sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Dobrem-se os sinos

                                                                 


Dobrem-se os sinos
Um minuto para o meio-dia.
O sino vai tocar mais forte do que ontem,
Porque hoje preciso que assim seja,
Para me lembrar de que estamos adormecidos,
Em pleno sol sem a sombra que aparecerá,
A cada minuto até o seu poente.

Estamos adormecidos do que não se podia.
Estamos em letargia que a vida macula.
O que fazer, para que todos acordemos
De uma realidade marcada por terríveis pesadelos?
Arrebentar as correntes da alma,
Que nos aprisionam roubando perspectivas.

Agora são 12 horas.
Sinos invadem ouvidos e iluminam a mente.
Transformo pesadelos em salutares sonhos,
Calço as sandálias da coragem e prontidão,
Coloco o cinto para o combate da fé,
para não nos entregarmos ao aparentemente invencível.

Os sinos continuam a badalar, incessantemente,
Dobrem-se os sinos em toda a parte,
Até que todos acordemos, enquanto é tempo,
Não permitindo que a desolação de pandemias
Roubem nossas forças e a fina flor da esperança,
Para que inflamados da caridade, sejamos.

Não cessem os sinos, enquanto for necessário.
Escutemo-los, pois algo nos dizem:
Novo tempo há de surgir.
O medo não pode nos submergir.
Sinos por todo o mundo dobrados,
Até que todos acordemos.

"Portanto, não durmamos, a exemplo dos outros; 
mas vigiemos e sejamos sóbrios. 
Quem dorme, dorme de noite;
Nós, pelo contrário, que somos do dia,
sejamos sóbrios, revestidos da couraça da fé e da caridade,
e do capacete da esperança da Salvação" (1 Ts 5,6-8).


PS: Escrito em agosto de 2020

Senhor, sois para mim...

                                                     

Senhor, sois para mim...

Senhor, sois para mim o Messias desde sempre esperado,
E na plenitude dos tempos, na história da humanidade encarnado.

O descendente de Abraão,
E exulto por Vos conhecer, crer e testemunhar.

Sois muito mais do que Moisés,
Pois por ele veio a Lei, por Vós, Amor e fidelidade.

Sois o Filho de Davi prometido,
A quem clamo Hosana no mais alto dos céus;

A grande promessa por Deus feita,
E em nada decepcionastes a promessa, em fidelidade incondicional.

Senhor, sois a Divina Fonte da Sabedoria,
Muito mais que qualquer humano, até mesmo Salomão;

Mais do que João Batista,
Porque ele a voz no tempo, Vós a Palavra eterna, desde sempre...

Sois a máxima expressão do Amor de Deus,
Que, desde sempre, pelos Profetas anunciado, promessa realizada;

Aquele que entra em nossos sonhos e desejos,
Não para sufocá-los, mas para ampliá-los, elevá-los e realizá-los.

Sois o Dom do Pai ao mundo enviado,
E para sempre em nosso meio, com o Santo Espírito, Ressuscitado.

Sois o Amor perene e irrevogável,
Que suporta inconstâncias e infidelidades.

A Palavra que se fez Carne,
Palavra que vivifica e garante a perfeita liberdade;

Sois a revelação maravilhosa de Deus Pai,
Pois dissestes: “Quem me vê, vê o Pai que me enviou”.

Sois um Deus incompreendido, rejeitado,
Que esperais como resposta tão apenas ser amado;

Um Deus que Se fez homem, por Amor;
Entrastes no mundo com humildade e o transformou, renovou...

Sois a mais bela História da Salvação Divina,
E a cada dia que vivo, posso escrever uma página nesta história.

Sois Aquele que, assumindo a natureza humana,
Sem pecado, a elevou a uma esfera mais alta, a desejada esfera divina.

Senhor, sois para mim o meu Tudo,
Porque sem Vós, sou simplesmente nada.

Sois Aquele de quem ainda que muito tenha falado
Ainda nada disse, porque Mistério inesgotável.

Aquele que está sempre comigo.
Quantas vezes esta presença suave tenho sentido:

Presença na Palavra e no Pão,
Mas também presença em cada irmã e irmão.

Sois Aquele que me chama,
Me envia, me acompanha no carregar da cruz cotidiana.

Aquele que não me deixa desfalecer,
Porque há um mundo a ser iluminado, fermentado.

Senhor, sois Aquele que não permite minha insipidez,
Porque há um mundo que precisa o sabor de Deus conhecer. Amém.

O indizível Amor de Deus

                                                          

O indizível Amor de Deus

Celebramos no dia primeiro de agosto, a Memória de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo (séc. XVII), e a Liturgia das Horas nos apresenta um texto de suas obras, que nos fala sobre o que há de mais fundamental na vida cristã: o amor a Jesus Cristo.

“Toda santidade e perfeição consiste no amor a Jesus Cristo, nosso Deus, nosso sumo bem e nosso redentor. É a caridade que une e conserva todas as virtudes que tornam o homem perfeito.

Será que Deus não merece todo o nosso amor? Ele nos amou desde toda a eternidade. ‘Lembra-te, ó homem, – assim nos fala – que fui Eu o primeiro a te amar. Tu ainda não estavas no mundo, o mundo nem mesmo existia, e Eu já te amava. Desde que sou Deus, Eu te amo’.

Deus, sabendo que o homem se deixa cativar com os benefícios, quis atraí-lo ao Seu Amor por meio de Seus dons. Eis por que disse:  'Quero atrair os homens ao meu Amor com os mesmos laços com que eles se deixam prender, isto é, com os laços do amor'.

Tais precisamente têm sido todos os dons feitos por Deus ao homem. Deu-lhe uma alma dotada, à Sua imagem, de memória, inteligência e vontade; deu-lhe um corpo provido de sentidos; para ele criou também o céu e a terra com toda a multidão de seres; por Amor do homem criou tudo isso, para que todas as criaturas servissem ao homem e o homem, em agradecimento por tantos benefícios, O amasse.

Mas Deus não Se contentou em dar-nos tão belas criaturas. Para conquistar todo o nosso amor, foi ao ponto de dar-Se a Si mesmo totalmente a nós. O Pai eterno chegou ao extremo de nos dar Seu único Filho. Vendo-nos a todos mortos pelo pecado e privados de Sua graça, que fez Ele?

Movido pelo imenso, ou melhor – como diz o Apóstolo – pelo seu demasiado Amor, enviou Seu amado Filho, para nos justificar e nos restituir a vida que havíamos perdido pelo pecado.

Ao dar-nos o Filho, a quem não poupou para nos poupar, deu-nos com Ele todos os bens: a graça, a caridade e o paraíso. E porque todos estes bens são certamente menores do que o Filho, Deus, que não poupou a Seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo junto com Ele? (Rm 8,32)".

Somos remetidos à passagem do Evangelho de João:

"Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o
Seu Filho único, para que todo o que n’Ele crê
não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3,16).

Contemplemos e correspondamos com palavras e obras ao imensurável, indescritível e  indizível Amor de Deus. 
Amemo-Lo como Ele nos ama, o quanto mais possamos. Amém.

Em poucas palavras...

 


Jesus de Nazaré

“Nós cremos e confessamos que Jesus de Nazaré, judeu nascido duma filha de Israel, em Belém, no tempo do rei Herodes o Grande e do imperador César Augusto, carpinteiro de profissão, morto crucificado em Jerusalém sob o procurador Pôncio Pilatos no reinado do imperador Tibério, é o Filho eterno de Deus feito homem; que Ele «saiu de Deus» (Jo 13, 3), «desceu do céu» (Jo 3, 13; 6, 33) e «veio na carne» (5), porque «o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós.

Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade [...] Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos, graça sobre graça» (Jo 1, 14, 16).” (1)


(1)        Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 423

Nossa vocação é amar

                                                        

Nossa vocação é amar

Como Igreja sinodal, somos convocados a lançar redes em águas mais profundas (Lc 5, 1-11), a fim de que nosso Batismo seja fonte de tantas vocações indispensáveis dentro e fora dela, para que o mundo seja mais fraterno, solidário e sinal do Reino Definitivo, anunciado e inaugurado por Jesus de Nazaré.

Jamais lançaremos redes, e tão pouco em águas mais profundas, se não revitalizarmos nossa vocação na verdadeira e inesgotável fonte de amor revelada a nós nas pessoas da Santíssima Trindade. Quanto mais mergulharmos no Mistério do Amor Trinitário, muito mais viveremos nossa vocação que consiste, antes de tudo, em amar.

“A vocação é amar”. A pessoa humana é um ser no amor e para o amor. Precisa-se recuperar o autêntico sentido de vocação e ministério que, às vezes, é compreendido numa perspectiva funcionalista.

Só quem ama, porque foi amado primeiro, (cf. 1 Jo 4,10), pode ser capaz de uma plena oblatividade (atitude de serviço). Quem ama não se sente autossuficiente, mas livre para amar sem retorno, porque o impulso vem de dentro; Deus despejou em nós o seu amor e a sua força: não precisamos impor aos outros os nossos preços.

O próprio Jesus nos ama, a ponto de dar a vida por nós, porque fez a extraordinária experiência de ser o Filho amado do Pai (Lc 3,22). 

Somos vocacionados (as) para o amor. Eternos aprendizes do Mandamento do Amor que Deus nos deu, tanto em relação a Ele, como em relação ao nosso próximo. Amor desinteressado; testemunhado na gratuidade; assumido na alegria pascal que não se acaba, passando pela Cruz, se necessário, como nos falou Jesus.

A maturidade e profundidade de nosso amor passam inevitavelmente pela cruz – “Quem quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia, e siga-me” (Lc 9,23).

Nossa vocação é amar, testemunhar concretamente no cotidiano, na “planície” o Amor de Deus, sobretudo se considerarmos que “... o homem contemporâneo acredita mais nas testemunhas do que nos mestres; mais na experiência do que na doutrina; mais na vida e nos fatos do que nas teorias. O testemunho da vida cristã é a primeira e insubstituível forma de missão...” (Missão do Redentor n. 42 – João Paulo II).

Retomo, também,  as palavras do Papa São Paulo VI na Evangelii Nuntiandi (1975): “O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres, dizíamos ainda recentemente a um grupo de leigos, ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas”.

Finalizo com um provérbio chinês que diz: “há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”.

Deste modo não podemos perder nenhum momento de nossa vida; nenhuma oportunidade para concretizar nossa vocação, com gestos sinceros, alegres e profundos de amor em relação a Deus e ao próximo, consequentemente, em relação a nós mesmos e ao mundo em que vivemos.

Segundo um grande teólogo, “o testemunho é a arma sem armas, a ausência de armas que é a maior arma dos desarmados”! 

“Espera, ó minha alma”

                                                      

“Espera, ó minha alma”

No parágrafo número 1821 do Catecismo da Igreja Católica, encontramos uma citação iluminadora de Santa Teresa de Jesus:

“Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto.

Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar”.

Diante de dificuldades, resultados a serem alcançados, respostas esperadas, entre outras tantas situações, por vezes, somos tomados pela impaciência.

À espera de uma resposta de Deus, muitas vezes, a impaciência coloca à prova nossa fé e esperança, no entanto, é preciso perseverar na confiança inabalável.

“Espera, ó minha alma, espera”, pensamento que, como um refrão, deve costurar os parágrafos de nossa história, sem perdas de conexões, a fim de que se alcance o desejado.

E a mais bela “espera”: provar o amor que temos por Deus, numa alegria imensurável diante do Bem-Amado, Jesus, para viver o transbordamento da alegria que jamais passará.

Supliquemos a Deus que nos ajude a perseverar e esperar, com plena confiança no que Ele sempre tem de melhor para nós.

Reencontremos dentro de nós a paz, porque é lá, bem dentro de cada um nós, que Deus fez Sua morada, Seu Templo: “Espera, ó minha alma, espera” Amém.

Renovemos a Esperança

                                                       

Renovemos a Esperança

É sempre necessário o aprofundamento da virtude teologal da esperança, que nos leva ao desejo do Reino dos céus e da vida eterna, como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos no socorro da graça do Espírito Santo, e não apenas em nossas forças.

Retomemos, portanto, para este aprofundamento, alguns parágrafos do Catecismo da Igreja Católica.

Esta virtude corresponde ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração de todo o homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens, purifica-as e ordena-as para o Reino dos céus.

Ela também protege contra o desânimo; sustenta no abatimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna, de modo que o ânimo que a esperança dá, preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade.

A esperança cristã, por sua vez, retorna e realiza a esperança do Povo eleito, que tem a sua origem e modelo na esperança de Abraão, o qual, em Isaac, foi cumulado das promessas de Deus e purificado pela provação do sacrifício: – “Contra toda a esperança humana, Abraão teve esperança e acreditou. Por isso, tornou-se pai de muitas nações” (Rm 4, 18).

As Bem-Aventuranças desde o princípio presente nas pregações de Jesus, elevam a nossa esperança para o céu, como nova terra prometida e aponta o caminho através das provações que aguardam os discípulos de Jesus.

O Apóstolo Paulo também nos faz compreender que, pelos méritos do mesmo Jesus Cristo e da Sua paixão, Deus nos guarda na “esperança que não decepciona” (Rm 5, 5), e assim escreveu a Tito: -  “O Espírito Santo, que Ele derramou abundantemente sobre nós, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador, para que, justificados pela Sua graça, nos tornássemos, em esperança, herdeiros da vida eterna” (Tt 3, 6-7).

Ainda nos diz o Apóstolo, que ela é arma que nos protege no combate da Salvação: “Revistamo-nos com a couraça da fé e da caridade, com o capacete da esperança da salvação” (1 Ts 5, 8). Proporciona-nos alegria, mesmo no meio da provação: “alegres na esperança, pacientes na tribulação” (Rm 12, 12)

O autor da Epístola aos Hebreus, por sua vez, exorta: –“Conservemos firmemente a esperança que professamos, pois Aquele que fez a promessa é fiel” (Hb 10, 23), e esta é “a âncora da alma, inabalável e segura” que penetra [...] “onde entrou Jesus como nosso precursor” (Hb 6, 19-20).

Ela se exprime e se nutre na oração, particularmente na oração do Pai-Nosso que o Senhor nos ensinou, resumo de tudo o que a esperança nos faz desejar.

Podemos nutrir a esperança da glória do céu prometida por Deus àqueles que O amam e fazem a sua vontade.

Em todas as circunstâncias, ainda que marcada por adversidades, devemos esperar contando com a graça de Deus e permanecer fiel até o fim (Mt 10,22), e alcançar a alegria do céu, como eterna recompensa de Deus pelas boas obras realizadas.

Finalizemos com as palavras de Santa Teresa de Jesus:

“Espera, espera, que não sabes quando virá o dia nem a hora. Vela com cuidado, que tudo passa com brevidade, embora o teu desejo faça o certo duvidoso e longo o tempo breve. Olha que quanto mais pelejares, mais mostrarás o amor que tens a teu Deus, e mais te regozijarás com teu Amado em gozo e deleite que não pode ter fim”.


Fonte de pesquisa: Catecismo da Igreja Católica – parágrafos n.1817-1821

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