quinta-feira, 22 de maio de 2025

A Sagrada Eucaristia nos alimenta, vivifica e nos santifica

                                                        

A Sagrada Eucaristia nos alimenta, vivifica e nos santifica
 
À luz dos Tratados escrito pelo Bispo São Gaudêncio de Bréscia (séc. IV), reflitamos sobre a Eucaristia, que é a Páscoa do Senhor.
 
“Um só morreu por todos. É Ele mesmo que em todas as Igrejas do mundo, pelo mistério do pão e do vinho, imolado, nos alimenta, acreditado, nos vivifica e, consagrado, santifica os que o consagram.
 
Esta é a Carne e este é o Sangue do Cordeiro. É o mesmo Pão descido do céu que diz: O pão que Eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo (Jo 6,51). Também o Seu sangue está expresso sob a espécie do vinho.
 
Ele mesmo afirma no Evangelho: Eu sou a videira verdadeira (Jo 15,1), manifestando com toda clareza que é Seu sangue todo vinho oferecido como sacramento da paixão. O grande patriarca Jacó já profetizara acerca de Cristo, ao dizer: Lavará no vinho a Sua túnica e no sangue da uva o Seu manto (Gn 49,11). Na verdade, haveria de lavar no Seu próprio sangue a túnica do nosso corpo, que tomara sobre Si como uma veste.
 
O Criador e Senhor da natureza, que produz o pão da terra, também transforma o pão no Seu próprio Corpo (porque pode fazê-lo e assim havia prometido); do mesmo modo, Aquele que transformou a água em vinho, transforma o vinho no Seu sangue.
 
Diz a Escritura: É a páscoa do Senhor (Ex 12,11), isto é, a passagem do Senhor. Por isso não julguemos terrestres os elementos que se tornaram celestes, porque o Senhor ‘passou’ para essas realidades terrestres e transformou-as no Seu Corpo e no Seu Sangue.
 
O que recebes é o Corpo d’Aquele Pão do Céu, e o Sangue é d’Aquela videira sagrada. Porque, ao dar o pão e o vinho consagrados a Seus discípulos, disse-lhes: Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue (Mt 26,26.28). Acreditemos, portanto, n’Aquele em quem pusemos a nossa confiança: a Verdade não sabe mentir.
 
Quando Jesus falava sobre a necessidade de comer Seu Corpo e de beber Seu Sangue, a multidão, desconcertada, murmurava: Esta palavra é dura! Quem consegue escutá-la? (Jo 6,60). Querendo purificar com o fogo celeste tais pensamentos – que deveis evitar, como já vos disse – ele acrescentou: O Espírito é que dá vida, a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida (Jo 6,63)”.
 
Cremos que Ele é a nossa Páscoa, a passagem da morte para a vida, que por Sua a morte, morre por todos nós, a fim de que vivamos para sempre.
 
Cremos em Jesus, que em todas as Igrejas do mundo, se faz presente no Pão e no Vinho, Mistério do Seu Corpo e Sangue.
 
Cremos na Eucaristia, Corpo e Sangue do Senhor, que consagrado, santifica os que O consagram; o Corpo e Sangue do Senhor, que imolado, nos alimenta; e acreditado, nos vivifica e nos santifica, comprometendo-nos a serviço da vida plena e definitiva para todos.


Em poucas palavras...

                                                        


A caridade 

“A caridade é aquela em vista da qual tudo se deve fazer ou não fazer, mudar ou não mudar. É ela o princípio e o fim que devem regular tudo. 

Nada é culpável quando feito por ela e em conformidade com ela. 

Oxalá ela nos seja concedida por Aquele a quem não podemos agradar sem ela, pois sem Ele nada absolutamente podemos, Ele que vive e reina, Deus, pelos séculos infindos. Amém.”(1)

 

 

(1)Bem-aventurado Isaac, abade do mosteiro de Stella (Séc. XII)

Não quero a desventura...

                                                         

Não quero a desventura...

Felizes os íntegros em seu caminho,
os que andam conforme a Lei do Senhor!
Felizes os que guardam Seus testemunhos,
procurando-O de todo o coração,
e que, sem praticar a iniquidade,
andam em Seus caminhos!” 
Sl 119,1-3
Não quero a desventura de quem nada crê.
Jamais o infortúnio que roube a graça de viver.

Não andarei sob o jugo do medo,
Mas procurarei quem me ajude a enfrentá-lo.

Não sucumbirei com os que se curvam diante do mal,
Mas me revigorarei com os que se empenham pelo bem.

Não vou somar com quem nada espera,
Mas sonhar com os que sabem esperançar.

Não serei aprendiz de verbos que roubem a beleza da vida,
Mas, com o Divino Mestre, verbos salutares reaprender a conjugar.

Não farei crescer a fila dos que se entregam a mediocridade,
Mas, com pessoas de boa vontade, construir laços de fraternidade.

Não quero a desventura dos que se entregam aos pesadelos.
Jamais o infortúnio que roube a beleza e a força dos belos sonhos.

Quero firmar os passos nos caminhos do Senhor,
Com o Santo Espírito, os preceitos divinos viver. 

Continuarei, com fé, peregrinando na esperança,
de um novo céu e uma nova terra (Ap 21,1). Amém. Aleluia!


Em poucas palavras...

                                                       


O monte das Santas Escrituras

“Não vos extravieis no meio do nevoeiro, antes escutai a voz do pastor. Retirai-vos para os montes das Santas Escrituras; ali encontrareis as delícias do vosso coração e não achareis nada que vos possa envenenar ou fazer mal, pois ricas são as pastagens que ali se encontram” (1)

 

(1)Santo Agostinho, Sermão 46 sobre os pastores

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai

                                                        

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai

Assim Se apresentou Jesus, na passagem do Evangelho de João (Jo 15,1-8): “Eu sou a Verdadeira Videira e meu Pai é o agricultor”. E ainda: “Eu sou a Videira e vós os ramos”.

Notável é a presença do verbo “permanecer”, ao longo da passagem, o que nos leva a refletir e rezar:

Oremos:

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, para dar frutos de amor, bondade, justiça, comunhão, vida, fraternidade e paz, pois sem Ti sou apenas um ramo seco, que morrerá sem nada produzir.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, perseverando até o fim, unido a Ti, quaisquer que sejam as situações, dificuldades, provações, que tenha que passar, mas contando com a Seiva do Teu Espírito, a Seiva do Amor.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, na travessia do vale escuro do cotidiano, e enfrentar as noites escuras da secura da alma, certo de Tua divina e iluminadora presença, porque estás vivo e Ressuscitado.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo,  na fidelidade à missão que me confiaste e vivendo o Novo Mandamento que nos deste: “amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei”.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, vivendo os inseparáveis Mandamentos do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, vivendo um amor sem arrependimento, incondicional e eterno, até a morte, para um dia entrar na plenitude do amor e luz: céu.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo em Tua Igreja, Teu corpo, comunidade dos que creem em Ti, em Tua divindade e humanidade, inseparáveis, que veio ao nosso encontro para nos redimir de todo pecado para uma Vida Nova.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, inseparavelmente, portanto, de Tua Igreja, onde a vida se move na linha do dom e do serviço, mesmo que nela estejam presentes o pecado e a fraqueza própria da condição humana.

Senhor Jesus, Verdadeira Videira do Pai, quero permanecer contigo, na fidelidade ao Projeto de Teu Amado Pai, e envolvido pelo Teu Santo Espírito de Amor, contando com a ternura, carinho e presença de Tua amantíssima Mãe, que jamais nos abandona. Amém.


Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa 2011 – Vol. Quaresma / Páscoa – p.552

“Eu sou a Videira e vós sois os ramos”

                                                                        

“Eu sou a Videira e vós sois os ramos”

Na Liturgia da quarta-feira da 5ª Semana do Tempo Pascal, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 15,1-8), sobre a “Verdadeira Videira”, que é o próprio Cristo Jesus.

Refletimos sobre a nossa união com Cristo, que deve ser intensa para que possamos ter vida plena e os frutos por Deus esperados produzirmos.

À luz da Carta de São João (1Jo 3,18-24), ser cristão é acreditar em Jesus Cristo e amar-nos uns aos outros como Ele nos amou. O amor ao próximo é critério para afirmarmos se conhecemos ou não a Deus, para afirmarmos a realização ou não da Sua vontade, pela palavra e obras que possamos fazer.

Quando deixamos que o amor conduza a nossa vida, estamos no caminho da verdade. Coração aberto ao amor se traduz em serviço e partilha, na mais bela comunhão com Deus.

Somente o amor autêntico vivido nos liberta de todas as dúvidas e inquietações; dá-nos a serenidade necessária e a certeza de que estamos no caminho certo da felicidade e vida eterna, assim como somente a adesão a Jesus e o amor vivido se tornam fonte de frutos saborosos por Deus esperados.

A passagem do Evangelho (Jo 15,1-8) deve ser compreendida no contexto da despedida de Jesus.

Com a Parábola da Videira, Jesus exorta os discípulos para que permaneçam com Ele. Está próxima a Sua partida, entrega, Paixão e Morte, mas também próxima está a Sua Ressurreição e presença para sempre no meio deles.

João nos apresenta a comunidade da Nova Aliança com o distintivo do amor e serviço.

Notamos a insistência do Evangelista no verbo “permanecer” – oito vezes. Permanecer com Jesus implica em adesão, solidez na fé, estabilidade, constância, continuidade, frutos abundantes. Permanecer é adesão e renovação constante.

Permanecer é ficar com Ele, viver Seu Mandamento de Amor, para que nossa vida corresponda com a Sua Vida. Sem Jesus a comunidade viveria uma esterilidade indesejável.

É preciso, como cristão, viver para Jesus Cristo e como Ele. Podas serão inevitáveis para que mais frutos sejam produzidos, mas somente o ramo unido a Jesus produzirá os frutos saborosos.

Reflitamos: 

- A quem queremos aderir nossa vida?
- Com quem queremos ser configurados, enxertados?

Haverá sempre a possibilidade de enxertar-se em outras “árvores”, mas o resultado é o óbvio: insatisfação, frustração, egoísmo, morte e autossuficiência...

A Parábola fala de ramos que, se não unidos à videira, morrerão, secarão, serão queimados. Isto ocorre quando seduções indesejáveis norteiam nossa vida: dinheiro, êxito a qualquer preço, moda, poder, aplausos, orgulho, amor próprio excludente, a inversão de valores que deem sentido à vida.

Também menciona as podas necessárias para novos frutos, que consistem nas provações do cotidiano, na cruz a ser carregada com renúncias, sacrifícios, abertura ao outro, humildade, simplicidade, perdão, superação...

É preciso que façamos constante revisão de vida e assim renovemos  nossa adesão ao Senhor, ao Seu Evangelho.

Renovemos nosso amor e pertença à Igreja, que nasceu de Seu lado direito, quando Seu Coração trespassado o foi.

Como membros ativos da comunidade, vejamos quais são as podas necessárias que precisamos ter coragem de suportar, para que os frutos saborosos de Deus possamos produzir, para que todos tenhamos vida e vida plena.

Saciemo-nos com a Seiva do Amor, que emana abundantemente em cada Eucaristia celebrada, em cada Palavra ouvida, acolhida e na vida encarnada.

Não podemos viver sem Jesus, assim como não podemos viver sem o Seu Amor.

Bem diz o canto:

“Meu Senhor despojou-Se de Si, sendo Deus
Se fez homem, Se entregou e morreu numa Cruz. [...]
Eu Te amo, sou louco de amor por Ti, meu Jesus

Tu és minha paz, minha luz, meu Rei e meu Bom Pastor
Eu Te amo, sou louco de amor por Ti, meu Jesus
Tu és minha paz, minha luz, meu Deus, meu Senhor. [...]”

“O inverno presente e a primavera futura”

                                                           

“O inverno presente e a primavera futura”

Para aprofundamento da passagem do Evangelho (Jo 15,1-8),  reflitamos sobre um trecho do Comentário de Orígenes (séc. III).

“Toda planta, após a morte do inverno, espera a ressurreição da primavera. Portanto, se também nós somos enxertados na morte de Cristo no inverno deste mundo e da vida presente, verificamos que, na primavera futura, produzimos frutos de justiça sugados da seiva de Sua raiz; e se estamos enxertados em Cristo, será necessário que, como os ramos da Videira verdadeira, o Pai nos pode, Ele que é o agricultor, para que demos fruto abundante” (1).

Estamos vivendo o tempo do “inverno deste mundo”, mas a fé cultivada alimenta nossa esperança de que haverá a “primavera futura”, com frutos abundantes.

No entanto, as podas se fazem necessárias, para que mais frutos produzamos, e assim, mais ainda a caridade seja expressa em gestos concretos de amor e solidariedade.

Nutrimos nossa fé, esperança e caridade com a Seiva do Amor que nos vem do Espírito.

Nisto consiste a vida dos discípulos missionários: passar do inverno deste mundo e da vida presente à primavera futura, suportando, com maturidade, as podas necessárias, certos de que não nos falta a Seiva do Amor do Deus, por meio do Seu Espírito, que é abundantemente derramado em nossos corações.

Oremos:

Ó Deus, que nos inseristes em Cristo como ramos na verdadeira vide, dai-nos o Vosso Espírito, para que amando-nos uns aos outros com sincero amor, nos tornemos primícias de uma Humanidade nova e produzamos frutos de santidade e de paz” (2). Amém!


(1)         Lecionário Patrístico Domunical – Editora Vozes – 2013 – p.355
(2) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – Vol. Quaresma/Páscoa – p.533

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