quinta-feira, 17 de julho de 2025

Batismo: dom, graça e missão

                                           


Batismo: dom, graça e missão

“Recebe por este sinal o Espírito Santo, o dom de Deus”

Acolhamos a Instrução sobre os ritos depois do batismo, contida no Tratado sobre os Mistérios, escrita por Santo Ambrósio (séc. IV).

“Em seguida banhado nas águas do Batismo, subiste em direção ao sacerdote. Pensa no que se seguiu. Não foi aquilo que Davi cantou: Como o bálsamo na cabeça que desce pela barba, pela barba de Aarão? É o mesmo bálsamo de que fala Salomão: Bálsamo derramado é o Teu nome, por isto as jovens Te amaram e Te atraíram.

Quantas almas renovadas hoje te amam, Senhor Jesus, dizendo: Atrai-nos em Teu seguimento, correremos ao odor de Tuas vestes, para que respirem o odor da Ressurreição.

Entende de que modo se faz, pois os olhos do sábio estão em sua cabeça. A unção escorre pela barba, isto é, pela beleza da juventude; pela barba de Aarão para te tornares da raça eleita, sacerdotal, preciosa. Porque todos no Reino de Deus somos também ungidos pela graça espiritual para o sacerdócio. Recebeste depois a veste branca, indício de teres despido a crosta dos pecados e revestido a casta túnica da inocência, lembrada pelo Profeta quando diz:

Asperge-me com o hissopo e serei limpo, lavar-me-ás e serei mais branco do que a neve. Ora, quem é batizado vê-se purificado pela lei e pelo Evangelho: segundo a Lei, porque como um ramo de hissopo Moisés aspergia o sangue do cordeiro; segundo o Evangelho, porque eram brancas como a neve as vestes de Cristo quando revelou a glória de Sua Ressurreição.

Mais do que a neve se torna alvo aquele a quem se perdoa a culpa. O Senhor, por intermédio de Isaías, diz: Se vossos pecados forem como a púrpura, Eu os alvejarei como a neve.

Trazendo esta veste, recebida no banho do novo nascimento, a Esposa diz, nos Cânticos: Sou escura e formosa, filhas de Jerusalém. Escura, pela fragilidade da condição humana; formosa pela graça. Escura, por vir dentre os pecadores; formosa, pelo sacramento da fé. Vendo tais roupas, exclamam estupefatas as filhas de Jerusalém: Quem é esta que sobe tão alva? Ela era escura; donde lhe veio agora de repente este brilho?

 

Cristo, que assumira uma veste sórdida, como se pode ler em Zacarias, por causa de Sua Igreja, ao vê-la em vestes brancas, com a alma pura e lavada pelo banho do novo nascimento, diz: Como és formosa, minha irmã, como és formosa, teus olhos parecem-se com os da pomba, sob cuja forma desceu do céu o Espírito Santo.

Lembra-te então que recebeste a marca espiritual, o Espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de força, o espírito de ciência e de piedade, o espírito do santo temor. Guarda o que recebeste. Deus Pai te assinalou, o Cristo Senhor te confirmou e deu o penhor do Espírito em teu coração, como aprendeste com a Leitura do Apóstolo”.

Esta Instrução é enriquecedora, para que reflitamos sobre a graça que no dia do Batismo recebemos, assim, como o dia em que fomos confirmados com o Dom do Espírito Santo, quando ungidos e assinalados pelo Óleo do Santo Crisma, e enriquecidos com os sete dons, como ele mesmo assim o descreveu.

Em todo o tempo, agradeçamos a graça que Deus nos concedeu pelo Batismo, de sermos Templo do Espírito Santo, e agraciados pelos sete dons quando confirmados na fé.

Agradecer e viver esta graça e missão: dom de Deus e resposta nossa ao amor Seu Amor e confiança em nós, ainda que não mereçamos, como vemos nesta afirmação do Bispo:

Sou escura e formosa, filhas de Jerusalém. Escura, pela fragilidade da condição humana; formosa pela graça. Escura, por vir dentre os pecadores; formosa, pelo sacramento da fé.”

Oportuno retomar esta Instrução em nossas Pastorais, de modo especial, na Pastoral do Batismo e do Crisma.

Oremos:

“Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do Vosso povo na renovação da festa Pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o Batismo que nos lavou, o Espírito que nos deu a vida e o Sangue que nos redimiu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na Unidade do Espírito Santo. Amém”.


quarta-feira, 16 de julho de 2025

Quando pertencemos à família do Senhor!

                                                              


Quando pertencemos à família do Senhor!

“Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, 
esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”
(Mt 12,50)

Reflexão à luz da passagem do Evangelho (Mt 12,46-50), em que Jesus nos ensina que Sua família é constituída por todos aqueles que fazem a vontade de Deus, e não tão apenas pelos laços de sangue.

É condição indispensável, portanto um compromisso com o Evangelho e com o Reino de Deus, sem jamais fazer a separação entre que o se crê e o que se vive, o que se celebra e o que se traduz no cotidiano, nos mais diversos âmbitos da vida.

Deste modo, para Jesus há algumas exigências indispensáveis para que alguém se torne importante para Ele, e de Sua família faça parte:

- ouvir a Palavra de Deus, colocando em prática;
- pautar toda existência pelo Mandamento maior do Amor a Deus e ao próximo; amando como Ele nos ama – “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 13,34);
- saber perdoar, e procurar o perdão, quando necessário, como expressão de que todos somos passíveis de erros e necessitados do perdão do outro, para vivermos a autêntica misericórdia que Ele nos ensinou;
- ter a alegria de partilhar o melhor que possui, para que o milagre da multiplicação continue a ser realizado, de modo que não haja necessitados entre nós;
- aprender que na acolhida do outro, se acolhe o próprio Jesus, sobretudo se for um pequenino, pobre, doente, marginalizado;
- saber se esforçar, quando preciso, em ser sinal de consolo, compreensão e solidariedade, como a mais bela expressão da compaixão divina com expressões concretas;
- ser comprometido com a Boa Nova do Reino, com coragem e profecia, sem deixar-se submergir no medo, na omissão e na indiferença;
- viver a doação pura e simples, sem nada esperar em troca, na mais perfeita alegria;
- saber ser feliz com os que são felizes, mas também saber chorar com os que choram,
- não somente se encontrar e se reunir para celebrar, orar, mas fazer o necessário prolongamento no dia a dia, jamais separando a Mesa da Palavra e do Altar das incontáveis mesas do cotidiano .

Evidentemente que poderíamos apresentar outras exigências, mas estas já são o bastante para avaliarmos o quanto somos, de fato, membros da família de Jesus.

Neste sentido, contemplamos Maria, Sua Mãe, como a mais perfeita e integrada em Sua família, porque não somente foi Mãe da Salvador, pela ação do Espírito Santo, mas em todo o seu viver sempre colocou a vontade Deus acima da própria vontade.

Maria é por excelência modelo de escuta à prática da Palavra, e nos ensina o mesmo fazer, e mais: com ela também podemos contar, para que o mesmo façamos, ressoando em nosso coração suas palavras que não emanaram de seus lábios apenas, mas de um coração pleno do amor e graça divina:

“Fazei tudo o que o Ele vos disser” (Jo 2,5)


PS: Oportuno para a Celebração da Festa em louvor a Nossa Senhora do Carmo no dia 16 de julho

Conte-me, ó Mãe, qual é o teu segredo

 


Conte-me, ó Mãe, qual é o teu segredo
 
Contemplo as sete dores de Maria...
Quem poderia em todo o tempo suportar?
São sete dores que atravessaram tua alma,
E ao te consumir, amor derramava.
 
Conte-me, ó Mãe, qual é o teu segredo
Para suportar desde a profecia de Simeão (Lc 2,35),
A espada transpassava teu coração,
Até o momento ápice, ali, silenciosa,
Irremovível aos pés da crudelíssima Cruz?
 
Conte-me, ó Mãe, qual é o teu segredo
Para suportar o exílio, a fuga para o Egito (Mt 2,13s):
Apenas José ao teu lado, guardião da Sagrada Família,
Da frágil Criança, que abalou as forças do mal,
que cegou pelo medo o coração de Herodes?
 
Conte-me, ó Mãe, qual é o teu segredo
Para compreender o mistério da perda e o encontro
Do teu Menino discutindo com doutores do templo (Lc 2,48):
Ver que tão próximo já sentia inevitável separação,
Porque do Pai, viera para cuidar, divina missão?

Conte-me, ó Mãe, qual é o teu segredo
Para manter a serenidade ao ver teu Filho em
agonia, flagelo, coroação, caminhando para o calvário (Lc 23,27):
Impotente, nada podia fazer, senão lágrimas verter,
E dor no silêncio te consumindo, morte no horizonte?
 
Conte-me, ó Mãe, qual é o teu segredo
Para em silêncio tudo acompanhar e  a dor suportar.
Porém maior que a dor é o amor que te une ao teu Filho.
Na crucificação de Jesus (Lc 23,33) te sentes  crucificada?
Ah, quanto, contigo, temos a aprender!


Conte-me, ó Mãe, qual é o teu segredo
Para ver o corpo do Filho deposto na Cruz (Jo 19,38):
A dor de receber no teu colo, quem no ventre fora concebido
Há pouco, dada como mãe ao discípulo amado,
Nada retendo para Si. E a ele, foste confiada?


Conte-me, ó Mãe, qual é o teu segredo para
Manter serenidade e doçura,
Na sepultura de Jesus, teu Filho (Jo 19,40s):
Após três dias parecerem eternos, sombrios e frios,
Morte vencida na madrugada da Ressurreição. Amém.?
 
Conte-me, ó Mãe, qual é o teu segredo... 

Em poucas palavras...

                                               


Maria, Mãe de Deus e nossa 

“Maria ficará para sempre ‘mãe’, Mãe do homem Jesus Cristo e Mãe do Altíssimo. O seu seio é o lugar onde se encontram a imensidão de Deus e a pequenez e fragilidade da criatura humana. 

É esta a ‘admirável permuta’ que muda o nosso destino, porque agora também a mais pobre carne humana encerra o tesouro de uma semente de humanidade.” (1) 

 

(1) Lecionário Comentado – Tempo do Advento/Natal – Editora Paulus – Lisboa – 2011 - p.292

Dez compromissos ao usar o escapulário de Nossa Senhora do Carmo

                                                

Dez compromissos ao usar o 

escapulário de Nossa Senhora do Carmo

1 - É preciso colocar Deus em primeiro lugar em nossa vida e buscar sempre realizar a vontade d’Ele - amá-Lo sobre todas as coisas;

2 - Escutar a Palavra de Deus na Bíblia multiplicando momentos de oração, sobretudo através da Leitura Orante;

3 - Colocar em prática a Palavra de Deus na vida;

4 -  Aprofundar a comunhão com Deus por meio da oração, que é um diálogo íntimo que temos com Aquele que tanto nos ama;

5 - Viver a compaixão e proximidade com o próximo, sobretudo os que mais sofrem. solidarizando-se com ele em suas necessidades, procurando juntos a superação;

6 - Participar, com frequência, dos sacramentos da Igreja, da Eucaristia e da Confissão, para poder aprofundar o mistério de Cristo na própria vida;

7 - Viver uma autêntica devoção à Nossa Senhora na superação de um estéreo Devocionismo;

8 - Esforço em colocar em prática as virtudes e ensinamentos de Nossa Senhora;

9 - Como peregrino da esperança, contar com a presença de Nossa Senhora em todos os momentos;

10 - Não reduzir seu uso a simples modismo e tão pouco usá-lo como adorno/enfeite.

Oremos:

“Ó Senhora do Carmo, revestido de vosso escapulário, 
eu vos peço que ele seja para mim 
sinal de vossa maternal proteção, em todas as necessidades, 
nos perigos e nas aflições da vida. 

Acompanhai-me com vossa intercessão, 
para que eu possa crescer na Fé, Esperança e Caridade, 
seguindo a Jesus e praticando Sua Palavra. 

Ajudai-me, ó mãe querida, para que, 
levando com devoção vosso santo Escapulário, 
mereça a felicidade de morrer piedosamente com ele, 
na graça de Deus, e assim, alcançar a vida eterna. Amém.” (1)

 

(1) Católico Orante

Rezando com os Salmos - Sl 65 (66)

 



Maravilhas fez conosco, o Senhor


“=1 Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,
2 cantai salmos a seu nome glorioso,
dai a Deus a mais sublime louvação!

 =3 Dizei a Deus: “Como são grandes vossas obras!
Pela grandeza e o poder de vossa força,
vossos próprios inimigos vos bajulam.

 –4 Toda a terra vos adore com respeito
e proclame o louvor de vosso nome!”
–5 Vinde ver todas as obras do Senhor:
seus prodígios estupendos entre os homens!

 –6 O mar ele mudou em terra firme,
e passaram pelo rio a pé enxuto.
– Exultemos de alegria no Senhor!
7 Ele domina para sempre com poder,
– e seus olhos estão fixos sobre os povos:
que os rebeldes não se elevem contra ele!  

 –8 Nações, glorificai ao nosso Deus,
anunciai em alta voz o seu louvor!
–9 É ele quem dá vida à nossa vida,
e não permite que vacilem nossos pés.

 –10 Na verdade, ó Senhor, vós nos provastes,
nos depurastes pelo fogo como a prata.
–11 Fizestes-nos cair numa armadilha,
e um grande peso nos pusestes sobre os ombros.

 =12 Permitistes aos estranhos oprimir-nos,
nós passamos pela água e pelo fogo,
mas finalmente vós nos destes um alívio!

 –13 Em vossa casa entrarei com sacrifícios
e cumprirei todos os votos que vos fiz;
–14 as promessas que meus lábios vos fizeram,
e minha boca prometeu na minha angústia.

 =15 Eu vos oferto generosos holocaustos,
a fumaça perfumosa dos cordeiros,
ofereço-vos novilhos e carneiros.

 –16 Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar:
vou contar-vos todo bem que ele me fez!
–17 Quando a ele o meu grito se elevou,
já havia gratidão em minha boca!

 –18 Se eu guardasse planos maus no coração,
o Senhor não me teria ouvido a voz.
–19 Entretanto, o Senhor quis atender-me
e deu ouvidos ao clamor da minha prece.

 =20 Bendito seja o Senhor Deus que me escutou,
não rejeitou minha oração e meu clamor,
nem afastou longe de mim o seu amor!”

O Salmo 65(66) é um Hino para o sacrifício de ação de graças pelas maravilhas que Deus fez em favor de Seu Povo.

Recorda o Êxodo e as provações pelas quais passou, o povo oferece um solene sacrifício de agradecimento.

Segundo Hesíquio, lembra, também, a Ressurreição do Senhor e a conversão dos gentios.

Contemplemos e glorifiquemos a Deus por incontáveis maravilhas que Ele fez, faz e sempre fará para o Seu Povo, por todos os séculos dos séculos. Amém.

“Eu Te louvo, ó Pai...”

                                

                                        “Eu Te louvo, ó Pai...”

Na quarta-feira da 15ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,25-27).

A Liturgia nos apresenta, como mensagem, um Deus que Se revela na simplicidade, humildade, pobreza e pequenez, que veio ao encontro da humanidade na pessoa de Jesus Cristo, anunciado pelos Profetas e esperado pelo Povo de Deus.

Paradoxalmente, Deus não Se revela no orgulho e na prepotência, como vemos no Livro do Profeta Zacarias (Zc 9,9-10):  vem como um Rei pobre, com humildade e simplicidade.

A passagem encontra-se no “Deutero-Zacarias”, a segunda parte do Livro, também conhecida como “Segundo Zacarias”, e retrata o período pós-exílio, e anuncia a intervenção e salvação de Deus, a glória futura da Salvação, com forte aceno messiânico: um Messias virá, será Rei, Pastor e o Servo do Senhor.

Um Rei humilde e pacífico virá com força para destruir a guerra e seus instrumentos de morte, e este será o próprio Jesus. Repito: Deus sempre Se revela na humildade, pobreza e simplicidade: a fé cristã reconhece em Jesus a personagem profetizada por Zacarias (Mt 21,1-9).

Refletir esta passagem leva o Povo de Deus a perceber que em situações de desencanto, frustração e privação da liberdade, precisa redescobrir o Deus que vem ao seu encontro e restaura a esperança com uma nova lógica (desarmado, pacífico e humilde), em vez da lógica humana (força, guerra, morte, destruição).

É neste contexto que compreendemos o louvor de Jesus ao Pai: Jesus louva ao Pai pela Proposta de Salvação que Ele fez à humanidade, mas acolhida apenas pelos pobres e pequenos, que em sua pobreza e simplicidade, sempre disponíveis à novidade libertadora por Deus oferecida.

A Proposta de Jesus encontra acolhida entre os pobres e os marginalizados, os desiludidos com a religião oficial, que os discriminava e os oprimia, como jugo insuportável, porque pesado e desumanizante, pelas leis, entre outras coisas.

“É o que experimentamos em virtude do Batismo que faz de nós homens novos, porque infunde em nós o Espírito que é verdade, vida e força de Deus. É este o ‘jugo suave’ de que fala Jesus (Mt 11,29-30).

O jugo da lei colocado aos ombros dos homens, para submetê-los em vez de libertá-los, não é só aquele de que Jesus acusa os fariseus (os fardos – Mt 23,4), mas é também a proposta cristã quando, em vez de ser mensagem de libertação para quem anda oprimido e humilhado pelo peso do pecado e da morte, se transforma numa quantidade de preceitos e de normas que se devem respeitar perante um Deus juiz severo”. (1)

A passagem pode ser divida em três partes:

- O louvor a Deus por ter escondido o conhecimento aos pretensamente sábios e entendidos (vv. 25-26);
- A explicação do que foi escondido e a quem foi revelado (v. 27);
- O convite final: “Vinde a mim...”

Jesus oferece a libertação da escravidão da Lei, propondo a vida nova marcada pelo Mandamento do Amor a Deus e ao próximo. Somente um coração aberto a Deus e às Suas propostas pode garantir a vida em plenitude, assim como nos falou o Apóstolo Paulo – “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

Com Jesus temos, portanto, uma reviravolta de valores, em que a força, poder e riqueza cedem lugar para a vida marcada pela simplicidade, doação, humildade, partilha.

É preciso rever nossos julgamentos e comportamentos, ou seja, é preciso que sejamos pobres, simples, humildes, colocando nossa fragilidade nas mãos de Deus, contando com Sua Palavra e força que nos vem do Espírito.

Assim, viveremos na planície do cotidiano o Sermão da Montanha que Jesus proclamou: “Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o Reino dos céus...” (Mt 5,1-12).

Vivendo assim, estaremos dentro da lógica de Deus que oferece Salvação a todos. Que sejamos pobres em espírito para acolher esta Proposta, renovando concretos compromissos de solidariedade e amor para com os pequeninos, os preferidos de Deus:

“... o verdadeiro conhecimento do Pai, do Deus que é Amor, não pode acontecer senão mediante Jesus, ‘o Caminho’ que nos leva ao Pai”. (2)

Revendo nossas opções, viveremos a opção de Deus pelos pobres, humildes e oprimidos, tornando evidente que a Palavra da salvação é um insistente convite para que percorramos o caminho da humildade verdadeira, do Messias crucificado, ainda hoje “escândalo e loucura” para muitos, como falou o Apóstolo Paulo (1 Cor 1,23).

Oremos:

“Ó Deus, que Vos revelais aos pequeninos e concedeis aos mansos a herança do vosso Reino, tornai-nos pobres, livres e felizes, à imitação de Cristo, Vosso Filho, para levarmos com Ele o suave jugo da Cruz e anunciarmos aos homens a alegria que vem de Vós”. Amém. (3).

(1) (2) Lecionário Comentado – p.660.
(3) Idem p.661.

PS: Reflexão contempla a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11,25-30).

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG