domingo, 24 de agosto de 2025

Em poucas palavras... (14/09)

                                                                  


O Mistério da Cruz 

“Senhor Salvador levantou a voz e com incomparável majestade disse: Saibam todos que depois da tribulação se seguirá a graça; reconheçam que sem o peso das aflições não se pode chegar ao cimo da graça; entendam que a medida dos carismas aumenta em proporção da intensificação dos trabalhos. Acautelem-se os homens contra o erro e o engano; é esta a única verdadeira escada do paraíso e sem a cruz não há caminho que leve ao céu... 

Ninguém se queixaria da cruz nem dos sofrimentos que lhe adviriam talvez, se conhecessem a balança, onde são pesados para serem distribuídos aos homens."  (1)

 

(1) Santa Rosa de Lima, (1586 -1617), Padroeira da América Latina. 

Em poucas palavras... (14/09)

                                                               


“A cruz é o único sacrifício de Cristo...”

“A cruz é o único sacrifício de Cristo, mediador único entre Deus e os homens (1 Tm 2,5). Mas porque, na sua pessoa divina encarnada. «Ele Se uniu, de certo modo, a cada homem» (Gaudium et spes – GS n.22), «a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhe­cido» (GS n.22).

Convida os discípulos a tomarem a sua cruz e a segui-Lo(Mt 16,24) porque sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os seus passos (1 Pd 2,21).

De fato, quer associar ao seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários (Mc 10,39; Jo, 21-18-19; Cl 1,24). Isto realiza-se, em sumo grau, em sua Mãe, associada, mais intimamente do que ninguém, ao mistério do seu sofrimento redentor (Lc 2,35):

«Há uma só escada verdadeira fora do paraíso; fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu» (Santa Rosa de Lima).” (1)

 (1)               Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 618

A sabedoria dos simples e a força dos pequenos (24/08)

                                                        

A sabedoria dos simples e a força dos pequenos

Na Festa de São Bartolomeu, dia 24 de agosto, somos enriquecidos pela Palavra  proclamada: Ap 21,9b-14 e Jo 1,45-51.

Reflitamos a Homilia do Bispo São João Crisóstomo (séc. IV), sobre a Primeira Carta aos Coríntios, que muito nos enriquece na espiritualidade a ser cultivada, purificada, amadurecida, a fim que trilhemos nos passos de Jesus.

“Por meio de homens ignorantes a Cruz persuadiu, e mais, persuadiu a terra inteira. Não falava de coisas sem importância, mas de Deus, da verdadeira religião, do modo de viver o Evangelho e do futuro juízo. De incultos e ignorantes fez amigos da sabedoria. Vê como a loucura de Deus é mais sábia que os homens e a fraqueza, mais forte.

De que modo mais forte? Cobriu toda a terra, cativou a todos por Seu poder. Sucedeu exatamente o contrário do que pretendiam aqueles que tentavam apagar o nome do Crucificado. Este nome floresceu e cresceu enormemente.

Mas Seus inimigos pereceram em ruína total. Sendo vivos, lutando contra o morto, nada conseguiram. Por isso, quando o grego me chama de morto, mostra-se totalmente insensato, pois eu, que a seus olhos passo por ignorante, me revelo mais sábio que os sábios.

Ele, tratando-me de fraco, dá provas de ser o mais fraco. Tudo o que, pela graça de Deus, souberam realizar aqueles publicanos e pescadores, os filósofos, os reis, numa palavra, todo o mundo perscrutando inúmeras coisas, nem mesmo puderam imaginar.

Pensando nisto, Paulo dizia: O que é fraqueza de Deus é mais forte que todos os homens (1Cor 1,25). Com isso se prova a pregação divina.

Quando é que se pensou: doze homens, sem instrução, morando em lagos, rios e desertos, que se lançam a tão grande empresa? Quando se pensou que pessoas que talvez nunca houvessem pisado em uma cidade e, em sua praça pública, atacassem o mundo inteiro?

Quem sobre eles escreveu, mostrou claramente que eles eram medrosos e pusilânimes, sem querer negar ou esconder os defeitos deles. Ora, este é o maior argumento em favor de sua veracidade. Que diz então a respeito deles? Que, preso o Cristo depois de tantos milagres feitos, uns fugiram, o principal deles O negou.

