terça-feira, 25 de março de 2025
Oração é uma questão de amor...
Muitos cristãos nunca aprenderam a orar”.
De fato, Oração é uma questão de amor,
Pura e simplesmente, questão de amor.
Sim, Oração é uma questão de amor.
Quanto mais amamos a Deus,
Mais necessidade temos de nos colocarmos em Sua presença.
Quanto mais O amamos,
Mais necessidade da Oração, Diálogo com Ele,
Numa conversa desejavelmente interminável.
Assim costumam ser as coisas maravilhosas,
Desejamos que elas nunca cessem,
Porque enriquecem e elevam nossa alma.
Se aprendermos a amar a Deus,
A corresponder ao Seu amor,
Oração não será palavra vazia.
Não será um imperativo a ser interiorizado,
Será a abertura do mais íntimo Àquele que tudo conhece,
Que sabe quando sentado ou de pé estamos.
Conhece nossos anseios, angústias, pensamentos,
Delírios, lucidez, sonhos, pesadelos, sombras,
Cantos escuros e vales sombrios a serem preenchidos.
Sim, Oração é uma questão de amor.
Quem ama põe-se em eterno aprendizado de Oração,
Como a maior sede que a alma possa ter.
Falar com o Divino, que habita no mais profundo de nós,
Quer conosco conversar, como fazia com os Seus,
Como fez na casa de Marta, tendo aos Seus pés Maria.
Sim, Oração é uma questão de amor.
Quanto mais o tempo passa, intensifica o desejo da Oração,
Nesta escola da Divina Fonte do Amor, aprendamos a orar...
Quanto mais a Deus amarmos,
Mais oraremos, dialogaremos,
No colo de Deus nos colocaremos.
Quanto mais a Deus amarmos,
O tempo não será nunca nosso,
Mas tão absolutamente d’Ele
Sim, Oração é uma questão de amor.
Porque quanto mais amamos, oramos.
Quanto mais oramos, amamos.
E numa eterna relação de amor,
Que se nutre pela graça da Oração,
Mais que depressa a vontade de Deus fazer.
Sim, Oração é uma questão de amor.
O amor nos impele à Oração,
A Oração nos impele à ação
E nesta inseparabilidade mais que desejável
A vida floresce, frutifica saborosamente,
Sobejamente, tão apenas, simplesmente!
Em poucas palavras...
Uma súplica pela paz!
“Ó Deus, que por
Vosso Filho Unigênito quisestes dar com abundância a paz aos homens, concedei,
por intercessão da sempre Virgem Maria, a desejada tranquilidade aos nossos
tempos, para na paz formarmos uma só família e permanecermos sempre unidos no
amor fraterno. Por N.S.J.C....”. Amém
(1)
(1) Oração do
dia – Missa da Bem-Aventurada Virgem Maria, Rainha da Paz.
O não obsoletismo dos livros
O não obsoletismo dos livros
Escrever é tornar possível ao outro, pela leitura, compreender o que se encontra e passa em nossa mente e coração.
Mais que isto, é ver a pauta de nosso cotidiano. Cada texto unido ao outro, formando como que um mosaico, refletindo intensamente nossa alma, anseios, preocupações...
São na exata medida a expressão do que nos norteia, nos consome e nos pauta.
Escrever é como desnudar a mente para que o outro a conheça. E, quando temos retorno, o mesmo se dá, pois vemos quando e como conseguimos chegar ao coração e à mente do outro.
Nem todos escrevem. Talvez por que não tenham o dom ou por receio de desvelar os próprios pensamentos, sentimentos, convicções, verdades que abraçamos e que nos movem.
Há livros que não têm a pretensão de ser uma obra prima. E, ainda que meus textos não se tornem um livro; ainda que apenas escritos na rede, eles são a mais pura e carinhosa partilha do que penso, acredito, semeio, anuncio, vivo. São como uma revelação tão desejada, como outrora se fazia.
Escrever um livro é possibilitar ao leitor participar deste processo de revelação.
Proclamaram o fim do livro. Não somo ao coro destes proclamadores. Acredito que o livro é a posse carinhosa e serena daquilo que desejamos devorar lentamente ou não, sempre ao alcance, no tempo e momento que queremos.
Quem disse que os livros passaram ou passarão? Não eu. Não comungo com aqueles que proclamam o seu obsoletismo.
Os livros estão vivos. É bem verdade que há livros e livros.
Em poucas palavras... (25/03)
A Celebração da Solenidade da Anunciação do Senhor
A Celebração da Solenidade da Anunciação do Senhor marca o início da nossa Salvação.
Aprendamos com Maria, a dizer sempre “sim” à vontade divina, com plena disponibilidade e confiança, e tão somente assim, felizes seremos. Amém.
“O anjo do Senhor anunciou a Maria...” (25/03)
“O anjo do Senhor anunciou a Maria...”
No dia 25 de março, celebramos a Solenidade da Anunciação do Senhor, e ouvimos a proclamação da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 1, 26-38).
Trata-se da anunciação do Anjo Gabriel a Maria de que ela seria a Mãe do Salvador. Uma das páginas mais belas da Sagrada Escritura: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Tua Palavra” (Lc 1,38).
Este sim de Maria – “Faça-se em mim” – é ao mesmo tempo disposição passiva e adesão ativa; uma adesão singela, pura e confiante de Maria à vontade de Deus.
Deus não impõe Sua vontade, mas a acolhida e sua realização implicam em alegre tomada de decisão.
Este sim à vontade divina, jamais se trata de uma disposição passiva como imposição da vontade Divina, porque respeita a nossa vontade.
Em Maria, adesão e obediência à vontade de Deus, não se traduziram em preguiça e dificuldade, mas alegria e decisão.
Quem a Deus segue está pleno de Seu Espírito e caminha de coração alegre, de ânimo notável, ainda que por estradas fatigantes.
Deus não quer de nós passividade, mas que sejamos ativos e conscientes dentro de Seu Projeto de Salvação, de modo que a felicidade humana é diretamente proporcional à acolhida e realização de Sua vontade.
Deste modo, Maria foi e é a mulher mais feliz que o mundo conheceu, cheia de graça divina, primeiro tabernáculo do Verbo.
Logo em seguida à Anunciação, o Evangelista Lucas nos apresenta outro momento: a visitação de Maria à sua prima Isabel. Duas mães, embora de idades tão diferentes, se encontram e entoam um único hino de louvor e alegria a Deus.
Lucas retratando a visitação faz um paralelo muito interessante entre a Arca da Aliança e o Verbo no ventre de Maria. Maria, bem como a Arca, permanece três meses numa casa da Judeia (cf. Lc 1,56 e 2 Sm 6,11).
Ele apresenta Maria como a nova Arca da Aliança. Quando na plenitude dos tempos Deus enviou Seu Filho, nascido de uma mulher (Gl 4,4), Ele já não habita mais em construções de pedra, mas num templo sagrado, no seio de uma mulher e ela, Maria, tornou-se o primeiro Sacrário do Verbo que se fez Carne.
A presença de Maria – a nova Arca da aliança – é uma irradiação e explosão de alegria. Contemplemos João exultando de felicidade e Isabel em calorosas exclamações de alegria por ser visitada pela Mãe do Seu Senhor.
Santo Ambrósio sobre esta passagem assim escreveu:
“A criança exultou, a mãe ficou cheia do Espírito Santo. A mãe não se antecipou ao filho; mas estando o filho cheio do Espírito Santo, comunicou-o a sua mãe. João exultou; o espírito de Maria também exultou.
A alegria de João se comunica a Isabel; quanto a Maria, porém, não nos é dito que recebesse então o Espírito, mas que seu espírito exultou. – Aquele que é incompreensível agia em Sua mãe de modo incompreensível – Isabel recebe o Espírito Santo depois de conceber; Maria recebeu antes. Por isso, Isabel diz a Maria: Feliz és tu que acreditaste (cf. Lc 1,45).”
É a grande exultação dos pobres pela promessa de libertação, que agora é mais do que uma realidade em si. Esta alegria perpassará por todo o tempo e por toda a história da humanidade.
Maria, a pobre por excelência, a serva do Senhor, a nova Arca da Aliança, melhor do que ninguém para nos ensinar o segredo da felicidade, que consiste na total obediência e fidelidade à vontade divina, e hoje está nos céus, como nossa Mãe e Rainha.
Do perdão somos eternos aprendizes...(10/03)
Do perdão somos eternos aprendizes...
“Se cada um não perdoar
a seu irmão, o Pai não vos perdoará”
A Liturgia da terça-feira da 3ª semana da Quaresma nos convida a viver o perdão sem limites, um eterno aprendizado:
“Qualquer que seja o motivo que leva Pedro a fazer sua pergunta uma coisa é certa; ele quer que Jesus confirme a existência de um limite no exercício da caridade cristã.
É confortador saber quando e onde se pode, com tranquila consciência, ignorar as injunções da caridade cristã (pois é mais interessante saber quando cessam do que onde começam tais obrigações).
Parece de fato mais que justo que em certo momento possamos dizer: “Basta! afinal somos homens!” Queremos ser o eco do nosso ambiente…
Jesus, porém, nos diz que devemos ser o eco daquilo que Deus fez por nós. Ninguém é homem pelo fato de poder “explodir”, mas pelo fato de poder desenvolver em si e transmitir aos outros aquilo que Deus nos deu.
A lei do perdão é vinculante não facultativa; é como um contrato firmado com o Sangue de Cristo. Ora, depende de mim ratificá-lo derramando sobre os meus semelhantes aquilo que Deus me deu: “Eis como meu Pai celeste agirá convosco…” (v.35) (1)
Acrescentemos uma reflexão sobre o perdão:
"Temos uma ideia tão elevada do perdão que nunca a utilizamos realmente... As pessoas perdoam ou então fingem: no máximo pensam que não querem vingar-se.
É verdade, humanamente não é possível perdoar. O perdão é somente dom de Deus, um dom intenso. Por isso a palavra perdão deriva duma palavra utilizada na Idade Media, per-dom, a qual significa precisamente ‘dom profundo’... podemos e devemos perdoar porque fomos perdoados.
Assim escreveu Graham Greene – 'ninguém suporta não ser perdoado: só Deus é capaz disso'. Mas perdoar é possível graças ao dom de Deus que previne qualquer iniciativa nossa e como resposta a um amor maior...
Só num percurso de fé podemos exercer o perdão na vida concreta, por exemplo, para com quem não consegue considerá-lo na sua vida de homem: o perdão não é a fraqueza de quem não sabe fazer valer as suas razões, mas a novidade que rompe as cadeias que tornam a pessoa amarrada a si mesma” (2)
A Quaresma é Tempo favorável de Oração, Jejum e Esmola. Somos convidados a intensificar a reconciliação com Deus e com nosso próximo.
É também Tempo de viver o perdão; dar e pedir perdão. Só o podemos fazer, porque antes por Deus fomos perdoados, por um perdão e Amor sem medida e sem méritos.
É também Tempo de viver o perdão; dar e pedir perdão. Só o podemos fazer, porque antes por Deus fomos perdoados, por um perdão e Amor sem medida e sem méritos.
Porque amados e perdoados, podemos amar e perdoar. Não somente podemos, mas devemos, sem o quê não poderíamos rezar a Oração que o Senhor nos ensinou.
Somente a prática do perdão nos faz verdadeiramente livres, rompendo as amarras que nos reduzem horizontes e movimentos.
O perdão é algo que não se aprende e se vive totalmente. Sempre teremos algo a aprender na escola do perdão com o Divino Mestre da Misericórdia que nos amou e nos perdoou. Somos, nesta escola maravilhosa, eternos aprendizes.
Quanto mais perdoarmos e formos perdoados, mais livres seremos e mais semelhantes ao Divino Mestre o seremos. Não podemos nos dizer cristãos sem a graça do perdão recebido e partilhado.
Perdoar é preciso porque perdoados o fomos! Bem sabemos o quanto difícil o é. Haverá algo mais belo que um perdão dado e recebido, um relacionamento restaurado?
A leveza e a alegria do Espírito só alcança quem vive a graça do perdão. Aprendamos sempre, pois há muito que aprender. Não recuemos! Avancemos, pois assim é a vida de fé.
PS: Liturgia da terça-feira do 3ª semana da Quaresma: Dn 3,25.34-43; Sl 25 (24); Mt 18,21-35.
(1) Missal Cotidiano- Editora Paulus - pág.238
(2) cf. Lecionário Comentado - Tempo da Quaresma
O Senhor nos ensina a perdoar (10/03)
O Senhor nos ensina a perdoar
Na Liturgia, da terceira Terça-feira da Quaresma, é proclamada a passagem do Evangelho que nos fala sobre a prática do perdão, que devemos viver nos relacionamentos fraternos, dentro e fora da Comunidade (Mt 18,21-35).
Retomemos o que nos diz o Apóstolo Paulo sobre a vivência da caridade, como pleno cumprimento da Lei: “Não devais nada a ninguém. A não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro cumpriu a Lei.” (Rm 13,8).
De fato, há uma dívida que todos somos mais ou menos insolventes: a dívida do amor recíproco:
“Deveríamos preocupar-nos verdadeiramente com isto. Por isto sentimos que é para nós a exortação de Paulo, que apela a que vivamos o ‘amor mútuo’. Amar é entregar-se totalmente a um outro, é passar da lógica consumista do ‘tu és meu’, para a oblativa do ‘eu sou para ti’: uma experiência a que não é possível colocar limites”. (1)
Mas para viver este amor a um outro (próximo) é preciso sentir-se amado por Deus, o totalmente Outro, que nos ama e quer que o mesmo façamos: “Dou-vos um Mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13,34).
Sentir-se amado por Deus leva-nos ao empenho de correspondência ao Seu amor, e isto se dá concretamente na restituição do amor na caridade fraterna, corrigindo e permitindo que sejamos corrigidos, sem marcas de presunção, rivalidade ou despeito:
“Não podemos estar em relação com a infinita riqueza de Deus se não estivermos em relação com a pobreza do irmão” (2)
Retomemos os versículos finais da passagem do Evangelho mencionada acima (Mt 18,20), pois muito nos fortalece para que vivamos como reconciliados; o mais belo convite para nos empenharmos na busca da paz, ajudando-nos e deixando-nos ajudar, de modo a criar vínculos mais sólidos e fraternos na comunidade em que participamos:
“Preocupemo-nos em deixar este mundo depois de termos desatado ou ajudado a desatar todos os vínculos, então as portas do Céu abri-se-ão para nós (Mt 18,18)” (3).
Oportunas são as palavras do Bispo Santo Agostinho (séc. IV), que aplicou exatamente à correção fraterna as palavras do Apóstolo Paulo sobre a caridade:
“Ama e faze o que queres. Seja que cales, cala por amor, seja que fales, fala por amor; seja que corrijas, corrige por amor; seja que perdoes, perdoa por amor. Esteja em ti a raiz do amor, porque desta raiz não pode nascer outra coisa a não ser o bem”.
Sendo assim, que Deus nos dê, de modo especial neste Tempo favorável de graça, reconciliação e salvação, coração e espírito novos, para nos tornarmos mais sensíveis ao nosso próximo, no pleno cumprimento da Lei, o Mandamento do Amor, que consiste no compêndio de toda a Lei.
Supliquemos a Ele, que está no meio de nós, para que jamais desistamos deste aprendizado, desta difícil e revitalizante expressão de amor, que sabe corrigir sem desencorajar e lutar sem ofender.
De fato, na escola do Divino Mestre do Amor, somos todos eternos aprendizes. Há muito que aprender, sem cansaços, recuos e desistências, e tão somente deste modo não veremos o perdão como a fraqueza de quem não sabe fazer valer as suas razões, mas como a novidade que rompe as cadeias, que tornam a pessoa amarrada a si mesma (4).
(1) Lecionário Comentado - p.281.
(2) Idem – p. 157
(3) Idem - p.284.
(4) Idem – p. 158
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