sábado, 23 de maio de 2026

A comunhão necessária e a presença do Espírito (Ano C) (Pentecostes)


A comunhão necessária e a presença do Espírito

Na Solenidade de Pentecostes (Ano C), temos, como Leitura opcional, a passagem da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 8, 8-17).

Temos a realidade de uma comunidade cristã testemunhando a Boa-Nova de Jesus, numa presença libertadora e salvadora da vida humana.

A mensagem é explícita: O Espírito Santo somente se manifestará e atuará se a comunidade se propuser a viver uma fé integrada, numa família de irmãos que se reúnem em comunhão com o Pai e o Filho.

Para que a comunidade seja testemunha do Cristo Ressuscitado, como Igreja, não basta uma aceitação superficial da Palavra, nem manifestações humanas, ainda que sejam muito impressionantes.

Urge que ela tenha consciência de que não é uma célula autônoma, mas que viva e testemunhe a sua fé integrada em comunhão com a Igreja toda.

Como comunidade, para fazer parte da família de Jesus, deve acolher a autoridade e buscar o reconhecimento dos pastores da Igreja universal, e tão somente assim, manifestará nela o Espírito, a vida de Deus, participando da construção do Reino.



sexta-feira, 22 de maio de 2026

Evangelizar com a ação e presença do Espírito Santo

                                                                

                Evangelizar com a ação e presença do Espírito Santo

Alegrai-vos! O Espírito Santo repousa sobre nós!

 

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,14-22a).

 

Na Sinagoga de Nazaré, a Palavra de Deus se cumpriu: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim e me enviou para Evangelizar os pobres” (Lc 4,18), e para que esta mesma Palavra continue sendo anunciada, o mesmo Espírito continua repousando sobre a Igreja.

 

Urge a renovação de nossas forças e que sejamos enriquecidos com as luzes divinas, para que anunciemos a Boa-Nova na Cidade em que habitamos.

 

Invoquemos a Sabedoria do Espírito, para que correspondamos ao querer de Deus Pai de Misericórdia; para continuarmos, com alegria e dedicação, a missão realizada pelo Seu Filho Jesus, com a mesma fidelidade e compromisso, ao mundo sinalizando as alegrias do Reino.

 

Permaneçamos na  Cidade e Proclamemos a Boa Nova, ungidos pelo azeite da humana ternura e inebriados com o vinho da alegre esperança, numa atualização de Pentecostes, reaprendendo a linguagem do Espírito que sopra na Sua Igreja, comunicando o fogo do Amor, para sermos, com renovado ardor, portadores desta Boa-Nova.

 

Mesmo apostolado, mas não mesmos apóstolos; mesmo discipulado, novos discípulos; mesma missão, embora tempos e realidades diferentes. No entanto, sempre o mesmo Evangelho, e o mesmo Cristo, ontem, hoje e sempre (Hb 12,14).

Pela força do Evangelho, o Espírito rejuvenesce a Igreja

                                                       

Pela força do Evangelho, o Espírito rejuvenesce a Igreja

Estamos na grande Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, e em preparação para a grande Festa de Pentecostes.

Esta citação “Da Constituição Dogmática Lumen Gentium” sobre a Igreja como luz do mundo, do Concílio Vaticano II (Séc. XX), muito nos ajuda na reflexão sobre a Missão do Espírito Santo na Igreja e a necessária Unidade dos Cristãos:

“Terminada na terra a obra que o Pai confiou ao Filho, o Espírito Santo foi enviado no Dia de Pentecostes a fim de santificar continuamente a Igreja e, por Cristo, no único Espírito, terem os fiéis acesso junto ao Pai.

Ele é o Espírito da vida, a fonte de água que jorra para a vida eterna. Por Ele, o Pai dá vida aos homens mortos pelo pecado, até ressuscitar em Cristo seus corpos mortais. O Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis como em um templo. Neles ora e dá testemunho da adoção de filhos.

Conduz a Igreja ao conhecimento da verdade total, unifica-a na comunhão e nos ministérios, ilumina-a com diversos dons carismáticos e hierárquicos e enriquece-a com seus frutos.

