sábado, 23 de maio de 2026

Em poucas palavras... (Pentecostes)

 


“Vinde, Espírito de Deus...”

 

“Vinde, Espírito de Deus,

e enchei os corações dos fiéis com vossos dons!

Acendei neles o amor como um fogo abrasador!

Vós que unistes tantas gentes, tantas línguas diferentes

numa fé, na unidade e na mesma caridade. Aleluia” (1)

 

 

 

(1)        Antífona das Vésperas de Pentecostes

Enviai, Senhor, o Vosso Espírito (Pentecostes)

                                                          

Enviai, Senhor, o Vosso Espírito

Sejamos enriquecidos pelo “Tratado contra as heresias”, escrito pelo Bispo Santo Irineu (Séc. II), para bem celebrarmos a Solenidade de Pentecostes.

“Ao dar a Seus discípulos poder para que fizessem os homens renascer em Deus, o Senhor lhes disse: Ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19).

Deus prometera, por meio dos Profetas, que nos últimos tempos derramaria o Seu Espírito sobre os Seus servos e servas para que recebessem o dom da profecia. Por isso, o Espírito Santo desceu sobre o Filho de Deus, que Se fez Filho do Homem, habituando-Se com Ele a conviver com o gênero humano, a repousar sobre os homens e a morar na criatura de Deus. Assim renovava os homens segundo a vontade do Pai, fazendo-os passar da sua antiga condição para a vida nova em Cristo.

São Lucas nos diz que esse Espírito, depois da ascensão do Senhor, desceu sobre os discípulos no dia de Pentecostes, com o poder de dar a vida nova a todos os povos e de fazê-los participar da Nova Aliança. Eis por que, naquele dia, todas as línguas se uniram no mesmo louvor de Deus, enquanto o Espírito congregava na unidade as raças mais diferentes e oferecia ao Pai as primícias de todas as nações.

Foi por isso que o Senhor prometeu enviar o Paráclito, que os tornaria capazes de receber a Deus. Assim como a farinha seca não pode, sem água, tornar-se uma só massa nem um só pão, nós também, que somos muitos, não poderíamos transformar-nos num só corpo, em Cristo Jesus, sem a água que vem do céu. E assim como a terra árida não produz fruto se não for regada, também nós, que éramos antes como uma árvore ressequida, jamais daríamos frutos de vida, sem a chuva da graça enviada do alto.

Com efeito, nossos corpos receberam, pela água do Batismo, aquela unidade que os torna incorruptíveis; nossas almas, porém, a receberam pelo Espírito.
O Espírito de Deus desceu sobre o Senhor como Espírito de sabedoria e discernimento, Espírito de conselho e fortaleza, Espírito de ciência e de temor de Deus (Is 11,2). É este mesmo Espírito que o Senhor por Sua vez deu à Igreja, enviando do céu o Paráclito sobre toda a terra, daquele céu de onde também Satanás caiu como um relâmpago (cf. Lc 10,18).

Por esse motivo, temos necessidade deste orvalho da graça de Deus para darmos fruto e não sermos lançados ao fogo, e para que também tenhamos um Defensor onde temos um acusador. Pois o Senhor confiou ao Espírito Santo o cuidado da Sua criatura, daquele homem que caíra nas mãos dos ladrões e a quem Ele, cheio de compaixão, enfaixou as feridas e deu dois denários reais. Tendo assim recebido pelo Espírito a imagem e a inscrição do Pai e do Filho, façamos frutificar os dons que nos foram confiados e os restituamos multiplicados ao Senhor”.

Em todo instante, é sempre necessário invocarmos a assistência do Espírito Santo para nos conduzir, iluminar, assistir, fortalecer... 

Bem afirmou o Bispo sobre Sua presença, pois sem Ele, seríamos como farinha seca, e jamais nos tornaríamos pão; ou como terra árida, jamais produziríamos frutos.

Supliquemos, portanto, a vinda do Espírito Santo.

Oremos:

“Deus eterno e todo-poderoso, quisestes que o Mistério Pascal se completasse durante cinquenta dias, até à vinda do Espírito Santo. Fazei que todas as nações dispersas pela terra, na diversidade de suas línguas, se unam no louvor do Vosso nome. Por N.S.J.C. Amém”.

Pentecostes: O Espírito Santo de Deus nos foi enviado (1) (Pentecostes)

                                                                 

Pentecostes: O Espírito Santo de Deus nos foi enviado 

“Assim como o Pai Me enviou, também
Eu vos envio a vós. Recebei o Espírito Santo” 

Com a Solenidade de Pentecostes, celebraremos o nascimento da Igreja e acolhida do Espírito Santo para acompanhá-la, conduzi-la e assisti-la em sua missão. 

O Espírito Santo é o Dom dado por Deus a todos que creem, comunicando vida, renovação, transformação, possibilitando o nascimento do Homem Novo e a formação da Comunidade Eclesial – a Igreja. 

Com a Sua presença a Igreja testemunha a vida e a vitória do Ressuscitado, nisto consiste a missão da comunidade: realizar com a presença e ação do Espírito Santo, que é a fonte de todos os dons, colocando-os a serviço de todos e não para benefício pessoal. 

Lucas, na passagem da primeira Leitura (At 2,1-11), nos apresenta a comunidade que nasce do Ressuscitado, que é assistida pelo Espírito Santo e chamada a testemunhar a todos os povos o Projeto Libertador do Pai. 

A Festa de Pentecostes que antes era uma festa agrícola (colheita da cevada e do trigo), a colheita dos primeiros frutos, ganhou novo sentido, tornou-se a festa histórica da celebração da Aliança, da acolhida do dom da Lei no Sinai e a Constituição do Povo de Deus. Mas, o mais belo e verdadeiro sentido é a celebração da acolhida do Espírito Santo. 

Contemplemos o grande Pentecostes cinquenta dias após a Páscoa. O Espírito é apresentado em forma de língua de fogo, que consiste na linguagem do amor. Verdadeiramente a linguagem do Espírito é o amor que torna possível a comunhão universal. 

Caberá à comunidade construir a antibabel, a humanidade nova, que pauta a existência pela ação do Espírito Santo que reside no coração de todos como Lei suprema, como fonte de amor e de liberdade. 

Reflitamos:

- Somos uma comunidade do Ressuscitado?

- Nossa comunidade é marcada por relações de amor e partilha?

- Empenhamo-nos em aprender a língua do Espírito, a linguagem do Amor? 

- Qual é o espaço do Espírito Santo em nossas comunidades?

- Temos sido renovados pelo Espírito, orientando e animando nossa vida por Sua ação e manifestação?

- Somos uma comunidade que vive a unidade na diversidade, com liberdade e respeito? 

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 12, 3-b-7.12-13), o Apóstolo nos fala de uma comunidade viva, fervorosa, mas com partidos, divisões e rivalidades entre os seus membros, e até mesmo certa hierarquia de categoria de cristãos. 

Também aponta à importância da diversidade dos carismas. Porém, um só é o Senhor, um só é o Espírito do qual todos os dons procedem. 

Insiste na unidade da comunidade como um corpo, onde todos têm sua importância, sua participação, cientes de que é a ação do Espírito que dá vida ao Corpo de Cristo, fomenta a coesão, dinamiza a fraternidade e é fonte da verdadeira unidade. 

Afasta-se com isto toda possibilidade de prepotência e autoritarismo dentro da Igreja: 

"O dom do Espírito habilita o crente batizado a colocar as suas qualidades e aptidões ao serviço do crescimento e da vitalidade da Igreja. 

Ninguém é inútil e estéril na Igreja quando se deixa guiar pelo Espírito de Deus que atua para o bem de todos. 

O único obstáculo à ação vivificadora do Espírito é a tendência a considerar os seus dons como um direito de propriedade e não um compromisso ao serviço e à partilha recíproca”. (1) 

Reflitamos: 

- Verdadeiramente, o Espírito Santo é o grande Protagonista da ação evangelizadora da Igreja?

- Colocamos com alegria os dons que possuímos a serviço do bem da comunidade e não a serviço próprio? 

Na passagem do Evangelho (Jo 20,19-23), o Evangelista nos apresenta a manifestação do Ressuscitado e a Sua presença que enriquece a Igreja reunida com o dom da paz, da alegria e do Espírito Santo para gerar relações de perdão que cria a humanidade nova. 

Deste modo, a comunidade deve romper os medos, as incertezas, as inseguranças, pois o Ressuscitado entra, mesmo que as portas estejam fechadas. Nada pode impedir a Sua ação, coloca-se no centro, pois somente Ele deve ser o centro de nossa vida e de nossa comunidade. 

E ainda mais: não adoramos um Deus em que as Chagas Dolorosas tiveram a última palavra, mas adoramos ao Deus das Chagas Vitoriosas do Ressuscitado. A vida venceu a morte, e n’Ele e com Ele somos mais que vencedores (Rm 8,37-39). 

Contemplemos as maravilhas de Deus, que são inesgotáveis e indizíveis: 

- podemos contar com a ação e o sopro do Espírito Santo, com Sua força e defesa em nossa missão evangelizadora; 

- a presença do sopro rejuvenescedor do Espírito Santo, que não permite o envelhecimento e a perda da vitalidade da Igreja por Cristo fundada, e por amor, continuamente, na Eucaristia alimentada; 

- confia-nos a continuidade da graça da missão do Ressuscitado, com a força do Espírito, como Suas autênticas testemunhas; 

- a graça de participarmos dos Mistérios Sagrados da Igreja, que aos poucos se nos revelam como maravilhoso Mistério incandescente; Mistério da presença da Chama viva de Amor revelada pelo Espírito Santo de Deus. 

Embora não tenhamos visto Jesus Ressuscitado, nem O tenhamos tocado, n’Ele cremos, Sua Palavra anunciamos, em Sua Vida e presença em nosso meio acreditamos, a força e a vida nova do Espírito continuamente experimentamos e testemunhamos. 

Celebremos, exultantes, a Solenidade de Pentecostes, de modo que a alegria divina transbordará em nosso coração, e nosso coração será inflamado do Seu Amor; 

Alegremo-nos e exultemos no Senhor Ressuscitado, que nos comunica o Seu Espírito para maior fidelidade ao Projeto de vida e de Amor do Pai.


(1) Lecionário comentado – Tempo da Páscoa - p.660. 

Pentecostes: O Espírito Santo de Deus nos foi enviado (2) (Pentecostes)

 


Pentecostes: O Espírito Santo de Deus nos foi enviado 

 

“Assim como o Pai Me enviou, também

Eu vos envio a vós. Recebei o Espírito Santo” (cf. Jo 20,21)

Com a Solenidade de Pentecostes, celebramos o nascimento da Igreja e acolhida do Espírito Santo para acompanhá-la, conduzi-la e assisti-la em sua missão, de forma sinodal, caminhando sempre juntos, a serviço do Reino, compromisso com a nova Jerusalém.

A passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 2,1-11) nos apresenta a comunidade que nasce do Ressuscitado, que é assistida pelo Espírito Santo e chamada a testemunhar a todos os povos o Projeto Libertador do Pai. 

Contemplemos o grande Pentecostes cinquenta dias após a Páscoa. O Espírito é apresentado em forma de língua de fogo, que consiste na linguagem do amor, a linguagem universal. 

A Festa de Pentecostes, que antes era uma festa agrícola (colheita da cevada e do trigo), a colheita dos primeiros frutos, ganhou novo sentido, tornou-se a festa histórica da celebração da Aliança, da acolhida do dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo de Deus. Mas, o mais belo e verdadeiro sentido é a celebração da acolhida do Espírito Santo, que é o Dom dado por Deus a todos que creem, comunicando vida.

Deste modo, é missão da Comunidade no testemunho de Cristo Ressuscitado, na fidelidade ao Pai, com a presença e ação do Espírito Santo, construir a antiBabel, comprometidos com a nova Jerusalém, movidos pela Lei suprema, como fonte de amor e de liberdade, comunhão, diálogo, fraternidade e paz.

Que a alegria da Solenidade de Pentecostes seja o transbordamento da alegria divina, pela presença e ação do Espírito Santo, que inflama nosso coração com Seu amor, ilumina nossos caminhos com Seus raios, e nos cumula de todos os dons na ação evangelizadora. Amém. Aleluia!

 

Acolhamos a chama do Santo Espírito (Pentecostes)

                                                     

Acolhamos a chama do Santo Espírito
 
Fogo que nos queima e nunca nos consome;
fogo que nos aquece e mais calor queremos...
 
Preparando-nos para a Celebração da Solenidade de Pentecostes, sejamos enriquecidos pelo Comentário do Evangelho de São João, escrito pelo Bispo São Cirilo de Alexandria (séc. V), sobre a ida de Jesus para junto do Pai e a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja:
 
“Cristo tinha cumprido a Sua missão sobre a terra, e para nós havia chegado o momento de entrarmos em comunhão com a natureza divina do Verbo. Era preciso que a nossa vida anterior fosse transformada em outra diferente, começando um novo estilo de vida em santidade. Ora, isto só podia ser realizado pela participação do Espírito Santo.
 
O tempo mais oportuno para o envio do Espírito Santo e sua descida sobre nós foi o que se seguiu à Ascensão de Cristo nosso Salvador.
 
De fato, enquanto Cristo vivia visivelmente entre os Seus fiéis, Ele mesmo, segundo julgo, dispensava-lhes todos os bens. Mas quando chegou o momento estabelecido para subir ao Pai celeste, era necessário que Ele continuasse presente no meio de Seus fiéis por meio do Espírito e habitasse pela fé em nossos corações, a fim de que pudéssemos clamar com toda confiança: ”Aba - ó Pai!’ (Rm 8,15). E ainda nos tornássemos capazes de progredir sem demora no caminho da perfeição, superando com fortaleza invencível as ciladas do demônio e as perseguições dos homens, graças à assistência do Espírito todo-poderoso.
 
Não é difícil demonstrar, com o testemunho das Escrituras, tanto do Antigo como do Novo Testamento, que o Espírito transforma e comunica uma vida nova àqueles em quem habita.
 
O servo de Deus, Samuel, dirigindo-se a Saul, diz: ‘O Espírito do Senhor virá sobre ti e tu te tornarás outro homem’ (cf. 1Sm 10,6). E São Paulo afirma: ‘Todos nós, porém, com o rosto descoberto, contemplamos e refletimos a glória do Senhor, e assim seremos transformados à sua imagem, pelo seu Espírito. Pois o Senhor é Espírito’ (2Cor 3,18.17).
Vês como o Espírito transforma noutra imagem aqueles em quem habita? Facilmente Ele os faz passar do amor das coisas terrenas à esperança das realidades celestes, e do temor e da indecisão à firme e generosa fortaleza de alma. Foi o que sucedeu com os discípulos: animados e fortalecidos pelo Espírito, nunca mais se deixaram intimidar pelos seus perseguidores, permanecendo inseparavelmente unidos e fiéis ao amor de Cristo.
 
É verdade, portanto, o que diz o Salvador: ‘É bom para vós que Eu volte para os céus (cf. Jo 16,7), porque tinha chegado o tempo de o Espírito Santo descer sobre Eles." (1)
 
Acolhamos a chama do Espírito Santo, na fidelidade a Jesus, Caminho, Verdade e Vida, a Palavra da Verdade que nos liberta e santifica:
 
"A Palavra da Verdade santifica o discípulo, afasta-o da lógica mundana e o faz missionário. A consagração na verdade, a libertação e a proteção contra o Maligno não são realidades adquiridas de uma vez para sempre, mas requerem uma fidelidade constante...
 
O Espírito é sempre imprevisível e soberanamente livre. Subverte os planos humanos, inclusive os de Paulo, que deu tudo de si a serviço do Evangelho. É como um fogo devorador que entra na vida de cada um de nós e não deixa para nós um ângulo sequer ou uma dobra do nosso espírito.
 
Só assim, porém, quando formos transpassados pelo fogo do Espírito, nos tornamos transparentes à Sua Palavra e toda a nossa vida se torna testemunho”.   (2)
 
Urge refletir sobre a “fidelidade constante”, que jamais o seria sem a força, presença e ação do Espírito, que age em cada um de nós como fogo devorador que jamais se apaga, e quanto mais nos consome, nos irradia a chama de Seu fogo de Amor, mais felizes nos faz.
 
Acolhamos a chama ardente de Amor do Espírito, sobretudo ao celebrar a Solenidade de Pentecostes.
 
Oremos:
 
Senhor Deus, enviai sobre nós, o Espírito Santo prometido pelo Vosso Filho, quando estava ainda conosco, e nos incendeia com o fogo do Vosso amor!
 
Que o Santo Espírito nos ajude a passar do amor das coisas terrenas à esperança das realidades celestes; do temor e da indecisão à firme e generosa fortaleza de alma, e sejamos conduzidos pela Chama viva do eterno e inflamado Amor Divino, o fogo devorador.
 
Com Ele e por Ele assistidos, como os primeiros discípulos, sejamos animados e fortalecidos na missão evangelizadora, e jamais nos intimidemos por perseguições, provações e dificuldades, permanecendo unidos e fiéis ao amor de Cristo, que nos amou e por nós Se entregou. Amém. Aleluia!
 



(1) Liturgia das Horas – Volume Quaresma/Páscoa Editora Paulus – p. 896-898 
(2)Missal Cotidiano – Editora Paulus


Somos um povo peregrino e evangelizador (Pentecostes)

                                                               


Somos um povo peregrino e evangelizador

“Nós vimos o Senhor” (Jo 20,25)

Na Exortação Evangelii Gaudium, o Papa Francisco afirmou:

A Evangelização é dever da Igreja. Este sujeito da evangelização, porém, é mais do que uma instituição hierárquica; é antes de tudo, um povo que peregrina para Deus. 

Trata-se certamente de um mistério que mergulha as raízes na Trindade, mas tem a sua concretização histórica num povo peregrino e evangelizador, que sempre transcende toda a necessária expressão institucional” (EG 111).

Podemos e devemos usar, portanto, os meios possíveis, contribuindo na ação evangelizadora da Igreja, anunciando o Cristo Ressuscitado, Aquele que foi visto pelos apóstolos, e que continua se revelando à sua Igreja, para que esta O anuncie e O testemunhe até os confins da terra (Jo 19-28; Mt 28, 16-29; Mc 16, 9-20), e como Igreja, na alegria de servir, construamos um mundo mais humano, justo e fraterno.  

A própria Igreja, pois a Igreja que não se evangeliza não evangeliza, nos advertia o Papa São Paulo VI, em sua Exortação Evangelii Nuntiandi: “Evangelizadora como é, a Igreja começa por se evangelizar a si mesma” (n.15). 

Evangelizando a família, santuário da vida, espécie de Igreja doméstica, espaço privilegiado para se formar e educar para a beleza da vida, plantando no coração dos filhos, sementes da verdade, do amor, da justiça, da liberdade e da fraternidade.

Presença evangelizadora no bairro, e além de suas fronteiras, porque a Palavra de Deus não pode ser aprisionada e confinada a espaços geográficos, templos e tempo.

Evangelizando no vasto e complicado mundo da política, da mídia, da cultura, da economia e da saúde, despertando a consciência da cidadania, não nos omitindo na missão ser luz onde for preciso e para quem precisar, anunciando a Palavra que abrasa o coração. 

Evangelizando e conscientizando para que cuidemos e preservemos nossa casa comum, o planeta em que habitamos, com a necessária conversão e nova consciência planetária, preocupados com a sustentabilidade, que nos propicia viver melhor, e assegura o futuro para aqueles que virão depois de nós.

Peregrinemos e evangelizemos, incansavelmente, sempre atentos aos acontecimentos e aos sinais que Deus vai manifestando ao longo da história, testemunhas das maravilhas que o Espírito que age e faz acontecer a evangelização.

Urge que mais pessoas participem desta peregrinação e evangelização, pois não fica indiferente nesta missão, quem se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus, como tão bem expressou o Papa Francisco também na “Evangelii Gaudium”:

“Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com amor de Deus em Cristo Jesus; não digamos mais que somos ‘discípulos’ e missionários’, mas sempre que somos ‘discípulos missionários” (n.120).


PS: Oportuna para a reflexão da passagem dos Atos dos Apóstolos (At 28.16-20.30-31)

Os efeitos do Sacramento da Confirmação

                                                    


Os efeitos do Sacramento da Confirmação

Com os parágrafos 1302-1305 do Catecismo da Igreja Católica, refletimos sobre os efeitos do Sacramento da Confirmação (a Crisma), que é, de fato, uma efusão especial do Espírito Santo, tal como outrora foi concedida aos Apóstolos, no dia de Pentecostes (At 2,1-12).

Com este Sacramento, proporciona o crescimento e o aprofundamento da graça Batismal:

– enraíza-nos mais profundamente na filiação divina, que nos leva a dizer « Abba! Pai!» (Rm 8, 15);

  une-nos mais firmemente a Cristo;

– aumenta em nós os dons do Espírito Santo;

– torna mais perfeito o laço que nos une à Igreja;

– dá-nos uma força especial do Espírito Santo para propagarmos e defendermos a fé, pela palavra e pela ação, como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessarmos com valentia o nome de Cristo, e para nunca nos envergonharmos da cruz: «Lembra-te, pois, de que recebeste o sinal espiritual, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de ciência e de piedade, o espírito do santo temor, e guarda o que recebeste. Deus Pai marcou-te com o seu sinal, o Senhor Jesus Cristo confirmou-te e pôs no teu coração o penhor do Espírito» (Santo Ambrósio).

A Confirmação é dada uma só vez (como acontece com o Batismo). pois este Sacramento imprime na alma uma marca espiritual indelével, o «carácter», que é sinal de que Jesus Cristo marcou um cristão com o selo do seu Espírito, revestindo-o da fortaleza do Alto, para que seja sua testemunha (Lc 24,48-49).

Quanto ao «carácter» do Sacramento, aperfeiçoa o sacerdócio comum dos fiéis, recebido no Batismo, e «o confirmado recebe a força de confessar a fé de Cristo publicamente e como em virtude dum encargo oficial (quasi ex officio)» (Santo Tomás de Aquino).

Fundamental que na preparação para o Sacramento, catequistas e crismandos tenham consciência de quanto se afirma o Catecismo, para que cada crismado viva, de fato, o Batismo recebido, e se torne alegre testemunha do Cristo Ressuscitado, exalando no mundo o odor do amor, vivendo os sagrados compromissos com a Boa Nova do Reino de Deus, enriquecidos pelos sete dons do Espírito Santo (Sabedoria, Entendimento, Conselho, Ciência, Fortaleza, Temor e Piedade), conferidos ao receber no Sacramento o Dom do Espírito Santo. 

Fonte: Catecismo da Igreja Católica – parágrafos nn. 1302-1305

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