terça-feira, 2 de junho de 2026
A prática fecunda das Obras de Misericórdia
Em poucas palavras...
Julgamento, pecado e a súplica
“O mesmo ancião disse:
‘O homem precisa destas coisas: temer o julgamento de Deus, odiar o pecado e implorar a Deus o tempo todo.”
(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 123/21.42 – p. 94
Em poucas palavras...
Não se apropriar do que não nos pertence
“Um irmão
encontrou pela estrada um pedaço de madeira que caíra de um camelo e o trouxe
para sua cela. Seu abba lhe disse:
‘Donde trouxeste
isso?’
Ele
respondeu:
‘Da
estrada”.
O ancião
lhe disse:
‘Se ele
foi levado pelo vento, leva-o para dentro; senão, vai e coloca-o novamente nos seu
lugar”. (1)
(1)
Ditos anônimos dos Pais do
Deserto – Editora Vozes – n. 439 – p. 275
A consolação divina em nosso peregrinar na esperança
A consolação divina em nosso peregrinar na esperança
Sejamos enriquecidos pelo Sermão escrito por São Leão Magno, Papa e doutor da Igreja, o Grande, Patriarca de Roma (séc. V), sobre as Bem-Aventuranças.
“Após falar sobre a pobreza, que tanta felicidade proporciona, o Senhor seguiu dizendo: Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Queridíssimos irmãos, o pranto ao qual está vinculado um consolo eterno é distinto da aflição deste mundo. Os lamentos que se escutam neste mundo não tornam ninguém feliz. É muito distinta a razão de ser dos gemidos dos santos, a causa que produz lágrimas felizes.
A santa tristeza lamenta o pecado, o alheio e o próprio. E a amargura não é motivada pela maneira de agir da justiça divina, mas pela maldade humana. E, neste sentido, deve-se lamentar mais a atitude do que age mal, do que a situação daquele que tem que sofrer por causa do malvado, porque ao injusto sua malícia termina no castigo; porém, ao justo sua paciência o leva para a glória.
Segue o Senhor: Bem-aventurados os sofredores, porque eles herdarão a terra. Promete-se a posse da terra aos sofredores e aos mansos, aos humildes e simples, e aos que estão dispostos a tolerar todo o tipo de injustiças.
Não se deve olhar esta herança como desprezível e desfragmentada, como se estivesse separada da pátria celestial; do contrário, não se compreende quem poderia entrar no Reino dos Céus.
Porque a terra prometida aos sofredores, em cuja posse os mansos entrarão, é a carne dos santos. Esta carne viveu em humilhação, por isso mereceu uma ressurreição que a transforma e a reveste de imortalidade gloriosa, sem temer nada que possa contrariar ao espírito, sabendo que sempre estarão de comum acordo. Porque, nesse caso, o homem exterior será a possessão pacífica e inamissível do homem interior.
E, assim, os sofredores herdarão em paz perpétua e sem prejuízo algum a terra prometida, quando este corruptível se revista de incorrupção, e este mortal se revista de imortalidade.” (1)
Vivendo o Ano Jubilar, peçamos a graça e força divinas, para continuarmos nosso peregrinar, na esperança de um novo céu e nova terra (cf. 2 Pd 3,13).
Renove-se em nossos corações a esperança e confiança no Senhor, em meio às eventuais dificuldades e provações que enfrentamos no testemunho de nossa fé, de tal modo que ela seja fortalecida, e a esperança renovada, e a caridade cada vez mais inflamada, convictos de que “ao justo sua paciência o leva para a Glória”. Amém.
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p. 638
A consolação divina
A consolação divina
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação” (2 Cor 1,3)
Jesus assim nos falou no Sermão da Montanha ao nos apresentar a terceira Bem-aventurança: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados” (Mt 5, 5).
Esta Bem-Aventurança nos remete ao Apóstolo Paulo (2 Cor 1,1-7), na qual ele nos fala de Deus como “o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação” (2 Cor 1,3).
Acompanhado de uma bênção, o Apóstolo agradece a Deus que “gratifica com as Suas consolações àqueles que estão aflitos por causa do Evangelho, para que eles sejam por sua vez anunciadores da consolação” (vv.3-7). (1)
Em poucos versículos menciona nada menos do que dez vezes a palavra “consolação”. Esta consolação consiste na “libertação interior” diante da dor, com a certeza da presença do Pai de misericórdia que sustenta a quem sofre, e assim “o sofrimento é embebido de amor e serenidade” (2)
O Apóstolo tendo experimentado a misericórdia e bondade divinas, aprendeu a ser também ser instrumento destas para com seus irmãos: “Paulo agradece a Deus não só porque foi consolado, mas porque agora sabe como consolar” (3).
Da mesma forma, como discípulos missionários do Senhor, haveremos de comunicar aos outros a experiência de amor vivida em relação ao próximo: “A experiência é convincente, porque transmite alguma coisa de vivo, de pessoal” (4).
Deste modo, suportar com maturidade e confiança o sofrimento com Cristo, permite que aprofundemos a solidariedade e alcancemos a promessa da consolação que nosso Senhor fez, e sejamos bem-aventurados.
Ressoe também o Salmo 33, com seu refrão que, por vezes, retomamos na Celebração da Ceia Eucarística, ao apresentar o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo: “Provai e vede quão suave é o Senhor!”.
(1) Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume I – Editora Paulus – Lisboa – p.479
(2) (3) (4) Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.874
Uma súplica pelo dom da FORTALEZA
Uma
súplica pelo dom da FORTALEZA
Oremos:
Ó
Deus, dai-nos o dom da FORTALEZA
do
Vosso Santo Espírito,
e
cumulados da graça divina,
pela
oração, intensifiquemos e aprofundemos
nossos
momentos de intimidade Convosco,
mas
de modo especialíssimo no sublime Sacramento da Eucaristia, fonte e ápice da
vida cristã.
Ajudai-nos,
para que com o dom da FORTALEZA,
vivamos
com fidelidade
o
Mandamento do Amor a Vós,
expresso
concretamente no amor ao próximo;
no
testemunho da fé com serenidade, fidelidade e firmeza,
sendo
no mundo sinais de esperança de um novo tempo.
Amém.
Quando chegarmos à fonte, veremos a Luz
Quando chegarmos à fonte, veremos a Luz
Sejamos enriquecidos
pelo Tratado sobre João, escrito pelo bispo Santo Agostinho, (Séc. V):
“Nós, cristãos, em
comparação com os infiéis, já somos luz; porque, como diz o Apóstolo: Outrora
éreis trevas; agora, luz no Senhor. Andai como filhos da luz (Ef 5,8). E em
outro lugar: Passou a noite, o dia se aproximou; rejeitemos, pois, as obras
das trevas e revistamos as armas da luz; como em pleno dia caminhemos com
dignidade (Rm 13,12-13).
Todavia, em comparação
com aquela luz a que chegaremos, ainda é noite até mesmo o dia em que estamos.
Ouve o apóstolo Pedro, quando do magnífico esplendor desceu até ele a voz
dirigida a Cristo Senhor: Tu és meu Filho muito amado, em que pus minhas
complacências. Esta voz, continua, nós a ouvimos vinda do céu, quando
estávamos com ele no monte santo (2Pd 1,17-18).
Já que, porém, nós não
estivemos lá e não ouvimos então esta voz do céu, o mesmo Pedro nos fala: E
a palavra profética se tornou mais segura para nós; fazeis bem em dar-lhe
atenção como a uma lâmpada em lugar escuro, até que brilhe o dia e a estrela da
manhã desponte em vossos corações (cf. 2Pd 1,19).
Quando, pois, vier nosso
Senhor Jesus Cristo e, segundo diz o apóstolo Paulo, iluminar tudo quanto se
oculta nas trevas e manifestar os pensamentos do coração, para que receba cada
um de Deus seu louvor (1Cor 4,5), então num dia assim não haverá mais
necessidade de lâmpadas: não se lerá mais o profeta, não se abrirá o volume do
Apóstolo, não buscaremos o testemunho de João, não precisaremos do próprio
Evangelho. Portanto, todas as Escrituras serão retiradas do centro onde, na
noite deste mundo, elas se acendiam como lâmpadas a fim de não ficarmos nas
trevas.
Afastadas todas estas
luzes, não tendo mais de brilhar para nós, indigentes, e dispensando o auxílio
que por esses homens de Deus nos era dado, vendo conosco aquela verdadeira e
clara luz, o que é que veremos? Onde nosso espírito irá alimentar-se? Por que
se alegrará com o que vê? Donde virá aquele júbilo que nem olhos viram, nem
ouvidos ouviram, nem subiu jamais ao coração do homem? (cf. 1Cor 2,9). O que é
que veremos?
Eu vos peço: amai
comigo, correi crendo comigo, desejemos a pátria celeste, suspiremos pela
pátria do alto, sintamo-nos como peregrinos aqui. Que veremos então? Responda o
evangelho: No princípio era o Verbo e o Verbo era com Deus, e o Verbo era
Deus (Jo 1,1). No lugar de onde te banhou o orvalho, chegarás à fonte.
Aí, de onde o raio de
luz, indiretamente e como por rodeios, foi lançado a teu coração tenebroso,
verás a luz sem véus; vendo-a, recebendo-a, serás purificado. Caríssimos,
diz João, somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que seremos; sabendo
que, quando aparecer, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal qual é (1Jo
3,2).
Percebo que vossos
sentimentos sobem comigo para as alturas, mas o corpo corruptível pesa sobre
a alma; e a habitação terrena com a multiplicidade dos pensamentos oprime o
espírito (Sb 9,15). Também eu irei deixar de lado este livro, saireis
também vós, cada um para sua casa. Sentimo-nos bem na luz comum, muito nos
alegramos, exultamos de verdade; mas, ao afastar-nos uns dos outros, dele não
nos afastemos.” (1)
Aspiramos alcançar a
eternidade, e um dia chegarmos à Fonte Divina da Luz, o céu, e então veremos a
Luz.
Por ora,
peregrinando longe do Senhor, com Ele sempre presente, é tempo de irradiarmos Sua
luz pela palavra e pela vida em todos os âmbitos de nossa vida (cf. Mt 5,13-16).
(1)
Liturgia das Horas – Volume
IV - Tempo Comum – pp. 518-519







