quinta-feira, 6 de março de 2025

A onipotente misericórdia divina


A onipotente misericórdia divina

“Lembra-te de que tu és meu servo; Eu te criei, és meu servo, Israel,
não me decepciones. Desmanchei como uma nuvem teus pecados, como a névoa desfiz tuas culpas; volta para mim, porque te resgatei!”.
(Is 44,21-22)

Seja minha alma ferida de amor por Ti, Senhor Jesus, de modo que reconheça e confesse meus pecados, culpas e miséria diante de Vossa infinita misericórdia, que se manifesta na ternura, na acolhida e no perdão para novo recomeço.

Com a alma ferida de amor, reconheço e confesso meus pecados cometidos contra Deus, Teu Pai, que tanto nos ama, ferindo e fragilizando relações de comunhão, fraternidade, solidariedade com nosso próximo.

Desmancha como nuvem os pecados capitais (soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e a preguiça), que nos aprisionam e roubam a beleza do viver; sejam eles como névoas, por Teu poder e onipotência, desfeitos, alcançando-nos a liberdade.

Assim, minha alma ferida de amor, por Vós enamorado e confiante, pondo-me a caminho do encontro desejado, quando por meio de Ti, o único Caminho, Verdade e Vida, poderá contemplar a face de Deus, na Comunhão de Amor com o Santo Espírito. Amém.

Oração ao Criador (Papa Francisco)

 


           Oração ao Criador (Papa Francisco)

“Senhor e Pai da humanidade,
que criastes todos os seres humanos com a mesma dignidade,
infundi nos nossos corações um espírito fraterno.
 
Inspirai-nos o sonho de um novo encontro,
de diálogo, de justiça e de paz.
Estimulai-nos a criar sociedades mais sadias e um mundo mais digno,
sem fome, sem pobreza, sem violência, sem guerras.
 
Que o nosso coração se abra
a todos os povos e nações da terra,
para reconhecer o bem e a beleza
que semeastes em cada um deles,
para estabelecer laços de unidade, de projetos comuns,
de esperanças compartilhadas. Amém.” 
 
(1) Papa Francisco – Encíclica “Fratelli tutti” – 2020 - n.287 

“O amor é o cumprimento perfeito da Lei.”


“O amor é o cumprimento perfeito da Lei.” 

“O amor não faz nenhum mal contra o próximo.
Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei.” (Rm 13,10)

Tempo da Quaresma é tempo favorável de nossa conversão e reconciliação, com Deus e com os irmãos, vivendo o Mandamento do amor, cumprindo perfeitamente a Lei, como nos falou o Apóstolo Paulo.

Oportuno retomarmos a passagem em que ele escreve aos Romanos (Rm 13,8-10).

O Apóstolo Paulo nos exorta a colocar no centro da vida cristã o Mandamento do Amor, uma dívida que jamais será plenamente saldada.

É preciso orientar a vida pelo Mandamento do Amor, porque cristianismo sem amor se torna uma mentira, e como cristãos jamais podemos deixar de amar nossos irmãos. 

Em nossa experiência cristã somente o amor é essencial, e as demais coisas são secundárias:

O amor está no centro de toda a nossa experiência religiosa. No Mandamento do Amor, resume-se toda a Lei e todos os preceitos. Os diversos Mandamentos não passam, aliás, de especificações da exigência do amor. A ideia de que toda a Lei se resume no amor não é uma ‘invenção’ de Paulo, mas é uma constante na tradição bíblica...” (1)

A comunidade tem sempre à frente o desafio de multiplicar os sinais de amor, diminuindo, ou melhor ainda, eliminando todo sinal de insensibilidade, egoísmo, confronto, ciúme, inveja, opressão, indiferença, ódio.

Esta dívida do amor nos pede sempre algo novo para com o próximo:

“Podemos, todos os dias, realizar gestos de partilha, de serviço, de acolhimento, de reconciliação, de perdão... mas é preciso, neste campo, ir sempre mais além.

Há sempre mais um irmão que é preciso amar e acolher; há sempre mais um gesto de solidariedade que é preciso fazer; há sempre mais um sorriso que podemos partilhar; há sempre mais uma palavra de esperança que podemos oferecer a alguém. Sobretudo, é preciso que sintamos que a nossa caminhada de amor nunca está concluída.” (2)

Continuemos nosso itinerário Quaresmal, iluminados pela Palavra divina e revigorados pelo Pão da Eucaristia, aguardando ansiosamente a graça de celebrarmos as alegrias Pascais.



(1) (2) – cf. www.Dehonianos.org/portal

“Na vida de fé, quem não avança, recua”

                                                       

“Na vida de fé, quem não avança, recua”

O Evangelho da Quinta-feira depois das Cinzas (Lc 9,22-35) nos propicia uma parada necessária para reflexão. Sabemos como discípulos que a derrota vivida com o Mestre não é definitiva, por ora exige fazer a escolha livre de negar-se a si mesmo, oferecer a própria vida por amor.

Estamos começando a Quaresma, e a riquíssima Liturgia da Palavra nos convida a mirar para o final: o Mistério da Morte e Ressurreição de Cristo que desejamos ardentemente celebrar no Período Pascal.

Mas antes, contemplemos o Mistério da Cruz:

“A Sua Cruz, a nossa cruz, num perder-se para reencontrar-se todos os dias. O apego a uma vida que nasce de nós e em nós acaba é totalmente estéril. Não sucede assim com a árvore fecunda da Cruz, que restitui a vida precisamente quando pede para perder a vida que leva à Ressurreição precisamente no mesmo lugar onde a morte julga obter a vitória.”

A aparente derrota da Cruz é ao mesmo tempo a revelação da Onipotência do Amor de Deus, que na expressão máxima de Amor e fidelidade de Jesus ao Projeto do Pai deu ao mundo o mais belo e profundo testemunho.

A aparente derrota da Cruz trouxe em si o germe de sua vitória: a Vida Nova que brotou da Ressurreição.

Continuemos a trilhar o caminho de santificação que o Tempo da Quaresma nos propõe, com renúncias necessárias, coragem renovada, fidelidade comprovada, amor autêntico que se diviniza quando completamos o que falta à Paixão de Jesus por amor a Sua Igreja, como bem falou o Apóstolo Paulo: 

“Agora eu me alegro de sofrer por vocês, pois vou completando em minha carne o que falta nas tribulações de Cristo a favor de Seu corpo, que é a Igreja.” (Cl 1,24).

Bem diziam os sábios e os santos mestres espirituais de nossa Igreja: 

“Na vida de fé, quem não avança, recua”.

"Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”

                                          

                   "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”
 
Gostar de mais ou amar menos?
 
Demos um passo naquilo que há de mais essencial no ser cristão: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
 
Amar, capacidade inata à pessoa humana, pois o amor é por Deus plantado como semente em nosso coração, antes mesmo de nascermos.
 
Deste modo é preciso mais do que gostar demais, ou amar menos, amar muito mais, para que sejamos misericordiosos como o Pai (Lc 6,36):

Em primeiro lugar, amar mais nas famílias:
 
A família é o “berço das vocações e santuário da vida”, é o espaço para se aprender, não apenas, “gostar demais, mas amar mais e muito mais…” Sem dúvida a família é uma eterna escola do mandamento do amor. Se quisermos transformar o mundo, jamais poderemos nos esquecer de buscar e promover tudo aquilo que for possível, para que a família venha a dar esta contribuição e que ela seja uma escola do amor, dos princípios vitais e amadurecimento de necessárias virtudes…
 
Amar mais nos centros de decisões políticas do mundo:

Gosta-se demais do capital, do lucro, do poder, do aparente êxito do neoliberalismo (aparente, pois vai se criando um abismo cada vez maior e problemas sociais assustadores, dezenas de conflitos e guerras todos os dias, processo dilacerador de exclusão e empobrecimento). É preciso amar mais as pessoas, imagem e semelhança de Deus, o Novo Mandamento de Nosso Senhor…
 
Nos 3 Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário):
 
De modo geral, os que dirigem a nação, gostam demais do atual modelo econômico, curvando-se à cartilha do neoliberalismo mundial e ao processo de globalização, que em si, não é todo ruim.
Péssimo é quando não se globaliza a riqueza, a fraternidade, a solidariedade, os bens da criação, as riquezas das culturas.
 
É preciso amar mais, globalizar concretamente o amor em leis que não privilegiem alguns poucos e condenem milhões a um irrisório salário, que não permite dignas condições de vida.
 
Nos Palácios do Governo dos Estados, nas Prefeituras, nas Câmaras:Seria tão diferente se gostassem menos dos privilégios, das mazelas, das falcatruas.
 
Se amassem mais o povo, com significativos investimentos na educação, na saúde, no lazer, no pão nosso de cada dia.
 
Se concretizado o Novo Mandamento do Amor não haverá mais corrupção, desvio de verbas, mas sim a legítima aplicação dos impostos pagos pelo povo, com sábia resposta para a suspensão da violência, bem como suas causas.
 
Amar mais nos meios de comunicação:
 
É preciso não gostar de mentiras, das ilusões, da imposição de valores que atentam contra a vida (aborto, pena de morte, destruição da família, falso conceito de liberdade…).
 
É preciso amar mais nos meios de comunicação, semeando a verdade do Evangelho, anunciando e denunciando, não se contentando em ocupar espaço na mídia para apenas músicas e danças, sem nenhuma alteração do quadro social em que nos encontramos… canta-se e dança-se na mídia, enquanto ela quiser; enquanto não afetar os interesses dos grandes; quando se assegura alguns pontos no ibope…
 
Na escola, no trabalho, nos movimentos populares, partidos e sindicatos, nas ruas e estradas, em todo e em qualquer lugar… De fato, não basta gostar demais! É preciso amar mais. Quem ama percebe no colega de escola, de trabalho, a presença de Deus; vê no outro um templo do Espírito Santo. E, quanto mais amarmos, mais iremos entender e falar a linguagem de Deus: “o amor”. Só quem ama conhece a Deus e guarda os Seus Mandamentos, nos lembra o querido São João em sua primeira Carta na Bíblia (cf. 1Jo 4,7-8).
 
Que todos nos esforcemos em não apenas gostar das pessoas, mas amar evangelicamente o próximo!
 
“O meu Mandamento é este: Amem-se uns aos outros, assim como Eu amei vocês.” (Jo 15,12).
 
Como cristãos, temos também um longo caminho a percorrer, incansavelmente!   
 
Sejamos eternos aprendizes na “Escola do Amor”: A família e a Igreja, da qual começamos a fazer parte pelo Batismo.
 
Quanto mais belos aprendizes e praticantes do Mandamento Maior, mais crível será a nossa fé, mais alicerçada a nossa esperança, mais ardor e esplendor ver-se-ão em nossas ações como expressão da genuína caridade.
 

Quaresma: as tentações do Maligno (IDTQB)

                                       

                       Quaresma: as tentações do Maligno

Retomemos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 1,15), em que  Jesus é levado pelo Espírito para o deserto, e lá foi tentado por Satanás, por quarenta dias.

Reflitamos sobre a vitória de Jesus sobre Satanás:

- Com Jesus, somos mais que vencedores (cf. Rm 8,37):

“Pois não há, amadíssimos, atos de virtude sem a experiência das tentações, nem fé sem prova, nem combate sem inimigo, nem vitória sem batalha”. (Papa São Leão Magno – séc. V)

Cinjamos nossos rins com a verdade, revistamos a couraça da justiça e tenhamos os pés calçados de prontidão para anunciar o Evangelho da paz.

Tenhamos como proteção constante, o escudo da fé, coloquemos o capacete da Salvação e com a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, e tão somente assim, venceremos as propostas sedutoras do Maligno (cf. Ef 6,10-20). 

Peregrinar pelo deserto com Jesus:

“Com efeito, nossa vida, enquanto somos peregrinos neste mundo, não pode estar livre de tentações, pois é através delas que se realiza nosso progresso e ninguém pode conhecer-se a si mesmo sem ter sido tentado.

Ninguém pode vencer sem ter combatido, nem pode combater se não tiver inimigo e tentações”.  (Santo Agostinho – séc. V)

Quaresma: vençamos as tentações (Catecismo da Igreja Católica – nn. 539-540):

“A vitória de Jesus sobre o tentador, no deserto, antecipa a vitória da Paixão, suprema obediência do Seu amor filial ao Pai (...)

(...) Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao Mistério de Jesus no deserto”.

Continuemos, também, nosso itinerário Quaresmal, vivendo nosso tempo de deserto, vencendo as tentações do Maligno: ter, poder e ser (acúmulo, domínio e prestígio, respectivamente).

Urge que sejamos iluminados pelas reflexões acima, nutridos pela Palavra e revigorados pela Eucaristia, para que, vivendo intensamente a Quaresma, configurados e unidos a Jesus no Mistério de Sua Paixão e Morte, possamos celebrar o coração da Liturgia, a Sua Páscoa, exultantes de alegria e o Aleluia ressoará mais forte. 


PS: Apropriadas para as passagens do Evangelho de Mateus (Mt 4,1-11 e Lucas (Lc 4.1-13)

 

Quaresma: a prática da misericórdia nos faz fraternos (23/03)

                                                        

Quaresma: a prática da misericórdia nos faz fraternos

Reflexão sobre a passagem do Evangelho sobre o julgamento final, ao qual seremos todos submetidos (Mt 25,31-46).

A Palavra proclamada, escutada, acolhida, meditada e vivida, nos propõe e nos inspira a um balanço de nossa vida cristã, na vigilante expectativa da última vinda do Senhor, servindo-O na alegria, fazendo frutificar o amor que vence no dia do juízo final.

Jesus nos fala do juízo final, nos revela  qual será o fim daqueles que se mantiveram ou não vigilantes e preparados para a Sua vinda vitoriosa “... para que Deus seja tudo em todos)” (1Cor 15,28).

Lembremo-nos do contexto da comunidade de Mateus, que é de desinteresse, instalação, acomodação, rotina. É preciso despertá-la para uma atitude vigilante e comprometida na espera do Senhor que vem. Vigilância para o juízo final.

O critério de julgamento será o amor ou a indiferença vivida para com os pobres (famintos, sedentos, doentes, presos, estrangeiros, nus). Somente o amor concreto e a solidariedade ativa nos credenciam para a eternidade. 

Somente o amor na simplicidade e na gratuidade nos eterniza. Quem vive a misericórdia, o amor, a solidariedade ativa não tem motivo para temer o julgamento final (Tg 2,12-13).

Os discípulos têm que amar Cristo e viver como Ele. Deus não quer condenar ninguém. A autoexclusão de Seu amor está em nossas mãos. Não há lugar para egoísmo e indiferença na construção do Reino de Deus, como Jesus nos falou através de diversas Parábolas.

Cabe a nós, como discípulos missionários, edificá-lo na história através do amor concreto, em solidariedade ativa até que Ele venha e instaure o Reino definitivo, na realização da Parusia.

Jesus também reconhece que existe um cristianismo autêntico mesmo fora da Igreja visível, e que aqueles que não O conheceram mediante o Evangelho, nem por isto ficam isentos do Mandamento do Amor, que se estende a toda a humanidade, nem da sua manifestação na solidariedade ativa.

Reflitamos:

- Como vivemos o amor e a solidariedade ativa?

- O que fazemos para que o Reino de Deus deixe de ser uma imagem e seja, de fato, o Reino do amor, da verdade, da graça, da liberdade, da santidade e da vida?

- Fazemos da religião um ópio que nos anestesia, nos entorpece ou ela é, de fato, a expressão e o revigoramento de nosso compromisso com os empobrecidos, na verdadeira adoração a Deus?

Vivendo a Quaresma, mais configurados a Jesus Cristo no Mistério de Sua Paixão e Morte, contemplemos a Cruz de nosso Senhor: O Seu trono.
Contemplemos Sua coroa, a coroa de espinhos dada pelos homens, a Coroa da Glória dada pelo Pai.

Fixemos nosso pensamento e abramos nosso coração ao Seu Novo Mandamento, o Mandamento do Amor.

A Sua Lei seja a nossa Lei: o amor, vivenciado na mais bela página das Bem-Aventuranças. Que ela seja nosso programa de vida para que um dia também participemos do Reino definitivo, quando Ele vier em Sua glória.

Sejamos armados em Seu exército com a arma do amor.

Testemunhando nossa fé,  
damos corpo e conteúdo à caridade no coração inflamada, 
e somos movidos pela fé na Ressurreição.


A solidariedade, a fraternidade, o amor à vida, 
a paixão pelo Reino nos consome, 

e nos sentimos fascinados por Sua Palavra, 
em nosso pregar e viver,
provocando o mesmo fascínio
naqueles que nos ouvem.


PS: Oportuno para reflexão sobre a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46)

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG