quinta-feira, 18 de junho de 2026

Peregrinos da esperança inflamados pelo fogo devorador do amor de Deus

                                                    

Peregrinos da esperança inflamados pelo fogo devorador do amor de Deus
 
 
“O Profeta Elias surgiu como um fogo, e sua Palavra
queimava como uma tocha... Felizes os que te viram,
e os que adormeceram na tua amizade!”
(Eclo 48, 1.11)
 
Vemos na Sagrada Escritura como o fogo devorador do Amor de Deus que tomou conta da vida dos Profetas, e não diferente com o Profeta Elias.
 
Aa Palavra de Deus “é como o fogo” (Jr 23,29), um fogo imparável que desce do céu, inflama o coração dos Profetas que a anuncia ao povo, como que provocando um incêndio sobre a terra.
 
O fogo de Deus longe de destruir a humanidade pecadora, não é devastador, porque a purifica e a transforma para que corresponda melhor aos desígnios e ao Amor divinos:
 
“Elias é considerado pela tradição de Israel o primeiro dos Profetas; com a Palavra que Deus lhe tinha colocado nos lábios não aniquilou o povo, mas purificou-o da corrupção social, da idolatria, do culto a Baal.
 
Ardia de zelo pela causa do Senhor, por isso foi levado para o Céu naquele fogo que o tinha envolvido durante toda a vida. O seu desaparecimento misterioso deu origem à convicção de que ele não morrera e que um dia haveria de regressar para preparar a vinda do Messias” (1)
 
Assim como Elias e João Batista, que foram grandes Profetas antes do Senhor, outros tantos Santos, Profetas e mártires também o foram.
 
Inflamaram ao fogo de Sua mensagem de salvação, porque encontraram no Evangelho a força para enfrentar toda forma de sofrimento, até em sua expressão máxima: a morte.
 
Na Palavra do Senhor encontraram coragem para viver em plenitude a vida própria dos cristãos, e sentiram o coração arder como fogo, assim como sentiram os discípulos de Emaús quando ouviram a Palavra do Ressuscitado.
 
Estes levaram adiante o desejo de Jesus –“Vim trazer fogo à terra e quero que se inflame” (cf. Lc 12,49-53). 
 
Assim como Jesus, o Filho do Homem, Se inseriu na linha dos Profetas sofredores, os Seus discípulos missionários o mesmo o fazem.
 
Jesus por Sua Vida, Paixão e Morte, é uma testemunha convicta da glória que passa pelo sofrimento, pela Cruz, mas que transpõe a soleira da morte.
 
Deste modo, todo cristão é testemunha viva de Cristo, é aquele que O torna vivo e presente no mundo de hoje.
 
Hoje também o Papa Leão XIV, os bispos, os sacerdotes e tantos Agentes de Pastoral são como esta “tocha de fogo”, como assim o foi Elias.
 
Tantos pais e mães, educadores e educadoras, ainda que já na glória estejam, são como tochas acesas a aquecer, iluminar e fazer arder nosso coração.
 
Em cada Eucaristia que participamos, celebramos a Paixão e morte e Ressurreição do Senhor, e por isto nos tornamos um com Ele, no Seu Mistério profundo, intenso, imensurável de Amor e Salvação.
 
Em cada Eucaristia renovamos a certeza de que “O Senhor não cria nenhuma prisão onde possa fechar os Seus filhos rebeldes e não conhece outro fogo senão o do Seu amor ‘cujas chamas são chamas de fogo, uma faísca de Javé. As águas da torrente jamais poderão apagar o amor nem os rios afogá-lo” (Ct 8, 6-7). (2)
 
Concluindo, somente em plena comunhão com o Senhor é que a chama ardente da caridade jamais se apagará, e nossas palavras não serão tão apenas palavras, mas o ressoar da Palavra que antes encontrou espaço, vez e voz no mais profundo de nós: Jesus, a Palavra do Pai na comunhão com o Santo Espírito.

(1) Lecionário Comentado - Tempo Advento/Natal - Editora Paulus - Lisboa - 2011 - pp. 122-123
(2) idem

Rezar o "Pai-Nosso" e deixar-se envolver pela ternura divina

                                                         

Rezar o "Pai-Nosso" e deixar-se envolver pela ternura divina

O "Pai-Nosso" deve ser rezado com toda a confiança e sinceridade, uma oração sincera, pura, dialogal, confiante e frutuosa, que nos coloca numa relação filial para com Deus e de irmãos entre nós.

Jesus, na passagem do Evangelho (Lc 11,1-4; Mt 6,7-15), ensina-nos a rezar, de modo que a Oração daquele que crê, deve ser um diálogo confiante, como uma criança em relação ao pai.

Para Jesus, a Oração é o espaço do encontro pessoal e íntimo com o Pai e o momento fundamental para o discernimento de Sua Vontade, de Seu Projeto a ser realizado.

A caminho de Jerusalém, nos ensina a força e a importância da Oração na vida dos Seus seguidores, assim como foi fundamental em todos os grandes momentos decisivos do próprio Jesus, como tão bem nos apresenta o Evangelista Lucas na Eleição dos Doze (Lc 6,12); antes do primeiro anúncio da Paixão (Lc 9,18); na Transfiguração (Lc 9,28-29); após o regresso dos discípulos da missão (Lc 10,21); na última Ceia (Lc 22,32); no Getsemani (Lc 22,40-46); na Cruz (Lc  23, 34-46).

Jesus nos ensina a Oração do Pai Nosso e nos coloca em atitude de diálogo com o Pai, como filhos, e ao mesmo tempo nos põe no caminho da realização do Seu Plano, na construção de um mundo novo, numa comunhão fraterna a ser construída cotidianamente.

Quanto ao conteúdo:

“Santificado seja o Vosso nome” – que Deus Se manifeste como Salvador aos olhos de todos, através de nossa conduta, marcada pela justiça, bondade e santidade;

“Venha o Vosso Reino” – que o mundo novo proposto por Jesus se torne uma realidade na vida da humanidade – Reino de amor, verdade, justiça e liberdade...

“O pão de cada dia” – Deus nos concede o essencial para vivermos. Oferece o pão material, mas acima de tudo o Pão espiritual. Com Deus nada nos falta. Ele nos dá o próprio Filho, o Pão da Vida que sacia a fome e a sede da humanidade: amor, alegria, perdão, comunhão, fraternidade...

“Perdão dos pecados” – sem a experiência da misericórdia divina, somos incapazes de perdoar e pedir perdão. Acolhidos pela misericórdia e por ela perdoados, para também acolher e perdoar o irmão que pecou contra nós.

“Não nos deixeis cair em tentação” – que nosso coração não seja seduzido por felicidades ilusórias e transitórias, mas que pautemos a nossa vida na busca da felicidade duradoura, eterna, a fim de que tenhamos vida plena e feliz.

A Oração do Pai Nosso, em síntese, pode ser assim apresentada:

Que Deus seja reconhecido como Deus: um Pai misericordioso e nos trata como filhos. 

É um Projeto de Amor que Deus tem para a humanidade com três pedidos fundamentais: pão para viver; perdão para amar e liberdade para ficar de pé e pôr-se sempre a caminho. 

Na Escola de Jesus aprendemos a rezar verdadeiramente, em forma e conteúdo. A Oração que Jesus ensina, transforma a vida de quem a reza e põe em prática; portanto, não podemos repetir a Sua Oração, sem saborearmos Palavra por Palavra de seu conteúdo vital e irradiador de alegria e luz, que plenifica com a Sua vida e a Sua graça, porque feita sob a ação e presença do Espírito, dirigida confiantemente ao Pai.

Uma Oração verdadeira precisa ser essencialmente Trinitária, nos inserindo nesta comunhão intensa e profunda de Amor.

Com isto, a Oração é, em sua exata medida, um diálogo intenso, profundo com a Trindade Santa, que nos envolve pela presença e ternura divinas.

Em poucas palavras... (Pai-Nosso)

                                                 


A esperança nossa de cada dia, nos dai hoje

“A esperança cristã manifesta-se, desde o princípio da pregação de Jesus, no anúncio das Bem-Aventuranças.

As Bem-Aventuranças elevam a nossa esperança para o céu, como nova terra prometida e traçam-lhe o caminho através das provações que aguardam os discípulos de Jesus.

Mas, pelos méritos do mesmo Jesus Cristo e da sua paixão, Deus guarda-nos na «esperança que não decepciona» (Rm 5, 5). A esperança é «a âncora da alma, inabalável e segura» que penetra [...]«onde entrou Jesus como nosso precursor» (Hb 6, 19-20).

É também uma arma que nos protege no combate da salvação: «Revistamo-nos com a couraça da fé e da caridade, com o capacete da esperança da salvação» (1 Ts 5, 8).

Proporciona-nos alegria, mesmo no meio da provação: «alegres na esperança, pacientes na tribulação» (Rm 12, 12). Exprime-se e nutre-se na oração, particularmente na oração do Pai-Nosso, resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar.” (1)

 

(1) Parágrafo do Catecismo da Igreja Católica – n.1820

Enamorados por Cristo o sejamos!

                                                          

Enamorados por Cristo o sejamos!

“Pois aquele que é amado, sem temor
 passeia no íntimo do coração do que ama” 

A Liturgia das Horas nos apresenta uma homilia do bispo São João Crisóstomo (séc. IV), sobre a segunda Carta de Paulo aos Coríntios, possibilitando-nos uma reflexão sobre a verdadeira caridade. 

Nosso coração se dilatou. Aquilo que produz calor costuma dilatar. Assim é próprio da caridade dilatar, pois é uma virtude cálida e fervente.

Ela abria também a boca de Paulo e lhe dilatava o coração. 'Não amo só de boca, diz ele; meu coração, em verdade, harmoniza-se com o amor; por isso falo confiante, com toda a voz e toda a mente'.

Nada mais amplo do que o coração de Paulo que, à semelhança de um enamorado, abraçava a todos os fiéis com intenso amor, sem dividir e enfraquecer a amizade, mas conservando-a indivisa.

Que há de admirar ser assim em relação aos homens piedosos, se até aos infiéis da terra inteira seu coração os abraçava?

Por isto não diz apenas 'Amo-vos', mas faz com maior ênfase: Nossa boca se abre, nosso coração se dilata. 

Guarda-os a todos dentro de nós e não de qualquer jeito, mas com imensa amplidão.

Pois aquele que é amado, sem temor passeia no íntimo do coração do que ama.

Assim diz: Não estais apertados em nós, mas sim em vossos corações.  Vê a censura temperada com a não pequena indulgência. Isto é bem de quem amaNão disse: 'Vós não me amais', e sim: 'Não do mesmo modo'. De fato, não queria atormentá-los com maior severidade.

Em várias passagens, extraindo textos de cada epístola sua, pode-se ver de que amor incrível ardia para com os fiéis. 

Aos romanos escreve: Desejo ver-vos: e muitas vezes fiz o propósito de ir até vós; e, também: Se de qualquer modo puder ir fazer-vos boa visita.

Aos gálatas escreve: Meus filhinhos, aos quais gero de novo; e aos efésios: Por esta razão dobro meus joelhos por vós.

E aos tessalonicenses: Qual a minha esperança ou gáudio, ou coroa da glória? Não sois vós? Dizia também carregá-los em suas cadeias e em seu coração.

Igualmente aos colossenses, escreve: Desejo que vejais vós e aqueles que ainda não viram meu rosto, a grande luta que sustento por vós, para que vossos corações se fortaleçam.

Aos tessalonicenses: À semelhança de uma mãe que acalenta seus filhos, assim amando-vos, desejávamos vos dar não só o Evangelho, mas nossas vidas. Não estais apertados em nós.

Não diz apenas que os ama, mas que é amado por eles, para deste modo atraí-los melhor. Pois assim escreve: Tito chegou e contou-nos vosso desejo, vossas lágrimas, vosso zelo”.

Notável o enamoramento do apóstolo por Jesus Cristo, fazendo de Cristo a razão de seu viver, e sua vida foi transformada; fez deste amor fonte de relacionamento amoroso com as comunidades fundadas e acompanhadas.

Somente nutridos da Fonte do amor, enamorados por Ele, é que chegaremos à maturidade do amor pela Igreja que somos.

Invoquemos o fogo do Espírito, para que aqueça e dilate nosso coração; e assim, “os amados” de Deus, no íntimo d’Ele passeiem sem medo algum, como nos falou São João Crisóstomo.

Reflitamos:

- Sinto-me enamorado por Cristo?

- A caridade dilata meu coração para que nele caibam os irmãos e irmãs da comunidade que faço parte?


- Como vivencio este amor por Cristo em relação a Sua Igreja?

- O que significa para mim a comunidade que participo?

- O que mais me toca ao contemplar o testemunho de Paulo em relação a Cristo e a Sua Igreja? 

Concluindo, no coração onde o amor está presente, alargado e redimensionado fica, para amar na mesma medida de Deus: um amor verdadeiramente imensurável!


PS: Celebramos dia 13 de setembro a Memória do Bispo São João Crisóstomo 

Em poucas palavras... (Pai-Nosso)

                                                


A Oração dominical

“«A oração dominical é verdadeiramente o resumo de todo o Evangelho»(Tertuliano). «Depois de o Senhor nos ter legado esta fórmula de oração, acrescentou ‘Pedi e recebereis’ (Jo 16, 24).  Cada um pode, portanto, dirigir ao céu diversas orações segundo as suas necessidades, mas começando sempre pela oração do Senhor, que continua a ser a oração fundamental» (Tertuliano).”  (1) 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.2761 - sobre a Oração do "Pai-Nosso"

Em poucas palavras... (Eucaristia)

                                                           


A Santíssima Eucaristia

 

“A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço do céu que se abre sobre a terra – é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da história e vem iluminar nosso caminho.” (1)

 

(1)Papa São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia – 2003.

 

 

 

Em poucas palavras... (Pai-Nosso)

                                                   


Meditação sobre o "Pai-Nosso"

"É entrando no santo nome do Senhor Jesus que podemos acolher, desde dentro, a oração que Ele nos ensina: «Pai nosso!».

A sua oração sacerdotal inspira, a partir de dentro, as grandes petições do Pai-nosso: a preocupação com o nome do Pai  (Jo 17,6,11,12,26), a paixão pelo seu Reino (a glória) (Jo 17, 1.5.10.22.23-26.42), o cumprimento da vontade do Pai, do seu desígnio de salvação (Jo 17, 2.4.6.9.11.12.24) e a libertação do mal (Jo 17,15)." (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n.2750

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