segunda-feira, 17 de março de 2025

Perdão sem limites, um eterno aprendizado (10/03)

                                                    

Perdão sem limites, um eterno aprendizado

“Se cada um não perdoar
a seu irmão, o Pai não vos perdoará”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-19,1), em que o Senhor nos convida a viver o perdão sem limites, um eterno aprendizado:

“Qualquer que seja o motivo que leva Pedro a fazer sua pergunta uma coisa é certa; ele quer que Jesus confirme a existência de um limite no exercício da caridade cristã.

É confortador saber quando e onde se pode, com tranquila consciência, ignorar as injunções da caridade cristã (pois é mais interessante saber quando cessam do que onde começam tais obrigações).

Parece de fato mais que justo que em certo momento possamos dizer: “Basta! afinal somos homens!” Queremos ser o eco do nosso ambiente…

Jesus, porém, nos diz que devemos ser o eco daquilo que Deus fez por nós. Ninguém é homem pelo fato de poder “explodir”, mas pelo fato de poder desenvolver em si e transmitir aos outros aquilo que Deus nos deu.

A lei do perdão é vinculante não facultativa; é como um contrato firmado com o Sangue de Cristo. Ora, depende de mim ratificá-lo derramando sobre os meus semelhantes aquilo que Deus me deu: “Eis como meu Pai celeste agirá convosco…” (v.35) (1)

A segunda fonte, sobre o perdão, afirma:

"Temos uma ideia tão elevada do perdão que nunca a utilizamos realmente... As pessoas perdoam ou então fingem: no máximo pensam que não querem vingar-se.

É verdade, humanamente não é possível perdoar. O perdão é somente dom de Deus, um dom intenso. Por isso a palavra perdão deriva duma palavra utilizada na Idade Media, per-dom, a qual significa precisamente ‘dom profundo’... podemos e devemos perdoar porque fomos perdoados.

Assim escreveu Graham Greene – “ninguém suporta não ser perdoado: só Deus é capaz disso”. Mas perdoar é possível graças ao dom de Deus que previne qualquer iniciativa nossa e como resposta a um amor maior...

Só num percurso de fé podemos exercer o perdão na vida concreta, por exemplo, para com quem não consegue considerá-lo na sua vida de homem: o perdão não é a fraqueza de quem não sabe fazer valer as suas razões, mas a novidade que rompe as cadeias que tornam a pessoa amarrada a si mesma” (2)

É sempre tempo para dar e pedir perdão; e somente é possível porque antes por Deus fomos perdoados, por um perdão e Amor sem medida e sem méritos.

Porque amados e perdoados, podemos de devemos  amar e perdoar, pois sem o quê,  não poderíamos rezar a Oração que o Senhor nos ensinou.

Somente a prática do perdão nos faz verdadeiramente livres, rompendo as amarras que nos reduzem horizontes e movimentos.

O perdão é algo que não se aprende e se vive totalmente. Sempre teremos algo a aprender na escola do perdão com o Divino Mestre da Misericórdia que nos amou e nos perdoou. Somos, nesta escola maravilhosa, eternos aprendizes.

Quanto mais perdoarmos e formos perdoados, mais livres seremos e mais semelhantes ao Divino Mestre o seremos. Não podemos nos dizer cristãos sem a graça do perdão recebido e partilhado.

Bem sabemos o quanto difícil o é. Haverá algo mais belo que um perdão dado e recebido, um relacionamento restaurado?

A leveza e a alegria do Espírito, só alcança quem vive a graça do perdão.

Temos muito a aprender. Não recuemos! Avancemos, pois assim é a vida de fé.


PS: Liturgia da terça-feira do 3ª semana da Quaresma: Dn 3,25.34-43; Sl 25 (24); Mt 18,21-35. 

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 238
(2) cf. Lecionário Comentado - Tempo da Quaresma

Quaresma: Amar e perdoar (10/03)

                                                          

Quaresma: Amar e perdoar

Na terceira terça-feira do Tempo da Quaresma, a Liturgia nos apresenta a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-35), sobre o tema perdão.

Contemplamos a Face de Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida, e nós feitos à Sua imagem, somos convidados a amar na mesma medida, sobretudo na vivência do perdão.

A lógica do Amor de Deus muitas vezes nos questiona, desestabiliza, pois é totalmente contrária à lógica humana, por vezes movida pelo rancor, ressentimento.

Com a passagem do Evangelho temos uma verdadeira catequese sobre a Misericórdia de Deus: o Perdão Divino é ilimitado e universal  e se contrapõe a mesquinhez humana.

A provisoriedade da vida e a morte nos fazem repensar e rever nossos conceitos, sentimentos e ressentimentos. A vida é breve, por que guardar rancores e ódio? A consequência é dor, sofrimento, estresse...

Urge perdoar as ofensas e viver a compaixão. Uma vez experimentado o Perdão Divino devemos expressá-lo mutuamente no perdão humano, superando a lógica do olho por olho, dente por dente e eliminar quaisquer posturas de vinganças, rancor e ódio; com um coração não endurecido, não violento e não agressivo.

Perdão que não é jamais sinônimo de conivência e pacto com a mediocridade. Perdão é ir ao encontro do outro possibilitando reconciliação, novas atitudes, novos caminhos.

Perdão dado e recebido é sinal de uma vida nova, relacionamento novo, pacto de alegria, reencontro, superação, crescimento, amadurecimento.

Perdão jamais poderá ser entendido como a permissão e persistência contumaz no pecado. Perdão exige esforço e empenho de mudança, para que não esvaziemos esta palavra tão bela do cristianismo.

O amor na prática do perdão é nosso mais belo distintivo. Quantas vezes da Divina Fonte do Amor e Perdão, Jesus, ecoaram Palavras de misericórdia, perdão. Em Sua missão e até na Sua consumação no alto da Cruz – “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem...” e ao ladrão arrependido –“ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

Perdão não é também sinônimo de passividade, alienação, conformismo, covardia e indiferença. Perdoar é estar sempre disposto a ir ao encontro daquele que nos ofendeu, estendendo a mão, abrindo o coração, recomeçando o diálogo, abrindo janelas (se não conseguir de imediato as portas), darmos, enfim, nova oportunidade...

É preciso recordar e dar conteúdo ao que rezamos no Pai Nosso – “Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...”

Perdoados sempre por Deus devemos ter a mesma atitude para com o outro, do contrário agiríamos com  “dois pesos e duas medidas”.

Devemos carregar as marcas de quem perdoa: compreensão, misericórdia, acolhimento, amor, o desejo de ver o outro melhor.

Santo Agostinho, que pensando no pecado de Judas Iscariotes assim escreveu: “Se ele tivesse orado em nome de Cristo teria pedido perdão, se tivesse pedido perdão teria esperança, se tivesse esperança teria esperado na misericórdia e não teria se enforcado desesperadamente”.

São Máximo de Turim nos fala também do perdão e o que podemos esperar do Amor de Deus: “se o ladrão obteve a graça do Paraíso, por que o cristão não há de obter o perdão?”.

Reine na comunidade o amor, o respeito pelo outro, a aceitação das diferenças, a partilha e o perdão. Nela precisa haver o discernimento, para que não nos percamos em discussões de coisas secundárias esquecendo o que é essencial:

Discutimos se se deve receber a comunhão na mão ou na boca, se se deve ou não ajoelhar à consagração, se determinado cântico é litúrgico ou não, se os Padres devem ou não casar, se a procissão do santo padroeiro da paróquia deve fazer este ou aquele percurso… e, algures durante a discussão, esquecemos o amor, o respeito pelo outro, a fraternidade, e que todos vivemos à volta do mesmo Senhor. É preciso descobrir o essencial que nos une e não absolutizar o secundário que nos divide.”

Finalizando, perdão é eterno recomeço e aprendizado, se nos faltarem palavras e coragem de pedir perdão e de perdoar, coloquemo-nos prolongada e silenciosamente diante do Coração trespassado do Senhor, a Divina Fonte de Misericórdia. Contemplemos Seu Coração terno, pleno de Amor e perdão, mansidão, doçura, ternura e bondade.

Quanto mais soubermos amar e perdoar, mais felizes o seremos. Podemos perdoar, porque fomos amados e perdoados, por Deus.

domingo, 16 de março de 2025

A posse do 4º Bispo da Diocese de Guarulhos: “Ouvimos e vimos com nossos olhos” (16/03)




A posse do 4º Bispo da Diocese de Guarulhos: 
“Ouvimos e vimos com nossos olhos”

Assim começa extasiado o autor da Epístola sobre o Verbo encarnado e a comunhão com o Pai e o Filho: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida, porque a Vida manifestou-se: nós a vimos e dela damos testemunho e vos anunciamos esta Vida eterna, que estava voltada para o Pai e que nos apareceu” (1Jo 1,1-2).

Também nós ouvimos e vimos com nossos olhos um inesquecível momento, quando da realização da Celebração da Missa de posse do quarto Bispo da Diocese de Guarulhos - SP (2014).

Ouvimos e vimos, nos momentos que antecederam a Missa, a expectativa, a acolhida ao Arcebispo Metropolitano de São Paulo Cardeal Dom Odilo Scherer e, ao seu lado, o Bispo Dom Edmilson Amador Caetano, que  tomaria posse; o coral afinando suas vozes e instrumentos; o povo de Deus sentado nas arquibancadas ou nas cadeiras próximas ao altar, ou mesmo em pé; a ausência das flores, em perfeito cumprimento das rubricas quaresmais, como também o roxo dos paramentos litúrgicos da Missa.

Entretanto, não a ausência de beleza, percebida e contemplada nas pedras, nos galhos e folhagens que decoravam o ambiente, assim como o painel com a Cruz e o lema Episcopal de nosso Bispo, “Deus providenciará”, dando um colorido profético ao evento.

Ouvimos e vimos os murmúrios e conversas trocadas na alegre espera do grande acontecimento, que revela a bondade de Deus que não nos deixa desamparados, como ovelhas sem pastor. Deus, em tão curto tempo da Páscoa de nosso terceiro bispo, providenciou alguém para sucedê-lo em seu pastoreio. Vimos mais uma vez ser cumprida a Palavra do Senhor: “Não vos deixareis órfãos.  Eu virei a vós ” (Jo 14, 13).

Ouvimos e vimos a efusiva acolhida da assembleia, com palmas que expressavam o contentamento incontido no coração, tão fortes como o brilho e a emoção de saber que o báculo logo teria mãos firmes e seguras para tanger o rebanho sequioso de um pastor.

Outros ouviram e viram, pela TV e internet (instrumentos preciosos quando bem utilizados), as primeiras imagens da posse, com a mesma alegria e comoção por todos os cantos.

Missa iniciada, vimos e ouvimos os cantos, os primeiros rituais da posse, cumprindo o protocolo previsto, de um Bispo diante do rebanho, pela Igreja a ele confiado, como presença do Cristo Bom Pastor.

Vimos e ouvimos a Liturgia da Palavra de Deus da Missa do Domingo da Transfiguração do Senhor; Palavra que foi ressoada e encarnada em nossos corações com a breve, mas a clara e objetiva, homilia de nosso Bispo.

Com emoção, exortou a todos para viver a vocação para a santidade, colocando nas mãos de Deus as fragilidades e limitações a serviço do Reino, num  autêntico e corajoso testemunho de fé (referindo-se ao exemplo de Abraão – Gn 12,1-4a) , fruto da escuta atenta à voz do Filho Amado (Mt 17,1-9). 

Vimos e ouvimos as preces pelo fortalecimento de nossa missão evangelizadora na cidade de Guarulhos, na pura expressão da confiança na divina providência, com sua força e presença.

Vimos e ouvimos as palavras da Liturgia Eucarística, e com elas a graça do Mistério da Fé celebrado e proclamado, Pão e Vinho consagrados, “eucaristizados”, verdadeiramente, Comida e Bebida para nos fortalecer, sustentar no bom combate da fé, e os compromissos sagrados no cotidiano prolongar.

No encerramento, vimos e ouvimos o Bispo dirigir palavras de ânimo, reavivando a chama batismal no coração de todos, para que, sem recuos, avancemos para as águas mais profundas, com coragem e ousadia, vivendo também a graça da vocação e da profecia.

Logo após, vimos e ouvimos as conversas, os cumprimentos, as saudações, os encontros e reencontros... Por fim, a volta para casa com uma alegria transbordante no coração.

Verdadeiramente, o Senhor veio e o Seu Espírito pairou sobre todos, no acompanhamento da Diocese de Guarulhos, seu Pastor, padres, religiosos e religiosas, seminaristas, o Povo de Deus e todas as pessoas de boa vontade.

Que a ação evangelizadora, assim animada e assistida, leve a todos a contemplar coisas belas para se ouvir e também belas para se viver.

Se atentos ao Sopro do Espírito, e à sua voz, muito mais ouviremos e contemplaremos, pois é nesta comunhão fecunda de amor que somos inseridos; é nesta comunhão que nos tornamos fecundos, para fazer florescer e frutificar as mais belas sementes de alegria, vida e paz.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Amo poesia... (14/03)

                                                          


Amo poesia...
 
Amo poesia,
Dela, me alimento...
Minha alma tem fome de algo que a alcance e a envolva,
Palavras que tragam nelas e entre elas, no vácuo das mesmas,
E para além delas próprias, algo que não se lê,
A não ser por um coração que ama e crê.
 
A vida sem poesia é como um dia sem luz,
Verão sem o calor e a prosa de um fim de dia;
Primavera sem flores, antecedida por um outono que prepara sua Chegada aceitando perder suas flores e folhas;
E mais ainda, precedida pelo frio do inverno,
Aquecido pelo cobertor ou por um gesto puro e fraterno de amor...
 
Assim como o alimento está para o corpo,
A poesia está para a alma.
Leva ao inebriamento às vezes indizível,
Possibilita o retorno do sonho,
Renova esperança no recôndito mais profundo da alma,
Assim como incendeia o coração com a chama da caridade.
 
A poesia que contemplo da veia dos Profetas bíblicos,
Que contemplo no olhar poético do Verbo
Ao se referir aos lírios dos campos;
Ao nosso valor maior que os pardais,
Às sementes que crescem silenciosamente;
Às plantas com seus frutos, precedidos das podas;
À pureza das crianças para entrarmos nos céus...
 
Aquela que me faz pensar, rever caminhos;
Renovar sagrados compromissos;
Reinventar o que precisa ser superado;
Reorientar passos, bem como firmá-los;
Abrir janelas quando portas se fecharem,
Quando a utopia parecer insólita;
E quando situações parecerem inóspitas...
 
Poesia que entranha no mais profundo do meu coração;
Que devolve a luminosidade às situações obscurecidas;
Que me acompanham no Mistério da Paixão e Morte,
Assim como não me permite perder a fé
Na vida fundada na certeza de que a vida venceu a morte,
Fazendo transbordar e irradiar a Alegria Pascal.
 
Amo poesia,
Dela, me alimento.
Amém!
 


Quaresma e Poesia (14/03)

                                                    

Quaresma e Poesia

Em plena Quaresma, somos agraciados com o Dia da Poesia.
Mas que tem a ver Quaresma e poesia?

Se considerarmos o olhar de ternura do Senhor,
Ao qual nada escapava, e fluía abundantemente em Suas pregações
Com exemplos e comparações simples e tocantes;

Se considerarmos o Coração de Jesus,
No qual transbordava o Amor pela vida de cada pessoa,
E a cada um dirigia uma Palavra iluminadora;

Se considerarmos as Palavras ardentes
Que saíram de Seus lábios como fogo devorador,
Expressão da misericórdia para com o pecador;

Então, não tenho dúvida que aprenderemos com o Senhor
A mais bela relação entre Quaresma e poesia.
E, assim, nos tornaremos mais fraternos nesta travessia.


PS: Comemora-se o Dia Nacional da Poesia em 14 de março.

quinta-feira, 13 de março de 2025

Alegremo-nos! “Habemus Papam"! (13/03)


Alegremo-nos!  “Habemus Papam"!

Quaresma é Tempo oportuno para sintonizarmos nosso coração com o coração de Deus, para a mais perfeita e desejada harmonia entre o que cremos e o que vivemos.

É Tempo favorável para contemplarmos o Mistério de Cristo, de tal modo que não mais vivamos, mas Ele viva em cada um de nós, aperfeiçoando nossos sentimentos, para que estes sejam os mesmos de Cristo Jesus (Fl 2,5).

E, quando nossa vida e nosso tempo forem consumidos pelo fogo devorador do Amor de Deus, que aquece nosso coração, ilumina nossos caminhos, veremos a luminosidade da Páscoa irromper, após as madrugadas frias e sombrias que seguiram a Morte do Senhor, e como Igreja ressoará no mais profundo de nossas entranhas, ecoando do mais profundo de nossa alma, o Aleluia Pascal.

Doze anos passados, nosso coração bateu mais forte pela emoção da eleição do Papa Francisco que, surpreendendo a todos nós, apareceu naquela janela.

Ansiosamente esperávamos e nossos olhos brilharam pela sua simplicidade, palavras tão ternas e simples, que fizeram despertar no coração de todos os bons e santos propósitos de hospitalidade, fraternidade, silêncio, alegria, oração.

Exultamos naquele dia com “Habemus Papam", e reezemos sempre, para que o Papa Francisco continue sendo um grande sopro do Espírito para a Igreja.

domingo, 9 de março de 2025

Santa Francisca: humildade, paciência e compaixão (09/03)


Santa Francisca Romana: humildade, paciência e compaixão

No dia 9 de março, celebramos a Memória de Santa Francisca Romana (séc. XV), e há escritos sobre esta, por Maria Magdalena Anguillaria, superiora das Oblatas de Tor de’Specchi, que nos fala de sua paciência, compaixão e solidariedade com os pobres.

Deus pôs à prova a paciência de Francisca não apenas nos bens exteriores de sua fortuna, mas quis experimentá-la em seu próprio corpo, por meio de graves e frequentes doenças, com que foi atingida, como já se disse e se dirá em seguida. Mesmo assim, nunca se notou nela o menor gesto de impaciência ou qualquer atitude de desagrado pelo tratamento que, às vezes com certa falta de habilidade, lhe tinha sido ministrado.

Francisca mostrou sua coragem na morte prematura dos filhos, que amava com grande ternura. Aceitava a vontade divina com ânimo sempre tranquilo, dando graças por tudo o que lhe acontecia. Com igual constância, suportou os caluniadores e as más línguas que criticavam seu modo de vida. Jamais demonstrou a menor aversão por estas pessoas que pensavam e falavam mal dela e do que lhe dizia respeito. Mas, pagando o mal com o bem, costumava rezar continuamente a Deus por elas.

Contudo, Deus não a escolheu para ser santa somente para si, mas para fazer reverter em proveito espiritual e corporal do próximo os dons que recebera da graça divina. Por isso, era dotada de grande amabilidade a ponto de que todo aquele que tivesse ocasião de tratar com ela, imediatamente se sentia cativado por sua bondade e estima, e se tornava dócil à sua vontade.

Havia em suas palavras tanta eficácia de força divina, que com breves palavras levantava o ânimo dos aflitos e angustiados, sossegava os inquietos, acalmava os encolerizados, reconciliava os inimigos, extinguia ódios inveterados e rancores, e muitas vezes impediu a vingança premeditada. Com uma palavra, era capaz de refrear qualquer paixão humana e de conduzir as pessoas aonde queria.

Por isso, de toda parte recorriam a Francisca como a uma proteção segura, e ninguém saía de perto dela sem ser consolado; no entanto, com toda franqueza, repreendia também os pecados e censurava sem temor tudo o que era ofensivo e desagradável a Deus.

Grassavam em Roma várias epidemias, mortais e contagiosas. Desprezando o perigo do contágio, a santa não hesitava também nessas ocasiões em mostrar o seu coração cheio de misericórdia para com os infelizes e necessitados de auxílio alheio.

Depois de encontrar os doentes, primeiro persuadia-os a unirem suas dores à paixão de Cristo; depois, socorria-os com uma assistência assídua, exortando-os a aceitarem de bom grado aquele sofrimento da mão de Deus e a suportá-los por amor daquele que em primeiro lugar tanto sofrera por eles.

Francisca não se limitava a tratar os doentes que podia agasalhar em sua casa, mas ia à sua procura em casebres e hospitais públicos onde se abrigavam. Quando os encontrava, saciava-lhes a sede, arrumava os leitos e tratava de suas feridas; e por pior que fosse o mau cheiro e maior a repugnância que lhe inspiravam, imensa era a dedicação e a caridade com que deles cuidava.

Costumava também ir ao Campo Santo, levando alimentos e finas iguarias, para distribuir entre os mais necessitados; de volta para casa, recolhia e trazia roupas usadas e pobres trapos cheios de sujeira; lavava-os cuidadosamente e consertava-os; depois, como se fossem servir ao seu Senhor, dobrava-os com cuidado e guardava no meio de perfumes.

Durante trinta anos, Francisca prestou este serviço aos enfermos e nos hospitais; quando ainda morava em casa de seu marido, visitava com frequência os hospitais de Santa Maria e de Santa Cecília, no Transtévere, o do Espírito Santo, em Sássia, e ainda outro no Campo Santo. Durante o período de contágio não era apenas difícil encontrar médicos que curassem os corpos, mas também sacerdotes para administrarem os remédios necessários às almas. Ela mesma ia procurá-los e levá-los àqueles que já estavam preparados para receber os sacramentos da penitência e da eucaristia. Para conseguir isto mais facilmente, sustentava à própria custa um sacerdote, que ia aos referidos hospitais visitar os doentes que ela lhe indicava”.

Francisca Romana nasceu em Roma, no ano de 1384, casando-se muito jovem e teve três filhos.

A época em que viveu foi marcada por grandes calamidades, e ajudou a muitos pobres com os seus bens, assim como dedicou-se aos doentes.

Uma vida admirável, pelo amor e compaixão em favor dos indigentes e na prática das virtudes, como é próprio de todos os santos e santas, notabilizada pela paciência e humildade.

Fundou ainda, a Congregação das Oblatas, sob a regra de São Bento no ano de 1425, vindo a fazer a passagem para a eternidade quinze anos depois.

Um ícone memorável, a exemplo do Bom Samaritano, que nos fala o Senhor na parábola   - “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34). 

Um luminar memorável para as mulheres e homens de todos os tempos, sobretudo ao refletimos sobre o Dia Internacional da Mulher (8 de agosto).

Concluo lembrando que o exemplo de Santa Francisca Romana está presente em nossas famílias, comunidades e sociedade, oferecendo o bálsamo do amor e da solidariedade para tantos feridos e caídos à beira do caminho.

Mulheres que nutrem os mais belos sentimentos de paciência, humildade e compaixão, porque movidas pelas virtudes divinas da fé, esperança e caridade, porque amadas pelo Senhor, são d’Ele grandes e imprescindíveis instrumentos e sinais.

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