quarta-feira, 4 de março de 2026

Conduzidos pelas Obras de Misericórdia

 


                                         Conduzidos pelas Obras de Misericórdia
 
Tão certo quanto o rio que deságua no mar,
A alegria no coração quando não se cansa de amar.
 
A Igreja, perita em humanidade, tem algo a nos ensinar.
Da Sagrada Tradição luzes a nos conduzir e iluminar.
 
Obras de Misericórdia corporais e espirituais,
Em prática postas, quaresma santa e fecunda.
 
Sete obras de misericórdia corporais:
Dar de comer a quem tem fome; 
dar de beber a quem tem sede; 
vestir os nus; 
dar pousada aos peregrinos; 
assistir aos enfermos; 
visitar os presos; 
enterrar os mortos. 
 
Sete obras de misericórdia espirituais:
Dar bom conselho; 
ensinar os ignorantes; 
corrigir os que erram; 
consolar os aflitos;
perdoar as injúrias; 
sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 
rogar a Deus por vivos e defuntos.  
 
Primeiros passos de um santo itinerário,
Com o Senhor mais perfeitamente configurados,
d’Ele mesmos sentimentos tenhamos,
Aprendizes do Verbo, fortalecidos e encorajados sejamos.
 
Ao Seu Divino Amor correspondamos:
O mesmo do presépio, barca, cruz e sepultura.
Na glória Ressuscitado, entre nós caminha.
E na Páscoa, cantemos exultantes o Aleluia. Amém.

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!

                                                      


Como o fragor de muitas águas Deus nos fala! 

"Sua voz era como o fragor de muitas águas" (Ap 1,15)

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!
Que em meio a ruídos ensurdecedores, 
Sua voz, atentos, possamos escutar,
E de nossos compromissos sagrados jamais nos furtar!

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!
Se não O ouvimos é porque outros barulhos nos ensurdecem...
E, curvados sob o jugo de ídolos, de forças subtraídos,
Somos aniquilados, espiritualmente enfraquecidos!

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!
No grito do silêncio dos inocentes,
No gesto de amor puro, verdadeiro, sem publicidades,
Cujo objetivo maior é, do outro, a felicidade!

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!
Em exercícios edificantes de jejum, oração e esmola,
Cultura da vida e da paz, solícitos, juntos construir
Seu Reino, mais que sonho, um mundo novo que há de vir!

Como o fragor de muitas águas Deus nos fala!
Calemo-nos, silenciemo-nos, nem mais uma palavra!
Acolhamos, sintamos Sua amável e indescritível presença.
Não haverá obstáculos cujas forças maiores nos vençam!

Com Ele, com Sua voz, Sua Palavra...
Uma certeza divina que jamais nos decepciona!
Fragor de Suas palavras, no coração, ecoadas,
Mais que vencedores, já o somos, em árduas jornadas! 

A Voz Divina como o fragor de muitas águas!

                                               


A Voz Divina como o fragor de muitas águas!

Que Deus nos fale pela voz do Bispo Santo Irineu (séc. II), através de seu Tratado contra as heresias de ontem e de todo tempo:

“... Eis por que João diz no Apocalipse: “Sua voz era como o fragor de muitas águas” (Ap 1,15).

Na verdade, são muitas as águas do Espírito de Deus, porque é muita a riqueza e a grandeza do Pai.

E, passando através de todas elas, o Verbo concedia generosamente o Seu auxílio a quantos lhe estavam submetidos, prescrevendo uma lei adaptada e adequada a cada criatura.

Deste modo, dava ao povo as leis relativas à construção do tabernáculo, à edificação do templo, à escolha dos levitas, aos sacrifícios e oblações, às purificações e a todo o restante do serviço do Altar.

Deus não precisava de nada disso, pois é desde sempre rico de todos os bens, e contém em Si mesmo a suavidade de todos os aromas e de todos os perfumes, mesmo antes de Moisés existir. Mas educava um povo sempre inclinado a voltar aos ídolos, dispondo-os através de muitas etapas, a perseverar no serviço de Deus.

Por meio das coisas secundárias chamava-o às principais, isto, pelas figuras à realidade, pelas temporais, às eternas, pelas carnais, às espirituais, pelas terrenas, às celestes, tal como foi dito a Moisés: Farás tudo segundo o modelo das coisas que viste na montanha (Êxodo 25,40)...

Por meio dessas figuras, portanto, eles aprendiam a temer a Deus e a perseverar em seu serviço.

E assim a Lei era para eles, ao mesmo tempo, norma de vida e profecia das realidades futuras”.

Quanto bem faz à alma acolher a voz divina como o fragor de muitas águas! 

Deus nos fala, às vezes, através de figuras, para que possamos “apreender e aprender” o essencial, escutar e vivenciar o que há de imprescindível para uma vida mais santa e frutuosa.

O julgamento final e as obras de misericórdia

                                                            


                       O julgamento final e as obras de misericórdia

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46), que nos fala sobre o juízo final, quando o Senhor virá em Sua glória para nos julgar a todos.

Trata-se de uma passagem fundamental para todos nós, pois nos ilumina para que vivamos uma religião pura e verdadeira aos olhos de Deus.

Deste modo, nossas orações, tudo o que professamos e celebramos, precisa ser mais do que nunca acompanhado de compromissos concretos, como vemos nas obras de Misericórdia Corporais e Espirituais:

Obras de misericórdia corporais: Dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir aos enfermos; visitar os presos; enterrar os mortos. 

Obras de misericórdia espirituaisDar bom conselho; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; rogar a Deus por vivos e defuntos.  

São iluminadoras as palavras do Bispo e Doutor Santo Agostinho sobre esta passagem:

“Todo o mal que os maus fazem é registado – e eles não o sabem. No dia em que ‘Deus virá e não se calará’ (Sl 50, 3) [...]. Então, Ele Se voltará para os da Sua esquerda: ‘Na terra, dir-lhes-á, Eu tinha posto para vós os meus pobrezinhos, Eu, Cabeça deles, estava no céu sentado à direita do Pai – mas na terra os meus membros tinham fome: o que vós tivésseis dado aos meus membros, teria chegado à Cabeça. Quando Eu coloquei os meus pobrezinhos na terra, constituí-os vossos portadores para trazerem as vossas boas obras ao meu tesouro. Vós nada depositastes nas mãos deles: por isso nada encontrais em Mim’” (1).

Tenhamos sempre esta solicitude para com os “pobrezinhos na terra”, pois são eles os “portadores” que levam nossas boas obras ao tesouro do Senhor.

Empenhemo-nos neste “depósito”, para que possamos ouvir dos lábios do Senhor:

“Vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo” (Mt 25,34).  

(1)         Sermão de Santo Agostinho – cf. Catecismo da Igreja Católica n. 1039


PS: Apropriado para o dia de Finados ou da Solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo, quando se proclama esta passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46)

Em poucas palavras... (IIIDTQA)

 


“Nascentes, lençóis de água e pântanos”

“Em nosso percurso existencial encontramos, muitas vezes, pessoas que são verdadeiras nascentes. São límpidas e transparentes, inspiradoras e mobilizadora, habitualmente delicadas. Estar na presença delas é saciar nossa sede, saímos renovados. São pessoas-fonte que despertam em nós o desejo de acessar nosso manancial interior de desejos, criatividade e busca… É ali, na fonte interior, que a vida se renova.

Outras vezes nos encontramos com pessoas que são verdadeiros lençóis de água. Subterrâneas, circulam debaixo da terra, discretas, silenciosas, mas surpreendentemente criativas. Trabalham no silêncio e fazem mover a engrenagem do mundo com seus gestos escondidos, simples, mas eficazes; suas presenças fazem a diferença. Sem elas não seria possível a vida.

É certo que também há as pessoas pântano, pessoas charco, pessoas “águas paradas” ou águas poluídas, pessoas “enxurrada” que tudo destroem. Claramente, nem todas as águas são boas!” (1)

 

(1) Comentário sobre a passagem do Evangelho de João (Jo 4,5-42) – Adroaldo Palaoro, SJ

 

 

A indulgência jubilar e a prática das obras de misericórdia

                                               


A indulgência jubilar e a prática das obras de misericórdia

“A indulgência está, portanto, ligada também às obras de misericórdia e de penitência, com as quais se testemunha a conversão empreendida.

Os fiéis, seguindo o exemplo e mandato de Cristo, sejam encorajados a praticar mais frequentemente obras de caridade ou misericórdia, principalmente a serviço daqueles irmãos que se encontram oprimidos por diversas necessidades.

Mais concretamente redescubram ‘as obras de misericórdia corporais; dar comida aos famintos, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, acolher o estrangeiro, assistir aos doentes, visitar os presos, sepultar os mortos’ (Misericordiae Vultus, n.15) e redescubram também as ‘obras de misericórdia espirituais: aconselhar os duvidosos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência a injustiças, rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos’ (Misericordiae Vultus, n.15).” (1)

 

 

(1) Dicastério para a Evangelização – Jubileu 2025- Textos Litúrgicos – Normas sobre a Concessão da Indulgência Jubilar - Edições CNBB – pág. 65-66

AAno Jubilar: 2025



A fina flor da esperança

                                                          

A fina flor da esperança

Vivemos uma crise que desafia o testemunho da nossa fé e a caridade ativa, para que vislumbremos um novo amanhecer, com o renascer da fina flor da esperança.

Múltiplas são suas expressões:  planetária, econômica, social, política, moral, ética, familiar, existencial, religiosa, de valores, etc.

Entretanto, precisamos entender as dificuldades não como um ponto final, uma situação em que não há perspectivas, mas como momento de reflexão e incansável busca de saídas e de superação, reconhecendo as nossas infidelidades e pecados, e empenhados na necessária conversão, voltando-nos para Deus, orientando a nossa vida segundo Seus preceitos.

Com relação à crise política nacional atual, por exemplo, se buscarmos na história, veremos que, lamentavelmente, não se restringe aos nossos tempos, mas há décadas.

Todavia, se há na crise inúmeros aspectos negativos, há também positivos, paradoxalmente, porque nos remetem à autocrítica, à revisão, à conversão.

Na Sagrada Escritura, encontramos diversas passagens que não nos permitem ver a crise como ponto final. Dentre elas: “Os que odeiam Iaweh o adularia, e o tempo deles teria passado para sempre. Eu o alimentaria com a flor do trigo, e com o mel do rochedo te saciaria” (Sl 81,16-17).

O Papa Francisco, quando escreveu a Bula “Misericordiae Vultus” (O rosto da misericórdia), retratou perfeitamente o cenário que vivemos, quando alude à violência, ao dinheiro e à corrupção:

“O convite à conversão dirige-se, com insistência ainda maior, àquelas pessoas que estão longe da graça de Deus pela sua conduta de vida... Não caiais na terrível cilada de pensar que a vida depende do dinheiro e que, à vista dele, tudo o mais se torna desprovido de valor e dignidade. Não passa de uma ilusão. Não levamos o dinheiro conosco para o além. O dinheiro não nos dá a verdadeira felicidade.

A violência usada para acumular dinheiro que transuda sangue não nos torna poderosos nem imortais. Para todos, mais cedo ou mais tarde, vem o juízo de Deus, do qual ninguém pode escapar” (n.19).

“O mesmo convite chegue também às pessoas fautoras ou cúmplices de corrupção. Esta praga putrefata da sociedade é um pecado grave que brada aos céus, porque mina as próprias bases da vida pessoal e social. A corrupção impede de olhar para o futuro com esperança, porque, com a sua prepotência e avidez, destrói os projetos dos fracos e esmaga os mais pobres. É um mal que se esconde nos gestos diários para se estender depois aos escândalos públicos.” (cf. n.19).

Entretanto, a superação deste momento adverso exige esforço e disposição de todos, pois somente assim reencontraremos o caminho para que a fina flor da esperança brote no horizonte, exalando odores de alegria, fraternidade, solidariedade, justiça, partilha, transparência e da autêntica paz, construída no fortalecimento dos pilares do amor, verdade, justiça e liberdade, trazendo vida plena e feliz para a humanidade.

Concluindo, toda a sociedade é interpelada a não se curvar diante da crise e de eventuais dificuldades, e de modo mais explícito, nós, que professamos a fé em Deus, que jamais abandona Seu povo, porque ontem, hoje e sempre, vê nossa miséria, ouve nosso clamor por causa dos opressores, conhece nossas angústias e desce para nos libertar e nos fazer subir para uma terra boa e vasta, terra que emana leite e mel (Ex 3,7-8).

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