quarta-feira, 8 de abril de 2026

O Senhor caminha conosco

                                                         

O Senhor caminha conosco

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Seja ela fácil ou não, com pedras ou espinhos.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Aquecei nossos corações com a Vossa Palavra.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Em tempos de provação, fortalecei nossa fé.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Nos tempos sombrios que vivemos, reanimai nossa esperança.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Em tempos de partilha e solidariedade, ensinai-nos a santa caridade.

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Sentimos Vossa presença caminhando com a nossa comunidade.

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Vos reconhecemos nas Escrituras e no partir do Pão.

Senhor, Vós sois nosso companheiro na estrada,
Ficai conosco, porque a tarde cai.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Refazei-nos do cansaço para novo caminhar.

Senhor, Vós que sois nosso companheiro na estrada,
Abri nossos olhos, aquecei nosso coração.

Senhor, Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo, sois nosso companheiro na estrada, ontem, hoje e sempre. 
Amém. Aleluia! 

PS: passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,14-35)

Com o Senhor, tudo se renova

                                                              

Com o Senhor, tudo se renova

À luz da passagem do Evangelho (Lc 24, 13-35) - Os dois discípulos de Emaús e a manifestação do Ressuscitado que com eles caminhou, fazendo arder seus corações, como quando Se deu a conhecer na partilha do Pão - apresento dez breves lições para nosso discipulado; para melhor anunciarmos e testemunharmos a Boa-Nova do Ressuscitado na missão evangelizadora:

1 - A presença do Senhor é sentida quando se caminha em comunidade;
2 - Não se caminha para frente, não se faz progressos espirituais solitariamente;

3 - Jesus é o verdadeiro evangelizador, que entra em nossa história quando nos pomos a caminho e por Ele nos deixamos conduzir;

4 - Somente quando caminhamos e acolhemos com fé Sua Palavra, nossos corações ardem verdadeiramente; nossa alma é “incendiada”, porque desperta em nós o Amor, a presença do Seu Espírito;

5 - Somente Ele tem Palavra de Vida Eterna que nos devolve o sentido do viver;

6 - Com Ele, o aparente fracasso e a desilusão são relidos, e assim, Ele se torna um farol guia, uma luz que ilumina os caminhos obscuros, ou os mares agitados da vida;

7 - Está sempre pronto a permanecer conosco, desde que também queiramos e supliquemos que Ele fique;

8 - Somente a Sua presença forma uma nova comunidade;
   
  9 - Ele Se dá verdadeiramente a conhecer quando damos respostas concretas aos Seus apelos de amor, na alegria do Pão Eucarístico e de vida partilhadas;

   10 - Ele nos faz novas testemunhas da Ressurreição, enfrentando nossa “Jerusalém de cada dia”, onde o Senhor culminou Sua missão, passando pela morte e alcançando a Ressurreição. 

Com o Senhor, com renúncias necessárias, tomemos nossa cruz e O sigamos, com pleno amor, obediência e fidelidade.

Sigamos em frente, iluminados pelo esplendor da Ressurreição neste tempo obscuro e sombrio de combate da fé.

É tempo de viver a fé, dar razão de nossa esperança, impelidos pelo Amor que o Senhor derrama abundantemente em nosso coração. Aleluia! Aleluia!

Caminhemos com o Ressuscitado

                                                               

Caminhemos com o Ressuscitado

“Não estava ardendo o nosso coração quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32)

Reflexão à luz da passagem dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), e refletimos sobre o itinerário para quem deseja descobrir a presença do Ressuscitado.

Descobrir o Senhor que conosco Se põe a caminho, para podermos confessá-Lo com palavras e obras, não nos curvando diante das problemáticas e dificuldades existenciais, com suas contradições, contrariedades.

Aquele que crê é sempre chamado a sair de si para o encontro com o Absoluto, Deus, que Ressuscitou e nos dirige Sua Palavra e nos comunica Sua amável presença, reconhecida no partir do Pão, em cada Banquete Eucarístico que participamos.

Como todo itinerário, temos etapas a serem vivenciadas em contínuo movimento:

Repensar as experiências passadas, procurando reler os fatos, percebendo a presença de Deus em Sua aparente ausência. O que aparentemente se nos apresenta como derrota, pode se transformar em vitória; o caos que parece eterno pode ser iluminado com o esplendor da luz do Ressuscitado. Às possíveis situações em que não aparecem perspectivas, com asfixia eminente, aparece de repente uma fresta por onde o ar entra e nos revitaliza.

Pôr-se em atenta escuta da Palavra do Senhor, sobretudo em vida comunitária. A comunidade cristã há que ser sempre o espaço privilegiado da escuta da Palavra do Senhor, que está sempre pronto a iluminar nossa vida, de modo que nossos horizontes se alarguem em conformidade com os desígnios divinos, superando quaisquer resquícios de individualismos e acomodações indesejáveis, com matizes de fechamentos e empobrecimentos, dor, sofrimento, luto e morte sem perspectivas de Ressurreição.

- E, assim, nesta escuta atenta, deixar ressoar a força da Palavra do Ressuscitado e deixar Sua chama ardente fazer arder nossos corações (como aconteceu aos discípulos de Emaús). O Encontro entre a Palavra e a vida torna-se fecundo, neste aquecimento desejável, porque nos ajuda a avaliar, rever, reorientar o caminho com novas perspectivas. Sem voltar para Emaús, mas voltar para Jerusalém, lugar do conflito, dos desafios, da continuidade, do não desistir do corajoso anúncio e testemunho do Ressuscitado – Emaús ou Jerusalém, qual é a nossa escolha?

- Desta escuta, vem um passo fundamental: a Oração – “Fica conosco Senhor”. É bom estar com o Senhor, permitir que Ele faça morada conosco e em nós. Como é bom estar do lado do Amado! Bem disse Pedro: “Só Tu tens Palavras de vida eterna”, e por isto o discípulo amado chegou primeiro ao túmulo para ver e acreditar na presença nova do Ressuscitado, que caminha com a comunidade.

- Chega-se ao momento ápice: o partir do Pão e o reconhecimento do Senhor Jesus, Ressuscitado, fazendo o mesmo gesto que tantas vezes fizera com eles. Uma anamnese maravilhosa “Anunciamos Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”, e como falamos na Missa, quando partimos o Pão: “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós. Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz”.

A escuta da Palavra, a partilha do Pão preanunciando a Eucaristia (com as Mesas da Palavra e da Eucaristia) remete-se nos ao cotidiano, multiplicando gestos de amor, comunhão, partilha, compromisso e solidariedade.

A comunidade que ouve a Palavra e celebra a Eucaristia é agora aquela que continuará a Missão do Ressuscitado. Isto deve fazer transbordar nosso coração de alegria. Aleluia!

Continuar a missão do Ressuscitado, que mais Deus poderia nos confiar?

Renovemos em cada Banquete Eucarístico esta graça. Ele Se faz presente na comunidade, na Palavra proclamada, ouvida, acolhida, acreditada e vivida.

Ele Se faz presente na comunidade quando o Pão partilhado no Altar, levando-nos também à partilha do pão cotidiano com os que mais precisam.

De Banquete em Banquete caminhamos para o Encontro do Banquete Eterno quando O veremos face a face...

Celebrando o Tempo Pascal e o transbordamento da alegria da Ressurreição do Senhor, é tempo de nos sentirmos uma nova criatura, buscando as coisas do alto.

Ouvidos que a Palavra acolhem, coração que arde,
olhos que se abrem, mãos que também assim o fazem,
pés que se põem a caminho para o alegre anúncio
e testemunho do Ressuscitado.

Com Ele morramos, com Ele ressuscitemos.
Amém. Aleluia! Aleluia!

Glorifiquemos o nome de Deus

                                             


Glorifiquemos o nome de Deus

Com o comentário sobre Ageu, escrito pelo bispo São Cirilo de Alexandria séc. V), refletimos sobre o nome de Deus, que é glorificado entre todas as nações.

“Por ocasião da vinda de nosso Salvador, o templo se manifestou sem comparação mais glorioso e mais divino, mais ilustre e excelente do que o antigo.

Assim o julga quem percebe a diferença entre o culto da religião da lei e o culto evangélico de Cristo, e entre a realidade e sua sombra. 

A este respeito creio poder dizer o seguinte. Existia um só templo, unicamente, em Jerusalém, e um único povo, o israelita, ali oferecia sacrifícios. Todavia, depois que o Unigênito, sendo o Deus e Senhor que resplandeceu para nós (Sl 117,27), conforme a Escritura, Se tornou semelhante a nós, o restante do orbe da terra encheu-se de casas santas e de inumeráveis adoradores que honram com incenso e sacrifícios espirituais o Deus do universo.

Foi isto que, segundo me parece, predisse Malaquias, falando em nome de Deus: Porque sou Eu o grande rei, diz o Senhor, e meu nome é glorificado entre as gentes e em todo lugar se oferece incenso a meu nome e um sacrifício puro (cf. Mal 1,11). 

É, portanto, verdade que a glória do último templo – entenda-se a Igreja – seria maior. Aos dedicados que trabalham em sua edificação será dada pelo Salvador, como recompensa e dom do céu, o Cristo, paz de todos: por quem temos acesso junto ao Pai no único Espírito (cf. Ef 2,18). É o que afirma: Darei a paz a este lugar e paz da alma para aumento de todos quantos houverem trabalhado para levantar este templo (Ag 2,9).

Em outro lugar também diz Cristo: Eu vos dou a minha paz (Jo 14,27). Qual seja sua atuação nestes que O amam, Paulo explica: A paz de Cristo, que ultrapassa todo entendimento, guarde vossos corações e inteligências (cf. Fl 4,7).

Igualmente o sábio Isaías orava: Senhor, nosso Deus, dá-nos a paz, pois Tu nos tratas como nossas ações merecem (Is 26,12). Porque para quem recebeu uma vez a paz de Cristo, torna-se fácil guardar a própria alma e dirigir o esforço para o dom da virtude bem exercida. 

Por isto se declara que será dada a paz a todo aquele que constrói. Seja alguém edificador da Igreja e sacerdote, seja intérprete dos sagrados mistérios, foi estabelecido sobre a casa de Deus. E se cuidar de sua alma, vivendo como pedra viva e espiritual para o templo santo e habitação de Deus no Espírito (cf. Ef 2,22), alcançará por prêmio a salvação sem dificuldade.”

Glorifiquemos o nome de Deus, como Igreja que somos, vivendo como pedra viva e espiritual, para o templo santo e habitação de Deus no Espírito, como disse o apóstolo Paulo aos Efésios.

Como membros da Igreja, todos somos chamados, pelo batismo, a glorificar o nome de Deus, e assim o fazemos, quando nos tornamos alegres discípulos missionários do Senhor, com a força e presença do Espírito, que aquece nossos corações, e teremos a luz divina em nosso olhar.

Teremos, portanto, como os discípulos de Emaús, o coração ardente, os olhos abertos e os pés sempre a caminho, no anúncio e testemunho da Boa Nova do Reino de Deus.

 

O transbordamento da alegria Pascal...

                                                          


O transbordamento da alegria Pascal...
Transbordando de alegria pascal, nós nos unimos aos Anjos
e a todos os Santos, para celebrar a Vossa glória...”


Assim ressoa em nosso coração o Prefácio do Dia de Páscoa que se prolonga por todo o Tempo Pascal que estamos vivendo e celebrando.

 - Onde estão os sinais deste transbordamento?
 - Como conseguimos contemplá-los?

Eis o grande desafio: contemplar a alegria pascal num tempo marcado pelas nuvens das dúvidas, pelo desânimo, apatia e perda do sentido da vida (por parte de alguns). Marcado por sinais de morte multiplicados: violência, insegurança, desestruturação da família, imposição de normas de comportamento que violam os princípios naturais da vida e de verdades transitórias, em detrimento de verdades substanciais e eternas, numa postura de relativismo absoluto...

Mas somos pascais, cremos no Verbo que Se encarnou, viveu em tudo a condição humana, menos o pecado. Cremos n'Aquele que, por fidelidade ao Projeto Divino do Reino, em obediência incondicional e Amor imensurável que ama até o fim, padeceu a Paixão, passou por todos os sofrimentos (negação, traição, solidão, agonia...), culminando na crudelíssima Morte de Cruz.

Ele sofreu na Cruz e esta se tornou a Árvore da Vida, a fim de que nela nos gloriemos, como nos falou o Apóstolo Paulo (Gl 6,14). Experimentou a morte descendo à mansão dos mortos, mas o Pai O Ressuscitou, O glorificou e O fez sentar-Se à Sua direita. N’Ele o princípio e o fim de toda a humanidade, para que seja por todos, e por todo o sempre, adorado.

Poderia mencionar inúmeros sinais que manifestam o transbordamento da alegria Pascal, mas faço um caminho diferente: convido o leitor a refletir, buscar e certamente encontrar suas próprias respostas...

Vislumbremos e testemunhemos os sinais pascais que somente são reconhecidos por aqueles que, como os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35), sentem a presença do Ressuscitado que conosco caminha, comunica Sua Palavra e a nós Se dá, Ele próprio, no Pão da Eucaristia. Aleluia! Aleluia!

“Peregrinos da esperança: coração ardente, pés a caminho”

                                                


“Peregrinos da esperança: coração ardente, pés a caminho”

“Ainda que a figueira não floresça,
nem a vinha dê seus frutos,
a oliveira não dê mais o seu azeite,
nem os campos, a comida
 
mesmo que faltem as ovelhas nos apriscos
e o gado nos currais:
mesmo assim, eu me alegro no Senhor,
exulto em Deus, meu Salvador!” (1)
 
Ainda que a cruz de tantos nomes pese sobre meus ombros,
Tenho que seguir adiante, pois não posso jamais desistir,
Porque peregrino da esperança, coração ardente, pés a caminho.
 
Ainda que as mudanças tantas do mundo não as veja acontecer,
Tenho que persistir, contemplando os pequenos sinais do Reino,
Porque peregrino da esperança, coração ardente, pés a caminho.
 
Ainda que as ondas do mar pareçam forças absolutas possuir,
O barco agitado, o medo na travessia a fazer, n’Ele, Jesus, confiar.
Porque peregrino da esperança, coração ardente, pés a caminho.
 
Ainda que as montanhas e vales a subir e caminhar,
Na busca de objetivos que pareçam jamais poder alcançar, seguir...
Porque peregrino da esperança, coração ardente, pés a caminho.
 
Ainda que a luz do sol pareça não mais no céu irradiar,
Porque o caminho se fez mais escuro em pleno dia, pelas inquietações,
peregrino da esperança, coração ardente, pés a caminho.
 
Ainda que não encontre respostas para os mistérios cotidianos,
Nas asas do Espírito, na busca das coisas do alto, onde habita Deus,
Porque peregrino da esperança, coração ardente, pés a caminho.
 
Ainda que as forças pareçam eternamente exauridas,
Do Pão da Palavra e da Eucaristia, nutrir-se e seguir...
Porque peregrino da esperança, coração ardente, pés a caminho. 
 
Ontem, hoje e sempre.
Como os discípulos de Emaús, (2)
Peregrino da esperança, coração ardente, pés a caminho. Amém. Aleluia!
 
(1)             cf. Hab 3,17-18
(2)             cf. Lc 24,13-35 

O soar do sino pelo cortejo da vida

                                                       


O soar do sino pelo cortejo da vida


À tarde, como naquela tarde memorável dos discípulos de Emaús, ele veio, estilhaçado pela dor e pelo pranto, da páscoa de quem tanto se amou.
 
Olhou-me com olhar suplicante, não na esperança de uma volta, mas uma palavra para curar a dor cortante que deixa quem partiu cedo demais.
 
Sempre cedo demais será a partida de quem se amou em vida passageira.
Sem pseudos-remorsos, certos de que se fez o humanamente possível.
 
Passamos pelas páginas do Evangelho e pela ação humana e divina de Jesus.
Tão humana, marcada pela compaixão; tão divina, com poder sobre a morte.
 
Com a ressurreição do filho da viúva de Naim, inaugura o cortejo da vida.
Com a ressurreição da filha de Jairo nos devolve a vida e nos põe a caminho.
 
A ressurreição do amigo Lázaro, precedida de momentos de dor, compaixão, lágrimas da face do Senhor, a amizade chorada e a vida devolvida.
 
Jesus Cristo, nós Cremos, é a Ressurreição e a vida, e todo o que n’Ele crer
Não morrerá para sempre, à Marta e à nós Sua Palavra eternizou. Aleluia.
 
E com ele trocamos últimas palavras com olhares de esperança renovados:
O Senhor sempre nos mostra outra possibilidade, pois para Ele nada é impossível.
 
Ele sempre nos coloca de pé, e nos aponta um caminho a percorrer,
Não com facilidades, mas único caminho de felicidade que passa pela Cruz.
 
E assim concluímos fazendo um sagrado compromisso, gravado em papel frágil que se decompõe, mas no coração gravado, eternizado.
 
Lá fora, na capela, os sinos dobraram, na melodia de nossa conversa,
E, se pudesse traduzir em palavras seu som a soar pelas ruas e praças:
 
“Não deem passos cambaleantes nos cortejos da morte sem esperança,
Firmem seus passos no cortejo do Caminho, Verdade e Vida: Jesus. Amém.”


 
PS: Passagens do Evangelho:


- Ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,21-43, Mt 9,18-26; Lc 8,40-56
- Ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc 7,11-17)
- Ressurreição da Lázaro – (Jo 11, 1-46)
- Discípulos de Emaps – Lc 24,13-35
- Jesus é o Caminho, Verdade e Vida – Jo 14,6 

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