sexta-feira, 3 de julho de 2026
“Meu Senhor e meu Deus”
Quem, por medo, as portas não fecharia?
Quem, por medo, as portas não fecharia?
“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas,por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-Se no meio deles, disse: ‘A paz esteja convosco’”(Jo 20,19)
Quem a portas, por medo, não fecharia?
Eliminaram a vida do Amado, em quem tanto confiávamos.
Esperanças e confiança, com eles mortas, para sempre enterradas!
Enterradas?
Não. Definitivamente não!
Ressuscitou como disse. Aleluia!
Não há portas que possam impedir Sua nova presença.
Ele vive e está entre nós, O Primeiro e o último.
Aquele que vive, nos falou o discípulo amado(cf. Ap 1,17).
“Estive morto, mas agora estou vivo para sempre.
Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos.
Escreve, pois o que viste, aquilo que está acontecendo
E que vai acontecer depois.” (cf. Ap. 1,18)
Com Ele vivo e Ressuscitado,
O início de uma nova criação,
Primeiro dia da semana.
Centralidade em nossas vidas em todos os momentos e lugar
Com Ele, por Ele, para Ele todo o nosso existir.
Com o sopro do Seu Espírito, há uma missão a cumprir.
Suas chagas que na sexta-feira escura da dor paixão e morte,
A mansão dos mortos, o sepulcro por amor visitou.
Mas o Pai, para sempre, em mesmo amor, glorificou.
Vive, para sempre, Aquele que tantos nos amou.
Viveremos para sempre por quem tanto nos amou.
Peregrinando na esperança, fiéis a divina missão
Que à Sua Igreja, com o Santo Espírito nos confiou.
Vençamos todo o cansaço, todo o medo.
Anunciar o mundo o mais belo segredo de quem crê:
Nada mais será como antes. Ressuscitou Aleluia.
Quem, por medo, as portas não fecharia?
Mas agora não pode impedir o anúncio,
Corajoso testemunho. Aleluia! Aleluia!
No Banquete da Eucaristia, somos refeitos
A esperança da vida plena e feliz
“Cuidemos de nossa casa comum”
“Cuidemos de nossa casa comum”
Em 2016, a Igreja no Brasil realizou a IV Campanha da Fraternidade Ecumênica, com um tema extremamente atual, complexo e desafiador: “Casa comum, nossa responsabilidade”, e o Lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).
Retomamos a temática com a Campanha da Fraternidade de 2025, com o tema - "Fraternidade e Ecologia Integral", e com o lema -"Deus viu que tudo era muito bom" (cf. Gn 1,31).
Oportuno retomar os sete “erres” que, cada vez mais, devem fazer parte de nossa vida:
- Repensar os nossos hábitos de consumo e comportamentos. Vejamos onde podemos economizar e evitar a produção de lixo;
- Reduzir o consumo e o uso de embalagens e produtos não recicláveis;
- Reaproveitar materiais, papéis, embalagens etc., que muitas vezes vão para o lixo, mas que poderiam continuar sendo usados ou doados para outras pessoas;
- Reciclar, fazendo a separação/coleta seletiva do lixo; reciclá-lo ou doá-lo para quem o recicla (muitas pessoas ganham o próprio sustento e da família com este trabalho);
- Recusar produtos descartáveis como plásticos e outros produtos que prejudicam o ecossistema;
- Reparar produtos, prolongando sua vida útil;
- Reintegrar restos de alimentos e outros materiais orgânicos à natureza, através da compostagem.
Com estas ações, que não exigem grande esforço, ao mesmo tempo em que cuidamos do Planeta, estaremos fazendo bem a nós mesmos e aos outros, e, com isto, exercitando a caridade fraterna.
Cuidemos do nosso Planeta, nossa Casa Comum, com a consciência de que devemos preservá-lo para as gerações que virão. Se não nos convertermos no uso das coisas, na relação com elas, estaremos comprometendo não somente o futuro, mas já também o presente, haja vista os acidentes e tragédias ambientais que vemos nos noticiários e bem perto de nós.
