sábado, 20 de junho de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 68(69),2-22.30-37 (XIIDTCA)

 


Súplica confiante e incondicional ao Senhor
 
“– Ao maestro do coro. Conforme a melodia
‘Os lírios’. De Davi. 

–2 Salvai-me, ó meu Deus, porque as águas
até o meu pescoço já chegaram!
–3 Na lama do abismo eu me afundo
e não encontro um apoio para os pés.
– Nestas águas muito fundas vim cair,
e as ondas já começam a cobrir-me!

 –4 À força de gritar, estou cansado;
minha garganta já ficou enrouquecida.
– Os meus olhos já perderam sua luz,
de tanto esperar pelo meu Deus!

 –5 Mais numerosos que os cabelos da cabeça,
são aqueles que me odeiam sem motivo;
– meus inimigos são mais fortes do que eu;
contra mim eles se voltam com mentiras!
 – Por acaso poderei restituir
alguma coisa que de outros não roubei?
–6 Ó Senhor, Vós conheceis minhas loucuras,
e minha falta não se esconde a Vossos olhos.

 –7 Por minha causa não deixeis desiludidos
os que esperam sempre em Vós, Deus do Universo!
– Que eu não seja a decepção e a vergonha
dos que vos buscam, Senhor Deus de Israel!

 –8 Por Vossa causa é que sofri tantos insultos,
e o meu rosto se cobriu de confusão;
–9 eu me tornei como um estranho a meus irmãos,
como estrangeiro para os filhos de minha mãe.

 –10 Pois meu zelo e meu amor por Vossa casa
me devoram como fogo abrasador;
– e os insultos de infiéis que vos ultrajam
recaíram todos eles sobre mim!

 –11 Se aflijo a minha alma com jejuns,
fazem disso uma razão para insultar-me;
–12 se me visto com sinais de penitência,
eles fazem zombaria e me escarnecem!
–13 Falam de mim os que se assentam junto às portas,
sou motivo de canções, até de bêbados!

–14 Por isso elevo para Vós minha oração,
neste tempo favorável, Senhor Deus!
– Respondei-me pelo Vosso imenso amor,
pela Vossa salvação que nunca falha!

 =15 Retirai-me deste lodo, pois me afundo!
Libertai-me, ó Senhor, dos que me odeiam,
e salvai-me destas águas tão profundas!
=16 Que as águas turbulentas não me arrastem,
não me devorem violentos turbilhões,
nem a cova feche a boca sobre mim!

 –17 Senhor, ouvi-me pois suave é Vossa graça,
ponde os olhos sobre mim com grande amor!
–18 Não oculteis a Vossa face ao Vosso servo!
Como eu sofro! Respondei-me bem depressa!
–19 Aproximai-vos de minh’alma e libertai-me,
apesar da multidão dos inimigos!

 =20 Vós conheceis minha vergonha e meu opróbrio,
minhas injúrias, minha grande humilhação;
os que me afligem estão todos ante Vós!
–21 O insulto me partiu o coração;
não suportei, desfaleci de tanta dor!

 = Eu esperei que alguém de mim tivesse pena,
mas foi em vão, pois a ninguém pude encontrar;
procurei quem me aliviasse e não achei!
–22 Deram-me fel como se fosse um alimento,
em minha sede ofereceram-me vinagre!

–30 Pobre de mim, sou infeliz e sofredor!
Que Vosso auxílio me levante, Senhor Deus!
–31 Cantando eu louvarei o Vosso nome
e agradecido exultarei de alegria!
–32 Isto será mais agradável ao Senhor,
que o sacrifício de novilhos e de touros.

 =33 Humildes, vede isto e alegrai-vos:
o Vosso coração reviverá,
se procurardes o Senhor continuamente!

 –34 Pois nosso Deus atende à prece dos Seus pobres,
e não despreza o clamor de seus cativos.
–35 Que céus e terra glorifiquem o Senhor
com o mar e todo ser que neles vive!

 =36 Sim, Deus virá e salvará Jerusalém,
reconstruindo as cidades de Judá,
onde os pobres morarão, sendo seus donos.
=37 A descendência de seus servos há de herdá-las,
e os que amam o santo nome do Senhor
dentro delas fixarão sua morada!”

O Salmo 68(69),2-22.30-37 é uma súplica de alguém consumido pelo fogo abrasador do amor de Deus, e é a expressão da incondicional confiança em Deus:

“Vítima da maldade humana, o salmista invoca o socorro divino, para livrá-lo da presente aflição. Conforme a regra do ‘talião’, ele deseja aos malfeitores o castigo merecido, enquanto ele mesmo libertado, louva a Deus.” (1)

Assim fez o Senhor, como contemplamos no Mistério de Sua Paixão e morte:

- “Então lhes disse: ‘Minha alma está triste até a morte! Ficai aqui e vigiai comigo!’ E, afastando-Se um pouco, caiu com o rosto por terra e orou: ‘Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice. Contudo, não seja como eu quero, mas como Tu queres.’” (Mt 26,38-39);      

“Deram-Lhe de beber vinho misturado com fel; mas quando provou, não quis beber” (Mt 27,34).

Assim sejamos, em toda e qual situação, e que o zelo pela casa do Senhor nos devore, ou seja, paixão e fidelidade no Senhor e ao Seu Projeto do Reino. Amém.


(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p.782

“O medo tomou conta de mim” (XIIDTCA)

                                                                

“O medo tomou conta de mim”

“Mas o Senhor Deus chamou o homem, perguntando:
‘Onde está você? ‘
E ele respondeu:
‘Ouvi teus passos no jardim e fiquei com medo,
porque estava nu; por isso me escondi"
(Gn 3,9-10)

O medo tomou conta de mim, já não sei mais quem sou.
Quis ser como Deus e descobri minha insana pretensão.
Não soube corresponder ao Teu desígnio de amor,
Não fui capaz de me relacionar como criatura Tua
Feita do barro, em Tua mão divina de oleiro.

O medo tomou conta de mim, lamentavelmente, me distanciei de Ti
Permiti que o pecado corroesse minhas fibras mais profundas,
Manchei a minha alma com nódoas do pecado,
E mergulhei no mais profundo do vale de minha miséria.
A Ti suplico, com clamores e lágrimas, Tua divina misericórdia.

O medo tomou conta de mim, perdi a luz do caminho;
Permiti que a escuridão das trevas me envolvesse;
Coração seduzido por brilhos fugazes e enganadores,
Ferindo-me por entre espinhos, quase insuportáveis dores,
Pisando e me ferindo em pedras, caindo no abismo de mim mesmo.

O medo tomou conta de mim, não seja ele para sempre.
Volto para Ti com coração chagado, envergonhado, ferido,
Como o filho mais novo da Parábola da Misericórdia identificado,
Ponho-me em Tua presença, quero Teu perdão, ainda que...
Ainda que não mereça, Pai Eterno de infinita bondade.

Perdão pela desobediência cometida.
Perdão pela arrogância em mim invadida.
Perdão pela ingratidão ao Teu amor infinito.
Perdão pela amizade corrompida, traída.
Sou Teu, tão frágil, cura minhas feridas.

Cessa meu medo. Acolha-me, ainda que eu não mereça.
Renova-me! Retira-me do lamaçal do pecado,
Ao qual, no mau uso da liberdade, sucumbi.
Perdoa-me! Não posso viver sem Ti.
Não posso viver sem Teu divino amor. Amém.

Com o Ressuscitado, vencemos o medo (XIIDTCA)

 


Com o Ressuscitado, vencemos o medo
 
“Não tenhais medo daqueles que matam o corpo,
mas não podem matar a alma!”
 
Reflitamos sobre a solicitude e o amor de Deus, para com aqueles que Ele chama e envia em missão, uma vez que a perseguição estará sempre presente no horizonte dos discípulos de Jesus.
 
À luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 10,26-33), o tema da inevitabilidade da perseguição na vida dos discípulos é explícito, assim como vimos na primeira Leitura.
 
O Evangelista exorta à superação do desânimo e frustração decorrentes das perseguições.
 
Apresenta como que um “manual do missionário cristão”, que consiste no “discurso da missão” – “Para mostrar que a atividade missionária é um imperativo da vida cristã. Mateus apresenta a missão dos discípulos como a continuação da obra libertadora de Jesus.
 
Define também os conteúdos do anúncio e as atitudes fundamentais que os missionários devem assumir, enquanto testemunhas do Reino” (1)
 
Três vezes aparece a expressão “Não temais”, assegurando a presença, ajuda e proteção divina para superação do medo que impeça a proclamação da Boa Nova; o medo da morte física; e neste medo se pode experimentar a solicitude de Deus, um cuidado que desconhece limites.
 
A mensagem é que a vida em plenitude é para quem enfrentar o medo, na fidelidade, até o fim. O medo não pode nos deixar acomodados.
 
A ternura, a bondade e a solicitude divina são imprescindíveis, pois fortalecem na missão. É preciso se entregar confiadamente nas mãos de Deus:
 
“Jesus encoraja os Seus discípulos a alargar o horizonte da vida e a avaliar os riscos vividos por Sua causa, no contexto mais amplo da vida com Deus, da vida eterna.
 
O cristão é chamado a viver na confiança de que o Pai não o abandona nas mãos dos perseguidores (v.28), que a sua vida, a sua salvação custou o Sangue do Filho e tem por isso, aos Seus olhos, um valor imenso (vv. 29-31).
 
A fidelidade e a confiança no Senhor serão recompensadas por aquele ‘reconhecimento’ que já se manifestou na Ressurreição de Cristo” (2).
 
No testemunho da fé, é possível a perseguição, portanto é necessária a confiança. Anunciar e testemunhar a Boa Nova é não deixar que o medo nos paralise, pois o medo nos impede de ser autênticos discípulos missionários:
 
“O cristão não é chamado a procurar o martírio como prova da sua fé, mas a viver constantemente a vida com os olhos fixos no Alto, isto é, a alargar aquele horizonte que hoje, mais do que nunca, tende a fechar-se no círculo dos benefícios desfrutáveis, aqui e agora.” (3)
 
Também nós precisamos ouvir a todo instante: – “Não tenhais medo”. É preciso que a Palavra de Jesus ressoe em nossos ouvidos e fique entranhada no mais profundo de nosso coração:
 
“Impressiona a história de tantos mártires cristãos, antigos e atuais, que escolheram o caminho da coerência e da fidelidade ao Senhor a custo da própria vida.
 
É com eles que nos encontramos na Comunhão dos Santos, vivida, sobretudo, na Celebração Eucarística; uma companhia que a comunidade dos crentes gosta de ter ao seu redor, mesmo com as pinturas, os afrescos, os mosaicos que adornam as nossas Igrejas (hoje reduzidas muitas vezes a belas obras que se admiram em igrejas-museu) expressões artísticas surgidas para tornar humanamente visível o que vivemos na fé.” (4)
 
Concluindo, apresentemos nas mãos de Deus nossa realidade humana, marcada pela fragilidade e necessitada de Sua força e intervenção.
 
Como cristãos, levantemos o olhar para a vida a que Cristo nos chama, ou seja, “viver a força de contestação profética que viveu Jeremias, que Jesus levou perante as autoridades judaicas e romanos e conduziu os Apóstolos ao martírio.
 
É na relação íntima e comunitária que vivemos com Deus, no desejo de sermos reconhecidos por Ele que se reforça a adesão a Cristo e ao Seu Evangelho, com a esperança libertadora de vivermos confiando no Pai.” (5)
 
Oremos:
 
“Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de Vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém.”
 
