terça-feira, 18 de agosto de 2026

Súplica em tempo de Eleições

 


Súplica em tempo de Eleições

                       “Examinai tudo e guardai o que for bom” (1Ts 5, 21).

Cremos que a Igreja Católica não indica candidatos nem partidos, mas movida pelo Evangelho, tem a missão de anunciá-Lo, para a promoção da vida, da dignidade humana, a serviço da construção e promoção do bem comum.

Cremos que ela o faz a partir da fé em Jesus Cristo e da convicção, reafirmada pela Doutrina Social da Igreja, de que a política, quando orientada pela ética, constitui uma das mais elevadas formas de caridade.

Cremos que as eleições são oportunidades privilegiadas para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social; portanto, mais do que escolher governantes e representantes, somos chamados a renovar nosso compromisso com os valores que sustentam a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.

Cremos que, como Igreja, não podemos, à luz do Evangelho, nos silenciar diante da escandalosa desigualdade social, da corrupção, da compra de votos, da utilização indevida dos recursos públicos e da disseminação deliberada de mentiras (fake news).

Cremos que é impossível aceitar o abuso do poder econômico e político e as formas de violência que ameaçam a convivência social, enfraquecendo a confiança nas instituições democráticas.

Cremos que a democracia é sólida quando a divergência legítima não é transformada em hostilidade permanente, pois o adversário político não pode ser tratado como inimigo.

Cremos que a democracia, além de eleições periódicas, requer respeito às instituições da República, especialmente à Constituição Federal, ao Estado Democrático de Direito, à interdependência dos Poderes, à liberdade de expressão responsável e à participação cidadã.

Cremos que a democracia também exige a confiança nos mecanismos legítimos de apuração da vontade popular, respeito aos resultados das urnas e à Lei da Ficha Limpa.

Cremos que conduzidos pelo Santo Espírito, como eleitores e eleitoras, temos que assumir nossa responsabilidade; de tal modo que a abstenção não tem lugar, pois não é a melhor escolha.

Cremos que o discernimento cristão exige olhar não apenas para promessas de campanha, mas, principalmente, para a história de vida dos candidatos e as consequências dos compromissos assumidos.

Cremos que como nação, precisamos reforçar a capacidade de construir pontes e não muros, promovendo encontros e o cultivo da amizade social.

Cremos que a esperança cristã não é ingenuidade nem otimismo superficial; e que esperar significa participar, construir, dialogar, resistir ao desânimo, defender a verdade, proteger a democracia e trabalhar pela justiça.

Cremos que homens e mulheres de boa vontade têm que ser testemunhas da cultura do encontro, promotores da paz social e construtores da fraternidade.

Cremos que podemos contar com Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira do povo brasileiro, e a ela recorremos, para que ela nos ajude a percorrer caminhos de justiça, verdade e paz.

“Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vosso fiéis...”

 

Fonte: MENSAGEM DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO BRASILEIRO POR OCASIÃO DAS ELEIÇÕES DE 2026

 

 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG