terça-feira, 25 de março de 2025

“Não podemos desanimar” (25/03)

“Não podemos desanimar”

Na Missa dos Santos Óleos, da Diocese de Guarulhos, pela manhã, Dom Edmilson Amador Caetano fez uma memorável e profética Homilia, que inflamou o coração da Assembleia, porque reavivou a chama profética da coragem que os Presbíteros e todo o Povo de Deus devem ter neste momento por que passávamos e ainda passamos.

Na introdução da Homilia, falou do sentido desta Missa, da Instituição do Ministério Presbiteral, a importância da bênção dos óleos (Catecúmenos, enfermos e Crisma).

Em seguida, acenou para o difícil momento que vivemos, tanto em âmbito nacional como em nossa Cidade: pedido de “impeachments” da Presidente, violência, corrupção, dramática situação da saúde pública, educação, assassinatos, tráfico de drogas e outros fatos que revelam a dramaticidade do momento atual.

Vemos “remakes” de coisas vividas há décadas, que não se apresentam como solução para o momento atual.

À luz da Palavra de Deus proclamada, acenou para a desafiadora missão de reconstrução social que nos é confiado, sobretudo como Povo de Deus que tem fé, e se reúne para dar início ao Tríduo Pascal, a Celebração da Paixão e Morte do Senhor e Sua Gloriosa Ressurreição.

É missão do Bispo, dos Presbíteros e de todo o Povo de Deus, pelo Batismo, levar adiante a missão de ser luz das nações, comprometidos e a serviço da vida plena e feliz para todos, confiantes na aparente impotência da semente de mostarda, pois assim é o Reino de Deus.

Animadores do povo desanimado, cansado, desiludido, sofrido, é a nossa missão ser sinal de coragem. 

“Não podemos desanimar”, concluiu Dom Edmilson em sua Homilia, pois cremos na Vitória do Cristo Ressuscitado. Temos uma fé Pascal: “Não podemos desanimar”. 

PS: Missa do dia 25 de março de 2016

segunda-feira, 24 de março de 2025

E agora me digam... João, Pedro e Maria (29/06)

 


E agora me digam... João, Pedro e Maria


Sob uma árvore, sol escaldante, cansaço me consumiu forças do caminho.

Uma parada para refletir sobre o Mistério da fé na Ressurreição do Senhor.

Hipotético diálogo com Maria Madalena, Pedro e o discípulo Amado, João.

Maria Madalena, não houvesse o Senhor Ressuscitado, como se sentiria?

- “Meus sonhos teriam sido com Ele enterrados. Para sempre lembraria de Suas palavras que me deram razão para novo viver. Não teria muito a fazer.

Apenas memória de alguém que teria passado e para sempre ficado em minha vida.

Mas não, Ele Ressuscitou, eu creio, vive para sempre quem tanto amei, e não posso d’Ele deixar de falar, como assim o fiz ao correr ao encontro dos discípulos (cf. Jo 20,1-21).

Senti que era apenas o começo de minha missão, em resposta d’Aquele que ocupou o mais profundo das entranhas de meu coração, com Seu olhar de ternura, acolhida e Palavra que nos liberta de todos os espíritos (tinha sete - totalidade).

Quem mais poder tem que o meu Senhor? Amém. Aleluia!”

João, você, o discípulo amado, não houvesse o Senhor Ressuscitado, como se sentiria?

“Ficariam as lembranças dos sinais que vi com meus olhos. Recordaria aquele momento memorável quando reclinei em Seu peito, em expressão de afeto e sincera amizade.

Lembraria também do Tabor, como momento memorável, mas uma página apenas para ser lembrada. (Mt 17,1-9).

Reviveria a tragicidade daquele momento aos pés da cruz com Sua Mãe, quando a me confiou como Mãe (cf. Jo 19,25-34).

Faria como me pediu, mas sem a compreensão de Suas Palavras e de Seu cuidado com o rebanho, que não pereceria sem pastores, tão pouco, sem uma Mãe, Maria, com quem pude compartilhar alguns memoráveis momentos.

Mas não! Ele Ressuscitou! Não pude guardar contido e escondido todo amor que por Ele senti, pois ninguém ama como Ele ama, e é este amor que haveremos de viver e testemunhar, pois tão somente quem ama conhece a Deus, e viverá na Verdade e na Luz, que é Ele próprio. Amém. Aleluia!”

Pedro, não houvesse o Senhor Ressuscitado, como se sentiria?

“Irreversivelmente condenado ao peso da consciência culposa de tê-Lo, por três vezes o negado, ainda que o conhecesse, e com Ele vivesse.

Teria sem Ele outras vezes, insucessos de pescas frustradas com redes vazias.

Não creria mais em minhas confissões de fidelidade e perseverança, de modo que nem em meus projetos poderia dar crédito.

Teria o sentimento de renegação, impossível de ser curado, permanecendo para sempre não somente as cicatrizes da negação, mas a vergonha e mediocridade criado raízes para sempre, irreversivelmente vivas, em meu coração.

Mas não. Ele Ressuscitou. Minhas chagas de traição, pelas Chagas Gloriosas, foram curadas.

Ele me deu a possibilidade de viver a compunção de meu pecado, e as lágrimas vertidas na face, também puderam lavar as máculas que teimavam permanecer para sempre em minha alma.

Como houvera feito tríplice negação, antes de o galo cantar, como Ele dissera, tive a graça de declarar, da mesma forma, de modo tríplice, por Ele, meu amor - “Senhor, Tu sabes tudo. Tu sabes que Te amo” (cf. Jo 21, 15-19)

E agora, “pescador de homens” que me fez, cumpro a missão por Ele a mim confiada. As chaves em minhas mãos, peregrinando na esperança de que possa corresponder ao que Ele espera de mim, com a presença do Espírito Santo, a nós comunicado. Amém. 

domingo, 23 de março de 2025

A necessária conversão na fidelidade a Jesus Cristo

 


A necessária conversão na fidelidade a Jesus Cristo

Reflexão à luz do Comentário do Evangelho de São João, escrito por São Cirilo de Alexandria (séc. V).

“Cristo intercede por nós como homem de Deus, como reconciliador e mediador dos homens. Ele é realmente nosso soberano e santíssimo pontífice que, oferecendo-Se por nós, abranda com Suas súplicas o coração de Seu Progenitor. Ele é, verdadeiramente, vítima e sacerdote, Ele é o mediador e o sacrifício imaculado, o verdadeiro cordeiro que tira o pecado do mundo.

Certo tipo e sombra da mediação de Cristo manifestada nos últimos tempos foi aquela antiga mediação de Moisés; o pontífice da Lei prefigurou o pontífice que estava acima da Lei. Os preceitos legais são realmente sombras da verdade. Por isso, Moisés, o homem de Deus, e com ele o venerável Aarão, foram os eternos mediadores entre Deus e a assembleia do povo, algumas vezes fazendo votos, abençoando e oferecendo os sacrifícios legais e as oferendas pelo pecado conforme estabelece a Lei; e, por fim, também apresentando ações de graças pelos benefícios recebidos de Deus.

Cristo, que nos últimos tempos brilhou como pontífice e mediador superando tipos e imagens, roga certamente por nós como homem, porém derrama Sua bondade sobre nós juntamente com Deus Pai enquanto Deus, distribuindo Seus dons aos que são dignos. Isto é o que explicitamente nos ensina Paulo ao dizer: Eu vos desejo a graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.

Portanto, quem roga como homem é o mesmo que distribui dons como Deus. Sendo como é pontífice santo, inocente e imaculado, oferece-Se a Si mesmo não por Sua própria fragilidade - como ordena a lei dos sacerdotes -, mas pela salvação de nossas almas. Tendo realizado isto uma só vez por nossos pecados, advoga por nós diante do Pai. Ele é vítima de propiciação por nossos pecados, não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro, ou seja, por todos os que, mediante a Lei, seriam chamados procedentes de toda nação e raça, à justiça e à santificação.” (1)

Adoremos a Cristo, pontífice e mediador da Nova e Eterna Aliança, e firmemos nossos passos no itinerário Quaresmal, em atitude penitencial.

Urge que nos empenhemos viver o caminho de uma sincera e frutuosa conversão, colocando em prática os exercícios quaresmais da oração, jejum e esmola (Mt 6,1-18).

Deste modo, oportuno que reconheçamos nossos pecados e nos abeiremos do Sacramento da Penitência, para uma confissão e firmes propósitos de viver uma religião autêntica e agradável a Deus, na fidelidade a Jesus Cristo, como discípulos missionários Seus, conduzindo e orientando a nossa vida pelo Espírito Santo. Amém.

  

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pp. 316-317.

A Misericórdia Divina e a nossa conversão (IIIDTQC)

                                                               

A Misericórdia Divina e a nossa conversão

Do deserto à montanha, da montanha à planície...
 Em todos os dias a conversão,
Mistério de Paixão e Morte: Transfiguração!
Gloriosa e desejada Ressurreição...

A Liturgia do 3º Domingo da Quaresma (Ano C) é um convite a repensarmos a nossa existência, para que sejamos homens novos e livres, com exigente mudança de mentalidade e atitudes.

Com a passagem da primeira Leitura (Ex 3,1-8a.13-15), somos exortados a viver em comunhão íntima com Deus, numa luta contra tudo quanto possa nos escravizar.

O Povo de Deus tem que manifestar sua fé e adesão e adoração a um Deus presente, que salva e liberta. De fato, Deus sempre Se manifesta onde há luta e compromisso com um mundo novo, afastando toda marca de egoísmo, comodismo, indiferença.

Reflitamos:

 -   Sentimos a presença de Deus caminhando conosco, atuando e nos libertando de todas as amarras que nos roubam a vida e a felicidade?

  -   Como correspondemos a esta presença?

A passagem da segunda Leitura (1Cor 10,1-6.10-12) nos ilumina sobre a nossa participação na Eucaristia, que exclui qualquer possibilidade de prática idolátrica.

O Apóstolo adverte aqueles que na comunidade se julgam fortes e iluminados, para que se tornem disponíveis para o serviço e, sobretudo, o amor incondicional para com os fracos e os menos iluminados.

É preciso esforços contínuos para a transformação radical da existência, recentrando a nossa vida nos valores divinos, com total adesão à vontade de Deus, sem jamais cair na prática idolátrica que nos afastaria da comunhão com Deus, escandalizando os pequeninos.

Jamais deixar de multiplicar esforços para uma vida marcada pela coerência e comunhão com Deus, no que consiste o essencial da vida cristã.

Reflitamos:

  -   Quando apenas parecemos cristãos e não o somos de fato?

  -   O que somos capazes de sacrificar por amor aos pequeninos preferidos de Deus, para não fragilizá-los e escandalizá-los?

  -   O que significa a celebração dos Sacramentos em nossa vida, sobretudo o Sacramento da Eucaristia?

  -   Quais são as possíveis marcas de coerência e incoerência na vida cristã?

Na passagem do Evangelho (Lc 13, 1-9), Jesus nos revela a face misericordiosa de Deus, que deseja de todos os modos a salvação da humanidade.

É um forte convite e apelo de conversão à novidade do Reino de Deus por Jesus inaugurado.

“Por maior que seja uma catástrofe que atinja os homens nos seus bens e até na sua sobrevivência terrena, muito mais grave é a catástrofe a que vai ao encontro quem não se abre à ação de Deus e não lhe responde.

Isto não significa que o Senhor seja um juiz vingativo e que o mal seja uma represália Sua. Pelo contrário, Ele é um Pai misericordioso, pronto a fazer mais festa por um só pecador que se tenha salvado do que por noventa e nove justos que O louvam (cf. Lc 15)” (1)

Deste modo, a fé em Jesus requer a nossa sincera conversão que consiste numa reorientação geral da própria vida, como resposta à ação misericordiosa de Deus por meio d’Ele, o Filho Amado, Jesus.

A onipotência divina pode ser contemplada em sua ação misericordiosa, sendo livre para perdoar e criando o bem mesmo onde ele não existe.

Da mesma forma sua transcendência ultrapassa a distância entre o céu e a terra como reza o Salmista (Sl 102,11).

Lamentavelmente, pode se confundir a paciência de Deus contemplada no Evangelho com a indiferença para com nossos pecados, e permissividade para a continuidade marcada por uma vida descomprometida e desordenada.   

Jamais nos é permitido confundir misericórdia divina como cumplicidade e permissividade. Ao contrário, ela é uma força de Amor que rompe a dureza de nosso coração, incendeia com o fogo do Espírito a frieza do pecado.

Ela provoca que abramos a mente e o coração para um sincero e contínuo compromisso de conversão (Rm 2,4) de tal modo que nos tornemos misericordiosos como o Pai (Lc 6,36), e na solicitude para com os empobrecidos procuremos ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus ( Fl 2,5).

Reflitamos:

  -   Onde e quando Deus nos oferece oportunidades para conversão?
  -   O que entendemos como conversão da mente e coração?

  -   Quais são os frutos que expressam nossos esforços de conversão?
  -  De que modo correspondemos à bondade e paciência de Deus, sem o seu abuso?

  -   Como o tempo é breve, temos nos empenhado em busca sincera de conversão?

Demos um primeiro passo no itinerário Quaresmal quando recebemos as Cinzas e nos pusemos num caminho de conversão e fé no Evangelho, Boa Nova de Vida e Salvação; quando reconhecemos que somos pó e ao pó voltaremos, e nos propusemos por quarenta dias a viver os exercícios quaresmais (Oração, Jejum, Esmola).

No primeiro Domingo da Quaresma, fomos ao deserto com Jesus para aprendermos com Ele e n’Ele vencer as tentações do Maligno (ter/poder/ser).

No segundo Domingo, fomos à Montanha contemplar o Cristo Glorioso, ouvindo o que Ele tem a nos dizer, como Filho Amado e escolhido do Pai; descendo depois à planície do cotidiano, com coragem e fidelidade carregando nossa cruz em sinceros e renovados compromissos com os rostos desfigurados.

Hoje, a Palavra Divina nos adverte para que ressoe em nosso coração o suave e forte apelo de conversão da mente e coração (metanoia), para que produzamos os frutos esperados por Deus.

Contemplar a misericórdia, compaixão, bondade divinas, sem jamais abusar da paciência de Deus.

A contemplação e correspondência ao Amor divino são verdadeiras quando nos fazem melhores, mais humanos, mais sinceros, mais fraternos.

Do deserto para a montanha, da montanha para a planície, pois é nela que os apelos de conversão se multiplicam. Quanto maior e mais sincera a nossa conversão, maior será a alegria da Páscoa a ser celebrada.

(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - pág. 148

“Se não vos converterdes...” (IIIDTQC)

“Se não vos converterdes...”

“... E se não vos converterdes,
ireis morrer todos do mesmo modo.” (Lc 13, 3)

Quando a misericórdia divina é devidamente compreendida,
A conversão mais que empenhados continuamente buscamos,
Santidade na vida presente almejamos sem adiamentos.

Deus não nos salva sem nós e deseja nossa conversão;
Não nos omitamos daquilo que nos é humanamente próprio.
Abramos nosso coração para a onipotência de Sua misericórdia.

Porém, não reduzamos, nem esvaziemos o conteúdo da misericórdia divina,
Como uma espécie de complacência para que multipliquemos o pecado,
Mas, para que ela seja a possibilidade da recriação do homem novo.

Quando a misericórdia divina é devidamente compreendida,
A conversão é o mais belo e desejável ato livre de toda pessoa;
Rompimentos de amarras que nos imobilizam para o abraço divino.

A conversão torna-se um ato permanente e necessário,
Sem jamais ficarmos acomodados por pensar já tê-la alcançado,
Pois haverá sempre algo a ser aprimorado, lapidado.

Caminhamos com o Senhor, a revelação da misericórdia do Pai,
e de Sua paciência que não impõe prazo fixo.
Urge que não percamos cada instante neste caminho de conversão.

Se um longo passado de esterilidade pode marcar nossa vida,
Nada impede que Deus nos ofereça uma nova oportunidade, pois
É fato que a misericórdia divina não é sinal de fraqueza, mas da força do Amor.

A misericórdia divina nos leva à conversão como um ato comprometedor,
Permitindo que a ação divina, lá no mais íntimo e profundo de nós,
Nos restaure e nos transforme, para resplandecermos a imagem divina.

Para frutuosa conversão, há que fazermos profundo exame pessoal,
Assim como a revisão da direção que tem tomado a nossa própria vida,
Levando-nos, necessariamente, à mudança de direção.

É ela, a conversão, é a passagem da fé aceita passivamente, fé herdada,
Para a uma fé ativamente conquistada, comprovada, vivenciada,
Como resposta ao dom de Deus e à intervenção do Espírito em nossa vida.

É também a ruptura com uma mentalidade voltada para o pecado,
Para valores puramente humanos, para a autossuficiência e o orgulho,
A fim de aderirmos aos sinais de penitência não apenas rituais.

É, sobretudo, adesão ao Reino que vem e compromisso com ele;
É atitude de pobre, de pequenino, de servo, de filho;
É autenticidade de comportamento entre qualquer desacordo entre fé e vida.

Deus nos espera neste instante decisivo de nossa vida, aqui e agora;
Espera de nossa fé um ato viril, a plena e consciente aceitação do nosso destino: 
Pede-nos que o assumamos livremente, pessoalmente, decididamente.

Abrir-se à misericórdia divina é buscar a conversão, um ato que nos custa,
Que pode levar a opções dilacerantes e que transtornam, porque exigentes,
Em situações que não é fácil agir ou é impossível voltar atrás.

Ó conversão, um caminho longo e difícil para quem a busca;
Caminho que dilacera o coração, nada deixa oculto, indiferente,
Porque leva à mudança também do que passa em nossa indecifrável mente.

Acolhidos pela misericórdia divina, no caminho de conversão,
Há que se contar com o respeito e o auxílio de toda a comunidade,
Pois um germe de vida nova é possível em toda primavera.


PS: Livre adaptação do Missal Dominical – pág. 228-229.

Em poucas palavras... (15/03)

                                                                


“O Espírito Santo é a «água viva» ...”

“O Espírito Santo é a «água viva» que, no coração orante, «jorra para a vida eterna» (Jo 4,14). 

É Ele quem nos ensina a recolhê-la na própria Fonte: Jesus Cristo. Ora, há na vida cristã mananciais onde Cristo nos espera para nos dar a beber o Espírito Santo.” (1) 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo 2652

Síntese da homilia crismal do Papa Francisco - 2024 (IIIDTQC)

 


Síntese da homilia crismal do Papa Francisco - 2024

Síntese da homilia do Papa Francisco, na Missa crismal do dia 28 de março de 2024, na Basílica de São Pedro-Roma.

Inicia retomando a passagem proclamada na Missa, mais especificamente o versículo do Evangelho de São Lucas - «Todos os que estavam na sinagoga, tinham os olhos fixos n’Ele» (Lc 4, 20).

A partir do caminho feito por Pedro, nos momentos da Paixão e Morte do Senhor e seu protagonismo, como que num processo de reconhecimento de sua condição pecadora, e afirmação de seu amor por Jesus, pouco mais tarde, para cumprir a missão pelo Senhor confiada: “E, vindo para fora, chorou amargamente» (Lc 22, 61-62). Os seus olhos acabaram inundados de lágrimas que, brotando dum coração ferido, o libertaram de falsas certezas e justificações. Aquele choro amargo mudou-lhe a vida.”

Na noite do renegamento, Pedro deixou espaço às lágrimas da vergonha, às lágrimas do arrependimento. E vai conhecer Jesus verdadeiramente, quando, «triste por Jesus lhe ter perguntado, a terceira vez: “Tu és deveras meu amigo?”», se deixará penetrar plenamente pelo olhar de Jesus. Então, daquele «não O conheço», passará a dizer: «Senhor, Tu sabes tudo» (Jo 21,17), afirma o Papa.

E assim, propõe aos sacerdotes, uma reflexão sobre o tema da compunção, uma palavra “talvez insólita”, diz o Papa, mas ela evoca o picar: a compunção é «uma aguilhoada no coração», um trespassamento que o fere, fazendo brotar as lágrimas do arrependimento.

Ajuda-nos a compreender sobre o que se trata a compunção:

- não é um sentimento de culpa que nos lança por terra, nem uma série de escrúpulos que paralisam, mas uma picada benéfica que queima intimamente e cura, pois o coração, quando se dá conta do próprio mal e se reconhece pecador, abre-se, acolhe a ação do Espírito Santo, como água viva que o muda a ponto de lhe correrem as lágrimas pelo rosto.

Chorar por nós próprios não significa, porém sentir pena de nós mesmos, nem tão pouco repassar as injustiças sofridas para sentirmos pena de nós mesmos, pensando que não nos deram o merecido e imaginando o futuro reservando-nos de contínuo apenas surpresas negativas.

Deste modo, chorar por nós próprios, afirma o Papa, é arrepender-nos seriamente de ter entristecido a Deus com o pecado; reconhecer que diante d’Ele sempre estamos em débito, nunca em crédito; admitir que se perdeu o caminho da santidade, não tendo confiado no amor d’Aquele que deu a vida por nós.

Adverte-nos o Papa, sobretudo os sacerdotes: “É olhar para dentro de mim e sentir pesar pela minha ingratidão e inconstância; meditar com tristeza nos meus fingimentos e falsidades; descer aos meandros da minha hipocrisia, a hipocrisia clerical: amados irmãos, aquela hipocrisia na qual escorregamos tanto… tanto. Tende cuidado com a hipocrisia clerical! Para em seguida erguer o olhar para o Crucificado e deixar-me comover pelo seu amor que sempre perdoa e eleva, que nunca deixa frustradas as esperanças de quem n’Ele confia. Assim as lágrimas continuarão a cair, e purificam o coração.

A compunção requer esforço, mas restitui a paz; um antídoto para a esclerocardia, aquela dureza do coração frequentemente denunciada por Jesus (Mc 3, 5; 10, 5).

Convida (se incluir) os sacerdotes para ver o quanto a compunção se faz presente, através do exame de consciência e na oração.

A compunção bem vivida, tem como característica a solidariedade -“ Um coração dócil, liberto pelo espírito das Bem-aventuranças, tende naturalmente a sentir compunção pelos outros: em vez de se irritar e escandalizar pelo mal feito pelos irmãos, chora pelos pecados deles. Não se escandaliza.”

Considerando que a compunção, mais do que fruto do nosso exercício, é uma graça e como tal deve ser pedida na oração, o Papa faz duas recomendações:  não olhar a vida e a vocação numa perspectiva de eficiência e imediatismo, e a segunda, como consequência da primeira, descobrir a necessidade de nos dedicarmos a uma oração que não seja obrigatória e funcional, mas livre, calma e prolongada.

Finaliza convidando os sacerdotes a voltarem para São Pedro e às suas lágrimas; bem como fazer suas as palavras recitadas no silêncio ao Presidir a Santa Missa: «Em humildade e contrição, sejamos recebidos por Vós, Senhor…» e ainda: «Lavai-me, Senhor, da minha iniquidade, e purificai-me do meu pecado».

Retoma a passagem no começo mencionada e do Profeta Isaías, «curar os quebrantados de coração» (Is 61, 1): “Então, se o coração se despedaçar, pode ser faixado e curado por Jesus. Obrigado, queridos sacerdotes, obrigado pelo vosso coração aberto e dócil; obrigado pelas vossas fadigas e obrigado pelo vosso pranto; obrigado porque levais a maravilha da misericórdia – perdoai sempre, sede misericordiosos – e levai esta misericórdia, levai Deus aos irmãos e irmãs do nosso tempo. Que o Senhor vos console, confirme e recompense! Obrigado!”

 

Se desejar, acesse e confira a homilia na integra:

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/homilies/2024/documents/20240328-omelia-crisma.html#:~:text=Quanto%20precisamos%20de%20ser%20libertos,que%20o%20Senhor%20realize%20maravilhas.


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