domingo, 5 de abril de 2026

Vida nova somente no Senhor

                                                          

Vida nova somente no Senhor

À luz da passagem da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl 3,1-5.9-11), somos convidados, como homens novos pelo Batismo, a abandonar os falsos deuses, identificando-nos com Cristo que nos basta para a nossa Salvação. 

A comunhão vivida entre nós com o Cristo Ressuscitado exige que tenhamos esta identificação, como o próprio Paulo dirá em outra passagem aos Gálatas – “Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim “(Gl 2, 20) e aos Filipenses –“Tenhamos em nós os mesmos sentimentos e pensamentos de Cristo Jesus “ (Fl 2,10), deste modo estaremos buscando as coisas do alto, as coisas celestiais.

Vivendo o Batismo, renascemos a cada dia como homem novo, e assim verão Cristo em nós. O batizado revela a face de Cristo para o mundo, por seus pensamentos, palavras e ação.

Eis o grande desafio: nos momentos adversos, manter a firmeza da fé,  acompanhado da renovada esperança que nos impulsiona na prática concreta da caridade.

Urge manter sempre a confiança, serenidade e fidelidade ao Senhor, por mais sombrias que sejam os momentos por que passamos. Amém. Aleluia!

Sejamos alegres testemunhas do Ressuscitado

                                                           

Sejamos alegres testemunhas do Ressuscitado

“Sabemos que o nosso velho homem foi
crucificado com Cristo, para que seja destruído
o corpo de pecado, de maneira a não mais servirmos ao pecado” (Rm 6, 6)

A Alegria do Tempo Pascal é diretamente proporcional
Ao quanto nos empenhamos no Itinerário Quaresmal,
Assim como no Tríduo Pascal, dias tão especiais,
Com Liturgias próprias, imensuráveis de riquezas...

Faço votos de um Feliz Tempo Pascal.
Que estes dias de alegria, esplendor e exultação
Pela Boa Nova da Ressurreição, tornem
Cada vez mais Pascal nossa existência.

Que a fé no Ressuscitado e na Ressurreição,
Por Ele prometida para quem n’Ele viver e crer,
Mais que promessa, seja um dia para nós realidade,
Quando, então, O contemplaremos gloriosamente na eternidade.

Contemplemos o Mistério Pascal com sua riqueza infinda,
Acolhamos, na fé, a Deus que é Pai e que Se dá a nós,
Por Cristo Ressuscitado gloriosamente no Espírito,
Presente no mais profundo de nosso coração.

Contemplemos com júbilo e exultação incontidas
O Mistério Pascal, deixando-nos envolver
Por este movimento ininterrupto e envolvente de Amor,
Para vivermos a vida nova, liberta de todo medo e incerteza.

Estabeleçamos vínculos fraternos sólidos e sinceros,
Configurando-nos a Cristo Morto e Ressuscitado,
Guiados pela ação do Espírito que é garantia
De saborosos frutos de comunhão, amor e paz.

Inflame-se e aumente a caridade ativa em nós,
Regenere e consolide-se a fé pura e inabalável,
Renove-se a esperança de um novo céu e nova terra,
Para que anunciadores e testemunhas do Senhor sejamos.

“Pois, se fomos de certo modo identificados a Jesus Cristo
por uma morte semelhante à Sua, seremos semelhantes
a Ele também pela Ressurreição” (Rm 6, 5).
  
Isto é Páscoa:
Ser, no mundo, alegres anunciadores e testemunhas do Ressuscitado.
Aleluia! Aleluia! 

O Senhor nos garante Sua eterna presença

                                                         

O Senhor nos garante Sua eterna presença

Senhor Jesus, quando estavas prestes a concluir a missão para a qual foste enviado, pelo Pai de amor e bondade, bem sabias que Tua presença histórica junto aos discípulos estava próxima do fim, pois avistavas, em um horizonte próximo, a crudelíssima morte na Cruz.

Senhor, assim iniciavas a preparação dos Apóstolos, para que viessem, pouco mais tarde, reconhecerem Tua nova forma de ser presença,  vivo e Ressuscitado, rompendo portas fechadas, colocando-Se no centro da comunidade, e permitindo a Tomé ver e tocar Tuas Chagas Gloriosas.

Senhor, estavas preparando os discípulos para receberem o Espírito Santo, e assim serem conduzidos à missão evangelizadora, por Ti confiada, sem jamais experimentarem qualquer sombra de abandono, para que jamais temessem ou recuassem ao dar testemunho da fé e a razão da esperança.

Senhor, acenavas também ao destino último daqueles que em Ti confiam e se entregam em fidelidade total e incondicional no seguimento: a eternidade, pois és, de fato, o único Caminho que nos conduz ao Pai, a Verdade que nos liberta e nos garante Vida plena e definitiva que aspiramos, na plena comunhão Trinitária.

Senhor, que ouvindo e meditando esta iluminadora passagem do Evangelho, renovemos a certeza de que estás conosco, ontem, hoje e sempre, com Teu Espírito, na comunhão com Teu Pai, e assim continuemos trilhando o itinerário de fé Pascal que nos faz comprometidos com Tua Igreja a serviço do Reino, por um mundo mais justo e fraterno. Amém.  Aleluia!

PS: Meditação à luz da passagem do Evangelho (Jo 14, 1-6) 

Com Ele a entrada na eternidade!

                                                               

Com Ele a entrada na eternidade!

Há várias “entradas”...
Há a entrada permitida ou não, em determinados locais...
Há o ingresso para a entrada, sem o que ficamos fora do espetáculo...

Há o prato de entrada que antecede a deliciosa ceia ou jantar...
A História também tem suas entradas, que foram as Expedições da época colonial...

Há as ações de entrada triunfais em shows, torneios, campeonatos, jogos, espetáculos...

Há os votos de Boas Entradas na saudação do Ano-Novo... 
Há a entrada do maestro indicada com gesto para o instrumento ou voz do cantor... 

Há a entrada franca no acesso livre de uma apresentação (espetáculo, jogo etc.)...

Porém, há outras entradas que nos levam a refletir, rezar...
Há a entrada do Senhor em Jerusalém, no dia de Ramos e da Paixão.
Aclamado como bendito Filho de Davi, com brados efusivos de Hosana no mais alto dos céus!

Acolhido como Rei, com ramos de oliveira estendidos pelo chão...
Em menos de uma semana, após ter feito tão necessária entrada para nossa redenção, ei-Lo abandonado, solitário, rejeitado, negado, traído, condenado, humilhado... 

Sofrimento, por amor, até o fim assumido,
Para que todos nós fossemos redimidos...
Morto na Cruz, suor e sangue derramados,
Agonia vivida, em fidelidade ao Projeto do Pai:
Espírito nas mãos do Pai entregue: tudo consumado!

Precedendo a entrada gloriosa, ao túmulo é levado,
A mansão dos mortos, não poderia deixar de ter visitado.
As almas que ansiosas esperavam, dos grilhões da morte, são libertadas...
O sábado do silêncio sepulcral, apatia, desânimo, aparência de fracasso.
Mas eis que na madrugada uma notícia alegre Maria Madalena contempla e anuncia:
Não poderia ficar para sempre morto, quem a Deus plenamente se confia.

Ressuscitou! Aleluia!
Tendo entrado na escuridão da noite, agora pelo Pai exaltado, glorificado.
Não mais apenas entrando em Jerusalém momentaneamente,
Entrou para sempre na Glória dos Céus: à direita do Pai sentado está.

A entrada no céu foi a grande vitória alcançada, que só o foi, porque da entrada em Jerusalém não Se acovardou.

Os poderes que matam enfrentou  obediência, fidelidade, confiança filial e incondicional o acompanhou  “Deus meu Deus, por que me abandonaste!”. Mesmo no ápice do sofrimento da condição humana, a presença de Deus, o Amor do Pai suplicou (silêncio...)

Assim será para quem no céu quiser entrar:
Teremos entradas minúsculas, e Entrada Maiúscula...
Há um caminho a ser feito. A cada tempo a Jerusalém nos desafia à entrada, em plena imitação no seguimento do Senhor.

Seguir Seus passos, trilhar Seu Caminho; pois Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Eis o caminho para a Entrada na glória que passa pela entrada em Jerusalém: Se nos céus quisermos entrar, há um longo caminho a percorrer, e uma cruz, com coragem e fé renovada a cada dia, com renúncias, o Senhor seguir... Suportando tudo que o Amado sofreu em fidelidade ao Deus Amante que jamais lhe faltou presença, pois com Ele estava o Espírito, o Amor! Amém! Aleluia! Aleluia!

Que Amor! Que incrível Amor!

                                                    


Que Amor! Que incrível Amor!

“… Diante d’Ele todo joelho se dobre e
toda língua proclame – Jesus é o Senhor!"

Depois de termos percorrido o Itinerário Quaresmal com os exercícios que nos foram propostos; de termos plantado as sementes de amor, verdade, justiça e liberdade nos Jardins Quaresmais de nossos corações, o que fazer?

Exultar de alegria, pois nasceram Flores Pascais. Aleluia! é a melhor palavra para expressar nossa exultação, nossa vitória.

Foi um longo, belo e profundo caminho:

Com Jesus, no deserto, aprendemos a vencer as tentações satânicas que destroem o Projeto Divino (ter, poder, ser).

Desde a Montanha, no Tabor, nos esforçamos para ouvir melhor O Filho Amado, contemplamos Sua glória sem na montanha fixar moradas eternas.

Fomos desafiados a descer e colocar em prática a Sua Palavra na planície, assumindo o compromisso intransferível de transformar a realidade de tantos irmãos e irmãs desfigurados.

A purificação do templo reafirmou que a religião agradável a Deus é a prática fidedigna de Sua Lei, contida no Decálogo, sintetizada no amor a Deus e ao próximo, inseparavelmente.

Contemplamos diversas vezes um Deus que tanto nos ama, não poupando Seu Único Filho, que no caminho da fidelidade, nos amou até o fim. Descendo ao fundo do poço da miséria e da solidão humanas experimentou tudo o que podemos experimentar, exceto o pecado.

Esvaziando-Se de tudo, de toda Sua condição divina, morreu na Morte infame da Cruz, mas o Pai O exaltou, O glorificou, dando ao Amor a última palavra e a promessa da eternidade para todos que n’Ele crerem.

“Inocente, Jesus quis sofrer pelos pecadores. Santíssimo, quis ser condenado a morrer pelos criminosos. Sua morte apagou nossos pecados e Sua Ressurreição nos trouxe vida nova”.

Que Amor! Que incrível Amor! 
Amor assim não poderia ter ficado morto nas catacumbas: o Pai o Ressuscitou! Aleluia!

O Amor falou mais forte que o ódio; a Onipotência divina falou mais alto que a prepotência e a arrogância humanas; a fidelidade a Deus não ficou sem resposta; a luz prevaleceu sobre as trevas; as sombras deram lugar ao esplendor do Cristo Glorioso, para que “… Diante d’Ele todo joelho se dobre e toda língua proclame – Jesus é o Senhor!" (Fp 2,10-11).

Que Amor! Que incrível Amor!

Agora é a nossa vez de viver o mesmo Amor, sobretudo, neste Tempo Pascal e em todo o tempo, até que um dia vivamos a plenitude do Amor  Céu! Aleluia! Aleluia!

Alegremo-nos, o Senhor está vivo!

                                                       


Alegremo-nos, o Senhor está vivo!

“Se ressuscitastes com Cristo,
esforçai-vos por alcançar as coisas do alto,
onde está Cristo, sentado à direita de Deus;
aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres.” (cf. Cl 3,1-2)

São Gregório de Nazianzeno foi um grande mestre da fé. Ele, assim como São Basílio, é originário da Capadócia. Teólogo ilustre, orador e defensor da fé cristã no século IV, foi célebre pela sua eloquência, e teve também, como poeta, uma alma requintada e sensível.

E, entre tantas riquezas, fui agraciado com estas palavras ao preparar a Homilia da Vigília Pascal, a mais antiquíssima Vigília, mãe de todas as Vigílias:

“Cristo Ressuscitou dos mortos, levantai-vos também!
Cristo que dormia, desperta, acordai, vós também!
Cristo sai do túmulo, libertai-vos dos grilhões do pecado!
Pelo Cristo vos tornastes criatura nova; renovai-vos.

É a Páscoa do Senhor, é o Tempo da Ressurreição,
É o começo da verdadeira vida...

Ontem preso à cruz com o Cristo,
Hoje sou glorificado com Ele.

Ontem morrendo com Ele,
Hoje com Ele volto à vida.

Ontem sepultado com Ele,
Hoje com Ele eu ressuscito.

Cristo que Ressuscitou dos mortos me renova
Também em espírito e me reveste do Homem novo”.

Assim vive todo aquele que crê no Ressuscitado, “buscando as coisas do alto”, como nos exorta o Apóstolo Paulo em sua Carta aos Colossenses (Col 3, 1-2). 

É Páscoa, sequemos as lágrimas, vençamos todo medo e apatia. Coloquemo-nos a caminho, confiantes de que a vida venceu a morte, o amor falou mais alto. Não podia ficar morto para sempre Aquele que nos amou e nos amou até o fim.

Se na Sexta-feira Santa contemplamos a impotência humana do Crucificado, que passou pela cruenta e horrenda Morte de Cruz, hoje contemplamos a onipotência divina, em que o Pai Ressuscita o Seu Filho e nos envia o Espírito Santo para nos assistir, iluminar, conduzir, orientar, fortalecer, e quanto mais possamos dizer, nesta caminhada Pascal e em todo tempo.

Contemplemos a impotência humana, professemos a fé na onipotência divina: não foi em vão a morte do Senhor, pois Se com Ele morrermos, com Ele também ressuscitaremos, como também nos fala o Apóstolo Paulo.

Aquele que desceu à mansão dos mortos, hoje elevado à glória dos céus se encontra, reinando no coração daquele que crê. Ele é o alfa e ômega, o princípio e fim. A Ele toda honra, glória, poder e louvor, Aleluia!

É Páscoa!
Vida nova se inaugura!
Aleluia! Aleluia!

A Ressurreição de Jesus: O Mistério central da fé (parte I)


A Ressurreição de Jesus: O Mistério central da fé

Após a Consagração do Pão e do Vinho na Missa, quando o Padre diz –“Eis o Mistério da fé”, a Assembleia aclama com uma destas fórmulas:

- “Anunciamos, Senhor, a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição. Vinde Senhor Jesus!”;

- “Todas as vezes que comemos deste Pão e bebemos deste Cálice, anunciamos, Senhor, a Vossa Morte, enquanto esperamos a Vossa vinda!”;

-  “Salvador do mundo, Salvai-nos, Vós que nos libertastes pela Cruz e Ressurreição”.

- Mas o que é a Ressurreição de Jesus para a fé cristã?
- Qual o conteúdo do que proclamamos piedosamente, em cada Celebração Eucarística?

Apresento algumas passagens do “Verbete Ressurreição”, que muito nos ajudará a aprofundar sobre esta verdade fundante de nossa fé, pois, se Cristo não Ressuscitou, vazia e ilusória é a nossa fé e pregação, como disse o Apóstolo Paulo (1 Cor 15, 1-34), e ainda: “Com efeito, nós cremos que Jesus morreu e Ressuscitou” (1 Ts 4,14).

Para o Apóstolo, a Ressurreição é a pedra angular do Mistério de Cristo, o critério absoluto da verdade do Evangelho que anunciou; é de fato, o Mistério central do anúncio cristão: desde o início é o fundamento da fé e o conteúdo essencial da pregação.

Em várias passagens, ele nos fala da aparição do Ressuscitado: Atos 16,9; 18, 9; 22. 17s): Cefas (Pedro – chefe dos Apóstolos), os Doze, mais de quinhentos irmãos; Tiago, chamado “O Menor” todos os Apóstolos e a ele próprio no caminho de Damasco.

A fé na Ressurreição é “o fio dourado da esperança que reuniu na fé os vinte séculos de cristianismo...

A Ressurreição foi a batalha decisiva de uma guerra já vencida, mas que ainda não terminou. Mesmo se na história as hostilidades ainda continuam e nem todos reconheceram a importância definitiva dessa batalha, ela já significa a vitória” (1)

De fato, a Ressurreição consiste no “coroamento da história e a confirmação de que a salvação do homem não é uma utopia, mas uma realidade.

Como vitória decisiva sobre o mal e sobre todos os limites humanos e como premissa e primícias da nossa Ressurreição, ela dá um impulso decisivo ao compromisso do cristianismo no mundo e à sua esperança no futuro” (2)

A Ressurreição de Jesus é o Mistério central de nossa fé. Desde os primeiros dias da Morte de Jesus, foi a Verdade que fez os discípulos recobrarem as forças, porque sentiram a Sua presença vitoriosa.

Também nós a sentimos, de modo especialíssimo, em cada Ceia Eucarística que celebramos, quando muito mais do que repetir, proclamamos e cremos:

“Anunciamos Senhor a Vossa Morte e proclamamos a Vossa Ressurreição. Vinde Senhor Jesus!”

(1) (2) Dicionário de Homilética – Verbete Ressurreição – p. 1489. 

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