quinta-feira, 18 de junho de 2026

O Pão da Vida, dai-nos, Senhor

                                         

O Pão da Vida, dai-nos, Senhor

À luz do Tratado sobre os Mistérios, escrito pelo bispo Santo Ambrósio (Séc. IV), reflitamos sobre a Eucaristia aos neófitos.

“O povo purificado, enriquecido com estas vestes, adianta-se para o altar de Cristo, dizendo: E entrarei até o altar de Deus, do Deus que alegra a minha juventude.

Despidas as vestimentas do antigo erro, renovada a juventude como a da águia, apressa-se em ir participar do celeste banquete. Chega, e, ao ver a ornamentação do santo altar, exclama: O Senhor é meu pastor, nada me falta; levou-me a boas pastagens. Conduziu-me às águas da quietude. E mais adiante: Mesmo que caminhe em meio às sombras da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo. Teu cajado e teu bastão são meus arrimos. Preparaste diante de mim uma mesa contra aqueles que me perseguem. Ungiste com óleo minha cabeça e como é luminoso teu cálice embriagador!

Coisa admirável o ter Deus feito chover o maná para sustentar com o alimento celeste os patriarcas. Por isso se disse: O homem comeu o pão dos anjos. No entanto, aqueles que comeram deste pão, todos eles morreram no deserto; o alimento, porém, que tu recebes, pão vivo que desceu do céu, comunica a substância da vida eterna e quem quer que dele comer não morrerá eternamente, pois é o corpo de Cristo.

Considera agora qual deles é de maior valor: o pão dos anjos ou a carne de Cristo, que é o corpo da vida. Aquele maná vem do céu; este está acima do céu. Aquele, do céu; este, do Senhor dos céus. Aquele é corruptível, se guardado para o dia seguinte; este é totalmente imune de corrupção e quem o tomar piedosamente não poderá experimentar a corrupção.

Para aqueles brotou a água da pedra; para ti, o sangue de Cristo. Àqueles, por um momento, a água saciou; a ti o sangue do Senhor refresca para sempre. O povo antigo bebe e tem sede; tu, ao beberes, não podes mais sentir sede, pois, de fato, aquilo era sombra, enquanto isto é realidade.

Se já admiras a sombra, qual não será tua admiração da realidade? Escuta como é sombra o acontecido aos patriarcas: Bebiam da pedra que os seguia; a pedra era CristoMas Deus não se agradou de muitos deles, pois caíram mortos no deserto. Estas coisas foram feitas em figura para nós. Conheces agora o que tem maior valor: a luz supera a sombra; a realidade, a figura; o corpo do Criador vale mais do que o maná do céu.” (1)

A Eucaristia é o alimento indispensável para que vivamos a graça do batismo, e darmos testemunhos da fé, esperança e caridade, virtudes divinas que nos movem, sobretudo para nós, peregrinos da esperança.

Neófitos (recém-batizados) ou não, todos precisamos deste alimento salutar e de eternidade.

Fundamental que participemos dominicalmente das Missas e tanto quanto possível das Missas nos dias da semana.

A Eucaristia é o ponto alto e a fonte de toda a nossa vida, para carregarmos com fidelidade nossa cruz de cada dia com suas renúncias necessárias.

   

(1) Liturgia das Horas - oportuna para aprofundamento da passagem do Evangelho de João (Jo 6, 24-35) proclamada no 18º Domingo do Tempo Comum.

A vida é um dom precioso de Deus

 


A vida é um dom precioso de Deus
 
“De longe O Senhor me apareceu:
Eu te amei com amor eterno, por isso conservei para ti o amor” (Jr 31,3)
 
Infelizmente, quase todos os dias, ouvimos notícias que nos preocupam: o alto índice de suicídio entre a juventude; transtornos mentais; automutilações; depressão e indiferença para com a realidade da própria existência, e tantos outros fatos.
 
Que palavra dirigir aos jovens, para que redescubram o valor sagrado de sua vida, e quão preciosa ela é aos olhos de Deus, da Igreja e de todos nós?
 
Inicialmente, lembremo-nos sempre que Jesus também foi jovem, e deu a Sua vida em uma fase que hoje definimos como um jovem adulto. E foi em plena juventude que começou a Sua missão pública e, assim, brilhou “uma grande luz” (Mt 4, 16), sobretudo quando levou até o extremo o dom da Sua vida.
 
São preciosas as palavras do Papa Francisco, sobre a missão que Jesus confia à juventude e a todos nós: “acender estrelas na noite doutros jovens” (Christus vivit n.33).
 
Precisamos ajudar nossos jovens a fazerem um verdadeiro encontro pessoal com Jesus, e deste modo, terão um novo sentido para viver, e um horizonte de alegria, vida e esperança.
 
Em Jesus Cristo, todos os jovens podem se rever, por isto Ele ilumina a juventude de hoje como jovem que foi e, com Ele, cada jovem pode aprender a:
 
- Ter confiança incondicional em Deus, que é nosso Pai, com um olhar de esperança para o futuro;
 
- Cultivar amizades sinceras, assim como Ele teve e cultivou, mesmo nos momentos difíceis as manteve vivas;
 
- Viver uma profunda compaixão pelos mais fracos, especialmente os pobres, os doentes, os pecadores e os excluídos;
 
- Amar a vida como dom precioso de Deus, ainda que tenhamos dificuldades, provações, e relacionamentos difíceis no dia a dia.


Deste modo, cada jovem viverá o aprofundamento da amizade e intimidade com Ele, redescobrindo que a vida é dom divino e precioso aos olhos de Deus, e assim reencontrarão sentido para todo o existir, com compromissos e projetos que promovam a vida e testemunhem um amor gratuito e solidário, como discípulos missionários do Senhor, cultivando a esperança de um novo dia. Coragem, querida juventude!

Aprendamos a dizer: “com licença, obrigado e desculpa”

                                                                  



Aprendamos a dizer: “com licença, obrigado e desculpa”

Do “Discurso do Papa Francisco às famílias”, retomo pontos que muito contribuem na solidificação e santificação das famílias.

Enfatizou três palavras, que as famílias devem repetir e viver mais fortemente:

“(...) para levar por diante uma família, é necessário usar três palavras. Três palavras: com licença, obrigado, desculpa. Três palavras-chave!

Peçamos licença para não ser invasivos em família. «Posso fazer isto? Gostas que faça isto?» Com a linguagem de quem pede licença.

Digamos obrigado, obrigado pelo amor! Mas diz-me: Quantas vezes ao dia dizes obrigado à tua esposa, e tu ao teu marido? Quantos dias passam sem eu dizer esta palavra: obrigado!

E a última: desculpa. Todos erramos e às vezes alguém fica ofendido na família e no casal, e algumas vezes – digo eu – voam os pratos, dizem-se palavras duras… Mas ouvi este conselho: Não acabeis o dia sem fazer a paz. A paz faz-se de novo cada dia em família! «Desculpai-me»…, e assim se recomeça de novo.

Com licença, obrigado, desculpa! Podemos dizê-lo juntos? (respondem: Sim!). Com licença, obrigado, desculpa! Pratiquemos estas três palavras em família. Perdoar-se cada dia!

Na vida, a família experimenta muitos momentos felizes: o descanso, a refeição juntos, o passeio até ao parque ou pelos campos, a visita aos avós, a visita a uma pessoa doente... Mas, se falta o amor, falta a alegria, falta a festa; ora o amor é sempre Jesus quem no-lo dá: Ele é a fonte inesgotável. Ele, no Sacramento, dá-nos a Sua Palavra e o Pão da vida, para que a alegria seja completa”.

Oportuno que, em família, retomemos esta reflexão, para intensificar a vivência destas três palavras “com licença, obrigado e desculpa”, não somente na família, mas na comunidade, e em todos os espaços pelos quais convivemos.

Deste modo, fortaleceremos os vínculos de fraternidade, amizade e harmonia, em relações mais humanas e saudáveis.


PS: Discurso do Papa Francisco às Famílias” em peregrinação, por ocasião do  Ano da Fé - Sábado, 26 de Outubro de 2013

Minha alma arde em desejos de ver a face de seu Criador

                                                                    

Minha alma arde em desejos de ver a face de seu Criador

À luz do Sermão de São Gregório Magno (séc. VI), Papa e Doutor da Igreja, sobre o Livro do Profeta Ezequiel, reflitamos sobre o sentido de uma vida ativa e contemplativa.

“A vida ativa consiste em dar pão ao faminto, ensinar a sabedoria ao ignorante, corrigir ao que erra, reconduzir o soberbo ao caminho da humildade, cuidar do enfermo, proporcionar a cada qual o que lhe convém e prover os meios de subsistência aos que nos foram confiados.

A vida contemplativa, porém, consiste, é verdade, em manter com toda a alma a caridade de Deus e do próximo, mas abstendo-se de toda atividade exterior e deixando-se invadir somente pelo desejo do Criador, de modo que já não encontre atrativo em atuar, porém, descartada qualquer outra preocupação, a alma arda em desejos de ver a face de seu Criador, até o ponto de que começa a suportar com fastio o peso da carne corruptível e aspirar com todo o dinamismo do desejo unir-se aos coros angélicos que entoam hinos, confundir-se entre os cidadãos do céu e gozar na presença de Deus da eterna incorrupção.

Um bom modelo destes dois tipos de vida foram aquelas duas mulheres, a saber, Marta e Maria, das quais uma se desdobrava para dar conta do serviço, enquanto a outra, sentada aos pés do Senhor, escutava as palavras de Sua boca.

Como Marta se queixa de que sua irmã não se preocupava de ajudá-la, o Senhor lhe contestou: 'Marta: anda inquieta e nervosa com muitas coisas; mas somente uma é necessária. Maria escolheu a melhor parte, e não lhe será tirada'.

Observa que não se reprova a parte de Marta, mas se louva a de Maria. Nem se limita a dizer que Maria escolheu a boa parte, mas a parte melhor, para indicar que também a parte de Marta era boa. E porque a parte de Maria seja a melhor, o destaca na continuação, dizendo: 'E não lhe será tirada'.

De fato, a vida ativa acaba com a morte. Pois quem pode dar pão ao faminto na pátria eterna, na qual ninguém terá fome? Quem pode dar de beber ao sedento, se ninguém tem sede? Quem pode enterrar os mortos, se ninguém morre?

Portanto, enquanto que a vida ativa acaba neste mundo, a vida contemplativa, iniciada aqui, aperfeiçoa-se na pátria celestial, pois o fogo do amor que aqui começa a arder, à vista do Amado, ainda se aviva em Seu amor.

Assim, a vida contemplativa não cessará jamais, pois alcança precisamente sua perfeição ao apagar-se a luz do mundo atual”. (1)

Oremos:

Que eu não entenda Tuas palavras dirigidas a Marta, como menosprezo pelo cuidado dos que acolhemos ou convivemos, suplico-Te, Senhor.

Que não me deixe enganar pelo falso enunciado de um princípio que estabelece a hierarquia entre “ação” e “contemplação”, suplico-Te, Senhor.

Que eu reconheça e valorize a riqueza das vocações e estados da vida religiosa ativa e contemplativa, suplico-Te, Senhor.

Que eu tenha como prioridade absoluta a escuta da Palavra, recuperando o fôlego e coragem para fazer novas e com amor todas as coisas, com sabedoria fazer as renúncias necessárias, suplico-Te, Senhor.

Que eu me assente regularmente aos Teus pés, como discípulo missionário, atento à Tua Palavra, para colocá-la em prática em meio às muitas ocupações da vida, na expressão de amor e serviço ao próximo, suplico-Te, Senhor.

Que nada, absolutamente nada (cansaço, doença, preocupações...), me impeça deste acolhimento vital e necessário, servindo a Ti, como primeiro, e depois Te servir concretamente na pessoa do irmão, suplico-Te, Senhor.

Senhor, sentado aos Teus pés, como Maria, coração inflamado pelo Teu amor, que faz arder nosso coração, como fizeste também com os discípulos de Emaús, por esta Palavra nos deixemos iluminar e conduzir, até que um dia Te contemplemos, face a face, na glória de Deus Pai, na plena comunhão com Teu Espírito. Amém. (2)


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes, 2013 – pp. 679-680
(2) Fonte inspiradora da Oração: Missal Dominical – Editora Paulus – Lisboa – p.1632. 

Em poucas palavras...

                                          


 A necessária graça divina em nossas fraquezas

“O Espírito Santo confere a alguns o carisma especial de poderem curar (1Cor 12,9.28.30) para manifestar a força da graça do Ressuscitado. 

Todavia, nem as orações mais fervorosas obtêm sempre a cura de todas as doenças.

Assim, São Paulo deve aprender do Senhor que «a minha graça te basta: pois na fraqueza é que a minha força atua plenamente» (2 Cor 12, 9), e que os sofrimentos a suportar podem ter como sentido que «eu complete na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo, que é a Igreja» (Cl 1, 24).” (1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 1508

 

“Rezemos com amor e confiança...”

                                              


“Rezemos com amor e confiança...”

Na Santa Missa, quantas vezes ouvimos o Padre dizer: “Rezemos com amor e confiança a Oração que o Senhor nos ensinou”.

Neste sentido, é fundamental o aprofundamento sobre a Oração do “Pai-Nosso”, a partir do Sermão do Bispo e Doutor da Igreja, São Pedro Crisólogo (séc. V).

“Pai nosso que estais nos céus. Quando digas isto, não penses que Deus não Se encontra na terra nem em algum lugar determinado; medita antes que você é da estirpe celeste, que tens um Pai no céu e, vivendo santamente, corresponde a um Pai tão Santo. Demonstre que és filho de Deus, que não se mancha de vícios, mas que resplandece com as virtudes divinas.

Santificado seja o Teu nome. Se somos de tal estirpe, também levamos o Seu nome. Portanto, este nome que em si mesmo e por si mesmo já é Santo, deve ser santificado em nós. O nome de Deus é honrado e blasfemado de acordo com as nossas ações, pois escreve o Apóstolo: o nome de Deus é blasfemado por vossa causa entre as nações.

Venha o Teu Reino. Por acaso Deus não reina? Aqui pedimos que, reinando sempre por seu lado, reine em nós de modo que possamos reinar n’Ele. Até agora imperou o diabo, o pecado, a morte, e a mortalidade foi escrava durante longo tempo. Peçamos, pois, que reinando Deus, pereça o demônio, desapareça o pecado, morra a morte, o cativeiro seja feito prisioneiro, e nós possamos reinar livres na vida eterna.

Faça-se a Tua vontade assim na terra como no céu. Este é o reinado de Deus: quando no céu e na terra impere a vontade divina; quando somente o Senhor esteja em todos os homens, então Deus vive, Deus obra, Deus reina, Deus é tudo, para que, como diz o Apóstolo, Deus seja tudo em todas as coisas.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Quem Se deu a nós como Pai, quem nos adotou por filhos, quem nos fez herdeiros, quem nos transmitiu Seu nome, Sua dignidade e Seu Reino, nos ordena pedir o alimento cotidiano.

O que busca a humana pobreza no Reino de Deus entre os dons divinos? Um Pai tão bom, tão piedoso, tão generoso, não dará o pão aos filhos se não o pedirmos? Se assim fosse, por que Ele diz: não vos preocupeis pelo alimento, a bebida ou a veste?

Manda pedir o que não deve preocupar-nos, porque como Pai celestial quer que Seus filhos celestiais busquem o Pão do céu. Eu sou o Pão vivo que desceu do céu. Ele é o Pão nascido da Virgem, fermentado na carne, confeccionado na paixão e colocado nos Altares para ministrar cada dia aos fiéis o Alimento Espiritual.

E perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos nossos ofensores. Se tu, homem, não consegues viver sem pecado e por isso buscas o perdão, deves perdoar sempre; perdoa na medida e quantas vezes queiras ser perdoado. Já que desejas sê-lo totalmente, perdoa tudo e pensa que, perdoando aos demais, perdoas a ti mesmo.

E não nos deixeis cair em tentação. No mundo a própria vida é uma prova, pois o Senhor nos garante: a vida do homem é uma tentação. Peçamos, portanto, que Ele não nos abandone ao nosso arbítrio, mas que em todo momento nos guie com piedade paterna e nos confirme no caminho da vida com moderação celestial.

Mas livra-nos do mal. De que mal? Do diabo, de quem procede todo mal. Peçamos que nos guarde do mal, porque, caso contrário, não poderemos gozar do bem.” (1)

Esta é a Oração que o Senhor nos ensinou, quando os discípulos pediram para que Ele os ensinasse a rezar.

Não basta ter aprendido e decorado a Oração: importa que compreendamos o conteúdo de cada palavra que o Senhor nos comunicou e não meçamos esforços para viver o que rezamos.

Não podemos rezar a oração que o Senhor ensinou como uma mera repetição, sem ressonâncias concretas em nossa vida, seja em relação a Deus, seja em relação ao próximo.

A Oração que o Senhor nos ensinou, se rezada com autenticidade e prolongada na vida, nos fará melhores, tornando todos e tudo ao nosso redor melhor, pois Deus, que tanto nos ama, merece que sejamos cada vez melhores, e somente o seremos se a Oração for, na exata medida, a sede que Deus tem de dialogar conosco, e nossa sede de dialogar com Ele, para que nossa vida seja mais conforme a Sua santa vontade, e assim seremos plenos de alegria, comprometidos com a novidade do Reino, empenhados na construção de um novo céu e uma nova terra, rumo à eternidade.


(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 – pp.686-687.

“Pai-Nosso”: “Nossa voz entrelaça-se com a Igreja”

                                                         

“Pai-Nosso”: “Nossa voz entrelaça-se com a Igreja”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 11,1-4; Mt 6,7-15), em que Jesus ensina Seus discípulos a rezar, atendendo ao pedido por eles feito:

“Todas as vezes que recitamos o Pai-Nosso, a nossa voz entrelaça-se com a Igreja, porque quem reza nunca está sozinho. Cada fiel deverá procurar e poderá encontrar na verdade e na riqueza da oração cristã, ensinada pela Igreja, o próprio caminho, o seu modo de oração... portanto deixar-se-á conduzir... pelo Espírito Santo, O qual o guia, através de Cristo, para o Pai” (1)

Jamais poderemos empobrecer a Oração que o Senhor nos ensinou, reduzindo-a a um intimismo e individualismo que nos distanciaria de Deus, que é “Pai-Nosso”, e consequentemente, de nosso próximo.

“Nossa voz entrelaça-se com a Igreja” quando rezamos o "Pai- Nosso": com quantos nos unimos, quando elevamos a Deus a Oração que o Senhor nos ensinou?

Com quantos nos unimos: alegres ou tristes, angustiados ou cheios de esperança, saudáveis ou enfermos, entre nós ou na glória?

Consideremos, portanto, que esta Oração que o Senhor nos ensinou, o “Pai-Nosso”, é o Evangelho abreviado, o Evangelho em Oração, um manancial vivo do Evangelho que brota da boca d’Aquele que é o Evangelho em pessoa; é um espelho do Evangelho; é um modelo de oração, um arquétipo, um gerador e inspirador de oração, e não se pode rebaixá-lo ao nível de uma oração que rebaixe todas as outras; como afirma Raniero Cantalamessa (2).

Deste modo, não podemos recitá-lo de qualquer modo. É preciso ser rezado com todo o amor e confiança, para que as Palavras não apenas saiam de nossos lábios, mas sejam emanadas de nosso coração, e cheguem até Deus, acompanhadas de sagrados compromissos, em viver o conteúdo divino que nela se encontra.

“Pai Nosso que estais nos céus...”


(1)  Citado pelo Papa em “Um Caminho de fé antigo e sempre novo” – Pregações para o Ano Litúrgico – Ano C – p.530
(2) O Verbo Se faz Carne – Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria – 2013 - pp.684-693

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