terça-feira, 2 de junho de 2026

A consolação divina

                                                


                                      A consolação divina
 
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação” (2 Cor 1,3)
 
Jesus assim nos falou no Sermão da Montanha ao nos apresentar a terceira Bem-aventurança: “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados” (Mt 5, 5).
 
Esta Bem-Aventurança nos remete ao Apóstolo Paulo (2 Cor 1,1-7), na qual ele nos fala de Deus como “o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação” (2 Cor 1,3).
 
Acompanhado de uma bênção, o Apóstolo agradece a Deus que “gratifica com as Suas consolações àqueles que estão aflitos por causa do Evangelho, para que eles sejam por sua vez anunciadores da consolação” (vv.3-7). (1)
 
Em poucos versículos menciona nada menos do que dez vezes a palavra “consolação”. Esta consolação consiste na “libertação interior” diante da dor, com a certeza da presença do Pai de misericórdia que sustenta a quem sofre, e assim “o sofrimento é embebido de amor e serenidade” (2)
 
O Apóstolo tendo experimentado a misericórdia e bondade divinas, aprendeu a ser também ser instrumento destas para com seus irmãos: “Paulo agradece a Deus não só porque foi consolado, mas porque agora sabe como consolar” (3).
 
Da mesma forma, como discípulos missionários do Senhor, haveremos de comunicar aos outros a experiência de amor vivida em relação ao próximo: “A experiência é convincente, porque transmite alguma coisa de vivo, de pessoal” (4).
 
Deste modo, suportar com maturidade e confiança o sofrimento com Cristo, permite que aprofundemos a solidariedade e alcancemos a promessa da consolação que nosso Senhor fez, e sejamos bem-aventurados.
 
Ressoe também o Salmo 33, com seu refrão que, por vezes, retomamos na Celebração da Ceia Eucarística, ao apresentar o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo: “Provai e vede quão suave é o Senhor!”.
 
 
(1) Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume I – Editora  Paulus – Lisboa – p.479
(2) (3) (4) Missal Cotidiano – Editora  Paulus – p.874

Uma súplica pelo dom da FORTALEZA

 


Uma súplica pelo dom da FORTALEZA

Oremos:

Ó Deus, dai-nos o dom da FORTALEZA

do Vosso Santo Espírito,

e cumulados da graça divina,

pela oração, intensifiquemos e aprofundemos

nossos momentos de intimidade Convosco,

mas de modo especialíssimo no sublime Sacramento da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã.

 

Ajudai-nos, para que com o dom da FORTALEZA,

vivamos com fidelidade

o Mandamento do Amor a Vós,

expresso concretamente no amor ao próximo;

no testemunho da fé com serenidade, fidelidade e firmeza,

sendo no mundo sinais de esperança de um novo tempo.

Amém.

 

Quando chegarmos à fonte, veremos a Luz

 


Quando chegarmos à fonte, veremos a Luz

Sejamos enriquecidos pelo Tratado sobre João, escrito pelo bispo Santo Agostinho, (Séc. V):

“Nós, cristãos, em comparação com os infiéis, já somos luz; porque, como diz o Apóstolo: Outrora éreis trevas; agora, luz no Senhor. Andai como filhos da luz (Ef 5,8). E em outro lugar: Passou a noite, o dia se aproximou; rejeitemos, pois, as obras das trevas e revistamos as armas da luz; como em pleno dia caminhemos com dignidade (Rm 13,12-13).

Todavia, em comparação com aquela luz a que chegaremos, ainda é noite até mesmo o dia em que estamos. Ouve o apóstolo Pedro, quando do magnífico esplendor desceu até ele a voz dirigida a Cristo Senhor: Tu és meu Filho muito amado, em que pus minhas complacências. Esta voz, continua, nós a ouvimos vinda do céu, quando estávamos com ele no monte santo (2Pd 1,17-18).

Já que, porém, nós não estivemos lá e não ouvimos então esta voz do céu, o mesmo Pedro nos fala: E a palavra profética se tornou mais segura para nós; fazeis bem em dar-lhe atenção como a uma lâmpada em lugar escuro, até que brilhe o dia e a estrela da manhã desponte em vossos corações (cf. 2Pd 1,19).

Quando, pois, vier nosso Senhor Jesus Cristo e, segundo diz o apóstolo Paulo, iluminar tudo quanto se oculta nas trevas e manifestar os pensamentos do coração, para que receba cada um de Deus seu louvor (1Cor 4,5), então num dia assim não haverá mais necessidade de lâmpadas: não se lerá mais o profeta, não se abrirá o volume do Apóstolo, não buscaremos o testemunho de João, não precisaremos do próprio Evangelho. Portanto, todas as Escrituras serão retiradas do centro onde, na noite deste mundo, elas se acendiam como lâmpadas a fim de não ficarmos nas trevas.

Afastadas todas estas luzes, não tendo mais de brilhar para nós, indigentes, e dispensando o auxílio que por esses homens de Deus nos era dado, vendo conosco aquela verdadeira e clara luz, o que é que veremos? Onde nosso espírito irá alimentar-se? Por que se alegrará com o que vê? Donde virá aquele júbilo que nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem subiu jamais ao coração do homem? (cf. 1Cor 2,9). O que é que veremos?

Eu vos peço: amai comigo, correi crendo comigo, desejemos a pátria celeste, suspiremos pela pátria do alto, sintamo-nos como peregrinos aqui. Que veremos então? Responda o evangelho: No princípio era o Verbo e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus (Jo 1,1). No lugar de onde te banhou o orvalho, chegarás à fonte.

Aí, de onde o raio de luz, indiretamente e como por rodeios, foi lançado a teu coração tenebroso, verás a luz sem véus; vendo-a, recebendo-a, serás purificado. Caríssimos, diz João, somos filhos de Deus e ainda não se manifestou o que seremos; sabendo que, quando aparecer, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal qual é (1Jo 3,2).

Percebo que vossos sentimentos sobem comigo para as alturas, mas o corpo corruptível pesa sobre a alma; e a habitação terrena com a multiplicidade dos pensamentos oprime o espírito (Sb 9,15). Também eu irei deixar de lado este livro, saireis também vós, cada um para sua casa. Sentimo-nos bem na luz comum, muito nos alegramos, exultamos de verdade; mas, ao afastar-nos uns dos outros, dele não nos afastemos.” (1)

Aspiramos alcançar a eternidade, e um dia chegarmos à Fonte Divina da Luz, o céu, e então veremos a Luz.

Por ora, peregrinando longe do Senhor, com Ele sempre presente, é tempo de irradiarmos Sua luz pela palavra e pela vida em todos os âmbitos de nossa vida (cf. Mt 5,13-16).

 

(1) Liturgia das Horas – Volume IV - Tempo Comum – pp. 518-519

Em poucas palavras...

                                            


Examinar o coração para agir de acordo com Deus

 

“Um ancião disse: ‘Nunca faças algo sem antes examinar teu coração para ver se o que estás prestes a fazer está de acordo com Deus.” (1)

 

(1)  Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 103 – p. 90

“Não existem duas esperanças”

                                                   

“Não existem duas esperanças”

Oportuno para a reflexão das passagens do Evangelho de Mateus e Marcos (Mt 22,15-21; Mc 12,13-17), sobre a questão feita pelos fariseus e herodianos a Jesus, se é lícito pagar imposto a César, encontramos esta afirmação:

Não existem duas esperanças: uma terrena e outra celeste; a esperança é uma só: diz respeito à realidade futura, mas através do empenho cristão, a antecipa na realidade terrestre”

De fato, estamos no mundo com uma responsabilidade de participação irrenunciável, para torná-lo mais humano, justo e fraterno.

E se a fé cristã professada, maior ainda o compromisso, pois deve ser vivida integralmente e não permite omissão ou evasão nesta participação.

A fé cristã confere à religião um papel fundamental no mundo, tornando sem fundamento qualquer atitude de desconsideração, como se ela não tivesse nenhuma contribuição positiva a oferecer.

Com o Concílio Vaticano II, como Igreja, somos chamados a rever as reticências ou ausências do cristão no seu real compromisso com o mundo, procurando sua superação a fim de que sejamos sal da terra e luz do mundo.

A fé cristã, acenando para a esperança na eternidade, não se exime da concretização no tempo presente, inserida na realidade terrestre, concreta. 

Esta fé se vive com os olhos nos céus, mas com os pés tocando à realidade do cotidiano, não criando uma dicotomia entre o mundo dos homens e mulheres e o mundo de Deus.

De modo que todo poder político deve exercer a sua vocação primeira, a promoção do bem comum, e se assim o for, de fato, estaremos dando “a Deus o que é Deus e a César o que é de César”, entregaremos a Deus um povo com vida plena, digna e feliz.
O céu não se espera na passividade, mas na medida em que vivemos a graça do Batismo, e nos tornamos discípulos missionários do Senhor, verdadeiramente comprometidos com o Reino de Deus, que ultrapassa qualquer forma de realidade que se possa conceber.

Nenhuma realidade é bastante suficiente para esgotar a riqueza do Reino que Jesus veio inaugurar, por isto, rezamos no Pai Nosso, a oração que Ele nos ensinou:

“Venha a nós o Vosso Reino, Senhor, seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu” (cf.  Mt 6,10).

PS: Missal Dominical – Editora Paulus, 1995 – pp. 834.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

“Vinde, Espírito de amor, como fogo abrasador”

                                                            

“Vinde, Espírito de amor, como fogo abrasador”

Vinde, Espírito Santo, inflamai nossos corações com o Vosso fogo de amor, como fizestes naquele memorável Dia de Pentecostes.

Fazei sair de nossos lábios palavras como labaredas de fogo, para inflamar os corações de Vossos discípulos missionários, reavivando a fé, a esperança e a caridade.

Colocai em nossos lábios palavras de sabedoria, para iluminar os caminhos daqueles que abraçam a evangelização, com fidelidade, em renovados compromissos sagrados.

Dai-nos a Vossa graça, para que as palavras que dissermos sejam expressão de Vossa vontade, e assim, todos vivam mais frutuosamente o Batismo um dia recebido.

Saciai-nos com a água cristalina que somente Vós tendes, para a árdua travessia, 
No árido deserto do cotidiano, por que devemos todos passar e enfrentar.

Fortalecei nossos passos no amadurecimento da vida cristã, para que sejamos sal da terra e luz do mundo, fermento na Massa.

Conduzidos por Vós, alimentados e revigorados pelo Pão de Vossa Palavra,
Do Pão Sagrado da Eucaristia, caridade inflamada, missionariedade renovada. Amém.

O Amor Trinitário (Santíssima Trindade)

                                                       

O Amor Trinitário

Amemos o Amante, o Amor, o Amado.
Amemos a Trindade Santa.

Amemos o Pai que nos ama, ainda que não O amemos.
Amemos o Filho Amado que, por amor, 
teve o coração trespassado, 
o Sangue por nós derramado.

Amemos o Amor, que se dá a todos, 
e ainda tudo tem para dar.

Ó Santo Espírito de Amor, sabedoria e paz,
envolvei-nos, com Vossa chama eterna de Amor. 
Amém!

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG