sábado, 23 de maio de 2026

Ação do Espírito Santo: “Não vos deixarei órfãos” (Pentecostes) (Parte I)

                                                  

Ação do Espírito Santo: “Não vos deixarei órfãos”

Reflitamos à luz das palavras do Patriarca Atenágoras (1886-1972), acerca do Espírito Santo:

“Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho é uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos.

Mas no Espírito Santo o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo Ressuscitado está presente, o Evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a Comunhão Trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a Liturgia é memorial e antecipação, a ação humana se diviniza”.

Reflitamos sobre a presença e a ação do Espírito Santo.

Como Deus nos seria distante sem Ele! Não sentiríamos Sua presença nas situações mais adversas.

Falar em Sua presença, proximidade, intimidade necessária, seria discurso não convincente. Sua distância seria a autodistância e, sobretudo a distância irredutível do outro. Não saberíamos o que é comunhão. Sua proximidade é certeza de comunhão.

Jesus Cristo seria apenas alguém que viveu num tempo marcado, determinado, remoto, um personagem invejável, heróico, abnegado, que nos tocaria apenas o coração, mas não nos asseguraria a eternidade e não nos alcançaria a Salvação. Seria uma memória apenas, prescindindo de toda presença Pascal. Não teríamos a presença do Ressuscitado!

O Evangelho seria um conjunto de palavras e textos, mas não seria a Palavra que Se fez Carne. Letras mortas que mal nos comunicaria um quê de alegria e esperança. Não portaria o conteúdo da Boa Nova que é. Seria lido, quando muito, como um livro entre tantos, com “l” minúsculo, e não teríamos mais que algumas poucas edições, se é que ele seria conhecido, se é que valeria a pena sua impressão. Seriam apenas papiros do passado, se ainda assim houvessem sido escritos.

A Igreja nada seria porque não existiria. Quando muito uma ONG, com bons propósitos, mas movida por outras motivações, diferentes das que a move: A fé no Ressuscitado, a missão de ser valioso instrumento do Reino inaugurado por Jesus. Instituída, enviada e assistida pela presença do Espírito, nutrida e revigorada em cada mesa de altar, em cada Celebração da Eucaristia. Sua autoridade marcada por relações hierárquicas, portadoras de desejos comuns de ascensão ao poder, prestígio, glamour.

O topo seria a meta, talvez nem tantos escrúpulos para alcançá-los. A capacitação com anseios impronunciáveis, a livre concorrência legitimada, “sacralizada e abençoada” (com aspas propositalmente). A missão valer-se-ia de todos os recursos de marketing, merchandising.

Carregar a cruz seria discurso ultrapassado, pouco convincente, sem nenhum atrativo e razão de ser. Na verdade ela seria extinta, apagada da memória, porque o que haveria de contar seriam as facilidades, alcançadas pela lei do menor esforço, ou do nenhum compromisso, do nenhum sacrifício.

Doação, amor fiel, entrega seriam discursos não comoventes, pouco atraentes… inócuos, puramente inócuos, sem efeito algum para o bem.

Procurar-se-ia uma propaganda com pretensões de não ser enganosa, com promessas de felicidade, que não seriam as Bem Aventuranças de Mateus (Mt 5).             

Técnicos, especialistas seriam convocados, contratados, para que a palavra convencesse, o consumo acontecesse. Consequentemente aceitabilidade e lucro.

O culto tal como celebramos, seus ritos, sua beleza seriam outras. A espetacularização seria inevitável: valeria o que atraísse audiência, intimismos, descomprometimentos maiores.

Rubricas, disciplina litúrgica seriam desnecessárias. Contaria a criatividade, ou mais ainda, o criativismo de seus sacerdortes.

Mudanças aconteceriam ao sabor de cada comunidade, de cada realidade. Mistério e Mistagógico seriam palavras que não contariam.

A ação moral, uma ação de escravos: seríamos tidos como loucos, sem O Espírito, porque abraçaríamos e concretizaríamos propósitos além de nossas forças e possibilidades humanas. Eclipsar-se-ia a presença do Espírito e Sua luz radiante e revitalizante.

Se há muitas coisas inexplicáveis que realizamos, só o são pela força e presença do Espírito Santo. Ah, se não fosse O Espírito!

Seríamos escravos entristecidos, fazendo coisas boas, talvez, apenas por fazer. Por não ter encontrado Aquele que faz arder nosso coração com Sua Palavra, abre nossos olhos com Seu Corpo, Pão Partilhado.

Teríamos boas ações, mas não movidas pela paixão do Reino, pelo Evangelho. Teríamos boas obras para contar. Voluntarismo sem perspectivas de utopia do Reino. Boas Obras num sadio filantropismo. Alquimia, pura alquimia!

Concluo, se é que é possível concluir, esta reflexão não deixa dúvida alguma de que é o Espírito Santo que garante à Igreja a vida e a eficácia na missão.

O Espírito enriquece a Igreja com todos os dons necessários, porque Ele é o Dom de Deus, Dom dos dons. Fonte inexaurível de todos os dons.

Ausência de Deus? Nunca! Prescindir de Sua presença e ação? Jamais!

Enviai, Senhor, sobre nós, Vosso Espírito:
De sabedoria, inteligência, ciência, conselho,
fortaleza, temor e piedade. Amém!

Ação do Espírito Santo: “Não vos deixarei órfãos” (Pentecostes) (Parte II)

                                                   

Ação do Espírito Santo: “Não vos deixarei órfãos”

Há nas palavras de Atenágoras outras verdades veladas, subentendidas. Continuemos nossa meditação!

Com o Espírito, tudo se renova; tudo ganha novo sentido… O cosmos ganha beleza, pois, também ele anseia pela recriação do Espírito, como Paulo nos diz na Carta aos Romanos:
“Pois a criação em expectativa anseia pela revelação dos filhos de Deus…” (Rm 8,19).

A ação do Espírito nos permite a contemplação da presença do Cristo Ressuscitado, ao partir o Pão, como o fez com os discípulos de Emaús.

Ao sentirmos Sua presença, sentimos o ardor do Seu amor, no mais profundo do nosso coração, porque é “O Encontro dos Encontros”:

Encontro com o Eterno Amado. Presença curadora de nossa miopia. Assim, nosso novo olhar ultrapassa as fronteiras das aparências, rompendo fronteiras limítrofes da vida.

Sua presença torna impossível quaisquer fronteiras de mesquinharias e mediocridades cotidianas… O Evangelho Se faz força do Reino, porque não são apenas palavras, mas a Própria Palavra.

Ele que Se fez Verbo, Palavra, e veio entre nós habitar, conosco dialogar, O Projeto do Pai comunicar e realizar, ao mundo confiar, na ação do Espírito a acompanhar para vê-lo realizar…

Com o Espírito a Igreja realiza a Comunhão Trinitária, porque a comunhão do Amor Pleno e Verdadeiro que somos chamados a viver.

A Igreja, apesar de seus limites e pecados, é sinal da comunhão Trinitária, espelhando-se na mais bela e perfeita Comunidade que é a Santíssima Trindade.

Com o Espírito a autoridade de todos, ordenados ou não, consagrados ou não, transforma-se em alegre e humilde serviço.

Como é bom saber que é o Espírito, o ator principal, o protagonista da Evangelização.

Se a Palavra Divina anunciamos, se testemunho damos, só é possível porque assim Deus o quer e permite.

Deus não só quer e permite como nos assiste com Seu Espírito, na realização da promessa do Filho, que se não fosse para o Pai, não nos seria enviado Seu Espírito!

Como é bom saber, e não esquecer, que após termos dado o melhor de nós, na ação evangelizadora e missionária, somos meros colaboradores, inúteis servidores do Reino.

Da Trindade tudo procede, para Ela tudo se volta. A Ela toda honra, glória e louvor. Com o Espírito a Liturgia é memorial e antecipação. Memorial porque se cumpre o que Ele mandou realizar em Seu Nome, perpetuando Sua presença.

A Liturgia é antecipação, porque o banquete, o rito, a festa, o louvor dá pequena amostra do que será o céu, para quem um dia o merecer.

De Liturgia em Liturgia, celebrada e vivida, caminhamos a passos largos para o céu, e ao mesmo tempo empenhados em sua realização parcial na terra.

Com o Espírito a ação humana se diviniza. Tudo o que fizermos por Deus e para Deus, torna-se divinizado. Nossas ações quando movidas pelo Espírito, tornam-se verdadeiras Eucaristias.

Quando nos movemos pelo amor,
Quando nos deixamos conduzir pelo Espírito,
Quando deixamos prevalecer à vontade Divina
Nossas ações são verdadeiramente divinizadas.

Com o Espírito a vida é outra, bem como, a Igreja e a História.
Tudo se torna Novo e Diferente, porque por Ele, Deus faz Novas todas as coisas.

As coisas antigas passaram...
Eis que surgiu, e há de surgir sempre, um Novo Céu e uma Nova Terra!
Amém! 

Festa de Pentecostes! Fragmentos de uma Homilia... (Pentecostes)

Festa de Pentecostes!
Fragmentos de uma Homilia...

A Solenidade de Pentecostes é a Festa do nascimento da Igreja e o seu envio para realizar a Missão confiada por Jesus com a presença e força do Espírito Santo.

Cristo completou a Sua missão terrena e, antes de voltar para o Pai, nos confiou a continuidade de Sua missão. Não nos deu a Igreja pronta, mas em plena construção.

O Espírito estará sempre presente nos momentos de angústia, alegria, fracassos, vitórias. Portas se fecham, portas se abrem... É preciso contar sempre com o Espírito Santo e a riqueza de Seus Dons.

Não estamos sós, o Espírito nos acompanha e nos ensina Sua linguagem universalmente conhecida: a Linguagem do Amor.

A Igreja, que nasce por Cristo Ressuscitado, é chamada a ser a Escola do Amor, ensinando e o tão Divino Mandamento que o Senhor nos deixou.

Que estes fragmentos de Homilia tragam alguns raios de luz para bem celebrarmos a Solenidade de Pentecostes.

Pentecostes: o Espírito nos ensina a linguagem do amor (Pentecostes)

                                                         


Pentecostes: o Espírito nos ensina a linguagem do amor

 “O amor de Deus foi
derramado em nossos corações.” (Rm 5,5)

A Liturgia das Horas nos apresenta um dos Sermões de um anônimo autor africano (séc. VI), que nos fala da unidade da Igreja que, recebendo o dom do Espírito Santo, fala todas as línguas, de modo que todos se comunicam e se entendem.

“Os Apóstolos começaram a falar em todas as línguas. Aprouve a Deus, naquele momento, significar a presença do Espírito Santo, fazendo com que todo aquele que O tivesse recebido, falasse em todas as línguas.

Devemos compreender, irmãos caríssimos, que se trata do mesmo Espírito Santo pelo qual o Amor de Deus foi derramado em nossos corações.

O amor haveria de reunir na Igreja de Deus todos os povos da terra. E como naquela ocasião um só homem, recebendo o Espírito Santo, podia falar em todas as línguas, também agora, uma só Igreja, reunida pelo Espírito Santo, se exprime em todas as línguas.

Se por acaso alguém nos disser: ‘Recebeste o Espírito Santo; por que não falas em todas as línguas?’ devemos responder:

‘Eu falo em todas as línguas. Porque sou membro do Corpo de Cristo, isto é, da Sua Igreja, que se exprime em todas as línguas. Que outra coisa quis Deus significar pela presença do Espírito Santo, a não ser que Sua Igreja haveria de falar em todas as línguas?’

Deste modo, cumpriu-se o que o Senhor tinha prometido: Ninguém coloca vinho novo em odres velhos. Vinho novo deve ser colocado em odres novos. E assim ambos são preservados (cf. Lc 5,37-38).
       
Por isso, quando ouviram os Apóstolos falar em todas as línguas, diziam alguns com certa razão: Estão cheios de vinho (At 2,13).

Na verdade, já se haviam transformado em odres novos, renovados pela graça da santidade, a fim de que, repletos do vinho novo, isto é, do Espírito Santo, parecessem ferver ao falar em todas as línguas.

E com este milagre tão evidente prefiguravam a universalidade da futura Igreja, que haveria de abranger as línguas de todos os povos.

Celebrai, pois, este dia como membros do único Corpo de Cristo.

E não o celebrareis em vão, se realmente sois aquilo que celebrais, isto é, se estais perfeitamente incorporados naquela Igreja que o Senhor enche do Espírito Santo e faz crescer progressivamente através do mundo inteiro.

Esta Igreja Ele reconhece como Sua e é por ela reconhecida como seu Senhor. O Esposo não abandonou sua esposa; por isso ninguém pode substituí-la por outra.

É a vós, homens de todas as nações, que sois a Igreja de Cristo, os membros de Cristo, o corpo de Cristo, a esposa de Cristo, é a vós que o Apóstolo dirige estas palavras: Suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos em guardar a Unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4,2-3).

Reparai como, ao lembrar o Preceito de nos suportarmos uns aos outros, falou-nos do amor, e quando Se referiu à esperança da unidade, pôs em evidência o vínculo da paz.

Esta é a casa de Deus, edificada com pedras vivas. Nela o Eterno Pai gosta de morar; Nela Seus olhos jamais devem ser ofendidos pelo triste espetáculo da divisão entre Seus filhos.”

Com a celebração do grande acontecimento da Festa de Pentecostes, como Igreja reunida, acolhemos o dom do Espírito Santo, e com Ele, o Amor de Deus, que é derramado em nossos corações,

Somos membros de uma Igreja, edificada com pedras vivas, e todo esforço deve ser feito para que se supere o “triste espetáculo da divisão entre Seus filhos”, como refletimos na conclusão do Sermão.

O autor anônimo sabiamente nos exorta para que celebremos este dia como membros do único Corpo de Cristo. E para que não celebremos em vão, haveremos de ser realmente aquilo que celebramos.

Envolvidos pelo Amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos preenche com coragem e ousadia, sejamos arautos contumazes e intrépidos da “Alegria do Evangelho”, como nos exortou o Papa Francisco, e assim nos tornaremos  eternos aprendizes da mais bela linguagem universal: a linguagem do Espírito Santo, a linguagem de Deus, que consiste na linguagem do Amor.

Com o coração renovado, a cada dia, acolhamos o Vinho Novo do amor de Deus e, uma vez transbordante, seja derramado sobre quantos precisarem, porque sedentos de amor, vida, alegria e paz.

Pentecostes: A presença e ação do Espírito Santo (Pentecostes - Ano C)

                                                


Pentecostes: A presença e ação do  Espírito Santo

Com a Solenidade de Pentecostes (Ano C), celebraremos o nascimento da Igreja, na acolhida do Espírito Santo, para acompanhá-la, conduzi-la e assisti-la em sua missão.

O Espírito Santo é dom dado por Deus a todos que creem, comunicando vida, renovação, transformação, possibilitando o nascimento do homem novo e a formação da Comunidade Eclesial – a Igreja.

Com Sua presença, a Igreja testemunha a vida e a vitória do Ressuscitado, e nisto consiste a missão da comunidade: evangelizar com a presença e ação do Espírito Santo, que é a fonte de todos os dons, que devem ser postos a serviço de todos e não para benefício pessoal.

Lucas, na passagem da primeira Leitura (At 2,1-11), nos apresenta a comunidade que nasce do Ressuscitado, assistida pelo Espírito e chamada a testemunhar a todos os povos o Projeto Libertador do Pai.

A Festa de Pentecostes, que antes era uma festa agrícola (colheita da cevada e do trigo), a colheita dos primeiros frutos, ganhou novo sentido, tornou-se a festa histórica da celebração da Aliança, da acolhida do dom da Lei no Sinai e a constituição do Povo de Deus.

Mas, o mais belo e verdadeiro sentido que nos leva a celebrar é a acolhida do Espírito Santo. Deste modo, contemplamos o grande Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa.

O Espírito é apresentado em forma de língua de fogo, que consiste na linguagem do amor. Verdadeiramente, a língua do Espírito é o amor que torna possível a comunhão universal.

Caberá à comunidade construir a antibabel, a humanidade nova, que pauta a existência pela ação do Espírito, que reside no coração de todos como Lei suprema, como fonte de amor e de liberdade.

Reflitamos:
- Somos uma comunidade do Ressuscitado?
- Nossa comunidade é marcada por relações de amor e partilha?
- Empenhamo-nos em aprender a língua do Espírito, a linguagem do Amor?

- Qual é o espaço do Espírito Santo em nossas comunidades?
- Temos sido renovados pelo Espírito, orientando e animando nossa vida por Sua ação e manifestação?
- Somos uma comunidade que vive a unidade na diversidade, com liberdade e respeito?

Na passagem da segunda Leitura da Carta de Paulo aos Coríntios (1 Cor 12, 3-b-7.12-13), o Apóstolo nos fala de uma comunidade viva, fervorosa, mas com partidos, divisões e rivalidades entre os seus membros, e até mesmo certa hierarquia de categoria de cristãos.

Também aponta a importância da diversidade dos carismas. Porém, um só é o Senhor, um só é o Espírito do qual todos os dons procedem.

Insiste na unidade da comunidade como um corpo, onde todos têm sua importância, sua participação, cientes de que é a ação do Espírito que dá vida ao corpo de Cristo, fomenta a coesão, dinamiza a fraternidade e é fonte da verdadeira unidade.

Afasta-se, portanto, toda possibilidade de prepotência e autoritarismo dentro da Igreja.

"O dom do Espírito habilita o crente batizado a colocar as suas qualidades e aptidões ao serviço do crescimento e da vitalidade da Igreja.

Ninguém é inútil e estéril na Igreja quando se deixa guiar pelo Espírito de Deus que atua para o bem de todos.

O único obstáculo à ação vivificadora do Espírito é a tendência a considerar os seus dons como um direito de propriedade e não um compromisso ao serviço e à partilha recíproca” (1)

Reflitamos:

- Verdadeiramente, o Espírito Santo é o grande Protagonista da ação evangelizadora da Igreja?
- Colocamos com alegria os dons que possuímos a serviço do bem da comunidade e não a serviço próprio?

Na passagem do Evangelho (Jo 14,15-16.23b-26), numa ceia de despedida, Jesus assegura aos discípulos, inquietos e assustados com Sua eminente partida para junto do Pai, a vinda do Paráclito.

Sua missão será conduzir a comunidade em direção à verdade, à comunhão cada vez mais profunda, íntima e intensa com Ele. Tão somente assim, a comunidade se tornará a morada de Deus no mundo, no fiel testemunho da Salvação oferecida por Deus à humanidade.

Vivendo o Mandamento do Amor, permanecerão com Ele, e junto do Pai enviará o Defensor, o Paráclito:

“Se me amais, guardareis os meus Mandamentos, e Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não O vê nem O conhece” (Jo 14,  15.17a).

Após a missão de Jesus, caberá ao Paráclito assistir a comunidade que dará continuidade a esta:

Enquanto esteve com os discípulos, Jesus ensinou-os, protegeu-os, defendeu-os; mas, a partir de agora, será o Espírito que ensinará e cuidará da comunidade de Jesus.

O Espírito desempenhará, neste contexto, um duplo papel: em termos internos, conservará a memória da pessoa e dos ensinamentos de Jesus, ajudando os discípulos a interpretar esses ensinamentos à luz dos novos desafios; por outro, dará segurança aos discípulos, guiá-los-á e defendê-los-á quando eles tiverem de enfrentar a oposição e a hostilidade do mundo.

Em qualquer dos casos, o Espírito conduzirá essa comunidade em marcha pela história, ao encontro da verdade, da liberdade plena, da vida definitiva”. (2)

Renovemos a alegria de continuar a missão de Jesus, contando com a força e presença do Paráclito, do Espírito Santo, que conduz, ilumina, orienta, fortalece a Igreja, como tão bem vamos celebrar na Festa de  Pentecostes.

Também hoje a Evangelização coloca à nossa frente desafios, provações, inquietações. Não podemos estacionar nem recuar no testemunho da fé. Dar razão da esperança é preciso, pois Deus habita em nós e em Sua Igreja.

A razão de nossa esperança passa necessariamente pela qualidade do testemunho do nosso amor, que torna válida, frutuosa a nossa fé, fecundando o mundo novo, como instrumento da realização do Reino por Jesus inaugurado.


(1) Lecionário Comentado – Tempo da Quaresma/Páscoa – Editora Paulus - Lisboa - p.660. 

A comunhão necessária e a presença do Espírito (Ano C) (Pentecostes)


A comunhão necessária e a presença do Espírito

Na Solenidade de Pentecostes (Ano C), temos, como Leitura opcional, a passagem da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 8, 8-17).

Temos a realidade de uma comunidade cristã testemunhando a Boa-Nova de Jesus, numa presença libertadora e salvadora da vida humana.

A mensagem é explícita: O Espírito Santo somente se manifestará e atuará se a comunidade se propuser a viver uma fé integrada, numa família de irmãos que se reúnem em comunhão com o Pai e o Filho.

Para que a comunidade seja testemunha do Cristo Ressuscitado, como Igreja, não basta uma aceitação superficial da Palavra, nem manifestações humanas, ainda que sejam muito impressionantes.

Urge que ela tenha consciência de que não é uma célula autônoma, mas que viva e testemunhe a sua fé integrada em comunhão com a Igreja toda.

Como comunidade, para fazer parte da família de Jesus, deve acolher a autoridade e buscar o reconhecimento dos pastores da Igreja universal, e tão somente assim, manifestará nela o Espírito, a vida de Deus, participando da construção do Reino.



sexta-feira, 22 de maio de 2026

Evangelizar com a ação e presença do Espírito Santo

                                                                

                Evangelizar com a ação e presença do Espírito Santo

Alegrai-vos! O Espírito Santo repousa sobre nós!

 

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,14-22a).

 

Na Sinagoga de Nazaré, a Palavra de Deus se cumpriu: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim e me enviou para Evangelizar os pobres” (Lc 4,18), e para que esta mesma Palavra continue sendo anunciada, o mesmo Espírito continua repousando sobre a Igreja.

 

Urge a renovação de nossas forças e que sejamos enriquecidos com as luzes divinas, para que anunciemos a Boa-Nova na Cidade em que habitamos.

 

Invoquemos a Sabedoria do Espírito, para que correspondamos ao querer de Deus Pai de Misericórdia; para continuarmos, com alegria e dedicação, a missão realizada pelo Seu Filho Jesus, com a mesma fidelidade e compromisso, ao mundo sinalizando as alegrias do Reino.

 

Permaneçamos na  Cidade e Proclamemos a Boa Nova, ungidos pelo azeite da humana ternura e inebriados com o vinho da alegre esperança, numa atualização de Pentecostes, reaprendendo a linguagem do Espírito que sopra na Sua Igreja, comunicando o fogo do Amor, para sermos, com renovado ardor, portadores desta Boa-Nova.

 

Mesmo apostolado, mas não mesmos apóstolos; mesmo discipulado, novos discípulos; mesma missão, embora tempos e realidades diferentes. No entanto, sempre o mesmo Evangelho, e o mesmo Cristo, ontem, hoje e sempre (Hb 12,14).

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG