domingo, 15 de fevereiro de 2026

Bem-Aventuranças vividas, mundo transformado (VIDTCC)

                                                             

Bem-Aventuranças vividas, mundo transformado


No 6º domingo do Tempo Comum (ano C), ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,17.20-26), em que Jesus nos apresenta o Sermão da Planície que, se vivido é o único e autêntico caminho para a felicidade que tanto desejamos e buscamos.

Vemos em Sua proposta, um programa de felicidade: Paradoxal caminho da felicidade, porque tão diferente da felicidade que o mundo oferece, porque as Bem-aventuranças vividas, inevitavelmente, a cruz cotidiana deve ser assumida e carregada, com suas necessárias renúncias, para maior liberdade e fidelidade no seguimento ao Senhor.

Importa acolhê-lo, quer na montanha (Mt 5,1-12), ou mesmo na planície (Evangelho de Lucas).

É fundamental que vivamos este Projeto na planície de nosso cotidiano. Não podemos ficar para sempre na montanha, ainda que nos seja tentador (Pedro que o diga).

Enquanto o mundo novo não irrompe nas relações entre nós, os “ais” de Jesus ecoam no mais profundo de nosso coração, bem como o convite à vivência das Bem-aventuranças.

Quando os “ais” de Jesus são acolhidos, rompe-se e supera-se todo egoísmo, prepotência, injustiça, exploração, ilusões, dolorosas frustrações, porque não confiaremos demais nas pessoas (prescindindo de Deus), tão pouco em nós (em execrável autossuficiência), nem confiaremos nas coisas em si, nos bens que passam...

Quando as Bem-Aventuranças são encarnadas, inauguram-se relações de partilha, solidariedade, comunhão e amor, humildade, gratuidade, doação... Ganham vigor as relações fraternas.

Celebrando a Eucaristia, experimentamos a força do Ressuscitado, subimos a montanha Sagrada, onde Deus Se revela e nos envolve com Seu sopro e rompemos com o velho mundo e sua enganadora proposta de felicidade.

Precisamos subir sempre a Montanha Sagrada e respirar o ar de Deus que nos refaz de nossos cansaços, fortalece-nos para suportar sofrimentos, superando quaisquer sinais de marginalização, para que o Reino de Deus aconteça.

Ainda que alcançado por caminhos tão diferentes daquele que a humanidade teima em propor... A felicidade divina é alcançada não por quem tem todos os tesouros da terra, mas por quem fizer de Deus seu grande e belo tesouro.

Nossas comunidades precisam encarnar o Projeto das Bem-aventuranças! Elas são caminhos para se viver com absoluta confiança em Deus e chegar até Ele, alcançando o desejo mais profundo d’Ele para nós, e que desde a concepção desejamos: A felicidade! Para a felicidade que Deus nos criou! É este o genuíno e irremovível Projeto de Deus para nós!

A fé na Ressurreição faz-nos comprometidos com o Projeto das Bem-Aventuranças, alcançando a felicidade desde já, para desabrochar plenamente na madrugada de nossa Páscoa.

A felicidade está ao nosso alcance, mas saibamos o caminho único para alcançá-la: o caminho da Bem-Aventuranças.

Este caminho passa pela cruz, nem sempre pela humanidade, entendido. Por quem recebeu o Batismo, nem sempre bem assumido. Caminho da cruz, aparente sinal de fracasso e desilusão, mas para aquele que crê, certeza de vitória, alegria transbordante no coração. 

Sejamos pobres em espírito, porque a eles pertence o Reino dos Céus, disse o Senhor.

A prática das Bem-Aventuranças na construção do Reino (VIDTCC)

                                                   

A prática das Bem-Aventuranças na construção do Reino

No 6º Domingo do Tempo comum (ano C), a Liturgia nos convida a refletir sobre o caminho para o alcance da verdadeira felicidade.

Na passagem da primeira Leitura (Jr 17,5-8), o Profeta Jeremias nos alerta que viver prescindindo de Deus é percorrer um caminho de morte, renunciando à felicidade e à vida plena.

É preciso vencer toda atitude de autossuficiência e egoísmo, tendo em Deus total confiança e esperança, pois “Prescindir de Deus e não contar com Ele significa construir uma existência limitada, efêmera, raquítica, a que falta o essencial, como um arbusto plantado no deserto, condenado precocemente à morte” (1).

Reflitamos:

- Quais são as referências fundamentais para a construção de nossa vida?
- Onde estão a nossa segurança e esperança?
- De que modo vivemos nossa fidelidade a Deus?

Com a passagem da segunda Leitura (1 Cor 15,12.16-20), continuamos a refletir sobre o Mistério da Ressurreição, que é o fundamento de todo o nosso existir e de nossa fé, e a garantia de nossa própria Ressurreição.

O Apóstolo Paulo afirma que é feliz quem deposita a sua esperança no Cristo Ressuscitado: “A fé em Cristo Ressuscitado desemboca inexoravelmente na inquebrantável esperança de que também os cristãos ressuscitarão. O inverso também é verdadeiro: não esperar a ressurreição dos mortos equivale a não acreditar na ressurreição de Cristo. Não é possível desvincular uma coisa da outra” (2).

Reflitamos:

- Cremos na Ressurreição de Jesus e, por meio dela, a nossa?
- De que modo testemunhamos a fé na Ressurreição do Senhor?

Com a passagem do Evangelho (Lc 6,17.20-26), Jesus nos apresenta o “Sermão da planície”, de modo que a felicidade é alcançada por quem constrói a sua vida à luz dos valores sagrados com simplicidade e humildade, vencendo todo egoísmo, orgulho e autossuficiência, em total compromisso com os empobrecidos.

Deste modo compreendamos as Bem-Aventuranças não como lei, mas Evangelho, uma Boa-Nova que nos orienta e nos conduz para a construção do Reino de Deus.

Os pobres são, por sua vez, “os desprotegidos, os explorados, os pequenos e sem voz, as vítimas da injustiça, que com frequência são privados dos seus direitos e da sua dignidade pela arbitrariedade dos poderosos” (3).

A Salvação de Deus dirige-se, prioritariamente, a estes pois na sua simplicidade, humildade, disponibilidade e despojamento, estão mais abertos para a acolhida da proposta que Deus tem a oferecer por meio de Jesus Cristo:

Jesus louva os pobres que vivem ao mesmo tempo em dois mundos, o presente e o escatológico; ameaça os ricos que vivem em um só mundo, o mundo que escraviza quase inevitavelmente aquele que leva uma vida cômoda. O rico já está satisfeito com o que possui, que não entra no mais íntimo do próprio ser. O pobre, entretanto, só possui a solidão, mas a vive com uma coragem que o leva ao íntimo do seu ser, onde é percebido um mundo novo” (4).

De um lado, as Bem-Aventuranças manifestam que Jesus é enviado pelo Pai ao mundo para a libertação dos oprimidos; de outro, as “maldições”, que são os quatro “ais” de Jesus, “denunciam a lógica dos opressores, dos instalados, dos poderosos, dos que pisam os outros, dos que têm o coração cheio de orgulho e autossuficiência e não estão disponíveis para acolher a novidade revolucionária do ‘Reino'’” (5).

O Sermão, portanto, nos inquieta e nos questiona, porque nos convida a uma mudança, a um regresso a Deus e fazer progressos maiores ainda na prática do Mandamento do Amor a Ele e ao próximo; amor oblativo, amor que é sair de si mesmo e ir de encontro, sobretudo, dos que mais precisam:

“Em uma civilização de consumo, em que o dinheiro é o ídolo ao qual se sacrificam o homem e todos os outros valores, em um mundo superindustrializado e superseguro, em que não há mais lugar para a liberdade autêntica, só ‘o homem das bem-aventuranças', o homem livre das coisas, pode fazer redescobrir a verdadeira face do homem” (6).

Reflitamos:

- De que modo o “Sermão da planície” nos questiona?
- Como vivemos as Bem-Aventuranças?
- Quais “ais” de Jesus, precisamos acolher em atitude de conversão?

Na Celebração Eucarística que participamos, subimos à Montanha Sagrada, onde Deus Se revela e nos envolve com Seu sopro. Respirando o ar de Deus, e refeitos de nossos cansaços, sofrimentos, marginalização, é-nos apresentada a proposta, o programa de Jesus a ser vivido na planície de nossas vidas.

Celebrar a Eucaristia é experimentar a força do Ressuscitado e romper com o velho mundo dos “ais”, e inaugurar o novo mundo das Bem-Aventuranças; rompendo todo egoísmo, prepotência, injustiça, exploração, um mundo sem Deus, logo, um mundo sem amor.

As Bem-Aventuranças são encarnadas quando vivemos com humildade, multiplicando gestos de partilha, solidariedade, comunhão e amor que inauguram relações mais fraternas.

Elas são caminhos para se viver com Deus e chegar até Deus, pois Ele nos criou para a felicidade, e esta somente com Ele, pois “o próprio Deus colocou no coração do homem um desejo íntimo de felicidade” (7).

(1)         (3) (5) - www.dehonianos.org
(2)        (4) (6) Missal Dominical – Editora Paulus – p. 1117
(7) Catecismo da Igreja Católica - n. 1718

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Oração dos sentidos

                                                          


Oração dos sentidos

A passagem do Evangelho de Mateus (Mt 14, 13-21) nos apresenta um sinal realizado por Jesus: a primeira multiplicação dos cinco pães e dois peixes.

Sejamos enriquecidos pelo comentário do Pe. Françoá Costa sobre este sinal:

“Podemos e devemos colocar à disposição dos Projetos de Deus para este mundo os cinco pães e dois peixes que temos, a começar pelos nossos cinco sentidos funcionando sob o impulso das faculdades superiores: inteligência e vontade.

A visão, o tato, o paladar, a audição e o olfato (cinco pães) quando governados e auxiliados pela inteligência e a vontade (dois peixes) são “matéria” para que Deus realize verdadeiras obras da graça, algumas das quais só saberemos na eternidade.

O importante é andar pelo mundo fazendo o bem. Fazendo o que está da nossa parte nem nos preocuparemos muito pelas estatísticas, teremos como único empenho realizar aquilo que Deus nos pede a cada momento...”

Nas mãos de Deus, coloquemos nossos sentidos, e supliquemos ao Senhor que os coloquemos a serviço do Reino, com a convicção de que tudo que partilhamos se multiplica, porque acompanhado com o fermento do amor, que leveda o mundo novo.

Senhor, que vejamos cristãmente, com Vossos olhos: Um olhar de ternura, bondade, misericórdia, esperança, reencantamento pela vida, que se manifesta na compaixão e solidariedade para com aqueles que se sentem encurvados pelo fardo do cotidiano. Vós tendes o fardo leve e jugo suave, e por isto nos dissestes: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados...”.

Senhor, que saibamos cuidar do sentido do paladar para o cultivo do bom gosto, para aprendermos a saborear as delícias que nos ofereceis todos os dias, de modo especialíssimo e supremo, o Pão da Eucaristia, Vinho Novo de Eternidade. Não só nos ensine a saborear Vossas delícias, mas que também tenhamos a alegria e o compromisso de oferecer ao outro uma Palavra de Luz e Vida que possa também ser saboreada, tornando-se alimento na travessia que todos fazemos, até o encontro convosco na outra margem da eternidade.

Senhor, que nossos ouvidos sejam sempre atentos para escutar Vossa voz, que nos convida a um encontro pessoal que se renova a cada instante. Que também nossos ouvidos, em perfeita sintonia convosco, jamais se fechem aos clamores que sobem aos céus suplicando amor e solidariedade, e que se fechem a tantas vozes e cantos das sereias que nos afastem de Vós e de Vosso Plano de Amor, e nos levem ao individualismo, intimismo e autossuficiência.

Senhor, que nosso olfato nos dê a prudência e discernimento para nos afastarmos de tudo aquilo que não cheire bem, porque acompanhado do odor que o pecado exala no mais profundo de nossa alma e coração. Que saibamos sentir o odor do Vosso Amor em permanente presença, e que assim também possamos exalar Vosso suave aroma pelo mundo, por todos os lugares que passemos; a todas as pessoas com quem convivemos.

Senhor, que nosso sentido do tato nos dê a sensibilidade para nos deixarmos tocar por Vossa presença, que nos envolve em terno abraço, e que tenhamos coragem de tocar nas feridas de tantos quantos a nós acorrem, suplicando um pouco de carinho e atenção, estabelecendo uma relação de amor e respeito, edificação e santificação.

Senhor, aguçai nossa inteligência para que, como os pobres e simples, nos abramos à Vossa sabedoria a eles revelada, e, assim como eles, também ouçamos de Vossos lábios louvores a Deus – Eu Te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por que escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos.” (Mt 11, 25)

Enfim, Senhor, que a nossa vontade seja sempre a Vossa vontade, somente assim, felizes seremos, pois sem Vós nada temos, nada podemos e nada somos, e tão somente assim poderemos não apenas rezar a Oração que nos ensinastes, mas vivê-la como o mais belo Projeto de Amor, porque Projeto Divino a ser realizado pela nossa frágil humanidade, quando os dons, com amor e alegria são partilhados, por Vós multiplicados. Amém!

PS: Apropriado para a passagem o Evangelho de Marcos (Mc 8,1-10)

O amor cristão

                                                               

O amor cristão

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração,
de toda tua alma, de todo teu entendimento,
e com toda a tua força. O segundo é este:
 Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
 Não existe outro Mandamento
maior do que este”
(Mc 12,30-31)

O amor cristão tem endereço, destino.
Ora aponta para o sentido vertical,
Ora desafiadoramente para o horizontal,
Ambos de forma total e incondicional.

O amor cristão tem dupla dimensão:
A Deus que não se vê e ao próximo que se vê.
Ama-se a Deus em cada próximo,
Ama-se o próximo em Deus.

O amor cristão tem um brilho próprio
Que irradia luz nas situações mais obscuras,
Porque procede da Divina Fonte de Luz,
Que é Aquele que tanto amamos: Jesus.

O amor cristão ressoa sempre como Boa Nova,
Para criar e recriar relacionamentos
Na mais bela e madura expressão:
A graça de dar e receber o perdão.

O amor cristão é o fermento indispensável
De um mundo novo que deve ser anunciado;
De relações justas e fraternas a serem restabelecidas,
Tornando a vida mais plena e mais bela.

O amor cristão tem um referencial
Que nos ama com amor imensurável:
A medida sem medida do Amor de Deus,
Que máxima expressão na Cruz aconteceu.

Amar como o Apóstolo Paulo cantou,
Infinitamente superior a quaisquer outros dons,
Porque o amor jamais passará,
Que dá novo sentido ao que somos e fazemos.

O amor cristão tem endereço, destino.
Volto à primeira de todas as afirmações sobre o amor cristão:
Urge endereçar nosso amor, concretizá-lo,
Para que nos credenciemos à eternidade.

O milagre do amor e da partilha

                               

O milagre do amor e da partilha

Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 15,29-37), vemos Jesus curando os enfermos e fazendo o sinal da multiplicação dos pães.

Oremos:

Cristo Jesus, contemplamos na multiplicação dos pães a representação e o pré-anúncio do Vosso Banquete Eucarístico, mais tarde celebrados com Seus Apóstolos, e por nós para sempre até que volteis gloriosamente.

Cristo Jesus, neste Vosso Banquete tiveram lugar, principalmente, os pobres, doentes, desamparados, humildes e todos aqueles que ajudam os necessitados, com gestos de amor, partilha e solidariedade.

Cristo Jesus, também queremos dele participar, procurando a Vós com humildade, conscientes de nossa miséria, e acolhidos pela Vossa infinita misericórdia, que nos convida e nos acolhe, não pelos nosso méritos.

Cristo Jesus, por Vós somos curados, de modo especial através dos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia, principalmente, na mais estreita e desejada relação e interação.

Cristo Jesus, com poucos pães e poucos peixes, Vos revelastes como nossa divina fonte de vida e Salvação, no sinal do amor, partilha e comunhão.

Cristo Jesus, que a oferta de nossas ações, sofrimentos e alegrias, e de nosso trabalho, se tornem para nós matéria por Vós assumida e eucaristizada, como parte integrante do Vosso Divino Sacrifício Redentor.

Cristo Jesus, convosco, neste sinal, aprendemos a recolher os fragmentos, cuidando das minúcias, dos pormenores, com atenção às pequenas coisas, as únicas que podemos oferecer para que nada a ninguém venha a faltar.

Cristo Jesus, seja também para nós uma advertência à nossa civilização de abundância e do consumo de poucos e a fome e a miséria de muitos, para um mais generoso desinteresse no uso dos bens, de modo que ninguém fique excluído do essencial para uma vida digna e feliz.

Cristo Jesus, que partícipes do Vosso Banquete, aprendamos com a mais bela lição que nos destes neste sinal, o mesmo a fazer, em alegre e generosa doação de tudo que temos e somos, de modo especial aos que nada possuem. Amém.



Fonte de Inspiração: Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.21.

Apropriado para a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 8,1-10; Lc 9,11b-17)

Peregrinar na esperança, crescer no amor fraterno

                                                              


Peregrinar na esperança, crescer no amor fraterno
 
Na passagem da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 12,9-12), temos um "pequeno decálogo" que nos ilumina no testemunho de nossa fé e adesão ao Senhor, sobretudo para nós, Seus discípulos missionários:
 
“O amor seja sincero. Detestai o mal, apegai-vos ao bem. Que o amor fraterno vos una uns aos outros com terna afeição, prevenindo-vos com atenções recíprocas. Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, servindo sempre ao Senhor, alegres por causa da esperança, fortes nas tribulações, perseverantes na oração”.
 
Vejamos o  “pequeno decálogo:
 
1.           Viver um amor sincero;
2.           Detestar o mal, apegando-se ao bem;
3.       Viver o amor fraterno, que nos une aos outros com terna afeição;
4.           Cuidar dos relacionamentos com atenções recíprocas;
5.           Ser zeloso e diligente;
6.           Ser fervoroso de espírito;
7.           Servir sempre ao Senhor;
8.           Ser alegre por causa da esperança;
9.           Forte nas tribulações;
10.        Perseverante na oração.
 
Fundamental que, em todo o tempo, nossas comunidades se empenhem em viver relações mais fraternas, contando com a presença e ação do Espírito, para pôr em prática este “pequeno decálogo”, dando razão de nossa esperança, numa fé íntegra e esforçada caridade.
 
Oremos:
 
Vinde, Espírito Santo, sobre a Igreja, com o amor entranhado de um irmão mais velho, para que nossa alma ao receber a Vossa luz, seja elevada acima da inteligência humana, e veremos o que antes ignorávamos.
 
Vinde, Espírito Santo,  como raios de luz para iluminar também os que se encontram nas trevas, e assim como ao nascer do sol, recebam nos olhos a Sua luz,  enxergando claramente coisas que até então não viam.
 
Vinde, Espírito Santo, sobre a Igreja, para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar nossa alma e a de todos que nos foram confiados.  Amém!  (1)
 
(1) Inspirado nos escritos do Bispo de Jerusalém, São Cirilo (séc. IV)

Iluminados e iluminantes

                                                      

Iluminados e iluminantes

Em todo tempo, favorável ou adverso, é preciso irradiar a luz do Espírito que em nós habita, pela graça batismal recebida, pois o próprio Senhor nos disse que somos a luz do mundo (Mt 5,14), e disse também: 

“Eu Sou a luz do mundo, quem me segue, não anda nas trevas mas terá a luz da vida” (Jo 8,12); e no mesmo Evangelho: “Enquanto estou no mundo Eu sou a luz.” (Jo 9, 5).

Fundamentais são também as palavras do Apóstolo Paulo: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz” (Cf. Ef 5,8). Em outra passagem, novamente insiste: “Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas.” (Cf. 1Ts 5,5).

Nisto consiste a missão do discípulo missionário do Senhor: ser luz do Senhor, por Ele iluminados e d’Ele iluminantes, em todos os tempos e âmbitos (família, comunidade, trabalho, cultura, lazer, meios de comunicação; lugares reais ou também nos espaços/mídias virtuais).

De fato, quando Cristo ocupa o primeiro lugar, a fé se torna prática e resplandecemos como astros no mundo, não para um exibicionismo estéril, mas para testemunhar a Palavra Divina, Palavra de vida, e assim, frutos eternos produzir, alegria plena alcançar, como o Senhor disse e prometeu.

Somos iluminados e iluminantes quando fagulhamos o fogo do Espírito, que faz arder nosso coração para que o mundo seja mais terno, quando somos sobressaltados com a frieza diante da vida, com mortes absurdas e inadmissíveis (guerras e conflitos pelo mundo), a fome ceifando vidas de inocentes, e outros fatos que bem conhecemos, se a frieza não congelou a nossa sensibilidade, e se não tenhamos permitido que o sentimento de impotência, ou indiferença, tenha nos cegado os olhos e petrificado nosso coração.

Somos iluminados e iluminantes quando, como um pincel de luz, incansavelmente, comunicamos raios de luz em todas as situações, em todas as horas, sobretudo nas mais difíceis e sombrias, como a morte de alguém que tanto amamos. 

Importa ser sempre a luz do Senhor, noite e dia, iluminados e iluminantes, como também exortou Paulo aos Filipenses:

“Sede irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus, inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual deveis resplandecer como astros no mundo..."  (Fl 2,15).

Quão precioso e enriquecedor é para nós os testemunhos de irmãos nossos que, vivendo em lugares tão diferentes, com realidades próprias, testemunham também uma só Palavra, um só batismo, um só Senhor, um só Espírito e o amor de Deus, que os impulsiona e acompanha para que irradiem a luz batismal, pois, como discípulos missionários do Senhor, iluminados e iluminantes somos.


PS: Apropriado para reflexão das passagens do Evangelho: Mt 5,17-37; Mc 4,21-25; Lc 8,16-18

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