terça-feira, 29 de abril de 2025

Participando deste Diálogo nossa alma se eleva… (29/04)

                                              


Participando deste Diálogo nossa alma se eleva…

Contemplemos o Diálogo sobre a Providência Divina, da Virgem e Doutora Santa Catarina de Sena (Séc. XIV), cuja Memória celebramos dia 29 de abril.

“Com a indizível benignidade de Sua clemência, o Pai eterno dirigiu o olhar para esta alma, e começou a falar:

Caríssima filha, determinei com firmeza usar de misericórdia para com o mundo e quero providenciar acerca de todas as situações dos homens.

Mas o homem ignorante julga levar à morte aquilo que lhe concedo para a vida, e assim se torna muito cruel, para si próprio; no entanto, dele Eu cuido sempre. Por isso quero que saibas: tudo quanto dou ao homem provém da Suprema Providência.

E o motivo está em que, tendo criado com Providência, olhei em mim mesmo e fiquei cativo da beleza de minha criatura. Porque foi de meu agrado criá-la com grande Providência à minha imagem e semelhança. Mais ainda, dei-lhe a memória para guardar meus benefícios em seu favor, por querer que participasse de meu poder de Pai eterno.

Dei-lhe, além disto, a inteligência para conhecer e compreender na sabedoria de meu Filho a minha vontade, porque sou com ardente caridade paterna o máximo doador de todas as graças.

Concedi-lhe também a vontade de amar, participando da clemência do Espírito Santo, para poder amar aquilo que a inteligência visse e conhecesse.

Isto fez minha doce Providência. Ser o único capaz de entender e de encontrar seu gozo em mim com alegria imensa na minha eterna visão. E como de outras vezes te falei, pela desobediência de vosso primeiro pai Adão, o céu estava fechado. Desta desobediência decorreram depois todos os males no mundo inteiro.

Para fazer desaparecer do homem a morte de sua desobediência, em minha clemência providenciei, entregando-vos meu Filho unigênito com grande sabedoria, para que assim reparasse vosso dano. Impus-lhe uma grande obediência, a fim de que o gênero humano se livrasse do veneno que se difundira no mundo pela desobediência de vosso primeiro pai.

Assim, como que cativo de amor e com verdadeira obediência, correu com toda a rapidez, correu à ignominiosa Morte Sacratíssima, deu-vos a vida, não pelo vigor de Sua humanidade, mas da divindade”.

Neste Diálogo contemplamos sublimes revelações do Senhor a esta doutora mulher e muito nos inspira e fortalece no discipulado.

Tudo quanto Deus concede ao homem provém de Sua suprema Providência. Criou o homem e a mulher com grande  Providência a Sua imagem e semelhança. Mais do que isto, concedeu-lhe a memória, a Inteligência e a vontade de amar.

Instaurando a criatura o pecado, e com ele o rompimento de uma aliança de amor, entregou-nos o Seu Filho unigênito com grande sabedoria impondo-lhe uma grande obediência.

Ele encarnando-Se, na fidelidade incondicional e com verdadeira obediência, como que cativo de amor, correu com toda a rapidez, correu à ignominiosa Morte Sacratíssima. Com Sua morte concedeu-nos a vida, vida presente, vida plenamente, vida eternamente…

Esta vida a nós concedida, paradoxalmente vem não pelo vigor de Sua humanidade, mas da divindade.

Na fragilidade humana assumida, quando encarnada a nós, Se assemelhou, a nós Se fez igual, exceto no pecado, para que pudesse destruí-lo e recuperássemos tudo que perdêramos, pela falta de correspondência ao plano de Deus, um puro plano de amor…

Em Sua Encarnação, Morte e Ressurreição, já não somos mais quem fomos, pois n’Ele e com Ele somos uma nova criatura, mortos para o pecado e vivos para Deus, como o Apóstolo Paulo nos disse.

Como Deus nos ama!
Seu amor ultrapassa nossa lógica
e capacidade de compreensão…
Vida Nova com Sua Morte e Ressurreição!

Sábias Mulheres que nos revelam Deus

                                                                

Sábias Mulheres que nos revelam Deus

Dia 29 de abril celebramos a Memória de Santa Catarina de Sena, e temos a oportunidade de sermos enriquecidos pelo seu “Diálogo com a Divina Providência”, que nos é apresentada na Liturgia das Horas.

“Ó Divindade eterna, ó eterna Trindade, que pela união da natureza divina tanto fizeste valer o sangue de Teu Filho Unigênito!

Tu, Trindade eterna, és como um mar profundo, onde quanto mais procuro mais encontro; e quanto mais encontro, mais cresce a sede de Te procurar.

Tu sacias a alma, mas de um modo insaciável.
Porque saciando-se no Teu abismo, a alma permanece sempre sedenta e faminta de Ti, ó Trindade eterna, cobiçando e desejando ver-Te à luz de Tua luz…

Provei e vi em Tua luz com a luz da inteligência, o Teu insondável abismo, ó Trindade eterna, e a beleza de Tua criatura…

Ó abismo, ó Trindade eterna, ó Divindade, ó Mar profundo! Que mais poderias dar-me do que a Ti mesmo? Tu és um fogo que arde sempre e não se consome.

Tu és que consomes por Teu calor todo amor profundo da alma.
Tu és de novo o fogo que faz desaparecer toda frieza e iluminas as mentes com a Tua luz. Com esta luz me fizeste conhecer a verdade.

Espelhando-me nesta luz, conheço-Te como Sumo Bem, o Bem que está acima de todo bem, o Bem feliz, o Bem incompreensível, o Bem inestimável, a Beleza que ultrapassa toda beleza, a Sabedoria superior a toda sabedoria.

Porque Tu és a própria Sabedoria, Tu, o Pão dos anjos, que no fogo da caridade Te deste aos homens.

Tu és a veste que cobre minha nudez; alimenta nossa fome com a Tua doçura, porque és doce, sem amargura alguma. Ó Trindade eterna!”

Catarina de Sena, possuidora de grande amor e preocupação pelas dificuldades da Igreja, nos deixou tão belo e grande testemunho de amor pela mesma, repetindo sempre estas palavras em sua vida agitada e sofrida: “Se morrer, sabeis que morro de paixão pela Igreja”.

Santa Catarina de Sena foi declarada Doutora da Igreja e Padroeira da Itália, pelo Papa São Paulo VI.

Ela nutria profunda paixão por Jesus Cristo, assim como outras tantas “Sábias Mulheres de Deus”, ontem, hoje e sempre, são a manifestação da acolhida e da comunicação da Sabedoria de Deus no mundo.

Viveu no século XIV, num tempo de grandes desafios, dentre eles, a peste e o cisma da Igreja. Teve uma vida simples, de origem pobre e humilde (última de uma família de 25 filhos).

Mulher de grande mística, espiritualidade e oração, que acolheu o sopro do Espírito e enriqueceu a Igreja de seu tempo e de todo o tempo, testemunhou grande amor e cuidado aos doentes, foi incansável reveladora do amor de Deus.

Morreu jovem, aos 33 anos, deixando numerosos escritos de profunda espiritualidade e Cartas de alto valor histórico e religioso.

Encontramos em seus escritos as últimas palavras:


“Do leito de morte, dirigiu ao Senhor esta comovente oração: “Ó Deus eterno!, recebe o sacrifício da minha vida em benefício deste Corpo Místico da Santa Igreja. Não tenho outra coisa para oferecer-te a não ser aquilo que me deste”.

Ressoa em nosso coração a grande afirmação do Papa Bento XVI, quando esteve em nosso meio:  “Somente enamorados por Cristo é que poderemos ser Seus discípulos”. 

Reflitamos:

- Com que profundidade mergulhamos no Mistério de Amor da Santíssima Trindade?
- Qual a profundidade de nossa paixão pela Igreja de Cristo?

- Sentimo-nos, como Catarina, enamorados por Cristo?
- Quais são as Sábias Mulheres de Deus em nossas vidas?

- Qual a nossa solicitude para com os pobres, presença de Cristo em nossa vida?

Contemplemos o testemunho de Santa Catarina, e revigoremos nossos passos, na fidelidade ao Senhor, o Caminho e a Verdade, que nos conduz à Vida!

Santa Catarina de Sena, rogai por nós! 


Para maior aprofundamento e enriquecimento, sugiro que confira:

Simplesmente por amor...

                                                           

Simplesmente por amor...

“Com o fogo do Teu amor acendes
os nossos corações com o desejo de Te amar...”

Retomemos um trecho da Carta de Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja - (1347-1380), dirigida a Bartolomea, esposa de Salviato de Lucca.

Abraça Jesus Crucificado, Amante e Amado... Abraça, portanto, Jesus Crucificado elevando a Ele o olhar do teu desejo! Toma em consideração o Seu Amor ardente por ti, que levou Jesus a derramar Sangue de todas as partes do Seu corpo!

Abraça Jesus Crucificado, Amante e Amado e n’Ele encontrarás a verdadeira vida, porque Ele é Deus que Se fez homem.

Que o teu coração e a tua alma ardam pelo fogo do Amor do qual foi coberto Jesus cravado na Cruz!

Tu deves, portanto, tornar-te amor, olhando para o Amor de Deus, que tanto te amou, não porque te devesse obrigação alguma, mas por um puro dom, impelido somente pelo Seu inefável Amor.

Oh inestimável Amor! Tu nos iluminas com a Tua sabedoria para que nos possamos conhecer a nós mesmos, conhecer a Tua verdade e os enganos sutis do demônio.

Quem possui o Amor de Deus, n’Ele encontra tanta alegria que cada amargura se transforma em doçura e cada grande peso se torna leve. Doce Jesus, Amor Jesus.

Com o fogo do Teu amor acendes os nossos corações com o desejo de Te amar e de Te seguir na verdade. Só Tu és o Amor, somente digno de ser amado!”

Notemos a insistência nas palavras Amor e Amar, direta ou indiretamente.

O amor nos revela a essência da fé cristã, a essência da vida. Por isto Nosso Senhor nos deu o mais belo e irrevogável de todos os Mandamentos: “Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”.

A verdadeira medida de nosso amor, bem como sua altura, largura e profundidade, tem que ultrapassar as medidas humanas, para alcançar as medidas divinas testemunhadas no Amor da Cruz de Nosso Senhor!

Esta Carta é oportuna para nossa espiritualidade no seguimento de Jesus, como alegres e apaixonados discípulos missionários do Senhor, simplesmente por amor

Reflitamos:

- Como tenho vivido o Mandamento do Amor que Nosso Senhor nos deixou: Amar o próximo como Ele amou?

- O que ressalta aos olhos e ao coração meditar a Carta de Santa Catarina de Sena?

- Santa Catarina, sábia e santa. Quais são as pessoas sábias e santas que fazem parte da nossa história?

Amar a Deus, simplesmente por amor,
Porque antes de amá-Lo,
Ele nos Amou primeiro. 
Amém. Aleluia!

Em poucas palavras... (29/04)

 


As diferentes virtudes divinas a nós concedidas

“Estas diferenças fazem parte do plano de Deus que quer que cada um receba de outrem aquilo de que precisa e que os que dispõem de «talentos» particulares comuniquem os seus benefícios aos que deles precisam.

As diferenças estimulam e muitas vezes obrigam as pessoas à magnanimidade, à benevolência e à partilha: e incitam as culturas a enriquecerem-se umas às outras:

«Eu distribuo as virtudes tão diferentemente, que não dou tudo a todos, mas a uns uma e a outros outra [...] A um darei principalmente a caridade, a outro a justiça, a este a humildade, àquele uma fé viva. [...] E assim dei muitos dons e graças de virtudes, espirituais e temporais, com tal diversidade, que não comuniquei tudo a uma só pessoa, a fim de que vós fosseis forçados a usar de caridade uns para com os outros; [...] Eu quis que um tivesse necessidade do outro e todos fossem meus ministros na distribuição das graças e dons de Mim recebidos» (Santa Catarina de Sena).” (1)

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1937

Em poucas palavras... (29/04)

 


Graças e dons divinos recebidos

“Eu distribuo as virtudes tão diferentemente, que não dou tudo a todos, mas a uns uma e a outros outra […] A um darei principalmente a caridade, a outro a justiça, a este a humildade, àquele uma fé viva. […] 

E assim dei muitos dons e graças de virtudes, espirituais e temporais, com tal diversidade, que não comuniquei tudo a uma só pessoa, a fim de que vós fôsseis forçados a usar de caridade uns para com os outros; […] 

Eu quis que um tivesse necessidade do outro e todos fossem meus ministros na distribuição das graças e dons de Mim recebidos” (1)

 

(1) Santa Catarina de Sena (séc. XIV)

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Vivamos segundo o Espírito (13/04)

                                                                                        

                                     Vivamos segundo o Espírito

A Liturgia da 2ª segunda-feira da Páscoa nos apresenta a passagem do Evangelho que retrata a conversa de Jesus com o fariseu chamado Nicodemos, o príncipe dos judeus (Jo 3,1-8).

Vemos a preocupação do Evangelista em apresentar uma nova oposição entre o velho e o novo, sobre a condição do homem diante de Deus.

O homem velho é o homem do Antigo Testamento, o homem que vive segundo a lei, escravo do pecado e da morte e, portanto, vive segundo a carne.

O homem velho que se deixa guiar pelos sentimentos inferiores, como o egoísmo, individualismo, buscando apenas os seus interesses, com sentimentos de insensibilidade diante do sofrimento do outro, de modo que gestos de solidariedade não são concebíveis.

Com facilidade transforma o outro em objeto para a satisfação de seus instintos e de sua maldade.

O homem novo, entretanto, é o homem que participa da Nova Aliança, tornando-se um cidadão do Reino de Deus, e tem a vida movida segundo o Espírito.

E assim, não é mais movido segundo a lei, mas segundo a luz do Novo Mandamento do Amor.

Deste modo, não é mais escravo do pecado e, como filho de Deus, é livre e vive segundo a graça e não é mais prisioneiro da morte, porque tem a Vida Nova em Cristo, lembrando o que Paulo também afirmará: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

Tendo a vida marcada pelo amor, estabelece vínculos de comunhão e de fraternidade, firma os passos num caminho de humanização, abrindo o coração e a mente para que Deus possa agir.

Na participação da construção do Reino Deus inaugurado por Jesus é necessário que se renasça do Espírito, fazendo renascer uma nova humanidade.

Nascendo de novo e vivendo segundo o Espírito, nos enriquecemos com os frutos da Ressurreição, e testemunhamos no mundo uma fé verdadeiramente Pascal, onde o medo cede lugar à coragem, a tristeza à alegria, o desânimo à esperança, a imobilidade e letargia ao dinamismo e prontidão da missão, a escuridão à luz, as gélidas relações entre as pessoas em relações mais humanas e fraternas, a  noite escura da alma cede lugar ao esplendor da madrugada da Ressurreição. 

Enfim, 
a morte cede lugar à vida. 
É Páscoa! 
Aleluia!

Diocese de Guanhães: 38 anos de ação Evangelizadora (28/04)

                                                     


Diocese de Guanhães: 38 anos de ação Evangelizadora 

No dia 1º de maio de 2024, Festa de São José Operário, teremos a graça de, também, celebrar 38 anos de evangelização de nossa amada Diocese.

E para bem celebrar, torna-se importante conhecermos um pouco da sua história:

- A Diocese pertence à Província Eclesiástica de Diamantina e foi criada a 18 de dezembro de 1985 pela Bula Pontifícia “Recte Quidem”, do Papa São João Paulo II, tendo seu território desmembrado da Arquidiocese de Diamantina e das Dioceses de Governador Valadares e Itabira - Coronel Fabriciano;

- Sua instalação solene aconteceu em 1º de maio de 1986, pelo Exmo. e Revmo. Sr. Núncio Apostólico no Brasil, Dom Carlo Furno, que também, nesta data, deu posse ao primeiro Bispo Diocesano, Dom Antônio Felippe da Cunha, SDN (Missionário Sacramentino de Nossa Senhora); 

- situada na Região centro-oriental de Minas Gerais, faz parte do Regional Leste II da CNBB (que compreende o Estado de Minas Gerais), limita-se ao Norte e Noroeste com a Arquidiocese de Diamantina; ao Nordeste, com a Diocese de Governador Valadares; ao Sul, com a Diocese de Itabira – Coronel Fabriciano e Diocese de Sete Lagoas;

- tem uma superfície de 15.047 km2 e, conforme o censo de 1996, tinha uma população de 269.931 habitantes, distribuídos em 30 cidades de seu território. 

Fazendo memória de todos aqueles e aquelas que por aqui passaram e deixaram a sua preciosa semente de evangelização, destacamos o primeiro Bispo Dom Antônio Felippe da Cunha (in memoriam); Pe. Saint Clair Ferreira Filho (in memoriam), Administrador Diocesano; Dom José Heleno (Administrador Apostólico) (in memoriam); Dom Emanuel Messias de Oliveira, o segundo Bispo; o então Pe. Marcello Romano, Administrador Diocesano; Dom Jeremias Antônio de Jesus, Bispo Emérito, o terceiro; Dom Darci José Nicioli, Administrador Apostólico; e tantos outros padres, cristãos leigos e leigas, que ajudaram a construir a história desta Diocese. 

Vivendo a graça do Ano da Oração, com o tema - "Peregrinos de esperança", com vistas ao Jubileu da Misericórdia, a ser celebrado por toda a Igreja em 2025, bem como a participação na preparação do Sínodo dos Bispos que será realizado outubro de 2024, em âmbito Diocesano, firmemos nossos passos na ação evangelizadora, a fim de que sejamos uma Igreja Sinodal, caminhando juntos, na comunhão, participação e missão, firmando os quatro pilares da ação evangelizadora: Pilar da Palavra, do Pão, da Caridade e da Ação Missionária.

Contemos com a intercessão de São José Operário, Patrono de todos os trabalhadores; de São Miguel Arcanjo, padroeiro de nossa Diocese, e da Imaculada Conceição de Aparecida, a Padroeira do Brasil.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG