quarta-feira, 26 de março de 2025

Abri, Senhor, os olhos de minha alma e os ouvidos do meu coração (Oração)

                                                  


Abri, Senhor, os olhos de minha alma e os ouvidos do meu coração 

Inspirado na reflexão do bispo São Teófilo de Antioquia (séc II), elevo a Deus esta Oração, a fim de que todos os dias de nossa vida sejam tempo favorável de nossa salvação e purificação

Oremos:

Senhor,
 Suplico a cura que somente pode vir de Vós,
Confiando tão apenas em Vós, médico de minha alma,

Abri, Senhor, os olhos de minha alma e os ouvidos de meu coração
para que eu veja com os olhos da mente, por Vós iluminados,
 e ouça com os ouvidos do coração, por Vós purificados..

Dai-me a graça de ter a alma pura, qual um espelho reluzente,
 para refletir Vossa presença, que em mim fizestes morada.

Concedei-me, Senhor, a graça de uma vida santa, pura e justa,
Para que a Vós eu possa ver, pois somente os puros de coração verão Vossa face.

Que eu saiba dar preferência, em meu coração,
à fé e ao temor de Vós,
Para que, nesta árdua travessia do deserto,
As tentações do maligno eu possa vencer,
A voz do Filho Amado sempre escutar,
E, colocando-a em prática,
A alma, de água pura e cristalina, saciada,
Jorrando para a eternidade.
Amém!


Rezando a partir da gramática


Rezando a partir da gramática

Se no céu tivesse uma grande placa, estaria escrito em letras garrafais:

“SEJA BEM-VINDO”, com hífen, em perfeita sintonia com o novo acordo ortográfico,
Porque não ficariam bem erros crassos no céu; lá há a plenitude da perfeição.

Se merecedores o fôssemos, evidentemente,
Ainda ouviríamos vozes celestiais nos dando BOAS-VINDAS,
Com hífen e plural em ambas as palavras, sem erro algum de concordância.

Mas, antes, é preciso, enquanto peregrinos longe do Senhor,
Como membro do Povo de Deus, trilhar um longo caminho,
Como ASSEMBLEIA, sem acento, sem choro, dor ou lamento.

É preciso ainda que anunciemos a BOA-NOVA do Evangelho,
Acompanhado de sagrado testemunho, em atitude de serviço e diálogo,

Sem empobrecedora AUTOSSUFICIÊNCIA, sem hífen e orgulho, para que Deus aja em nós e por nós. 

Todos ansiamos pela liberdade

                                                          

Todos ansiamos pela liberdade

Conhecereis a Verdade e
a Verdade vos libertará” (Jo 8, 32)

Todos nós ansiamos pela verdadeira liberdade... Porém, dela podemos nos distanciar se a procurarmos em lugares e coisas erradas, tornando-nos, paradoxalmente, escravos do próprio desejo de liberdade, mas que é, na exata medida, a pura expressão do próprio egoísmo, autossuficiência e vazio existencial.

Apresento dois elementos importantes e indissociáveis para que alcancemos a libertação verdadeira:

O primeiro passa necessariamente pelo compromisso pessoal e comunitário com o Reino de Deus, e com a comunidade a qual pertencemos.

A vida precisa ser marcada por uma constante luta histórica de transformação da realidade, tendo como critério os valores do Evangelho: “Permanecei firme até a morte e a coroa da glória eu te darei” (Ap 2,10c). E disse o Senhor: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida” (Lc 21, 17).

Este compromisso será cada vez mais profundo, sincero e frutuoso, quanto mais tenha sido o nosso encontro pessoal com o Senhor, que marcou, transformou e deu rumo novo ao nosso existir, renovando sempre a chama do primeiro amor vivenciado.

O segundo é a confiança inabalável da presença atuante de Deus na sua vida e na história de todos nós:

Deus é o grande companheiro que está ao lado dos que assumem a luta por um mundo novo; Aquele que não somente caminha, mas Se fez o próprio Caminho, que nos alcança a liberdade, porque somente a Verdade é que nos liberta: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8,32); e esta Verdade é Ele próprio, que veio conosco para que todos Vida plena tenhamos.

Como fez desde sempre, e de modo mavioso, contemplamos na passagem dos discípulos de Emaús, quando o Senhor caminha com os dois discípulos, lhes explica as Escrituras, fazendo arder o coração de ambos; parte o Pão com eles, abrindo-lhes os olhos para perceberem Sua verdadeira e nova presença, a presença do Ressuscitado.

Somente a relação indissociável destes dois elementos pode garantir um processo histórico verdadeiramente libertador de nós mesmos, do outro e toda a humanidade.

Vigilantes na espera do Senhor que vem gloriosamente, procuremos aprofundar estes dois elementos. E, assim, na liberdade, nos encontraremos quando Ele chegar, e os frutos esperados haverá de encontrar, como nos fala o autor do Livro do Apocalipse: E o anjo lançou a foice afiada na terra, e colheu as uvas da videira da terra. Depois, despejou as uvas no grande lagar do furor de Deus.” (Ap 14,14-19).

Queremos ser livres, porque aprendemos com o Apóstolo Paulo, e assim cremos, que “É para a liberdade que Cristo nos libertou" (Gl 5,1).

Concluo com as palavras que, comumente, pronunciamos depois da consagração do Pão e do Vinho na Santa Missa:

“Anunciamos, Senhor, a Vossa morte e proclamamos a Vossa ressurreição, vinde Senhor Jesus”.


Sinais de esperança

                                               


Sinais de esperança

A passagem bíblica do Livro do Gênesis descreve o fim do dilúvio e o recomeço com Noé, que permaneceu por quarenta dias na arca,  (Gn 8,6-13.20-22).

Para certificar-se, Noé solta primeiramente um corvo, depois uma pomba, por três vezes; sendo que na primeira nada traz consigo, enquanto na segunda traz no bico um rebento novo de oliveira. Somente na terceira, a pomba não mais retorna, em sinal de que as águas haviam cessado de cobrir a terra.

A partir da fé destes envios narrados na passagem, lemos no Lecionário Comentado:

“Qualquer crente, consciente de que o seu coração está inclinado para o mal ‘desde sempre’, aceita experimentar a bondade e o amor de Deus gradualmente, tendo em conta os sinais de estagnação e de fadiga (o corvo), na esperança de não só poder encontrar os sinais de misericórdia de Deus, mas também de conseguir voar rumo à liberdade, à plenitude da vida (pomba).” (1)

Enriquece-nos o Comentário da Liturgia Diária:

“O relato traz a simbologia de um tempo ainda sombrio (corvo) para a humanidade e a perspectiva de um horizonte de esperança (pomba). O ramo de oliveira sinaliza que a vida é sempre um recomeço.” (1)

De fato, o retorno da pomba no segundo momento, sinaliza para   todos os seres humanos um símbolo de paz e de reconciliação. Quanto  à terceira e última vez, ao não retornar, é porque a pomba se encontra livre para voar em direção à liberdade e à vida.

Também nós precisamos de sinais de esperança, e Deus nos apresenta, e quer que alcemos voos para liberdade e à vida, confiantes em Sua presença, de tal forma que podemos contar com a sua proteção e misericórdia.

Reflitamos:

- Quais os dilúvios em nossa história que, por vezes, parecem ser o fim de tudo?

- Quais são os sinais de esperança que contemplamos nas páginas de nossa história?

- O que fazer neste Tempo Jubilar, para que seja um tempo de graça, reconciliação e um novo começo em todos os âmbitos de nossa vida?

Vivamos a graça do Jubileu (2025), promovido pela Igreja, que tem como tema: – “Peregrinos de Esperança”.

Seja para todos nós o começo de um novo tempo, e como peregrinos de esperança, renovemos os sagrados compromissos com o Reino, em maior e fecunda fidelidade à vontade divina, pois é próprio do amor de Deus vir ao nosso encontro, construindo relações mais humanas, justas e fraternas.

 

(1) Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume I – Editora Paulus – 2010 – pág. 284-285

(2)Liturgia Diária – Editora Paulus – pág. 89

Tempo de esperança

                                                          

 Tempo de esperança 

Vivemos momentos dificílimos, marcados pela pandemia que abalou o mundo todo, e esta mensagem do Profeta Jeremias nos fortalece na viva esperança, para que continuemos trilhando nosso caminho de fé, na prática da caridade ativa, e escrevamos novas páginas da história, conforme os desígnios de Deus.

A passagem do Livro do Profeta Jeremias (Jr 31,7-9), nos apresenta uma mensagem de conversão e fidelidade a Deus.

Jeremias é um profeta crítico das injustiças sociais, da infidelidade e do abandono que o povo faz em relação a Deus e à Sua Aliança, confiando em alianças passageiras e externas, em poderes que passam.

Apresenta-nos, também, uma mensagem de esperança de um novo recomeço, que é iniciativa de Deus e resposta do Povo.

Deus caminha conosco e nos conduz pela mão. Não estamos sós. De modo que, nos momentos mais dramáticos da caminhada histórica de Israel Deus está presente conduzindo à liberdade e à vida plena.

Ele mesmo, por amor,  reunirá, conduzirá e fará com que o povo volte à sua terra para recomeçar, após duro tempo de sofrimento e exílio. Deus é sensível, atento e cuida do Seu povo com Amor de Pai.

Com Deus supera-se todo olhar de pessimismo, com a possibilidade de um futuro melhor, pois Ele nos ama e caminha conosco, não Se faz indiferente à nossa história e está sempre pronto para perdoar, e nos reconciliar consigo, porque é um Deus de suprema e infinita misericórdia.

Deste modo, terrorismo, crimes ambientais, dificuldades econômicas, doenças, pandemias, fome, miséria, falta de princípios éticos, banalização da vida, violação de sua sacralidade, jamais terão a última palavra, e Deus sempre nos concederá a possibilidade de um novo olhar, uma nova realidade, pois está conosco na reconstrução de novos caminhos, novas linhas da história.

Que o Senhor nos conceda estes olhares confiantes e esperançosos, iluminados pela Sua Divina Palavra e nutridos pelo Seu Corpo e Sangue na Santíssima Eucaristia, assistidos pelo Espírito Santo que nos acompanha e nos ilumina em todos os momentos.

terça-feira, 25 de março de 2025

Quaresma é Tempo...

                                                        

Quaresma é Tempo...

É Tempo favorável de nossa Salvação,
Se fizermos dela um tempo de silêncio e interiorização.

É Tempo de reconciliação com Deus
Para sermos mais fraternos, superando divisões.

É Tempo de intensificarmos a sincera Oração,
Com ausência de palavras para acolhida da Palavra.

É Tempo de jejuarmos como os Profetas ensinaram,
Rompendo as amarras que ferem a beleza da vida.

É Tempo do jejum da renúncia livre
Em favor daqueles que jejuam forçadamente.

É Tempo de multiplicarmos gestos de caridade
Dando solidez para o que falamos de fraternidade.

É Tempo de vivermos a caridade que suscita caridade,
De mãos dadas com a virtude da esperança, numa fé comprovada.

É Tempo especial para contemplação do Amor divino,
Que nos abraça com laços indestrutíveis de perdão e ternura.

É Tempo de contemplarmos o mais Belo Amor
Que, na Cruz morrendo, amou-nos amando até o fim!

É Tempo de fazermos, desta necessária contemplação,   
Menos árida e deserta a morada divina no coração,

Para que a vida se torne mais bela,
Recriando o Paraíso com a mais bela flor da conversão!

Somente assim daremos largos passos
Numa caminhada de penitência, desejosos da Salvação!

Amém!

O SIM de Maria e o nosso sim

                                                    

O SIM de Maria e o nosso sim

Quando contemplamos
a Anunciação do Nascimento do Senhor,
Somos convidados a refletir
Sobre o SIM de Maria mais de uma vez ecoado.

Quando a alegria de Pentecostes
Com o sopro do Espírito se anuncia.
Linguagem do amor como eterno aprendizado,
Em cada Igreja e em cada Eucaristia.

Olhemos, incansavelmente, para Maria,
Contemplemos Maria na manhã da Anunciação,
Contemplemos na tarde da Paixão,
Na Manhã de Pentecostes e da Ressurreição.

Meditemos o SIM que ecoou em cada momento,
Sempre na confiança e esperança,
Sem desespero, crises, neuras ou lamento,
Em sua pureza de alma, feito anjo/criança.

SIM de Maria, pela Igreja, vivido.
SIM de Maria, pela Igreja, assumido.
Certeza de um presente com futuro,
Pois com Maria no caminho tudo é mais seguro.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG