quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Sejamos elevados e enlevados pelo Amor Divino

                                                   

Sejamos elevados e enlevados pelo Amor Divino

“Aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda
mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior.”

O Hino do Amor do Apóstolo Paulo, apresentado em sua Carta aos Coríntios (1 Cor 12,31-13,13), refere-se ao ágape; “é o Amor que Deus, sem favoritismos, derrama sobre todos, mesmo sobre os Seus inimigos, e é o único amor que, tornado próprio dos cristãos pode construir uma humanidade sem barreiras.” (1)

As palavras do Apóstolo, se acolhidas e vividas no cotidiano, nos elevam ao degrau mais alto do existir, nos credenciam a contemplar face a face Aquele que buscamos, peregrinando em meio às sombras iluminados sempre pela luz divina, que não se extingue.

Além de nos elevar ao degrau mais alto, o Hino de Amor Paulino nos enleva num encantamento e extasiamento indescritíveis:

“O Apóstolo engloba, numa síntese insuperável, o amor de Deus e o do próximo, mas é, sobretudo, o do próximo que é celebrado em 1Cor 13,1.

Os dons das profecias, das línguas e da ciência valem muito para a edificação da Igreja neste mundo; pelo contrário, na vida futura não serão necessários para comunicar com Deus, porque haverá a visão direta.

A relação entre ser cristão no tempo e ser cristão na eternidade é vista na relação ‘imperfeito-perfeito’ (v. 10), ‘criança-adulto’ (v.11), ‘visão indireta-visão face a face’ (v.12a), ‘conhecimento parcial, conhecimento perfeito, exaustivo e completo’ (v. 12b)”. (2)

Reflitamos: 

- O que mais nos chama a atenção neste Hino do Amor apresentado pelo Apóstolo?

Sejamos enlevados e inflamados para permanecermos firmes no autêntico caminho do amor-ágape, um caminho superior a todos os outros possíveis, o caminho do amor-paixão, o caminho do amor-amizade: “Sentir-se chamado a esse amor significa possuir aquele carisma que permanece pela eternidade.” (3)

Inflamados pelo Amor divino, vivamos com ardor, coragem e alegria, a vocação profética, contando sempre com a ação e presença do Espírito.

  
(1) Missal Dominical - Editora Paulus - p.1105.
(2) Lecionário Comentado - Editora Paulus
(3) Missal Dominical - Editora Paulus - p.1105

Em poucas palavras...

 


Deus é rico em misericórdia

“O nome divino «Eu sou» ou «Ele é» exprime a fidelidade de Deus, que, apesar da infidelidade do pecado dos homens e do castigo que merece, «conserva a sua benevolência em favor de milhares de pessoas» (Ex 34, 7).

Deus revela que é «rico de misericórdia» (Ef 2, 4), ao ponto de entregar o seu próprio Filho. Dando a vida para nos libertar do pecado, Jesus revelará que Ele mesmo é portador do nome divino: «Quando elevardes o Filho do Homem, então sabereis que Eu sou» (Jo 8, 28).” (1)

 

(1)              Catecismo da Igreja Católica – parágrafo 211

A vida nova que nasce do perdão

A vida nova que nasce do perdão

“Pois pecamos diante do Senhor e lhe desobedecemos e
não ouvimos a voz do Senhor, nosso Deus, que exortava a viver
de acordo com os Mandamentos que Ele pôs sob os nossos olhos”
 (Br 1,17-18)

Senhor Jesus Cristo, à luz das Palavras de Vosso Apóstolo, contemplo a infinita misericórdia de Vosso Pai: “O Pai manifestou Sua misericórdia, reconciliando consigo o mundo por meio de Cristo, restabelecendo a paz, com o Sangue de Sua Cruz, entre as coisas da terra e as do céu” (2 Cor 5,18ss).

Senhor Jesus Cristo, vivo e Ressuscitado, fazei crescer em nós o amor por Vossa Igreja, pela qual estais unidos como Esposa, completando em nossa carne o que falta à Vossa Paixão, também por amor a ela, Igreja santa e pecadora que é, como rezamos na Oração Eucarística.

Senhor Jesus Cristo, rosto da misericórdia divina, ajudai-nos a fazer da penitência uma confissão alegre e pacificante da misericórdia, a fim de que sejamos misericordiosos como o Vosso Pai, para com nossos próximos, em caridade fecunda e autêntica.

Senhor Jesus Cristo, manso e humilde de coração, que nos ensinais a perdoar setenta vezes sete, ajudai-nos a compreender e viver o perdão, não como expressão de passividade ou fuga de responsabilidades, mas como compromisso de uma vida nova, que deste perdão deve brotar.

Senhor Jesus Cristo, ajudai-nos a viver o perdão, não como uma espécie de vazia e insípida tranquilidade interior, mas vivendo a reconciliação, como um compromisso de purificação e contínua superação, em atitude de vigilância, oração e conversão. Amém.


Fonte: Br 1,15-22
Inspirado no Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – pp.1338-1339

Em poucas palavras...

 


“O povo dos pobres”

“O povo dos «pobres» (Cf. Sf 2, 3; Sl 22, 27; 34, 3; Is 49, 13; 61. 1;), dos humildes e dos mansos, totalmente entregues aos desígnios misteriosos do seu Deus, o povo dos que esperam a justiça, não dos homens mas do Messias, tal é, afinal, a grande obra da missão oculta do Espírito Santo, durante o tempo das promessas, para preparar a vinda de Cristo.

É a qualidade do seu coração, purificado e iluminado pelo Espírito, que se exprime nos salmos. Nestes pobres, o Espírito prepara para o Senhor «um povo bem disposto» (Lc 1,17).” (1)

 

(1)        Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 716

Em poucas palavras...

 


“Vivendo segundo Cristo...”

“Vivendo segundo Cristo, os cristãos apressam a vinda do Reino de Deus, do «Reino da justiça, da verdade e da paz» (Prefácio da Missa Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo). Mas nem por isso descuram as suas tarefas terrestres. Fiéis ao seu Mestre, cumprem-nas com retidão, paciência e amor.” (1)

 

(1)        Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2046

“Enviados para anunciar a Boa-Nova”

“Enviados para anunciar a Boa-Nova

 “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!”
(1Cor 9,16)

É sempre tempo favorável para o aprofundamento da vital missão da Igreja: evangelizar, proclamar a Boa Notícia do Evangelho a todos os povos:

"Todo poder foi me dado no céu e sobre a terra. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto Vos ordenei. E, eis que Eu estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28, 18-20).

Como a Igreja nos ensina, a evangelização é missão de todos os fiéis chamados, em virtude de seu batismo, a serem discípulos missionários de Jesus Cristo.

A missão não é tarefa opcional, mas parte integrante da identidade cristã, não se limitando a um programa ou projeto. É o compartilhar da experiência e do acontecimento do encontro pessoal com Jesus Cristo, por Ele se apaixonando, em corajoso e alegre testemunho a todas as pessoas, tornando visível o Amor misericordioso do Pai, especialmente com os pobres e pecadores.

Fiéis à sã doutrina da Igreja, procurando respostas evangélicas para as questões sociais que nos inquietam, a fim de que a vida seja promovida em todos os níveis e em todos os seus momentos, desde a concepção até seu declínio natural, por uma autêntica e sadia cidadania.

A cidade e seus desafios nos inquietam: a superação da miséria, fome, violência, extinção dos escândalos inúmeros (dos quais somos vítimas todos os dias).

É tempo de renovarmos nosso ardor missionário, procurando novas expressões e métodos, para que a Boa Notícia do Evangelho chegue a todos os povos, e que continue ressoando em nosso coração as palavras do Apóstolo Paulo, acima mencionadas.

Enquanto caminhamos na penumbra da fé até a Cidade Celestial, plena de luz, vida, amor e paz... fiquemos vigilantes e em Oração, reavivando sempre a graça do Batismo, em alegre anúncio, corajoso testemunho, fazendo da vida, amor, doação e serviço, como assim o fez Nosso Senhor, assistidos pela força do Espírito Santo, em total fidelidade ao Plano de Deus e ao Seu Reino.

O mais alto objetivo da Arte

O mais alto objetivo da Arte

Atribui-se ao filósofo George Friedrich Hegel esta frase:

O mais alto objetivo da arte é o que é comum à Religião e à Filosofia. Tal como estas, é um modo de expressão do divino, das necessidades e exigências mais elevadas do Espírito”.

Neste sentido, a arte apresenta-se como um processo de infinitização do finito, um convite à reflexão, nos interrogando incessantemente, porque em perfeita sintonia e intimidade com o pensamento e o sentimento.

Segundo Delmo Mattos, “Enquanto ideia, a Arte concilia o infinito no finito, representa o Absoluto numa matéria sensível ou plástica, presentifica o divino em elementos sensíveis, revelando-se a verdade da Arte. Nessa manifestação sensível, material, do espírito, a Arte contradiz sua própria forma, o que ela deve exprimir: seu conteúdo infinito, divino” (1)

Esta reflexão nos remete à recente Mensagem Oficial da CNBB:

 “Em toda sua história, a Igreja sempre valorizou a cultura e a arte, por revelarem a grandeza da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, fazendo emergir a beleza que conduz ao divino. ‘A arte é como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e para uma verdade que vão mais além da vida quotidiana’ (Bento XVI – 2011). O mundo no qual vivemos, ensina Paulo VI, precisa de beleza para não cair no desespero (Cf. Mensagem aos Artistas – 1965).

Reconhecemos que “para transmitir a mensagem que Cristo lhe confiou, a Igreja tem necessidade da arte” (São João Paulo II – Carta aos artistas 1999). Somos, por isso, agradecidos aos artistas pela infinidade de obras que enriquecem a cultura, animam o espírito e inspiram a fé.

 Merecem destaque a pintura, a música, a arquitetura, a escultura e tantas outras expressões artísticas que ressaltam a beleza da criação, do ser humano, da sexualidade, e o espírito religioso do povo brasileiro. Arte e fé, portanto, devem caminhar unidas, numa harmonia que respeita os valores e a sensibilidade de cada uma e de toda pessoa humana na sua cultura e nos seus valores”.(2)

Urge que se devolva à arte o seu mais alto objetivo, considerando tudo que vimos e ouvimos nestes dias.

Reconquiste a verdadeira arte espaços para que o espírito humano seja elevado, e que ela seja de fato “como uma porta aberta par ao infinito...”, como tão bem expressou o Papa Bento XVI.

A verdadeira arte é pão para nossa fome, e água cristalina para nossa sede do belo e elevação transcendente.



(1) Delmo Mattos em “o sublime e o belo artístico em Hegel”.
(2) Mensagem Oficial da CNBB - “Vencer a intolerância e o fundamentalismo”

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG