quarta-feira, 11 de março de 2026
Voltai sobre nós o Vosso olhar, Senhor!
A maturidade da fé
Praticar e ensinar a Lei do Senhor
Abri, Senhor, os olhos de nossa alma e os ouvidos de nosso coração
Abri, Senhor, os olhos de nossa alma
e os ouvidos de nosso coração
“Se me disserem: ‘Mostra-me o teu Deus’, dir-te-ei: ‘Mostra-me o homem que és e eu te mostrarei o meu Deus’. Mostra, portanto, como veem os olhos de tua mente e como ouvem os ouvidos de teu coração.
Os que veem com os olhos do corpo, percebem o que se passa nesta vida terrena, e observam as diferenças entre a luz e as trevas, o branco e o preto, o feio e o belo, o disforme e o formoso, o que tem proporções e o que é sem medida, o que tem partes a mais e o que é incompleto; o mesmo se pode dizer no que se refere ao sentido do ouvido: sons agudos, graves ou harmoniosos.
Assim também acontece com os ouvidos do coração e com os olhos da alma, no que diz respeito à visão de Deus.
Na verdade, Deus é visível para aqueles que são capazes de vê-lo, porque mantêm abertos os olhos da alma. Todos têm olhos, mas alguns os têm obscurecidos e não veem a luz do sol. E se os cegos não veem, não é porque a luz do sol deixou de brilhar; a si mesmos e a seus olhos é que devem atribuir a falta de visão. É o que ocorre contigo: tens os olhos da alma velados pelos teus pecados e tuas más ações.
O homem deve ter a alma pura, qual um espelho reluzente. Quando o espelho está embaçado, o homem não pode ver nele o seu rosto; assim também, quando há pecado no homem, não lhe é possível ver a Deus.
Mas, se quiseres, podes ficar curado. Confia-te ao médico e ele abrirá os olhos de tua alma e de teu coração. Quem é este médico? É Deus, que pelo Seu Verbo e Sabedoria dá vida e saúde a todas as coisas. Foi por Seu Verbo e Sabedoria que Deus criou o universo: ‘A Palavra do Senhor criou os céus, e o sopro de Seus lábios, as estrelas ‘(Sl 32,6).
Sua Sabedoria é infinita. Com a Sua Sabedoria, Deus fundou a terra; com a Sua inteligência, consolidou os céus; com sua ciência foram cavados os abismos e as nuvens derramaram o orvalho.
Se compreenderes tudo isto, ó homem, se a tua vida for santa, pura e justa, poderás ver a Deus. Se deres preferência em teu coração à fé e ao temor de Deus, então compreenderás.
Quando te libertares da condição mortal e te revestires da imortalidade, então serás digno de ver a Deus. Sim, Deus ressuscitará o teu corpo, tornando-o imortal como a tua alma; e então, feito imortal, tu verás o que é Imortal, se agora acreditares n’Ele”. (1)
Urge firmar nossos passos no caminho de conversão, a fim de que purifiquemos nosso coração, vivendo a Quaresma consiste num tempo de penitência, em contínuo esforço de conversão, purificação, sedentos de salvação, acompanhado das práticas quaresmais, indispensáveis e evangélicas, (Oração, jejum e esmola).
Oremos:
Senhor, Suplico, confiante, Médico das almas,a cura que somente pode vir de Vós, Abri, Senhor, os olhos de minha almae os ouvidos de meu coraçãopara que eu veja com os olhos da mente,por Vós iluminados, e ouça com os ouvidos do coração,por Vós purificados.. Dai-me a graça de ter a alma pura,qual um espelho reluzente, para refletir a Vossa presença,que em mim fizestes morada. Concedei-me, Senhor, a graça de uma vida santa,pura e justa,Para que a Vós eu possa ver,pois somente os puros de coração verão Vossa face (2) Que eu viva a fé e o temor a Vós,Para que, nesta árdua travessia do deserto,As tentações do maligno eu possa vencer,A voz do Filho Amado sempre escuta. E, colocando-a em prática,A alma, de água pura e cristalina, saciada,Jorrando para a eternidade.Amém!
(1) Liturgia das Horas – Volume Quaresma/Páscoa – Editora Paulus – pp.213-214
(2)Mt 5,8
Fascinados por Cristo
Fascinados por Cristo
“O que há em Jesus Cristo que desperta nosso fascínio...?”
As Diretrizes Gerais da ação Evangelizadora no Brasil (2011-2015) nos apresentaram algumas interrogações muito oportunas (n.4), que permanecem atuais:
“Toda ação eclesial brota de Jesus Cristo e se volta para Ele e para o Reino do Pai. Jesus é a nossa razão de ser, origem de nosso agir, motivo de nosso pensar e sentir. N’Ele, com Ele e a partir d’Ele mergulhamos no Mistério Trinitário, construindo nossa vida pessoal e comunitária. [...]
Em atitude orante, contemplativa, fraterna e servidora, somos convocados a responder, antes de tudo, a nós mesmos: quem é Jesus Cristo? (cf. Mc 8,27-29).
O que significa acolhê-Lo, segui-Lo e anunciá-Lo? O que há em Jesus Cristo que desperta nosso fascínio, faz arder nosso coração (cf. Lc 24,32), leva-nos a tudo deixar (cf. Lc 5,8-11) e, mesmo diante de nossas limitações e vicissitudes, a afirmar um incondicional amor a Ele (cf. Jo 21,9-17)?
A paixão por Jesus leva ao arrependimento, à contrição (cf. Lc 24,47; At 2,36ss) e à verdadeira conversão pessoal e pastoral [...]”.
De fato, sem o "fascínio", entendido como atração, encantamento, paixão, sedução, encontro pessoal de amor pela pessoa de Jesus, jamais conseguiremos dar passos corajosos no Seu seguimento.
O discípulo missionário do Senhor, em sua pertença à Igreja, peregrino da esperança no serviço do Reino, precisa deste fascínio, sem o qual não suportaria o peso da cruz e as dificuldades no caminho.
Fascinado por Cristo, conta com o Espírito da Verdade que o santifica e o livra de outros tantos fascínios, como o da “lógica mundana”, que não traria a desejada felicidade e realização.
Deste modo, sem fascínio por Cristo:
- Os Mandamentos Divinos se tornariam um peso e não alargariam os horizontes de nossa liberdade;
- Nossas Eucaristias se tornariam encontros formais, sem o ardor na acolhida da Palavra Proclamada;
- Nossas ações seriam insípidas, inodoras, não resplandeceriam a luz divina e não levariam ninguém a glorificar a Deus por elas;
- Nossas reuniões seriam apenas obrigações formais de um planejamento, um cumprimento apenas de agenda, sem a alegria do encontro, da comunhão fraterna fortalecida, da alegria de amar e servir a quem nos seduziu, nos chamou, nos amou, nos enviou;
- O perdão seria sempre para amanhã ou mesmo nunca, de modo que relações não seriam restaurados e os vínculos de comunhão fraterna jamais estabelecidos;
- As “correntes” aprisionariam a mente, os pensamentos, as inspirações, dificultando encontrar caminhos de evangelização nos novos areópagos que nos desafiam;
- Para quem estivesse do nosso lado, se preciso de nossa solidariedade, seria um peso insuportável;
- Não suportaríamos o jugo a ser carregado e nosso coração ficaria inquieto e insatisfeito;
- A pauta de nosso cotidiano seria cansaço, desalento, fracasso, mutilação de sonhos, fragilidade, futilidades e banalidades.
Sejamos fascinados por Jesus. Sejamos apaixonados e encantados por Ele, numa relação de amor-amizade que nos transforma n’Ele em cada Eucaristia que celebramos, até que possamos corresponder ao que o Apóstolo Paulo disse: “tenhamos em nós os mesmos pensamentos e sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2, 5); e possamos chegar a dizer ele também: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo quem vive em mim” (Gl 2,20).
Oremos:
Ó Deus, na espera do Senhor que veio, vem e virá, Dai-nos o fascínio e ardor necessários, para que, a exemplo de Paulo, formemos e geremos Cristo em nós, com a força e presença do Santo Espírito. Amém.
Pontes de concórdia, fraternidade e paz
Pontes
de concórdia, fraternidade e paz
Reflexão
à luz da Carta aos Coríntios, escrita pelo papa São Clemente (séc. I), em que
nos fala das muitas veredas, mas somente um Caminho:
“Este
é o caminho, caríssimos, onde encontramos nossa salvação: Jesus Cristo, o
pontífice de nossas oferendas, nosso defensor e arrimo nas fraquezas.
Por
Ele nossos olhos se voltam para as alturas dos céus; por Ele contemplamos, como
num espelho, o rosto puríssimo e sublime de Deus; por Ele abrem-se os olhos de
nosso coração; por Ele a nossa inteligência, insensata e obscurecida,
desabrocha para a luz; por Ele quis o Senhor fazer-nos saborear a ciência
imortal, pois sendo Ele o esplendor da
glória de Deus, foi colocado tão acima dos anjos quanto o nome que herdou
supera o nome deles (cf. Hb 1,3.4).
Combatamos,
portanto, irmãos, com todas as forças, sob as suas ordens irrepreensíveis.
Consideremos
os soldados, que combatem sob as ordens dos nossos comandantes. Quanta
disciplina, quanta obediência, quanta submissão em executar o que se ordena!
Nem todos são chefes supremos, ou comandantes de mil, cem ou cinquenta
soldados, e assim por diante; mas cada um, em sua ordem e posto, cumpre as
ordens do imperador e dos comandantes. Os grandes não podem passar sem os
pequenos, nem os pequenos sem os grandes. A eficiência depende da colaboração
recíproca.
Sirva
de exemplo o nosso corpo. A cabeça nada vale sem os pés, nem os pés sem a
cabeça. Os membros do corpo, por menores que sejam, são necessários e úteis ao
corpo inteiro; mais ainda, todos se harmonizam e se subordinam para salvar todo
o corpo. Asseguremos, portanto, a salvação de todo o corpo que formamos em
Cristo Jesus, e cada um se submeta ao seu próximo conforme o dom da graça que
lhe foi concedido.
O
forte proteja o fraco e o fraco respeite o forte; o rico seja generoso para com
o pobre e o pobre agradeça a Deus por ter dado alguém que o ajude na pobreza. O
sábio manifeste sua sabedoria não por palavras, mas por boas obras; o humilde
não dê testemunho de si mesmo, mas deixe que outro o faça. Quem é casto de
corpo não se vanglorie, sabendo que é Deus quem lhe dá o dom da continência.
Consideremos,
então, irmãos, de que matéria somos feitos, quem éramos e em que condições
entramos no mundo, de que túmulo e trevas nos fez sair Aquele que nos plasmou e
criou, para nos introduzir no mundo que lhe pertence, onde nos tinha preparado
tantos benefícios antes mesmo de termos nascido. Sabendo, pois, que recebemos
todas estas coisas de Deus, por tudo lhe demos graças. A Ele a glória pelos
séculos dos séculos. Amém.”(1)
Uma profissão de fé:
Cremos
que Cristo é a cabeça da Igreja, e que esta, por sua vez, é o Seu Corpo.
Cremos
que Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos, e que, com Ele.
ressurgirmos pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou.
Cremos
que n’Ele habita corporalmente a divina plenitude e que temos n’Ele a
plenitude, porque fomos sepultados com Ele no dia de nosso Batismo.
Cremos,
portanto, que devemos sempre superar todas as distâncias, empenhando-nos na
construção de pontes de comunhão e fraternidade, e jamais muros dos
distanciamentos e dispersões.
Cremos
que, por sermos um Corpo, devemos fazer tudo para que a concórdia, o diálogo, a
fraternidade e a paz sejam promovidas, superando todas as formas de conflitos e
guerras.
Cremos na civilização do amor e, com a fé no Ressuscitado, firmamos nossos passos como peregrinos da esperança, comprometidos com um novo céu e uma nova terra. Amém.
(1)
Liturgia das Horas – Tempo da Quaresma e da Páscoa – Volume II –
pág. 718-719
Olhando pela janela...

A concorrência é desumana e com ela a desigualdade social.
Reina ainda na terra, deploravelmente, o estado da injustiça que clama vingança.