Donde lhes veio que, durante a vida de Cristo, não resistiram à fúria dos judeus, mas, uma vez Ele morto e sepultado – visto que, como dizeis, Cristo não ressuscitou, nem lhes falou, nem os encorajou – entraram em luta contra o mundo inteiro?

Não teriam dito, ao contrário: 'Que é isto? não pôde salvar-Se, vai proteger-nos  agora? Ainda vivo, não socorreu a Si mesmo, e morto, nos estenderá a mão? Vivo, não sujeitou povo algum, e nós iremos convencer o mundo inteiro, só com dizer Seu nome? Como não será insensato não só fazer, mas até pensar tal coisa?'. Por este motivo é evidente que, se não O tivessem visto ressuscitado e recebido assim a grande prova de Seu poder, jamais se teriam lançado em tamanha aventura.”

Como vemos, os discípulos, entre eles Natanael, identificado com Bartolomeu, homens simples, incultos, entre outras limitações, conseguiram irradiar a força do Evangelho.

Este  êxito ocorreu e ocorre ainda hoje e continuará a ocorrer é porque existe algo que a razão humana não consegue explicar, que as ciências não conseguem  sistematizar e conceituar. 

Algo que ultrapassa quaisquer lógicas que possamos pensar, pois se trata de  uma verdade que nos remove, impulsiona, seduz, compromete, anima, orienta: a Ressurreição de Jesus. 

Cremos na Ressurreição, na força que dela emana em nossa missão, e assim, cremos que somos e podemos mais do que possamos ser e pensar, na força do Ressuscitado, como falou o apóstolo Paulo – “Tudo posso n'Aquele que me fortalece!” (Fl 4,13).

Cremos e aspiramos as coisas do alto onde Deus está.
Cremos que se com Ele morremos, com Ele ressuscitamos, nos eternizamos.

Cremos que em nós foi, um dia, pelo Batismo, lançada a semente da imortalidade, de modo que somos templos do Espírito. Morte experimentada, não como epílogo, rompimento sem horizonte, mas passagem, nascimento para o que de mais precioso desejamos: a Face Divina contemplar...

Cremos na Vida do Ressuscitado, e seduzidos por Ele, com o coração de amor inflamado, caridade testemunhada, fé e esperança irmanadas numa ciranda provisória que se perpetuará na eternidade.

Cremos que tão somente assim, nenhuma dificuldade será o bastante forte para aniquilar a força e apagar a  chama do fogo do Espírito do Ressuscitado em nosso coração, onde Ele quis habitar, para nos divinizar. 

Creio Senhor, mas aumentai minha fé.


PS: Apropriado para o dia 05 de janeiro, antes da Epifania, em que se proclama a passagem do Evangelho de João (Jo1,43-51).

São Bartolomeu: a sinceridade do Apóstolo

                                          


São Bartolomeu: a sinceridade do Apóstolo

No dia 24 de agosto, em que celebramos a Festa do Apóstolo São Bartolomeu, somos enriquecidos pelo “Tratado sobre a prescrição dos hereges”, escrito pelo Presbítero Tertuliano (Séc. III), sobre a pregação apostólica, a qual ambos deram imensa contribuição.

“Cristo Jesus, nosso Senhor, durante a Sua vida terrena, ensinou quem era Ele, quem tinha sido desde sempre, qual era a vontade do Pai que vinha cumprir e qual devia ser o comportamento do homem. Ensinava estas coisas ora em público, diante de todo o povo, ora em particular, aos Seus discípulos.

Dentre estes escolheu doze para estarem ao Seu lado, e que destinou para serem os principais mestres das nações. Quando, depois da Sua Ressurreição, estava prestes a voltar para o Pai, ordenou aos onze – pois um deles se havia perdido – que fossem ensinar a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Imediatamente os Apóstolos (palavra que significa “enviados”) chamaram por sorteio a Matias como duodécimo para ocupar o lugar de Judas, segundo a profecia contida num salmo de Davi.

Depois de receberem a força do Espírito Santo com o dom de falar e de realizar milagres, começaram a dar testemunho da fé em Jesus Cristo na Judeia, onde fundaram Igrejas; partiram em seguida por todo o mundo, proclamando a mesma doutrina e a mesma fé entre os povos.

Em cada cidade por onde passaram fundaram Igrejas, nas quais outras Igrejas que se fundaram e continuam a ser fundadas foram buscar mudas de fé e sementes de doutrina. Por esta razão, são também consideradas apostólicas, porque descendem das Igrejas dos Apóstolos.

Toda família deve ser necessariamente considerada segundo sua origem. Por isso, apesar de serem tão numerosas e tão importantes, estas Igrejas não formam senão uma só Igreja: a primeira, que foi fundada pelos apóstolos e que é origem de todas as outras. Assim, todas elas são primeiras e apostólicas, porque todas formam uma só. A comunhão na paz, a mesma linguagem da fraternidade e os laços de hospitalidade manifestam a sua unidade. Estes direitos só têm uma razão de ser: a unidade da mesma tradição sacramental.

Se quisermos saber o conteúdo da pregação dos Apóstolos, e, portanto, aquilo que Jesus Cristo lhes revelou, é preciso recorrer a estas mesmas Igrejas fundadas pelos próprios Apóstolos e às quais pregaram quer de viva voz, quer por seus escritos.

O Senhor realmente havia dito em certa ocasião: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de as compreender agora; e acrescentou: quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade (Jo 16,12-13).

Com estas palavras revelou aos Apóstolos que nada ficariam ignorando, porque prometeu-lhes o Espírito da Verdade que os levaria ao conhecimento da plena verdade. E, sem dúvida alguma, esta promessa foi cumprida, como provam os Atos dos Apóstolos ao narrarem a descida do Espírito Santo.”

Celebrando a Festa deste Apóstolo, renovemos a alegria de participar da missão que o Senhor nos confiou, como batizados, em nome da Santíssima Trindade, que nos acompanha em todos os momentos.

Ontem, como hoje, são muitos os desafios que se colocam frente à missão de proclamar a Boa-Nova, e não podemos jamais permitir que se esfrie ou se apague a chama do primeiro amor, que viveram os primeiros na fidelidade ao Senhor.

Seja o amor derramado em nossos corações, por meio do Espírito, para que firmemos nossos passos, para que sejamos fiéis a Jesus, O Caminho, a Verdade e a Vida que nos assegura vida plena e definitiva a caminho do Pai.

Seu testemunho foi selado com o martírio – esfolado vivo – como era costume penal dos persas.

São Bartolomeu como demais apóstolos seguiram o Caminho, foram iluminados pelo esplendor da Verdade, e deram a Vida pelo Senhor, e hoje estão na comunhão e amor e vida plena: céu.
Agora é o nosso tempo, é a nossa hora a ser vivida, com amor, zelo e ardor total, a fim de que a Boa-Nova seja anunciada em todos os tempos e em todos os lugares.

Oremos:

Ó Deus, fortalecei em nós aquela fé que levou São Bartolomeu a seguir de coração o Vosso Filho, e fazei que, pelas preces do Apóstolo, a Vossa Igreja se torne Sacramento da salvação para todos os povos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”.

“Só Tu tens Palavras de vida eterna” (XXIDTCB)

                                                          

“Só Tu tens Palavras de vida eterna”

“A quem iremos, Senhor?”

Com a Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre nossas opções, sobre o discernimento que devemos fazer entre os valores passageiros e os valores eternos.

A passagem  primeira Leitura do Livro de Josué (Js 24,1-2a.15-17.18b), por volta do século XII a. C, retrata sua fase final.

É uma catequese sobre o poder de Javé a serviço do povo. Este precisa aceitar os dons divinos e corresponder com fidelidade à Aliança com Deus e aos Mandamentos, de modo que o Povo de Deus não pode ser seduzido por outros deuses.

Renovar sempre os compromissos com Javé é certeza de vida e liberdade. Somente em Deus e com Ele se pode encontrar a vida em plenitude. 

Jamais prescindir de Deus é a grande mensagem desta passagem para a História da Humanidade em todo o tempo.

Preciosa é a afirmação de Josué na escolha: “Nem que todos Te abandonem, eu e minha família, não abandonaremos”. Josué é o modelo de líder: vive o que fala, assume e testemunha...

O Apóstolo Paulo, na passagem da segunda leitura, Carta aos Efésios (Ef 5,21-32), fala das consequências daquele que faz sua adesão a Cristo, e apresenta a família como espaço do aprendizado dos valores do Reino: partilha, amor, união.

O casal cristão deve ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja. Uma relação de amor, doação, serviço e edificação do outro. Paulo estabelece um belíssimo paralelo: o amor dos esposos comparado com a relação do Amor de Cristo pela Igreja e da Igreja por Cristo.

A vida conjugal, “ser uma só carne”, é o empenho cotidiano de viver neste amor e fidelidade, na partilha de toda a vida, com suas dores e alegrias, angústias e esperanças.

Viver o Batismo implica sempre em viver como Homens novos, e a família se torna o espaço privilegiado, e primeiro de aprendizado das normas e valores do Reino.

Na passagem do Evangelho (Jo 6,60-69), vemos a contraposição de duas lógicas: a humana e a divina. 

Há uma lógica do poder, ambição e glória, e há a lógica da ação do Espírito que é caminho do amor e do dom da vida.

A preocupação do Evangelista é assegurar que o caminho da fidelidade é árduo, mas garante a vida plena. O contexto era de perseguição, afastamento, recusas, esmorecimentos, fragilização da fé.

A opção por Jesus é radical e exigente, deve ser feita com toda a liberdade, abrindo-se à ação do Pai com a força e luz do Espírito.

A comunidade deve amadurecer, pois não está livre de ver desertores. A proposta de Jesus é clara: ou se aceita, ou se rejeita. Há somente um caminho: amor, serviço, partilha e entrega da própria vida.

A resposta de Pedro deve ser sempre a nossa resposta na tomada de decisão diante do Senhor: “só Tu tens Palavras de vida eterna”.

O discípulo de Jesus não sabe o que é uma “vida morna”. Serve-se a Deus ou ao diabo; a Deus ou ao dinheiro. 

Não se pode atenuar, amenizar, fragilizar a proposta de Jesus. Não existe uma visão “light” do cristianismo.

A opção por Ele deve ser sempre revisada, renovada. Não há lugar para preguiça, acomodação e instalação. 

Não se pode suavizar as propostas de Jesus, nem desvirtuar o Evangelho para agradar o mundo, as pessoas, para que não haja perda de adeptos. Evangelho é a Boa Nova que não pode ser traída para agradar uns e outros.

Cristão, portanto é quem aceita o seguimento de Jesus Cristo e não impõe condições, mas aceita, acolhe e se empenha, na vigilância e na Oração, a viver esta Boa Nova até o fim, no bom combate da fé até que mereça a glória nos céus receber.

Participar da Missa, ouvir a Palavra e receber a Eucaristia são atitudes que devem marcar toda a nossa existência, e assim, aderirmos a Jesus Ressuscitado com todas as fibras do nosso ser.

Aprendamos com Josué e sua família, com o Apóstolo Paulo, o Apóstolo Pedro, como bem nos ilumina a Palavra proclamada.

Alimentar e testemunhar a fé é preciso, como também é preciso discernir e ser fiel até o fim.

sábado, 23 de agosto de 2025

Santa Rosa de Lima e a Paixão pelo Reino (23/08)

                                                             

Santa Rosa de Lima e a Paixão pelo Reino

Celebra-se no dia 23 de agosto, a Memória de Santa Rosa de Lima, e reflitamos à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,44-46).

Nesta, Jesus fala do Reino comparando a duas conhecidas Parábolas: a do tesouro escondido que foi encontrado e da pérola de grande valor, que para sua aquisição tudo se vendeu. 

Procura e encontro, venda e compra. Procura inquietante, desapego para o essencial buscado, como escreveu o Apóstolo Paulo em sua Carta aos Filipenses:

“Mas o que era para mim lucro tive-o como perda, por amor de Cristo. Mais ainda: tudo considero perda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, Por Ele, perdi tudo e tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo e ser achado n’Ele, não tendo como minha justiça, aquela que vem da Lei, mas aquela pela fé em Cristo, aquela que vem de Deus e se apoia na fé” (Fl 3, 8-9).

O Missal Cotidiano assim afirma:

“O Evangelho é uma alegre mensagem, não um anúncio fúnebre! Jesus quer enriquecer-nos de bens superiores, e por isso, nos pede renunciar aos bens inferiores. É uma renúncia, mas àquilo que não merece ser supervalorizado, porque transitório. Renúncia, positivamente calculada, capacidade de aquisição. É preferir o mais, o melhor, é dar tudo pelo ‘tudo’, eis porque é ‘alegria’. Tesouro, pérola preciosíssima é a Palavra de Cristo, o Reino, o próprio Cristo. Dar tudo por Ele é ‘lucro’”.

Se o Reino de Deus for tudo para mim, se Deus for tudo para mim, procura, renúncia, desapegos, uma hierarquia onde os bens espirituais e eternos se sobreponham serão necessários e notáveis na minha vida, em todo meu existir.

Reflitamos:

-  O que motiva minha vida?
-  Quais são minhas riquezas?
-  Quais são os valores maiores que norteiam meus pensamentos e decisões?

-  Deus é, de fato, meu “Tudo”? 
-   Por Ele a tudo sou capaz de renunciar, em incondicional amor e fidelidade?

Aprendamos com Santa Rosa de Lima que, a exemplo de muitos, encontrou no Senhor, em Sua Palavra e na Boa-Nova do Reino a sua mais preciosa riqueza, sua pérola e seu tesouro. 

Autenticidade no discipulado (22/08)

                                                         

Autenticidade no discipulado

"Voltemos ao primeiro amor..."

No sábado da 20ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho (Mt 23,1-12), em que refletimos sobre algumas exigências do ser cristão: seriedade, verdade, coerência e o irrenunciável compromisso com o Reino.

É sempre necessário nos questionarmos sobre possíveis posturas farisaicas que possam estar presentes em nossa conduta: domínio e monopólio da verdade, incoerência, exibicionismo e insensibilidade ao amor e à misericórdia.

No confronto de Jesus com o farisaísmo, Ele reconhece que são sérios e bem intencionados, mas são fundamentalistas no cumprimento da Lei, acompanhado do desprezo do próximo.

Esqueciam o essencial, o amor e a misericórdia. Os fariseus detinham em suas mãos a interpretação e a aplicação da Lei, mas pelo viver transparecia a sua incoerência. A escravidão à Lei os desqualifica diante dos pequenos, acrescido do exibicionismo próprio dos fariseus lhes manchava a imagem e a honra.

Afastando-se do essencial, afastam-se da verdadeira fraternidade, não vivem o amor e o serviço que devem consistir todo o existir daquele que a Deus teme, pois passam a tratar o outro com diferenças e esvaziam uma verdade tão bela: somos todos iguais em dignidade diante d’Aquele que nos criou.

Reflitamos:
-   Os fariseus falavam muito bem e nada faziam. Quais são os erros farisaicos presentes em nossas comunidades?
-   Como eliminar o espírito farisaico que pode se fazer presente em nossas relações comunitárias e até mesmo sociais?
-   O que fazer para recuperar a alegria e a serenidade no testemunho de nossa fé cristã?
-   Impomos ou somos uma carga pesada sobre o outro com quem nos relacionamos e convivemos, a exemplo dos fariseus no Evangelho mencionado?

Voltemos ao “Primeiro Amor”, Jesus, numa fecunda prática religiosa: 

“Os profissionais do sagrado estão sempre expostos a uma tentação: ter na Igreja uma competência doutrinal; tratar continuamente das coisas de Deus, mas chegar tarde ao encontro com o próprio Senhor; enfeitar a moldura e não olhar para o Seu rosto...

O obstáculo a superar é uma certa familiaridade com a fé e com os Sacramentos, que não é aquela de quem adora ama e encontra o Senhor no terreno fértil da humildade e do assombro perante o Seu Mistério infinito, mas é a familiaridade alterada pela superficialidade, pelo desinteresse, quando se trata de testemunhar, pela indiferença perante o tesouro escondido num campo e a pérola de grande valor, que não nos surpreendem já como antes (Mt 13,44-46).” (1)

Voltemo-nos ao “Primeiro Amor”!

  
(1) Lecionário Comentado - Tempo Comum – Vol. II - Giuseppe Casarin - Editora Paulus  

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