domingo, 30 de novembro de 2025

Advento: Tempo de experimentar a misericórdia de Deus (IDTAA)

                                                       

Advento: Tempo de experimentar a misericórdia de Deus

Advento, Tempo de nos prepararmos para celebrar o nascimento d’Aquele que veio ao nosso encontro, o Sol Nascente, que veio nos visitar, o nascimento que mudou o rumo da história da humanidade e de toda a criação.

Advento, Tempo fecundo de vigilância e oração, na espera da Luz, que resplandeceu naquela Noite Santa, e em todas as noites escuras por que possamos passar, pois quem O acolhe, O ama e O segue, jamais andará nas trevas, como Ele mesmo, um pouco mais tarde, nos falaria.

Advento, Tempo de redescobrir a força e a beleza da Palavra de Deus, Pão que sacia nossa fome, água cristalina para nossa sede de vida, amor, paz e luz para o nosso caminho, ainda que a escuridão teime em nos desviar do verdadeiro Caminho, Verdade e Vida, Jesus (cf. Jo 14,6).

Advento, Tempo de nos abrirmos à Misericórdia de Deus, que vem ao nosso encontro na Pessoa de Jesus, que, ao Se encarnar, foi a própria misericórdia que se encarnou e habitou entre nós, e no-la ensinou a viver, para que misericordiosos como o Pai sejamos (Lc 6, 36).

Advento, Tempo de todos os dias de nossa caminhada, marcada pela presença de Deus, que guia os nossos passos com a força e a graça do Espírito, permitir que ela infunda em nosso coração o Seu amor, para amá-Lo, como convém, em correspondência desejável de amor.

Advento, Tempo da misericórdia para todos, sem nenhuma exclusão, de modo que ninguém possa pensar ou sentir que é indiferente para Deus, que ama sem exceção e a todos quer comunicar a força de Sua ternura e carícia, através daqueles que n’Ele creem.

Advento, Tempo da misericórdia para quantos que se sentem fracos e indefesos, afastados e sozinhos, para que sintam a presença de irmãos e irmãs presentes e solidários, nas mais diversas realidades e necessidades.

Advento, Tempo da misericórdia, para que os pobres sintam pousado sobre si o olhar respeitoso, mas atento daqueles que, vencida a indiferença, são promotores da cultura da misericórdia e da solidariedade, descobrem e promovem a beleza e a sacralidade da vida.

Advento, Tempo favorável para vivermos com criatividade e ousadia as obras de misericórdia corporais e espirituais, pois o mais belo Natal do Senhor acontece quando O vemos presente em cada um que de nós se aproxima suplicando um pouco de vida, alegria, consolação e paz.


Advento, Tempo de nos prepararmos e ouvirmos Sua Mãe, a primeira que abriu a procissão e nos acompanha no testemunho do amor, e nos indica sem cessar o seu Divino Filho, em seu ventre encarnado por Obra do Espírito Santo, e nos manda fazer tudo o que Ele nos disser (Jo 2, 5).

Advento, Tempo de nos prepararmos para celebrar com júbilo, na Noite Santa, o Nascimento na fragilidade de uma Criança, e em Seu rosto contemplar “o rosto radiante da misericórdia de Deus”, que se estende de geração em geração, como cantou Sua e nossa amada Mãe Santíssima, Maria. Amém!


PS: Inspirado no parágrafo no parágrafo n.21 da Carta Apostólica “Misericordia et misera

Advento: Tempo de vigilância e Oração (IDTAC)

                                                            


Advento: Tempo de vigilância e Oração

Reflexão sobre o primeiro Domingo do Tempo do Advento (ano C).

À luz das palavras do Profeta Jeremias e do Apóstolo Paulo em sua Carta aos Tessalonicenses na qual temos concentrado a sua catequese e teologia, somos introduzidos na riqueza tão grande do Tempo do Advento.

A Palavra de Deus, na Liturgia proclamada, é uma exortação à vigilância ativa:

 “... é necessário que os cristãos estejam vigilantes, isto é, saibam entender os sinais dos tempos, a mensagem que Deus envia aos homens mediante os acontecimentos terrenos.

Daqui o convite final à Oração (v. 36): a Oração será o único instrumento através do qual os crentes poderão permanecer numa união de verdade e de misericórdia com esse Filho do Homem diante do qual, nesse dia, deverão comparecer.” (1)

Advento, Tempo de fecundar a semente da Palavra de Deus em nosso coração, que deve ser devidamente preparado, em sincera atitude de conversão, para que possamos acolher e celebrar Deus que Se fez criança e virá mais uma vez conosco caminhar.

Celebrar o Advento intensamente, sempre com matizes Pascais, vivendo o Mistério da Morte e Ressurreição, que nos pede renúncias, mudanças, desapegos, renovação do ânimo, do entusiasmo, da entrega nas mãos do Senhor, livre e decididamente.

É o Tempo sagrado, em que o tempo cronológico que temos deve ser bem vivido, com todas as suas provações, mas fazendo crescer e abundar a caridade de uns para com os outros (1Ts 3,12), isto é, tornar os nossos corações consagrados ao Amor.

Advento é Tempo de viver para o Amor, com o Amor, Jesus, e para os outros, para o verdadeiro encontro d’Ele, que habita dentro de cada um de nós, no mais íntimo de nós que possamos conceber; Ele que muito mais nos conhece do que possamos conhecê-Lo.


Vigiemos, oremos, esperemos o Senhor, crescendo e transbordando no amor mútuo, fazendo progressos espirituais mais do que desejáveis, necessários:

“Aclamemos no Mistério Aquele que vem. Ele veio um dia e virá de novo, fiel à Sua Palavra. Conscientes de que toda justiça e santidade nossas são dons d’Ele, digamos-lhe o Amém da fidelidade e do empenho em colaborar para o Seu Reino que cresce no mundo até à plenitude, e do qual a Mesa Eucarística é anúncio e realização sacramental.” (2)

Preparemos nosso coração, para que fecundem as sementes de paz que ricamente serão plantadas em cada Eucaristia que celebrarmos. Somente assim teremos verdadeiramente um Santo Natal.


(1) Lecionário Comentado - Volume Advento Natal - Editora Paulus - Lisboa - 2011 - pág. 52
(2) Missal Dominical - Editora Paulus - 1995 - pág. 58.

Advento: A presença do Senhor na aparente ausência (IDTAB)

Advento: A presença do Senhor na aparente ausência

No primeiro Domingo do Tempo do Advento (ano B), somos convidados à vigilância, numa frutuosa preparação para o Natal do Senhor, em oração e revisão de nossos caminhos. Somos exortados à alegre espera d’Aquele que veio, vem e virá: Jesus.

Na passagem da primeira Leitura (Is 63,16b-17.19b; 64,2b-7) meditamos uma das mais belas orações da Sagrada Escritura. No momento pós-exílio, o Profeta tem diante de si um povo desanimado, sem esperança e com a emergente necessidade de reconstrução de sua história. É preciso que o povo reconheça que sua condição é fruto de sua infidelidade e abandono dos preceitos divinos, distanciamento de Deus e Seu Projeto. Com isto mergulhou em situação de pecado e desolação.

O Profeta invoca a proteção e a intervenção de Deus, confiando em Sua Misericórdia e Onipotência. O novo na história do Povo de Deus acontecerá se todos se colocarem em Suas mãos como barro, pois Ele é o Oleiro que nos molda. 

É preciso que o povo volte aos caminhos de Deus e da Aliança, pois por si nenhum povo, ninguém consegue emergir de uma situação de dificuldade e escuridão.

A misericórdia e a onipotência divinas esperam nossa resposta de amor, nossa interação. Deus não nos infantiliza no Seu relacionamento de Amor, antes, nos responsabiliza, leva-nos ao amadurecimento necessário.

Reflitamos:

Como me coloco nas mãos de Deus?
Qual o nível de minha fidelidade aos preceitos e Projeto de Deus?
Confio em Sua onipotência e misericórdia?

Na passagem da segunda Leitura (1Cor 1,3-9), o Apóstolo Paulo nos apresenta o caminho da vigilância: acolher a graça e a paz de Deus de coração aberto, multiplicar os dons que Ele concede à comunidade (carismas e dons são dados para o crescimento da comunidade). Todos devem se esforçar para viver uma vida santa e irrepreensível aos olhos de Deus.

Reflitamos: 

Como acolho a graça e a paz de Deus em minha vida?
Sou um instrumento da paz de Deus no mundo?
- Quais os dons que possuo e como os coloco a serviço da comunidade?
O que deve ser revisto e transformado em minha conduta para que possa acolher e celebrar um Santo e Verdadeiro Natal do Senhor?

O Evangelista São Marcos na passagem proclamada (Mc 13,33-37) apresenta um discurso escatológico de Jesus. Fala-nos dos finais dos tempos e a necessária atitude de vigilância na espera da segunda vinda gloriosa do Senhor.

Exige-se dos discípulos fidelidade, coragem, vigilância. A comunidade precisa de estímulo e alento.

A Parábola de Jesus entendamos:

O dono da casa que partiu (Jesus); o porteiro (os responsáveis pela comunidade, as lideranças) e todos devem ser ativos e vigilantes.

A Parábola exorta a coragem e a perseverança dos discípulos na fidelidade ao Senhor até que Ele venha.

Tempo do Advento é a mais bela notícia de que o Senhor vem ao nosso encontro. Alegremo-nos! É preciso reconhecer Sua presença na aparente ausência.

A vigilância consistirá, portanto, em assumir os compromissos batismais, não viver de braços cruzados numa espera passiva, esperando que Deus tudo resolva, ser uma voz ativa e questionadora no mundo (sal, luz, fermento – não se conformando a este século), lutar contra toda e qualquer forma de violação da vida, da concepção ao declínio natural.

Reflitamos:


Qual deve ser a atitude dos discípulos diante das vicissitudes, dificuldades que marcarão a caminhada histórica da comunidade até que Ele venha para instaurar definitivamente o novo céu e a nova terra?
- Como vivo os meus compromissos batismais?

Sou uma voz ativa no meu dia a dia?
Empenho-me corajosamente na construção de um mundo novo?

A vinda do Senhor é hoje. Vivo cada dia de minha existência como se fosse o último?
- De que modo assumo e participo na missão evangelizadora?

Que o Tempo do Advento consista, de fato, na oportunidade de um novo começo para todos nós. Estamos apenas dando os primeiros passos para um Santo Natal cheio de luz, alegria, paz e amor.




Fonte de pesquisa:  www.Dehonianos.org/portal

Advento - Cantar e caminhar, orar e vigiar (IDTAA)

                                                      


Advento - Cantar e caminhar, orar e vigiar

Reflitamos sobre o Tempo do Advento à luz do Sermão do Bispo Santo Agostinho (Séc. V) sobre o fim de todos nós, a eternidade que todos ansiamos, porém ainda a caminho, empenhados para ela alcançar, ela merecer...

“Aqui embaixo, cantemos o Aleluia, ainda apreensivos, para podermos cantá-lo lá em cima, tranquilos. Por que apreensivos aqui? Não queres que eu esteja apreensivo, se leio: Não é acaso uma tentação a vida humana sobre a terra? (Jó 7,1).

Não queres que fique apreensivo, se me dizem outra vez: Vigiai e orai para não caírdes em tentação? (cf. Mt 26,41).

Não queres que esteja apreensivo onde são tantas as tentações, a ponto de a própria oração nos ordenar: Perdoai nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores? (Mt 6,12). Pedintes cotidianos, devedores cotidianos.

Queres que esteja seguro quando todos os dias peço indulgência para os pecados, auxílio nos perigos?

Tendo dito por causa das culpas passadas: Perdoai nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores, imediatamente acrescento por causa dos futuros perigos: Não nos deixeis entrar em tentação (Mt 6,13).

Como pode estar no bem o povo que clama comigo: Livrai-nos do mal? (Mt 6,13). E, no entanto, irmãos, mesmo neste mal, cantemos o Aleluia ao Deus bom que nos livra do mal. Ainda aqui, no meio de perigos, de tentações, por outros e por nós seja cantado o Aleluia. Pois Deus é fiel e não permitirá serdes tentados além do que podeis (1Cor 10,13).

Portanto cantemos também aqui o Aleluia. O homem ainda é réu, mas fiel é Deus. Não disse: Não permitirá serdes tentados, mas: Não permitirá serdes tentados além do que podeis, mas fará que com a tentação haja uma saída para poderdes aguentar (1Cor 10,13). Entraste em tentação; mas Deus dará uma saída para não pereceres na tentação; para, então, à semelhança de um pote de barro, seres plasmado pela pregação, queimado pela tribulação.

Todavia, ao entrares, pensa na saída; porque Deus é fielguardará o Senhor tua entrada e tua saída (Sl 120,7-8).

Contudo, só quando esse corpo se tornar imortal e incorruptível, então terá desaparecido toda tentação; porque na verdade o corpo morreu; por que morreu? Por causa do pecado.

Mas o espírito é vida; por quê? Por causa da justiça (Rm 8,10). Largaremos então o corpo morto? Não; escuta: Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou a Cristo habita em vós, Aquele que ressuscitou dos mortos a Cristo vivificará também vossos corpos mortais (Rm 8,10- 11). Agora, portanto, corpo animal; depois, corpo espiritual.

Como será feliz lá o Aleluia! Quanta segurança! Nada de adverso! Onde ninguém será inimigo, não morre nenhum amigo. Lá, louvores a Deus; aqui, louvores a Deus. Mas aqui apreensivos; lá, tranquilos. Aqui, dos que hão de morrer; lá, dos que para sempre hão de viver. Aqui, na esperança; lá, na bem-aventurança. Aqui, no caminho; lá, na pátria.

Cantemos, portanto, agora, meus irmãos, não por deleite do repouso, mas para alívio do trabalho.

Como costuma cantar o caminhante: canta, mas segue adiante; alivia o trabalho cantando. Abandona, pois, a preguiça.

Canta e caminha. Que é isto, caminha? Vai em frente, adianta-te no bem. Segundo o Apóstolo, há quem progrida no mal. Tu, se progrides, caminhas. Mas progride no bem, progride na fé, sem desvios, progride na vida santa. Canta e caminha”.

O Bispo nos convida a cantar o Aleluia, provisoriamente e apreensivamente, aqui e agora, para que possamos cantá-lo tranquilamente na eternidade.

Viver o Tempo do Advento como tempo da vigilância e oração, e como Santo Agostinho nos disse, a cantar e caminhar. Cantar com confiança, caminhar com toda esperança, como pedintes e devedores cotidianos.

Pedintes e devedores cotidianos? Sim. É isto que somos diante de Deus, enquanto peregrinos que caminham rumo ao Pai, tão pedintes quanto devedores.

Quem ousaria pedir algo a quem tanto deve? Somente Deus mesmo é capaz de ouvir nossos pedidos, ainda que devedores eternos do Seu amor, e também devedores do amor mútuo, como o Apóstolo Paulo também nos exorta na Carta aos Romanos (Rm 13,8-10).

Como não merecedores pedintes e eternos devedores, cantemos e caminhemos e estejamos prontos para o grande momento da vinda do Senhor. Isto é Advento!

Vigiar e esperar com alegria a chegada de Deus (IDTAB)

 Vigiar e esperar com alegria a chegada de Deus

Anos passados, como Pároco da Paróquia Santo Antônio de Gopoúva - Diocese de Guarulhos-SP, tive a graça de celebrar a Renovação Batismal das crianças para o primeiro Encontro com Jesus na Eucaristia,  com ritual próprio, muito bem participado. Velas entregues pelos catequistas foram acesas, respostas cantadas para renovação do Batismo. Cantando, prometia-se fidelidade a Deus e à Sua Palavra, renovando-se as verdades que fundamentam a fé católica.

Tínhamos uma Igreja repleta: pais, mães, a Assembleia de costume e as crianças, como num cenário que vislumbrava o céu! 

Creio que o céu é o pulsar mais forte do coração de uma criança, energia transbordante, amor puro reinante, pureza exuberante…

Tudo isto diante da Trindade Santa, ao lado da Mãe querida e de todos os Santos e Santas de Deus - todos aqueles que nos antecederam e lavaram suas vestes no Sangue do Cordeiro!

Estávamos iniciando o Tempo do Advento que consiste no tempo da alegre espera d'Aquele que veio, vem e virá.

À luz do Profeta Isaías (Is 63-16-17.19 - 64,2-7), vimos que sem Deus nada somos, nada podemos. Sem Ele mergulhamos em nossa imundície, somos como um pano sujo, folhas murchas. Tão fragilizados ficamos que as maldades se multiplicam e somos levados pelos “ventos”. O segredo está em nos deixarmos modelar por Deus, como barro nas mãos do oleiro. Deixar Deus moldar nossos pensamentos, atitudes, sentimentos… Deus está sempre disposto e pronto a nos recriar. Um dia Ele nos criou, o pecado desfez o Seu projeto, mas incansavelmente Ele nos recria, nos refaz…

À luz da Carta de Paulo (1Cor 1,3-9), vimos em que  consiste a vida de uma pessoa com Deus. Quando uma comunidade se torna sinal da Trindade nada lhe falta; torna-se rica da Palavra e do conhecimento e também não lhe falta nenhum dom. Quem tem Deus tem tudo: graça e paz, ou seja, amor, ternura, bondade, força, todos os bens, alegria, vida…

Na passagem do Evangelho (ano B), Jesus nos convidava à vigilância (Mc 13,33-37); e esta consiste em viver uma vida com Deus.

No momento da Homilia, chamei uma das crianças, a Bianca, que carregava a vela na mão. Coincidentemente estava com uma blusa de leve tom róseo combinando com a cor litúrgica do Tempo do Advento. Rosto angelical como deve ter toda criança. Pedi que levantasse um bracinho apontando para o infinito, simbolizando a primeira vinda de Jesus; o outro bracinho, mãozinhas abertas, dedinhos estendidos apontavam para o outro extremo do infinito: a vinda gloriosa do Senhor.

Aquela criança representava todos nós, que contemplamos a vinda intermediária e a fazemos acontecer, quando acolhemos o Senhor na criança, no enfermo, no aflito, no faminto, no sedento, no encarcerado; quando multiplicamos gestos de amor e carinho em favor do outro; quando partilhamos tudo o que temos e o que somos, tão apenas por Amor e pelo Amor…

Reflitamos sobre o que fazer para prepararmos o verdadeiro Natal do Senhor:

- A minha vida tem sido marcada por atitudes de vigilância na espera do Senhor que vem?
- Tenho deixado Deus modelar minha vida, meus pensamentos, meus sentimentos?

- Coloco-me como barro na mão do oleiro, procurando o sopro do Espírito, o sopro de vida?
-  Há atitudes que devo rever, reorientar, redimensionar em minha vida?

-  Sinto a presença de Deus em minha vida? Quando O sinto ausente (na verdade por que me fiz ausente de Sua presença, uma vez que Ele nunca de nós Se faz ausente e distante) como, onde O busco?
-  Sinto-me como pano sujo, folha murcha levada ao vento pelas maldades que eventualmente possa estar fazendo? O que me fragiliza?

-  Como acolho a graça e a paz de Deus em minha vida?
-  Sinto-me pleno, enriquecido de todos os dons, ou ainda reclamo de Deus?

-  Enriqueço minha vida pela escuta, acolhida, meditação e vivência da Palavra, empenhando-me para realizar a vontade de Deus?

A vinda intermediária do Senhor está nos convocando. Preparemos a Sua chegada gloriosa. Não percamos tempo nem mergulhemos em sonolências espirituais, que nos impediriam de estar despertos para a Sua chegada. Não durmamos na fé, não esfriemos na caridade e tão pouco esmoreçamos na esperança de tempos novos que o Advento anuncia.

“A voz do anjo sussurrou no meu ouvido. Eu não duvido, já escuto os teus sinais Que tu virias numa manhã de domingo. Eu te anuncio nos sinos das catedrais…” (Alceu Valença).

Advento: Tempo de fecundação (IDTAC)

                                                                    

Advento: Tempo de fecundação

Tempo de vigiar e orar, tempo de a fé viver,
para solidificar a esperança na vivência de uma
autêntica caridade para com o próximo.

A Liturgia do 1º Domingo do Advento (Ano C) é um convite à preparação da vinda do Senhor, para mais uma luminosa e alegre Festa do Seu Natal.

Na passagem da primeira Leitura (Jr 33,14-16) contemplamos a promessa do Messias. É um período muito difícil da história do Povo de Deus (séc. VI A.C.), parece o princípio do fim, a derrocada de todas as esperanças e seguranças do Povo. 

Neste contexto, o Profeta Jeremias, em nome do Senhor, proclama a chegada de um novo tempo, em que Deus vai “pensar as feridas” do seu povo oferecendo a cura e favorecendo a abundância da paz e da segurança. 

O Profeta anuncia a fidelidade ao Senhor e as promessas que foram feitas, há alguns séculos, a Davi (cf. 2Sm 7). A mensagem é uma recordação das promessas divinas, de modo que é preciso ser eliminada toda nostalgia de um passado nem tão distante; é preciso eliminar toda sombra de medo no presente, para que possa num futuro bem próximo acontecer a instauração de um novo tempo de alegria, esperança, vida e paz, que será a realização da promessa messiânica cultivada na mente e no coração, realizada pelo Messias, que será o próprio Jesus.

A mensagem é atual: é preciso superar o medo, a frustração, o negativismo, a insegurança, o pessimismo. Crer no Senhor, em Sua força, presença e ação, correspondendo sempre à Sua iniciativa, numa resposta autêntica de conversão, fidelidade e compromisso. 

A passagem da segunda Leitura (1Ts 3,12-4,2) é um convite a ficarmos atentos, não nos instalando na mediocridade e comodismo. A vigilância é uma atitude ativa na espera do Senhor, pois Ele é o centro de nosso testemunho pessoal, comunitário e eclesial. 

Trata-se do primeiro Livro escrito do Novo Testamento dirigido a uma comunidade que vive o contexto de perseguição e provação. Tendo recebido notícias animadoras da comunidade, o Apóstolo Paulo envia uma Carta para que não se acomodem na espera do Senhor que vem, mas vivam a espera do Senhor, aprofundando as relações de amor entre seus membros. 

Ser cristão não é possuir a perfeição consumada, pois é preciso recomeçar em cada dia um novo instante da vida; saber que há um caminho novo a ser feito e não se conformar ao que já foi feito. 

Nisto consiste esperar, saber amar, avançar em águas mais profundas da fidelidade e compromisso com o Reino do Senhor.

Deste modo, o cristão não se acomoda, mas vigilante, se incomoda e se compromete com alegria e coragem na participação da construção do Reino.

A passagem do Evangelho (Lc 21,25-28.34-36) é uma mensagem de alegria, confiança, esperança e compromisso na acolhida do Filho do Homem, Jesus, que faz acontecer o Projeto de um mundo novo.

Retrata os últimos dias da vida terrena de Jesus e a iminente destruição de Jerusalém (anos 70 D.C.), como de fato aconteceu.

Jesus anuncia uma Palavra de ânimo, “é preciso levantar a cabeça porque a libertação está próxima” (Lc 21,28). A comunidade não pode se amedrontar, mas deve abrir o coração à esperança, em atitude de vigilância e confiança.

A salvação, dom de Deus,  não pode ser esperada de braços cruzados: Jesus vem, mas é preciso reconhecê-Lo nos sinais da história, no rosto dos irmãos, nos apelos dos que sofrem e buscam a libertação.

É preciso deixar que Ele nos transforme a mente e o coração para que Ele apareça em nossos gestos e palavras, em toda a nossa vida.

Celebrar o Tempo do Advento é celebrar a preparação para o Natal do Senhor. Celebrar a esperança de um mundo novo que há de vir e que depende de nosso testemunho. 

O Reino vem e acontece como realidade escatológica, ou seja, não será uma realidade plena neste tempo em que vivemos, será plenitude somente depois que Cristo destruir definitivamente o mal que nos rouba a liberdade e ainda nos faz escravos.

Trabalhamos e nos empenhamos pelo Reino que é já e ainda não, pois ainda que muitas coisas tenhamos feito e o mundo tornado melhor, ainda não será o “tudo melhor” que Deus tem reservado para nós. O Reino de Deus é uma realidade inesgotável, imensurável e indescritível, e o vemos em sinais.

Por ora, é preciso vigiar e orar, numa esperança que nos leve a viver uma caridade ativa tornando fecunda a nossa fé. 

Advento é tempo propício para ajudar o outro a se erguer de novo, é tempo de voltar a dar gosto à vida que germina silenciosamente.

Comecemos bem este Tempo maravilhoso e frutuoso que a Igreja nos oferece, preparando nosso coração para que nele Cristo possa nascer e renascer sempre. 

Que em nós, em nossas famílias e no mundo, o Deus Menino encontre uma digna moradia.

“Segui-me”

                                                          

“Segui-me”

Celebramos dia 30 de novembro, a Festa de Santo André, e, na Liturgia, ouvimos a proclamação a passagem do Evangelho em que André estava com seu irmão Simão, quando foi visto por Jesus, que caminhava à beira do mar da Galileia, quando os chamou para O seguirem: “Segui-me, e Eu farei de vós pescadores de homens”.  Imediatamente deixaram suas redes e O seguiram (Mt 4, 18-22).

André, como o próprio Pedro, nos ensina a estarmos sempre atentos à presença de Jesus, que Se aproxima de nós e nos chama para o serviço do Reino.

Ontem, a André Jesus falou - “Segui-me...”; hoje também o Senhor nos chama para segui-Lo, como alegres e convictos discípulos missionários Seus.

Seu chamado se dá em meio aos apelos que alcançam nossos ouvidos, ou são captados pelo nosso olhar, pela nossa sensibilidade aos sofrimentos e dores que constituem a tecida rede da vida, que, com ousadia e coragem, reluta contra os sinais de morte (corrupção, violência, degradação da vida, destruição incomum do meio ambiente...).

O mesmo chamado, ouvimos ao compartilhar na superação das necessidades básicas do existir não satisfeitas, na realidade da miséria, fome, abandono, refugiados em busca de vida e liberdade.

Jesus nos chama em meio à realidade da frieza e relativização do pecado e banalização da morte, na falta de fé, no desconhecimento de Deus ou mesmo na negação ou indiferença a Ele.

Chama-nos para segui-Lo e sermos sinal de Sua presença, comunicando a Sua Palavra, irradiando Sua Divina Luz aos que mergulharam no vale da falta de sentido de vida, na violência, enfim, em tudo o que exige de nós uma resposta de amor.

Para que tudo isto se torne possível, é preciso que deixemos tudo o que estamos fazendo, para sermos uma resposta viva de Deus a todos esses apelos, sinal também de Sua infinita misericórdia, em favor de todos, sem exceção.

Aprendamos com André, Pedro e todos aqueles que não tiveram medo de dizer sim ao chamado do Divino Mestre da Misericórdia.

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