Pela força do Evangelho, rejuvenesce a Igreja, renovando-a constantemente e a conduz à perfeita união com seu Esposo. Pois o Espírito e a Esposa dizem ao Senhor Jesus: “Vem!”

Assim se apresenta a Igreja inteira como um povo reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O conjunto dos fiéis, consagrado pela unção do Espírito Santo, não pode enganar-se na fé.

Esta peculiaridade se exprime através do sentido sobrenatural da fé, quando na sua totalidade, a hierarquia e os fiéis leigos, manifestam um consenso universal em matéria de fé e costumes.

Com este senso de fé, formado e sustentado pelo Espírito da verdade, o povo de Deus, guiado pelo sagrado magistério a que obedece com fidelidade, acolhe não mais como palavras dos homens, mas, na realidade, a Palavra de Deus, e adere sem esmorecimento à fé que, uma vez para sempre, foi transmitida aos santos (Jd 3).

Nela penetra sempre mais profundamente, com reto julgamento, e cada vez mais plenamente a põe em prática em sua vida. Além disso, por meio dos Sacramentos e Ministérios, o Espírito Santo não apenas santifica e conduz o povo de Deus e o adorna com virtudes, mas ainda distribui a cada um Seus dons conforme quer (1Cor 12,11), e concede também graças especiais aos fiéis de todas as condições.

Torna-os assim aptos e disponíveis para assumir deveras obras ou funções, em vista de uma séria renovação e mais ampla edificação da Igreja, conforme foi dito:

A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum (1Cor 12,5). Estes Carismas devem ser recebidos com ação de graças e consolação. Pois, todos desde os mais extraordinários aos mais simples e comuns, são perfeitamente apropriados e úteis às necessidades da Igreja”.

Urge redescobrir cada vez mais as três Pessoas da Santíssima Trindade, cada uma com Sua missão própria no mistério e comunhão e unidade no rejuvenescimento da Igreja.

Que a força do Espírito Santo continue rejuvenescendo a vida da Igreja, e assim, vivamos a Missão que o Senhor nos confiou para que o Reino de Deus se torne presente em nosso meio.

Não basta ser batizado, é preciso que sejamos Discípulos Missionários do Senhor. Não importa o tempo, o lugar...

É sempre tempo de irradiar a luz, a alegria, a força, a vitalidade que o Espírito derrama, abundantemente, em nós, para quem precisa, sobretudo, àqueles que em nada mais acreditam, reacendendo a esperança daqueles que nada mais esperam!

PS: Liturgia das Horas - Vol. II - Quaresma/Páscoa - pág. 890-891.

Fortalecei a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)

                                                     


Fortalecei a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)

“Uma fidelidade que gera futuro”

Senhor, dai-nos a graça de viver uma fidelidade que gere futuro, vivendo com zelo de Pastor a identidade presbiteral, para que sejamos sacerdotes segundo o amor do Coração de Jesus.

Renovai a chama do primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um rumo decisivo em nossas vidas; aquele memorável encontro que o Senhor nos amou, escolheu, chamou e nos confiou a graça da vocação de discípulos Seus.

Nos passos do Bom Pastor, a Ele configurados, firmemos os passos na familiaridade com Ele, envolvendo toda a nossa pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo indesejáveis.

Senhor, que a cada dia, na fidelidade e serviço,  nossa vida seja oferecida ao celebrar o Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na absolvição dos pecados;  na generosa dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e passam necessidades.

Concedei-nos sabedoria, para viver o chamado ao Ministério Ordenado como dom livre e gratuito de Deus e que nossa vida seja uma resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvidos pela divina ternura que sabe trabalhar com nossas fragilidades e limitações.

Abertos ao sopro do Espírito, que conduz a Igreja que amamos e servimos, como alegres discípulos missionários do Senhor, cuidemos da formação permanente, acompanhada da conversão cotidiana  e da vigilância necessária, para que não caiamos na tentação do imobilismo ou o fechamento.

Fortalecei-nos na fidelidade à fraternidade, estabelecendo vínculos de comunhão com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal modo que a fraternidade presbiteral seja elemento constitutivo do Ministério a nós, pela Igreja confiado; jamais mergulhados na empobrecedora solidão ou reclusão em si mesmo.

Sejam a concórdia e harmonia na caridade um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade irrepreensível, para que cada vez mais sejamos inseridos na fecunda comunhão de Amor da Vida Trinitária.

Na fidelidade e sinodalidade, abertos ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vivamos sadia e fecunda relação no cuidado de nossas comunidades, sem jamais concentrar tudo nas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; para que, então, vivamos o Ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios; edificando assim uma Igreja sinodal e missionária e ministerial.

Na fidelidade e missão, exalemos o odor do óleo que ungiu as nossas mãos em alegre atitude de doação, serviço, com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si mesmos, assustados pelos contextos nos quais inseridos.

Na graça da missão, o fogo da caridade pastoral garanta o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero, concedendo o equilíbrio na vida cotidiana e a missão alcance todas as dimensões da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).

Dai-nos sabedoria para vivermos a harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade; e com João Batista, aprendamos a nos fazer pequenos para que Ele, Jesus, cresça e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).

Na necessária presença no mundo midiático, que o uso das redes sociais e todos seus instrumentos à disposição sejam sempre avaliados e usados com sabedoria, sem perder o paradigma do discernimento para ver o que de fato contribui para a sadia evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico! Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).

Que a cada dia, a fidelidade e futuro se façam presentes em nossa vida Ministerial, empenhados num renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais nos esquecermos que “não há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.

Contamos e confiamos na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, para que vivamos “um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.

 

PS: Oração para os Presbíteros inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.

Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral

                                                                      


Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral

“Uma fidelidade que gera futuro”

A fecundidade do ministério presbiteral é diretamente proporcional à fidelidade vivida, garantia de um futuro fecundo.

Deste modo,  o presbítero viverá com zelo de Pastor a identidade presbiteral, para que seja sacerdote segundo o amor do Coração de Jesus.

A cada dia, será renovada a chama do primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um rumo decisivo à sua vida; aquele memorável encontro que o Senhor o amou, escolheu, chamou e confiou a graça da vocação de discípulos Seu.

Nos passos do Bom Pastor, a Ele configurado, tem os passos firmados e cresce na familiaridade e íntima amizade com Ele, de tal modo que, é envolvida toda a sua pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo indesejáveis.

A fidelidade deve ser expressa no serviço, na fraternidade, na sinodalidade, na missão gera futuro:

- Fidelidade e serviço uma vida oferecida ao celebrar o Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na absolvição dos pecados; na generosa dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e passam necessidades.

Conta com a sabedoria divina para viver o chamado ao ministério ordenado, como dom livre e gratuito de Deus, e sua vida é generosa resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvido pela divina ternura que sabe trabalhar com as fragilidades e limitações humanas.

Tão somente aberto ao sopro do Espírito, que conduz a Igreja, cuida da formação permanente, acompanhada da cotidiana conversão e vigilância, para que não caia na tentação do imobilismo ou o fechamento.

- Fidelidade à fraternidade - imprescindível o estabelecimento de vínculos de comunhão com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal modo que a fraternidade presbiteral é elemento constitutivo do ministério pela Igreja confiado; jamais mergulhado na empobrecedora solidão ou reclusão em si mesmo.

A concórdia e harmonia na caridade será um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade irrepreensível, para que cada vez mais  inserido na fecunda comunhão de Amor da Vida Trinitária.

- Fidelidade e sinodalidade - aberto ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vive sadia e fecunda relação no cuidado das  comunidades, sem jamais concentrar tudo em suas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; e assim vive o ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios na edificação de uma Igreja ministerial, sinodal, misericordiosa e missionária.

- Fidelidade e missão exala o odor do óleo que ungiu as suas mãos em alegre atitude de doação, serviço, com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si mesmo, assustado pelos contexto nos qual inserido.

Na graça da missão, o fogo da caridade pastoral garante o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero na vida cotidiana, de tal modo que a missão alcança todas as dimensões da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).

Na missão vivida com sabedoria, cuida da necessária harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade; e com João Batista, aprende a se fazer pequeno para que Ele, Jesus, cresça e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).

Na necessária presença no mundo midiático, usa as redes sociais e todos seus instrumentos à disposição com discernimento e sabedoria, para ver o que de fato contribui para a sadia evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico! Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).

- Fidelidade e futuro empenha-se na vivência do ministério, por um renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais se esquecer que “não há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.

Por fim, pode contar e confiar na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, para que viva “um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.

 

PS: Reflexão inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.

Sejamos um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus

                                                 

Sejamos um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus

“Pela misericórdia de Deus...”

As palavras do Apóstolo Paulo, revigoram e iluminam nosso discipulado, a fim de que sejamos peregrinos da esperança, em plena  fidelidade à missão que Jesus nos confiou:

“Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: Este é o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito”. (Rm 12,1-2)

A vida do apóstolo Paulo é a história de um coração extremamente apaixonado e seduzido por Deus, e exorta-nos a assumir atitudes coerentes com a fé que professamos.

Também nos exorta para que assumamos  atitudes coerentes com a fé que professamos, tornando nossa vida um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, não nos conformando ao mundo em que vivemos, mas configurando-nos ao Senhor e Seu Evangelho, oferecendo nossa vida inteiramente a Deus.

Portanto, exige de nós transformação e conversão de nossa maneira de pensar e julgar, não nos deixando moldar pela lógica do mundo, mas pela lógica do Evangelho, procurando sempre o que é agradável a Deus.

O Apóstolo exorta em nome da misericórdia divina, para que façamos progressos espirituais cada vez maiores, e alguns verbos são expressivos nos ajudam a fortalecer nossos passos em processo contínuo de conversão e de configuração ao Senhor, como sacrifícios a Ele agradáveis:

1º – “a vos oferecerdes” - urge que sejamos sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, pois nisto consiste o verdadeiro e frutuoso culto espiritual. Fazer da vida uma eterna e agradável oferenda a Deus, sobretudo colocando nossa vida no Cálice Sagrado do Senhor, configurados a Ele no Seu Mistério de Paixão e Morte, celebrando piedosa, ativa e frutuosamente a Sua Memória.

2º – “Não vos conformeis com o mundo” – ou seja, não compactuar com a mentalidade do mundo, para que sal, luz e fermento sejamos, como bem nos falou o Senhor, nas passagens evangélicas, e próprio Apóstolo Paulo na Carta aos Filipenses, sobre ter os mesmos sentimentos de Jesus (Fl 2,5).

3º – “transformai-vos” – implica viver em permanente atitude de conversão, para que melhor correspondamos aos desígnios de Deus, dando passos sucessivos na escala da perfeição e santidade.

4º – “renovando vossa maneira de pensar e julgar” – a fim de que sejamos moldados pela mão de Deus, porque obras imperfeitas e inacabadas somos.

5º – “distinguir o que é a vontade de Deus” – discernir entre bem e o mal; a mentira e o ódio; o justo e desejável por Deus; o pecado e a graça; o que conduz à vida ou à morte; enfim, fazer o bom uso da liberdade de arbítrio, que por Ele nos foi concedida.

Deste modo, viver um culto agradável a Deus, consiste em viver no amor, no serviço, na doação em entrega a Deus e aos irmãos; e urge, pois, rever o grande sinal que nos identifica, o Sinal da Cruz, que tantas vezes fazemos, e, por vezes, sem pensar no que o gesto implica: carregar a cruz com fé, coragem e fidelidade, como ponte necessária para a eternidade. Sem cruz, não há como conceber e alcançar a eternidade.

Urge que integremos o culto e a vida, fortalecendo os pilares de nossas comunidades, como tão bem expressam as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil – Conferência Nacional do Brasil – CNBB – 2019-2023): os pilares da Palavra, do Pão, da Caridade e da Ação Missionária.

Quando o culto e a vida andam de mãos dadas, tornam-se agradáveis a Deus, e Jesus Cristo é, verdadeiramente, Senhor de nossa vida e Rei do Universo.

Reflitamos:

 - O que precisamos rever em nossa vida de fé (pensamentos, palavras e ações), para melhor correspondermos aos desígnios de Deus, de tal modo, que nossa vida seja um culto agradável ao Senhor?

 - Como estamos carregando nossa cruz de cada dia?

- Quais as renúncias necessárias?

- Como vivemos as  palavras que o Senhor nos ensinou, na Oração do “Pai-Nosso”  – “Seja feita a Vossa vontade...”?

Concluindo, se necessário e possível, procuremos o Sacramento da Penitência, para confessarmos nossos pecados.  

Absolvidos, iniciemos um novo caminho, com santos propósitos de progressos maiores ainda no caminho de santidade, a vocação de todos nós, vivendo a vida nova que recebemos no dia do Batismo, e assim irradiaremos a luz divina em todo tempo e em todo o lugar.

 

Sejamos discípulos do Senhor, e não há outro caminho, senão o caminho da cruz; viver corajosamente a “A loucura da Cruz”, de tal modo que o sacrifício vivo seja acompanhado da necessária conversão.

 

Fonte: Lecionário comentado – Tempo Quaresma e Páscoa – Editora Paulus – 2011 – p. 202

PS: Oportuno para o Tempo da Quaresma e em todo o tempo.

“Se me amares, cuidarás do meu rebanho”

                                                 

“Se me amares, cuidarás do meu rebanho” 
“Sua própria renegação é uma lição:
não esqueceu o Amor de Cristo, aprendeu o temor
de si, não renunciou à caridade, mas encontrou a humildade”
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 21,15-19), sobre a tríplice indagação do Senhor a Pedro sobre o seu amor por Ele, para que seja confirmado no apascentar do rebanho.

Não é por acaso que Jesus pergunta três vezes a Pedro se ele O ama, pois quem quiser participar da missão evangelizadora da Igreja,  deve se questionar constantemente sobre o seu verdadeiro e incondicional amor a Jesus.

Este amor é condição fundamental e imprescindível  para que possamos participar da missão evangelizadora da Igreja, pois qualquer outra motivação é insuficiente, e está fadada ao fracasso, por vezes mais rápido do que se possa pensar.

Oportuno o comentário do Missal Cotidiano sobre este diálogo de Jesus com o Apóstolo:

“Para dirigir os outros é necessário antes de tudo dar provas de amor maior. Mas é facílimo dizer: ‘Amo-te’. Pode ser uma declaração vazia, pode ser também uma declaração sincera, nascida, porém do entusiasmo e da presunção pessoal.

Pedro, a quem Jesus reserva uma função que exige, sobretudo, grande amor e grande fidelidade, era levado com demasiada facilidade a tais compromissos, jurando uma fidelidade e um amor que, diante dos fatos, se mostraram frágeis e  incertos.

Jesus não pretende, com suas perguntas, lembrar a Pedro um episódio desagradável. Pedro deve saber que sua vocação ao primado pastoral não depende de seu mérito, nem está ligada a ele, e sim à eleição de Deus; por isso, deverá ter maior amor. Sua própria renegação é uma lição: não esqueceu o Amor de Cristo, aprendeu o temor de si, Não renunciou à caridade, mas encontrou a humildade.”.(1)

Como discípulos missionários do Senhor, no cuidado do rebanho a nós confiado, precisamos renovar este amor a cada dia, buscando formas múltiplas para o seu aprofundamento.

O momento ápice é através da participação na Eucaristia, acompanhada da leitura e meditação da Palavra, na prática cotidiana da “Leitura Orante”; somando-se à celebração e vivência dos Sacramentos, que nascem e se voltam para a Eucaristia, como a Penitência e todos os outros.

É preciso o cultivo da vida interior e a vivência cada vez maior do amor para com os pobres e necessitados, reconhecendo neles a presença do próprio Jesus, a quem devemos amar, cuidar, acolher e servir, como Ele tão bem Se expressou sobre o julgamento final (Mt 25, 31-46).

Renovemos, também nós, nosso tríplice sim de amor às perguntas de Jesus. E, assim, prisioneiros do Espírito, inflamados por Seu Amor, vivamos total liberdade no trilhar as veredas da história, na fidelidade ao Projeto que Deus tem para nós.


(1) Missal Dominical, Editora Paulus, 1995
PS: Reflexão apropriada para a passagem do Evangelho de João (Jo 20,1-19)

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG