terça-feira, 7 de abril de 2026

O transbordamento da Alegria Pascal e o compromisso batismal

                                                              

O transbordamento da Alegria Pascal e o
compromisso batismal

Estamos vivendo o transbordamento da alegria Pascal. A vida venceu a morte, o amor de Deus falou mais forte, pois Ele tem a última e definitiva Palavra. Não podia calar para sempre a Palavra que se Encarnou por amor incondicional, total, extremo, por nós: Jesus.

Depois de percorrido um Itinerário Quaresmal longo e frutuoso, com Oração, jejum e partilha, em atitudes de sincera e necessária conversão, reconciliação com Deus e com os irmãos e irmãs, estamos vivendo o Tempo Pascal com a riqueza imensurável da Palavra proclamada.

Dentre as tantas passagens que a Liturgia Pascal nos oferece, ressalto a caminhada dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35). Três dias haviam passado, depois da morte d'Aquele no qual colocavam toda a esperança, e nada aconteceu, segundo a lógica existencial e humana daqueles discípulos (Cléofas e seu companheiro).

Somente a presença do Ressuscitado, com eles caminhando, explicando-lhes as Escrituras, e somente a acolhida em sua casa –“fica conosco, pois cai a tarde e o dia já declina” – na partilha do pão abençoado, assentados à mesa, é que O reconhecem como Aquele que agora vive: Ressuscitou! Aleluia!

Era tarde para que o peregrino Jesus continuasse o caminho, mas não bastante escuro e tarde, para que eles fossem imediatamente ao encontro dos outros discípulos para contar o acontecido. A escuridão exterior foi vencida pela luz interior que o Ressuscitado nos oferece.

A Palavra comunicada, explicada, acolhida no mais profundo do ser, fez com que seus corações ardessem. No Pão partilhado, seus olhos foram abertos para o reconhecimento e a mais bela contemplação: a presença e a Vida do Cristo Ressuscitado!

Corações ardentes, olhos abertos. É tempo de uma fé Pascal; fé que se manifesta em ações concretas, e que se torna missão.

A fé Pascal, iniciada para os discípulos no encontro com o Ressuscitado, é a fé que todos nós cristãos devemos continuamente e corajosamente amadurecer em nossa vida pessoal e de compromissos pastorais, vivendo a vida nova do Batismo, com o selo do Espírito, na fidelidade ao Pai, prolongando a vida e ação de Jesus.

Uma fé Pascal exige todo o reconhecimento de que Aquele que é o vivente entre nós e conosco caminha, continua a ser para sempre o Crucificado e a Sua história de sofrimento não foi anulada com a Ressurreição.

A fé Pascal nos provoca o lançar de um olhar completamente novo sobre a realidade, em renovados compromissos com o Reino.

É Páscoa! Que nossos corações ardam cada vez mais, nossa mente e olhos se abram, para que passos sejam firmados no testemunho da Vida do Ressuscitado. 

É Páscoa! Vivamos intensamente o Amor de Deus que nos transforma e nos coloca em imediato compromisso com os desfigurados da história.

Somente quem ama, vê e crê na presença do Ressuscitado, poderá viver o que o Apóstolo Paulo chamou de loucura da cruz, que nos configura a Cristo, Morto e Ressuscitado.

Vivamos sempre uma fé Pascal. Amém. Aleluia! Aleluia!

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Na solidão da noite, a fogueira foi acesa

                                                         

Na solidão da noite, a fogueira foi acesa

"O amor de Deus foi derramado em nossos corações 
pelo Espírito Santo que nos foi dado" (Rm 5,5)

Na solidão do quintal acendi minha fogueira,
e como que uma corte celestial de anjos,
traziam lenhas para mantê-la acesa.
Ouvia o crepitar das chamas, 
como uma suave melodia cantando aos céus.

Olhando para as chamas, pedi a Deus que em meu coração,
Também fossem acesas, e que jamais se apaguem,
Bem como no coração de tantos quantos oro e nele carrego.
Seja nosso coração reflexo e sinal da Folha Ardente de Caridade:
O doce amado Sagrado Coração de Jesus.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, fogo crepitante.
Fui queimando meus pensamentos negativos,
Possíveis medos, inseguranças e angústias tão humanas.
Fossem também queimados os mesmos de tantos que
A vida com sonhos, pesadelos, cansaços e esperanças comigo compartilham.

Supliquei a Deus que fossem queimados para sempre
A hipocrisia, a ganância, chagas abomináveis dos preconceitos,
A banalização do mal e a violação da sacralidade da existência humana.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, músicas pelos anjos cantadas.
Não há quadrilhas, bebidas típicas que venham à memória.
Mas vem um novo canto de um inédito amanhecer.
Onde o mal cede lugar ao bem, o ódio ao amor, a morte à vida.
Um suave canto de louvor pela criação e criaturas.
Não mais abusadas, vilipendiadas, destruídas,
E nossa Casa Comum melhor cuidada, porque não fala mais alto
A ambição desmedida do lucro, sobrepondo-se à beleza da vida.

Na solidão do quintal, fogueira acesa, bebidas pelos anjos servidas,
Pré-anunciando um banquete celestial por Deus para nós preparado.
Saciados no tempo presente pela bebida do néctar do amor divino,
Refazemos nossas forças, celebrando a beleza da vida,
Tão ameaçada, machucada, esmagada, insanamente destruída.
Néctar do amor, bebida que nos cura de nossa loucura destruidora,
Bebida e saboreada porque não permite a eternidade da noite escura
E na luminosidade divina confia, nesta superação, necessária travessia.

As fogueiras não foram acesas, dirão; responderei: de fato.
Não nos encontramos, não ouvimos músicas como outrora.
Não saboreamos delícias das festas juninas.
Não hasteamos bandeiras, tão pouco dançamos quadrilha.
Nem pipoca, nem batata-doce, canjica, pé-de-moleque,
Nem qualquer outra comida ou bebida.
Talvez para que reaprendamos esta beleza, por ora esquecida,
Do encontro, da festa, da vida, do sorriso, da fraterna vivência.

Na solidão do quintal, fogueira acesa?
No coração com certeza, mais que acesa,
Para que vençamos o frio da noite prolongada que vivemos.
E brevemente, podermos celebrar,
E falar das fogueiras tantas que Deus vai acendendo:
A chama do fogo do amor do Espírito,
Que em nossos corações, pelo Espírito foi derramada,
Como tão bem expressou o Apóstolo Paulo (Rm 5,5). 
Amém. Aleluia!

A floresta de nossos sonhos

                                              


A floresta de nossos sonhos


Sonhos, quem não os tem, ora belos, ora nem tanto assim.

Sonhos que ora nos movem, ora nos inquietam...

Se somados um ao outro, formam uma grande floresta.

Não haveria floresta sem a menor das sementes, folhas e flores.

 

Viver é ter coragem de visitar a floresta de nossos sonhos.

Sonhos que podem ser simples devaneios,

Sem conexão com as marcas da realidade inserida;

Mas, se relidos, podem alargar horizontes de medos e mesquinhez.

 

Sonhos de loucos, de esperanças vãs e insensatas,

De impossível realização, poderão dizer alguns,

Ou apenas o silêncio, palavras contidas,

Pela ausência da coragem, de sincera expressão.

 

Sonhos acordados de poetas nas florestas encantadas,

Enamorados pela vida, olhar transcendente,

Que colore o cinza triste de paisagens sombrias

E emprega a luminosidade para vencer o horror da escuridão.

 

Adentrar as florestas de nossos sonhos em todas as estações.

No verão, refrescar nas fontes revitalizantes da Palavra divina;

Na primavera, não desistir de contar as flores de suave perfume;

No inverno, aquecer-se na fogueira com o Fogo Divino.

 

No outono, coragem de contemplar folhas caídas,

Podas necessárias para um novo germinar, florescer,

Na certeza de que frutos não haverão de faltar:

Saborosos frutos do Espírito, Ele há de nos conceder.

 

Assim são as florestas de nossos sonhos a serem visitadas.

Nelas, por vezes, espaços desertificados ou ajardinados.

Dias difíceis, tempos de escuridão e secura da alma,

Outros, nutridos em “cascatas de leite e mel”. Adentremos...

“Nunc Dimittis”

                                                          


“Nunc Dimittis”

A Igreja reza à noite, todos os dias, a Oração das Completas, e nela está contido o “Nunc Dimittis” - "agora deixe partir",  rezado por Simeão, homem justo e piedoso, quando da apresentação do Senhor no Templo (Lc 2,29-32).

Cristo, Luz das nações e glória de Seu povo, é um cântico evangélico que pode também ser rezado por quantos puderem nas orações da noite, ao terminar um dia de intensas atividades, preocupações e eventual cansaço, para um bom descanso e um novo dia bem iniciado:

“Antífona: Salvai-nos, Senhor, quando velamos, guardai-nos também quando dormimos! Nossa mente vigie com o Cristo, nosso corpo repouse em Sua paz!

“–29 Deixai, agora, Vosso servo ir em paz,
conforme prometestes, ó Senhor.

30 Pois meus olhos viram Vossa salvação
31 que preparastes ante a face das nações:

32 uma Luz que brilhará para os gentios
e para a glória de Israel, o Vosso povo.”

– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. 
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Antífona: Salvai-nos, Senhor, quando velamos, guardai-nos também quando dormimos! Nossa mente vigie com o Cristo, nosso corpo repouse em Sua paz!

Rezando com os Salmos - Salmo 20 (21)

 


Com o Senhor Jesus, mais que vencedores

“–1 Do mestre de canto. Salmo. De Davi.

–2 Ó Senhor, em Vossa força o rei se alegra;
quanto exulta de alegria em Vosso auxílio!
–3 O que sonhou seu coração, lhe concedestes;
não recusastes os pedidos de seus lábios.

–4 Com bênção generosa o preparastes;
de ouro puro coroastes sua fronte.
–5 A vida ele pediu e Vós lhe destes
longos dias, vida longa pelos séculos.

–6 É grande a sua glória em Vosso auxílio;
de esplendor e majestade o revestistes.
–7 Transformastes o seu nome numa bênção,
e o cobristes de alegria em Vossa face.

–8 Por isso o rei confia no Senhor,
e por seu amor fiel não cairá.

–9 Que Vossa mão alcance os Vossos inimigos
e Vossa destra esmague os Vossos adversários.
–10 Colocai-os na fornalha abrasadora,
quando o fulgor de Vossa face aparecer.

– Queimai-os, ó Senhor, em Vossa ira,
devorai-os como a chama da fogueira.
–11 Da terra extirpai a sua prole
e a sua descendência dentre os homens.

–12 Pois contra Vós tramam o mal, armam ciladas,
mas nada obterão com suas tramas.
–13 Porque Vós os obrigais a pôr-se em fuga
com Vosso arco, apontando suas faces.

–14 Levantai-vos com poder, ó Senhor Deus,
e cantaremos celebrando a Vossa força!”

O Salmo 20(21) é uma Ação de Graças pela vitória do Rei:

“O povo reza agradecido pela vitória do rei, cuja força e poder são dons de Deus. Assim, as vitórias do rei são vitórias de Deus. O rei não poderá usar essa força para oprimir o povo ou implantar projetos pessoais. Ele é instrumento de Deus na construção de uma sociedade justa e fraterna. A vitória do rei é a vitória do povo.” (1)

Este Salmo o rezamos com seus acenos messiânicos e escatológicos, de modo que, ao rezá-lo, glorificamos a Jesus Cristo, o Rei e Senhor do Universo, pois como afirma Santo Irineu, o Cristo ressuscitado recebeu a vida para sempre.

Ao glorificarmos o Senhor, renovemos a alegria de sermos Seus discípulos missionários, e com Ele mais que vencedores, como nos falou o Apóstolo Paulo:

“Mas em todas essas coisas, somos bem mais que vencedores, graças Àquele que nos amou. 

Pois estou convencido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do Amor de Deus, manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (cf. Rm 8,37-39).

 

 

(1) Nota da Bíblia Edição Pastoral – Editora Paulus

Rezando com os Salmos - Sl 77(78)

 


A irrevogável bondade divina e as nossas infidelidades


–1 Escuta, ó meu povo, a minha Lei,
ouve atento as palavras que eu te digo;
–2 abrirei a minha boca em parábolas,
os mistérios do passado lembrarei. 

–3 Tudo aquilo que ouvimos e aprendemos,
e transmitiram para nós os nossos pais,
–4 não haveremos de ocultar a nossos filhos,
mas à nova geração nós contaremos: 

– As grandezas do Senhor e Seu poder,
as maravilhas que por nós realizou;
–5 um preceito em Jacó Ele ordenou,
uma lei instituiu em Israel.

– Ele havia ordenado a nossos pais
que ensinassem estas coisas a Seus filhos,
–6 para que a nova geração as conhecesse
e os filhos que haveriam de nascer. 

– Levantem-se e as contem a seus filhos,
7 para que ponham no Senhor sua esperança;
– das obras do Senhor não se esqueçam,
e observem fielmente os seus preceitos. 

–8 Nem se tornem, a exemplo de seus pais,
rebelde e obstinada geração,
– uma raça de inconstante coração,
infiel ao Senhor Deus, em seu espírito. 

–9 Os filhos de Efraim, hábeis no arco,
no dia do combate debandaram;
–10 não guardaram a Aliança do Senhor,
recusaram-se a andar na sua Lei. 

–11 Esqueceram os seus feitos gloriosos
e os prodígios que outrora lhes mostrara;
–12 na presença de seus pais fez maravilhas,
no lugar chamado Tânis, lá no Egito. 

–13 Rasgou o mar e os conduziu através dele,
levantando as Suas águas como um dique;
–14 durante o dia orientou-os pela nuvem,
e de noite por um fogo esplendoroso. 

–15 Rochedos no deserto Ele partiu
e lhes deu para beber águas correntes;
–16 fez brotar água abundante do rochedo,
e a fez correr como torrente no deserto.

–17 Mas pecaram contra Ele sempre mais,
provocaram no deserto o Deus Altíssimo;
–18 e tentaram o Senhor nos corações,
exigindo alimento à sua gula. 

–19 Falavam contra Deus e assim diziam:
‘Pode o Senhor servir a mesa no deserto?’
–20 Eis que fere os rochedos num momento
e faz as águas transbordarem em torrentes.
– “Mas será também capaz de dar-nos pão,
e a Seu povo poderá prover de carne?”

=21 A tais palavras, o Senhor ficou irado,
uma fogueira se ateou contra Jacó,
e Sua ira se acendeu contra Israel;
–22 porque não creram no Senhor Deus de Israel,
nem tiveram confiança em sua ajuda.

–23 Ordenou, então, às nuvens lá dos céus,
e as comportas das alturas fez abrir;
–24 fez chover-lhes o maná e alimentou-os,
e lhes deu para comer o pão do céu.

–25 O homem se nutriu do pão dos anjos,
e mandou-lhes alimento em abundância;
–26 fez soprar o vento leste pelos céus
e fez vir, por seu poder, o vento sul. 

–27 Fez chover carne para eles como pó,
choveram aves como areia do oceano;
–28 elas caíram sobre os seus acampamentos
e pousaram ao redor de suas tendas. 

–29 Eles comeram e beberam à vontade;
o Senhor satisfizera os seus desejos.
–30 Mal, porém, se tinham eles saciado,
e a comida ainda estava em suas bocas,

=31 inflamou-se a sua ira contra eles
e matou os mais robustos entre o povo,
abatendo a fina flor de Israel.

–32 Com tudo isso, eles pecaram novamente,
não deram fé às maravilhas do Senhor.
–33 Foram seus dias consumidos como um sopro,
e seus anos bem depressa se encurtaram. 

–34 Quando os feria, eles então o procuravam,
convertiam-se correndo para Ele;
–35 recordavam que o Senhor é sua rocha
e que Deus, seu Redentor, é o Deus Altíssimo. 

–36 Mas apenas o honravam com seus lábios
e mentiam ao Senhor com suas línguas;
–37 seus corações enganadores eram falsos
e, infiéis, eles rompiam a Aliança. 

–38 Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo,
não os matava e perdoava seu pecado;
– quantas vezes dominou a sua ira
e não deu largas à vazão de seu furor.
–39 Recordava-se que eles eram carne,
sopro que passa e jamais torna a voltar. 

–40 Quantas vezes o tentaram no deserto
e provocaram Seu furor na solidão!
–41 Eles tentavam o Senhor sempre de novo,
e irritavam o Deus Santo de Israel;
–42 não se lembravam do poder de Sua mão
nem do dia em que os livrou do opressor; 

–43 quando fez tantos milagres no Egito,
Seus prodígios no lugar chamado Tânis;
–44 em sangue fez mudarem os seus rios,
para que deles não pudessem mais beber. 

–45 Mandou-lhes moscas com o fim de devorá-los,
e também rãs que infestaram toda a terra;
–46 pragas vorazes devoraram suas colheitas,
e gafanhotos, o produto de seus campos. 

–47 Arrasou as suas vinhas com granizo
e com geada destruiu suas figueiras;
–48 a saraiva acabou com o seu gado
e a peste exterminou o seu rebanho. 

–49 Descarregou todo o ardor de Sua ira,
a angústia e o terror em cima deles;
– com multidões de mensageiros da desgraça,
50 deu livre curso à vazão de Seu furor. 

– Da morte não poupou as suas almas,
e à peste entregou as suas vidas;
–51 feriu os primogênitos do Egito,
as primícias dos varões de suas tendas.

–52 Fez sair seu povo eleito como ovelhas,
conduziu-os qual rebanho no deserto;
–53 Ele os guiou com segurança e sem temor,
mas encobriu seus inimigos com o mar. 

–54 Conduziu-os para a Terra Prometida,
para o Monte que seu braço conquistou;
–55 expulsou diante deles outros povos
e repartiu-lhes suas terras como herança. 

– Nas tendas de outros povos fez morar
todas as tribos e as famílias de Israel.
–56 Mesmo assim, eles tentaram o Altíssimo,
recusando-se a guardar os seus preceitos.

–57 Como seus pais, se transviaram, e o traíram
como um arco enganador que volta atrás;
–58 irritaram-no com seus lugares altos,
provocaram-lhe o ciúme com seus ídolos. 

–59 Deus ouviu e enfureceu-se contra eles,
e repeliu com violência a Israel;
–60 abandonou o tabernáculo de Silo
e a tenda em que morava em meio aos homens. 

–61 Entregou a Sua arca ao cativeiro,
e às mãos do inimigo a sua glória;
–62 fez perecer seu povo eleito pela espada,
e contra a sua herança enfureceu-se. 

–63 O fogo devorou seus filhos jovens,
as suas virgens não puderam mais casar;
–64 seus sacerdotes pereceram pela espada,
suas viúvas não puderam mais chorar.

–65 Mas o Senhor se despertou, como de um sono,
como um guerreiro dominado pelo vinho;
–66 feriu seus inimigos pelas costas
e entregou-os à vergonha sempiterna. 

–67 Rejeitou então a tenda de José,
e a tribo de Efraim não escolheu;
–68 preferiu, porém, a tribo de Judá
e o monte de Sião que sempre amou. 

–69 E construiu seu santuário como um céu,
como a terra que firmou eternamente.
–70 A Davi, seu servidor, Ele escolheu
e tirou-o do aprisco das ovelhas; 

=71 ovelhas e cordeiros fez deixar,
para seu povo de Jacó pastorear,
e a Israel que escolheu por sua herança;
–72 com reto coração apascentou-os
e com mão habilidosa os conduziu.”

Com o Salmo 77(78) refletimos e rezamos sobre a infinita e indizível bondade de Deus e a infidelidade do Seu povo ao longo da história da Salvação:

“Salmo histórico-didático. O sábio deve revelar o que se esconde na memória (v.2), para que o povo agradeça a Deus o bem que fez e não repita os erros e a ingratidão de seus pais. Da memória do passado, o salmista tira sobretudo a lição da confiança em Deus. A recordação do passado termina na eleição de Davi, início de um futuro ‘messiânico’”. (1)

O Apóstolo Paulo na Primeira Carta aos Coríntios afirma:

“Esses acontecimentos se tornaram exemplos pra nós, a fim de não desejarmos coisas más, como eles desejaram.” (1 Cor 10,6).

Oportuno que retomemos na íntegra a passagem (1 Cor 10,1-13).

Deste modo, é sempre tempo de contemplarmos a onipotência da misericórdia divina, e fazer uma necessária revisão das páginas de nossa história, para que melhor correspondamos ao Projeto de Vida que Ele tem para nós, superando toda e qualquer forma de infidelidade, porque traz consigo amargos frutos não queridos por Ele para toda a humanidade. 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 791

 

Pássaro solitário

                                   

Pássaro solitário

“Espere no Senhor. Seja forte! Coragem!
Espere no Senhor.”
(Sl 27,14)

Como que sem vontade de voar,
Olhar fixo no horizonte do nada,
Por algum tempo, um pássaro ali parado.
E meu olhar fixo nele, à distância

Não queria que ele voasse.
Não por mais um instante.
Aquela solidão, um céu cinza de fundo,
Reportam à solidão de muitos,

Que também fixam o olhar
No horizonte do nada,
Sem mais esperança alguma:
Por que resistir? Melhor se entregar...

A solidão e o pássaro imóvel,
Um breve instante que soou como uma eternidade.
Assim, por vezes, alguém pode se sentir.
Mas é preciso bater asas,

Crer que o céu para sempre cinza, não ficará.
Mais cedo ou mais tarde, voltará o azul,
E também os voos em busca do melhor.
Forças revigoradas, asas bater, voar...

O pássaro e o cinza do céu,
Cenário do cotidiano que me fez pensar:
Se preciso, pousar e silenciar,
Ainda que por um instante.

Se dos olhos tristes lágrimas verterem,
Que não seja expressão de esforços em vão;
De ações multiplicadas inúteis e desgastantes.

O cinza do céu, apenas uma passagem,
Que na vida de todos presente pode estar,
Mas não para sempre, assim cremos.

Viver sem perder a fé e a esperança,
virtudes que se cultivam no coração,
de mãos dadas com a virtude maior:

O amor necessariamente renovado,
Novos céus há que se esperar e buscar...

A solidão e a aparente tristeza do pássaro,
O cinza do céu, o silêncio
O recolhimento, a oração...

Voemos nas asas do Espírito,
Que renova nossas forças,
Comunica graça e paz,

E derrama, copiosamente, o amor divino;
para voos mais altos e para o eterno,
Haveremos de, incansavelmente, buscar.

Amém. Aleluia! Aleluia!

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG