Súplica em tempo de Eleições
“Examinai tudo e guardai o que for bom” (1Ts 5, 21).
Cremos que a Igreja
Católica não indica candidatos nem partidos, mas movida pelo Evangelho, tem a
missão de anunciá-Lo, para a promoção da vida, da dignidade humana, a serviço
da construção e promoção do bem comum.
Cremos que ela o faz a
partir da fé em Jesus Cristo e da convicção, reafirmada pela Doutrina Social da
Igreja, de que a política, quando orientada pela ética, constitui uma das mais
elevadas formas de caridade.
Cremos que as eleições
são oportunidades privilegiadas para o exercício da cidadania e da
corresponsabilidade social; portanto, mais do que escolher governantes e
representantes, somos chamados a renovar nosso compromisso com os valores que
sustentam a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.
Cremos que, como Igreja,
não podemos, à luz do Evangelho, nos silenciar diante da escandalosa
desigualdade social, da corrupção, da compra de votos, da utilização indevida
dos recursos públicos e da disseminação deliberada de mentiras (fake news).
Cremos que é impossível
aceitar o abuso do poder econômico e político e as formas de violência que
ameaçam a convivência social, enfraquecendo a confiança nas instituições
democráticas.
Cremos que a democracia
é sólida quando a divergência legítima não é transformada em hostilidade
permanente, pois o adversário político não pode ser tratado como inimigo.
Cremos que a democracia,
além de eleições periódicas, requer respeito às instituições da República,
especialmente à Constituição Federal, ao Estado Democrático de Direito, à
interdependência dos Poderes, à liberdade de expressão responsável e à
participação cidadã.
Cremos que a democracia
também exige a confiança nos mecanismos legítimos de apuração da vontade
popular, respeito aos resultados das urnas e à Lei da Ficha Limpa.
Cremos que conduzidos
pelo Santo Espírito, como eleitores e eleitoras, temos que assumir nossa
responsabilidade; de tal modo que a abstenção não tem lugar, pois não é a
melhor escolha.
Cremos que o
discernimento cristão exige olhar não apenas para promessas de campanha, mas,
principalmente, para a história de vida dos candidatos e as consequências dos
compromissos assumidos.
Cremos que como nação,
precisamos reforçar a capacidade de construir pontes e não muros, promovendo
encontros e o cultivo da amizade social.
Cremos que a esperança
cristã não é ingenuidade nem otimismo superficial; e que esperar significa
participar, construir, dialogar, resistir ao desânimo, defender a verdade,
proteger a democracia e trabalhar pela justiça.
Cremos que homens e
mulheres de boa vontade têm que ser testemunhas da cultura do encontro,
promotores da paz social e construtores da fraternidade.
Cremos que podemos
contar com Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira do povo brasileiro, e a ela
recorremos, para que ela nos ajude a percorrer caminhos de justiça, verdade e
paz.
“Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vosso fiéis...”
Fonte:
MENSAGEM DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO BRASILEIRO POR
OCASIÃO DAS ELEIÇÕES DE 2026


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