sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Em poucas palavras... (IIDTCA)

                                                               


O início da vida pública de Jesus

“O início (Lc 3,23) da vida pública de Jesus é o seu batismo por João, no rio Jordão (At 1,22). 

João pregava «um batismo de penitência, em ordem à remissão dos pecados» (Lc 3, 3).

Uma multidão de pecadores, publicanos e soldados (Lc 3,10-14), fariseus e saduceus (Mt 3,7) e prostitutas vinha ter com ele, para que os batizasse. «Então aparece Jesus».

O Batista hesita, Jesus insiste: e recebe o batismo. Então o Espírito Santo, sob a forma de pomba, desce sobre Jesus e uma voz do céu proclama: «Este é o meu Filho muito amado» (Mt 3,13-17). 

Tal foi a manifestação («epifania») de Jesus como Messias de Israel e Filho de Deus.” (1)

 

(1)               Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 535

Como encontrar a autêntica felicidade? (IIDTCA)

                                                          


Como encontrar a autêntica felicidade?

Anos passados, celebrando em uma Capela da Diocese de Guarulhos, c
ontemplei uma assembleia marcada pela simplicidade, acolhida, calor humano... Era possível perceber as dificuldades nos traços comuns, estampados em cada rosto:

As faces com seus traços e marcas, olhos com suas luzes ou ausência, são como espelhos, ainda que tentemos disfarçar.

Aquela Missa ficou marcada também pelos cantos, desenvolvimento litúrgico, o enlevo espiritual, a chama viva do Espírito, que sempre nos acompanha, queima, arde, renova.

Inesquecível ainda o refrão do Salmo 39, cantado naquela manhã de Domingo:

“Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a Vossa vontade!” 

O flautista introduzindo o canto e as almas elevando, os violões, a voz da salmista, fazendo vibrar as cordas da garganta, com a unção do Espírito, emergindo do mais profundo do coração onde o amor habita. Deus é Amor, o Espírito é Sua comunicação.  

Na Homilia, enfatizei a Missão do Cordeiro Jesus Cristo; as características de João Batista que a comunidade deve imitar, e que não são poucas: que Cristo apareça e nós diminuamos; fidelidade até o fim; ver o Senhor e, d’Ele, dar testemunho, à luz do Evangelho (Jo 1, 29-34). 

Na perfeita sintonia, a primeira Leitura (Is 49, 3.5-6) falava do servo do Senhor e a missão de ser luz das nações, sendo que a nós cabe anunciar e dar testemunho desta luz, como João o fez.

A segunda Leitura (1Cor 1,1-3) nos inspirou a falar da vocação como dom de Deus e resposta nossa; o convite à santidade, pois o mundo tem necessidade de santos no mais belo e perfeito sentido.

Santidade entendida como fazer com prazer a vontade do Senhor, sendo, no mundo, comunicadores da graça e instrumentos da paz, como a saudação paulina na carta mencionava.

Concluindo a Homilia, assim como ao final da Missa, pedi à Equipe que cantasse novamente o refrão, para que o retomássemos para ao longo da semana, para renovar a disponibilidade e alegria na realização da vontade de Deus.

Muitas vezes em nome do realizar a própria vontade, estabelece-se uma relação de escravidão de si mesmo, talvez uma das piores escravidões: escravidão da própria vontade, sem levar em conta o outro e o outro, entendendo o primeiro como o próximo, e o segundo como a Suprema Divindade.

Somente na fidelidade à vontade de Deus é que faremos o encontro com a felicidade e a liberdade. Talvez por isto muitos, dela, se distanciaram, mas podem ainda reencontrá-la...

O Cálice Sagrado do qual participamos jamais será fuga, mas Bebida que nos sacia, inebria e nos fortalece, porque também do Pão Sagrado comemos, que é o próprio Corpo do Senhor, dado em Comida e Alimento para que, fiéis a Deus, vivamos tão preciosos Mandamentos...

Reflitamos:

- Estamos, como cristãos, fazendo, com prazer, a vontade do Senhor?
        - Qual é a vontade que o Senhor tem para cada um de nós?
- Sou escravo de minhas vontades ou gozo da liberdade encontrada no realizar da vontade de Deus?

É preciso ter coragem de ouvir Deus falar, é preciso maturidade, abertura para perceber qual Sua vontade, que não necessariamente será a nossa vontade, porque infinitamente superior.

Quanto mais for inflamado nosso coração pelo amor divino, quanto mais for por Cristo seduzido, mais gozo, deleite, prazer, contentamento, felicidade teremos, por isto continua ressoando em meus ouvidos o refrão do Salmo:

- “Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer faço a Vossa vontade!”. 

Oremos:

Nossa Senhora, Mãe e Mestra que disseste: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua vontade”, ensina-nos, como filhos, a fazer o mesmo.

Cristo Senhor, que também no Horto, Te puseste totalmente na mão de Deus, ajuda-nos a repetir e fazer como fizeste: “Pai, se possível, afasta de mim este cálice, mas que seja feita a Tua vontade...”.

Professemos nossa fé com coragem e humildade (IIDTCA)

                                                                


Professemos nossa fé com coragem e humildade

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 1,29-34), em que João Batista nos apresenta Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado mundo.

Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Quotidiano, Dominical e Ferial:

“Tanto ao crente como à Igreja, o verdadeiro rosto de Jesus vai-se revelando pouco a pouco, ao longo de um itinerário de fé percorrido lenta e laboriosamente. Isto acontece com todos, mesmo com aqueles que tiveram a graça de uma iluminação fulgurante” (1)

E continua:
“Mas ninguém pode pretender ‘conhecer’ plenamente o Senhor, antes de ter chegado à tão ansiada visão face a face (1 Cor13,12). Por mais firme que seja, a profissão de fé deverá continuar a ser humilde” (2)

Assim haveremos de viver a fé, como um “itinerário” a ser percorrido, “lenta e laboriosamente”.

Desafios, provações, lapidações, encontraremos ao testemunhá-la, mas tão somente assim, será acrisolada, purificada e fará resplandecer o amor, a bondade, a força e luz divinas.

Tão somente assim, carregaremos com fidelidade a Cruz que nos foi proposta no seguimento do Senhor, que não nos chamou com falsas e ilusórias promessas.

É próprio do amor de Deus a transparência em Suas propostas, para que O acolhamos e O sigamos com toda liberdade, coragem, despojamento, disponibilidade no carregar da cruz cotidiana.

Seja, portanto, nossa fé amadurecida dia pós dia, e revigorada em cada Banquete Eucarístico que participamos, para que nossa profissão de fé seja firme e humilde e faça resplandecer a luz divina na escuridão da noite.

Oremos:

Dai-nos ó Deus a luz do Vosso Espírito, para que no seguimento de Vosso Filho, percorramos o itinerário da fé, firmados pela âncora da esperança, e inflamados pelo fogo da caridade. Amém.



(1) (2) – Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa – 2012 – p.1095

“Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (IIDTCA)

                                                     


“Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”

Naquele dia, João apresentou Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, palavras que ouvimos em todas as Eucaristias que celebramos, antes de recebermos o Corpo e Sangue do Senhor (cf. Jo 1,29-34).

Esta expressão “Cordeiro de Deus” remete-nos a duas imagens distintas e, ao mesmo tempo, convergentes:

- a primeira é a imagem do Servo de Javé, “como um Cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda diante dos tosquiadores”, como nos falou o Profeta Isaías (Is 53,7);

- a segunda é a imagem do cordeiro do sacrifício pascal. Sendo Jesus o Cordeiro que tira o pecado do mundo.

Sendo Jesus o Cordeiro que tira o pecado do mundo, é para aqueles que n’Ele creem:

o Servo sofredor, que Se deixa levar ao matadouro sem abrir a boca (Is 53,7);

- Aquele que carrega os pecados das multidões (Is 53,12);

o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel na primeira Páscoa (Ex 12,3-14; Jo 19,36; 1 Cor 15,7);

- e toda a Sua vida manifesta a Sua missão“servir e dar a vida como resgate pela multidão” (Mc 10,45).

Portanto, seguir Jesus Cristo, “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, é pôr-se a caminho, no seguimento d’Aquele que Se fez Servo por amor, em total fidelidade ao Pai, carregando nossos pecados e deles nos redimindo.

Deste modo, alimentados do Cordeiro Pascal, que é o próprio Jesus, continuemos a Sua missão, tendo d’Ele mesmos sentimentos, fazendo da nossa vida doação e serviço, sobretudo aos que mais precisam.

Seja a saudação e exortação de Paulo aos Coríntios (1 Cor 1,1-3) acolhida por nós, e renovemos o desejo e compromisso de viver a santidade a que fomos chamados, enriquecidos e cumulados com a graça e a paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.


Fonte: Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 608

Em poucas palavras... (IIDTCA)

                                                                  


“Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino...”

"Jesus convida os pecadores para a mesa do Reino: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 17).

Convida-os à conversão sem a qual não se pode entrar no Reino, mas por palavras e atos, mostra-lhes a misericórdia sem limites do Seu Pai para com eles e a imensa «alegria que haverá no céu, por um só pecador que se arrependa» (Lc 15, 7).

A prova suprema deste amor será o sacrifício da Sua própria vida, «pela remissão dos pecados» (Mt 26, 28)."

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 545

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Confiança, serenidade e paciência

                                                    


Confiança, serenidade e paciência


Assim, rezamos nas Vésperas da Liturgia das Horas:

“A Deus, que tudo pode realizar superabundantemente, e muito mais do que nós pedimos ou concebemos, e cujo poder atua em nós, a Ele a glória, na Igreja e em Jesus Cristo, por todas as gerações, para sempre. Amém.” (Ef 3,20-21)

Pode acontecer que Deus não nos atenda de imediato, mas sempre nos dará algo por antecipação, manifestando Sua presença e bondade.

Importa que a nossa oração seja confiante e persistente, colocando-nos nas mãos de Deus, confiando em Sua divina providência.

Quem somos para questionar o tempo e a resposta de Deus aos nossos clamores e situações, ainda que difíceis, por que possamos passar?

Acompanhem nossas orações, portanto, a necessária confiança, a serenidade e a paciência, fazendo o que nos for próprio, sem transferências de responsabilidades a Deus, que tanto nos ama.

Quem nos amou tanto assim, dando-nos o Seu Filho único a morrer na cruz para que a vida eterna tenhamos (cf. Jo 3,16)?

Seu amor se manifesta na presença e ação do Santo Espírito, que nos anima, conduz e renova nossa esperança, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do Espírito Santo (cf. Rm 5,5).

Não precisamos de talismãs

Não precisamos de talismãs

Não podemos reduzir Deus,
e tudo que nos leve a Ele, a talismãs...

Uma reflexão à luz da passagem do Primeiro Livro de Samuel (1 Sm 4,1-11), façamos.

Uma trágica derrota do Povo de Deus para os históricos inimigos filisteus, um povo proveniente, provavelmente, de Creta, no tempo da grande migração (Séc. XII a.C.), quando os conflitos eram constantes com Israel devido às questões de território.

A batalha e a derrota do Povo de Deus para os filisteus parecia ser a derrota de Deus. Mas como é possível que Deus único e verdadeiro seja vencido?

Samuel interpretará esta derrota não como a derrota de Deus, mas como consequência do pecado do povo, e o maior de todos eles: a idolatria.

Ter a Arca, que é o sinal da Aliança entre Deus e Israel, não basta. É necessário antes que seja fiel à Aliança para ter vida e vitória.

Israel reduziu a Arca a um talismã, pronto para proteger o exército num momento de perigo. Deste modo, a manipulação da vontade divina em vantagem própria se transformou em derrota militar:

“Deus suporta muito bem a derrota, desde que sirva para ensinar a Israel que Ele não é um ídolo que se pode utilizar como talismã. Pede então ao povo fidelidade à Aliança” (1)

Numa rápida consulta ao dicionário, encontramos uma simples definição para a palavra “talismã”: objetos dotados de poder que dão sorte; poderes mágicos com efeitos repentinos e fantásticos.

Não podemos reduzir Deus, e tudo que nos leve a Ele, a talismãs que nos deem sorte, êxito em qualquer coisa que façamos.

Não adianta termos um belo crucifixo de ouro no pescoço, será tão apenas ornamento.

Se imagem de algum Santo tivermos em nossas casas, procuremos antes de tudo imitar as sagradas virtudes e ensinamentos que nos deixaram na fidelidade ao Senhor, pois nisto consiste a verdadeira devoção, a imitação de suas virtudes e exemplos, e assim podemos contar também com sua valiosa ajuda diante de Deus, porque na glória se encontram.

Não adianta a Bíblia na bolsa, na estante ou mesmo debaixo do braço, antes ela deve estar impressa em nossa alma, em nosso coração, de modo que toda a nossa vida seja a expressão de suas linhas e conteúdo.

De nada adiantou a Arca sem a Fidelidade do Povo de Deus à Sua Vontade, aos Seus desígnios. A idolatria consistiu no abandono do verdadeiro Deus e de Seu Projeto de vida e paz para Seu Povo.

Portanto, que os objetos palpáveis e visíveis do Sagrado nos ajudem a ver que a vida do outro é sagrada, que a fidelidade a Deus e à Sua Palavra não pode ser esquecida, empobrecida.

Providenciais, para que não fiquem quaisquer resquícios de dúvidas ou controvérsias, são os esclarecimentos que nos oferece o Catecismo da Igreja Católica:

“Com base no Mistério do Verbo encarnado, o sétimo Concílio Ecumênico, de Niceia (ano de 787) justificou, contra os iconoclastas, o culto dos ícones: dos de Cristo, e também dos da Mãe de Deus, dos Anjos e de todos os Santos. Encarnando, o Filho de Deus inaugurou uma nova «economia» das imagens.

O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro Mandamento, que proíbe os ídolos. Com efeito, «a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original» e «quem venera uma imagem venera nela a pessoa representada». A honra prestada às santas imagens é uma «veneração respeitosa», e não uma adoração, que só a Deus se deve:

«O culto da religião não se dirige às imagens em si mesmas como realidades, mas olha-as sob o seu aspecto próprio de imagens que nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à imagem enquanto tal não se detém nela, mas orienta-se para a realidade de que ela é imagem».” (Catecismo da Igreja Católica, 2131-2132.)

Diante do Sacrário, diante do Santíssimo nos prostremos, e tenhamos a coragem de abrir o nosso coração e de ouvir o que Deus pede e espera de nós. Lá não está um símbolo, um talismã ou algo qualquer; no Sacrário está o próprio Deus nos convidando ao diálogo, à confiança, à sinceridade, à coragem, à disponibilidade, ao ardor na missão, como discípulos missionários Seus.

Em Deus confiando e a Ele nos abrindo, vitórias teremos, de talismã não precisaremos, porque neles não confiamos, pois tão somente em Deus e em Sua Palavra a necessária confiança depositamos.

Fé autêntica dispensa talismãs.


(1) Lecionário Comentado - Volume Tempo Comum - Editora Paulus - Lisboa - pág. 48.

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