domingo, 15 de março de 2026

Como precisamos do colírio da fé! (IVDTQA)

                                                      

Como precisamos do colírio da fé!

Retomo as palavras de Jacques Monod, prêmio Nobel de medicina, citadas no Missal Dominical para a passagem bíblica da cura do cego de nascença (cf. Jo 9,1-40):

“O homem é um cigano perdido num universo enregelado que lhe é totalmente indiferente”.

O que esta citação quer dizer e o que tem a ver com esta cura?

Assim refletiu o Papa Bento XVI, anos passados:

“O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes.

O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz»”.

Convida-nos à profundidade da fé, abrindo o nosso olhar interior, não permitindo lugares para obscuridades em nossa vida, pois somos filhos da luz como afirma Paulo aos Efésios (Ef  5,8-14).

O Bispo Santo Agostinho assim se expressou:

“Os nossos olhos, irmãos, são agora iluminados pelo colírio da fé”.

Profundidade sim, obscuridade não! Necessitamos deste “colírio da fé”, para uma fé mais profunda, iluminada e iluminadora. As trevas cederão sempre à luz, que emana da Vida Nova do Ressuscitado. Crer no Ressuscitado é certeza de que as trevas cedem lugar à luz, e a morte à vida!

Sem a fé, seríamos como ciganos, vagueando nas penumbras das incertezas, sem um destino auspicioso, sem horizontes e perspectivas, enfim, sem saídas! O mundo, a vida, a nossa história seriam enregelados, tristes, sombrios… De modo que o desânimo e  o caos nos seriam indiferentes.

Mas não! Crendo no Ressuscitado sabemos por onde e com quem caminhar, Jesus. Temos a Verdade que embasa nosso viver, o Evangelho. Temos a vida no tempo presente que se espraia nos deleites da eternidade, o Céu!

“Livrai-nos, Senhor, da cegueira do coração” (IVDTQA)

                                                  


“Livrai-nos, Senhor, da cegueira do coração” 

Aprofundando a Liturgia do 4º Domingo da Quaresma (ano A), que nos apresenta a passagem do Evangelho de João (Jo 9,1-41), sobre o sinal que Jesus realiza, curando o cego de nascença, sejamos enriquecidos com este Comentário escrito pelo Diácono e Doutor da Igreja, Santo Efrém (séc. IV).

“Jesus foi ao encontro de um homem cego de nascença: os discípulos perguntaram a Jesus: Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou os seus pais? Jesus respondeu: Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso é para que as obras de Deus se manifestem nele. É necessário que realizemos as obras d’Aquele que me enviou, enquanto é dia, enquanto Eu estou com vocês. Vem a noite, e o Filho será exaltado, e vós, que sois a luz do mundo, desaparecerão, e não haverá mais milagres por causa da incredulidade.

Dizendo isto, fez barro com Sua saliva e a aplicou sobre os olhos do cego. E a luz brotou da terra, como ao princípio, quando a sombra do céu, a treva cobria tudo e Ele ordenou a luz que surgisse da escuridão.

Desta forma, Ele formou a lama com a saliva, e curou o defeito que existia depois do nascimento, para mostrar que Ele, cuja mão completava o que faltava à natureza, era precisamente Aquele cuja mão deu forma à criação no princípio. 

E como se recusam a crer que Ele era anterior a Abraão, com esta obra provou que era o Filho do Homem que, com a Sua mão, formou o primeiro Adão da terra: na verdade, Ele curou a tara do cego com os gestos do próprio corpo.

Também fez isso para confundir aqueles que dizem que o homem é feito de quatro elementos, porque refez os membros imperfeitos com terra e saliva, fez isso para utilidade daqueles que buscavam milagres para crer: Os judeus buscam milagres. Não foi a piscina de Siloé que abriu os olhos do cego, como não são as águas do Jordão que purificam a Naamã: é a ordem do Senhor que tudo faz. Ainda mais: não é a água de nosso batismo que nos purifica, mas os nomes que se pronunciam sobre ela.

Ele ungiu os seus olhos com barro, para que os fariseus limpem a cegueira do coração. Quando o cego partiu no meio da multidão e perguntou: ‘Onde fica Siloé?’, levava a vista de todos os olhos untados. As pessoas o interrogavam e ele lhes dava a informação; elas o seguiam para ver se os seus olhos continuavam abertos. Aqueles que viam a luz material estavam conduzidos por um cego que viu a luz do Espírito; e, em sua noite, o cego era conduzido por aqueles que viam exteriormente, mas que estavam espiritualmente cegos.

O cego lavou o barro dos seus olhos, e enxergou-se a si mesmo; outros lavaram a cegueira de seu coração, e se examinaram a si mesmo. Deste modo, abrindo exteriormente os olhos de um cego, nosso Senhor abria secretamente os olhos de muitos outros cegos.

Aquele cego foi um belo e inesperado tesouro para nosso Senhor: através dele, adquiriu numerosos cegos que desta maneira também curou da cegueira do coração. Nestas poucas Palavras do Senhor estão escondidos tesouros admiráveis, e nesta cura foi esboçado um símbolo: Jesus, Filho do Criador.

Vai e lava o teu rosto. Para evitar que alguém considere aquela cura mais como um estratagema do que como um milagre, Ele o mandou lavar-se. Disse isso para mostrar que o cego não duvidava do poder de cura do Senhor, e porque, caminhando e falando, manifestasse o acontecimento e mostrasse sua fé.” (1)

Oremos:
Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, curai nossa cegueira do coração, que consiste na cegueira espiritual de não vermos o mundo com os Vossos olhos de misericórdia, amor e bondade.

Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, dai-nos, por Vossa graça, o colírio da fé, para que, de mãos dadas com a esperança, na vivência da virtude da caridade, sejamos sinais de Vossa presença.

Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, vivendo momentos tão difíceis com a pandemia do novo coronavírus, iluminai nossas mentes e coração para sábias e necessárias decisões e compromissos.

Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, curai nossa cegueira, para que consigamos enxergar o Caminho que sois Vós, para continuar carregando nossa cruz de cada dia, sem desânimo ou desespero.

Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, concedei sabedoria e luz para todos os profissionais da saúde, livrando-os de toda enfermidade, para cuidarem dos enfermos a eles confiados.

Senhor Jesus, Vós que curastes o cego de nascença, curai os olhos de todas as lideranças religiosas e sociais, para que cuidem e promovam, com serenidade e sabedoria, o necessário cuidado com a vida de todos. Amém.

“Pai Nosso que estais nos céus...”



(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.66-67
PS: Escrito em março de 2020

As duas posturas: cegueira e visão (IVDTQA)

                                                    

As duas posturas: cegueira e visão

A cura do cego de nascença realizada por Jesus foi para que se manifestassem as obras de Deus, que se revela como a Divina Fonte de misericórdia, comunicando luz para quem em Sua Palavra confia (Jo 9,1-42).

Jesus, enquanto presente na comunidade é a luz do mundo, missão que depois será confiada aos discípulos, com a Sua Ressurreição (Mt 5,14).

Diante do sinal temos duas posturas distintas: cegueira e visão. Da parte dos fariseus, a cegueira. Diante do cego de nascença, a visão recuperada, alcançada porque acreditou no Senhor, confessou a fé em Jesus como o Messias esperado.

Uma passagem do Evangelho em que se revela a cegueira dos fariseus e o alto grau de visão daquele que tinha sido curado; visão alcançada por etapas e contra todas as dificuldades, indiferença da parte de alguns, perseguição e expulsão da comunidade da parte dos fariseus.

Os fariseus presos à rigidez e à frieza da prática da Lei, cegos pelos esquemas mentais legalistas, se recusaram a admitir que, realmente, foi Jesus quem restituiu a visão ao cego de nascença.

Era impossível reconhecer a ação libertadora de Jesus, sobretudo porque para eles as Escrituras afirmavam que o Messias, quando viesse, curaria todos os cegos.

Como acreditar em alguém que viola a Lei do sábado, o dia do descanso? Como realizar sinais em nome de Deus, ainda mais dia de sábado, sem fidelidade às leis religiosas do povo?

O cego de nascença, de outro lado, tem a graça da visão física e a visão mais sublime, ou seja, a visão interior, que consiste na visão da fé.

Momento expressivo desta passagem do Evangelho: a confissão de fé do cego curado pelo Senhor: −“Eu creio, Senhor!”, e se prostrou diante d’Ele em adoração.

Duas posturas tão diferentes que questionam também nossa postura. Podemos ficar numa condição de cegueira absoluta, envoltos nas trevas do pecado, ou recuperar a visão a partir da ação de Jesus em nossa vida, confiando plenamente em Sua Palavra, que nos faz verdadeiramente livres e luminosos; fazendo crepitar mais forte a chama da fé, que um dia, em nosso Batismo, foi acesa no Círio Pascal, sinal do Cristo Ressuscitado, a Luz do mundo, que resplandeceu na escuridão da noite, testemunhada na madrugada da Ressurreição.

Concluo com a Oração depois da Comunhão feita na Missa no quarto Domingo da Quaresma (Ano A):

“Ó Deus, luz de todo ser humano que vem a este mundo,
iluminai nossos corações com o esplendor da Vossa graça,
para pensarmos sempre o que Vos agrada
e amar-Vos de todo o coração.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém!”

Enriquecidos e fortalecidos pelos Prefácios da Quaresma

        

    

Enriquecidos e fortalecidos pelos Prefácios da Quaresma

 
A fim de vivermos mais intensamente o itinerário quaresmal que iniciamos com a Quarta-feira de cinzas, sejamos enriquecidos por parte dos Prefácios, pela Igreja oferecidos neste Tempo (devendo ser escolhido conforme a indicação litúrgica do dia, de acordo com o Evangelho proclamado):

Prefácio da Quaresma I – O sentido espiritual da Quaresma:

“Todos os anos concedeis a vossos fiéis a graça de se prepararem para celebrar os sacramentos pascais, na alegria de um coração purificado, para que, dedicando-se mais intensamente à oração e às obras de caridade e celebrando os mistérios pelos quais renasceram, alcancem a plenitude da filiação divina."

 Prefácio da Quaresma II – A penitência espiritual:

"Pois estabelecestes este tempo privilegiado de salvação, para que vossos filhos e filhas, livres dos afetos desordenados, recuperem a pureza do coração, e, usando as coisas que passam, dediquem-se mais às que não passam."

Prefácio da Quaresma III – Os frutos da abstinência:

"Vós quisestes que vos rendêssemos graças, por meio da abstinência, para que, por ela, nós pecadores, moderemos nossos excessos, e, partilhando o alimento com os necessitados, sejamos imitadores da vossa bondade."

Prefácio da Quaresma IV – Os frutos do Jejum:

“Pelo jejum quaresmal, corrigis nossos vícios, elevais nosso espírito, e nos dais força e recompensa, por Cristo, Senhor nosso."

Prefácio da Quaresma V – O Êxodo no deserto Quaresmal:

'Vós reabris para a Igreja, durante esta Quaresma, a estrada do êxodo, para que ela, aos pés da montanha sagrada, humildemente tome consciência de sua vocação de povo da Aliança, convocado para cantar vossos louvores, escutar Vossa Palavra e experimentar os vossos prodígios."

Prefácio do Primeiro Domingo da Quaresma – A tentação do Senhor:

"Jejuando quarenta dias, Jesus consagrou a observância quaresmal, e desarmando as ciladas da antiga serpente, ensinou-nos a vencer o fermento da maldade, para que, pela digna celebração do mistério pascal, passemos, um dia, à Páscoa eterna."

Prefácio do Segundo Domingo da Quaresma – A Transfiguração do Senhor:

"Tendo predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o Seu esplendor. E com o testemunho da Lei e dos Profetas, nos ensina que, pela paixão, chegará à glória da ressurreição."

Prefácio do Terceiro Domingo da Quaresma – quando for proclamado o Evangelho da Samaritana:

“Ao pedir a Samaritana que lhe desse de beber, Jesus suscitava nela o dom da fé; e tão grande era sua sede pela fé dessa mulher, que acendeu nela o fogo do vosso amor."

Prefácio do Primeiro Quarto Domingo da Quaresma – quando for proclamado o Evangelho do cego de nascença:

“Pelo mistério da encarnação, Jesus conduziu à luz da fé a humanidade que caminhava nas trevas, e elevou à dignidade de filhos e filhas os nascidos da escravidão do pecado, fazendo-os renascer das águas do Batismo.”
 
Prefácio do Quinto Domingo da Quaresma – quando for proclamado o Evangelho de Lázaro:
 

“Sendo Ele verdadeiro homem, chorou o amigo Lázaro e, Deus eterno, do túmulo o tirou. Compadecido da humanidade, leva-nos à vida nova pelos mistérios pascais"
 
Os Prefácios fundamentados nas páginas dos Evangelhos nos inserem profundamente no Mistério da Paixão e Morte do Senhor, para com Ele também ressuscitarmos.

Muito oportuno retomá-los, no silêncio de nosso quarto, conforme lemos na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 6,1-18).

Sejamos fortalecidos no bom combate da fé, vencendo as tentações que se apresentarem em nossa caminhada penitencial, ressoando em nossas vidas a Liturgia celebrada e em nosso coração mais que entranhada, para frutos pascais produzirmos. Amém.

Os sete sinais no Evangelho no quarto Evangelho

                                   


Os sete sinais no Evangelho no quarto Evangelho

Na primeira parte da sua obra, João Apóstolo e Evangelista, procura nos revelar quem é Jesus Cristo e sua missão, bem como apresentar a Sua natureza divina, e nos apresenta através de sete sinais:

  • As bodas de Caná (Jo 2,1-12)
  • A Cura do filho de um funcionário real (Jo 4,43-54)
  • A Cura do enfermo na piscina de Betesda (paralítico) (Jo 5,1-47)
  • A Multiplicação dos pães (Jo 6,1-15)
  • O Caminhar sobre as águas do mar (Jo 6,16-70)
  • A Cura do cego de nascença (Jo 9,1-41)
  • A Ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-54)

 

Curai-me, Senhor, Te suplico

                                                   


Curai-me, Senhor, Te suplico
 
Senhor, quero a cada dia ser tocado por Ti, 
e renovo no coração a alegria 
de ser Teu discípulo missionário 
ao ter recebido o dom da fé.
 
Desde aquele memorável dia, pelos meus pais e padrinhos, 
fui predisposto a me abrir à escuta da Palavra 
e à contemplação do Teu Mistério, 
com vistas ao compromisso do anúncio e testemunho da fé em Ti.
 
Desde aquele dia, fui acolhido 
para um itinerário batismal, 
ingressando numa nova vida 
que culmina na glória da eternidade.
 
Senhor:
 
- que meus “olhos" tenham a capacidade de ver 
e reconhecer na fé em Ti, o Filho de Deus, 
presente em nossa caminhada 
e em todo o nosso viver;
- que meus “ouvidos'" expressem a disponibilidade 
para a escuta dócil de tudo 
o que a Tua Divina Palavra revela gradualmente, 
como uma resposta contínua na vivência e obediência da fé;
- que minha "língua" adquirira a voz do testemunho, 
porque iluminado pela fé 
e confortado pela Tua Palavra que salva.
 
Assim, Senhor, já não precisarei, como batizado, 
de óculos especiais para ver ao longe, 
nem de auscultadores para ouvir a mensagem por Ti proposta, 
nem de megafone para fazer ouvir 
a voz do testemunho, 
porque minha voz será o meu agir, 
que se tornará uma mensagem 
convincente, iluminada e iluminante.
 
Glorifico a Ti pela graça de me fazer partícipe de Tua Igreja, 
a família de Deus, pela graça do Batismo, 
e por me conduzir sempre em um novo estilo de vida, 
que há de se aproximar cada vez mais do Teu estilo, 
e do Teu e nosso Pai, 
com a força e a luz do Santo Espírito.
 
E assim, vejamos e sirvamos a Ti em nosso próximo, 
sobretudo os empobrecidos, 
com os quais Te identificaste e neles fizeste Tua morada.
 
Enfim, Senhor, como arauto de Tua Palavra, 
anuncie ao mundo que a vida não é assim tão má, 
como proclamam os profetas de morte, 
que anunciam o fim iminente de tudo 
e de todas as esperanças.
 
Que eu seja instrumento de Tua  ação curativa, 
proclamando Teu poder e Teu Amor,  
presente e próximo de cada coração pobre, 
misericordioso e humilde.
 
Senhor Jesus, que fizeste ouvir os surdos e falar os mudos,
Me conceda escutar a Tua Palavra e professar a fé em Ti
Para louvor e glória de Deus Pai, na comunhão com Teu Espírito.
Amém.
 
 
PS: Livre adaptação Lecionário Comentado – Editora Paulus - pp. 289-291 - Evangelho de Mc 7,31-37.

Apropriado para a passagem do Evangelho de São João (Jo 9,1-42)

A procura de um caminho de luz

                                                        

A procura de um caminho de luz

Esta "Carta de Barnabé" escrita por autor anônimo, no século II. ajuda-nos na procura de respostas para nossas "noites escuras da alma".

Eis o caminho da luz: se alguém deseja chegar a determinado lugar, que se esforce por seu modo de agir. Foi-nos dado saber como andar por este caminho: amarás quem te criou.

Terás veneração por quem te formou; darás glória a quem te remiu da morte. Serás simples de coração e rico de espírito; não te juntarás aos que andam pelo caminho da morte. Terás aversão por tudo quanto desagrada a Deus; odiarás toda simulação; não desprezes os mandamentos do Senhor.

Não te exaltes a ti mesmo, sê humilde em tudo; não procures tua glória. Não trames contra teu próximo; não te entregues à arrogância. Ama teu próximo mais do que a tua vida. Não mates o feto por aborto, nem depois do nascimento.

Não retires a mão de teu filho ou de tua filha e, desde a infância, ensina-lhes o temor do Senhor. Não cobices os bens de teu próximo nem sejas avaro; não te unas de coração aos soberbos, mas sê amigo dos humildes e justos.

Tudo quanto te acontecer, recebe-o como um bem, sabendo que nada se faz sem Deus. Não sejas inconstante nem usarás duplicidade no falar; na verdade, é laço de morte a língua dúplice.

Partilharás tudo com teu próximo e não dirás ser propriedade tua o que quer que seja; se sois coerdeiro das realidades incorruptíveis, quanto mais daquilo que se corrompe.

Não serás precipitado no falar, pois a boca é um laço de morte. Tanto quanto puderes, em favor de tua alma, sê casto. Não tenhas a mão estendida para receber e, encolhida, para dar.

Ama como a pupila dos olhos todo aquele que te dirigir palavra do Senhor. Relembra, dia e noite, o dia do juízo e procura diariamente a presença dos santos, estimulando pela palavra, exortando e meditando como salvar a alma por tua palavra ou trabalhar com tuas mãos para a remissão dos teus pecados.

Não hesites em dar nem dês murmurando; bem sabes quem é o bom remunerador da dádiva. Guarda o que recebestes, sem tirar nem por. Seja-te perpetuamente odioso o Maligno. Julgarás com justiça. Não fomentes dissídios, mas esforça-te por restituir a paz, reconciliando os contendores. Confessa teus pecados.

Não vás à Oração, de má consciência. Este é o caminho da luz.”                 
Procuramos e precisamos de um caminho de luz para as noites escuras de nossa alma, noites escuras de nossa existência; às vezes subitamente presentes; teimosamente persistentes…

Reflitamos:

- Quais as luzes que se acenderam em nosso caminho com a reflexão desta    Carta?
- Como fazer para que as luzes cheguem a quem estiver precisando?

Como discípulos missionários, 
peregrinos da esperança,
vigilantes na espera do Senhor que virá gloriosamente, 
precisamos evangelizar,
proclamar a Palavra,
 irradiando a luz divina para quem mais precisa.
Iluminados e iluminantes no mundo seremos. 
Amém.

PS: Oportuno para o 4º Domingo da Quaresma - Ano A

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