segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Maria: a “estrela do mar”

                                                 


Maria: a “estrela do mar”

Sejamos enriquecidos por uma das Homilias do Abade São Bernardo, (séc.XII), em louvor da Virgem Mãe.

"O nome da Virgem era Maria, diz o Evangelista. Falemos um pouco a propósito deste nome, que por alguns significa “estrela do mar” e se adapta perfeitamente à Virgem Mãe. 

De fato ela é comparada muito apropriadamente a uma estrela. Assim como o astro emite os seus raios de luz sem corromper-se, também a Virgem deu à luz o seu Filho sem sofrer dano algum. Nem o raio luminoso diminuiu a claridade da estrela, nem o Filho alterou a integridade da Virgem. 

Ela é a nobre estrela nascida de Jacob, cuja irradiação ilumina todo o universo, cujo esplendor brilha nos céus e penetra nos abismos, resplandece na terra e aquece as almas mais que os corpos, fomenta as virtudes e queima os vícios. Ela é a estrela brilhante e magnífica que nada impede de se elevar sobre este mar vasto e imenso, refulgente nos seus méritos e iluminando pelos seus exemplos.

Tu que te vês, nas flutuações deste mundo, agitado no meio das procelas e das tempestades em vez de caminhar sobre terra firme, não afastes os olhos do brilho desta estrela, se não queres naufragar nas tormentas. 

Se se levantam os ventos das tentações, se te precipitas nos escolhos das tribulações, olha para a estrela, invoca Maria. Se és sacudido pelas vagas do orgulho ou da ambição ou da maledicência ou da inveja, olha para a estrela, invoca Maria. Se a ira ou a avareza ou os atrativos da carne sacodem a barqueta da tua mente, olha para Maria. Se, perturbado pela enormidade dos teus pecados, confundido pela imundície da tua consciência, aterrado pelo horror do julgamento, começas a ser absorvido pelo abismo da tristeza, pelo precipício do desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Não esteja o seu nome ausente da tua boca, não esteja ausente do teu coração. E para obter o socorro das suas orações, não te separes do exemplo da sua vida. Se a segues, não te extraviarás; se a invocas, não desesperarás; se pensas nela, não errarás. Sob a sua proteção, não terás medo; sob a sua direção, não te cansarás; sob o seu amparo, alcançarás a meta. E assim experimentarás em ti mesmo como é verdadeira esta palavra: E o nome da Virgem era Maria.”

Vivamos uma autêntica devoção à Nossa Senhora, que consiste na imitação de suas virtudes, a fim de não incorrermos numa estéril devoção.

Ainda mais, nos ajuda a confiar e a recorrer à “Estrela do Mar”, em todos os momentos, favoráveis ou adversos, como Igreja Sinodal que somos, Povo de Deus que caminho juntos, contando com a sua presença a fim de que façamos progressos maiores ainda na comunhão, participação e missão.

Concluo com trecho da Alocução do Papa São João Paulo II (08/12/82), na qual nos apresentou Maria “como a Estrela que nos guia pelo céu escuro das expectativas e incertezas humanas, especialmente neste dia em que, sobre o fundo da liturgia do Advento, brilha esta Solenidade anual da tua Imaculada Conceição e te contemplamos na eterna economia divina como a Porta aberta através da qual deve vir o Redentor do mundo” .

Como precisamos desta “Estrela que nos guie pelo céu escuro das expectativas e incertezas humanas”!

Em todos os momentos, pensemos em Maria e invoquemos e contemos com a sua ternura e presença.

Maria Imaculada e nós

                                                                            

 Maria Imaculada e nós

Certa vez, um missionário foi pregar para o povo da roça o Dogma da Imaculada, no dia 8 de Dezembro. 

Pensa consigo mesmo: “Como vou falar de um mistério tão grande e complicado? Imagine se começo com esse tal de “pecado original” e “concupiscência”? Vou trazer mais confusão que explicação”. Então, indo para a Igreja, ele percebe que há muitas goiabeiras na região. 

Começa a pregação: “Meus irmãos e minhas irmãs! Quem tem pé de goiaba em casa? Quase todos levantaram a mão. “Vocês já viram como as goiabas são saborosas, cheirosas, vermelhas e bonitas? Mas infelizmente, as nossas goiabas têm muito bicho. O bicho da goiaba as estraga. Como seria bom se todas as nossas goiabas fossem grandes, bonitas, doces, sem bicho”.

Dentro do Seu Projeto, Deus queria que cada um de nós fosse como uma goiabeira sem bicho. Deus sonhou que fôssemos como árvores bonitas, cheias de bons frutos de bondade, amor e justiça. Mas cada um de nós sabe que não é assim. Há o pecado que atrapalha, como o bicho da goiaba. 

A festa de hoje nos dá muita esperança, pois nos diz que Deus fez uma criatura humana do jeito que Ele sonhou para todos. Uma pessoa que não se contaminou pelo egoísmo, pelo comodismo, pelo orgulho, pela ilusão do poder. Uma árvore cheia de frutos bons. É claro que Maria recebeu bênção especial de Deus. Mas ela soube desenvolver, fazer crescer. 

Goiabeira sem bicho, mas sem fruto, não vale nada. Maria soube aproveitar todo o amor de Deus que ela recebeu, e o transformou em frutos bons para todos.

Não somos imaculados, como Maria. Temos pecados que nos atrapalham a vida. Mas cada um recebe a graça e a bênção de Deus, para ser uma árvore vistosa, com folhas, flores e frutos. Alguns têm pragas de passarinho e bicho nos frutos. 

Deus nos acolhe e nos ama assim mesmo, pois é misericordioso. Podemos olhar para Maria e pedir a ela, que é toda cheia de Deus, que nos ajude nessa caminhada.

Outro exemplo: computador, programas e vírus...

Oremos:

“Obrigado, Senhor, por nos teres dado Maria Imaculada,
Olhando para ela, sentimos a alegria de ver uma da nossa raça,
Humana e limitada como nós, mas transbordante de graça.
Olha, Senhor, pela humanidade manchada pela violência,

Pelo consumismo, pela pobreza, pela falta de sentido para viver.
Dá-nos a graça de integrar os nossos desejos,
pulsões, tendências e afetos. 

Liberta nossa liberdade. Acolhe cada um de nós, santos e pecadores,
E faze-nos humildes servidores da Boa Nova, como Maria.
Amém!”


PS: Os textos acima são trechos de um estudo que fiz sobre os quatro Dogmas da Igreja sobre Nossa Senhora para Formação e Agentes de Pastoral, a partir de diversas fontes de pesquisa e Documentos do Magistério.

Advento: o Senhor é a fonte de nossa alegria

                                                        

Advento: o Senhor é a fonte de nossa alegria

A Liturgia, da segunda-feira da 2ª Semana do Tempo do Advento, nos convida à alegria, sobretudo porque se aproxima uma das maiores Festas do cristianismo: o Natal do Senhor.

A alegria pela libertação chegou e a esperança está acesa: “Alegrai-vos no Senhor...” é o refrão que sentimos ressoar no mais profundo de nossa alma, iluminados pela passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 35,1-10).

O Profeta Isaías tem uma única intenção: despertar a esperança e a confiança dos exilados.

Nada de desânimo, nada de covardia, nada de abaixar os braços, pois Deus vem para salvar e libertar o Seu povo...  O profeta é aquele que planta no mais profundo de quem precisa a semente da esperança que se concretiza na confiança e na coragem de lutar, no empenho do bom combate da fé.

O Profeta, como portador da Palavra de Deus, é aquela voz que nos acompanha, nos fortalece no irrenunciável empenho com o Projeto libertador de Deus que é a ação de gerar vida em abundância.

O Profeta assume a história de seu povo, coloca-se com ele em marcha, da escravidão para a liberdade, olhando o mundo com o olhar da esperança, levando todos a abandonar os óculos escuros do desespero.

Urge que acolhamos, como os Profetas, a proposta libertadora de Deus em nossa vida, remando contra a maré  das ideias dominantes, nem sempre coincidentes com o pensamento divino. Deste modo, o profeta olha o mundo com os olhos de Deus para testemunhar com fidelidade, confiança e esperança em todas as circunstâncias e em todos os momentos.

Com os profetas, e também com o Apóstolo São Tiago, no Novo Testamento (Tg 5,7-10), vemos que a alegria de Deus não nos dispensa de compromissos, empenhos, embates, passos largos a serem dados em busca de horizontes inéditos, como que reconstruindo o paraíso que foi manchado pelo pecado.

São Tiago nos exorta à paciência e ao olhar de fé, que deve ser renovado cotidianamente em cada Banquete da Eucaristia celebrado, a fim de que a alegria e a esperança invadam nosso coração.

Ele nos ensina que é sempre tempo de reavivar a confiança e a paciência na espera do Senhor que veio, vem e virá. Recuperar e jamais perder os valores cristãos autênticos e cultivar a paciência, até que ocorra a intervenção final de Deus na história: confiar do Senhor não é sinônimo de cruzar os braços.

Cada dia é tempo para reconstruir o paraíso, não como saudade estéril, mas como esperança e confiança frutuosa.

Assim compreendemos a ação de Jesus, que veio ao nosso encontro para que os desesperados recuperassem a esperança, os surdos voltassem a escutar a Palavra, os cegos enxergassem um novo horizonte além do sol poente; os coxos reconquistassem a liberdade; os pobres se abrissem para a solidariedade e o amor de Deus.

Num mundo marcado pela mentira e fingimento, urge a necessidade da sinceridade, como nos motiva o testemunho de João Batista que exerce sua missão com fidelidade, sinceridade e sem medo.

Com Isaías, João Batista e todos os profetas, aprendemos uma salutar lição: a força divina começa no exato momento em que reconhecemos a nossa fragilidade e nos abrimos à manifestação de Deus, à ação de Sua graça e abertura para o Seu perdão.

Somente deste modo a alegria e a esperança invadirão e transbordarão em nosso coração: “irromperá no coração dos que creem a alegria da luz do Natal!”.

Reflitamos:

- Num mundo marcado pela depressão, tristeza, dor, como ser sinal de alegria?
- Onde e quando precisamos ser profetas da alegria, portadores de uma Palavra que renova, revigora, refaz forças na construção do Reino de Deus?
- Qual o caminho verdadeiro para expor nossas dúvidas com toda sinceridade diante de Deus e com quem convivemos?

Preparemos o Natal para que vivamos uma vida cristã mais autêntica e a alegria verdadeira será mais que desejável em nosso coração; será transbordamento, porque edificada sobre o fundamento e fonte da verdadeira alegria: Jesus!



PS: Aos que estiverem enfraquecidos, desanimados... Convido que retome e leia o Livro do Profeta Isaías capítulo 35.  

Advento: A nossa Salvação vem do Senhor! Alegremo-nos!

                                                  

Advento: A nossa Salvação vem do Senhor! Alegremo-nos!

“Alegrai-vos sempre no Senhor, de novo vos digo,
alegrai-vos: O Senhor está perto” (1)

A Liturgia, da segunda-feira da 2ª Semana do Tempo do Advento, nos apresenta a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 35,1-10), com a Boa Notícia de que Deus mesmo vem nos salvar.

O profeta desperta a confiança e esperança e a confiança nos exilados: está próxima a chegada de Deus, que conduzirá o povo para a Terra da liberdade, da vida plena e feliz.

Trata-se de um hino em que se convida à autêntica alegria, deixando de lado todo desânimo, pois a ação de Deus consiste em gerar vida em abundância.

O Povo de Deus vive um segundo êxodo, ainda mais grandioso que o primeiro. É preciso que olhe o mundo com os olhos da esperança, jamais com os óculos do desespero, para não sucumbir diante das forças da morte que não prevalecem para sempre.

Nisto consiste o verdadeiro Advento: a contemplação da intervenção divina; e ser, no mundo, como o profeta Isaías uma testemunha da alegria, da confiança em Deus e da esperança que n’Ele não decepciona.

De fato, ser Profeta é remar contra a maré, vendo o mundo com os olhos de Deus. É preciso, no mundo, ontem, hoje e sempre, homens e mulheres que deem este testemunho.

Para nós, hoje, trata-se de convite à alegria pela proximidade do Senhor que está para chegar, cujo nascimento no Natal haveremos de celebrar.

A Palavra é um convite a não nos inquietarmos com nada: “Alegrai-vos, pois a libertação está para chegar”.

No Novo Testamento, também vemos na Epístola de São Tiago esta mensagem (Tg 5,7-10). Tiago é um sábio judeu-cristão que repensa, de maneira muito original, as máximas da sabedoria judaica, vividas plenamente nas Palavras e ação do Senhor, e exorta a comunidade a não desistir da espera do Senhor que vem, cultivando a paciência e a confiança.

Preocupa o autor o abuso da sobreposição da fé às obras, bem como o abuso dos ricos sobre os pobres.

Exorta à perseverança, à união e a não perda dos valores cristãos, apresentando a proposta de uma autêntica vida cristã.

Acentua nesta passagem a esperança, que deve iluminar o coração de todos na comunidade, pois a libertação está para chegar, mas a confiança no Senhor não nos permite o cruzar dos braços.

Esta esperança, acompanhada da paciência e confiança, é que dá coragem na luta, no bom combate da fé, em sua perfeita tradução em obras.

Esperar com confiança, mas sem revolta. Empenhar-se prontamente para o Projeto Libertador de Deus, que significa para nós a verdadeira preparação para o Natal.

Reflitamos:
 - Como estamos preparando o Natal do Senhor?
 - Como andam nossa alegria, confiança e esperança no Senhor?

 - Qual é o fundamento de nossa alegria?
Em que consiste a verdadeira alegria que Deus quer nos oferecer?

- Num mundo marcado pela depressão, tristeza, dor e morte, como ser sinal de vida e de alegria?
- A alegria tem sido uma marca de nossas comunidades?

A Festa do Natal do Senhor se aproxima, e muito mais que comemorada, é preciso que seja celebrada e, assim, a alegria e a esperança invadirão nosso coração.

No coração dos que creem irromperá a alegria e a luz do Natal. Não deixemos lugar algum para o desânimo, desesperança. Descruzemos os braços e abramos o coração.

Maranathá! 
Vem, Senhor Jesus!

Jesus: divina fonte de amor, perdão e liberdade

                                                       

Jesus: divina fonte de amor, perdão e liberdade

A Liturgia da Palavra, da segunda-feira da 2ª Semana do Advento, nos apresenta a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 5, 17-26), em que Jesus cura e perdoa os pecados de um paralítico.

Através da ação de Jesus, contemplamos o Projeto de Salvação que Deus tem para toda a humanidade, entretanto, é preciso acolher este Projeto com fé.

O tema fundamental é o perdão dos pecados, a verdadeira doença da humanidade que Jesus combate e derrota ao cuidar da pessoa humana em sua totalidade

Jesus é a manifestação da bondade, da misericórdia e do Amor divino que liberta o homem de toda paralisia, de todo pecado.

Por meio d’Ele – o caminho, a verdade e  a vida – a humanidade pode se voltar novamente para Deus (reconciliação).

Em cada um de nós existe uma profunda necessidade de libertação do exílio de nós mesmos, das nossas múltiplas paralisias, do nosso afastamento de Deus (pecado).

Começa a ser desenhado um conflito que o levará à Cruz, por ação e rejeição das autoridades constituídas.

Um paralítico é levado por quatro homens e introduzido pelo telhado na casa onde Jesus Se encontrava. Ele será liberto e perdoado manifestando o poder que Jesus possuía, pelo Pai confiado.

Quatro homens significa a humanidade solidária com quem sofre, e vai ao encontro d'Aquele que tem a última Palavra, a resposta, a libertação.

O paralítico sem nome é a mesma humanidade sedenta de vida, liberdade, movimento, dinamismo, enfim, de uma nova possibilidade.

Também revela que a Salvação de Jesus não é somente para a comunidade judaica, mas para a humanidade inteira. Os esforços feitos para que o paralítico chegasse até Jesus retratam os esforços que devemos fazer para chegarmos até Jesus.

Nada pode impedir nosso encontro com a Fonte da Vida e da Liberdade. Tudo se torna nada, para conhecê-Lo, encontrá-Lo.

Os esforços são a revelação da ânsia por libertação. Normalmente Jesus Se revela precisamente em nossas fraquezas, temores, cansaços, incertezas.

Ele tem a Palavra e a resposta. Ele é a própria Palavra que cura, liberta, perdoa, porque a plena manifestação do Amor de Deus.

O perdão que Jesus nos concede, é a oportunidade do começo de uma nova vida, ao mesmo tempo revela o poder divino que possui, pois é Deus, e somente Deus pode perdoar (aqui o grande conflito: as autoridades reagem dizendo tratar-se de blasfêmia).

A grande mensagem catequética do Evangelista: Jesus tem autoridade para trazer a vida em plenitude. N’Ele, Deus Se revelou como misericórdia, bondade, amor e perdão.

A humanidade que percorre diariamente as estradas de sofrimento e angústia encontra em Jesus uma resposta, uma palavra de Libertação e Vida plena. Somente Ele pode colocar a humanidade numa órbita de vida nova, e sem Ele nada pode ser feito.

O pecado redimido deixa a lembrança no coração do pecador perdoado, não para imobilizá-lo, mas para que relembre sempre a história de um amor vivenciado, de uma nova oportunidade encontrada.

Recorda-se como uma História de Salvação, como que um sigilo de um amor que foi e continua a ser maior do que qualquer enfermidade, qualquer pecado, quaisquer deslizes ou infidelidades.

O perdão purifica e renova, de modo que, no coração de quem foi perdoado, por um pecado cometido, fica a  lembrança do amor vivido; força impulsionadora para um novo modo de ser e agir, para a não repetição indesejável das mesmas faltas.

Reflitamos:
- Cremos em Jesus que por meio de palavras e gestos ama, salva, perdoa, liberta?
- Como testemunhamos Jesus e Seu poder?

- Quem nós conduzimos até Jesus?
- Quem recebe da Igreja a solidariedade necessária para o encontro da vida digna e plena?

- Procuramos superar a cada instante o perigo de uma forma de vida cômoda, instalada, medíocre?
- Testemunhamos nossa fé com coragem para a transformação em todos os níveis?

- Quais são as paralisias que nos roubam o compromisso com a construção do Reino?
- Quais são os pecados assumidos, para que confessados diante da misericórdia de Deus mereçam o perdão?

- Antes de nosso pedido de perdão chegar até Deus, quais são os esforços que fazemos para alcançá-lo?

Contemplemos, na ação e Pessoa de Jesus, a Face misericordiosa de Deus, que Se revela em Sua ternura, solidariedade, fidelidade, perdão, liberdade e vida plena para todos.

“Senhor, suplico Vosso perdão!”

                                               

“Senhor, suplico Vosso perdão!”

A Liturgia da Palavra, da segunda-feira da 2ª Semana do Advento, nos apresenta a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 5, 17-26), em que Jesus cura e perdoa os pecados de um paralítico.

Trata-se de um convite para que reflitamos sobre o poder que Jesus tem, não somente de perdoar os pecados da humanidade, bem como de libertá-la das possíveis paralisias físicas, e também de outras com maiores consequências: a paralisia espiritual.

Jesus é a manifestação da misericórdia de Deus que pode ser experimentada de diversos modos, e um deles é através do Sacramento da Penitência, com uma sincera, válida, e frutuosa confissão junto a um Presbítero da Igreja.

Há aqueles que não gostam de se confessar, por vezes pela dificuldade de como e o que confessar.

Evidentemente, que podemos confessar diretamente com Deus, mas não podemos prescindir e ignorar a forma salutar da confissão individual; quando o penitente reconhece a sua miséria, com seus limites e imperfeições, e curva-se diante da misericórdia de Deus.

Confessar é no mínimo um ato de humildade e de coragem; de colocar-se diante de si mesmo, do outro e de Deus, numa abertura necessária para reconhecer os pecados cometidos, as faltas que possam ter prejudicado os relacionamentos com o outro e com Deus.

Quanto ao paralítico curado, pensemos nas múltiplas manifestações de paralisias das quais podemos estar acometidos.
Lembremo-nos também de tantos que, pelas dificuldades enfrentadas, e a maior dela, a morte de um ente querido, são levados até mesmo à perda do sentido e da razão de viver.

A falta de perdão, dado ou recebido, paralisa relacionamentos, congela-os, quando não os aniquila, mata.

Não podemos paralisar nem mesmo diante da morte de um ente querido, ainda que esposo/esposa, mãe/pai, filho/filha, irmão/irmã, e mesmo um amigo que tenhamos apreço como a um irmão.

Os Apóstolos não ficaram paralisados diante da morte de Jesus, ao contrário, fazendo a experiência de Sua Ressurreição, contemplando Sua nova presença, redimensionaram e reorientaram os passos da Igreja nascente.

A fé na Ressurreição, a força do Ressuscitado rompe as portas fechadas do medo que nos paralisa, fragiliza, e nos faz sucumbir em possíveis mediocridades dos recuos.

Há uma forma de paralisia que brota da ausência do perdão, matando amizades, amores, convivências, lares, projetos, sonhos, conquistas...

Medito sobre a misericórdia de Deus e a nossa realidade incontestável de pecadores que somos, assim como sobre as paralisias que precisamos nos libertar.

Oremos:

Ó Deus, fonte de Misericórdia,
Suplico o Vosso divino perdão,
Reconhecendo meus pecados:
atos, pensamentos, palavras e omissão.

Coloco-me em Vossas mãos,
Para que a Vossa misericórdia penetre as fibras mais íntimas do meu ser.
Renovai-me, Senhor, revesti-me com Vosso Amor.
Fazei-me uma nova criatura, para a Vossa imagem melhor refletir.

Libertai-me, Senhor, de toda e qualquer paralisia,
Que me impeça sinceros compromissos com o Vosso Reino.
Ressoe Vossa Palavra no mais profundo de mim,
Para que a vocação profética do Batismo se reacenda.

Alegrai-me em ser Vossa presença, Vossa voz,
A tantos que precisam de Vossa Palavra ouvir.
Quero tão apenas, Senhor, por Vós ser perdoado e liberto.
E a quem precisar, ser um sinal de Vossa misericórdia e poder.
Amém! 

domingo, 7 de dezembro de 2025

Advento: Conversão e renovação pelo Fogo do Espírito (IIDTAA)

                                                    



Advento: Conversão e renovação pelo Fogo do Espírito

A Liturgia do 2º Domingo do Advento (ano A) nos convida a rever os valores que orientam a nossa vida, a fim de que coincidam com os valores do Reino, daí a necessidade permanente de conversão e amadurecimento, preparando a chegada do Senhor, em mais um Natal a ser celebrado.

Na passagem da primeira Leitura (Is 11,1-10), o profeta Isaías nos fala de um descendente de Davi sobre o qual repousa a plenitude do Espírito de Deus, um Messias.

Sua palavra profética é de fato uma poesia e o sonho de um mundo novo e melhor, numa realidade marcada pela opressão, sofrimento e desolação.

Nisto consiste a mensagem profética de Isaías: a vinda do Messias e a restauração da prosperidade do Reino, com a superação de divisões, conflitos, restaurando a verdadeira paz (Shalom), a plenitude de todos os bens de Deus para uma vida plena e feliz. Um tempo novo sem armas e sem guerras, numa paz sem fim.

E este Messias é o próprio Jesus, como veremos mais tarde, e que, como Igreja que somos, cremos, anunciamos e testemunhamos, e a Sua missão continuamos.

Quanto aos dons, o Messias será mais que Salomão (em sabedoria e inteligência); mais que Davi (conselho e fortaleza); mais que os patriarcas (conhecimento e temor).

Reflitamos:

- Como realizamos esta missão?
- Somos sinais de esperança na realidade em que nos encontramos inseridos?

- O que deve ser mudado em nós (enquanto indivíduos), família e sociedade, para que construamos um mundo novo, com novas relações de comunhão, partilha e fraternidade?

Na passagem da segunda Leitura (Rm 15,4-9), o Apóstolo Paulo exorta que os cristãos sejam o rosto visível do Cristo, testemunhando a união, a partilha e a comunhão, a harmonia, acolhida e a não discriminação, porque vive o amor mútuo.

Deste modo, a comunidade precisa viver a solidariedade com os  mais frágeis e necessitados; doando a vida em favor da vida do outro, promovendo e fortalecendo incansavelmente a unidade.

Reflitamos:

- De que modo nossa comunidade vive este testemunho?

- Quais atitudes acima precisam ser mais marcantes em nossas comunidades?

- Que esforço a comunidade faz para vencer o egoísmo e a autossuficiência?

Na passagem do Evangelho (Mt 3,1-12) destaca-se a pessoa de João Batista, uma voz a gritar no deserto, anunciando a proximidade da concretização do Reino, por isto, sua palavra é um forte grito profético que chama à conversão: “Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo” (Mt 3,1). E ainda: “Esta é a voz que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas” (Mt 3,2).

Com João Batista, somos exortados à mudança de valores para que se conformem aos valores do Reino; a deixar o supérfluo na procura do que seja, de fato, essencial para a nossa vida.

Podemos falar, então, de uma “metanoia”, uma mudança de mentalidade e atitudes, em total e incondicional retorno ao Deus da Aliança, numa contínua atitude de conversão.

Deste modo, para a acolhida do Messias é preciso esvaziar-se de todo o egoísmo, orgulho, autossuficiência e preocupação excessiva com os bens materiais.

Quanto ao Batismo de João Batista, é precedido pela pregação para um batismo de conversão, arrependimento, perdão dos pecados e agregação ao resto de Israel; o Batismo de Jesus será a introdução a uma relação de filiação divina, incorporação à vida da Igreja e participação ativa em sua missão (batismo no Espírito Santo e no fogo).

Reflitamos:

- Em que precisamos nos converter, neste Tempo do Advento, para bem celebrar o Nascimento do Salvador?
- Quais são os valores que orientam nosso pensar, falar e agir?

- São eles diferentes dos valores do mundo?
- O que significa, hoje, preparar o caminho do Senhor (em todos os âmbitos: pessoal, familiar, comunitário, social e planetário)?

Concluindo, permitamos que o Fogo do Espírito queime nossos pecados, e suas raízes sejam arrancadas de nosso coração, para que nele fiquem apenas entranhadas as raízes da misericórdia, e as obras corporais e espirituais sejam seus desejados frutos no cotidiano.

Sejamos transformados por este Fogo Divino do Espírito, para que celebremos um Natal cristão, recuperando o sentido Pascal do Natal, marcado pela conversão, pela passagem para uma nova atitude, mentalidade, compromissos com a Boa-Nova do Reino.

Somente a partir de corações e mentes renovadas, o mundo terá um novo coração e uma nova mentalidade.


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