sexta-feira, 3 de julho de 2026

Há momentos em que não sabemos o que dizer

                                           

 

Há momentos em que não sabemos o que dizer

 

Há momentos em que não sabemos o que dizer:

Quando de uma confidência de uma enfermidade,

Partida para a eternidade de quem tanto se amou,

A perda súbita de algo que se tinha como precioso.

 

Há momentos em que não sabemos o que dizer:

Sobretudo quando ancorados na confiança de uma amizade,

Alimentada e solidificada na mesa da Palavra e Eucaristia,

Que nos revigoram em tantos momentos, em difíceis travessias.

 

Há momentos em que não sabemos o que dizer:

Que a Palavra de Deus venha em nosso socorro:

Silêncio, compaixão, escuta, ombro oferecido,

Forças somadas, ainda que poucas, multiplicadas.

 

Há momentos em que não sabemos o que dizer:

Que a Palavra fale nas entranhas do coração ferido:

“O homem sábio é forte, e o homem de conhecimento

consolida a força.” (1) , não se pode recuar, tão pouco desistir.

 

Mesmo em momentos em que não soubermos o que dizer,

Sigamos em frente, avancemos, sem vacilar ou esmorecer.

Se as palavras parecerem frágeis e insignificantes,

Saiba, que estou e estarei contigo em todos os instantes.

 

(1)             Pr 24,5

Navegar e mergulhar no Amor de Deus, Ó Mistério indizível

                                                         

Navegar e mergulhar no Amor de Deus,
Ó Mistério indizível

Silencio-me diante de Vós, Senhor,
mais que navegando entre as palavras,
Mergulhando em sua densidade de conteúdo,
Vou ao encontro do Vosso Amor.

Altíssimo sois Vós, muito acima de todas as criaturas.
Amantíssimo a quem amo o nunca bastante.
Amorosíssimo ainda que eu não mereça.
Benevolentíssimo, apesar de minhas iniquidades.

Sois boníssimo para comigo, frágil e pecador.
Digníssimo de ser glorificado e adorado.
Gloriosíssimo e soberaníssimo sois para sempre,
Porque sois o único Diviníssimo de minha vida.

Dulcíssimo mesmo quando amargo sou.
Graciosíssimo mesmo que eu a Vós me feche.
Justíssimo, incomparável sois eternamente.
Magnificentíssimo, de generosidade imensurável.

Mansíssimo de coração sois Vós, incomparavelmente.
Misericordiosíssimo a quem a Vós recorre.
Pacientíssimo compreende minha lentidão.
Pleníssimo de poder e força sois Vós, Senhor.

Poderosíssimo, porque tendes a plenitude do Amor.
Providentíssimo, pois nada me deixais falta.
Prudentíssimo, compreendeis quando não prudente sou.
Puríssimo sois Vós e quereis que meu coração também o seja.

Riquíssimo e Senhor de todo o Universo sois Vós.
Santíssimo, Digníssimo e Diviníssimo é o Vosso nome.
Sapientíssimo, sois para mim Fonte Divina de sabedoria.
Singularíssimo, fizestes a cada um tão diferente.

Soberaníssimo, no entanto me quer em Vossa companhia
Terníssimo de coração, como não Vos amar?
Verdadeiríssimo, mesmo quando naufrago em relativismos,
Conduzindo-me à Verdade que é o Vosso Amado Filho.

Navegando entre as palavras, mergulho ao encontro de Vós,
Encontro-Vos lá no mais absoluto profundo de mim.
Haverá encontro mais belo a ser por mim desejado?
Amor, Amante e Amado, sinto-me envolvido e  abraçado.

Vós, Senhor Deus, mar imenso de misericórdia.
Vós, mar imenso, Mistério indizível, inesgotável.
Quem a Vós um dia encontrou, encontrou o Amor,
A alegria, a paz, a vida, a serenidade, a felicidade. Amém.

“O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

                         

O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

Quando a Igreja celebra a Festa de um Apóstolo, nas Laudes, são feitas orações a partir da herança celeste recebida dos Apóstolos, acompanhada de agradecimento a Deus por todos os dons que Ele nos concede.

Deste modo, em seguida, são feitas quatro aclamações acompanhadas do refrão: O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

A primeira aclamação, ou seja, o primeiro louvor ao Senhor: pela Mesa do Seu Corpo e Sangue, que recebemos por intermédio dos Apóstolos, somos alimentados e vivemos. 

O segundo louvor ao Senhor, devido ao fato de que, pela Mesa de Sua Palavra, preparada para nós pelos apóstolos, recebemos luz e alegria. 

O terceiro motivo de louvor ao Senhor é que, por Sua Igreja edificada sobre o fundamento dos Apóstolos, formamos um só Corpo. 

O último louvor ao Senhor é feito pelos Sacramentos do Batismo e da Penitência
confiados aos Apóstolos, pelos quais somos lavados de todo o pecado. 

Assim, contemplamos o imensurável amor de Deus à luz destas orações:

- somos alimentados e vivemos do Pão da Eucaristia;
- recebemos luz e alegria divinas;
- como Igreja, formamos um só Corpo;
- pelos Sacramentos do Batismo e Penitência, somos lavados de todo o pecado.

Unamo-nos ao coro dos Apóstolos e louvemos ao Senhor, que faz sempre maravilhas em nosso favor em todo o tempo: ontem, hoje e sempre.

Peregrinos de esperança, revigoremos nossas forças para continuar nosso discipulado, fiéis aos ensinamentos dos Apóstolos, em total fidelidade ao Senhor, que nos chama e nos envia em missão; alimenta-nos com o Seu Corpo e Sangue, acompanha-nos e nos fortalece com O Seu Espírito, para que nos empenhemos, a cada dia, com a Boa- Nova do Reino de Deus.

“Espera, ó minha alma”

                                                    

“Espera, ó minha alma”

No parágrafo número 1821 do Catecismo da Igreja Católica, encontramos uma citação iluminadora de Santa Teresa de Jesus:

“Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto.

Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar”.

Diante de dificuldades, resultados a serem alcançados, respostas esperadas, entre outras tantas situações, por vezes, somos tomados pela impaciência.

À espera de uma resposta de Deus, muitas vezes, a impaciência coloca à prova nossa fé e esperança, no entanto, é preciso perseverar na confiança inabalável.

“Espera, ó minha alma, espera”, pensamento que, como um refrão, deve costurar os parágrafos de nossa história, sem perdas de conexões, a fim de que se alcance o desejado.

E a mais bela “espera”: provar o amor que temos por Deus, numa alegria imensurável diante do Bem-Amado, Jesus, para viver o transbordamento da alegria que jamais passará.

Supliquemos a Deus que nos ajude a perseverar e esperar, com plena confiança no que Ele sempre tem de melhor para nós.

Reencontremos dentro de nós a paz, porque é lá, bem dentro de cada um nós, que Deus fez Sua morada, Seu Templo: “Espera, ó minha alma, espera” Amém.

Senhor, sois para mim...

                                                       

Senhor, sois para mim...

Senhor, sois para mim o Messias desde sempre esperado,
E na plenitude dos tempos, na história da humanidade encarnado.

O descendente de Abraão,
E exulto por Vos conhecer, crer e testemunhar.

Sois muito mais do que Moisés,
Pois por ele veio a Lei, por Vós, Amor e fidelidade.

Sois o Filho de Davi prometido,
A quem clamo Hosana no mais alto dos céus;

A grande promessa por Deus feita,
E em nada decepcionastes a promessa, em fidelidade incondicional.

Senhor, sois a Divina Fonte da Sabedoria,
Muito mais que qualquer humano, até mesmo Salomão;

Mais do que João Batista,
Porque ele a voz no tempo, Vós a Palavra eterna, desde sempre...

Sois a máxima expressão do Amor de Deus,
Que, desde sempre, pelos Profetas anunciado, promessa realizada;

Aquele que entra em nossos sonhos e desejos,
Não para sufocá-los, mas para ampliá-los, elevá-los e realizá-los.

Sois o Dom do Pai ao mundo enviado,
E para sempre em nosso meio, com o Santo Espírito, Ressuscitado.

Sois o Amor perene e irrevogável,
Que suporta inconstâncias e infidelidades.

A Palavra que se fez Carne,
Palavra que vivifica e garante a perfeita liberdade;

Sois a revelação maravilhosa de Deus Pai,
Pois dissestes: “Quem me vê, vê o Pai que me enviou”.

Sois um Deus incompreendido, rejeitado,
Que esperais como resposta tão apenas ser amado;

Um Deus que Se fez homem, por Amor;
Entrastes no mundo com humildade e o transformou, renovou...

Sois a mais bela História da Salvação Divina,
E a cada dia que vivo, posso escrever uma página nesta história.

Sois Aquele que, assumindo a natureza humana,
Sem pecado, a elevou a uma esfera mais alta, a desejada esfera divina.

Senhor, sois para mim o meu Tudo,
Porque sem Vós, sou simplesmente nada.

Sois Aquele de quem ainda que muito tenha falado
Ainda nada disse, porque Mistério inesgotável.

Aquele que está sempre comigo.
Quantas vezes esta presença suave tenho sentido:

Presença na Palavra e no Pão,
Mas também presença em cada irmã e irmão.

Sois Aquele que me chama,
Me envia, me acompanha no carregar da cruz cotidiana.

Aquele que não me deixa desfalecer,
Porque há um mundo a ser iluminado, fermentado.

Senhor, sois Aquele que não permite minha insipidez,
Porque há um mundo que precisa o sabor de Deus conhecer. Amém.

PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 16,13-19)

A vida cristã é permanente esforço

                                                                

A vida cristã é permanente esforço

Acolher a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo (2 Pd 1,2), é pôr-se a caminho, esforçando por fazer as junções necessárias, como que num processo contínuo de crescimento no aperfeiçoamento da fé, para que se viva frutuosamente a vida cristã dia a dia.

E isto é possível, pois ser cristão é ter entrado na posse das mais preciosas promessas, para se tornar participante da natureza divina, como o Apóstolo nos diz (2 Pd 1,4).

Sendo assim, a vida cristã passa a ser compreendida como um todo harmônico, vital, dinâmico; voltamo-nos para Deus, que é todo vida, ação, amor (1).

Vejamos o que nos diz o Apóstolo Pedro (2 Pd 1,5-7):

Por isso mesmo, dedicai todo o esforço
em juntar à vossa fé a virtude,
à virtude o conhecimento,
ao conhecimento o autodomínio,
ao autodomínio a perseverança,
à perseverança a piedade,
à piedade o amor fraterno
e ao amor fraterno, a caridade”

Deste modo, a vinda gloriosa de Jesus deve ser “esperada”, mas ao mesmo tempo “apressada”, mediante uma vida cristã coerente, sem esmorecimentos e recuos na vida de fé.

“Embora empenhando-se com responsabilidade nas realidades da vida terrena, quem segue a Cristo espera com confiança e esperança ‘novos céus e nova terra onde habitará a justiça, sem permanecer alheio às alegrias e às esperanças dos seus contemporâneos. A esperança dos bens futuros ampara-o nas contrariedades que deve suportar pela fidelidade ao seu testemunho de fé”. (2)

Esta espera, portanto, deve ser vivida na vigilância ativa, expressa no esforço por uma conduta irrepreensível aos olhos de Deus, a fim de que tenhamos o crescimento no conhecimento de Jesus, e mais que conhecimento, comunhão, amizade e intimidade profunda com Ele, qualificando o nosso anúncio e testemunho.


1 - Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.846
2 – Lecionário comentado – Editora Paulus – Tempo Comum volume I - Lisboa – p.432

Jesus Cristo: Divina Fonte de Salvação e de Vida Verdadeira

 


Jesus Cristo: Divina Fonte de Salvação e de Vida Verdadeira

Reflexão à luz do tratado sobre o admirável Coração de Jesus, de São João Eudes, presbítero (Séc. XVII).

“Rogo-te medites que nosso Senhor Jesus Cristo é tua verdadeira Cabeça e tu, um de Seus membros. Ele está em relação a ti como a cabeça com os membros. Tudo que é d’Ele, é teu: espírito, coração, corpo, alma e todas as faculdades. São para que os uses como se fossem teus, a fim de que, servindo-O, tu o louves, O ames e glorifiques. Por teu lado, tu lhe és como membro para a Cabeça. Por isto deseja com ardor usar todas as tuas faculdades como d’ele, para servir e glorificar o Pai.

Mas não apenas ele é teu, porém, quer também estar em ti, vivendo e reinando em ti, tal como a cabeça vive e reina em seus membros. Quer, pois, que tudo o que nele existe, viva e reine em ti.

Assim o seu espírito em teu Espírito, o seu coração em teu coração, todas as faculdades de Sua alma em tuas faculdades, a ponto de se cumprirem em ti estas palavras: Glorificai e trazei a Deus em vosso corpo; bem como manifeste-se a vida de Jesus em vós (1Cor 6,20). Não somente és para o Filho de Deus, mas nele deves existir como os membros, na cabeça.

Tudo quanto há em ti, nele tem de ser inserido, e deves receber d’Ele a vida e ser por ele guiado. Não terás vida verdadeira, a não ser n’Ele, única fonte da verdadeira vida.

Fora d’Ele só encontras morte e perdição. Seja Ele o único princípio de teus movimentos, ações e forças de tua vida. D’Ele e para ele tens de viver para realizares as palavras: Nenhum de nós vive para si ou para si morre; se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Vivos ou mortos somos do Senhor. Para isto Cristo morreu e ressuscitou, para ser o Senhor dos vivos e dos mortos (Rm 14,7-9).

És enfim um só com Jesus, como os membros são uma só coisa com a cabeça. Portanto deves ter com Ele um só espírito, uma só alma, uma vida, uma vontade, uma intenção, um só coração. E Ele será teu espírito, coração, amor, vida, e tudo o que é teu.

Para os cristãos estas grandes realidades têm origem no Batismo. Mas aumentam e se fortalecem pela Confirmação e boa prática das outras graças de que Deus lhes dá participarem. E tudo isto ele aperfeiçoa principalmente pela Santa Eucaristia.”

Oportuna a reflexão para aprofundamento sobre os Sacramentos da Iniciação Cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia.

Que Deus nos conceda a graça de viver os Sacramentos recebidos, cada vez mais configurados e unidos a Jesus Cristo, a Divina Fonte de Salvação e Vida Verdadeira, como discípulos missionários Seus, membros de uma Igreja Sinodal, peregrinando com confiança e na esperança de um  novo céu e uma nova terra. Amém.

 

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