quarta-feira, 11 de março de 2026

O Senhor iluminou os nossos olhos (IVDTQA)

                                                       

O Senhor iluminou os nossos olhos

No 4º Domingo da Quaresma, a Igreja nos oferece, na Liturgia das Horas,  um texto escrito pelo Bispo Santo Agostinho (séc V),  extraído “Dos Tratados sobre o Evangelho de São João” sobre a passagem em que Jesus realiza o sinal da cura do cego de nascença (Jo 9,1-41).

“Diz o Senhor: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12).

Estas breves palavras contêm um preceito e uma promessa. Façamos o que o Senhor mandou, para esperarmos sem receio receber o que prometeu, e não nos vir Ele a dizer no dia do Juízo: 'Fizeste o que mandei para esperares agora alcançar o que prometi?’ Responder-te-á: ‘Disse quem e seguisses’. Pediste um conselho de vida. De que vida, senão daquela sobre a qual foi dito: Em Vós está a fonte da vida?(Sl 35,10).

Por conseguinte, façamos agora o que nos manda, sigamos o Senhor, e quebremos os grilhões que nos impedem de segui-Lo. Mas quem é capaz de romper tais amarras se não for ajudado por Aquele de quem se disse: Quebrastes os meus grilhões (Sl 115,7). E também noutro salmo: É o Senhor quem liberta os cativos, o Senhor faz erguer-se o caído (Sl 145,7-8).

Somente os que assim são libertados e erguidos poderão seguir aquela luz que proclama: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas.

Realmente o Senhor faz os cegos verem. Os nossos olhos, irmãos, são agora iluminados pelo colírio da fé. Para restituir a vista ao cego de nascença, o Senhor começou por ungir-lhe os olhos com Sua saliva misturada com terra.

Cegos também nós nascemos de Adão, e precisamos de ser iluminados pelo Senhor. Ele misturou Sua saliva com a terra: E a Palavra Se fez Carne e habitou entre nós (Jo 1,14).

Misturou Sua saliva com a terra, como fora predito: A verdade brotou da terra (cf. Sl 84,12). E Ele próprio disse: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6).

A verdade nos saciará quando O virmos face a face, porque também isso nos foi prometido. Pois quem ousaria esperar, se Deus não tivesse prometido ou dado?

Veremos face a face, como diz o Apóstolo: Agora, conheço apenas de modo imperfeito; agora, nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face (1Cor 13,12).

E o Apóstolo João diz numa de suas Cartas: Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus Se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é (1Jo 3,2). Eis a grande promessa!

Se O amas, segue-O! ‘Eu O amo, dizes tu, mas por onde O seguirei?’ Se o Senhor te houvesse dito: ‘Eu sou a Verdade e a Vida’, tu que desejas a verdade e aspiras à vida, certamente procurarias o caminho para alcançá-la e dirias a ti mesmo: ‘Grande coisa é a verdade, grande coisa é a vida! Ah, se fosse possível à minha alma encontrar o caminho para lá chegar!’

Queres conhecer o caminho? Ouve o que o Senhor diz em primeiro lugar: Eu sou o Caminho. Antes de dizer aonde deves ir, mostrou por onde deves seguir. Eu sou, diz Ele, o Caminho. O Caminho para onde? A Verdade e a Vida.

Disse primeiro por onde deves seguir e logo depois indicou para onde deves ir. 'Eu sou o Caminho, Eu sou a Verdade, Eu sou a Vida'. Permanecendo junto do Pai, é Verdade e Vida; revestindo-Se de nossa carne, tornou-Se o Caminho.

Não te é dito: ‘Esforça-te por encontrar o caminho, para que possas chegar à verdade e à vida’. Decerto não é isso que te dizem. Levanta-te, preguiçoso! O próprio Caminho veio ao teu encontro e te despertou do sono em que dormias, se é que chegou a despertar-te; levanta-te e anda!

Talvez tentes andar e não consigas, porque te doem os pés. Por que estão doendo? Não será pela dureza dos caminhos que a avareza te levou a percorrer?

Mas o Verbo de Deus curou também os coxos. ‘Eu tenho os pés sadios, respondes, mas não vejo o Caminho’. Lembra-te que Ele também deu a vista aos cegos”.

Santo Agostinho nos apresenta o Cristo, que é o caminho para a luz e a verdade para a vida, e enviado por Deus pode nos curar de toda enfermidade, de toda cegueira.

Assim como o cego de nascença, também sejamos curados de nossa cegueira interior, a mais empobrecedora de todas, a cegueira espiritual, tenhamos o coração iluminado para ver como Deus vê, pois Ele vê o coração e não as aparências (1Sm 16,7).

Curados de nossa cegueira para vivermos como filhos da luz, na prática da bondade, amor e verdade, como o Apóstolo nos exorta na Epístola (Ef 5, 8-14).

Curados, iluminados por Deus, e iluminadores do mundo, com Sua Divina luz, sejamos. Amém! 

Como precisamos do colírio da fé! (IVDTQA)

                                                      

Como precisamos do colírio da fé!

Retomo as palavras de Jacques Monod, prêmio Nobel de medicina, citadas no Missal Dominical para a passagem bíblica da cura do cego de nascença (cf. Jo 9,1-40):

“O homem é um cigano perdido num universo enregelado que lhe é totalmente indiferente”.

O que esta citação quer dizer e o que tem a ver com esta cura?

Assim refletiu o Papa Bento XVI, anos passados:

“O domingo do cego de nascença apresenta Cristo como luz do mundo. O Evangelho interpela cada um de nós: «Tu crês no Filho do Homem?». «Creio, Senhor» (Jo 9, 35.38), afirma com alegria o cego de nascença, fazendo-se voz de todos os crentes.

O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como «filho da luz»”.

Convida-nos à profundidade da fé, abrindo o nosso olhar interior, não permitindo lugares para obscuridades em nossa vida, pois somos filhos da luz como afirma Paulo aos Efésios (Ef  5,8-14).

O Bispo Santo Agostinho assim se expressou:

“Os nossos olhos, irmãos, são agora iluminados pelo colírio da fé”.

Profundidade sim, obscuridade não! Necessitamos deste “colírio da fé”, para uma fé mais profunda, iluminada e iluminadora. As trevas cederão sempre à luz, que emana da Vida Nova do Ressuscitado. Crer no Ressuscitado é certeza de que as trevas cedem lugar à luz, e a morte à vida!

Sem a fé, seríamos como ciganos, vagueando nas penumbras das incertezas, sem um destino auspicioso, sem horizontes e perspectivas, enfim, sem saídas! O mundo, a vida, a nossa história seriam enregelados, tristes, sombrios… De modo que o desânimo e  o caos nos seriam indiferentes.

Mas não! Crendo no Ressuscitado sabemos por onde e com quem caminhar, Jesus. Temos a Verdade que embasa nosso viver, o Evangelho. Temos a vida no tempo presente que se espraia nos deleites da eternidade, o Céu!

Conversão (IVDTQA)

                                                       


Conversão

“No fundo, é isso, a solidão: envolvermo-nos no
casulo da nossa alma, fazermo-nos crisálida e
aguardarmos a metamorfose, porque
ela acaba sempre por chegar”. (1)

Quaresma: tempo favorável de nossa salvação,
Com o imperativo necessário da conversão,
Não somente pessoal, mas em todos os níveis.

Tempo de Graça derramada sobre nós,
Quando nos sentimos envolvidos por Deus
E Sua indizível e infinita misericórdia.

Tempo de progredirmos no conhecimento
Do Senhor e Sua Palavra, que é em todo tempo
Viva e eficaz e alcança o mais profundo de nós.

Tempo de transformação de tudo,
Para que melhores para Deus sejamos,
Correspondendo ao Seu amor numa vida santa.

Tempo de sermos remodelados pelas mãos divinas,
Com mudança radical dos caminhos e rumos,
Em sincera “metanoia”: conversão da mente e coração.

Tempo de escrevermos uma nova página da história,
Com novas linhas e parágrafos diferentes,
Com conteúdo marcado pela beleza e luminosidade.

Tempo de emprestarmos à vida um novo colorido,
No meio da cidade, por vezes, triste,
Vista em seus muros e grades de proteção.

Tempo de redirecionarmos nossa nau,
Para não irmos aonde sopram os ventos
Da conveniência e mediocridade e covardia;

Permitindo que o Senhor tome a direção;
Que Ele reine em nossa vida
Santificando nossos pensamentos e sentimentos.

É tempo de crepitarmos a fé no coração,
Para que a esperança ilumine nosso olhar
E a caridade marque cada pequenina ação.

Tempo de sermos conduzidos pelo Espírito;
Por Ele repletos, vivendo na planície
O Sermão da Montanha: as Bem-Aventuranças.

Tempo de sacrifícios que revertam em vida
Em favor de nosso irmão sedento e faminto
De vida, de paz, de amor e de fraternidade.

Tempo de suportarmos a crisálida necessária,
Para que, chegando ao termo,
Possamos realizar o que Deus para nós preparou.

É tempo de mudança, de transformação, de conversão.
É tempo de graça, de reconciliação, de salvação.
Continuemos a travessia do deserto... 


(1) August Strindberg, Dramaturgo sueco – (1849-1912).

Em poucas palavras... (IVDTQA)

                                            




A compaixão de Cristo

“Muitas vezes Jesus pede aos enfermos que creiam (Mc 5,34-36; 9,23). Serve-se de sinais para curar: saliva e imposição das mãos (Mc 7,32-36; 8,22-25); lama e ablução (Jo 9,6-15).

Os doentes procuram tocá-Lo (Mc 3,10; 6,56), porque d’Ele saía uma ‘força que a todos curava’ (Lc 6,19). Também nos Sacramentos de Cristo continua a nos ‘tocar’ para nos curar”. (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 1504

Em poucas palavras... (IVDTQA)

                                                  


A necessária confiança em Deus

“Na base de todas as coisas está a confiança em Deus, desse Deus que só perturba a alegria de seus filhos para lhes proporcionar outra mais certa e maior’” (1)

 

(1)Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1995 – pág. 1008

Em poucas palavras... (IVDTQA)

                                                      


 

Contemplemos e fixemos nosso olhar de fé em Jesus

“A contemplação é o olhar da fé, fixado em Jesus. «Eu olho para Ele e Ele olha para mim» – dizia, no tempo do seu santo Cura, um camponês d'Ars em oração diante do sacrário.  Esta atenção a Ele é renúncia ao «eu». O seu olhar purifica o coração.

 A luz do olhar de Jesus ilumina os olhos do nosso coração; ensina-nos a ver tudo à luz da sua verdade e da sua compaixão para com todos os homens. 

A contemplação dirige também o seu olhar para os Mistérios da vida de Cristo. E assim aprende «o conhecimento íntimo do Senhor» para mais O amar e seguir (Santo Inácio de Loyola).” (1)

 

(1)               Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2715

Em poucas palavras... (IVDTQA)

                               


“O grande Cristo, brilha mais que o Sol sobre todos os seres”

“«A vida derramou-se sobre todos os seres e todos são inundados duma grande luz: o Oriente dos orientes invade o universo e Aquele que era "antes da estrela da manhã" e antes dos astros, imortal e imenso, o grande Cristo, brilha mais que o Sol sobre todos os seres. É por isso que, para nós que n'Ele cremos, se instaura um dia de luz, longo, eterno, que não se extingue: a Páscoa mística»” (1)

 

(1)  Citado no parágrafo n. 1165 do Catecismo da Igreja Católica - Pseudo-Hipólito de Roma, In sanctum Pascha 1, 1-2: Studia patristica mediolanensia 15, 230-232 (PG 59, 755).

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