domingo, 30 de novembro de 2025

Aprendendo com André e Pedro... (I)

                                

Aprendendo com André e Pedro...

A Igreja celebra, no dia 30 de novembro, a Festa do Apóstolo Santo André, nascido em Betsaida, sendo primeiramente discípulo de João Batista, depois seguiu a Cristo, e O conhecendo O levou à presença de Pedro.

Sejamos enriquecidos com esta Homilia do Bispo São João Crisóstomo (séc. IV):

“André, tendo permanecido com Jesus e aprendido com ele muitas coisas, não escondeu o tesouro só para si, mas correu depressa à procura de seu irmão, para fazê-lo participar da sua descoberta.

Repara o que lhe disse: Encontramos o Messias (que quer dizer Cristo) (Jo 1,41). Vede como logo revela o que aprendera em pouco tempo! Demonstra assim o valor do Mestre que o persuadira, bem como a aplicação e o zelo daqueles que, desde o princípio, já estavam atentos. 

Esta expressão, com efeito, é de quem deseja intensamente a Sua vinda, espera Aquele que deveria vir do céu, exulta de alegria quando Ele Se manifestou, e se apressa em comunicar aos outros a grande notícia.

Repara também a docilidade e a prontidão de espírito de Pedro. Acorre imediatamente. E conduziu-o a Jesus (Jo 1,42), afirma o Evangelho. Mas ninguém condene a facilidade com que, não sem muita reflexão, aceitou a notícia. É provável que o irmão lhe tenha falado pormenorizadamente mais coisas.

Na verdade, os evangelistas sempre narram muitas coisas resumidamente, por razões de brevidade. Aliás, não afirma que acreditou logo, mas: E conduziu-o a Jesus (Jo 1,42), e a Ele o confiou para que aprendesse com Jesus todas as coisas. Estava ali, também, outro discípulo que viera com os mesmos sentimentos.

Se João Batista, quando afirma: Eis o Cordeiro e batiza no Espírito Santo (cf. Jo 1,29-33), deixou mais clara, sobre esta questão, a doutrina que seria dada pelo Cristo, muito mais fez André.

Pois, não se julgando capaz de explicar tudo, conduziu o irmão à própria fonte da luz, tão contente e pressuroso, que não duvidou sequer um momento.”

André também apresentou Cristo aos pagãos, e na multiplicação dos pães apresentou o rapaz que tinha consigo alguns pães e peixes.

Logo após Pentecostes, pregou o Evangelho em muitas regiões tendo sido crucificado na Acaia.

Celebrando a Festa de Santo André, o Apóstolo, como Igreja Sinodal que somos, sejamos revigorados na missão que o Senhor nos confiou, para que como peregrinos da esperança, correspondamos ao mandato do Senhor: ir pelo mundo e anunciar o Seu Evangelho com renovado zelo, amor e ardor.

Aprendendo com André e Pedro... (II)

                                                                                               

Aprendendo com André e Pedro... 

Aprendamos com André que, tendo encontrado o Senhor, conduzir muitos até Ele, não apenas pelo falar sobre Ele, mas revelando ao outro, pela vida, o quanto o nosso encontro com Ele nos transformou.

Encontrando-se verdadeiramente com o Senhor é impossível retê-Lo, ocultá-Lo, esquecê-Lo. Nunca mais a vida de quem O encontrou será a mesma. 

Feliz quem O encontrou e sabe levar o outro à mesma experiência e encontro transformador.

Haveremos de aprender com André a ouvir o que o Senhor tem a nos dizer, para poder falar “pormenorizadamente” tudo que Ele comunicou ao mais profundo de nosso íntimo, de nossas entranhas, de nosso coração, e não apenas aos nossos ouvidos. 

Aprender com André a fazer o encontro da intimidade, amizade e configuração com Jesus, como aconteceu naquele dia.

Com ele, aprendemos a anunciar, a testemunhar, a doar a vida com coragem e fidelidade até o fim.

Aprendemos amar a Igreja (Corpo) por amor a Cristo (cabeça), completando na carne o que falta à Paixão de Cristo por amor à Sua Igreja, como afirmou o Apóstolo Paulo (Cl 1,24).

Também nos ensina a docilidade e a prontidão, para anunciar a Palavra do Senhor, sem superficialidade, mas na abertura e entrega, ainda que lenta, mas para sempre, porque profunda, porque lhe permitiu a entrada e morada em si para sempre.

Haveremos de aprender com André o consumir-se de amor por Jesus, pois somente assim nossa vida se tornará refulgente da mais bela luz, que tem sua origem na Divina Fonte de luz. Haveremos de aprender, haveremos de viver como viveu. 

Também nós, a exemplo de André, Pedro e os Apóstolos, o mesmo testemunho ao mundo podemos dar.

Que nossa fé seja a mais perfeita configuração a Cristo Rei e Senhor do Universo, para que Seu Reino, de fato, seja Eterno e Universal, o Reino da verdade, da santidade, da graça, do amor, da paz... E, quanto mais digamos acerca do Reino do Senhor, ainda nada o dissemos.

Haveremos de aprender com eles a não economizarmos esforços, numa vigilância de caridade ativa até que Ele venha. Esta é a nossa esperança, acompanhada da mais frutuosa e germinadora fé. Amém.

sábado, 29 de novembro de 2025

Esperamos Vossa vinda gloriosa

                                                                


Esperamos Vossa vinda gloriosa

Sejamos enriquecidos por dois parágrafos do Catecismo da Igreja Católica:

“As afirmações da Sagrada Escritura e os ensinamentos da Igreja a respeito do Inferno são um apelo ao sentido de responsabilidade com que o homem deve usar da sua liberdade, tendo em vista o destino eterno.

Constituem, ao mesmo tempo, um apelo urgente à conversão: «Entrai pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que levam à perdição e muitos são os que seguem por eles. Que estreita é a porta e apertado o caminho que levam à vida e como são poucos aqueles que os encontram!» (Mt 7, 13-14):

‘Como não sabemos o dia nem a hora, é preciso que, segundo a recomendação do Senhor, vigiemos continuamente, a fim de que, no termo da nossa vida terrena, que é só uma, mereçamos entrar com Ele para o banquete de núpcias e ser contados entre os benditos, e não sejamos lançados, como servos maus e preguiçosos, no fogo eterno, nas trevas exteriores, onde «haverá choro e ranger de dentes’»’” (Lumen Gentium n.48)”. (1)

Vejamos segundo parágrafo:

“Em Jesus, «o Reino de Deus está perto». Ele apela à conversão e à fé, mas também à vigilância. Na oração (Mc 1, 15), o discípulo vela, atento Aquele que é e que vem, na memória da sua primeira vinda na humildade da Carne e na esperança da sua segunda vinda na Glória (Mc 13; Lc 21,34-36). Em comunhão com o Mestre, a oração dos discípulos é um combate; é vigiando na oração que não se cai na tentação (Lc 22,40.46)”.  (2)

Caminhando para o final de mais um ano Litúrgico, é sempre tempo oportuno, como discípulos missionários do Senhor, avaliarmos o modo como vivemos a missão que Ele nos confia.

Reflitamos:

- Como vivemos a vigilância na espera do Senhor que virá gloriosamente?

- Quais são os momentos de oração e a qualidade destes na espera no Senhor que veio, vem e virá?

- Quais são as tentações que nos afastam do Senhor, Sua Pessoa, Palavra e Projeto do Reino?

- Como vivemos a liberdade e responsabilidade em nossas escolhas na espera do Senhor?

- Tem sido a nossa vida (pensamentos, palavras e ações) conduzida pela Sabedoria Divina do Santo Espírito que nos assistes e nos ilumina?

Oremos:

Concedei-nos, ó Deus, viver uma fé vigilante e inquebrantável; uma esperança ativa e comprometida, a fim de que sejamos sinais e instrumentos da caridade que jamais passará, em plena comunhão com Vosso Amado Filho, que veio na humildade da carne e virá gloriosamente no final dos tempos, e animados pelo Vosso Espírito. Amém.

 

 

(1)         - Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.1036

(2)         - Idem n.2612


PS: Oportuno para o 32º Domingo do Tempo Comum (ano A) e para o 34º sábado do Tempo Comum, em que ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 21,34-36) e 1º Domingo do Advento (ano C)

Em poucas palavras...

                                                          

Celebremos o Tempo do Advento

“Ao celebrar em cada ano a Liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta expectativa do Messias.

Comungando na longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo da sua segunda vinda (Ap 22,17).

Pela celebração do nascimento e martírio do Precursor, a Igreja une-se ao seu desejo: «Ele deve crescer e eu diminuir» (Jo 3, 30)”.

 

(1) Catecismo da Igreja Católica parágrafo n.524

 

Uma súplica em tempo de Advento...

 


Uma súplica em tempo de Advento...
 
O Tempo do Advento é marcado, essencialmente, pela vigilância e Oração bem feita.
 
Deste modo, nossa alma se eleva até Deus, e faz com que nos sintamos em Seu colo, deleitando-nos om Sua Palavra que nos ilumina, revigora, nos acalenta tão ternamente...
 
Sejamos envolvidos pelo Amor de Deus, que nos dirige Sua Palavra na hora certa, desde que saibamos ouvi-la, acolhê-la e vivê-la, ainda que exija renúncia, conversão de mentalidades e atitudes. 
Vivamos este Tempo preparando o caminho do Senhor, transformando o árido deserto de nosso coração em terreno favorável para frutuosa semeadura, uma vez que o Advento de nossa existência exige o permanente suportar das perdas humanas outonais para ganhos primaveris divinos!
 
Um caminho a percorrer para que vivamos este Tempo fecundo, em preparação ao Natal do Senhor:
 
- superar toda forma de individualismo, que impede a acolhida da Palavra de Deus, que nos pede vida em comunhão, no relacionamento aberto e fraterno com o próximo;
 
- evitar o perigo do ativismo, criando tempos próprios para experimentar a Palavra de Deus e Seus frutos criando e multiplicando espaços e tempos de oração e diálogo com Deus, em íntima amizade com Ele;
 
- romper todo acorrentamento do racionalismo, a conceituação de tudo e de todos, abrindo espaço para o afeto, os sentimentos como compaixão, perdão, solidariedade e fé, alargando nossos horizontes para o novo de Deus que nos surpreende permanentemente;
 
- evitar a gravidade da separação entre a fé e a vida;
- superar todo o superficialismo em nosso agir e nossos compromissos como discípulos missionários do Senhor.
 
Oremos: 
 
Ó Deus, vivendo intensamente o Tempo do Advento, preparando-nos para a chegada de Teu Filho, que veio, vem e virá, ajuda-nos a derrubar o monte empobrecedor do individualismo que teima em corroer relações fraternas na família, na comunidade e em todo lugar. 
 
Ó Deus, que não sejamos devorados pelo tanto a fazer, mas consumidos no amor vivido em cada pequena ação, sabedores de que a mais bela floresta não existiria sem a menor folha, bem como o oceano em relação às gotas d’água. 
 
Ó Deus, que a razão ande de mãos dadas com a fé, em necessário relacionamento, para que nem uma nem outra nos mergulhem em indesejáveis incredulidades, superficialidades ou fideísmos estéreis que nos afastem de Ti, o verdadeiro Deus, fonte de toda sabedoria, conhecimento, inteligência, conselho, fortaleza, temor e piedade!
 
Ó Deus, que a chegada do Teu Filho nos encontre vigilantes e orantes, para que acolhendo o Verbo, o Deus Menino, com Sua fragilidade, sejamos fortalecidos, por Sua eterna ternura, envolvidos, sem jamais termos merecido! Amém!

Em poucas palavras...

 


Tempo do Advento do Senhor

“No início do Ano Litúrgico, ao longo de quatro semanas, a Igreja entoa um canto vigilante, amoroso e alegre, à espera da vinda do Senhor, o Príncipe da Paz, o Emanuel, Deus-Conosco.

Este canto, antes entoado pelos profetas, continua ressoando no seio da Igreja que clama: ‘Vem, Senhor, nos salvar. Vem, sem demora, nos dar a paz’”  (1)

 

 

(1) Guia Litúrgico-Pastoral – revisado e atualizado – 4ª Edição 2025 – CNBB – p.147

Vigiar e orar em todo o tempo

 


Vigiar e orar em todo o tempo

"Eis que venho em breve, trazendo comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo as suas obras." (Ap 22,12)

Num amanhecer, entardecer ou anoitecer,
Não sabemos a hora que Ele voltará:
Ele que veio, vem e virá – Maranathá!
 
Em poucos dias, iniciaremos o Tempo do Advento,
Marcado pela leveza e suavidade dos fatos
Que nos revelam a incansável ação divina.
 
Preparemos a celebração do Natal do Senhor.
Mais que presépios, luzes a piscar,
É no coração que a Sua Luz deve brilhar.
 
E Ele virá de modo inesperado,
Importa a vigilância necessária:
Tempo fecundo de preparação.
 
“Preparai o Caminho do Senhor”,
Ressoará para sempre a voz do Profeta,
Nas ruas e praças de nossa cidade.
 
Será a celebração do Natal do Deus Menino,
Que veio, vem e virá, na fragilidade de sempre,
Para caminhar conosco e iluminar nosso destino.
 
Soarão alegremente, nas capelas e igrejas, os sinos.
Suores de lutas e empenhos a serem derramados,
Deus Se revelará na face de uma criança: frágil Menino. Amém.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG