quarta-feira, 11 de março de 2026

Olhando pela janela...

                                                             

Olhando pela janela...

Vendo a vida com o olhar realista:
A vida em nossos dias é muito dura
para a maior parte da humanidade.
A concorrência é desumana e com ela a desigualdade social.
Segurança profissional existirá para alguém?

O relaxamento dos costumes cresce de maneira inquietadora,
os Sagrados princípios são violados.
O recrudescimento da ditadura do relativismo, 
a desconfiança reinante e de modo generalizado.

Aumenta assustadoramente a delinquência.
Os índices da mortalidade infantil ainda são deploráveis.
O sofrimento não poupa ninguém e a morte continua a ser o pavor de todos, 
porque ronda fazendo-nos sombra.

Pesa sobre a humanidade o perigo de guerras e da autodestruição, 
bem como a destruição do planeta (fala-se em agonia planetária).
Reina ainda na terra, deploravelmente, o estado da injustiça que clama vingança.

Os clamores do Terceiro Mundo bradam aos céus, 
famélicos ainda se multiplicam e com isto a morte ainda faz seus números assustadores.
Há outros sinais que vejo pela janela que me fazem chorar.

Experimentamos, às próprias custas, 
sem podermos nos esquivar e dizer que não temos culpa.

Ø Quais as consequências quando o pecado domina?
Ø Quem pode sentir-se em segurança?
Ø O que é possível fazer?

Meu olhar que é funesto e assustador ou a própria realidade que descrevo?
Não se apresse em conclusões precipitadas.
Não desista de procurar um novo olhar.
Não desistamos de construir pontes que nos aproximam,
e derrubar os muros que nos separam.

Presbíteros: construtores da esperança e pontes de paz

 


Presbíteros: construtores da esperança e pontes de paz

 

 

De 19 a 21 de maio de 2025, celebramos o Jubileu do Clero da Província de Diamantina, composta pelas arquidiocese de Diamantina, dioceses de Almenara, Araçuaí, Guanhães e Teófilo Otoni, com o tema – “Presbíteros, construtores de esperança”.

 

Éramos cinco bispos titulares e um bispo emérito, e aproximadamente duzentos presbíteros.

 

Retomo alguns pontos da homilia que fiz na missa do dia 20 de maio, na Basílica do Sagrado Coração, da arquidiocese de Diamantina, à luz da Palavra proclamada (At 14,19-28; Sl 144; Jo 14,27-31a), e do tema do encontro:

 

- Os presbíteros devem ser promotores da esperança e da verdadeira paz, que não deve ser entendida como ausência da cruz, mas que brota, paradoxalmente,  da cruz vitoriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tão somente Ele pode nos comunicar o “Shalom” ,  a paz, dom divino que nos comunica confiança, serenidade, esperança para viver a graça do Ministério.

 

- Como os apóstolos mencionados na passagem da primeira leitura, devem viver a vocação num fecundo espírito de missionariedade; evangelizadores de uma Igreja em saída para as inúmeras periferias existenciais, que nos desinstalam e nos provocam a necessária conversão e disponibilidade.

 

Devem ser promotores da comunhão ministerial, com a mais expressiva ternura da fé, alegria do serviço e ardor da missão (cf. Dilexit nos – n. 88 – Papa Francisco), perfeitamente configurados a Jesus Cristo Ressuscitado, fonte de graça da vocação a que foram chamados.

 

Oremos por toda a Igreja, e de modo intenso, por todos os presbíteros, para que renovem, sempre, a chama do primeiro amor (cf. 2 Tm 1,6-10), a fim de que sejam, portanto, construtores da esperança, edificando pontes de comunhão e paz – jamais muros de isolamento e separação; alegres discípulos missionários, e promotores da fecunda comunhão eclesial na mais enriquecedora diversidade de dons e ministérios, com a proteção de Maria, a Estrela da Evangelização. Amém. 

“Lancemos pontes sobre os abismos”

                                                    


 “Lancemos pontes sobre os abismos”

“Quantos pobres como Lázaro jazem famintos e cheios de chagas às portas das chamadas sociedades do bem-estar, sobretudo em países onde a riqueza está concentrada vergonhosamente nas mãos de poucos, sem escrúpulos e privados de sensibilidade social?

É urgente a todos os níveis uma inversão de tendência: é necessário lançar pontes sobre os abismos que nos separam antes que se tornem precipícios de falta de comunicação e de conflitos irreparáveis. Neste processo, os cristãos têm grandes responsabilidades e, por vezes, decisivas.” (1)

“Pontes”, podemos edificar,
Desigualdades pecaminosas, atenuar.

Os “precipícios” não podem ser perpetuados,
Precisam, para sempre, serem extintos.

Os clamores de milhões de Lázaros sobem aos céus,
E clamam por compaixão humana/solidariedade.

“Pontes”, dentro de nossos lares, precisamos construir: 
Proximidade, atenção, ternura e compreensão.

“Pontes”, em nossas comunidades, devem ser edificadas e cuidadas,
Ao mundo sinal de contínua conversão para salutar comunhão.

Enquanto é tempo, construir “pontes” de comunhão e solidariedade,
Eliminar quaisquer “precipícios” de falta de comunicação.

O tempo é breve, a figura deste mundo passa...
Quais “pontes” construirmos? Quais “abismos” evitarmos?

Oremos!

(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – Portugal – p.449
Reflexão oportuna para a passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 4,19-31)

Por Vosso Amor, salvai-nos, Senhor!

                                                             

Por Vosso Amor, salvai-nos, Senhor!

“É o Amor de Deus que nos salva do precipício do
contrassenso e da solidão, e coloca no nosso coração
a esperança dos novos céus e da nova terra”

Por Vosso Amor, salvai-nos, Senhor,
Dos precipícios de mil nomes.

Do precipício da falta do bom senso,
Da solidão que nos fragiliza,
Da dúvida que não edifica,
Da angústia que devora sonhos.

Por Vosso Amor, salvai-nos, Senhor,
Dos precipícios de mil nomes.

Do precipício da falta do diálogo,
Da amargura que nos corrói,
Do medo que nos paralisa,
Da mentira que nos escraviza.

Por Vosso Amor, salvai-nos, Senhor,
Dos precipícios de mil nomes.

Do precipício da falta de amor,
Do anonimato que nos faz indiferentes,
Da violência que ceifa vida de inocentes,
Da crueldade que nos torna insanos.

Por Vosso Amor, salvai-nos, Senhor,
Dos precipícios de mil nomes.

Do precipício da falta de coragem,
Do refúgio no que nos torna medíocres,
Da perda das utopias que nos emperra,
Do viver sem sentido obscurecendo horizontes.

Por Vosso Amor, salvai-nos, Senhor,
Dos precipícios de mil nomes.

Do precipício da falta de fé,
Da incredulidade fria e estéril,
Da pseudoesperança com braços cruzados,

Da caridade inativa, mórbida, inoperante... 

Amados pelo Senhor, construamos pontes

                                                               

Amados pelo Senhor, construamos pontes
 
Início de um dia:
O sol nascente brilha intensamente.
Eu, ao lado do Sol Nascente, Jesus.
 
Naquela manhã, caminhei com o Senhor pelas ruas e praças,
E vimos muros, cercas e grades que dividem, isolam e,
fragilmente, protegem.
Na mesma manhã, vimos pontes, que distâncias encurtam,
Por sobre rios, mares, vales, ou abismos ou mesmo o nada.
 
Vimos muitos muros sendo levantados tão velozmente,
E muitas pontes destruídas com mesma intensidade.
 
Os muros levantados, não apenas nas ruas e praças,
Mas também em muitas casas, distanciando os que nela vivem,
Mergulhados na tela de um celular, ou outro meio,
Como que ilhas que não se encontram, no mar do isolamento.
 
Vimos muitos muros sendo levantados tão velozmente,
E muitas pontes destruídas com mesma intensidade.
 
Vimos pontes sendo cuidadosamente restauradas,
Suas bases revigoradas, com a força da Palavra e da Oração,
No silêncio orante do recolhimento dos que na família vivem,
Na busca comum do Deus que fala e gera alegria e comunhão.
 
Vimos muitos muros sendo levantados tão velozmente,
E muitas pontes destruídas com mesma intensidade.
 
Vimos pontes construídas pelas comunidades solidárias,
Que a fé, corajosamente, professam para dar asas à esperança,
Inflamadas pelo fogo do Espírito, comprometidas com a fraternidade,
Com gestos de partilha, alegre doação e solidariedade.
 
Vimos muitos muros sendo levantados tão velozmente,
E muitas pontes destruídas com a mesma intensidade.
 
Ao término do dia, perguntei ao Senhor o que Ele espera de nós,
Ao que respondeu: “Construam mais pontes e menos muros.
Foi para isto que na Cruz morri, para gerar um mundo novo,
Que nasce do amor vivido, da reconciliação, de uma nova humanidade".
 
E Ele, olhando em meus olhos, disse-me, com imensa ternura:
“Derruba muros, levanta pontes... “
Isto é o que espero de ti e de quem me segue.
Ao mundo ofereça a fragrância da simplicidade;
a limpidez de olhar para com todos que pelo caminho encontrares.
 
Tenha pureza de coração e sentimentos mais belos com quem convives.
Renasça em ti o melhor que tenho para te oferecer,
Se em mim confiares e a mim te entregares com amor sem medida,
Com renúncia de ti mesmo, tomando tua cruz e me seguindo.
 
Tão somente assim serás feliz, me amarás, porque antes te amei,
Construindo pontes que recriam e tornarão presente o Reino de meu Pai”.
 
O sol já está poente e não mais brilha intensamente.
Eu ao lado do Sol Nascente, Sol que jamais se põe;
que aquece e ilumina meus dias e noites, Jesus.
Fim de um dia. 


PS: Fonte de inspiração (Ef 2,12,18)

A importância do diálogo na construção de pontes de paz

 


A importância do diálogo na construção de pontes de paz

 

O discípulo missionário do Senhor constrói pontes de paz, com os mesmos pensamentos e sentimentos de Jesus, o Bom Pastor, na prática do Mandamento do amor a Deus e ao próximo, inseparavelmente, com abertura, paciência e diálogo com o outro, sem jamais edificar muros que criam separações e inimizades.

 

Urge aprender com Ele, num processo contínuo de conversão, sobretudo neste Tempo da Quaresma, abertos ao diálogo, como nos propôs a Campanha da Fraternidade Ecumênica (2021), com o tema: “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”; tendo como lema: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Ef 2,14).

 

Vivendo a Quaresma como tempo favorável de penitência, conversão e reconciliação, redescubramos a força e a beleza do diálogo, como um caminho de relações mais amorosas e fraternas.

 

Sejamos no coração do mundo um raio da luz divina, comunicando o gosto e a beleza da vida, pela qual o Senhor Se entregou, morreu e Ressuscitou, e este é, também, nosso caminho e nosso destino: somos Pascais, carregando em vasos de argila o tesouro do Espírito, como templos divinos.

 

 

 PS: Publicado no informativo Água da Fonte – Paróquia Sant’Ana – Água Boa - MG


Construamos pontes de paz!

                                                      

Construamos pontes de paz!

Os discípulos missionários do Senhor constroem pontes de paz e não muros que criam separações e inimizades, e para isto temos que ter os mesmos pensamentos e sentimentos de Jesus, e com Ele aprendermos sempre, num processo contínuo de conversão.

Jesus é o modelo de Pastor e a responsabilidade no cuidado do rebanho e as contas que teremos de prestar:
“A Igreja no seu conjunto, e em particular os responsáveis, deve prestar contas a Deus de como desempenha a missão recebida d’Ele, tendo diante dos olhos o modelo de Jesus, Bom Pastor”.

O perigo do ativismo e a necessidade de recuperar a serenidade e a força: 
“É útil recordá-lo também aos agentes de pastoral, sempre a correr de uma tarefa para outra, mas também a cada cristão, que precisa muito de se desligar da sua atividade, para recuperar serenidade e força".

O rebanho não é propriedade nossa – devemos cuidar com amor:
“É importante relembrar que o Povo é de Deus, não dos pastores de serviço: Mateus insistirá em dizer que o único Mestre é Cristo (Mt 23,8) e João colocará a ênfase no dever de apascentar as ovelhas do Senhor (Jo 21,15-17)”.

A amizade e intimidade com Jesus e o assimilar de Sua proposta, Seu Evangelho e modo de viver:
“O apostolado não é um ofício entre os outros: nasce da fé e da proximidade constante com o Mestre, do qual se aprendem os conteúdos e o estilo da evangelização; porventura seria mais apta a expressão ‘d’Ele se assimilam’ os conteúdos e o estilo da evangelização.

Para tal assimilação é preciso tempo, calma, descanso ‘sobre o peito’, como disse João (Jo 13,25). Deve também ser repensado o conteúdo na evangelização que não se refere só a conceitos teológicos, mas também à autêntica paixão pelo homem e pelas suas necessidades.”

O cuidado pastoral origina-se na fé e nos coloca em atitude de ida ao encontro do outro:
“O cuidado pastoral nasce da fé, dizia-se, mas também do coração que sabe comover-se e adaptar-se com flexibilidade aos programas, para ir ao encontro das expectativas concretas das pessoas”.

Sejamos fascinados e apaixonados por Cristo e Sua Igreja:
“Deus tomou um coração de carne e utilizou uma linguagem humanamente quente para nos falar de Si mesmo, por vezes acontece que nós esquecemos o nosso coração de carne e assumimos uma linguagem friamente teológica para falar de Deus. E então as pessoas deixam de nos procurar: não nos veem comovidos como Jesus”.

Anunciar e testemunhar a Boa Nova, com palavra e ação:
“A Boa Notícia que se deve anunciar a todos é que a paz já foi assinada por Cristo na Cruz. Mas deve ser ratificada por cada um.”

O discípulo constrói pontes de paz:
“O cuidado pastoral acompanha com generosidade e paciência a ratificação e a realização da paz para todos. Em lugar de construir muros de separação, é-nos pedido que construamos pontes de paz”.

Renovemos a alegria de sermos discípulos missionários do Senhor, e renovemos também a chama batismal, para que possamos no coração do mundo ser um raio de Sua luz, comunicando o gosto e a beleza da vida, pela qual o Senhor Se entregou, morreu e Ressuscitou.

Este é também nosso caminho, este também é o nosso destino: somos Pascais, carregamos em vaso de argila o tesouro do Espírito, como templos divinos. Carregamos a semente da eternidade. Amém!

PS: Citações extraídas do Lecionário Comentado - Volume I Tempo Comum - Editora Paulus - Lisboa - pp. 760-764

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