quarta-feira, 5 de março de 2025

Síntese da Mensagem para a Quaresma de 2020



Síntese da Mensagem para a Quaresma 2020

A Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2020 tem como motivação o versículo da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios: “Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus” (2 Cor 5, 20).

Ele nos fala da Quaresma como um tempo propício para nos prepararmos para celebrar, de coração renovado, o grande Mistério da Morte e Ressurreição de Jesus, centro da vida cristã pessoal e comunitária, e o fundamento da conversão.

Da escuta e acolhida deste anúncio nasce a alegria do cristão, de modo que quem crê  neste anúncio rejeita a mentira de que a nossa vida teria origem em nós mesmos, quando na realidade nasce do amor de Deus Pai, da Sua vontade de dar vida em abundância (cf. Jo 10, 10).

Estende a todos os cristãos o que escreveu aos jovens na Exortação apostólica Christus vivit: «Fixa os braços abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar sempre de novo. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, crê firmemente na Sua misericórdia que te liberta de toda a culpa. Contempla o Seu sangue derramado pelo grande amor que Ele tem e deixa-te purificar por Ele. Assim, poderás renascer sempre de novo» (n. 123).

Urge viver a Páscoa de Jesus, não como um acontecimento do passado, pois pela força do Espírito Santo, ela é sempre atual e nos permite contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem, e consequentemente há a urgência da conversão em todos os sentidos, experimentando a misericórdia de Deus, ficando “face a face” com o Senhor crucificado e ressuscitado que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim” (Gl 2, 20).

Neste sentido, é muito importante a oração no Tempo Quaresmal, que antes de ser um dever, deve ser a expressão da necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e nos sustenta.

Esta poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus, afirma o Papa – “é que ela escave dentro de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à Sua vontade”. 

Faz um convite para este tempo favorável: “...deixemo-nos conduzir como Israel ao deserto (cf. Os 2, 16), para podermos finalmente ouvir a voz do nosso Esposo, deixando-a ressoar em nós com maior profundidade e disponibilidade...”

Este tempo favorável de conversão deve ser marcado pelo sentido de gratidão e sacudir-nos do nosso torpor”, ou seja, superar toda indiferença e apatia.

Deus quer, portanto, estabelecer um  diálogo conosco, mas não uma  conversa ditada por uma curiosidade vazia e superficial, que caracteriza a mundanidade de todos os tempos e, hoje em dia, podendo ser manifestada também  no uso pervertido dos meios de comunicação.

Na parte final da mensagem, exorta-nos para a prática da esmola, para a edificação de um mundo mais justo, acenando para a riqueza que deve ser partilhada, e não acumulada só para si mesmo, de modo que colocar o Mistério Pascal no centro da vida significa “... sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até à do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria”.

Afirma o Papa: A partilha, na caridade, torna o homem mais humano; com a acumulação, corre o risco de embrutecer, fechado no seu egoísmo”.

Lembra a convocação que fez para os jovens economistas, empreendedores e transformativos, para o encontro em Assis, de 26 a 28 de março, para refletir sobre a contribuição na busca de uma economia mais justa e inclusiva do que a atual.

Assim como a política é uma forma eminente de caridade (cf. Pio XI, Discurso à FUCI, 18/XII/1927), o mesmo se dá ao ocupar-se da economia, com o mesmo espírito evangélico, que é o espírito das Bem-Aventuranças.

Finaliza pedindo a intercessão de Maria Santíssima para a próxima Quaresma, reafirmando o apelo para que nos deixemos reconciliar com Deus, fixando o olhar e o coração no Mistério Pascal, acompanhando da conversão e de um diálogo aberto e sincero com Deus, a fim de que sejamos  sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5, 13.14).

Campanha da Fraternidade 2019




Campanha no momento, compromisso sempre!

A Igreja no Brasil está realizando mais uma Campanha da Fraternidade com um tema extremamente atual e de importância indiscutível.

Tema: “Fraternidade e Políticas Públicas”
Lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27)

Que todos nós não meçamos esforços em acompanhar, refletir e ajudar a desenvolver esta Campanha que não se encerra, como se diz, indevidamente, com a Páscoa.

Oração da Campanha da Fraternidade - 2019 - CNBB

“Pai misericordioso e compassivo,
que governais o mundo com justiça e amor,
dai-nos um coração sábio para reconhecer a presença do Vosso Reino
entre nós.

Em Sua grande misericórdia, Jesus,
o Filho amado, habitando entre nós
testemunhou o Vosso infinito amor
e anunciou o Evangelho da fraternidade e da paz.

Seu exemplo nos ensine a acolher
os pobres e marginalizados, nossos irmãos e irmãs
com políticas públicas justas,
e sejamos construtores de uma sociedade humana e solidária.

O divino Espírito acenda em nossa Igreja
a caridade sincera e o amor fraterno;
a honestidade e o direito resplandeçam em nossa sociedade
e sejamos verdadeiros cidadãos do “novo céu e da nova terra”
Amém.



PS: Riquíssimo material da CF/2019, o leitor poderá encontrar acessando a página da CNBB: www.cnbb.org.br



Síntese da Mensagem para a Quaresma de 2019



 Síntese da Mensagem para a Quaresma de 2019


“A criação encontra-se em expectativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus” (Rm 8,19)


Apresento uma síntese da Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2019”, que tem como inspiração bíblica um versículo da Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos (Rm 8,19).

Por meio da Mãe Igreja, Deus nos oferece o Tempo da Quaresma, c Tempo favorável em preparação para a celebração da Páscoa do Senhor, como se reza no Prefácio I da Quaresma, de modo que, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: “e fato, foi na esperança que fomos salvos” (Rm 8, 24).

Na primeira parte, ele nos fala da redenção da criação, tendo a celebração do Tríduo Pascal da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, ponto culminante do Ano Litúrgico, para que vivamos um itinerário de preparação, a fim de nos tornarmos semelhantes a Cristo (cf. Rm 8, 29):

“Quando a caridade de Cristo transfigura a vida dos santos – espírito, alma e corpo –, estes rendem louvor a Deus e, com a oração, a contemplação e a arte, envolvem nisto também as criaturas, como demonstra admiravelmente o ‘Cântico do irmão sol’, de São Francisco de Assis (cf. Encíclica Laudato si’, 87). Neste mundo, porém, a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte”.

Na parte seguinte, reflete sobre a força destruidora do pecado; conduzidos pela “intemperança”, que leva a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo aqueles desejos incontrolados.

O Papa nos alerta para o fato de que se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, imporá, consequentemente, a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais.

Com isto, temos a interrupção da comunhão com Deus, com os outros e com a criação, à qual nos encontramos ligados, antes de mais nada, através do nosso corpo.

Este rompimento de comunhão com Deus leva à falência da relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, onde estão chamados a viver, a ponto de o jardim se transformar num deserto (cf. Gn 3, 17-18).

Trata-se do pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido pelo Criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros, com a exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acaba por destruir inclusive quem está dominado por ela.

Na terceira parte, nos apresenta a força sanadora do arrependimento, da conversão e do perdão para viver toda a riqueza da graça do Mistério Pascal, pois “Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas” (2 Cor 5, 17)”:

“Juntamente conosco, toda a criação é chamada a sair ‘da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus’” (Rm 8, 21).

Neste sentido, a “Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o Mistério Pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola”.

Convida-nos aos três exercícios quaresmais:

- Jejuar: aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas, passando da tentação de ‘devorar’ tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração;

- Orar: para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da Sua misericórdia;
- Dar esmola: para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence.

Deste modo, reencontramos a alegria do Projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amá-Lo, nossos irmãos e o mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade.

Convida-nos para que nesta Quaresma, assim como Jesus Cristo fez,  entremos no deserto da criação, para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3).

Não passe em vão este Tempo da Quaresma, percorrendo o mesmo caminho, em atitude de verdadeira conversão, levando-nos à  esperança de Cristo, e  também à criação, que “será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus” (Rm 8, 21).

Conclui fazendo-nos um convite a fim de que abondemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; fazendo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais, pois deste modo, acolheremos na nossa vida concreta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos também sobre a criação a Sua força transformadora.

Políticas Públicas: compromisso com a fraternidade (CF 2019)

Políticas Públicas: compromisso com a fraternidade

“Porque se multiplicará a iniquidade, 
vai resfriar o amor de muitos” (Mt 24, 12)

O Tempo da Quaresma é o Tempo favorável de nossa salvação, trilhando um caminho de conversão, configurados a Cristo Jesus, no Mistério de Sua Paixão e Morte, para com Ele também Ressuscitarmos.

Tempo favorável para intensificar a prática dos exercícios quaresmais (oração, jejum e esmola), que nos possibilitarão celebrar uma fecunda Páscoa com seus frutos desejados.

Também será um Tempo favorável para não nos nos curvarmos diante da multiplicação da iniquidade, não permitindo que resfrie nosso amor, como nos alertou o Papa Francisco, em sua Mensagem para a Quaresma de 2018: - “Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos” (Mt 24, 12).

Neste intuito, a Igreja, de modo especial, realizou a Campanha da Fraternidade, (2019) com tema tão expressivo: - “Fraternidade e políticas públicas”; assim como o Lema: - “Serás libertado pelo direito e pela justiça" (Is 1,27)).

Urge descobrir caminhos para construir a  fraternidade, estimulando a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidadecomo nos diz o Objetivo Geral, acompanhado dos objetivos específicos:

- Conhecer como são formuladas e aplicadas as Políticas Públicas estabelecidas pelo Estado brasileiro.

- Exigir ética na formulação e concretização das Políticas Públicas.

- Despertar a consciência e incentivar a participação de todo cidadão na construção de Políticas Públicas em âmbito nacional, estadual e municipal.

- Propor Políticas Públicas que assegurem os direitos sociais aos mais frágeis e vulneráveis.

- Trabalhar para que as Políticas Públicas eficazes de governo se consolidem como políticas de Estado.

- Promover a formação política dos membros de nossa Igreja, especialmente dos jovens, em vista da cidadania.

- Suscitar  cristãos católicos comprometidos na política como testemunhos concreto da fé.

Concluímos com estas palavras apresentadas pelo Missal Dominical:

"...A ação caritativa pode e deve abraçar agora absolutamente todos os homens e todas as necessidades. Onde quer que falte alimento, bebida, roupa, casa, medicamentos, trabalho, instrução, meios necessários para levar uma vida verdadeiramente humana, onde estiver um aflito por tribulações e saúde abalada, alguém que sofre exílio ou prisão, aí deve a caridade cristã ir buscá-los, encontrá-los, consolá-los com cuidadosa afeição e reerguê-los, oferecendo-lhes auxílio. Esta obrigação se impõe antes de tudo aos homens e povos que vivem na prosperidade" (AA 8,cd). (1)


(1) Missal Dominical – Ed Paulus – p.900

Repostado: Campanha da Fraternidade de 2019

A radicalidade do amor e a cultura da paz (CF 2018)

A radicalidade do amor e a cultura da paz

No Tempo da Quaresma (2018), a Igreja no Brasil realizou a Campanha da Fraternidade, com uma temática de extrema importância – “Fraternidade e a superação da violência”, com o Lema – “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).

Vejamos um parágrafo iluminador que a Conferência de Aparecida nos apresenta, a fim de que a evangelização contribua na construção da fraternidade, promovendo uma cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência, como vemos no Objetivo Geral da Campanha da Fraternidade.

A Igreja nos ensina que somente será possível purificar as estruturas da sociedade violenta e gerar novas estruturas, se promovermos uma evangelização que coloque a Redenção no centro, nascida de um amor crucificado.

Esta evangelização de nossos povos será autêntica se assumirmos plenamente a radicalidade do amor cristão, que se concretiza no seguimento de Cristo na Cruz; no padecer por Cristo por causa da justiça; no perdão e no amor aos inimigos.

Este amor, segundo o ensinamento do Evangelho, supera o amor humano e participa do amor divino, único eixo cultural capaz de construir uma cultura da vida.

Esta cultura de vida deve se inspirar no Deus Trindade, pois, nela, a diversidade de pessoas não gera violência e conflito; ao contrário, é a fonte mesma do amor e da vida.

Vivemos em contextos de múltiplas formas de violência, que somente se resolverá com a radicalidade do amor redentor de Nosso Senhor, a nós dado como Novo Mandamento.

A Evangelização marcada pelo amor de plena doação é o caminho para superação de conflitos e a construção de uma nova sociedade:

“Só assim o Continente da esperança pode chegar a tornar-se verdadeiramente o Continente do amor” (DAP n.543).

Campanha da Fraternidade 2018

Campanha da Fraternidade 2018

A Igreja no Brasil, na Quaresma, realizará a Campanha da Fraternidade 2018, com um tema extremamente atual, complexo e desafiador.  

Tema: “Fraternidade e superação da violência”;
Lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). 

Objetivo Geral: “Construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência”.

Que todos nós não meçamos esforços em acompanhar, refletir e ajudar a desenvolver esta Campanha, que não se encerra com a Páscoa, pois bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus (Mt 5, 9).

Oração Oficial da Campanha da Fraternidade 2018

Deus e Pai,
nós Vos louvamos pelo Vosso infinito amor
e Vos agradecemos por ter enviado Jesus,
o Filho amado, nosso irmão.

Ele veio trazer paz e fraternidade à terra
e, cheio de ternura e compaixão,
sempre viveu relações repletas
de perdão e misericórdia.

Derrama sobre nós o Espírito Santo,
para que, com o coração convertido,
acolhamos o Projeto de Jesus
e sejamos construtores de uma sociedade
justa e sem violência,
para que, no mundo inteiro, cresça
o Vosso Reino de liberdade, verdade e de paz.
Amém!

Síntese da Mensagem para a Quaresma 2018

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2018

“Porque se multiplicará a iniquidade,
vai resfriar o amor de muitos” (Mt 24, 12)

Retomemos uma síntese da da “Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2018”, que tem como inspiração bíblica um versículo do Evangelho de Mateus –“Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos” (Mt 24, 12).

“Esta frase situa-se no discurso que trata do fim dos tempos, pronunciado em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, precisamente onde terá início a paixão do Senhor. Dando resposta a uma pergunta dos discípulos, Jesus anuncia uma grande tribulação e descreve a situação em que poderia encontrar-se a comunidade dos crentes: à vista de fenômenos espaventosos, alguns falsos profetas enganarão a muitos, a ponto de ameaçar apagar-se, nos corações, o amor que é o centro de todo o Evangelho”.

É preciso que fiquemos atentos aos “falsos profetas”, que se assemelham a “encantadores de serpentes”, e também aos “charlatães”.

Os primeiros “aproveitam-se das emoções humanas para escravizar as pessoas e levá-las para onde eles querem. Quantos filhos de Deus acabam encandeados pelas adulações dum prazer de poucos instantes que se confunde com a felicidade! Quantos homens e mulheres vivem fascinados pela ilusão do dinheiro, quando este, na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos! Quantos vivem pensando que se bastam a si mesmos e caem vítimas da solidão!”

Os “charlatães” são, por sua vez, os que “oferecem soluções simples e imediatas para todas as aflições, mas são remédios que se mostram completamente ineficazes: a quantos jovens se oferece o falso remédio da droga, de relações passageiras, de lucros fáceis, mas desonestos! Quantos acabam enredados numa vida completamente virtual, onde as relações parecem mais simples e ágeis, mas depois revelam-se dramaticamente sem sentido! ...  Por isso, cada um de nós é chamado a discernir, no seu coração, e verificar se está ameaçado pelas mentiras destes falsos profetas. É preciso aprender a não se deter no nível imediato, superficial, mas reconhecer o que deixa dentro de nós um rasto bom e mais duradouro, porque vem de Deus e visa verdadeiramente o nosso bem”.

Em seguida, fala-nos do resfriamento da caridade e como ele se dá, e um dos sinais evidente é, “antes de mais nada, a ganância do dinheiro, “raiz de todos os males” (1 Tm 6, 10); depois dela, vem a recusa de Deus e, consequentemente, de encontrar consolação n’Ele, preferindo a nossa desolação ao conforto da sua Palavra e dos Sacramentos”.

Vítimas disto são: o bebê nascituro, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expectativas.

Também a criação sofre as consequências deste resfriamento do amor: “a terra está envenenada por resíduos lançados por negligência e por interesses; os mares, também eles poluídos, devem infelizmente guardar os despojos de tantos náufragos das migrações forçadas; os céus – que, nos desígnios de Deus, cantam a sua glória – são sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte”.

Também nossas comunidades sofrem como consequência do resfriamento do amor, como ressaltou na Exortação apostólica Evangelii Gaudium, expresso nos sinais: da acédia egoísta, do pessimismo estéril, da tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, da mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário.

Apresenta-nos o caminho a ser feito nesta Quaresma, a partir do remédio doce da oração, da esmola e do jejum.

Finalmente, convida-nos a refletir sobre o “fogo da Páscoa”, que será a consumação de um caminho quaresmal feito com ardor, apoiado nos remédios da oração, jejum e esmola.

“Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus! Ele sempre nos dá novas ocasiões, para podermos recomeçar a amar”.

Como em anos anteriores, motiva-nos à realização, das “24 horas para o Senhor”, dias 09 e 10 de março, com a Celebração do Sacramento da Reconciliação num contexto de Adoração Eucarística, inspirados nas palavras do Salmo 130: “Em Ti, encontramos o perdão” (v. 4).

Orienta que, em cada diocese, pelo menos uma igreja fique aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de Adoração e da Confissão Sacramental.

Acena para a Noite de Páscoa, em que a Luz acesa do Círio Pascal seja sinal do dissipar das trevas do coração e do espírito, crendo na vitória do Ressuscitado, “...para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a Palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor”.

Finaliza a Mensagem concedendo-nos as bênçãos de Deus, assegurando orações por nós e pedindo que rezemos por ele.



Se desejar, confira a mensagem na íntegra: 

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG