domingo, 4 de janeiro de 2026

Peregrinando na esperança, glorifiquemos a Deus (Epifania do Senhor)

                                           


Peregrinando na esperança, glorifiquemos a Deus

Com toda a Igreja, glorifiquemos a Deus que sempre fez e fará por nós maravilhas, e nos consolou e agraciou com o nascimento de Cristo, nosso Salvador.

Com a Virgem Maria, Mãe de Deus, nossa alma Vos engrandece e vos glorifica nas alturas.

Com os anjos, patriarcas e profetas, glorificamos e louvamos a Deus nas alturas.

Com os apóstolos e evangelistas, nós vos damos graças e vos damos glória, ó Deus, nas alturas.

Com todos os santos e santas que foram, na terra, testemunhas da Igreja, nós vos consagramos, Senhor, toda a nossa vida e vos damos glória nas alturas.

Com todos os santos mártires de Cristo, nós vos oferecemos, Senhor, os nossos corpos como sacrifício de louvor e Vos damos glória nas alturas.

Com todos eles e elas, como Igreja militante, peregrinemos na esperança, contando com a Igreja triunfante, e elevando orações por toda a Igreja padecente. Amém.

 

Fonte: Preces das Laudes da quinta-feira pós Epifania do Senhor

O olhar apaixonado de Deus (Epifania)

                                         


O olhar apaixonado de Deus

A Celebração da  Festa da Epifania do Senhor é a Festa da manifestação do Menino Jesus, como Salvador e Luz de todos os povos, com a visita dos magos ao Menino Jesus.

Retomemos um dos Sermões Bispo Santo Agostinho (séc. V) sobre este acontecimento.

“Hoje se realizou a profecia que diz: Céus, deixai cair orvalho das alturas, e que as nuvens façam chover o justo; abra-se a terra e germine o Salvador (cf. Is 45,8). O Criador tornou-Se criatura para encontrar o que estava perdido. Por isso, o homem confessa nos Salmos: Antes de ser humilhado, eu pequei (cf. Sl 118,67). O homem pecou e tornou-se culpado; Deus nasceu como homem para libertar o culpado. O homem caiu, mas Deus desceu. O homem caiu miseravelmente, Deus desceu misericordiosamente; o homem caiu por orgulho, Deus desceu com a Sua graça.”

Somos remetidos à passagem do Livro do Êxodo (Ex 3,7-8), quando o Senhor diz a Moisés: “Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito, e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim, Eu conheço seus sofrimentos. E desci para livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir do Egito para uma terra fértil e espaçosa, uma terra que emana leite e mel, lá onde habitam os cananeus, os hiteus, os amorreus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus.”

Deus não tem outro olhar por Sua criatura, feita a Sua imagem e semelhança, o homem e a mulher, senão um olhar apaixonado. Entenda-se este olhar com seus complementos: verdadeiramente apaixonado, eternamente apaixonado, imensuravelmente apaixonado.

Um olhar que não O coloca em atitude de passividade contemplando o objeto amado, pois é próprio do Amor divino criar o bem na criatura que ama, como bem disse Santo Tomás de Aquino. Um olhar ativo e envolvente; olhar que leva a uma ação comprometida e libertadora.

Assim foi o olhar de Deus para o povo no Egito. Olhar apaixonado que se traduziu em intervenção e ação para resgate da liberdade e da dignidade tão vilipendiada, ultrajada em tempo de escravidão.

Assim foi o olhar de Deus na plenitude dos tempos quando enviou Seu Filho ao mundo. Olhar que O levou à proximidade, à Encarnação, a tornar-Se um de nós, igual a nós, exceto no pecado. Assumindo nossa condição, vivendo-a em sua concretude, assumindo-a na sua totalidade para redimi-la da mesma forma.

Como redimiria a humanidade do pecado se não assumisse a forma de uma criança, se não possuísse nossa materialidade e todas as limitações a ela inerentes?

Assim foi o olhar de Deus na ação de Seu Filho, na ação do Espírito. Olhar apaixonado de Deus que não conhece a ação solitária. Antes, Deus é comunhão e Seu olhar leva à ação na mais perfeita sintonia e comunhão de Três Pessoas e um só Deus.

Assim foi o olhar de Deus no Mistério Maior de Amor: O Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Seu Filho. Deus continuou olhando para Seu Filho, não O abandonando e em extremo ato de amor olhava Seu Filho e ao mesmo tempo para a humanidade toda, pela qual suporta o crudelíssimo sacrifício e redentora morte.

 Como falar de um olhar apaixonado de Deus a partir do Mistério da iniquidade da morte?
 Como poderá Deus estar olhando apaixonadamente Seu Filho e a humanidade, simultaneamente?

Este é o grande Mistério de Seu amor. Ama o Filho, assegura-Lhe a inseparável presença do Espírito. Realiza a inseparabilidade dos Três Amores para introduzir a humanidade no mais belo Projeto e sonho de Deus: a comunhão plena em Seu amor.

Mistério que não é para ser colocado em nossa limitada mente. Antes, é preciso mergulhar nossa mente, coração e todo nosso ser neste imensurável Amor. Corresponder mais e melhor ao olhar apaixonado de Deus por nós que quer tão apenas uma resposta de amor. 

Somente respondendo ao Seu Amor é que criaremos laços mais humanos, fraternos e solidários e vislumbraremos o horizonte de um novo dia pleno de vida e alegria.

Imprimamos em nosso coração as palavras do Bispo Santo Agostinho: “O homem caiu, mas Deus desceu. O homem caiu miseravelmente, Deus desceu misericordiosamente; o homem caiu por orgulho, Deus desceu com a Sua graça".

Vivamos cada dia sob este olhar que deseja a nossa resposta de amor, que será diretamente proporcional à felicidade que possamos alcançar. Que desça de Deus, em nós, Sua graça, luz, bondade, ternura e amor.

Tão somente correspondendo ao olhar de amor de Deus, teremos um Ano Novo verdadeiramente feliz!

Ofereçamos nossos presentes ao Menino Jesus (Epifania)

                                                      

Ofereçamos nossos presentes ao Menino Jesus

Contemplo a presença da Sagrada Família no presépio, por sua singeleza e riqueza imensurável e inesgotável.

Primeiramente, voltemo-nos para Maria:

“Maria ficará para sempre ‘mãe’, Mãe do homem Jesus Cristo e Mãe do Deus Altíssimo. O seu seio é o lugar onde encontram a imensidão de Deus e a pequenez e fragilidade da criatura humana. É a esta ‘admirável permuta’ que muda o nosso destino, porque agora também a mais pobre carne humana encerra o tesouro de uma semente de humanidade”. (1)

Também contemplamos a presença de José, guardião e protetor do Salvador, sem muito dizer e para sempre dizendo algo à humanidade, que em sonho ouve a voz de Deus, e como homem temente e justo participa decisivamente do Projeto divino, assumindo Maria como esposa; inserido o Salvador para sempre na história da humanidade, e assim a promessa se viu definitivamente cumprida: O Messias esperado veio ao nosso encontro.

Finalmente, voltemos e fixemos nosso olhar no Menino Jesus:

 “Naquele rosto revela-Se a grandeza do amor de Deus, que Se faz pequeno até quase mendigar a nossa ternura, e convidar-nos não só a oferecer-Lhe alguma coisa, mas a nós mesmos” (2)

Agora, com os magos, acorramos para oferecer a Jesus, a Luz das nações, Luz de todos os povos, nossos presentes. Não mais ouro, incenso e mirra, mas a nós mesmos, nosso coração, nossa vida, esforços e compromissos com a Boa-Nova do Reino, a fim de que sal da terra e luz do mundo, sinal de Sua presença sejamos.

Ofereçamos à Sagrada Família empenhos incansáveis pela santificação da família, a fim de que seja um candelabro sempre aceso, porque ali se vive a alegria, o amor, a doação, a solidariedade, a acolhida, a compreensão e o perdão.

Como os magos, tenhamos coragem de rever o caminho da volta, conversão necessária, para que a Deus adoremos em espírito e verdade, refazendo nossos projetos, caminhos, para que cada vez mais nossos pensamentos, palavras e ações correspondam aos desígnios divinos (cf. Fl 2,1-11).

Com a Palavra de Deus em mãos, a Leitura Orante seja nosso grande compromisso e exercício espiritual com seus iluminadores passos (leitura, meditação, oração, contemplação) a fim de que ações geradoras de um mundo novo possam acontecer, vivendo melhor a graça do Batismo que um dia recebemos.


(1) - Lecionário Comentado - Volume Tempo do Advento/Natal - Editora Paulus - 2011 - p.292
(2) - idem - p.334

Testemunhemos a Luz da Luz (Epifania)

                                                         

Testemunhemos a Luz da Luz

“Vós sois a luz do mundo”

Na Epifania, o Senhor é manifestado como Salvador de todos os povos, Luz da Luz, a verdadeira Luz de todas as nações, e nos constitui mensageiros desta mesma luz no mundo, pela graça do Batismo recebido: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 14), e “Eu sou a Luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).

A fé em Jesus não somente anima nossa caridade em sua múltipla atividade, mas torna-se uma força gigantesca na luta contra toda afronta, intolerância, injustiça, violência, contra todo transbordamento de egoísmo, prepotência, ódio, que ainda dominam o mundo. Uma força de poder indescritível, porque não é apenas um sentimento que pode passar feito uma nuvem.

A fé e a caridade encontram sua aplicação concreta no apostolado de salvação do homem da escravidão do pecado, da fome, da dor, do embrutecimento, do esmagamento da injustiça, ou seja, de toda forma que avilta a dignidade de um filho de Deus e de um irmão de Cristo Jesus, porque todos por Deus criados fomos, à Sua imagem e semelhança e somos Sua morada.

A fé e a caridade, devidamente vividas, dão razão de nossa esperança de ver novos céus e nova terra, pois “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou" (Ap 21,4), e isto implica em decidida e corajosa fidelidade, como discípulos missionário do Senhor, testemunhando a “Alegria do Evangelho”, ontem, hoje e sempre.

Epifania: Nós Vos adoramos, Senhor Jesus (Epifania)

 


Epifania: Nós Vos adoramos, Senhor Jesus

Sejamos enriquecidos pelo parágrafo n. 528 do Catecismo da Igreja Católica, que nos fala sobre a Epifania do Senhor.

“A Epifania é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, Filho de Deus e Salvador do mundo. Juntamente com o batismo de Jesus no Jordão e as bodas de Caná, a Epifania celebra a adoração de Jesus pelos «magos» vindos do Oriente (Mt 2,1).

Nestes «magos», representantes das religiões pagãs circunvizinhas, o Evangelho vê as primícias das nações, que acolhem a Boa-Nova da salvação pela Encarnação.

A vinda dos magos a Jerusalém, para «adorar o rei dos judeus» (Mt 2,2), mostra que eles procuram em Israel, à luz messiânica da estrela de David (Nm 24,17; Ap 22,16), Aquele que será o Rei das nações (Nm 24,17-19).

A Sua vinda significa que os pagãos não podem descobrir Jesus e adorá-Lo como Filho de Deus e Salvador do mundo, senão voltando-se para os Judeus (Jo 4,22) e recebendo deles a sua promessa messiânica, tal como está contida no Antigo Testamento (Mt 2,4-6).

 A Epifania manifesta que «todos os povos entram na família dos patriarcas» (São Leão Magno) e adquire a «israelitica dignitas» – a dignidade própria do povo eleito (Terceira Oração da Vigília Pascal).”

O Prefácio da Missa da Epifania retrata com propriedade estas verdades:

“...Revelastes hoje, o Mistério de Vosso Filho como luz para iluminar todos os povos no caminho da Salvação. Quando Cristo Se manifestou em nossa carne mortal, vós nos recriastes na luz eterna de Sua divindade...”

Oremos:

“Ó Deus, que hoje revelastes o vosso Filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos vossos servos e servas que já vos conhecem pela fé, contemplar-Vos um dia face a face no céu. Por N. S. J. C. Amém.”  (1) 

(1) Oração do Dia – Missa da Epifania

A Solenidade da Epifania do Senhor (Epifania)

                                                        

A Solenidade da Epifania do Senhor

Na Solenidade da Epifania do Senhor, Salvador de todos os povos, sejamos iluminados pelo Sermão do Papa São Leão Magno (séc. V):

“Quando os três magos foram conduzidos pelo esplendor de uma nova estrela para virem adorar a Jesus, eles não O viram expulsando a demônios, ressuscitando aos mortos, dando vista aos cegos, curando os aleijados, dando a faculdade de falar aos mudos, ou qualquer outro ato que revelava seu poder divino; mas viram um Menino que guardava silêncio, tranquilo, confiado aos cuidados de Sua mãe.

Não aparecia d’Ele nenhum sinal de Seu poder, mas lhes ofereceu a visão de um grande espetáculo: Sua humildade. Por isso o espetáculo deste Santo Menino, o Filho de Deus, apresentava aos seus olhares um ensinamento que mais tarde devia ser proclamado, e o que ainda não proferia o som de sua voz, o simples fato de ver-lhe fazia já que Ele o ensinasse.

Toda a vitória do Salvador, que subjugou o diabo e ao mundo, começou pela humildade e se consumou pela humildade. Começou na perseguição, Seus dias assinalados, e também os terminou na perseguição.

Ao menino não lhe tem faltado o sofrimento, e ao que fora chamado a sofrer não lhe faltou a simplicidade da infância, pois o Unigênito de Deus aceitou, só pela humilhação de Sua  majestade, nascer voluntariamente homem e poder ser morto pelos homens.

Se, pelo privilégio de Sua humildade, Deus onipotente tem tornado nossa causa tão má, e se destruiu a morte e ao autor da morte, não repelindo o que lhe faziam sofrer os perseguidores, mas suportando com grande brandura e por obediência a seu Pai as crueldades dos que se levantavam contra Ele, quanto mais nós temos de ser humildes e pacientes, visto que, se nos advém alguma provação, isto nunca acontece sem tê-la merecido? Quem se gloriará de ter um coração casto e de estar limpo do pecado? E, como disse São João, se dissermos que não temos pecado nos enganaríamos a nós mesmos e a verdade não estaria conosco. Quem se encontrará livre de falta, de modo que a justiça nada tenha de que reprovar-lhe ou a misericórdia divina que perdoar-lhe?

Por isso, amadíssimos, a prática da sabedoria cristã não consiste nem na abundância de palavras, nem da habilidade para discutir, nem no desejo de louvor e de glória, mas na sincera e voluntária humildade, que o Senhor Jesus Cristo tem escolhido e ensinado como verdadeira força desde o seio de Sua mãe até o suplício da Cruz.

Pois quando Seus discípulos disputaram entre si, como narra o Evangelista, quem será o maior no Reino dos Céus, Ele, chamando para junto de si um menino, colocou-o no meio deles e disse: ‘em verdade vos digo, se não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus. Pois o que se humilhar até fazer-se semelhante a uma destas crianças, este será grande no Reino dos Céus’.

Cristo ama a infância, que Ele mesmo viveu ao princípio em Sua alma e em Seu corpo. Cristo ama a infância, mestra da humildade, regra de inocência, modelo de simplicidade.

Cristo ama a infância; para ela orienta os costumes dos maiores, para ela conduz a ancianidade. Aos que eleva ao Reino eterno os atrai a Seu próprio exemplo.

Mas se quisermos ser capazes de compreender perfeitamente como é possível chegar a uma conversão tão admirável, e por qual transformação temos de ir á idade dos meninos, deixemos que São Paulo nos instrua e nos diga: ‘Não sejais crianças quanto ao modo de julgar: na malícia, sim, sede crianças, porém adultos no juízo’.

Não se trata, pois de voltar aos jogos da infância nem às imperfeições do começo, mas em tomar uma coisa que convém também aos anos da maturidade, ou seja, que nossas agitações interiores passem prontamente, que rapidamente encontremos a paz, não guardemos rancor pelas ofensas, nem cobicemos as honras, mas amemos estarmos unidos, e guardemos uma igualdade conforme a natureza.

É um grande bem, de fato, que não saibamos alimentar nem ter gosto pelo mal, pois inferir e devolver injúria é própria da sabedoria deste mundo. Pelo contrário, não devolver mal por mal é próprio da infância espiritual, toda cheia de equanimidade cristã.

A esta semelhança com as crianças nos convida, amadíssimos, o Mistério da Festa de hoje. Esta é a forma de humildade que nos ensina o Salvador adorado pelos magos.” (1)


(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes – 2013 - pp.299-301

Em poucas palavras... (Epifania)

 


“O grande Cristo, brilha mais que o Sol sobre todos os seres”

“«A vida derramou-se sobre todos os seres e todos são inundados duma grande luz: o Oriente dos orientes invade o universo e Aquele que era "antes da estrela da manhã" e antes dos astros, imortal e imenso, o grande Cristo, brilha mais que o Sol sobre todos os seres. É por isso que, para nós que n'Ele cremos, se instaura um dia de luz, longo, eterno, que não se extingue: a Páscoa mística»” (1)

 

(1)  Citado no parágrafo n. 1165 do Catecismo da Igreja Católica - Pseudo-Hipólito de Roma, In sanctum Pascha 1, 1-2: Studia patristica mediolanensia 15, 230-232 (PG 59, 755).

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