavra perniciosa deve sair dos vossos lábios, mas sim alguma palavra boa, capaz de edificar oportunamente e de trazer graça aos que a ouvem.

Não contristeis o Espírito Santo com o qual Deus vos marcou como com um selo para o dia da libertação.

Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda a espécie de maldade.

Sede bons uns para com os outros, sede compassivos; perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo” (Ef 4,29-32).

Peçamos a Deus que nos conceda sempre a graça de sentir o Seu divino Amor, indicando-nos o caminho que devemos seguir com absoluta fidelidade no carregar da nossa cruz cotidiana, a fim de que jamais sucumbamos à força do pecado, e que, por sua infinita bondade, apague nossas transgressões e purifique nossos corações, eliminando toda ferrugem de nossa alma.

Adoremos o Cristo, Sol nascente e Luz sem ocaso, e supliquemos para que Ele ilumine os nossos passos desde o amanhecer, para que sejam afastadas de nós toda inclinação para o mal. Portanto, sejamos vigilantes em nossos pensamentos, palavras e ações, vivendo plenamente de acordo com a Sua vontade.

Adoremos o Senhor que, por Sua Cruz, nos trouxe a salvação, na mais perfeita expressão de misericórdia, e deste modo, pela Cruz e Ressurreição, na fidelidade ao Pai, tenhamos a consolação do Espírito Santo.

Finalizando, temos sete orientações a serem vividas por aqueles que professam a fé no Senhor, acompanhada do testemunho, para que irradie a luz divina, e seja sal da terra e fermento na massa:


1 – “Nenhuma palavra perniciosa deve sair dos vossos lábios”;

2 – “mas sim alguma palavra boa, capaz de edificar oportunamente e de trazer graça aos que a ouvem”;

3 – “Não contristeis o Espírito Santo com o qual Deus vos marcou como com um selo para o dia da libertação”

4 – “Toda a amargura, irritação, cólera, gritaria, injúrias, tudo isso deve desaparecer do meio de vós, como toda a espécie de maldade”;

5 – “Sede bons uns para com os outros”

6 – “sede compassivos”;

7 – “Perdoai-vos mutuamente, como Deus vos perdoou por meio de Cristo”.

Oremos:

Ó Deus, não permitais que nossos lábios profiram palavras nocivas, geradoras de discórdia ou que firam a fraternidade, a solidariedade e a comunhão.

Colocai, ó Deus, em nossos lábios palavras edificantes, que irradiem Vossa luz, façam renascer a esperança, revigorem a fé e inflamem a caridade para com todos e em todos os lugares.

Ó Deus, fortalecei-nos, para que jamais entristeçamos o Espírito Santo, com o qual nos marcastes para o dia da libertação, afastando todos pensamentos, palavras e atitudes indesejáveis.

Ajudai-nos, ó Deus, para que eliminemos toda amargura e irritação, e jamais promovamos gritarias que não gerem alegria e vida, e tão pouco sejamos instrumentos de injúrias e promotores de maldade.

Ó Deus, Vós que sois tão bom e amável, com a Vossa graça, ajudai-nos a sermos sinal de bondade; que o nosso falar e agir revelem a Vossa amável e eterna presença.

Concedei-nos, ó Deus, a graça de sermos compassivos, de modo que acolhidos pela Vossa misericórdia divina, sejamos instrumentos da misericórdia humana para com os que mais precisam.

Ó Deus, perdoados e reconciliados pelo Sangue Redentor de Vosso Filho e remidos pelo Espírito Santo, sejamos capazes de dar e pedir perdão a quem nos tenha ofendido. Amém.


PS: Fonte inspiradora: “Oração das Laudes” da primeira sexta-feira da primeira semana do Tempo Comum.


Apropriado para a reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 8,16-18)

Quaresma: tempo de conversão e compromisso com a Campanha da Fraternidade

 


Quaresma: tempo de conversão e compromisso com a Campanha da Fraternidade
 
Como Igreja, com a Quarta-feira de Cinzas, iniciamos o Tempo da Quaresma, tempo favorável de graça e salvação, para todos que se põem a caminho com o Senhor.
 
Quaresma vem do latim: quadragésima, e lembra, sobretudo, os quarenta anos do Povo de Deus no deserto e os quarenta dias do Senhor, também no deserto, sofrendo as tentações do maligno do ter (acúmulo), ser (prestígio) e poder (domínio).
 
A Liturgia da Palavra, neste itinerário quaresmal rumo à Páscoa, nos propõe tomar consciência de nossos pecados, em fecunda penitência (como nos ensina a Igreja, que ela seja interna e individual, mas sobretudo externa e social), na prática dos exercícios quaresmais: esmola, oração e jejum (Mt 6, 1-18).
 
É um tempo de quarenta dias vividos na proximidade do Senhor, na entrega a Ele, e com ele podermos vencer estas tentações, perfeitamente configurados ao Seu Mistério de Vida, Paixão, Morte e Ressurreição.
 
E neste Tempo da Quaresma, a Igreja no Brasil realiza, desde 1964, com gestos e compromissos concretos, a Campanha da Fraternidade que, em 2026, traz o tema: “FRATERNIDADE E MORADIA”, e o lema bíblico: "Ele veio morar entre nós" (Gn 1,31).
 
A Campanha da Fraternidade bem compreendida e vivida, com reflexões, aprofundamento, leva, necessariamente, compromissos com a sacralidade da vida e os direitos inalienáveis, dentre eles a de moradia. Fundamental que retomemos o seu objetivo geral e objetivos específicos.
 
Exorto para que se multipliquem encontros, reflexões, momentos de oração para que vivamos uma santa Quaresma e uma corajosa e necessária participação da Campanha da Fraternidade, para bem celebrarmos a Páscoa do Senhor, e cantarmos, alegremente, o Aleluia.

Campanha no momento, compromisso sempre! (CF 2026)

 


Campanha no momento, compromisso sempre!


A Igreja no Brasil realiza mais uma Campanha da Fraternidade, com uma proposta extremamente atual e de importância indiscutível.
 
Tema: “FRATERNIDADE E MORADIA”

Lema: “Ele veio morar entre nós ” (cf. Jo 1,14)

Exorto que nos empenhemos em acompanhar, refletir e ajudar a desenvolver esta Campanha, que não se encerra, como se diz, indevidamente, com a Páscoa.

 

Oração da Campanha da Fraternidade 2026 – CNBB

Deus, nosso Pai,

em Jesus, vosso Filho,

viestes morar entre nós e

nos ensinastes o valor da dignidade humana.

 

Nós vos agradecemos

por todas as pessoas e grupos que,

sob o impulso do Espírito Santo,

se empenham em prol da moradia digna para todos.

 

Nós vos suplicamos:

dai-nos a graça da conversão,

para ajudarmos a construir uma sociedade mais justa e fraterna,

com terra, teto e trabalho para todas as pessoas,

a fim de, um dia, habitarmos, convosco, a casa do céu.

Amém.

 

PS: A Campanha da Fraternidade inicia na Quarta-feira de Cinzas.

 

Quaresma e sagrados compromissos com a Fraternidade – (CF 2026)

 


Quaresma e sagrados compromissos com a Fraternidade – (CF 2026)

Celebremos e vivamos a Quaresma como tempo favorável de conversão e penitência, para que bem nos preparemos para a Celebração da Páscoa do Senhor, Mistério de Morte e Ressurreição – “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15), disse Jesus.

Com a Igreja, aprendemos que  a Quaresma não deve ser apenas interna e individual, mas também com dimensão externa e social.

Neste sentido, a Igreja no Brasil realiza todo ano, na Quaresma, a Campanha da Fraternidade (CF) que, longe de esvaziar o sentido quaresmal, dá a ele conteúdo e fecundidade para flores e frutos pascais.

A CF é uma iniciativa concreta para realizarmos ações que dão testemunho de arrependimento e verdadeira conversão nos diversos âmbitos: pessoal, comunitário, eclesial e social.

A CF 2026 tem como Tema  “Fraternidade e Moradia”, e  como lema “Ele veio morar entre nós (cf. Jo 1,14,31).

Urge refletir sobre a realidade de moradia, e lembramos as palavras do Papa Francisco:

“É bom que todos nos perguntemos: por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não têm um teto, por quê?”

Assim lemos no parágrafo n. 13 do Manual da Campanha da Fraternidade deste ano:

“A pergunta por um teto, uma digna moradia, nasce da fraternidade. Só nos incomoda que alguém esteja privado de um teto, carente de uma moradia digna, se reconhecemos nele um irmão...”

Destaco o Objetivo Geral da CF 2026:

“Promover, a partir da Boa-Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais de toda a população.”

E tem como objetivos específicos:

1.   Analisar a realidade da moradia precária, admitida como normal e que culpabiliza os pobres e segrega milhões de pessoas no Brasil.

 

2.     Identificar omissões do poder público e da sociedade civil frente à universalização dos direitos à moradia e à cidade, bem como iniciativas pastorais, governamentais e da organização popular que promovem a moradia.

 

3.     Conscientizar, a partir da Palavra de Deus e do Ensino Social da Igreja, sobre a necessidade sagrada de teto, terra e trabalho para todos.

 

4.     Corrigir a compreensão da moradia como mercadoria, objeto de especulação ou mérito individual.

 

5.     Fortalecer a presença eclesial e o compromisso sociotransformador junto aos mais pobres, caminhando com os movimentos e organizações populares que promovem a moradia.

 

6.     Empenhar-se para efetivar leis e viabilizar políticas públicas de moradia em todas as esferas sociais e políticas.

Fundamental que multipliquemos espaços e encontros para refletir, rezar e encontrar caminhos para darmos sagrados passos para que estes sagrados objetivos se realizem, bem como vivermos os exercícios quaresmais: oração, jejum e esmola, como lemos na passagem do Evangelho de São Mateus (cf. Mt 6, 1-18). Amém.

Em poucas palavras...

 


Esquecimento, negligência e o desejo

“Os anciãos costumavam dizer: ‘Existem três forças de satanás que precedem todo pecado: o esquecimento, a negligência e o desejo.

Quando vem o esquecimento, ele produz a negligência e da negligência vem o desejo: uma pessoa cai como resultado do desejo.

Mas, se a mente estiver vigilante contra o esquecimento, ela não se tornará negligente; e, se não for negligente, não chegará ao desejo.

Se não desejar, ela nunca cairá, pela graça de Cristo.” (1)

 

(1)  Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 273 – p. 189

Rezando com a matemática

                                                             

Rezando com a matemática

Um discípulo voltava de suas aulas matinais com a fome própria de um jovem, mas inquieto até que pudesse fazer uma pergunta ao mestre: “Como falar de Deus a partir das operações matemáticas (adição, subtração, multiplicação e divisão)?”

O mestre propôs um itinerário que deveria ser percorrido ao final de quatro tardes, para melhor proveito e assimilação. Outros discípulos também manifestaram desejo de acompanhar este caminhar vespertino. E assim aconteceu em quatro pores do sol.

Por volta das dezessete horas, mestre e discípulos saíram e,  pouco a pouco, o aprendizado da primeira operação: adição. Talvez porque seja de mais fácil aprendizado, mas tão bela e indispensável quanto as demais.

Primeira tarde: como falar de Deus a partir da adição?
Olhando para uma floresta encantadora pela diversidade de árvores, plantas, pequenos animais silvestres, entraram pela trilha adentro. Em determinado momento, o mestre disse: “assim é a floresta, não composta apenas de uma árvore ou espécie animal, isoladamente, mas a soma de todos eles, numa perfeita harmonia.

Assim fez Deus ao criar ao mundo: na soma das parcelas, das unidades, das diferenças, a totalidade de Sua obra. A folha que se soma a outra, forma a copa da árvore; o pequeno animal que soma ao outro, a fauna, e assim, o ecossistema é garantido”.

Pouco mais adiante, uma encantadora cachoeira. O mestre apontou para a mesma e disse: “vejam a água que cai abundantemente e encanta nossos olhos. Nada veríamos se cada gota não se somasse à outra, em gotas incontáveis que formam este pequeno lago, no qual agora vamos molhar nossos pés, porque hoje está frio, mas se verão fosse...”

Voltando à última palavra do mestre sobre a operação em questão: assim é a convivência entre nós. Quando estamos juntos, em ajuda mútua, somando nossos esforços, tudo fica mais fácil, menos tempo consumimos no alcance de objetivos traçados. Somemos sonhos, esperanças, forças, dons e o que de melhor Deus possa em nós ter colocado. Juntemos nossas histórias como parcelas de uma grande somatória, que possa ser a escrita de uma bela história a ser lembrada e contada com o deleite de quem soube somar, ousar, buscar, sonhar...

Segunda tarde: como falar de Deus a partir da subtração?
Durante o dia, os discípulos retomavam o que ouviram na véspera, e ansiavam a segunda tarde e a operação da subtração.

O mestre levou-os a um ateliê, onde um artista esculpia a estátua de um notável da cidade, para ser colocada no centro da praça que tinha seu nome, como reconhecimento e homenagem.

Cinzel e martelo em mãos, lentamente o escultor ia tirando partes da grande pedra. Ainda na metade do trabalho. O mestre observou: “vejam como ele vai tirando pedacinhos milimetricamente. Vai subtraindo com absoluto cuidado, até que a peça ganhe forma, beleza e expressão dos traços de quem se queria representar. Sem que a grande pedra se submetesse à subtração, jamais a obra poderia ser completada.

Assim também somos nós, a cada dia, precisamos ter a coragem de subtrair, da mente e do coração, o que não nos permite ser quem de fato somos; de nos tornarmos uma obra de arte em permanente acabamento, para que imagem de Deus o sejamos.

Temos que subtrair sentimentos que não edifiquem; manias e caprichos que destroem relacionamentos e crescimentos humanos, afetivos, psicológicos, espirituais, intelectuais, e quanto mais se possa dizer.

Os bens que possuímos também não podem nos cegar. O desapego e o desprendimento de coisas materiais são operações de subtração que nos aproximam mais de Deus”.

Ao voltar, o jardineiro ainda cuidava do jardim, podando corretamente as flores, no tempo e na medida. O mestre parou e o apontou aos discípulos dizendo: “Estão vendo o jardineiro podando a roseira? Sem estes cortes, podas, subtrações de galhos não haverá rosas, e não havendo rosas, não haverá beleza para nosso olhar e odor exalado para nossos sentidos, e tão pouco para expressão de amor entre amados e amantes, pais e filhos e tantos outros que veem na troca de flores uma expressão de carinho, respeito, reconhecimento e afeto.”

Um discípulo indagou: “Mas que Deus tem a ver com isto?” Mal formulada a pergunta, o mestre lembrou a passagem do Evangelho sobre a videira (Jo 15, 1-17), com a qual Jesus Cristo Se identifica, e lhes falou das podas necessárias, como dolorosas subtrações para que a videira dê seus frutos: “assim é a nossa vida: também feita de subtrações, de perdas que se tornam ganhos. De podas doloridas que, se relidas a partir da fé, são certeza de um novo florescer e frutificar”.

Voltaram para casa, todos recolhidos em profundo silêncio. Talvez lembrando o som do martelo do escultor, o barulho da tesoura do jardineiro, as perdas que cada um de nós temos que passar para que se tornem ganhos. Talvez, ainda, da subtração da própria vida, como Jesus o fez: subtraídas Sua beleza e todas Suas forças na Cruz, expirou. Morrendo, Ressuscitou!

Terceira tarde: como falar de Deus a partir da multiplicação?
Aonde levaria os discípulos para lhes falar da multiplicação? Primeiramente, passaram numa pequena Igreja local, no momento em que terminava um retiro espiritual. O mestre se dirigindo ao coordenador do mesmo, perguntou como fora o lanche e o almoço daquele dia.

A resposta foi a mesma que muitas vezes vimos acontecer: estavam todos felizes com o dia de oração, e ninguém com fome, porque o almoço foi comunitário; todos colocaram em comum o que levaram. Todos comeram e ainda sobrou. Aliás, enquanto conversavam, rapidamente, uma mesa foi preparada com os alimentos que sobraram. Os discípulos e todos puderam fazer um lanche para seguir adiante.

O mestre caminhando para o retorno, enfatizou: “quando se multiplica o que temos, sempre sobra. Quando retemos o que temos sempre nos falta e sempre insatisfeitos ficamos. Assim fez Jesus naquele dia num lugar deserto, em que um menino tinha cinco pães e dois peixes e Ele fez o sinal da multiplicação, e todos comeram e ficaram saciados. Foi a mais bela lição da multiplicação que possuímos para que ninguém morra de fome, pois a Sua Palavra tem poder e é garantia de êxito: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’.

Assim acontece em cada Eucaristia que celebramos: aprendemos que ninguém pode viver isoladamente, para si, pois assim empobreceria o seu viver e jamais saberia o gosto da saciedade e da felicidade. Somente sabe a beleza e o gosto da alegria quem sabe multiplicar os dons e talentos que o Senhor nos confiou, e nunca dizer que nada tem para oferecer; que nada pode fazer”.

O discípulo completou: “aprendamos que, com Deus, o que temos, ainda que pouco, com amor partilhado, é multiplicado e ainda haverá sobra, jamais desperdício. Que se recolha o que sobrou, para que ninguém fique privado do melhor que Deus tem à humanidade oferecer”.

Não puderam ir a mais lugar algum, a não ser o propósito de relerem na oração da noite, a passagem que o mestre se referira: Jo 6,1-21.

Quarta tarde: como falar de Deus a partir da divisão?
Naquela última tarde, o mestre levou-os a uma casa muito simples. Uma família sentada ao redor da mesa (as famílias precisam voltar a se encontrar ao redor da mesma para a refeição tanto quanto possível).

Mas a casa era tão pequena, como haveria de colocar todos lá dentro? Fizeram uma escolha entre eles de quem acompanharia o mestre e este descreveria os fatos lá vistos e sentidos.

Assim se fez. O discípulo lhes contou, ao retornarem, que, antes de comerem, o pai fez uma oração breve, agradecendo a Deus a comida servida, como bênção divina concedida. Pediu que Deus abençoasse aquele alimento, e que ele jamais faltasse na mesa de tantas outras famílias. Como a família era de poucos recursos econômicos, não tinha tanta comida na panela, como se previra, disse o discípulo:

“Chamou-me a atenção que a mãe serviu dividindo igualmente a quantidade de comida em cada prato. Todos comeram. Em seguida a mãe trouxe algumas frutas colhidas no quintal, dividiu entre todos, e disse: ‘Leve para os amigos de vocês estas frutas. Ficaremos felizes se levarem’”.

O mestre assim completou: “Quando aprendemos dividir o que temos nada nos falta. Quando a mesquinhez, ambição desmedida toma conta de nós, tornamo-nos insatisfeitos, consumistas, insaciáveis.

De fato somente o pão que partilhamos sacia nossa fome; somente a água que partilhamos sacia nossa sede; somente a roupa que partilhamos nos veste e nos protege do frio; somente a lágrima que secamos, faz secar as que em nós também vertem; somente os sonhos que ressuscitamos afastam de nós pesadelos; somente a poesia e o canto que exalta a beleza da vida divulgamos, devolve a poesia e encanto a viva que temos... somente...”

E assim, mestre e discípulos continuaram: “somente...”.
Quase chegando em sua casa, completou o mestre: “Assim aconteceu com Jesus Ressuscitado,  que no partir do Pão, na casa de Cléofas e o outro discípulo, os discípulos de Emaús (Lc 24,13-34), que somente Se tornou reconhecido no partir do pão.

Assim acontece com o Pão partilhado no Banquete da Eucaristia: reconhecemos a presença de Jesus, vivo e presente no Pão Consagrado e na Mesa: dividido, partilhado, comungado. Ele que pouco antes faz arder nosso coração quando a Palavra é proclamada”.

Quinta tarde:
Houve quinta tarde?
Mas não são quatro as operações fundamentais da matemática?
Então...
A quinta tarde acontece se quisermos.
A quinta tarde acontece se nos propusermos.

Que a quinta tarde sejam todas as tardes que virão depois, como tardes que não se repetem e que têm sua beleza própria. Em cada tarde, voltemos às quatro tardes e retomemos as operações da matemática em nossa vida.

Há tardes que nos levam a meditar sobre outras:
- Aquela tarde que nos falou o salmista – “Se à tarde nos vem o pranto visitar, a alegria pela manhã nos vem saudar” ( Sl 29, 6).

- Aquela tarde da Paixão – da morte do Senhor, que mudou a nossa vida. Aquela tarde em que o Amor foi crucificado, para que Ressuscitasse na madrugada da Ressurreição: porque o Amor é eterno, e com Amor eterno Deus nos amou.

- Aquela tarde em que Jesus caminhou com os discípulos de Emaús explicando-lhes as escrituras e, por fim, ouvindo dos mesmos – “Fica conosco Senhor”.

Rezar a partir da matemática é possível. Quando assim acontecer nos tornaremos mais humanos, fraternos, expressões vivas da misericórdia e ternuras divinas, e misericordiosos como o Pai, que não Se cansa de fazer todas as operações para que vida plena e feliz todos tenhamos, o seremos. 


PS: apropriado para a reflexão da passagem de Marcos (Mc 8,1-10; Jo 6,1-15; Lc 9,11b-17)

Em poucas palavras...

                                                   


“Os milagres da multiplicação dos pães...”

“Os milagres da multiplicação dos pães, quando o Senhor disse a bênção, partiu e distribuiu os pães pelos seus discípulos para alimentar a multidão, prefiguram a superabundância deste pão único da sua Eucaristia (Mt 14,13-21; 15,32-39).

O sinal da água transformada em vinho em Caná (Jo 2,1-11) já anuncia a «Hora» da glorificação de Jesus. E manifesta o cumprimento do banquete das núpcias no Reino do Pai, onde os fiéis beberão do vinho novo (Mc 14,25) tornado Sangue de Cristo”.(1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1335

Apropriado para as passagens do Evangelho: (Mt 14,13-21; Mc 8,1-10; 6, 30-34; Lc 9,10-17; Jo 6,1-6)

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