 
 
(1) www.Dehonianos.org/portal
(2) (3) (4) Lecionário Comentado p. 560.
(5) Idem p. 561.
 

Busquemos em primeiro lugar o Reino de Deus...

                                                   


                    

Busquemos em primeiro lugar o Reino de Deus...

 

devemos confiar como se tudo dependesse de Deus

e nos empenhar como se tudo dependesse de nós.

 

Muitas vezes, podemos nos preocupar com as exigências do dia a dia, sem colocar em primeiro lugar a busca pelo Reino de Deus, sem a necessária confiança no Senhor.

 

Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 6, 24-34), Jesus nos ensina a darmos o devido valor às coisas, colocando Deus em primeiro lugar: “Não podeis servir a Deus e a riqueza”.

 

E, também, convida a nos abandonarmos completamente à Providência de Deus: “Não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis.”

 

Não entendamos confiança como sinônimo de passividade ou de comodismo: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.”

 

De fato, a ação divina não dispensa a ação humana, ao contrário, eleva-a como graça da possibilidade de participação na construção do Reino

 

Quanto maior for nossa confiança em Deus, tanto mais cresce nossa responsabilidade. Também poderemos dizer que a responsabilidade é diretamente proporcional à confiança que temos em Deus.

 

Santo Inácio de Loyola diz de forma límpida e contundente: “devemos confiar como se tudo dependesse de Deus e nos empenhar como se tudo dependesse de nós.”.

 

“Buscar o Reino de Deus” com absoluta confiança em Deus, como meros instrumentos, veículos de Sua Mensagem. Lembremo-nos que continuamos a refletir o desdobramento das Bem-Aventuranças, a missão de ser Sal e Luz (Capítulos 5 e 6 de Mateus).

 

Concluindo, podemos afirmar que ser Discípulo do Senhor é ter encontrado uma Pessoa que mudou nossa vida, e que ela só tem sentido e conteúdo quando em relacionamento contínuo e íntimo, renovado no Banquete da Eucaristia.

 

É preciso trilhar o caminho da santidade, empenhados na construção do Reino, com total confiança em Deus e em Sua força, com disponibilidade, fidelidade, alegria e com muito amor a fim de que correspondamos ao Amor Divino que jamais nos falta.

 

Somente assim, comunicaremos luz da Fonte de Luz nas mais diversas situações obscuras, nas "cavernas sombrias e escuras" da existência.

 

Plena confiança na providência divina

                                                      


Plena confiança na providência divina

 

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 6,24-34), que nos convida a continuidade da reflexão sobre as Bem-Aventuranças (Mt 5, 12), anunciadas pelo Senhor na montanha para serem vividas na planície.

 

É sempre necessário rever quais são nossas prioridades, para que melhor correspondamos ao Amor de Deus, que cuida de nós com amor gratuito e incondicional, de modo que precisamos libertar nosso coração das tiranias materiais que possam nos escravizar em autossuficiência, individualismos e egoísmos que nos empobrecem.

 

Jesus nos exorta a confiar totalmente em Deus, no Pai de Amor, em quem confiou e colocou toda Sua vida em entrega de amor, confiança, doação e serviço.

 

Nisto consiste a mensagem do Senhor: a incompatibilidade entre o amor a Deus e o amor aos bens materiais, e a razão desta deve-se ao fato de que Deus deve ser o centro de nossa vida, e sobre Ele construirmos nossa existência, e o amor ao dinheiro como valor absoluto fecha o nosso coração, num empobrecedor egoísmo estéril que não abre espaço para a comunhão e a solidariedade para com o próximo.

 

Confiar num Deus de amor, providente e atento às nossas necessidades, para que sejamos felizes, tenhamos sal em nós, e façamos resplandecer a luz divina na planície sombria do cotidiano.

 

Somente assim buscaremos o Reino de Deus e a Sua justiça: crer em Deus e viver serenamente tranquilo, pois Deus não falha, e nada nos deixa faltar, mas não nos dispensa de sagrados compromissos na busca e promoção do bem comum, para uma vida digna que corresponda assim aos Seus desígnios.

 

Afirmar que Deus é providente não significa que possamos cruzar os braços, esperando que Deus faça chover do céu aquilo que necessitamos, mas é viver comprometidos e trabalhando todos os dias a fim de que o Seu sonho se realize: um mundo novo marcado por relações de justiça, verdade e paz. Afinal, Jesus falou na Montanha Sagrada: Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça e Bem-Aventurados os que promovem a paz.

 

O amor de Deus não nos torna passivos, mas nos impulsiona a uma prática de caridade viva e operosa, esforçada e contínua.

 

Assim Jesus nos revela um Deus que nos conhece, sabe de nossas necessidades, carrega-nos colo, mas não nos infantiliza. Carrega-nos no colo para nos garantir o amor e a ternura, para que nossos passos sejam mais firmes e corajosos.

 

A segunda mensagem que aparece explicitamente é que nossas preocupações não são indiferentes a Deus, sempre solícito para conosco.

 

Jesus nos convida a olhar os lírios do campo e os pássaros, que não ficam sem a atenção de Deus, e assim muito mais nós, que fomos feitos à Sua imagem e semelhança.

 

Reflitamos:

 

- O que significa para nós – “é preciso confiar totalmente em Deus”?

- Adoramos a Deus ou ao dinheiro?

 

- Quais são as consequências que vemos e sentimos quando não adoramos a Deus acima de tudo e de todos, com toda força, alma, entendimento e de coração?

 

- Adorar a Deus ou ao dinheiro. Quais são as marcas presentes no cotidiano que revelam que o amor a Deus foi colocado em segundo plano, e o amor ao dinheiro falou mais alto, determinando interesses, leis, atitudes?

 

Oremos:

 

“Fazei ó Deus, que os acontecimentos deste mundo decorram na paz que desejais, e Vossa Igreja Vos possa servir, alegre e tranquila. Por N.S.J.C. na unidade do Espírito Santo. Amém.”

O Senhor nos redime e ora por nós

 


O Senhor nos redime e ora por nós

Reflexão sobre o “Pai-Nosso”, à luz “Do Tratado sobre a Oração do Senhor”, escrito por São Cipriano, bispo e mártir (Séc. III):

“Não é de admirar, irmãos caríssimos, que a oração, tal como Deus a ensinou, enfeixe, por seu ensinamento, toda a nossa prece numa breve palavra de salvação. Já pelo profeta Isaías isto tinha sido predito, quando, cheio do Espírito Santo, falava da majestade e bondade de Deus: Verbo que completa e abrevia na justiça, porque Deus fará uma palavra abreviada em todo o orbe da terra.

Pois a palavra de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, veio para todos e, reunindo doutos e ignorantes, sexos e idades, lhes deu preceitos salutares, resumindo de tal maneira seus mandamentos, que a memória dos discípulos não sentisse dificuldade com o ensinamento celeste, mas rapidamente aprendesse o que era necessário à simples fé.

Do mesmo modo, ao ensinar-nos o que seja a vida eterna, condensou o mistério da vida com grande e divina brevidade, dizendo: Esta é a vida eterna, que te conheçam a ti, único e verdadeiro Deus, e a quem enviaste, Jesus Cristo.

E ainda, querendo salientar os primeiros e maiores preceitos da lei e dos profetas, diz: Ouve, Israel. O Senhor, teu Deus, é um só Senhor; e Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. Este é o primeiro; e o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. E de novo: Tudo quanto quiserdes que vos façam os homens, fazei-o a eles. Isto é a lei e os profetas.

Deus não nos ensinou a orar apenas com palavras, mas também com atos. Ele próprio com frequência orou e suplicou, mostrando-nos com seu exemplo o que temos de fazer. Está escrito: Ele se afastava para os lugares solitários e adorava. E ainda: Saiu para o monte a fim de orar e passou a noite inteira em oração a Deus.

O Senhor orava e pedia não para si – que pediria, o inocente, para si? – mas por nossos delitos, como ele mesmo o declarou ao dizer a Pedro: Eis que Satanás procurava joeirar-vos como trigo. Mas eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça. E pouco depois rogou ao Pai por todos, dizendo: Não rogo apenas por estes, mas também por aqueles que irão crer em mim pelas palavras deles, a fim de que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós.

Imensa benignidade e piedade de Deus para nossa salvação! Não contente de redimir-nos com seu sangue, ainda quis com tanta generosidade rogar por nós. Considerai o desejo daquele que rogou, para que do mesmo modo como o Pai e o Filho são um, assim também nós permaneçamos na mesma unidade.” (1)

Não devemos orar apenas com palavras, mas com atos, como vemos na mensagem do Tratado.

Também uma mensagem expressiva: O Senhor não apenas nos redimiu com Seu Sangue, bem como orou e ora por nós em todo o tempo por meio do Seu Espírito.

Concluímos com uma das motivações para a Oração do “Pai-Nosso”, quando celebramos a Santa Missa: 

- "Guiados pelo Espírito Santo, que ora em nós e por nós, elevemos as mãos ao Pai e rezemos juntos a oração que o próprio Jesus nos ensinou: Pai nosso..."

(1) Liturgia das Horas – Tempo Comum – Vol III – Editora Paulus - p. 341-343

 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Sagrado Coração de Jesus: fonte para a santidade presbiteral

 


Sagrado Coração de Jesus: fonte para a santidade presbiteral

 

«Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo»

(Lv 19, 2; cf. 1 Pd 1, 16).

 

Fundamental que todos os padres contemplem o Coração trespassado do Senhor, do qual brota uma fonte inesgotável de paz e unidade para todo a humanidade e para toda a comunidade que conduzem e animam.

Deste modo, vivam a santidade:

- Não como uma opção entre tantas outras, nem como um ideal abstrato, mas como uma interpelação a todos que desejam participar da vida do Ressuscitado;

- Como participação no mistério de Cristo, num abandono confiante, deixando-se transformar pelo Espírito Santo;

- Expressa no abandono confiante nas mãos divinas, cientes de suas fraquezas, cansaços, e por vezes, feridas, deixando se  transformar pelo Espírito Santo, conscientes de que carregam tesouro em vasos de barro ( 2 Cor 4,7)

- Procurando a paz no peito aberto do Senhor Jesus, do qual jorrou água e sangue;

- Configurados ao Verbo que se fez Carne, oferecendo ao mundo que tem uma grande necessidade de pastores que não ofereçam apenas palavras ou programas; mas o testemunho vivo dum coração reconciliado, espalhando o bom perfume da santidade de Cristo, por quem são totalmente apaixonados;

- No corajoso testemunho de uma vida sacerdotal firme e configurada com o Coração de Jesus, como sinais credíveis de unidade, paz e misericórdia;

- Testemunhando a ternura do Bom Pastor, que sabe reunir os dispersos e cuidar dos feridos com compaixão, proximidade e solidariedade;

. Na devoção ao Sagrado Coração de Jesus, ícone por excelência do amor de Deus: um amor todo-poderoso precisamente porque é capaz de se fazer vulnerável, de transformar a dor em graça e o sofrimento em esperança;

- Com zelo inadiável na solidificação da fraternidade presbiteral que permite o crescimento, na escuta e ajuda mútua, vencendo toda tentação de isolamento que o apagaria lentamente;

Enfim, inspirem-se nas memoráveis palavras do Santo Cura d’Ars - «o sacerdócio é o amor do Coração de Jesus», com a presença da Virgem Maria, Mãe dos Sacerdotes. Amém.

 

Fonte: Mensagem do Santo Padre Leão XIV aos Sacerdotes por ocasião do Dia da Santificação dos Sacerdotes – Solenidade do Sagrado Coração de Jesus (12/06/26)

 

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