Curai, Senhor, a chaga de nossa incredulidade!
Curai, Senhor, a chaga de nossa incredulidade!
“Ó frutuosa incredulidade para a nossa fé!”
Sejamos enriquecidos pela homilia do Papa São Gregório Magno (séc. VI), sobre o apóstolo São Tomé:
“Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio (Jo 20,24). Era o único discípulo que estava ausente. Ao voltar, ouviu o que acontecera, mas negou-se a acreditar.
Veio de novo o Senhor, e mostrou Seu lado ao discípulo incrédulo para que O pudesse apalpar; mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz de Suas chagas, curou a chaga daquela falta de fé.
Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Pensais ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que, ao voltar, ouvisse contar, que, ao ouvir, duvidasse, que, ao duvidar, apalpasse, e que, ao apalpar, acreditasse?
Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu Mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé.
A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar, o nosso espírito, pondo de lado toda dúvida, confirma-se na fé.
Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da Ressurreição. Tomé apalpou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus! Jesus lhe disse: Acreditaste, porque me viste? (Jo 20,28-29).
Ora, como diz o Apóstolo Paulo: A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se veem (Hb 11,1). Logo, está claro que a fé é a prova daquelas realidades que não podem ser vistas.
De fato, as coisas que podemos ver não são objeto de fé, e sim de conhecimento direto. Então, se Tomé viu e apalpou, por qual razão o Senhor lhe disse: Acreditaste, porque me viste?
É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e proclamou a fé na sua divindade, exclamando: Meu Senhor e meu Deus! Por conseguinte, tendo visto, acreditou. Vendo um verdadeiro homem, proclamou que Ele era Deus, a quem não podia ver.
Alegra-nos imensamente o que vem a seguir: Bem-aventurados os que creram sem ter visto (Jo 20,29). Não resta dúvida de que esta frase se refere especialmente a nós. Pois não vimos o Senhor em sua humanidade, mas O possuímos em nosso espírito. É a nós que ela se refere, desde que as obras acompanhem nossa fé.
Com efeito, quem crê verdadeiramente, realiza por suas ações a fé que professa. Mas, pelo contrário, a respeito daqueles que têm fé apenas de boca, eis o que diz São Paulo: Fazem profissão de conhecer a Deus, mas negam-no com a sua prática (Tt 1,16). É o que leva também São Tiago a afirmar: A fé, sem obras, é morta (Tg 2,26).”
Somente quando o Ressuscitado apareceu, oito dias depois, é que ele se encontrava e tocando as Chagas do Senhor, fez a grande profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”.
Terá sido por acaso este acontecimento? Não! Absolutamente!
As chagas de nossa falta de fé foram então curadas pelo gesto de Tomé. Ele expressou a nossa humanidade às vezes incrédula, cética, ateia, indiferente e materialista em demasia…
Bem afirmou o Papa São Gregório Magno: “… ao apalpar as Chagas do Corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé…”
Tomé teve a coragem de, ao tocar as Chagas de Nosso Senhor, expor suas e nossas chagas, com toda sinceridade, sem hipocrisia e artificialismos, e possibilitou que pudéssemos fazer nosso ato de fé, para do Senhor ouvirmos: “Você acreditou porque me viu. Felizes aqueles que creem sem ter visto!”
Este apóstolo do Senhor fez um impressionante itinerário na caminhada de fé: passou do realismo humano ao conhecimento no Espírito; viu e testemunhou a realidade de Paixão e Morte de Jesus, e pôde professar a fé no Cristo Ressuscitado, quando Ele Se manifestou pela segunda vez aos discípulos, que reunidos estavam, de portas fechadas.
Não precisamos mais ficar envoltos e submersos na obscuridade da falta da fé, pois Tomé nos possibilitou, e em todo tempo, professar ao mundo que as dolorosas Chagas não tiveram a última palavra. Cremos nas Chagas gloriosas do Ressuscitado. Somos Pascais.
Urge que nossa fé seja verdadeiramente Pascal, e assim, digamos como Tomé, ainda que não tenhamos visto e nem tocado Jesus Ressuscitado: “Meu Senhor e meu Deus!”.
Ó bendita incredulidade de Tomé, que afastou de nós a mesma possibilidade da falta de fé, que imobiliza, paralisa, sem sonhos, perspectivas, horizontes de eternidade.
Possibilitou, também, em certo sentido, fazer de Tomé o primeiro devoto do trespassado e misericordioso Coração de Jesus!
Bendita incredulidade de Tomé, que cedeu lugar a mais bela profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”.
A profissão de fé de Tomé suscita em nós a proclamação da nossa fé no Ressuscitado, e agora é preciso coragem e ardor para anunciar e testemunhar com palavras e obras:
Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé!
Curai, Senhor, pelas Vossas santas e vitoriosas Chagas,
Nossas medíocres e doloridas chagas da incredulidade,
Da falta de esperança, da ausência da revigorada confiança,
Para que a caridade seja força que tudo supera e alcança!
Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé!
Fazei, Senhor, que passemos da incredulidade à fé.
Do infantilismo da fé à maturidade da mesma.
Da imaturidade ao amadurecimento espiritual,
Para que do Ressuscitado sejamos um pequeno sinal!
Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé!
Ó ingratas chagas de nossa humana incredulidade!
Ó Santas Chagas Vitoriosas do Ressuscitado!
Ó gesto tão solene, tão corajoso e sincero de Tomé,
Possibilitou-nos saltos qualitativos em nossa fé!
Deus em Sua extrema clemência sempre nos surpreende.
E Seu Amor é verdadeiramente surpreendente,
pois quem ama surpreende!
Amém. Aleluia!
As cicatrizes do Ressuscitado
As cicatrizes do Ressuscitado
Sejamos enriquecidos por este trecho do Sermão de Santo Agostinho (séc. V), para melhor compreensão da passagem do Evangelho de João (Jo 20,19-31):
“Não lhes bastou vê-Lo com os próprios olhos: quiseram apalpar com as mãos seu corpo e as cicatrizes das feridas recentes; até o ponto de que o discípulo que tinha duvidado, tão prontamente como tocou e reconheceu as cicatrizes, exclamou: ‘Meu Senhor e Meu Deus!’ Aquelas cicatrizes eram as credenciais d’Aquele que tinha curado as feridas dos demais.
O Senhor não podia ressuscitar sem as cicatrizes? Sem dúvida, mas sabia que no coração de seus discípulos ficavam feridas que haveriam de ser curadas pelas cicatrizes conservadas em seu corpo. E o que respondeu o Senhor ao discípulo que, reconhecendo-O por seu Deus, exclamou: meu Senhor e meu Deus’? Disse-lhe: ‘Crestes porque me vistes? Bem-aventurados os que creram sem terem visto’....” (1)
Como discípulos missionários do Senhor, façamos nossa profissão de fé no Cristo glorioso, Ressuscitado, e sejamos os bem-aventurados que creem sem nunca terem visto o Senhor.
O Círio Pascal, que acendemos na Vigília Pascal, lembra-nos que Jesus Cristo Ressuscitado é o princípio e o fim (Alfa e ômega), o mesmo ontem e hoje, e a Ele o tempo e a eternidade, a glória e o poder, pelos séculos sem fim.
Contemplemos as Chagas Gloriosas do Senhor, suas credenciais, as cicatrizes de Seu corpo glorioso, como nos falou o bispo, e sejam elas a cura de nossas feridas de nomes diversos.
Contemplando as Chagas Gloriosas do Senhor, revigorados na fé, fortalecidos na esperança, sejamos inflamados na caridade, comprometidos com quem padece as chagas no corpo, como a fome, abandono, exilados de suas terras e raízes...
Com Tomé, também digamos – “Meu Senhor e Meu Deus”, e como Tomé, que derramou seu sangue por amor ao Senhor, tenhamos a coragem para ser testemunhas do Ressuscitado. Amém.








