terça-feira, 1 de julho de 2025

Revestidos de Cristo sempre sejamos! (01/07)

Revestidos de Cristo sempre sejamos!

“Vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo.
Vós todos que fostes batizados em Cristo vos
 revestistes de Cristo” (Gl 3, 26-27)

Em julho de 2013, estávamos com os olhos voltados para o Rio de Janeiro, onde aconteceu a 28ª Jornada Mundial da Juventude, precedida pela Semana Missionária da Juventude em todo o Brasil.

Com o lema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações!” (Mt 28,19), testemunhamos um grande sopro do Espírito, como em Pentecostes, em que a Igreja se volta de modo especial para a Juventude,  vendo nesta um potencial imensurável de força evangelizadora, não somente dentro da própria Igreja, mas fora dela, nos diversos ambientes em que vive (familiar, acadêmico, profissional) e se comunica (comunidades e espaços virtuais).

Mas a Evangelização somente alcança o seu objetivo se nos revestirmos de Cristo, com a força da oração, abertos ao que o Espírito diz a Igreja em cada tempo e realidade, nas diferentes circunstâncias. 

Revestidos com esta força e assistidos pelo Espírito Santo, a Palavra de Deus será anunciada e testemunhada, e novos discípulos faremos para o Senhor, em total fidelidade ao seu mandato.

Deste modo, víamos com bons olhos as manifestações populares, num grito profético contra os desmandos e abusos que são cometidos contra a cidadania, desde há muito (evidentemente, sem compactuar com vandalismos ou coisas semelhantes).

É sempre importante que ações organizadas e sérias, com liberdade de expressão, se multipliquem, para que numa atitude de diálogo estabelecido, tenhamos mais igualdade, fraternidade e comunhão, com direitos preservados e deveres cumpridos.

Estávamos vivendo o Ano da Fé, solidificando a nossa fé na rocha firme da Palavra de Jesus Cristo, e assim a esperança, que brota da Vida Nova da Ressurreição, inflame a prática da caridade, em gestos de amor, partilha, solidariedade, perdão.

Estávamos também acolhendo e aprofundando a primeira Encíclica do Papa Francisco – “Lumen Fidei” (A Luz da Fé) ­– para que nossa fé não seja um refúgio e falta de compromissos de santidade e santificação da família e do mundo. 

Uma fé autêntica nos faz olhar para um amanhã mais esperançoso, procurando, no tempo presente, compromissos concretos para a sua viabilização.

Tendo Deus plantado em nós a semente da fé, ela se torna luminosa, incapaz de ser ocultada.

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Exemplos de coragem e fidelidade ao Senhor (30/06)

                                                        

Exemplos de coragem e fidelidade ao Senhor

Celebramos no dia 30 de junho a Memória dos Santos Protomártires da Igreja de Roma, como veremos na Carta do Papa São Clemente I aos Coríntios (séc. I):

“Deixemos de lado os exemplos dos antigos e falemos de nossos atletas mais recentes. Apresentemos os generosos exemplos de nosso tempo.

Vítimas do fanatismo e da inveja, aqueles que eram as maiores e mais santas colunas da Igreja, sofreram perseguição e lutaram até a morte.

Tenhamos diante dos olhos os bons apóstolos. Por causa de um fanatismo iníquo, Pedro teve de suportar duros tormentos, não uma ou duas vezes, mas muitas; e depois de sofrer o martírio, passou para o lugar que merecia na glória. Por invejas e rivalidades, Paulo obteve o prêmio da paciência: sete vezes foi lançado na prisão, foi exilado e apedrejado, tornou-se pregoeiro da Palavra no Oriente e no Ocidente, alcançando assim uma notável reputação por causa da sua fé. Depois de ensinar ao mundo inteiro o caminho da justiça e de chegar até os confins do Ocidente, sofreu o martírio que lhe infligiram as autoridades. Partiu, pois, deste mundo para o lugar santo, deixando-nos um perfeito exemplo de paciência.

A estes homens, mestres de vida santa, juntou-se uma grande multidão de eleitos que, vítimas de um ódio iníquo sofreram muitos suplícios e tormentos, tornando-se, desta forma, para nós um magnífico exemplo de fidelidade. Vítimas do mesmo ódio, mulheres foram perseguidas, como Danaides e Dirceia. Suportando graves e terríveis torturas, correram até o fim a difícil corrida da fé e mesmo sendo fracas de corpo, receberam o nobre prêmio da vitória.

O fanatismo dos perseguidores separou as esposas dos maridos, alterando o que disse nosso pai Adão: ‘É osso dos meus ossos e carne de minha carne’ (cf. Gn 2,23). Rivalidades e rixas destruíram grandes cidades e fizeram desaparecer povos numerosos.

Escrevemos isto, não apenas para vos recordar os deveres que tendes, mas também para nos alertarmos a nós próprios. Pois nos encontramos na mesma arena e combatemos o mesmo combate. Deixemos as preocupações inúteis e os vãos cuidados, e voltemo-nos para a gloriosa e venerável regra da nossa tradição.

Consideramos o que é belo, o que é bom, o que é agradável ao nosso Criador. Fixemos atentamente o olhar no Sangue de Cristo e compreendamos quanto é precioso aos olhos de Deus, Seu Pai, esse Sangue que, derramado para nossa salvação, ofereceu ao mundo inteiro a graça da penitência.” (1)

Muitos cristãos foram martirizados com terríveis tormentos, como vimos na Carta do Papa e também no testemunho dado pelo escritor pagão, Tácito.

Foram vítimas da primeira perseguição desencadeada pelo Imperador Nero, depois do incêndio da cidade de Roma no ano 64.

Como o Papa disse: “vítimas de um ódio iníquo sofreram muitos suplícios e tormentos, tornando-se, desta forma, para nós um magnífico exemplo de fidelidade”.

Os tempos hoje são outros, mas as provações, dificuldades, cansaços, desilusões também têm suas marcas e desafiam o testemunho de nossa fé, sem jamais deixarmos de dar a razão de nossa esperança, na prática incansável e frutuosa da caridade.

Quando fazemos memória dos Apóstolos, Pedro e Paulo e tantos que deram a vida por causa de Jesus e do Evangelho, reavivamos a chama do Espírito que em nosso peito habita.

Não podemos jamais vacilar na fé, esmorecer na esperança e esfriar na caridade, como nos ensina a Igreja. Professemos nossa fé com palavras e obras, porque tão somente assim para Deus se torna agradável.


(1) Liturgia das horas – Vol. III - pp.1401-1402

domingo, 29 de junho de 2025

Sigamos o Senhor com alegria (29/06)

                                                         

Sigamos o Senhor com alegria

Oportunas são as palavras do Papa Francisco aos Arcebispos em 29 de junho de 2014. 

Na alegre e desafiadora missão de anunciar o Evangelho da Esperança, exorta não só os ministros ordenados, mas todos que se colocam como discípulos missionários do Reino.

“Hoje, o Senhor repete a mim, a vós e a todos os Pastores:

‘Segue-Me! Não percas tempo em questões ou conversas inúteis;
não te detenhas nas coisas secundárias, mas fixa-te no essencial e segue-Me.

Segue-Me, não obstante as dificuldades.
Segue-Me na pregação do Evangelho.

Segue-Me no testemunho duma vida que corresponda ao dom da graça do Batismo e da Ordenação.

Segue-Me quando falas de Mim às pessoas com quem vives dia a dia, na fadiga do trabalho, do diálogo e da amizade.

Segue-Me no anúncio do Evangelho a todos, especialmente aos últimos, para que a ninguém falte a Palavra de vida, que liberta de todo o medo e dá a confiança na fidelidade de Deus.

Tu segue-Me!’”.

Que ao celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos e Colunas da Igreja, renovemos a alegria de sermos Igreja e continuadores da Missão que o Senhor nos confiou.

Supliquemos a força e a luz do Espírito Santo para que sejamos evangelizadores com espírito, como nos propôs o Papa Francisco na Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium” (2013).

Vinde, Espírito Santo...

Pedro e Paulo: as Colunas Mestras da Igreja


 

Pedro e Paulo: as Colunas Mestras da Igreja
 
Dia 29 de junho a Igreja celebra, numa só Festa, duas colunas mestras da Igreja: São Pedro e São Paulo (quando cai no dia da semana, no Brasil, transfere-se para o domingo seguinte).
 
Assim falou Santo Agostinho, no século V, sobre eles: “O martírio dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo consagrou para nós este dia... Estes mártires viram o que pregaram, seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade... Num só dia celebramos o martírio dos dois Apóstolos.
 
Na realidade, os dois eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos Apóstolos.
 
Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações dos dois Apóstolos”.
 
A complementaridade dos dois ”carismas” continua atual: Pedro, a responsabilidade institucional; Paulo, a criatividade missionária.
 
Quando falamos de Pedro, nos lembramos da instituição e o exercício do poder; da responsabilidade, hierarquia; e quando falamos de Paulo, nos lembramos da pregação, do carisma, missão, evangelização, fundação de novas comunidades.
 
Deste modo, elevemos a Deus orações pelo nosso querido Papa Leão XIV, que continua a missão a Pedro confiada pelo Senhor, pois assim nos ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 882):
 
“O Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, todos os bispos com a multidão dos fiéis”.
 
Que o Espírito de Deus o conduza e ilumine, pois, como Vigário de Cristo e Pastor de toda a Igreja, o Pontífice Romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal; que pode exercê-lo livremente.
 

Em poucas palavras...

                                                        


“O Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro...”

“O Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro, é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade, quer dos Bispos, quer da multidão dos fiéis'. 'Com efeito, o Pontífice Romano, em virtude de seu múnus de Vigário de Cristo e Pastor de toda a Igreja, possui na Igreja poder pleno, supremo e universal. E ele pode exercer sempre livremente este seu poder’”.  (1)

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – n.882

O testemunho de Paulo e o Louvor ao Senhor

 


O testemunho de Paulo e o Louvor ao Senhor

“- Louvor a vós, Senhor Jesus, que falais a nós no rosto de Paulo e nos pedis que vos  sigamos incondicionalmente como ele vos seguiu!

- Louvor a vós, Cristo, que procurais cada homem, que viestes a mim nos lugares de minha vida, como entrastes na vida de Paulo no caminho de Damasco!

- Louvor a vós, que nos alcançais em nossas estradas, nos tomais convosco e nos enviais para sermos vossas testemunhas, a tempo e fora do tempo, para todo o ser humano, até os extremos confins da terra!

Na comunhão dos Santos, confiamo-nos, pois, à intercessão e à ajuda do Apóstolo das gentes:

- Roga por nós, Paulo, para que possamos viver contigo o encontro com Cristo, que muda o coração e a vida.

- Ajuda-nos a esvaziar-nos de nós para encher-nos dele, a fim de que, tornados fortes por seu Espírito, sejamos capazes de crer, de esperar e de amar além de qualquer prova ou medida de cansaço.

- Obtém-nos que nos tornemos sempre mais testemunhas humildes e enamoradas daquele que é a esperança do mundo, em comunhão com toda a Igreja, a serviço de todas as criaturas.

Cristo Jesus seja para nós a verdadeira vida, a alegria plena, a fonte de um amor sempre novo, a luz sem ocaso, no tempo e pela eternidade. Amém. Aleluia!” (1)

 

(1) Caminhando na fé – Bruno Forte – Arcebispo Metropolitano de Chieti-Vasto - Retiro espiritual dos Bispos – CNBB – Aparecida – de 3 a 4 de maio de 2014

Anéis de uma mesma corrente

                      




Anéis de uma mesma corrente

Celebrando a Solenidade de São Pedro e São Paulo, renovaremos a alegria de nossa pertença à Igreja, pela graça do Batismo, como pedras vivas que somos, como bem escreveu o Apóstolo Pedro:

“Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, constituí-vos em um edifício espiritual, dedicai-vos a um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por Jesus Cristo” (1 Pd 2,5).

O Apóstolo Paulo também assim escreveu:

“Portanto, já não sois estrangeiros e adventícios, mas concidadãos dos Santos e membros da família de Deus. Estais edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e dos Profetas, do qual Cristo Jesus a Pedra angular. N’Ele bem articulado, todo o edifício se ergue como santuário santo, no Senhor, e vós, também, n’Ele sois coedificados para serdes habitação de Deus, no Espírito” ( Ef 2,19-22).

Deste modo, podemos afirmar que “São Pedro e São Paulo são os últimos dois anéis de uma corrente que nos une ao próprio Cristo.

Em certo sentido, nossa comunhão com Jesus passa através deles. Nós celebramos, por isso, a festa dos ‘fundadores’ de nossa fé, dos antepassados do povo cristão.” (1).

Assim como São Pedro e São Paulo, continuemos a missão de Jesus, tão expressivamente como eles o fizeram, chegando ao ápice do martírio, culminando com o derramamento do sangue, em plena fidelidade a quem os chamou, Jesus Cristo, morto e Ressuscitado, Aquele que agora vive e reina em todo o Universo e em todos os povos.

Eles, colunas mestras da Igreja; nós, pedras vivas amadas e escolhidas por Deus neste edifício espiritual, em que Cristo é a Pedra angular.

Eles, os dois últimos anéis da corrente, nós, humildes anéis que, se não unidos a eles e a Cristo, sucumbimos diante das dificuldades e na fidelidade do carregar da cruz, não alcançando a graça da contemplação da face divina, um dia, na glória da eternidade, após termos vivido o bom combate da fé.

Digamos para nós mesmos: como é bom ser um anel, um simples anel nesta corrente inquebrável, indestrutível, que começamos a fazer parte no momento de nosso Batismo.


(1) O Verbo Se faz Carne – Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria -  2012 - p. 837.

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