sábado, 4 de abril de 2026

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, Rei da Paz!

 


Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, Rei da Paz!

Oremos:

“Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.”

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, Rei da Paz, Vós que Vos oferecestes como uma “carícia para a humanidade, e Vos bendizemos porque, pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Ó Rei da Paz, reconciliastes o mundo no abraço do Pai e derrubastes todos os muros que nos separam de Deus e do próximo, porque sois nossa paz (cf.Ef 2, 14).

Ó Rei da Paz, entrastes em Jerusalém montado num jumento, não num cavalo, cumprindo a antiga profecia que convidava a exultar pela chegada do Messias  (cf. Zc 9, 9-10).

Ó Rei da Paz, quando um dos Vossos discípulos desembainhou a espada para Vos defender e feriu o servo do sumo sacerdote, imediatamente o detivestes (cf. Mt 26, 52).

Ó Rei da Paz, enquanto éreis carregado com os nossos sofrimentos e traspassado pelas nossas culpas, Vós não abristes a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador (cf. Is 53, 7).

Ó  Rei da Paz, deixastes Vos cravar na cruz, para abraçar todas as cruzes erguidas em cada tempo e lugar da história da humanidade.

Ó Rei da Paz, sois um Deus que rejeita a guerra, cumprindo a palavra do Profeta -  «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue» (Is 1, 15).

Ó Rei da Paz, fostes crucificado por nós, e Vos vemos nos crucificados da humanidade. Nas suas chagas, vemos as feridas de tantas mulheres e homens de hoje.

Ó Rei da Paz, no Vosso último grito dirigido ao Pai ouvimos o choro de quem se encontra abatido, sem esperança, doente, sozinho.

Ó Rei da Paz, também ouvimos, sobretudo, no gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra, como um clamor que brada aos céus para que todas as armas sejam depostas, porque somos todos irmãos e irmãs.

Ó Rei da Paz, à Vossa Mãe, aos pés da cruz e também aos pés dos crucificados de hoje, clamamos:

«Santa Maria, mulher do terceiro dia, dá-nos a certeza de que, apesar de tudo, a morte já não terá mais poder sobre nós. Que os dias das injustiças dos povos estão contados. Que os clarões das guerras se estão a reduzir a luzes crepusculares. Que os sofrimentos dos pobres chegaram aos seus últimos suspiros. […] E que, finalmente, as lágrimas de todas as vítimas da violência e da dor em breve secarão, como a geada ao sol da primavera» (1) Amém.

 
 
(1)Maria, mulher de nossos dias – Bispo Tonino Bello, Servo de Deus
Fonte: Homilia do Papa Leão XIV dia 29 de março de 2026 – Praça São Pedro

Quando o Senhor desceu à mansão dos mortos...

                                                       

Quando o Senhor desceu à mansão dos mortos...

Sejamos iluminados pela antiga Homilia do grande Sábado Santo (Séc. IV), sobre a descida do Senhor à mansão dos mortos, com Sua morte!

“Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e Seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam levando em Suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração:

'O meu Senhor está no meio de nós'. E Cristo respondeu a Adão: 'E com teu espírito'.

E tomando-o pela mão, disse: 'Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu Sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e Eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, Eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, Eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, Eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.

Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da Cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na Cruz, e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; Eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; Eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o Reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade'”. (1)

Contemplemos o Senhor falando de Si mesmo com imensa ternura sobre tudo o que passou e sofreu, por amor que ama até o fim, e por isto, não poderia ter sido vencido: Ressuscitou como celebraremos alegremente!

Verdadeiramente Jesus morreu e desceu à mansão dos mortos, para ir ao encontro dos que jaziam no leito da morte para trazê-los à vida.

Deste modo, um dia, passando pela inevitabilidade da morte, possamos ser dignos do sono provisório da morte despertar, trilhando no único Caminho que é a Verdade em nossa Vida!

Com Ele, Senhor Glorioso, 
na fidelidade morrer,
para com Ele Ressuscitar.
Aleluia haveremos de cantar. 
Amém.

(1) Liturgia das Horas - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - p. 439-440

A noite da escuridão precede a luminosidade eterna!

                                                  

A noite da escuridão precede a luminosidade eterna!

Sem a escuridão da noite não haverá a luz de um novo dia; sem o Itinerário Quaresmal percorrido não haveria o esplendor, o transbordamento da alegria Pascal; sem o Mistério da Paixão e Morte de nosso Senhor, não haverá na madrugada a alegre notícia de Sua Ressurreição.

Sem Ele, sem o Sol Divino, sem Seus raios de luz e vida, a humanidade estará condenada à escuridão desoladora, desesperadora, ao caos eterno, à vida sem sentido, ao descentro e à falta de perspectivas.

Concluído o Itinerário Quaresmal rumo à Páscoa do Senhor, temos a graça de, como Igreja, celebrar mais uma Semana Santa que, para quem crê, é o ponto de chegada e simultaneamente o ponto de partida para novos e intransferíveis compromissos na construção do Reino, em paixão incondicional pelo Senhor vivo e Ressuscitado.

Com o Domingo de Ramos aclamamos o Senhor como nosso Rei: Ele vive, Ele Reina, Ele é Senhor. Aclamamos e com Ele caminhamos, com Ele vivemos, com Ele morremos, para podermos um dia ressuscitar e na glória alegremente e esperançosamente adentrar...

Quando o Sol Divino irromper na madrugada da Ressurreição muitos sinais de morte ainda estarão clamando por vida: o planeta continuará gemendo em dores de parto; as crianças ainda estarão morrendo famelicamente; as drogas ainda teimosamente permanecerão nas mãos de tantos, inclusive de crianças; relacionamentos ainda não transfigurados em autênticas amizades; omissões e apatias ainda teimarão em permanecer no coração de muitos; a mentira ainda terá seus fiéis discípulos; o mal ainda rondará.

Porém não será mais hora de lamentação inútil e estéril. O Sol Divino virá ao nosso encontro abraçando-nos, acolhendo-nos, enviando-nos, pois é próprio do Amor de Deus continuar acreditando na humanidade.

É próprio do Amor de Deus plantar, no coração de pessoas de boa vontade, a confiança e a esperança, que concretizadas em ações de caridade autêntica assegurarão o novo que Deus tem para nós. Ele, de fato, faz novas todas as coisas, sobretudo no coração do que crê e ama.

Quando o Domingo da Páscoa chegar, precedido pela bela e antiquíssima Vigília Pascal mãe de todas as vigílias, algo novo em nosso coração vai reluzir, alegria abundante jorrará, nossos olhos voltarão a brilhar...

Os sinos soarão em vibração contagiante e os suores da luta se multiplicarão porque não há, quando por amor, esforços que sejam insignificantes.

Não tenha sido em vão o Suor de Sangue do Amado. Derramemos o nosso, se preciso for, por um mundo novo, alegre, cheio de vida, paz, justiça, fraternidade e amor.

Jamais percamos a graça da participação ativa, consciente e piedosa na Semana Santa, somente assim o Sol Divino irromperá na madrugada, iluminado nossa existência, revigorando nossos passos, refazendo nossos sonhos e sagrados compromissos que brotam da fé.

A noite da escuridão precede a luminosidade eterna! 
E quando chegar o tão esperado amanhecer do Domingo da Páscoa, 
o Sol Divino, Jesus, 
estará mais do que vivo no meio de nós, e aclamaremos:

"Ressuscitou! 
Aleluia!
A vida venceu a morte. 
Aleluia!

Vigília Pascal: O Sábado Santo!

                                                


                             Vigília Pascal: O Sábado Santo!

Sábado Santo! 

Parece que as horas não passam...

Estamos aguardando a grande Vigília Pascal – a mãe de todas as vigílias, por ser a mais antiquíssima delas.

A grande Vigília tem sua beleza própria: a fogueira, o fogo novo, o Círio pascal, a proclamação da passagem, a nossa Páscoa, a riqueza da Palavra de Deus, a bênção da água e a renovação batismal de todos os fiéis, a Eucaristia...

Chegue logo a noite escura tão esperada!

O Fogo novo do Círio Pascal, Palavra Proclamada, Água santificada e aspergida, Eucaristia comungada – Será a Páscoa tão desejada, após um rico e longo Itinerário Quaresmal, e o culminar de um Santo Tríduo Pascal.

Chegue a noite escura tão esperada!
Pois quando o sol se puser 
e a luz da lua vier iluminar a noite,  celebraremos a Verdade 
que ilumina todas as noites escuras de nossa existência.
Pouco a pouco, 
a alegria da Boa-Nova da Ressurreição vai aparecendo 
em nossos olhos e lábios, 
porque, de fato, Ele Ressuscitou!
Então cantaremos exultantes de alegria o Aleluia!
Aleluia! Aleluia! 

Sábado Santo: celebremos a vitória do amor divino

                                                            

Sábado Santo: celebremos a vitória do amor divino

“...Desceu à mansão dos mortos...”

Segundo uma antiquíssima tradição, celebraremos amanhã, Sábado Santo, a Vigília Pascal em honra do Senhor, “A Mãe de todas as Vigílias”, como nos fala o Bispo e Doutor da Igreja, Santo Agostinho.

Ela deve ser realizada à noite (mas não começar antes do início da noite, terminando antes da aurora do Domingo, dia da Ressurreição do Senhor).

Trata-se da maior e a mais nobre de todas as Solenidades do Ano Litúrgico, pois nela celebramos em Memória da noite Santa em que Cristo Ressuscitou.

Com a Vigília, mantemos a vigilância à espera da Ressurreição do Senhor, e são celebrados os Sacramentos da Iniciação Cristã.

A Missa da Vigília é, por sua vez, a Missa Pascal do Domingo da Ressurreição, e consta de quatro partes:

a)          A bênção do fogo com o acender do Círio Pascal, sinal do Cristo Ressuscitado, seguido pelo precônio Pascal.
b)          A Liturgia da Palavra;
c)           A Liturgia Batismal com a renovação das promessas do Batismo ou mesmo Batismo (quando houver).
d)          Liturgia Eucarística

Enquanto aguardamos a Celebração da Vigília, reflitamos:

“Hoje, no Sábado Santo – o grande sábado, como foi chamado pelos Padres da Igreja -, não há nenhuma celebração Eucarística.

Somente as horas do Ofício Divino são rezadas, e são celebradas a capela, isto é, sem qualquer acompanhamento instrumental.

A Igreja observa um silêncio reverente neste dia em que o Senhor ‘repousou de toda a obra que fizera’ (Gn 2,2), toda a obra de amor e entrega que Ele realizou no Lenho da Cruz.

O grande teólogo suíço, Hans Urs Von Balthasar vê neste dia o ponto culminante da obra redentora de Cristo.

Descido à região dos mortos, Cristo se coloca no lugar da máxima distância do Pai – a distância entre o céu e o inferno.

Mas, como o eterno Filho, inseparável do Pai, Cristo transforma este lugar desprovido de Deus, fora do alcance de Deus, em um lugar dentro do abraço que une o Pai e o Filho.

Para Von Balthazar, assim a vitória do amor divino se manifesta como completa.

Por isto, todo joelho, ‘no céu, na terra e debaixo da terra se dobra e toda língua proclama ‘ Jesus Cristo é o Senhor’, para a glória de Deus Pai’ (Fl 2,10-11)”. (1)

“Creio em Deus Pai todo-poderoso...”


(1)         Igreja em Oração – Nossa Missa do dia a dia – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB - Ano V – n. 64 – abril 2020 – p.68

Contemplo o Mistério Pascal

                                                           

Contemplo o Mistério Pascal

Contemplo o Mistério Pascal
Acolho na fé a Deus Pai
Que por Amor a todos nós,
Ainda que não entendamos,
Mais ainda, mesmo que não mereçamos,
Se dá pelo Cristo Ressuscitado,
Torna-Se pelo Espírito
Presente em nossos corações,
Faz de nós Sua morada.

Contemplo o Mistério Pascal...
Deixo-me envolver por um movimento indizível:
O movimento do amor,
Para uma vida nova viver,
Buscando as coisas do alto,
Onde habita Deus.

Contemplo o Mistério Pascal...
Fortalecido e pleno de confiança:
Em Deus que é Amante – Pai
Em Deus que é Amado – Filho
Em Deus que é Amor – Espírito

Contemplo o Mistério Pascal...
A vida do Filho Amado;
Uma vida filial que dia após dia
Revela-nos, com Sua humanidade plena e perfeita.
Uma vida inteiramente pela ação do Espírito
Conduzida, assistida, do nascer ao na Cruz morrer;
Que rebentou na madrugada da Gloriosa Ressurreição,
Com suas Flores e Frutos Pascais:
Alegria, amor, paz, presença,
Que ninguém jamais trouxe, traz e trará.

Contemplo o Mistério Pascal...
Acontecimento que regenera e recria
A humanidade, e continuamente a nossa fé;
Que dá um novo sentido a nossa existência,
Que é a  mais bela de todas as experiências:
O experimentar da Vida do Ressuscitado,
A vida em sua beleza e esplendor,
Como deve e haverá de ser
A vida cristã.
Aleluia! Aleluia!

  
PS: Fonte inspiradora Leccionário Comentado - Páscoa - Ed. Paulus.

Celebremos, com ardor e alegria, a Vigília Pascal

                                 

Celebremos, com ardor e alegria, a Vigília Pascal

Ao celebrar a Vigília Pascal, "A mãe de todas as santas Vigílias",  a antiquíssima Vigília, celebramos a Ressurreição do Senhor.

Com a Ressurreição do Senhor, o bem vence o mal; a escuridão é iluminada por Sua resplandecente luz; o ódio é vencido pelo amor que tem sempre a última palavra; a morte se dobra diante da Vida, que é o próprio Jesus.

Na Vigília Pascal:

- Círio Pascal aceso, com todo o seu ritual e simbolismo: o fogo do amor aquece e ilumina nosso coração;

- Palavra de Deus: proclamada, ouvida e acolhida fortalece nossos passos, reaviva nossa fé e caridade, como peregrinos de esperança;

- Água do Batismo - somos purificados de nossos pecados, para vivermos a vida nova na busca das coisas do alto, onde Deus habita (Cl 3,1-4);

- Eucaristia: comungamos o Corpo e Sangue do Senhor; somos alimentados, nutridos, revigorados na mesa do divino Banquete, para sagrados compromissos com as mesas do cotidiano de nossos irmãos e irmãs, sinal do Reino de Deus: amor, partilha, proximidade, compaixão e solidariedade - aurora de um mundo novo.

Celebremos com amor e ardor a Vigília Pascal: nada mais será como antes, e cantaremos o hino de louvor e o “Aleluia”, com júbilo e exultação. Amém. Aleluia!

 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG