quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Oração pura, confiante e sincera

                                                                

Oração pura, confiante e sincera

Na passagem do Evangelho (Mc 7,24-30), temos a súplica da mulher pagã que se dirige a Jesus pedindo para que Ele libertasse sua filha possuída por um espírito impuro.

Jesus, depois da súplica insistente da mulher, realizou o que ela pedira, mandando que esta voltasse para casa, pois o demônio já havia saído de sua filha: “Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela” (Mc 7, 30).

A súplica desta mulher nos ensina como deve ser a verdadeira Oração: expressão de fé; feita com humildade; com sinceridade; de coração puro; perseverante e confiante.

O Bispo Santo Agostinho (séc. IV) nos ensina que se nossa Oração não for escutada por Deus,  deve-se a três razões:

- 1.º -  porque não somos bons, nos falta pureza no coração ou retidão na intenção;
- 2º -  porque pedimos mal, sem fé, sem perseverança, sem humildade;
- 3º -  porque pedimos coisas más, isto é, o que não nos convém, o que nos pode fazer mal ou desviar-nos do nosso caminho. (1)

A Oração não é eficaz quando não é verdadeira Oração, mas quando verdadeira ela será infalivelmente eficaz, como afirmou São Tomás de Aquino (séc XIII) (2).

Concluo com as palavras do Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V), que nos ajuda neste aprofundamento:

“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantém a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a Oração, o Jejum e a Misericórdia. O que a Oração pede, o Jejum alcança e a Misericórdia recebe".

Aprendamos com a mulher pagã e com a Tradição da Igreja, para que nossa Oração seja a expressão de nossa fé, que busca um sincero diálogo com Deus.

Deste modo, nossas súplicas, feitas com humildade e confiança, e de coração puro e sincero, saberemos o que pedir, e Deus, no seu tempo, saberá como e quando nos atender.

1 - cf. Santo Agostinho, Sobre o sermão do Senhor no monte, II, 27, 73)
2 - cf. São Tomás, Suma Teológica, 2-2, q. 83, a. 2.

A verdadeira Oração

                                                       

A verdadeira Oração

Na passagem do Evangelho (Mc 7,24-30), temos a súplica da mulher pagã que se dirige a Jesus pedindo que Ele libertasse sua filha possuída por um espírito impuro.

Jesus, depois da súplica insistente da mulher, realizou o que ela pedira, mandando que esta voltasse para casa, pois o demônio já havia saído de sua filha: “Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela” (Mc 7, 30).

A súplica desta mulher nos ensina como deve ser a verdadeira Oração: expressão de fé; feita com humildade, acompanhado de perseverança e confiança.

O bispo Santo Agostinho (séc. IV) nos ensina que se nossa Oração não for escutada deve-se a três razões:

- primeiro, porque não somos bons, nos falta pureza no coração ou retidão na intenção;
- porque pedimos mal, sem fé, sem perseverança, sem humildade.
- ou porque pedimos coisas más, isto é, o que não nos convém, o que nos pode fazer mal ou desviar-nos do nosso caminho. (1)

A Oração não é eficaz quando não é verdadeira Oração, mas quando verdadeira ela será infalivelmente eficaz, como afirmou São Tomás de Aquino (séc XIII), porque Deus nunca se desdiz e decretou que o fosse. (2)

Sendo a Quaresma tempo favorável de nossa salvação, somos convidados pela Igreja a intensificar e prolongar nosso tempo de Oração, acompanhado de jejum e expresso em gestos concretos através da esmola (solidariedade).

Concluo com as palavras do Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V), que nos ajuda neste aprofundamento:

“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantém a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a Oração, o Jejum e a Misericórdia. O que a Oração pede, o Jejum alcança e a Misericórdia recebe".

Que nossa Quaresma seja marcada então pela verdadeira Oração, que aprendemos com a mulher pagã e com a Tradição da Igreja, com seus imprescindíveis ensinamentos, e assim nossa Oração será a expressão de nossa fé, que busca um sincero diálogo com Deus, e nossas súplicas, feitas com humildade e confiança, e de coração puro e sincero, saberemos o que pedir, e Deus, no seu tempo, saberá como e quando nos atender.

1 - cf. Santo Agostinho, Sobre o sermão do Senhor no monte, II, 27, 73)
2 - cf. São Tomás, Suma Teológica, 2-2, q. 83, a. 2.

Só Deus nos garante a verdadeira felicidade (VIDTCA)

                                                             

Só Deus nos garante a verdadeira felicidade

"Enquanto o amor humano tende
a apossar-se do bem que encontra no seu objeto,
o Amor Divino cria o bem na criatura amada" .

Com a Liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum (Ano A) refletimos o desdobramento do Sermão da Montanha, apresentado nos primeiros versículos do quinto capítulo do Evangelho de Mateus.

Vemos que Deus tem um Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade a Ele e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.

Na passagem da primeira Leitura (Eclo 15, 16-21) encontramos uma mensagem clara e incontestável: Deus nos concede liberdade para escolhas. Se escolhermos Sua proposta, no cumprimento de Seus Mandamentos, teremos vida e felicidade. Porém, bem diferente será o que alcançaremos se d’Ele e de Sua Lei nos afastarmos, encontraremos o pecado e a morte.

O Povo de Deus, no século a. C, vivia um contexto de abandono da fé, com fortes influências da cultura helênica. O autor sagrado exorta a fidelidade a Deus e à Sua Palavra para que não perca a sua identidade, e com isto o afastamento da felicidade.

É explícito o tema: temos sempre que fazer escolhas: ou o caminho da vida e da felicidade, ou o caminho da morte, da desgraça (orgulho, egoísmo, autossuficiência, isolamento...).

Fomos criados por Deus e Ele nos concedeu o livre arbítrio, temos que saber escolher. Somos eternamente responsáveis pelas nossas escolhas, pela proximidade ou afastamento de Deus que elas trarão.

Reflitamos:

- De que modo usamos a liberdade que Deus nos concedeu?
Quais são nossas escolhas? Serão elas acertadas, conforme a vontade de Deus?

- Qual caminho trilhamos: da fidelidade ou indiferença à Proposta de Deus?

- Quais são as consequências de nossas escolhas? 
- Somos capazes de assumi-las sem atribuir culpas a Deus, em caso de resultados adversos?

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 2,6-10), mais uma vez o Apóstolo nos exorta a viver nossa fidelidade ao Senhor que, por amor sem medida, não evitou a Cruz. Nela Jesus viveu a doação total, o Amor que ama até o fim.

É na Cruz de Nosso Senhor Jesus que se encontra a mais bela história de Amor, em que Ele, o Filho Amado, vai até o extremo de Sua doação e Amor por nós; e como discípulos missionários do Senhor, haveremos de fazer o mesmo caminho.

Abraçar a Cruz, por amor, consiste na verdadeira sabedoria divina, infinitamente superior à sabedoria humana.

A verdadeira sabedoria vem, paradoxalmente, da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo é convicto de que Jesus Cristo é o único Mestre e que a verdadeira sabedoria não é aquela que nasce do brilho e elegância das palavras, nem mesmo pela coerência dos sistemas filosóficos.

Na identificação total com Cristo, é o Espírito que nos anima e nos conduz, para que jamais recuemos na vida de fé, mas avancemos sempre para as águas mais profundas, na travessia do mar da vida.

A prática de Jesus nos revela que Deus não força ninguém a esta identificação, não força ninguém a segui-Lo, mas se quisermos segui-Lo, é preciso renúncias cotidianas, tomando a cruz e pondo-nos a caminho, na fidelidade total aos Mandamentos Divinos que nos conduzem nesta opção, sempre enamorados e apaixonados por Ele, Jesus, Nosso Senhor.

O cristianismo não é um conjunto de ideias, mas o encontro pessoal com Jesus Cristo que transformou  a nossa vida para sempre. Quem se encontrou com o Senhor, de fato, nunca mais será a mesma pessoa, e se torna impossível viver sem Ele e o Seu Amor.

Na passagem do Evangelho (Mt 5,17-37), Jesus com Seus ditos nos exorta à prática das Bem-Aventuranças, com seus desdobramentos no cotidiano.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

O Missal Dominical afirma que “o amor é querer o bem do amado”. E com esta expressão sintetizamos a mensagem do Evangelho deste Domingo.

Viver as Bem-Aventuranças, e ser sal da terra e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. Isto nos remete a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" .

"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá quatro exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade...:

1 - As relações fraternas e a contínua necessidade da reconciliação;
2- O adultério e a necessidade de conversão, vendo no outro a imagem e templo de Deus;
3 - A confirmação da aliança indissolúvel do matrimônio, desde a criação, ratificando, assim, o Plano de Deus;
4 - A importância de nos relacionarmos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

Em resumo, a questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas: em relação a Deus sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo sejamos fraternos e solidários.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano. Eis o grande desafio para todos nós.

Temos a missão de ser sal da terra e luz do mundo. Por isto, se faz necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Nossa Senhora de Lourdes

                                                               


Nossa Senhora de Lourdes

Nossa Senhora de Lourdes, e de tantas denominações, a ti volto meu olhar e coração com toda a humildade e confiança, e contemplo tua imagem, tão rica e expressiva de significados que aquecem e elevam nossa alma.

Contemplo a alvura de tua túnica; a cor branca que, desde o Antigo Testamento, é símbolo da pureza, santidade e inocência.

Contemplo esta brancura, símbolo da paz que tanto precisamos, acompanhada da pureza de coração e da santidade que todos devemos procurar, pois criados e predestinados à santidade por Deus, Altíssimo a quem amaste e serviste.

Contemplo teu cinto azul amarrado à túnica branca, ligado a ela: azul que nos remete ao céu onde estás, na vida eterna, na plena e íntima comunhão com Deus, acenando para nós o nosso destino.

Contemplo tuas mãos postas em oração, que representa o pedido insistente da Mãe do Céu, para que rezemos pela nossa salvação e a de toda a humanidade, e empenhemos esforços para que isto aconteça.

Contemplo o terço pendurado em teu braço direito, em complemento às tuas mãos postas para a oração, que pediste que também façamos: rezar o Santo Rosário, para que sejam evitadas grandes catástrofes, e para que muitas almas não se percam.

Contemplo o teu véu branco, que significa que pureza, santidade e paz, que devem estar também sobre nossa cabeça e em nossa mente; de modo que nossas forças intelectuais devem também ser puras, promovendo a paz, e sempre alimentadas com a Palavra que sai da boca de Deus.

Contemplo as duas rosas sobre teus pés, que representam a promessa messiânica,  a promessa que Deus fez de enviar um Salvador ao mundo.

Contemplo as rosas postas sobre os teus pés, significando, também, os teus passos de Mãe que nos levam para o Salvador, teu Filho Jesus.

Contemplo o fato de que nunca apontaste para ti mesma, pois não precisas de glórias, por isto apontas sempre para Jesus, o único que pode nos salvar.

Contemplo os doze raios saindo de tua cabeça, que representam as graças que a humanidade recebe a partir da Doutrina da Igreja, alicerçada sobre os doze Apóstolos.

Contemplo com isto, que tua aparição se dá em nome da Igreja de Cristo, e com ela, uma mensagem essencial e vital para toda a humanidade.

Contemplo as palavras sobre tua cabeça: 'Je suis L'immaculée Concepcion' ('Eu sou a Imaculada Conceição').

Contemplo que foste concebida sem o pecado original, porque inteiramente para Deus, virgem e pura, como deveria ser a Mãe do Salvador, pura e sem mancha, desde o momento em que foste concebida no ventre materno.

Nossa Senhora de Lourdes, nós te contemplamos, e a ti recorremos em oração:

“Ó Virgem Puríssima, Nossa Senhora de Lourdes, que vos dignastes aparecer a Bernadette, no lugar solitário de uma gruta, para nos lembrar que é no sossego e recolhimento que Deus nos fala, e nós falamos com Ele. 

Ajudai-nos a encontrar o sossego e a paz da alma, que nos ajudam a conservar-nos sempre unidos em Deus. Nossa Senhora da gruta, dai-me a graça que vos peço e tanto preciso, (pedir a graça). Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós. Amém.”


PS: Nossa Senhora de Lourdes, cuja memória celebramos no dia 11 de fevereiro, é uma das invocações marianas atribuídas à Virgem Maria e que surgiu com base nos relatos das aparições que foram presenciadas por Santa Bernadette Soubirous, numa gruta de Lourdes, na França em 1858.

Religião pura e agradável a Deus

                                                           

Religião pura e agradável a Deus

Na quarta-feira da 5ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 7,14-23), e somos convidados a refletir sobre a verdadeira religião agradável a Deus.

Esta pressupõe o contínuo esforço de conversão para que tenhamos pureza de coração, pois como o próprio Senhor disse “somente os puros de coração verão a Deus” (Mt 5,8).

Na passagem do Livro do Deuteronômio (Dt 4,1-2.6-8), Moisés já acentuara o compromisso do Povo com a Palavra de Deus e Sua Aliança, numa sincera acolhida e vivência de Sua Lei.

A Lei Divina deve ser vivida como expressão de gratidão a Deus; ainda mais porque ela é garantia de felicidade e liberdade, para concretizar os sonhos e esperanças do Povo Eleito e amado por Deus.

Não se pode adulterar a Palavra de Deus ao sabor dos interesses pessoais, bem como, não se pode adaptar, amenizar, suprimir e nada acrescentar à Palavra de Deus.

Alguns perigos que nos acompanham:

- o esvaziamento da radicalidade da Palavra;
- cortar (omitir) seus aspectos mais questionadores;
- fazermos ou dizermos coisas que não procedem de Deus;
- de cair num ativismo em que sacrificamos o tempo do silêncio orante diante de Deus, na acolhida de Sua Palavra;
- esvaziamento de seu conteúdo por causa do cansaço, da perda do sentido e consequente falta de espiritualidade e intimidade com a Palavra de Deus.

Encontramos na Carta de São Tiago uma passagem  (Tg 1,17-18.21-22.27), que fortalece esta inseparável relação entre fé e obras. 

A fidelidade aos ensinamentos de Cristo nos compromete com o próximo (representado na figura do órfão e da viúva). E nisto consiste a verdadeira religião, pura e sem mancha: solidariedade vivida e vigilância, para não se contaminar com os contravalores que o mundo apresenta.

É necessária a superação da frieza, do legalismo e do ritualismo religioso, procurando viver uma Religião comprometida com o Reino por Jesus inaugurado.

O autor da Carta nos exorta a não sermos meros ouvintes da Palavra, mas praticantes da mesma, não nos enganando a nós mesmos.

A Palavra de Deus quer encontrar no coração humano a frutuosa acolhida, portanto, há um itinerário da Palavra: acolher, acreditar, anunciar e testemunhar a Palavra de Deus, que nos garante vida e felicidade plena.

Voltando à passagem do Evangelho que nos convida à pureza de coração, vemos que discípulo de Jesus não pode tão apenas “parecer” é preciso “ser” sinal vivo da presença de Deus. 

Não basta parecer justo, tem que ser justo; não basta parecer piedoso, tem que ser piedoso; não basta parecer verdadeiro, tem que ser verdadeiro...

Mais que uma “carapaça exterior” é preciso de uma “coluna vertebral interior”. 

A verdadeira religião não vive de aparências, e exige de cada crente uma sólida e forte estrutura para suportar o peso da cruz, a coragem do testemunho, a coerência de vida, o esforço contínuo de conversão, a solidariedade constante, caminho que não tem volta e tem apenas um destino: o céu.

Os mestres da Lei e os fariseus tinham aproximadamente 613 preceitos a cumprir (365 proibições e 248 prescrições). O povo simples, por não os conhecer, nem os praticar, era considerado impuro, e este será um tema de grande polêmica entre Jesus e os fariseus em vários momentos.

Para Jesus importa a pureza interior, a pureza do coração que é a sede de todos os sentimentos, desejos, pensamentos, projetos e decisões.

Jesus afirma: o que torna o homem impuro é o que sai de seu coração (apresenta uma longa lista) e não o que entra pela sua boca.

É do coração humano puro que nasce uma autêntica religião, a religião do coração, da intimidade profunda com Deus.

As Leis da Igreja não têm fins em si mesmas, mas garantem a nossa comunhão com Deus e com o próximo, na concretização do Reino.

Dando os primeiros passos do ano Litúrgico, cultivemos maior intimidade e compromisso com a Palavra de Deus para que produzamos os frutos por Deus esperados.

É preciso dar mais tempo à Palavra de Deus, em frutuosa Oração e reflexão, que fará brotar novas atitudes e compromissos com Deus e o Seu Projeto para a Humanidade.


PS: Fonte de pesquisa - ww.Dehonianos.org/portal

Participação autêntica na Eucaristia

                                                            

Participação autêntica na Eucaristia

“O Espírito é que dá vida,
a carne não serve de nada.” (Jo 6,63)

Senhor, iluminai nosso discipulado, para que nossa fé seja vivida de modo verdadeiramente agradável a Vós, expresso pela prática e observâncias religiosas frutuosas.

Senhor, que não nos contentemos com a obediência externa às leis promulgadas, e sintamos Vossa proximidade, vivendo Vossos Mandamentos com sabedoria e inteligência.

Senhor, que nada tiremos ou acrescentemos à Vossa Lei, para que não Vos ofendamos, porque mergulharíamos num vale profundo de escuridão.

Senhor, dai-nos Sabedoria para entender e concretizar Vossos Mandamentos que não são artigos de um código escrito de uma vez para sempre, e que saibamos vivê-los, tendo em conta as exigências do tempo, do lugar e das pessoas.

Senhor, não permitais que confundamos a vontade de Deus com as tradições humanas, mesmo que seculares; e menos ainda com modos de agir que, na realidade, atraiçoam ou ridicularizam  a Vossa Lei.

Senhor, Vossa Lei não nos esmaga, ao contrário, nos põe de pé para caminhar com coragem, firmeza, pois suas prescrições são indicações para que não nos percamos neste caminho.

Senhor, vivendo Vossa Lei, não aventuraremos por caminhos sem saída ou por encostas, aparentemente fáceis, mas expostas a avalanchas mortais.

Senhor, convosco caminhamos com passadas regulares, conduzidos e iluminados pelos Vossos Mandamentos, que nos permitem, dia a dia, nos aproximarmos cada vez mais de Vós.

Senhor, que nossa fidelidade, perseverança e alegria levem os outros a seguirem o mesmo itinerário, fortalecidos na prática da justiça, amor, verdade, fraternidade e liberdade.

Senhor, que a Vossa Lei e Palavra sejam inscritas no mais profundo de nosso coração, pois, como Vós dissestes, ‘ é do interior do homem que saem os pensamentos perversos: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, cobiças... todos estes vícios saem do interior do homem e o tornam impuro’ (Mc 7,14-23).

Senhor, que nunca nos esqueçamos que o critério último e decisivo da justa observância de Vossa Lei é o amor eficaz ao próximo, que confere assim a autenticidade da participação na Eucaristia que é o Sacramento do Vosso Amor, até que um dia mereçamos tomar posse da herança prometida. Amém.



PS: Livre adaptação - Missal Quotidiano Dominical e Ferial - Lisboa – p.1852

Diocese de Guarulhos: 40 anos de Evangelização!

                                                          

Diocese de Guarulhos: 40 anos de Evangelização!

No dia 11 de fevereiro de 1981, Festa de Nossa Senhora de Lourdes, foi criada pelo Papa São João Paulo II a Diocese de Guarulhos pela Bula “Plane Intelligitur” (1981).

A Missa de Ordenação do primeiro Bispo, D. João Bergese, aconteceu no dia 05 de abril, às 15 horas, na praça de esportes do Hospital Padre Bento - Gopoúva.

Com alegria, portanto, celebramos trinta e oito anos de Evangelização em nossa Cidade, procurando ser uma presença iluminadora, à luz do Evangelho, porque quis o Senhor que os Seus discípulos missionários fossem luz do mundo, fermentando uma nova realidade, transformando os sinais de morte em sinais de vida, e assim, não perdermos a graça de sermos sal da terra, dando gosto de Deus a todo o existir. 

Fazemos memória aos três primeiros Bispos: D. João Bergese (1981-1991), com o Lema Episcopal – “Chamados à Comunhão; D. Luiz Gonzaga Bergonzini (1992-2012, com o Lema – “É necessário que Ele cresça”; D. Joaquim Justino Carreira (2012-2013), com o Lema “Pax Vobis”.

Também fazemos memória aos padres e cristãos leigos que fizeram parte desta história e que, tendo combatido o bom combate da fé, já se apresentaram diante de Deus.

Ressaltamos também todos aqueles que continuam a missão evangelizadora na cidade de Guarulhos, com seus desafios incontáveis, e outros que se encontram em outras Dioceses no Brasil ou no exterior.

Muito nos ajuda em nossa travessia turbulenta até a outra margem, as palavras que nossos bispos nos deixaram:

- “É mal menor, errar agindo que nada fazer. As lutas são vencidas por aqueles que lutam, não por aqueles que criticam.” (frase escrita à mão por D. João Bergese, em sua carta testamento, do lado superior);

“Temos consciência que a tarefa é árdua, espinhosa, difícil. Temos consciência de que somos limitados e fracos, mas anima-nos o saber que a tarefa não é nossa, mas também e principalmente d’Ele... Se dispensarmos o Cristo e Sua graça, confiando unicamente em nossas forças, recursos e capacidades pessoais, ficaremos sozinhos e a derrota será total: pois além de não vencermos, estaríamos impedindo a Cristo de lutar ao nosso lado e vencer juntamente conosco” (D. Luiz Gonzaga Bergonzini).

- “Neste tempo de mudança de época que estamos vivendo, quando as atitudes se destacam com relativismo e fundamentalismo, os cristãos são chamados a não desertar do mundo que Deus lhes confia para evangelizar, através de uma verdadeira conversão pessoal e pastoral, discernindo os sinais dos tempos” (D. Joaquim Justino Carreira).

Hoje, sob o pastoreio de nosso quarto Bispo, Dom Edmilson, vivemos um cenário nacional extremamente delicado, marcado pela crise econômica e política. Entretanto, é exatamente neste momento que precisamos fortalecer nossa missão evangelizadora, com zelo, amor e alegria, como vimos na realização da 10ª Assembleia Diocesana de Pastoral, no ano passado.

Iluminadoras são para nós as palavras do Apóstolo Pedro, para que reavivemos a chama da fé um dia acesa em nosso batismo, dando razão de nossa esperança, na prática da efetiva e afetiva caridade:

“E quem há de vos fazer mal, se sois zelosos do bem: Mas se sofreis por causa da justiça, bem-aventurados sois! Não tenhais medo nenhum deles, nem fiqueis conturbados, antes, santificai a Cristo, o Senhor, em vossos corações, estando sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pede.” (1 Pd 3,13-15).

É tempo de multiplicar todos os esforços possíveis. Não é tempo de luto sem esperança. Somos discípulos do Cristo Vencedor, Aquele que passou pela morte, e a última palavra foi a Sua Ressurreição.

Que a força e a vida nova do Ressuscitado façam renascer em nosso coração a esperança, para que continuemos trilhando o caminho da evangelização, mesmo nas dificuldades, certos de que Ele caminha conosco, e, quando a travessia do mar nos assustar, não permitamos que o medo nos faça submergir na mediocridade, no desespero, pois Deus em Sua infinita misericórdia jamais nos abandona à mercê de naufrágios irreversíveis.


PS: Publicado no Jornal “Folha Diocesana” – Guarulhos – Edição nº231.

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