quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Peregrinar conduzidos pelas virtudes divinas

                                           


Peregrinar conduzidos pelas virtudes divinas

Sejamos iluminados pelo comentário escrito pelo bispo e doutor, Santo Agostinho (séc. V), sobre a Carta aos Gálatas:

“Diz o Apóstolo: Sede como eu. Embora judeu por nascimento, desprezo em meu espírito as prescrições segundo a carne. Porque também eu, como vós, sou homem.

Em seguida, com delicadeza, ele os faz reconsiderar sua caridade, para que não o tratem como inimigo. Assim fala: Irmãos, suplico-vos, não me ofendestes em nada. Como se dissesse: ‘Não julgueis que desejo ofender-vos’.

Por isto diz ainda: Filhinhos, para que o imitem como pai. A quem, continua, dou de novo à luz até que Cristo se forme em vós. Fala principalmente na pessoa da santa mãe Igreja, pois declara em outro lugar: Tornei-me pequenino entre vós, como mãe que acalenta seus filhos.

No crente, Cristo Se forma, pela fé, no homem interior, chamado à liberdade da graça, manso e humilde de coração, que não se envaidece pelos méritos de suas obras, que são nulas. Se ele começa a ter algum mérito, deve-o à própria graça. A este pode chamar seu mínimo e identificá-lo consigo aquele que disse: O que fizestes a um dos mínimos meus, a mim o fizestes. Cristo é formado naquele que recebe a forma de Cristo. Recebe a forma de Cristo quem adere a Cristo com espiritual amor.

Disto decorre que, imitando-O, se torne o que Ele é, na medida que lhe é possível. Quem diz estar em Cristo, fala João, deve caminhar como também ele caminhou.

Visto como os homens são concebidos pelas mães para se formar e, uma vez formados, são dados à luz do nascimento, surpreendem-nos as palavras: De novo dou à luz até que Cristo se forme em vós. Temos de entender este novo parto como a aflição dos cuidados que ele suporta por aqueles pelos quais sofre até que Cristo nasça.

De novo sofre as dores do parto por causa da sedução perigosa que os perturba. Semelhante solicitude a respeito deles, que o faz dizer estar em dores do parto, pode continuar até que cheguem à medida da idade perfeita de Cristode maneira que já não se deixem levar por todo vento de doutrina. Não está solícito, portanto, em relação à fé inicial deles, pois já haviam nascido, mas quanto a seu fortalecimento e perfeição.

Assim é que ele diz: A quem de novo dou à luz, até que Cristo Se forme em vós. Com outras palavras refere-se ao mesmo sofrimento: Os meus cuidados de todos os dias, a solicitude por todas as Igrejas. Quem se enfraquece sem que eu também me torne fraco? Quem tropeça, que eu não me ponha a arder?” (1)

Como discípulos missionários do Senhor, devemos fazer progressos constantes na vivência das virtudes divinas (fé, esperança e caridade), para que mais configurados a Ele, sejamos.

Bem afirmou o bispo: “Disto decorre que, imitando-O, se torne o que Ele é, na medida que lhe é possível. Quem diz estar em Cristo, fala João, deve caminhar como também Ele caminhou.”.

São também de Paulo as Palavras que nos convidam a esta configuração, tendo de Cristo os mesmos sentimentos (cf. Fl 2,1-11), completando em nossa carne o que falta a Paixão de Cristo, por amor à Sua Igreja (cf. Cl 1,24).

Concluo com as palavras do Catecismo da Igreja Católica:

“A cruz é o único sacrifício de Cristo, mediador único entre Deus e os homens (1 Tm 2,5). Mas porque, na Sua Pessoa divina encarnada. «Ele Se uniu, de certo modo, a cada homem» (Gaudium et spes – GS n.22), «a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhe­cido» (GS n.22).

Convida os discípulos a tomarem a sua cruz e a segui-Lo (Mt 16,24) porque sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os Seus passos (1 Pd 2,21).

De fato, quer associar ao Seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários (Mc 10,39; Jo, 21-18-19; Cl 1,24). Isto realiza-se, em sumo grau, em Sua Mãe, associada, mais intimamente do que ninguém, ao mistério do Seu sofrimento redentor (Lc 2,35):

«Há uma só escada verdadeira fora do paraíso; fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu» (Santa Rosa de Lima).” (2)

  

(1) Liturgia das Horas – Volume I – Tempo Comum – pp. 162-163

(2)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 618

Oração pura, confiante e sincera

                                                                

Oração pura, confiante e sincera

Na passagem do Evangelho (Mc 7,24-30), temos a súplica da mulher pagã que se dirige a Jesus pedindo para que Ele libertasse sua filha possuída por um espírito impuro.

Jesus, depois da súplica insistente da mulher, realizou o que ela pedira, mandando que esta voltasse para casa, pois o demônio já havia saído de sua filha: “Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela” (Mc 7, 30).

A súplica desta mulher nos ensina como deve ser a verdadeira Oração: expressão de fé; feita com humildade; com sinceridade; de coração puro; perseverante e confiante.

O Bispo Santo Agostinho (séc. IV) nos ensina que se nossa Oração não for escutada por Deus,  deve-se a três razões:

- 1.º -  porque não somos bons, nos falta pureza no coração ou retidão na intenção;
- 2º -  porque pedimos mal, sem fé, sem perseverança, sem humildade;
- 3º -  porque pedimos coisas más, isto é, o que não nos convém, o que nos pode fazer mal ou desviar-nos do nosso caminho. (1)

A Oração não é eficaz quando não é verdadeira Oração, mas quando verdadeira ela será infalivelmente eficaz, como afirmou São Tomás de Aquino (séc XIII) (2).

Concluo com as palavras do Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V), que nos ajuda neste aprofundamento:

“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantém a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a Oração, o Jejum e a Misericórdia. O que a Oração pede, o Jejum alcança e a Misericórdia recebe".

Aprendamos com a mulher pagã e com a Tradição da Igreja, para que nossa Oração seja a expressão de nossa fé, que busca um sincero diálogo com Deus.

Deste modo, nossas súplicas, feitas com humildade e confiança, e de coração puro e sincero, saberemos o que pedir, e Deus, no seu tempo, saberá como e quando nos atender.

1 - cf. Santo Agostinho, Sobre o sermão do Senhor no monte, II, 27, 73)
2 - cf. São Tomás, Suma Teológica, 2-2, q. 83, a. 2.

A verdadeira Oração

                                                       

A verdadeira Oração

Na passagem do Evangelho (Mc 7,24-30), temos a súplica da mulher pagã que se dirige a Jesus pedindo que Ele libertasse sua filha possuída por um espírito impuro.

Jesus, depois da súplica insistente da mulher, realizou o que ela pedira, mandando que esta voltasse para casa, pois o demônio já havia saído de sua filha: “Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela” (Mc 7, 30).

A súplica desta mulher nos ensina como deve ser a verdadeira Oração: expressão de fé; feita com humildade, acompanhado de perseverança e confiança.

O bispo Santo Agostinho (séc. IV) nos ensina que se nossa Oração não for escutada deve-se a três razões:

- primeiro, porque não somos bons, nos falta pureza no coração ou retidão na intenção;
- porque pedimos mal, sem fé, sem perseverança, sem humildade.
- ou porque pedimos coisas más, isto é, o que não nos convém, o que nos pode fazer mal ou desviar-nos do nosso caminho. (1)

A Oração não é eficaz quando não é verdadeira Oração, mas quando verdadeira ela será infalivelmente eficaz, como afirmou São Tomás de Aquino (séc XIII), porque Deus nunca se desdiz e decretou que o fosse. (2)

Sendo a Quaresma tempo favorável de nossa salvação, somos convidados pela Igreja a intensificar e prolongar nosso tempo de Oração, acompanhado de jejum e expresso em gestos concretos através da esmola (solidariedade).

Concluo com as palavras do Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V), que nos ajuda neste aprofundamento:

“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantém a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a Oração, o Jejum e a Misericórdia. O que a Oração pede, o Jejum alcança e a Misericórdia recebe".

Que nossa Quaresma seja marcada então pela verdadeira Oração, que aprendemos com a mulher pagã e com a Tradição da Igreja, com seus imprescindíveis ensinamentos, e assim nossa Oração será a expressão de nossa fé, que busca um sincero diálogo com Deus, e nossas súplicas, feitas com humildade e confiança, e de coração puro e sincero, saberemos o que pedir, e Deus, no seu tempo, saberá como e quando nos atender.

1 - cf. Santo Agostinho, Sobre o sermão do Senhor no monte, II, 27, 73)
2 - cf. São Tomás, Suma Teológica, 2-2, q. 83, a. 2.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Nossa Senhora de Lourdes

                                                               


Nossa Senhora de Lourdes

Nossa Senhora de Lourdes, e de tantas denominações, a ti volto meu olhar e coração com toda a humildade e confiança, e contemplo tua imagem, tão rica e expressiva de significados que aquecem e elevam nossa alma.

Contemplo a alvura de tua túnica; a cor branca que, desde o Antigo Testamento, é símbolo da pureza, santidade e inocência.

Contemplo esta brancura, símbolo da paz que tanto precisamos, acompanhada da pureza de coração e da santidade que todos devemos procurar, pois criados e predestinados à santidade por Deus, Altíssimo a quem amaste e serviste.

Contemplo teu cinto azul amarrado à túnica branca, ligado a ela: azul que nos remete ao céu onde estás, na vida eterna, na plena e íntima comunhão com Deus, acenando para nós o nosso destino.

Contemplo tuas mãos postas em oração, que representa o pedido insistente da Mãe do Céu, para que rezemos pela nossa salvação e a de toda a humanidade, e empenhemos esforços para que isto aconteça.

Contemplo o terço pendurado em teu braço direito, em complemento às tuas mãos postas para a oração, que pediste que também façamos: rezar o Santo Rosário, para que sejam evitadas grandes catástrofes, e para que muitas almas não se percam.

Contemplo o teu véu branco, que significa que pureza, santidade e paz, que devem estar também sobre nossa cabeça e em nossa mente; de modo que nossas forças intelectuais devem também ser puras, promovendo a paz, e sempre alimentadas com a Palavra que sai da boca de Deus.

Contemplo as duas rosas sobre teus pés, que representam a promessa messiânica,  a promessa que Deus fez de enviar um Salvador ao mundo.

Contemplo as rosas postas sobre os teus pés, significando, também, os teus passos de Mãe que nos levam para o Salvador, teu Filho Jesus.

Contemplo o fato de que nunca apontaste para ti mesma, pois não precisas de glórias, por isto apontas sempre para Jesus, o único que pode nos salvar.

Contemplo os doze raios saindo de tua cabeça, que representam as graças que a humanidade recebe a partir da Doutrina da Igreja, alicerçada sobre os doze Apóstolos.

Contemplo com isto, que tua aparição se dá em nome da Igreja de Cristo, e com ela, uma mensagem essencial e vital para toda a humanidade.

Contemplo as palavras sobre tua cabeça: 'Je suis L'immaculée Concepcion' ('Eu sou a Imaculada Conceição').

Contemplo que foste concebida sem o pecado original, porque inteiramente para Deus, virgem e pura, como deveria ser a Mãe do Salvador, pura e sem mancha, desde o momento em que foste concebida no ventre materno.

Nossa Senhora de Lourdes, nós te contemplamos, e a ti recorremos em oração:

“Ó Virgem Puríssima, Nossa Senhora de Lourdes, que vos dignastes aparecer a Bernadette, no lugar solitário de uma gruta, para nos lembrar que é no sossego e recolhimento que Deus nos fala, e nós falamos com Ele. 

Ajudai-nos a encontrar o sossego e a paz da alma, que nos ajudam a conservar-nos sempre unidos em Deus. Nossa Senhora da gruta, dai-me a graça que vos peço e tanto preciso, (pedir a graça). Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós. Amém.”


PS: Nossa Senhora de Lourdes, cuja memória celebramos no dia 11 de fevereiro, é uma das invocações marianas atribuídas à Virgem Maria e que surgiu com base nos relatos das aparições que foram presenciadas por Santa Bernadette Soubirous, numa gruta de Lourdes, na França em 1858.

Religião pura e agradável a Deus

                                                           

Religião pura e agradável a Deus

Na quarta-feira da 5ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 7,14-23), e somos convidados a refletir sobre a verdadeira religião agradável a Deus.

Esta pressupõe o contínuo esforço de conversão para que tenhamos pureza de coração, pois como o próprio Senhor disse “somente os puros de coração verão a Deus” (Mt 5,8).

Na passagem do Livro do Deuteronômio (Dt 4,1-2.6-8), Moisés já acentuara o compromisso do Povo com a Palavra de Deus e Sua Aliança, numa sincera acolhida e vivência de Sua Lei.

A Lei Divina deve ser vivida como expressão de gratidão a Deus; ainda mais porque ela é garantia de felicidade e liberdade, para concretizar os sonhos e esperanças do Povo Eleito e amado por Deus.

Não se pode adulterar a Palavra de Deus ao sabor dos interesses pessoais, bem como, não se pode adaptar, amenizar, suprimir e nada acrescentar à Palavra de Deus.

Alguns perigos que nos acompanham:

- o esvaziamento da radicalidade da Palavra;
- cortar (omitir) seus aspectos mais questionadores;
- fazermos ou dizermos coisas que não procedem de Deus;
- de cair num ativismo em que sacrificamos o tempo do silêncio orante diante de Deus, na acolhida de Sua Palavra;
- esvaziamento de seu conteúdo por causa do cansaço, da perda do sentido e consequente falta de espiritualidade e intimidade com a Palavra de Deus.

Encontramos na Carta de São Tiago uma passagem  (Tg 1,17-18.21-22.27), que fortalece esta inseparável relação entre fé e obras. 

A fidelidade aos ensinamentos de Cristo nos compromete com o próximo (representado na figura do órfão e da viúva). E nisto consiste a verdadeira religião, pura e sem mancha: solidariedade vivida e vigilância, para não se contaminar com os contravalores que o mundo apresenta.

É necessária a superação da frieza, do legalismo e do ritualismo religioso, procurando viver uma Religião comprometida com o Reino por Jesus inaugurado.

O autor da Carta nos exorta a não sermos meros ouvintes da Palavra, mas praticantes da mesma, não nos enganando a nós mesmos.

A Palavra de Deus quer encontrar no coração humano a frutuosa acolhida, portanto, há um itinerário da Palavra: acolher, acreditar, anunciar e testemunhar a Palavra de Deus, que nos garante vida e felicidade plena.

Voltando à passagem do Evangelho que nos convida à pureza de coração, vemos que discípulo de Jesus não pode tão apenas “parecer” é preciso “ser” sinal vivo da presença de Deus. 

Não basta parecer justo, tem que ser justo; não basta parecer piedoso, tem que ser piedoso; não basta parecer verdadeiro, tem que ser verdadeiro...

Mais que uma “carapaça exterior” é preciso de uma “coluna vertebral interior”. 

A verdadeira religião não vive de aparências, e exige de cada crente uma sólida e forte estrutura para suportar o peso da cruz, a coragem do testemunho, a coerência de vida, o esforço contínuo de conversão, a solidariedade constante, caminho que não tem volta e tem apenas um destino: o céu.

Os mestres da Lei e os fariseus tinham aproximadamente 613 preceitos a cumprir (365 proibições e 248 prescrições). O povo simples, por não os conhecer, nem os praticar, era considerado impuro, e este será um tema de grande polêmica entre Jesus e os fariseus em vários momentos.

Para Jesus importa a pureza interior, a pureza do coração que é a sede de todos os sentimentos, desejos, pensamentos, projetos e decisões.

Jesus afirma: o que torna o homem impuro é o que sai de seu coração (apresenta uma longa lista) e não o que entra pela sua boca.

É do coração humano puro que nasce uma autêntica religião, a religião do coração, da intimidade profunda com Deus.

As Leis da Igreja não têm fins em si mesmas, mas garantem a nossa comunhão com Deus e com o próximo, na concretização do Reino.

Dando os primeiros passos do ano Litúrgico, cultivemos maior intimidade e compromisso com a Palavra de Deus para que produzamos os frutos por Deus esperados.

É preciso dar mais tempo à Palavra de Deus, em frutuosa Oração e reflexão, que fará brotar novas atitudes e compromissos com Deus e o Seu Projeto para a Humanidade.


PS: Fonte de pesquisa - ww.Dehonianos.org/portal

Diocese de Guarulhos: 40 anos de Evangelização!

                                                          

Diocese de Guarulhos: 40 anos de Evangelização!

No dia 11 de fevereiro de 1981, Festa de Nossa Senhora de Lourdes, foi criada pelo Papa São João Paulo II a Diocese de Guarulhos pela Bula “Plane Intelligitur” (1981).

A Missa de Ordenação do primeiro Bispo, D. João Bergese, aconteceu no dia 05 de abril, às 15 horas, na praça de esportes do Hospital Padre Bento - Gopoúva.

Com alegria, portanto, celebramos trinta e oito anos de Evangelização em nossa Cidade, procurando ser uma presença iluminadora, à luz do Evangelho, porque quis o Senhor que os Seus discípulos missionários fossem luz do mundo, fermentando uma nova realidade, transformando os sinais de morte em sinais de vida, e assim, não perdermos a graça de sermos sal da terra, dando gosto de Deus a todo o existir. 

Fazemos memória aos três primeiros Bispos: D. João Bergese (1981-1991), com o Lema Episcopal – “Chamados à Comunhão; D. Luiz Gonzaga Bergonzini (1992-2012, com o Lema – “É necessário que Ele cresça”; D. Joaquim Justino Carreira (2012-2013), com o Lema “Pax Vobis”.

Também fazemos memória aos padres e cristãos leigos que fizeram parte desta história e que, tendo combatido o bom combate da fé, já se apresentaram diante de Deus.

Ressaltamos também todos aqueles que continuam a missão evangelizadora na cidade de Guarulhos, com seus desafios incontáveis, e outros que se encontram em outras Dioceses no Brasil ou no exterior.

Muito nos ajuda em nossa travessia turbulenta até a outra margem, as palavras que nossos bispos nos deixaram:

- “É mal menor, errar agindo que nada fazer. As lutas são vencidas por aqueles que lutam, não por aqueles que criticam.” (frase escrita à mão por D. João Bergese, em sua carta testamento, do lado superior);

“Temos consciência que a tarefa é árdua, espinhosa, difícil. Temos consciência de que somos limitados e fracos, mas anima-nos o saber que a tarefa não é nossa, mas também e principalmente d’Ele... Se dispensarmos o Cristo e Sua graça, confiando unicamente em nossas forças, recursos e capacidades pessoais, ficaremos sozinhos e a derrota será total: pois além de não vencermos, estaríamos impedindo a Cristo de lutar ao nosso lado e vencer juntamente conosco” (D. Luiz Gonzaga Bergonzini).

- “Neste tempo de mudança de época que estamos vivendo, quando as atitudes se destacam com relativismo e fundamentalismo, os cristãos são chamados a não desertar do mundo que Deus lhes confia para evangelizar, através de uma verdadeira conversão pessoal e pastoral, discernindo os sinais dos tempos” (D. Joaquim Justino Carreira).

Hoje, sob o pastoreio de nosso quarto Bispo, Dom Edmilson, vivemos um cenário nacional extremamente delicado, marcado pela crise econômica e política. Entretanto, é exatamente neste momento que precisamos fortalecer nossa missão evangelizadora, com zelo, amor e alegria, como vimos na realização da 10ª Assembleia Diocesana de Pastoral, no ano passado.

Iluminadoras são para nós as palavras do Apóstolo Pedro, para que reavivemos a chama da fé um dia acesa em nosso batismo, dando razão de nossa esperança, na prática da efetiva e afetiva caridade:

“E quem há de vos fazer mal, se sois zelosos do bem: Mas se sofreis por causa da justiça, bem-aventurados sois! Não tenhais medo nenhum deles, nem fiqueis conturbados, antes, santificai a Cristo, o Senhor, em vossos corações, estando sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pede.” (1 Pd 3,13-15).

É tempo de multiplicar todos os esforços possíveis. Não é tempo de luto sem esperança. Somos discípulos do Cristo Vencedor, Aquele que passou pela morte, e a última palavra foi a Sua Ressurreição.

Que a força e a vida nova do Ressuscitado façam renascer em nosso coração a esperança, para que continuemos trilhando o caminho da evangelização, mesmo nas dificuldades, certos de que Ele caminha conosco, e, quando a travessia do mar nos assustar, não permitamos que o medo nos faça submergir na mediocridade, no desespero, pois Deus em Sua infinita misericórdia jamais nos abandona à mercê de naufrágios irreversíveis.


PS: Publicado no Jornal “Folha Diocesana” – Guarulhos – Edição nº231.

Mensagem para o XXXI Dia Mundial do Doente (síntese) (2023)

 


Mensagem para o XXXI Dia Mundial do Doente (síntese) 


«Trata bem dele!» -
A compaixão como exercício sinodal de cura 

O XXXI Dia Mundial do Doente celebrado no dia 11 de fevereiro de 2023, e o Papa Francisco nos oferece uma mensagem, com o título: «Trata bem dele!» - A compaixão como exercício sinodal de cura.

A doença que faz parte da experiência humana, pode se tornar desumana, se vivida no isolamento ou no abandono.

Por isto é preciso caminhar junto, em pleno percurso sinodal que estamos vivendo como Igreja – é preciso “...refletir sobre o fato de podermos aprender, precisamente através da experiência da fragilidade e da doença, a caminhar juntos segundo o estilo de Deus, que é proximidade, compaixão e ternura.”

Um dos textos citados na Mensagem é o Livro do Profeta Ezequiel que nos oferece um grande oráculo, que constitui um dos pontos culminantes de toda a Revelação – “Sou Eu que apascentarei as minhas ovelhas, sou Eu quem as fará descansar – oráculo do Senhor Deus. Procurarei aquela que se tinha perdido, reconduzirei a que se tinha tresmalhado; cuidarei a que está ferida e tratarei da que está doente (...). A todas apascentarei com justiça” (34, 15-16).

É preciso aprender com Deus, a fim de que sejamos uma comunidade que caminha em conjunto, capaz de não se deixar contagiar pela cultura do descarte:

“Não tem valor só o que funciona, nem conta só quem produz. As pessoas doentes estão no âmago do povo de Deus, que avança juntamente com eles como profecia duma humanidade onde cada qual é precioso e ninguém deve ser descartado.”

Remete-nos à Encíclica Fratelli Tutti, pois esta propõe uma leitura atualizada da parábola do Bom Samaritano (cf. nº 56), pois pode nos iluminar como ponto de mudança para sairmos das «sombras dum mundo fechado» (cap. I) e «pensar e gerar um mundo aberto» (cap. III).

O Papa destaca a profunda conexão entre esta parábola de Jesus e as múltiplas formas em que é negada hoje a fraternidade, sobretudo em relação aos que mais precisam, como na doença pois “...nunca estamos preparados para a doença; e muitas vezes nem sequer para admitir a idade avançada. Tememos a vulnerabilidade, e a invasiva cultura do mercado impele-nos a negá-la. Não há espaço para a fragilidade...Todos somos frágeis e vulneráveis; todos precisamos daquela atenção compassiva que sabe deter-se, aproximar-se, cuidar e levantar. Assim, a condição dos enfermos é um apelo que interrompe a indiferença e abranda o passo de quem avança como se não tivesse irmãs e irmãos.” (grifos meus)

No Dia Mundial do Doente não convida apenas à oração e à proximidade com os que sofrem. É também momento oportuno para a sensibilização do povo de Deus, das instituições de saúde e toda a sociedade civil para uma nova forma de avançar juntos.

Afirma o Papa que a Palavra de Deus é oportuna na denúncia, mas também na apresentação de propostas na prática da fraternidade, no nível mais próximo uns dos outros, bem como um tratamento organizado realizado pelo ministério de sacerdotes, no trabalho de operadores de saúde e agentes sociais, no empenho de familiares e voluntários, graças aos quais cada dia, em todo o mundo, o bem se opõe ao mal.

A pandemia aumentou o sentimento de gratidão por tantos que trabalham em prol da saúde, assim como a investigação médica, mas ao sair desta tragédia coletiva, é necessário que cada país realize uma busca ativa de estratégias e recursos a fim de serem garantidos a todo o ser humano o acesso aos cuidados médicos e o direito fundamental à saúde.

Aprendamos com a recomendação do samaritano ao estalajadeiro - «Trata bem dele!» (Lc 10, 35), e acolhamos a Palavra de Jesus que nos diz a cada um de nós - «Vai e faz tu também o mesmo», pois efetivamente «fomos criados para a plenitude que só se alcança no amor. Viver indiferentes à dor não é uma opção possível» (Fratelli Tutti nº 68), conclui o Papa.

Conclui nos concedendo a Bênção Apostólica, confiando-nos à intercessão de Maria, Saúde dos enfermos: todos os doentes; os que cuidam deles em família, com o trabalho, a investigação médica e o voluntariado; os que se esforçam por tecer laços pessoais, eclesiais e civis de fraternidade. 

 

PS: Se desejar, confira a mensagem na integra

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/sick/documents/20230110-giornata-malato.html

 

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