sexta-feira, 22 de maio de 2026

Em poucas palavras...

                                             


Insuficientes instrumentos nas mãos de Deus 

“Amados Irmãos e Irmãs, depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na Vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes”. (1)

 

(1) Papa Bento XVI, no dia de sua eleição (19/4/2005)

  

Amar é muito mais que dizer, amar é viver!

                                                 


Amar é muito mais que dizer, amar é viver!

Uma reflexão à luz da Palavra Proclamada na Sexta-feira da Sétima Semana da Páscoa (At 25, 13b-21; Jo 21, 15-19): Amor, Fidelidade, Sabedoria e Paz!

Na terceira aparição do Ressuscitado, após a Pesca Milagrosa, em atenção à Palavra de Jesus, Ele mesmo interroga Pedro por três vezes se o ama.

Sabemos bem o diálogo de Jesus com Pedro, bem como sua resposta e a ordem de Jesus para que cuide do rebanho… Três vezes Pedro negara o Senhor, agora três vezes afirma o seu amor…

A Misericórdia de Deus jamais deixa de acreditar em nós, apesar de nossas infidelidades, inconstâncias e condição pecadora. Ama-nos, apesar de sermos pecadores!

O Amor…
O amor é essencial!
Nada é possível quando falta o amor, Princípio e Fundamento da Missão Evangelizadora. Sem amor ao Senhor, amor incondicional, não levaremos adiante tão Divina Missão.

Muito mais do que multiplicação de palavras… Amar é tornar a vida intensa e bela com pequenos gestos, que por amor, tornam-se grandes!

Amor é entrega… É superação de limites, vivência da palavra dada, compromissos firmados – compromissos cumpridos, configuração ao Amado, de modo que já não é a pessoa que vive, mas é Cristo que nela vive…

O amor exigido, por Jesus, do Apóstolo implica numa atitude de absoluta fidelidade.

Fidelidade…
Ao Reino; ao Evangelho, à Doutrina, em corajoso testemunho, com coerência e amadurecimento. A fidelidade pressupõe coragem, renúncias, despojamento, jamais retrocessos…

Sabedoria…
Na primeira leitura dos  Atos dos Apóstolos, vemos Paulo anunciando o Cristo Ressuscitado é preso, impedido de realizar sua Missão. Apela à sua condição romana para o julgamento, o que possibilitaria a continuidade da Evangelização, a abertura a outros povos…

Evangelizar exige confiança total no Senhor, mas não nos dispensa da ação com Sabedoria.

O Cristão precisa, em cada tempo, salvaguardar a dignidade e sacralidade da vida, da concepção ao seu declínio natural. Paulo, indiscutivelmente confia no Senhor, e age com Sabedoria fazendo valer seus direitos…

Pedro e Paulo deram com a palavra e a própria vida as suas respostas… Eis a nossa vez.

Paz...
Amando na Fidelidade e com Sabedoria o Discípulo Missionário de Jesus encontrará e fará acontecer a Paz tão almejada, tão necessária.

Em poucas palavras...

                                                




                                          Ligar de desligar

“Jesus confiou a Pedro uma autoridade específica: «Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus» (Mt 16, 19). O «poder das chaves» designa a autoridade para governar a Casa de Deus, que é a Igreja. Jesus, o «bom Pastor» (Jo 10, 11), confirmou este cargo depois da sua ressurreição: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 15-17).

O poder de «ligar e desligar» significa a autoridade para absolver os pecados, pronunciar juízos doutrinais e tomar decisões disciplinares na Igreja. Jesus confiou esta autoridade à Igreja pelo ministério dos Apóstolos e particularmente pelo de Pedro, o único a quem confiou explicitamente as chaves do Reino.”(1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 553

Deus sabe trabalhar com nossa fragilidade

                                                           

Deus sabe trabalhar com nossa fragilidade

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 21,15-19), sobre a conversa do Ressuscitado com Pedro, em  que Jesus pergunta por três vezes se ele O ama, antes de confiar ao mesmo o rebanho, assim como retomemos as palavras do Papa Bento XVI, quando eleito (2005).

"Queridos irmãos e irmãs: Depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram a mim, um simples humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me o fato de que o Senhor sabe trabalhar e atuar com instrumentos insuficientes e, sobretudo, confio nas vossas orações. Na alegria do Senhor ressuscitado, confiados em Sua ajuda permanente,sigamos adiante. O Senhor nos ajudará. Maria, Sua santíssima Mãe, está do nosso lado. Obrigado."

Voltemos ao diálogo de Jesus com Pedro: o Ressuscitado o chama pelo nome, Simão, e não Cefas, como o declarara mais tarde (Jo 1,42). Paralelo possível pode ser feito entre a tríplice negação (Jo 18,15-17.25-27) e a tríplice resposta de amor (Jo 21,15-17). Evidencia-se aqui o que é próprio de toda condição humana, o contraste entre a fraqueza do que foi chamado e a divina missão a qual é chamado. Jesus constitui Pedro como rocha e pastor, não pelos seus méritos, mas pela graça divina. 

Quanto mais fidelidade, mais sólida será nossa fé e mais coerente e profético o anúncio e testemunho, uma vez que Deus não nos trata conforme a nossa lógica, mas com aquela que ultrapassa nossos conceitos, pensamentos. Ele acredita em nós, e por Seu amor está sempre pronto a confiar, acompanhar, capacitar a quem chama...

O perdão que Jesus concede, manifesta-se na misericórdia, na acolhida de quem falhou, criando uma nova possibilidade para o bom cumprimento da responsabilidade que o acompanha.

Numa palavra, perdão que inaugura uma nova realidade, um novo compromisso, um novo olhar, um novo horizonte.

Deus, por Seu Amor e graça, em nós confia, de modo que na acolhida do perdão recebido, aquele que crê, expressa sua alegria numa vida marcada pela gratuidade e compromissos inadiáveis com o Reino.

Quem se sente por Deus amado e perdoado, descobriu e vai redescobrir sempre a verdadeira face de Deus a nós por Jesus revelada. Amados e perdoados, acolhidos e compreendidos, pelo Espírito Santo de Deus assistidos, como afirmou o Papa Bento XVI:

Consola-me o fato de que o Senhor sabe trabalhar e
atuar com instrumentos insuficientes,
confio nas vossas Orações.”   


PS: Reflexão apropriada para a passagem do Evangelho de João (Jo 20,1-19)

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Em poucas palavras...

                                         


Perseverança nas tribulações 

Na passagem da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios (2 Cor 4, 7-15), o Apóstolo Paulo nos fala da centralidade e fundamento de nossa fé: 

a Ressurreição, que confere o verdadeiro sentido à vida cristã, para que não se perca diante do que for efêmero, e tão pouco desanimar diante das incompreensões e dificuldades, aprofundando a coerência exigida daqueles que se propõem a ser discípulos de Jesus Cristo.

 

Acolhamos a chama do Santo Espírito

                                                     

Acolhamos a chama do Santo Espírito
 
Fogo que nos queima e nunca nos consome;
fogo que nos aquece e mais calor queremos...
 
Preparando-nos para a Celebração da Solenidade de Pentecostes, sejamos enriquecidos pelo Comentário do Evangelho de São João, escrito pelo Bispo São Cirilo de Alexandria (séc. V), sobre a ida de Jesus para junto do Pai e a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja:
 
“Cristo tinha cumprido a Sua missão sobre a terra, e para nós havia chegado o momento de entrarmos em comunhão com a natureza divina do Verbo. Era preciso que a nossa vida anterior fosse transformada em outra diferente, começando um novo estilo de vida em santidade. Ora, isto só podia ser realizado pela participação do Espírito Santo.
 
O tempo mais oportuno para o envio do Espírito Santo e sua descida sobre nós foi o que se seguiu à Ascensão de Cristo nosso Salvador.
 
De fato, enquanto Cristo vivia visivelmente entre os Seus fiéis, Ele mesmo, segundo julgo, dispensava-lhes todos os bens. Mas quando chegou o momento estabelecido para subir ao Pai celeste, era necessário que Ele continuasse presente no meio de Seus fiéis por meio do Espírito e habitasse pela fé em nossos corações, a fim de que pudéssemos clamar com toda confiança: ”Aba - ó Pai!’ (Rm 8,15). E ainda nos tornássemos capazes de progredir sem demora no caminho da perfeição, superando com fortaleza invencível as ciladas do demônio e as perseguições dos homens, graças à assistência do Espírito todo-poderoso.
 
Não é difícil demonstrar, com o testemunho das Escrituras, tanto do Antigo como do Novo Testamento, que o Espírito transforma e comunica uma vida nova àqueles em quem habita.
 
O servo de Deus, Samuel, dirigindo-se a Saul, diz: ‘O Espírito do Senhor virá sobre ti e tu te tornarás outro homem’ (cf. 1Sm 10,6). E São Paulo afirma: ‘Todos nós, porém, com o rosto descoberto, contemplamos e refletimos a glória do Senhor, e assim seremos transformados à sua imagem, pelo seu Espírito. Pois o Senhor é Espírito’ (2Cor 3,18.17).
Vês como o Espírito transforma noutra imagem aqueles em quem habita? Facilmente Ele os faz passar do amor das coisas terrenas à esperança das realidades celestes, e do temor e da indecisão à firme e generosa fortaleza de alma. Foi o que sucedeu com os discípulos: animados e fortalecidos pelo Espírito, nunca mais se deixaram intimidar pelos seus perseguidores, permanecendo inseparavelmente unidos e fiéis ao amor de Cristo.
 
É verdade, portanto, o que diz o Salvador: ‘É bom para vós que Eu volte para os céus (cf. Jo 16,7), porque tinha chegado o tempo de o Espírito Santo descer sobre Eles." (1)
 
Acolhamos a chama do Espírito Santo, na fidelidade a Jesus, Caminho, Verdade e Vida, a Palavra da Verdade que nos liberta e santifica:
 
"A Palavra da Verdade santifica o discípulo, afasta-o da lógica mundana e o faz missionário. A consagração na verdade, a libertação e a proteção contra o Maligno não são realidades adquiridas de uma vez para sempre, mas requerem uma fidelidade constante...
 
O Espírito é sempre imprevisível e soberanamente livre. Subverte os planos humanos, inclusive os de Paulo, que deu tudo de si a serviço do Evangelho. É como um fogo devorador que entra na vida de cada um de nós e não deixa para nós um ângulo sequer ou uma dobra do nosso espírito.
 
Só assim, porém, quando formos transpassados pelo fogo do Espírito, nos tornamos transparentes à Sua Palavra e toda a nossa vida se torna testemunho”.   (2)
 
Urge refletir sobre a “fidelidade constante”, que jamais o seria sem a força, presença e ação do Espírito, que age em cada um de nós como fogo devorador que jamais se apaga, e quanto mais nos consome, nos irradia a chama de Seu fogo de Amor, mais felizes nos faz.
 
Acolhamos a chama ardente de Amor do Espírito, sobretudo ao celebrar a Solenidade de Pentecostes.
 
Oremos:
 
Senhor Deus, enviai sobre nós, o Espírito Santo prometido pelo Vosso Filho, quando estava ainda conosco, e nos incendeia com o fogo do Vosso amor!
 
Que o Santo Espírito nos ajude a passar do amor das coisas terrenas à esperança das realidades celestes; do temor e da indecisão à firme e generosa fortaleza de alma, e sejamos conduzidos pela Chama viva do eterno e inflamado Amor Divino, o fogo devorador.
 
Com Ele e por Ele assistidos, como os primeiros discípulos, sejamos animados e fortalecidos na missão evangelizadora, e jamais nos intimidemos por perseguições, provações e dificuldades, permanecendo unidos e fiéis ao amor de Cristo, que nos amou e por nós Se entregou. Amém. Aleluia!
 



(1) Liturgia das Horas – Volume Quaresma/Páscoa Editora Paulus – p. 896-898 
(2)Missal Cotidiano – Editora Paulus


Uma súplica pela paz, concórdia e unidade

                                                                  

Uma súplica pela paz, concórdia e unidade

Retomemos parte do parágrafo do Catecismo da Igreja Católica que nos fala da Comunhão na Santíssima Trindade e o que ela exige de nós, quando aprofunda a Oração do Senhor, o “Pai Nosso”, de modo especial quando dizemos – “...Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Apresenta-nos a Comunhão da Santíssima Trindade como a fonte e o critério da verdade de toda relação, e esta é vivida, na Oração, sobretudo na Eucaristia.

Enriquecedoras são as palavras mencionadas de São Cipriano:

‘Deus não aceita o sacrifício dos que fomentam a desunião; Ele ordena que se afastem do altar para primeiro reconciliarem com seus irmãos: Deus quer ser pacificado com orações de paz. Para Deus, a mais bela obrigação é nossa paz, nossa concórdia, a unidade no Pai, no Filho e no Espírito Santo de todo o povo fiel’” (1).

Oremos:

Ó Deus, ajudai-nos a perdoar sem limites, também aos nossos “inimigos”, como assim fizestes e nos ensinastes – “Pai perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

Ajudai-nos a viver o perdão, testemunho maior de que o amor é mais forte do que o pecado, pois gera vida nova, comunhão e fraternidade.

Concedei-nos Vossa graça, para que jamais fomentemos a desunião onde quer que estejamos, quer na família, comunidade ou no mundo, sempre conduzidos pela Verdade de Vosso Evangelho.

Que jamais nos dirijamos ao Vosso Altar com o coração cheio de mágoa e rancor, mas de coração limpo, para que assim nossas ofertas Vos sejam agradáveis.

Acolhei nossas orações de paz, e ajudai-nos a promover a cultura da vida e da paz, fortalecendo os vínculos da concórdia para viver intensamente a comunhão de amor convosco.

Ajudai-nos a viver Convosco, ó Pai, Eterno Amante; com Vosso Filho, o Eterno Amado, e o Espírito Santo, o Eterno Amor na mais profunda e fecunda comunhão de vida e paz. Amém. 


(1) Citado no Catecismo da Igreja Católica n.2845
São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 23: CCL 3A, 105 (PL 4, 535-536).
(Apropriado para a passagem do Evangelho de São João (Jo 17,20-26)

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