quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Em poucas palavras...

                                                       


O amor à verdade

“O amor à verdade, demonstrado por Daniel à custa da perda do favor e proteção dos poderosos, é rico de atualidade.

A verdade liberta (Jo 8,21), produz confiança, constrói a comunidade, simplifica e melhora as relações pessoais, ajuda a busca, ocasiona o encontro com os irmãos e com Deus” (1)

 

(1) Comentário do Missal Cotidiano – passagem do Livro de Daniel 5,1-6.13-14.16-17.23-28 – p. 1539

Amores...

                                                       


Amores...

“Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo,
não os matava e perdoava seu pecado; quantas vezes
dominou a Sua ira e não deu largas à vazão de Seu furor” (Sl 77, 38)

Amores cantados.
Amores contados.
Amores revelados.
Amores negados.

Amores tantos...
Amores correspondidos.
Amores não correspondidos.
Amores não amores.

Amores de um único amor.
Amores de um verdadeiro amor.
Amores esvaziados.
Amores renascidos.

Amores tão densos.
Amores tão imensos.
Amores tão superficiais.
Amores tão profundos.

Amores assim na Bíblia encontramos;
Amores que não se concretizaram.
Amores que não floresceram.
Amores nos caminhos perdidos.

Amor Verdadeiro Encarnado,
Na Carne e Vida do Verbo,
Amor que amou sem fim,
Que a Morte de Cruz suportou.

Amor Verdadeiro Crucificado.
Amor Verdadeiro Vitorioso.
Amor Verdadeiro Eternizado,
Pelo Pai, com o Espírito glorificado.

Ó incrível Amor de Deus!
Amor fiel e misericordioso,
Que tantos prodígios
Incansavelmente fez e faz.

Ó ínfimo amor que ainda sinto,
Por vezes de braços com a incredulidade,
Por vezes inconstante e frágil.
Mesmo assim o Deus de Amor me ama.

Amores e amores:
Há o Amor divino tão imensurável.
Há o amor por Ele ainda tão pouco.
Quão feliz quem embarca nesta aventura de amor!

Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é contemplar o Amor de todos os Amores.
E sentindo-se amado, não pelo mérito, intensamente amar como Ele ama...

Silencio-me!
Do maior pecado 
Nasceu o maior Amor.
Ele me ama... Eu O amo...


PS: "De gênero didático este salmo (77) recorda a história de Israel numa alternância de dois momentos: o do Amor fiel e misericordioso de Deus a favor do seu Povo; e, o da incredulidade e da inconstância de Israel"  - Leccionário Comentado p. 919.

Em poucas palavras...

                                                    


A obediência

“Um ancião tinha seu escravo como discípulo e, desejando dominá-lo, convenceu-o a manter completa obediência.

Por isso, o ancião lhe disse: ‘Vai, acende o fogo no forno, toma o livro que é lido na ‘synaxis’ e lança-o no forno’.

Ele foi e fez sem questionar. E, quando o livro foi lançado, o forno se apagou.

Isto ocorreu para entendermos que a obediência é boa, porque é uma escada para o Reino dos Céus.” (1)

(1)  Ditos anônimos dos Pais do deserto – Editora Vozes – 2023 – pp.66-67

“O amor não fala. O amor ama”

                                                      


“O amor não fala. O amor ama”

"Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros.
Como Eu vos tenho amado, assim também vós deveis
amar-vos uns aos outros'' (Jo 13, 34) 

Vejamos o que diziam os pais do deserto sobre o “amor”:

“Perguntaram-lhe a um grande mestre:
Quando o amor é verdadeiro?
Quando é fiel – foi a resposta.
E quando é profundo?
Quando é sofredor – foi a resposta.
E como fala o amor?
A resposta foi:
O amor não fala.
O amor ama”. (1)

Reportemo-nos ao “Tratado sobre o Evangelho de São João”, do Bispo Santo Agostinho, para que melhor vivamos o duplo Preceito da Caridade, que nos torna verdadeiramente promotores da paz, realizando uma das Bem-Aventuranças que o Senhor, na Sagrada Montanha, nos apresentou, amando como Ele nos amou, e assim viver o Novo Mandamento que nos deu.

“Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo”.

O Papa Bento XVI, em sua Encíclica “Deus caritas est”, assim afirmou:

“O amor ao próximo é também uma estrada que conduz a Deus. Não amar o próximo é tornar-se míope de Deus”.

Oremos:

Ó Deus de Amor, suplicamos o Vosso Espírito Santo, Espírito de Amor, para que vivamos um amor verdadeiro, fiel, profundo e sofredor, para que mais configurados ao Vosso Filho vivamos a fidelidade aos ensinamentos e Mandamento do Amor que Ele nos deu, curados de toda a miopia espiritual, e assim, a Trindade amar na primeira ordem dos preceitos e ao próximo em primeiro lugar na ordem da execução. Amém.



(1) Teologia da Ternura – Um “Evangelho a descobrir” – Ed. Paulus – 2002 – p.72

Em poucas palavras...

                                               


“A esperança não decepciona” (Rm 5,5)

“Em um mundo no qual o progresso e o retrocesso se entrelaçam, a Cruz de Cristo permanece a âncora da salvação: sinal da esperança que não desilude, porque está fundada no amor de Deus, misericordioso e fiel.” (1)

 

(1)        Papa Francisco -  Audiência Geral – Praça de São Pedro – 21/09/22

Em poucas palavras...

                                               


“Filhinhos, amai-vos uns aos outros”

“São Jerônimo conta-nos que o Apóstolo, já muito velho, repetia continuamente aos discípulos que o levavam às reuniões:

 ‘Filhinhos, amai-vos uns aos outros’. E quando um dia lhe perguntaram por que insistia em repetir sempre a mesma coisa, respondeu: ‘Este é o mandamento do Senhor; se se cumpre, não é preciso mais nada’” (1)

 

 

(1) hablarcomdios.org -  Francisco Fernández-Carvajal.

Ao Senhor, toda honra, glória, poder e louvor

                                                            

                   Ao Senhor, toda honra, glória, poder e louvor


A passagem do Livro de Daniel (Dn 7,2.14-27) é uma linguagem mística da visão que não nos deve espantar, ao contrário, deve renovar nossa confiança no Senhor Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo.

Assim como no tempo de Daniel, em nosso tempo conhecemos outras imagens (e realidades) igualmente concretas e terrificantes, como lemos no comentário do Missal Cotidiano:

“a bomba atômica, o extermínio da guerra bacteriológica, a poluição das águas e da atmosfera, etc. São realidades que deterioram incessantemente o homem dos nossos dias, penetram no subconsciente, corroendo-o e tornando o pânico um componente habitual de nossa existência.” (1).

Cremos que Jesus o Senhor, centro de toda a História, e veio para estabelecer um Reino eterno e Universal como rezamos no Prefácio da Solenidade de Cristo Rei:

“Com óleo de exultação, consagrastes Sacerdote Eterno e Rei do universo Vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-Se na Cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao Seu poder toda criatura, entregará à Vossa infinita majestade um Reino eterno e universal: Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz...”. 

Reino Eterno

Quantos reinos passaram, quantos impérios sucumbiram, pois nenhum poder terreno é eterno.

A história tem suas escritas, suas lembranças, ora belas, ora amargas da dominação de verdadeiros impérios, domínios, reinos...

Humanos que  pretenderam ser como deuses, infalíveis, eternos... Mas, ficaram apenas lembranças, às vezes edificantes, outras vezes nem tanto... 

O Reino de Jesus é eterno porque implantado no amor e pelo amor. Carrega em sua origem, o princípio vital da eternidade porque procede e volta para Eterno: Deus. Como Deus é Amor, e o Amor jamais passará, Seu Reino jamais passará.  

Reino Universal

O Reino de Deus não conhece limites do tempo, nem do espaço e abrange todo o tempo, toda existência, todos os povos, todo o universo. 

É a recapitulação e reconciliação da História, de toda criação e de toda criatura.  Sua universalidade faz de todos os povos um só povo, expressão da mais perfeita comunhão, fraternidade e paz. 

Reino da Verdade:

Ele mesmo Se apresentou a nós como a Verdade que liberta – “conhecereis a Verdade e vos tornareis verdadeiramente livres”.
Toda Sua vida foi uma verdade absoluta e irrevogável do amor de Deus por nós. 

Seu agir foi todo pautado pela verdade, denunciando mentiras e hipocrisias, enfrentando o pai da mentira (Satanás).

Desamarrou as correntes da mentira que aprisionavam as pessoas, rompeu tudo aquilo que impedia emergir no coração e na mente humana a verdade que traz alegria, serenidade, noites bem dormidas, amanhecer pleno de luz. 

Reino da Vida:

Também Se apresentou a toda humanidade e em todo o tempo, como a Vida, e disse literalmente: “Vim para que todos tenham vida e tenham vida plenamente”. 

Não veio trazer vida apenas para o presente, para nós trouxe a vida livre da temporalidade inexorável, e abriu-nos as portas da vida na eternidade. 

Rompeu os muros que nos separavam da vida eterna, construída pelo pecado, pela desobediência. O esplendor da vida que perdêramos com o pecado de nossos pais, Ele nos recuperou plenamente. Assegurou-nos a beleza da vida desde sua concepção até seu declínio natural, para que possa desabrochar na presença de Deus: céu.  

Reino da Santidade:

Fomos predestinados a uma vocação única: A santidade. Santidade, não como uma vida para além das nuvens. Pés fincados no chão, coração para Deus voltado, olhos por Ele iluminados com o indispensável colírio da fé.  

Santidade como compromisso com aqueles que nos rodeiam, como desejo de construir pontes indestrutíveis que nos fazem mais humanos, mais fraternos, mais verdadeiramente imagem e semelhança de Deus. 

Santidade não como angelismo desencarnado, irresponsável e estéril, que nos faria infantilizados. Santidade rima na palavra e no conteúdo com responsabilidade, fraternidade, maturidade, dignidade, sobriedade...  

Reino da Graça

Deus Se relaciona conosco no puro amor, na perfeita doação, ação restauradora; cumula-nos com todos os benefícios; Sua ternura por nós é transbordante; gera e edifica cada pessoa que o coração a Ele abre. 

Reino da graça é o Reino em que não há espaço para a violação da vida, como a fome, o frio, o abandono, a solidão, o encarceramento, a enfermidade sem presença amorosa e confortadora. 

Acolher a graça de Deus torna a vida mais bela, pois esta é o Seu cuidado para conosco. 

Reino da Justiça

Um Reino em que as relações se dão na perfeita harmonia, na justa medida, chegando à expressão da misericórdia.

A justiça humana não dispensa o aprendizado da misericórdia divina. A justiça extingue toda possibilidade de roubo, exclusão, oportunismo, mentira, hipocrisia, indiferença, omissão...  

Reino do Amor

Esta é a marca de Seu Reino.

Retomemos a passagem do Evangelho de São João (c. 13; 15), em que nos exorta a amar como Ele nos amou, eis o novo Mandamento. 

Ou ainda o capitulo 13 de São Paulo aos Coríntios: O hino da caridade. Se ainda algo fosse preciso dizer, se ainda não se sinta saciado é imprescindível e deleitoso ler a 1.ª Carta de São João... 

Reino da Paz: Shalon! 

Plenitude de bens, abundância de tudo aquilo que nos faz pessoas verdadeiramente felizes, porque quem participa do Reinado de Jesus, Rei Bom Pastor, Rei Soberano e Juiz, só pode gozar da plenitude da alegria, da vida e da  paz. 

Deste modo quem aceita e crê na mensagem evangélica vê com outros olhos a história do mundo e do homem:

“ A grande fera que devorará a terra é um monstro que será abatido. O Filho do homem nos libertou de toda escravidão, venceu o sentimento de angústia, transformou o pânico em esperança segura. São grandes, por certo, os perigos que nos ameaçam, a provação aflige concretamente, mas em plena escuridão da noite é belo acreditar na luz. A segurança do reino de Deus, que caminha entre tantas provações e transpõe tantos obstáculos, vem exatamente da mediação do “Filho do homem”, que sentimos próximo de nós.” (2)
Oremos:
 
“Pai Nosso que estais nos céus...”
 
 
(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 1554
(2)Idem 
 
PS: Oportuno para reflexão da passagem da Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses (1 T2 3,12-4,2).
 


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