terça-feira, 25 de março de 2025

A indulgência jubilar e a prática das obras de misericórdia

                                               


A indulgência jubilar e a prática das obras de misericórdia

“A indulgência está, portanto, ligada também às obras de misericórdia e de penitência, com as quais se testemunha a conversão empreendida.

Os fiéis, seguindo o exemplo e mandato de Cristo, sejam encorajados a praticar mais frequentemente obras de caridade ou misericórdia, principalmente a serviço daqueles irmãos que se encontram oprimidos por diversas necessidades.

Mais concretamente redescubram ‘as obras de misericórdia corporais; dar comida aos famintos, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, acolher o estrangeiro, assistir aos doentes, visitar os presos, sepultar os mortos’ (Misericordiae Vultus, n.15) e redescubram também as ‘obras de misericórdia espirituais: aconselhar os duvidosos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência a injustiças, rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos’ (Misericordiae Vultus, n.15).” (1)

 

 

(1) Dicastério para a Evangelização – Jubileu 2025- Textos Litúrgicos – Normas sobre a Concessão da Indulgência Jubilar - Edições CNBB – pág. 65-66


Supliquemos à Mãe do Senhor

                                                                

Supliquemos à Mãe do Senhor

No dia 25 de março, celebraremos a Solenidade da Anunciação do Senhor, e ouvimos a proclamação do Evangelho (Lc 1, 26-38), em que Maria dá o mais precioso “sim”, para que ocorresse a Encarnação de Deus, em Jesus Cristo, por obra do Espírito Santo.

Inspirado nas palavras de Maria: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra!” (Lc 1,38), oremos:

Maria, Mãe de Deus e nossa, tu és a “Serva do Senhor”, porque reconheceste que somente Deus é o verdadeiro, o único Senhor, e por isto te tornaste, ao mesmo tempo, Senhora nossa e serva de Deus.

Maria, Mãe de Deus e nossa, medito sobre teu humilde reconhecimento da verdade, da distância existente entre o Criador e criatura que somos.

Maria, Mãe de Deus e nossa, tu soubeste compreender a vontade divina e a ela, em plena liberdade, soubeste te submeter, com confiança e serenidade.

Maria, Mãe de Deus e nossa, ao dar teu sim, permitiste que se fizesse em Ti o Mistério da Encarnação, numa disposição passiva e adesão ativa.

Maria, Mãe de Deus e nossa, foste aberta e corajosa nesta adesão singela e pura à vontade de Deus, como mais tarde compreenderia, meditando tudo em teu Imaculado Coração.

Maria, Mãe de Deus e nossa, nisto contemplamos tua imensurável grandeza, tão pequena, tão frágil, mas tão aberta para experimentar a onipotência divina.

Maria, Mãe de Deus e nossa, ensina-nos também a compreender e realizar a vontade do Senhor, como tão bem fizeste, pois tão somente assim, felizes seremos.

Maria, Mãe de Deus e nossa, contigo aprendamos a nos preparar para a vinda gloriosa do Teu Filho, na fidelidade ao Pai e com a força e a luz do Santo Espírito. Amém.

Fonte de pesquisa: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.87

O “Sim” que deu um novo sentido à vida

                                                                 

O “Sim” que deu um novo sentido à vida

No dia 25 de março, celebramos a Solenidade da Anunciação do Senhor, e ouvimos a proclamação da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 1, 26-38).

Sejamos enriquecidos por um trecho do Sermão do Abade São Bernardo (séc. XII), meditando sobre os Mistérios da Salvação que nos veio pela Encarnação do Verbo, Jesus Cristo.

“O Santo, que nascer de ti, será chamado Filho de Deus (cf. Lc 1,35), fonte de sabedoria, o Verbo do Pai nas alturas! Este Verbo, através de ti, Virgem santa, Se fará Carne, de modo que Aquele que diz: Eu no Pai e o Pai em mim (Jo 10,38), dirá também: Eu saí do Pai e vim (Jo 16,28).

No princípio, diz João, era o Verbo. Já borbulha a fonte, mas por enquanto apenas em si mesma. Depois, e o Verbo era com Deus (Jo 1,1), habitando na luz inacessível.

O Senhor dizia anteriormente: Eu tenho pensamentos de paz e não de aflição (cf. Jr 29,11). Mas teu pensamento está dentro de ti, ó Deus, e não sabemos o que pensas; pois quem conheceu a mente do Senhor ou quem foi seu conselheiro? (cf. Rm 11,34).
  
Desceu, por isto, o pensamento da paz para a obra da paz: O Verbo Se fez Carne e já habita em nós (Jo 1,14). Habita totalmente pela fé em nossos corações, habita em nossa memória, habita no pensamento e chega a descer até a imaginação.

Que poderia antes o homem pensar sobre Deus, a não ser talvez fabricando um ídolo no coração? Era incompreensível e inacessível, invisível e inteiramente impensável; agora, porém, quis ser compreendido, quis ser visto, quis ser pensado.

De que modo, perguntas? Por certo, reclinado no presépio, deitado ao colo da Virgem, pregando no monte, pernoitando em Oração; ou pendente da Cruz, pálido na morte, livre entre os mortos e dominando o inferno; ou ainda ressurgindo ao terceiro dia, mostrando aos Apóstolos as marcas dos cravos, sinais da vitória, e, por último, diante deles subindo ao mais alto do céu.

O que não se poderá pensar verdadeira, piedosa e santamente disto tudo? Se penso algo destas realidades, penso em Deus e em tudo Ele é o meu Deus. Meditar assim, considero sabedoria, e tenho por prudência renovar a lembrança da suavidade que, em essência tão preciosa, a descendência sacerdotal produziu copiosamente, e que, haurindo do alto, Maria trouxe para nós em profusão.”

Pelo “sim” de Maria, nos veio do alto o Verbo para nos redimir, e por isto tão bem expressou o Abade: Aquele que “era incompreensível e inacessível, invisível e inteiramente impensável; agora, porém, quis ser compreendido, quis ser visto, quis ser pensado.”

Temos, em breves palavras, um itinerário da Encarnação do Verbo feito criança até a Sua glorificação no céu, onde reina glorioso junto de Deus.

Com Maria, renovemos o nosso sim aos desígnios e Projeto divino, para que tenhamos vida plena e feliz, como ela nos ensinou naquele dia memorável das Bodas de Caná (Jo 2,1-12).

Aprendamos com Maria o silêncio necessário e contemplemos Jesus:

“... reclinado no presépio, deitado ao colo da Virgem, pregando no monte, pernoitando em oração; ou pendente da Cruz, pálido na morte, livre entre os mortos e dominando o inferno; ou ainda ressurgindo ao terceiro dia, mostrando aos Apóstolos as marcas dos cravos, sinais da vitória, e, por último, diante deles subindo ao mais alto do céu”.

Por amor à Igreja

                                                         


Por amor à Igreja

Sejamos enriquecidos pelo Tratado sobre o Reino de Jesus, escrito pelo Presbítero São João Eudes (Séc. XVI), sobre o Mistério de Cristo em nós e na Igreja.

“Cabe-nos imitar e completar em nós os estados e Mistérios de Cristo e pedir-Lhe continuamente que os leve a termo e os perfaça em nós e na Igreja inteira.

Porque os Mistérios de Jesus ainda não estão totalmente levados à sua perfeição e realizados. Na pessoa de Jesus, sim, não, porém, em nós, Seus membros, nem na Igreja, seu Corpo místico. Por querer o Filho de Deus comunicar, estender de algum modo e continuar seus Mistérios em nós e em toda a sua Igreja, determinou tanto as graças que nos concederá, quanto os efeitos que quer produzidos em nós por esses Mistérios. Por esta razão deseja completá-los em nós.

Por isso, São Paulo diz que Cristo é completado na Igreja e que todos nós colaboramos para sua edificação e para a plenitude de sua idade (cf. Ef 4,13), isto é, a idade mística que tem em seu Corpo místico, mas que só no dia do juízo será plena. Em outro lugar, diz o mesmo Apóstolo que completa em sua carne o que falta aos sofrimentos de Cristo (cf. Cl 1,24).

Deste modo, o Filho de Deus decidiu que seus estados e Mistérios seriam completados e levados à perfeição em nós. Quer levar à perfeição em nós o mistério de sua encarnação, nascimento, vida oculta, quando se forma e renasce em nossa alma pelos sacramentos do santo batismo e da divina eucaristia e nos dá vivermos a vida espiritual e interior, escondida com Ele em Deus (Cl 3,3).

Quer ainda levar à perfeição em nós o mistério de Sua paixão, morte e ressurreição que nos fará padecer, morrer e ressurgir com Ele. E, finalmente, quer completar em nós o estado de vida gloriosa e imortal, quando nos fará viver com ele e nele a vida gloriosa e perpétua nos céus. Assim quer consumar e completar seus outros estados, outros Mistérios em nós e em sua Igreja; deseja comunicá-los a nós e partilhá-los conosco e por nós continuá-los e propagá-los.

Assim, os Mistérios de Cristo não estarão completos antes daquele tempo que marcou para o término destes Mistérios em nós e na Igreja, isto é,  antes do fim do mundo.” (1)

Ser Igreja Sinodal é seguir Jesus Cristo, como alegres discípulos missionários, colocando-nos,  juntos, a caminho, carregando nossa cruz cotidiana com as necessárias renúncias.

Isto nem sempre ocorre com facilidades, por vezes até mesmo com incompreensões e perseguições (Mt 5,1-12). No entanto, é preciso que perseveremos, como bem nos falou o Apóstolo Paulo na Carta aos Colossenses, em passagem pelo Presbítero mencionada, completando em nossa carne o que falta aos sofrimentos de Cristo (Cl 1,24).

Por ora, peregrinos longe do Senhor,  sigamos em frente, na vigilante espera de Sua vinda gloriosa, multiplicando os talentos que Ele nos confiou.

Por amor à Igreja (corpo místico), na fidelidade a Jesus (a cabeça), ainda que muito tenhamos feito e amado, tão pouco pelo muito amor com que Deus nos amou e nos deu o Seu Filho para que tenhamos a vida eterna (Jo 3,16).

Por amor à Igreja, provado e renovado todos os dias, sigamos nossos caminhos, com o coração ardente e os pés a caminho, e assim estaremos coroando Jesus Cristo, Senhor e Rei de todo o Universo em todo o tempo.

(1) Liturgia das Horas - Volume IV - Tempo Comum - pág. 484-485

Encarnação do Senhor, face da Misericórdia Divina

                                                                  

Encarnação do Senhor, face da Misericórdia Divina

“... numa natureza perfeita e integral de verdadeiro homem, 
nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na Sua divindade,
perfeito na nossa humanidade”

Celebramos dia 25 de março a Anunciação do Nascimento do Senhor, e somos enriquecidos pela Carta do Papa São Leão Magno (Séc.V).

Reflitamos sobre o Mistério da Encarnação do Verbo, do Filho de Deus, que se constituiu no Sacramento da nossa reconciliação.

“A humildade foi assumida pela majestade, a fraqueza, pela força, a mortalidade, pela eternidade.

Para saldar a dívida de nossa condição humana, a natureza impassível uniu-se à natureza passível. Deste modo, como convinha à nossa recuperação, o único mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, podia submeter-Se à morte através de Sua natureza humana e permanecer imune em Sua natureza divina.

Por conseguinte, numa natureza perfeita e integral de verdadeiro homem, nasceu o verdadeiro Deus, perfeito na Sua divindade, perfeito na nossa humanidade.

Por 'nossa humanidade' queremos significar a natureza que o Criador desde o início formou em nós, e que assumiu para renová-la. Mas daquelas coisas que o Sedutor trouxe, e o homem enganado aceitou, não há nenhum vestígio no Salvador; nem pelo fato de Se ter irmanado na comunhão da fragilidade humana, tornou-Se participante dos nossos delitos.

Assumiu a condição de escravo, sem mancha de pecado, engrandecendo o humano, sem diminuir o divino. Porque o aniquilamento, pelo qual o invisível Se tornou visível, e o Criador de tudo quis ser um dos mortais, foi uma condescendência da Sua misericórdia, não uma falha do Seu poder.

Por conseguinte, Aquele que, na Sua condição divina Se fez homem, assumindo a condição de escravo, Se fez homem. Entrou, portanto, o Filho de Deus neste mundo tão pequeno, descendo do trono celeste, mas sem deixar a glória do Pai; é gerado e nasce de modo totalmente novo.

De modo novo porque, sendo invisível em Si mesmo, torna-Se visível como nós; incompreensível, quis ser compreendido; existindo antes dos tempos, começou a existir no tempo.

O Senhor do universo assume a condição de escravo, envolvendo em sombra a imensidão de Sua majestade; o Deus impassível não recusou ser homem passível, o imortal submeteu-Se às leis da morte.

Aquele que é verdadeiro Deus, é também verdadeiro homem; e nesta unidade nada há de falso, porque n’Ele é perfeita respectivamente tanto a humanidade do homem como a grandeza de Deus.

Nem Deus sofre mudança com esta condescendência da Sua misericórdia nem o homem é destruído com Sua elevação a tão alta dignidade.

Cada natureza realiza, em comunhão com a outra, aquilo que lhe é próprio: o Verbo realiza o que é próprio do Verbo, e a carne realiza o que é próprio da carne.

A natureza divina resplandece nos milagres, a humana, sucumbe aos sofrimentos. E como o Verbo não renuncia à igualdade da glória do Pai, também a carne não deixa a natureza de nossa raça.

É um só e o mesmo – não nos cansaremos de repetir – verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro Filho do homem. É Deus, porque no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus: e o Verbo era Deus. É homem, porque o Verbo Se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,1-14).”.

Glorifiquemos a Deus por Amor tão inexprimível, fazendo-Se um de nós, exceto no pecado, para nos redimir, alcançando-nos a reconciliação por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Somente Deus, em quem cremos e a nossa vida confiamos, consagramos, é capaz de Se fazer tão frágil, tão pequeno, e Se submeter às limitações da existência, passando até mesmo pela morte para a nossa redenção, ao Se fazer Carne e habitar entre nós.

Esta Carta nos remete à Carta do Apóstolo Paulo:

Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-Se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo, sendo obediente até à morte, e Morte de Cruz.” (Fl 2, 6-8)

E, com a exortação de Paulo, dobremos nosso joelho, e proclamemos com nossos lábios que Jesus é o Senhor:

Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fl 2, 10-11).

“Os sinais do Reino de Deus”

 


“Os sinais do Reino de Deus”

Oremos:

Cremos em Vós, Jesus Cristo, e em Vossas palavras acompanhadas de numerosos «milagres, prodígios e sinais» (At 2,22).

Cremos que os sinais por Vós realizados manifestam que o Reino está presente em Vós, e que sois o Messias anunciado (Lc 7,18-23).

Cremos que os sinais realizados por Vós testemunham que fostes enviado pelo Pai (Jo 5,36; 10,25), e por isto cremos em Vós (Jo 10,38).

Cremos que se Vos pedirmos com fé, Vós nos concedeis (Mc 5,25-34; 10,52).

Cremos que os milagres por Vós realizados fortificam nossa fé em Vós, que fazeis as obras do Vosso Pai, porque sois o Filho de Deus (Jo 10,31-38).

Cremos que podeis ser «ocasião de queda» (Mt 11,6), se Vos procuramos apenas para satisfazer nossa curiosidade e desejos mágicos.

Cremos que Vós libertastes a muitos dos males terrenos da fome (Jo 6,5-15), da injustiça (Lc 19,8) da doença e da morte (Mt 11,5).

Cremos que viestes para nos libertar da mais grave das escravidões, a do pecado (Jo 8,34-36), que nos impede de realizar a nossa vocação de filhos de Deus, que é a causa de todas as servidões humanas.

Cremos que, com a Vossa vinda, veio o Reino de Deus, e com ele, a derrota do reino de Satanás (Mt 12,26): «Se é pelo Espírito de Deus que Eu expulso os demónios, então é porque o Reino de Deus chegou até vós» (Mt 12, 28).

Cremos que Vossos exorcismos nos libertam do poder dos demônios (Lc 8,26-39), e antecipam a Vossa grande vitória sobre «o príncipe deste mundo» (Jo 12,31).

Cremos que, pela Vossa Santa Cruz, o Reino de Deus vai ser definitivamente estabelecido: «Regnavit a ligno Deus – Deus reinou desde o madeiro»

Cremos piamente, Senhor, por isto Vos pedimos, fortalecei nossa fidelidade a Vós, que apesar de Vossos milagres serem tão evidentes, fostes rejeitado por alguns (Jo 11,47-48); chegando mesmo a ser acusado de agir pelo poder dos demônios (Mc 3,22). Amém.

 

PS: À luz dos parágrafos 547-550 uma profissão de fé em Jesus Cristo e os sinais do Reino de Deus por Ele realizado.

 

Em poucas palavras...

                                                           


O olfato da alma 

“Aquele que estiver com o olfato da alma em boas condições – dizia Santo Agostinho – perceberá como fedem os seus pecados”  (1)

 

(1) Santo Agostinho em Comentário  sobre o Salmo 37

 

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