domingo, 25 de maio de 2025

O Espírito e a alma como dois rios se confluem... (25/05)

                                                                  

O Espírito e a alma como dois rios se confluem...

Santa Maria Madalena de Pazzi, virgem (Séc. XVI), cuja Memória celebramos no dia  25 de maio, nos enriquece espiritualmente com seus escritos sobre a Revelação e a provação.

“Verdadeiramente és admirável, ó Verbo de Deus, no Espírito Santo, fazendo com que Ele Se infunda de tal modo na alma, que ela se una a Deus, conheça a Deus, e em nada se alegre fora de Deus.

O Espírito Santo vem à alma, marcando-a com o precioso selo do Sangue do Verbo, ou seja, do Cordeiro imolado.

Mais ainda, é esse mesmo Sangue que o incita a vir, embora o próprio Espírito já por Si tenha esse desejo.

O Espírito que assim deseja é em Si a substância do Pai e do Verbo; procede da essência do Pai e da vontade do Verbo; vem como fonte que se difunde na alma, e a alma Nele mergulha toda.

Assim como dois rios, confluindo, de tal modo se misturam que o menor perde o nome e recebe o do maior, do mesmo modo age este Espírito Divino, quando vem à alma, para com ela Se unir.

É preciso, pois, que a alma, por ser menor, perca seu nome e o ceda ao Espírito Santo; e deve fazer isto se transformando de tal maneira no Espírito que se torne com Ele uma só coisa.

Este Espírito, porém, distribuidor dos tesouros que estão no coração do Pai e guarda dos segredos entre o Pai e o Filho, derrama-se com tanta suavidade na alma, que não se percebe Sua chegada e, pela Sua grandeza, poucos O apreciam.

Por Sua densidade e Sua leveza, entra em todos os lugares que estão aptos e preparados para recebê-Lo.

Na Sua Palavra frequente, como também no Seu profundo silêncio, é ouvido por todos; com o ímpeto do Amor, Ele, imóvel e mobilíssimo, penetra em todos os corações.

Não ficas, Espírito Santo, no Pai, imóvel, nem no Verbo; contudo, sempre estás no Pai e no Verbo e em Ti mesmo, e também em todos os espíritos e criaturas bem-aventuradas.

Estás ligado à criatura por estreitos laços de parentesco, por causa do Sangue derramado pelo Verbo Unigênito que, pela veemência do Amor, Se fez irmão de Sua criatura.

Repousas nas criaturas que se predispõem com pureza a receber em si, pela comunicação de Teus Dons, a Tua própria presença.

Repousas nas almas que acolhem em si os efeitos do Sangue do Verbo e se tornam habitação digna de Ti.

Vem, Espírito Santo. Venha a unidade do Pai e do bem-querer do Verbo.

Tu, Espírito da Verdade, és o Prêmio dos santos, o Refrigério dos corações, a Luz das trevas, a Riqueza dos pobres, o Tesouro dos que amam, a Saciedade dos famintos, o Alívio dos peregrinos; Tu és, enfim, Aquele que contém em Si todos os tesouros.

Vem, Tu que, descendo em Maria, realizaste a encarnação do Verbo, e realiza em nós, pela graça, o que nela realizaste pela graça e pela natureza.

Vem, Tu que és o Alimento de todo pensamento casto, a Fonte de toda clemência, a Plenitude de toda pureza.

Vem e transforma tudo o que em nós é obstáculo para sermos plenamente transformados em Ti”.

Santa Maria Madalena de Pazzi, natural de em Florença (Itália), recebeu uma piedosa educação e entrou na Ordem das Carmelitas.

Agraciada por Deus com Dons extraordinários, sua vida foi marcada pela oração e abnegação, rezando assiduamente pela reforma da Igreja e dirigindo suas irmãs religiosas no caminho da perfeição.

Preparando-nos para a Festa de Pentecostes, a ser celebrado brevemente, muito nos ajuda esta reflexão para o aprofundamento sobre a Ação do Espírito Santo.

Espírito Santo e alma, como dois rios que confluem!
Façamos nossa a sua súplica ao Espírito Santo:
“Vem Espírito Santo...”

PS: Liturgia das Horas - Vol. III – pág. 1312-1313.  

A promessa do Paráclito (VIDTPC)

                                                         

A promessa do Paráclito

A Liturgia do 6º Domingo da Páscoa (Ano C) tem como mensagem a promessa de Deus que se cumpre sempre.

Não estamos sozinhos na caminhada cristã. O Senhor nos acompanha, com a presença e a ação do Espírito Santo, nos possibilitando a atenção aos apelos da realidade na qual nos inserimos.

A passagem da primeira Leitura (At 15,1-2.22-29), retrata o “Concílio de Jerusalém” e nos fala a ação do Espírito Santo, presente para o discernimento do que é, de fato, essencial ou acessório na caminhada da Igreja. Foi o primeiro grande conflito enfrentado pela Igreja.

A entrada dos pagãos ao cristianismo fez surgir uma polêmica questão: impor ou não aos pagãos a Lei de Moisés. A Salvação vem da circuncisão e pela observância da Lei judaica ou unicamente por meio de Cristo. Conclui-se que, é pela Graça do Senhor que se chega à Salvação.

Aprende-se com a assistência do Espírito o que deve ser mantido ou superado na Igreja. É o Espírito que age, ilumina e fortalece. Deste modo, a Igreja não pode perder a audácia, a imaginação, a liberdade, o desprendimento necessário e a vigilante escuta do Espírito, no enfrentamento dos desafios que o mundo apresenta.

A passagem da segunda Leitura (Ap 21,10-14.22-23) nos apresenta a meta final da Igreja: a Jerusalém Celeste, a cidade nova da plena comunhão com Deus, onde se possui vida plena e felicidade sem fim.

Trata-se de uma cidade sem mediações, pois viveremos sempre na presença de Deus e O encontraremos face a face. Deus e o Cordeiro serão a luz que iluminará esta comunidade de vida plena.

Esta Cidade será construída sobre o testemunho dos Apóstolos. Suas portas estarão abertas para a acolhida de todos que aderirem ao Cordeiro e O testemunharem. A construção desta Cidade começa aqui nesta terra, quando se renovam compromissos de amor, justiça e paz.

O autor do Apocalipse comunica uma mensagem de esperança, em meio aos sofrimentos, perseguições, martírios. A Igreja deve permanecer fiel em sua missão, pois a humanidade precisa deste testemunho.

Na passagem do Evangelho (Jo 14,23-29), Jesus nos fala da Sua ida para o Pai e a vinda do Paráclito, o Espírito Santo que assistirá a caminhada da Igreja.

Jesus é o Caminho que nos leva ao Pai. Ele está ao nosso lado e nos promete a presença do Paráclito, o Defensor.

O Paráclito assegura a fidelidade e a dinâmica no caminhar de fé, superando todo temor, garantindo a serenidade necessária; acompanha-nos no testemunho de uma vida marcada pela doação, entrega e amor.

Não somente o Pai e o Filho querem habitar nos discípulos, mas também o Espírito Santo habitará neles para ensinar, recordar e iluminar. A ação do Espírito se manifesta de muitos modos.

Quando somos bons ouvintes, consequentemente somos bons praticantes, e Ele, em nós, faz a Sua morada e nos tornamos hospedeiros do mais belo Hóspede, o Espírito Santo, e prisioneiros do mais belo Amor, Cristo Ressuscitado, em incondicional fidelidade a Deus Pai.

A morte de Jesus na Cruz, por Amor ao Pai e Amor à humanidade, leva a uma ausência que não é definitiva. A Ressurreição e o envio do Espírito são garantias de que Sua vida e missão não se constituíram em fracasso, mas na nossa vitória, na nossa redenção, trazendo-nos a paz que nasce da Cruz.

Concluo afirmando que a Igreja deve colocar-se em constante atitude de acolhida ao Espírito para responder aos apelos e desafios deste mundo, iluminando a realidade com a Luz do Espírito Santo, que afasta todo e qualquer sentimento de orfandade, para que venhamos a dar os passos necessários na construção de um novo céu e uma nova terra, a Jerusalém Celeste.

Entretanto, somente nutridos pela Eucaristia, edificaremos a Igreja, como sinal e instrumento do Reino, procurando estabelecer e fortalecer relações de amor, perdão, doação, serviço e solidariedade.

Celebrar a Eucaristia é vislumbrar um pedaço do céu que se abre sobre a terra, em que os raios da glória da Jerusalém Celeste atravessam as nuvens da história e vêm iluminar nossos caminhos, como bem falou o Papa São João Paulo II:


A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho.” (Ecclesia de Eucaristia – 2003 – parágrafo n. 19).

 

Em cada Eucaristia, a Palavra de Deus ganha vitalidade e esplendor para nos revigorar.

Como discípulos missionários do Senhor, assistidos pelo Paráclito, renovemos no coração a chama do primeiro amor, ouvindo e guardando Sua Palavra, amando e sempre aprendendo amar.

Que abertos ao Espírito Santo, atentos à Sua voz,
Acolhendo o Seu Sopro de vida, luz e força,
Renovemos nossa fidelidade ao Senhor Ressuscitado,
Para que multipliquemos e renovemos compromissos,
Já aqui na terra, de justiça, de fraternidade, de amor e de paz.

Esperando a vinda da Cidade Santa,
A Jerusalém Celeste, o novo céu e a nova terra,
A Face de Deus contemplemos, com os irmãos,
Em comunhão de amor e vida plena para sempre vivamos.

Não estamos sós.
A promessa do Paráclito O Senhor nos fez:
O Espírito Santo nos foi enviado!
Amém. Aleluia! 

O Advento do Paráclito (10/05)

                                   

O Advento do Paráclito

A poucos dias de celebrarmos a Festa de Pentecostes, vivemos como que “um breve de Advento”, como tão bem afirmou o Pe. Raniero Cantalamessa.

A partir do VI Domingo da Páscoa, “a atenção se desloca de Cristo ao Espírito Santo, do Ressuscitado ao Seu dom.

Começa uma espécie de pequeno Advento, em preparação a Pentecostes. A vida de Cristo foi preparada, durante séculos, pelo anúncio dos Profetas e apontada por João Batista; aquela do Espírito Santo foi anunciada pela promessa de Jesus, foi o mesmo Jesus, por assim dizer, o precursor do Paráclito. 

‘Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade...’” (Jo  14,15-21) (1)

As passagens do Evangelho proclamadas nestes dias têm nos levado a esta grande preparação para a acolhida do Espírito Santo, que ilumina, enriquece a Igreja com seus dons, conduz e fortalece...

Jesus fala que mais um pouco de tempo e os discípulos não O veriam, exatamente porque o Mistério da Cruz se fazia próximo, e com ele, a morte e a absurda dor da separação e do vazio que experimentariam.

Mas Ele advertiu que mais um pouco, eles O veriam de novo, ou seja, todos os que acreditam fariam a experiência do Ressuscitado que se tornariam fundamental para a continuidade da missão.

Deste modo viveriam sempre na Sua suave e desejável presença, e a tristeza da separação daria, àqueles que têm fé, lugar a uma alegria que jamais o mundo poderia tirar.

Mas, Jesus sabia que por causa dos que não acreditam, e também pelos próprios pecados da condição humana dos seguidores, deveriam passar por diversas tribulações, no entanto, por piores que sejam elas não podem vencer quem crê verdadeiramente.

Como Igreja, continuemos esta preparação, para que o Fogo do Espírito derramado em Pentecostes sobre os discípulos reunidos, seja também derramado sobre nós, e sejamos no mundo alegres discípulos missionários do Senhor, como tão bem nos exortou o Papa Francisco (cf. “Evangelii Gaudium”). 


(1) O Verbo Se fez carne – Pe. Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013  

Reconciliados com Deus por meio de Jesus Cristo (VIDTPC)

                                                              

Reconciliados com Deus por meio de Jesus Cristo

“Tudo vem de Deus que, por Cristo, nos reconciliou consigo” (2Cor 5,18)

Sejamos enriquecidos pelos Comentários escritos pelo Bispo São Cirilo de Alexandria (Séc. V), sobre a Segunda Carta aos Coríntios, sobre a reconciliação que Deus nos possibilitou por meio de Jesus Cristo, confiando-nos o Ministério da Reconciliação.

“Os que possuem o penhor do Espírito e vivem na esperança da Ressurreição, como se já possuíssem aquilo que esperam, podem dizer que desde agora não reconhecem a ninguém segundo a carne; pois somos todos espirituais e isentos da corrupção da carne.

Com efeito, desde que brilhou para nós a Luz do Unigênito de Deus, fomos transformados no próprio Verbo que dá vida a todas as coisas. E assim como nos sentíamos acorrentados pelos laços da morte, quando reinava o pecado, agora ficamos livres da corrupção, ao chegar à justiça de Cristo.

Por conseguinte, doravante ninguém vive mais sob o domínio da carne, isto é, sujeito à fraqueza carnal. A ela com certeza, entre outras coisas, deve ser atribuída a corrupção.

Neste sentido afirma o apóstolo Paulo: ‘Se uma vez conhecemos Cristo segundo a carne, agora já não o conhecemos assim’ (2Cor 5,16). Como se quisesse dizer: ‘O Verbo se fez carne e habitou entre nós’ (Jo 1,14), sujeitando-se à morte segundo a carne, para a salvação de todos.

Foi deste modo que o conhecemos; todavia, desde este momento, já não é mais assim que o reconhecemos. É verdade que ele conserva a sua carne, pois ressuscitou ao terceiro dia, e vive no céu, à direita do Pai; mas a sua existência é superior à vida da carne. ‘Tendo morrido uma vez, Cristo não morre mais; a morte já não tem poder sobre Ele. Pois aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas aquele que vive, é para Deus que vive’ (Rm 6,9-10).

Então, se Ele se apresentou diante de nós como modelo de vida, é absolutamente necessário que também nós, seguindo seus passos, façamos parte daqueles que não vivem mais na carne, mas acima da carne. É o que diz o grande Paulo, com toda razão: ‘Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. O mundo velho desapareceu. Tudo agora é novo’ (2 Cor 5,17).

Fomos justificados pela fé em Cristo e terminou o domínio da maldade. Uma vez que ele ressuscitou por nossa causa, calcando aos pés o poder da morte, nós conhecemos aquele que por sua própria natureza é o verdadeiro Deus. É a ele que prestamos culto em espírito e verdade, por intermédio de seu Filho que distribui sobre o mundo as bênçãos divinas do Pai.

Por esse motivo, São Paulo diz com muita sabedoria: ‘Tudo vem de Deus que, por Cristo, nos reconciliou consigo’ (2Cor 5,18). Realmente, o mistério da encarnação e a renovação a que ela deu origem não se realizaram sem a vontade do Pai. É por Cristo que temos acesso ao Pai, como ele próprio afirma: ninguém pode ir ao Pai senão por Ele. Portanto,’ tudo vem de Deus que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação’”. 

Jesus com sua morte, calcou aos pés o poder da morte e nos reconciliou com Deus, e ainda mais, confiou-nos o Ministério da Reconciliação, libertando-nos dos laços do pecado e da morte, que nos mantinha acorrentados. Bem expressou o Apóstolo Paulo aos Gálatas – “É para a liberdade que Cristo nos libertou. Permanecei firmes, portanto, e não vos deixeis prender de novo ao jugo da escravidão” (Gl 5,1), procurando sempre deixar-se conduzir pelo Espírito e não satisfazendo os desejos da carne (Gl 5,16-24).

Reconciliados com Deus, vivendo a vida nova que alcançamos pelo batismo, morremos para o pecado para vivermos totalmente para Deus, vivendo como uma nova criatura (cf. Rm 6,11), nos passos de Jesus, tendo como projeto de vida as Bem-Aventuranças que o Senhor nos apresentou no alto da Montanha (Mt 5,1-12).

A Promessa do Senhor se realizou: O Espírito nos enviou! (VIDTPC)

A Promessa do Senhor se realizou:
O Espírito nos enviou!

No 6º Domingo da Páscoa (ano C), celebramos o Domingo da promessa que se cumprirá e se cumpre sempre: não estamos sozinhos na caminhada cristã.

Estamos num contexto de despedida do Senhor aos Seus discípulos: Sua ausência não será definitiva, nos enviará o Paráclito. Eis a promessa que pouco tempo depois, e para sempre, se cumpriu (cf. Jo 14,23-29).

Ele nos acompanha com Sua presença, ação e apelos do Espírito Santo em cada tempo e em cada realidade.

Seremos e somos assistidos pelo Espírito Santo, o Paráclito, que podemos traduzir por advogado, defensor, o conselheiro, o intercessor, consolador, auxiliador...

O Bispo de Jerusalém, São Cirilo (séc. V), assim nos fala do Espírito Santo:

“Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho:
vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar a alma de quem O recebe, e,
depois por meio desse, a alma dos outros.

Quem se encontra nas trevas, ao nascer do sol recebe
nos olhos a sua luz, começando a enxergar
claramente coisas que até então não via.

Assim também, aquele que se tornou digno do Espírito Santo, recebe na alma a Sua luz e, elevado acima da inteligência humana, começa a ver o que antes ignorava”.


O Espírito Santo ilumina a Igreja, para que ela se abra e acolha o essencial, o fundamental, que é a prática do Mandamento do Amor, oferecendo ao mundo a proposta universal de Salvação como nos leva a refletir a passagem da primeira Leitura (At 15,1-19).

A Igreja conduzida pelo Espírito é ajudada a perceber o que deve ser mantido e o que deve ser superado.

O Espírito Santo nos abre ao diálogo, à comunhão e ao compromisso com a paz.

Já não há mais lugar para monólogos estéreis, fraturas que dividem a humanidade (pela cor, raça, ideologia, religião...), tão pouco para obstáculos indestrutíveis da alegria e da vida... Com Ele tudo é novo, as coisas antigas passaram...

A Igreja deve colocar-se em constante atitude de acolhida e escuta do Espírito para responder aos apelos e desafios de seu tempo, iluminando a realidade com a luz do Espírito Santo que afasta todo e qualquer sentimento de orfandade para que venhamos a dar os passos necessários na construção de um novo céu e uma nova terra, a Jerusalém Celeste, a Cidade dos céus, que tanto desejamos, sonhamos e nos empenhamos em construir, apesar de todos os desafios do tempo presente (cf. At 21,10-14.22-23).

O Espírito Santo assegura à Igreja a vitalidade, a audácia, a imaginação, a liberdade, o desprendimento, dinamismo e ardor...

Garante a revitalização e o retorno ao primeiro amor que o Senhor despertou em nosso coração... Afinal, Deus quis fazer em nós Sua morada.

O Encontro Eucarístico é por excelência a manifestação do Espírito, de modo que Celebrar a Eucaristia é vislumbrar um pedaço do céu que se abre sobre a terra, em que os raios da glória da Jerusalém celeste atravessam as nuvens da história e vem iluminar nossos caminhos, como nos falou o querido Papa João Paulo II em uma de suas Encíclicas.

É vislumbrar e comprometer-se com a Jerusalém Messiânica! Em cada Eucaristia a Palavra do Senhor ganha vitalidade e esplendor para revigorar-nos na edificação da Igreja, como sinal do Reino, em relações de amor, perdão, doação, serviço, solidariedade...

Quando somos bons ouvintes, necessariamente somos bons praticantes e Ele em nós faz a Sua morada e nos torna hospedeiros do mais belo Hóspede e prisioneiros do mais belo Amor, construtores do novo céu e da nova terra.

A Jerusalém Celeste, a Cidade da Paz em que o
Senhor reina glorioso, vitorioso, e nós participantes
desta Divina Vitória, para que um dia possamos
entrar na Sua indescritível glória! 

A ação do Espírito na vida da Igreja (VIDTPC)

                                                                    

A ação do Espírito na vida da Igreja

Na passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 15,1-19), Lucas nos fala do primeiro concílio realizado em Jerusalém, sobre a necessidade ou não da circuncisão dos cristãos não judeus, com a ajuda e iluminação do Espírito Santo.

São Cirilo, Bispo de Jerusalém, no séc. IV, nos oferece uma bela passagem sobre a ação deste na vida da Igreja:

“Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho:
vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar a alma de quem O recebe, e,
depois por meio desse, a alma dos outros.

Quem se encontra nas trevas, ao nascer do sol recebe
nos olhos a sua luz, começando a enxergar
claramente coisas que até então não via.

Assim também, aquele que se tornou digno do Espírito Santo, recebe na alma a Sua luz e, elevado acima da inteligência humana, começa a ver o que antes ignorava”.


O Espírito Santo ilumina a Igreja, para que ela se abra e acolha o essencial, o fundamental, que é a prática do Mandamento do Amor, oferecendo ao mundo a proposta universal de Salvação.

A Igreja conduzida pelo Espírito é ajudada a perceber o que deve ser mantido e o que deve ser superado, abrindo-nos ao diálogo, à comunhão e ao compromisso com a paz.

Já não há mais lugar para monólogos estéreisfraturas que dividem a humanidade (pela cor, raça, ideologia, religião...), tão pouco para obstáculos indestrutíveis da alegria e da vida... Com Ele tudo é novo, as coisas antigas passaram...

A Igreja deve colocar-se em constante atitude de acolhida e escuta do Espírito para responder aos apelos e desafios de seu tempo, iluminando a realidade com a luz do Espírito Santo que afasta todo e qualquer sentimento de orfandade para que venhamos a dar os passos necessários na construção de um novo céu e uma nova terra, a Jerusalém Celeste, a Cidade dos céus, que tanto desejamos, sonhamos e nos empenhamos em construir, apesar de todos os desafios do tempo presente.

O Espírito Santo assegura à Igreja a vitalidade, a audácia, a imaginação, a liberdade, o desprendimento, dinamismo e ardor...

Garante a revitalização e o retorno ao primeiro amor que o Senhor despertou em nosso coração... Afinal, Deus quis fazer em nós Sua morada.

O Encontro Eucarístico é por excelência a manifestação do Espírito, de modo que Celebrar a Eucaristia é vislumbrar um pedaço do céu que se abre sobre a terra, em que os raios da glória da Jerusalém celeste atravessam as nuvens da história e vem iluminar nossos caminhos, como nos falou o Papa São João Paulo II em uma de suas Encíclicas.

É vislumbrar e comprometer-se com a Jerusalém Messiânica! Em cada Eucaristia a Palavra do Senhor ganha vitalidade e esplendor para revigorar-nos na edificação da Igreja, como sinal do Reino, em relações de amor, perdão, doação, serviço, solidariedade...

Quando somos bons ouvintes, necessariamente somos bons praticantes e Ele em nós faz a Sua morada e nos torna hospedeiros do mais belo Hóspede e prisioneiros do mais belo Amor, construtores do novo céu e da nova terra.

Esperamos a Jerusalém Celeste, a Cidade da Paz em que o Senhor reina glorioso, vitorioso. Nós somos, com o Espírito Santo, participantes desta Divina Vitória, até que um dia possamos entrar na Sua indescritível glória!  

PS: Oportuno para refletirmos sobre a passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 15,1-2;22-29)

Novo Céu e Nova Terra (VIDTPC)

Novo Céu e Nova Terra

A passagem do Livro do Apocalipse (Ap 21, 1-5a) nos apresenta a missão de construirmos um novo céu e uma nova terra, que é a meta última de nossa história.

A visão do autor – “Jerusalém que desce do céu” – retrata a realidade de que o novo céu e a nova terra têm origem divina e possibilita nossa resposta, nossa participação.

Discípulos do Ressuscitado, esperamos e nos comprometemos com a Jerusalém Celeste tornando o mundo mais fraterno, mais justo e solidário, a meta da harmonia e da felicidade sem fim. Não haverá mais dor, luto, morte e sofrimento.

A partir desta fé inaugura-se um relacionamento que transforma a si mesmo e todos os que estão em sua volta, culminando até na renovação de todas as estruturas geradoras de lágrimas, dor, sofrimento e luto.

O amor e a alegria de sermos partícipes na construção do Reino devem estar presentes em nossas comunidades. Isto ocorre quando os ministérios diversos são postos a serviço da comunidade, e não nos servimos dela para qualquer outro objetivo. A grandiosidade está no servir à comunidade e não o contrário.

Somente no amor vivido é que reconhecerão que somos discípulos do Ressuscitado, e esta passa a ser para sempre a nossa identidade (cf. Jo 13,35).

De modo que nossa identidade não é uma filosofia, tão pouco a prática de ritos em si mesmo, mas a intensidade e profundidade do como e do quanto amamos.

A Ressurreição de Jesus Cristo nos convoca a nossa própria renovação, bem como de todas as estruturas do mundo, para que seja a expressão de uma Aliança que deu certo. Ter nos amado e nos amado até o fim, não foi em vão.

Urge intensificar e renovar sagrados compromissos com a construção do novo céu e da nova terra, movidos pela fé no Cristo Vivo e Ressuscitado. Amém. Aleluia.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG