quinta-feira, 18 de junho de 2026

O perigo da cultura do imediatismo

                                                          

O perigo da cultura do imediatismo

Entre tantas virtudes que devemos cultivar, a paciência é uma das mais importantes.  Virtude do ser humano que consiste na disposição de suportar a adversidade de forma voluntária, enquanto se espera algo bom e melhor.

Mas como sermos pacientes se somos bombardeados pela cultura do imediatismo, que consiste no “alcançar ontem o que queremos hoje”; se basta pararmos um pouco diante das propagandas publicitárias e perceberemos os apelos explícitos e implícitos para o consumo, à satisfação imediata, à voracidade do consumo, às pseudonecessidades?

Mais grave ainda, quando esta cultura passa a determinar nossas relações na família, na Igreja e na sociedade, levando-nos à impaciência de ouvir, esperar, silenciar, acolher o outro com seus problemas e sentimentos.

A cultura do imediatismo sacrifica a virtude da paciência, e faz suas vítimas, influenciando grandemente até mesmo no modo de vivermos nossa relação também com Deus.

Queremos uma religião que nos traga respostas e soluções imediatas: cura, milagres, espetáculo, emoção instantânea (ainda que passageira), prosperidade com matizes de individualismo, relativizando o poder redentor que a Cruz tem.

Renovemos o nosso ardor na promoção da cultura da vida, para não nos curvarmos à cultura do imediato e seus apelos consumistas e individualistas, pois não podemos permitir que o império do imediato sufoque e mate precipitadamente tantas sementes que silenciosamente foram plantadas, cultivadas e nutridas pela força da Palavra de Deus e da linfa vital do Seu Amor presente na Eucaristia.

Ressoem em nosso coração, entre tantas, duas belas Parábolas do Divino Mestre, Jesus, expressão da suprema paciência de Deus com a humanidade, sobretudo com os pecadores, para que se convertam e vivam: a Parábola do joio e do trigo, que retrata a necessária paciência no semear o bem, apesar do mal que também pode ser semeado; e também a Parábola da semente que germina por si só secretamente para produzir frutos no tempo certo, (Mt 13,24-30 e Mc 4,26-29, respectivamente).

Cultivando e amadurecendo a virtude da paciência, sem imediatismos estéreis, façamos florescer e frutificar novos tempos, novas relações, novo modo de viver, superando a cultura do imediatismo e suas trágicas consequências.

Imitemos a irmã terra!

                                                          

                                     Imitemos a irmã terra!
 
Com o a Homilia escrita pelo bispo São Basílio Magno, (séc. IV), reflitamos sobre a importância de saber viver para gerar a vida em favor do outro.
 
Imitai a terra, ó homem! A semelhança dela produza fruto, não te reveles inferior a uma coisa inanimada. Ela nutre frutos não para seu consumo, mas para teu serviço.
 
Tu, no entanto, todo fruto de beneficência que produzisses, colheria para ti mesmo, porque o prêmio das boas obras reverteria a ti.
 
Como o trigo que cai na terra redunda em lucro para o semeador, assim o pão dado ao faminto, grande proveito te trará no futuro.
 
Seja, portanto, o final de tua lavoura o início da sementeira celeste...
 
Ânimo então e reparte de diversos modos as riquezas, sendo liberal e magnânimo nos gastos com os indigentes...
 
Não te alegras, não te regozijas por não teres que ir bater à porta dos outros, mas que eles venham a tua?
 
Agora, no entanto, és rabugento, com dificuldade consegue alguém te falar: evitas encontros; não aconteça teres de abrir mão nem que seja um pouquinho.
 
Conheces só uma frase: ‘Não tenho nem dou; também sou pobre’.
És pobre na verdade, indigente de todo bem; pobre de amor, pobre de bondade, pobre de fé em Deus, pobre de esperança eterna”.
 
Como é empobrecedor não saber partilhar ou dizer que nada temos, ainda que tenhamos.
 
Como fugimos da verdadeira riqueza, quando abraçamos os bens que passam e não os bens que não passam.
 
Com Deus, aprendemos a viver em permanente solidariedade, com olhos voltados para os valores da eternidade, para alcançarmos a verdadeira vida e felicidade.
 
Oremos:
 
Senhor, que meu coração não seja por tantos sentimentos inúteis e estéreis ocupado, Ficando do Teu amor pobremente, miseravelmente esvaziado.
 
Senhor, que minhas mãos não se fechem, em atitude fria e mesquinha
A quem suplica um pedaço de pão e um pouco da atenção minha.
Senhor que eu aprenda com a irmã terra que dá frutos e flores, mas não para si própria.
 
Senhor que eu seja como a irmã terra, dando o melhor de mim não para mim propriamente, mas para o bem do outro.
 
Senhor, que Tu sejas meu Tudo, pois sem Ti, nada tenho; nada possuo. Mas Contigo, nada me falta, porque és a fonte de toda graça e bondade. Amém.

Em poucas palavras...

                                           


O genuíno culto espiritual

“O genuíno culto espiritual não se baseia numa construção material, mas na observância das normas morais especialmente a justiça e o amor fraterno” (1)

(1) Comentário do Missal Cotidiano sobre a passagem do Livro do Profeta Jeremias (Jr 7,1-11) - Edições Paulinas - pág. 1069

 

Em poucas palavras... (Pai- Nosso)

                                                                


A Oração do “Pai Nosso”: compêndio do Evangelho

“Embora seja uma oração breve, o ‘Pai nosso’ sintetiza tudo o que Jesus viveu e sentiu a propósito de Deus e dos seus projetos.

Constitui também um resumo de tudo o que Jesus disse e ensinou, um verdadeiro compêndio do Evangelho.

Faz todo o sentido, portanto, que esta seja a oração dos discípulos de Jesus; faz todo o sentido que, sempre que os discípulos se reúnem à volta da mesa eucarística, rezem ‘a oração que Jesus ensinou’.” (1)

 

(1)               www.dehonianos.org

Em poucas palavras...

                                                           


Eucaristia autêntica: passagens necessárias

“Toda a vida cristã é contínua ‘passagem’, da morte do pecado à vida da graça, de uma vida a uma ‘mais-vida’, do egoísmo ao amor.

Dá-se deveras esta ‘passagem’? Todo dia? Num surto de doação sempre generosa aos irmãos, como Cristo, que morreu por nós?

Se não, a Eucaristia, nossa páscoa, é mera cerimônia, nada diz à vida; faltar-nos-á alegria, porque não somos ‘ressuscitados’” (1)

 

(1)               Comentário do Missal Cotidiano - Editora Paulus sobre a passagem do Livro do Êxodo (Êx 11,10-12.14)- pág. 1037

Em poucas palavras...

                                       


Três recomendações aos párocos

1ª - viver cada vez mais o carisma ministerial específico a serviço das muitas formas de dons semeados pelo Espírito no Povo de Deus;

2º - aprender e praticar o discernimento comunitário, elemento-chave da ação pastoral de uma Igreja sinodal - “conversação no Espírito”;

3º - viver o intercâmbio e a fraternidade entre si e com seus bispos: ser filhos e irmãos para serem bons sacerdotes, viver a comunhão para serem autênticos pais.

 

PS: Recomendações feitas pelo Papa Francisco aos párocos, por ocasião do encerramento do encontro internacional “Párocos em prol do Sínodo - 02 de maio de 2024, em Sacrofano - Roma

Compromissos com um novo amanhecer

                                                       

Compromissos com um novo amanhecer

O Missal Dominical nos apresenta uma reflexão pertinente para o momento que vivemos, e que não nos permite indiferença.

Enriqueçamo-nos mutuamente, repensando o presente, revendo o passado e buscando novos caminhos, para que tenhamos um futuro com melhores expectativas.

“A salvação, hoje

O homem moderno parece realmente convencido de ser o dono do seu destino. Hoje há um novo modo de se pôr e viver o problema da salvação. Ao homem de hoje se oferece uma nova esperança terrena.

A visão do homem passa de teocêntrica a geocêntrica e antropocêntrica: operou-se um radical deslocamento de interesses, uma autêntica revolução copernicana no universo espiritual do homem.

Não se considera mais um peregrino que percorre apressadamente o vale de lágrimas deste mundo, todo voltado para a terra prometida da eternidade. Torna-se cada vez mais sedentário; substituiu a tenda movediça pela sólida casa de pedra. As únicas fronteiras que conhece são as terrestres e temporais. Uma esperança humana e terrena tomou o lugar da esperança teologal.

Uma nova missão e uma nova ação dão um sentido novo à sua vida: o da conquista gradual e irreversível do mundo. A fidelidade a terra e a preocupação com a construção da cidade terrena sobrepujaram as esperanças e preocupações escatológicas.

Uma nova confiança no homem é a base desta luta gigantesca. O homem não espera mais a salvação de fora, mas a constrói com suas próprias mãos.

Ambiguidade e desequilíbrio do nosso mundo

Mas talvez o homem esteja percebendo que foi apressado demais ao proclamar sua completa autonomia e ao pregar a morte de Deus, considerando-o supérfluo. A embriaguez do progresso tornou-o, por pouco tempo, cego diante dos permanentes desequilíbrios que existem no mundo e dos fenômenos novos, que, por sua própria novidade, preocupam.

O mundo se apresenta ainda cheio de problemas não resolvidos. Solucionados alguns, permanecem outros cuja solução parece distante ou certamente impossível, enquanto surgem sempre novos problemas, criados pelo próprio progresso, pela ciência e pela técnica.

Aliás, a ciência e a atividade técnica, embora buscando a salvação do homem, são apenas um dos modos de se dispor a ela, ou melhor, apresentam somente o aspecto mais primitivo, mais rudimentar e superficial da solução dos problemas humanos; restam outros problemas sobre os quais a técnica e a ciência positiva nada ou pouco têm a dizer.

Além disso, o homem percebeu às próprias custas, infelizmente, que o progresso técnico é fundamentalmente ambíguo, isto é, aberto tanto ao bem como ao mal, à salvação como à perdição do homem.

A dura experiência de duas guerras mundiais, os campos de concentração, as terríveis devastações da primeira bomba atômica, o desequilíbrio produzido na ecologia, a poluição atmosférica, as obscuras e apocalípticas visões dos futurólogos, lhes propõem novamente o problema de uma ‘salvação’ de dimensões mais vastas e profundas”.

Vivendo em contexto de mudança de época, é tempo favorável de repensarmos nossa conduta, e o modo como estamos semeando as esperanças do futuro no tempo presente.

A reflexão do Missal é um convite a repensarmos que, se quisermos um novo amanhecer pleno de vida para a humanidade, isto somente será possível, se tivermos abertura e coragem de rever os erros cometidos, redirecionar nossos passos, e reencontrar em Deus o sentido da própria História.

Construindo uma história sem Deus, o mundo e a humanidade caminharão, sem perspectivas, para o vazio e à escuridão, e como bem disse o Papa Francisco, sem amor e sem Deus nenhum homem pode viver sobre a terra” (2).



(1)         Missal Cotidiano, Editora Paulus, 1995 - pp.662-663 - passagem do Evangelho - Jo 1,29-34
Encontro do Papa Francisco com os jovens e suas famílias, na praça da Cultura de Lasi (Romênia), no dia 1º de junho de 2019,

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